Educação Digital – Mais uma disciplina na grade curricular?

abertura

Na semana passada fui procurada pelo repórter César Rosati da Rádio CBN-SP para comentar sobre Educação Digital e a pesquisa inédita da FecomercioSP, assunto esse que me é muito relevante e preocupante ao mesmo tempo por dois motivos:

  • Pelo caráter obrigatório de a Educação Digital integrar a grade curricular como disciplina, embasada no artigo 26 do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014);
  • Pela transferência da responsabilidade da Educação Digital para a escola.

Primeiramente quero informar, para quem ainda não teve acesso à pesquisa, alguns dos tópicos que serviram de base para que a mesma fosse realizada entre fevereiro e abril de 2015. O questionário continha 14 perguntas que foram respondidas por 400 donos e diretores de escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio do Estado de São Paulo.

Represento no quadro abaixo os resultados obtidos sobre as seguintes questões: a quem compete a Educação Digital e  sua obrigatoriedade como disciplina escolar.

Gráfico

Não sou favorável a integrar a Educação Digital como disciplina escolar. Acredito que será mais um barco remando contra a maré, e inicio a fundamentação desta minha objeção fazendo os seguintes questionamentos: Como o professor conseguirá orientar seus alunos a não postarem fotos íntimas, do seu cotidiano, se os pais dos mesmos alunos agem dessa mesma forma? Como o professor orientará sobre a importância da preservação da intimidade se todos os anos os alunos assistem, com disponibilidade de 24 horas, aos programas do tipo BBB quesão exibidos em horário nobre e disponibilizados através da internet sem interrupções? Como poderá a escola caminhar na contramão e não trombar?

Esse é um assunto para ser tratado dentro e fora da escola, mas não como uma disciplina, o qual o aluno decorará as respostas e responderá de acordo com o esperado pela escola e não pelo que realmente ele pratica, para obter boa nota e se sentir educado digitalmente. Acabará sendo o aluno treinado exatamente como ocorre para que passe no Vestibular, se saia bem na Prova Brasil, no Enem, e tantos outros “medidores de aprendizagem”, que, com seu olhar míope, em nada contribuem para uma educação de qualidade.

Transferir a responsabilidade para a escola é “lavar as mãos”. #simplesassim.

A Educação Digital tem que acontecer sempre que ocorrer uma situação que necessite de orientação, não importando se a criança ou adolescente está na escola, em casa ou na comunidade.

Para saber orientar e aconselhar sobre os problemas que surgem durante a navegação na internet é preciso estar ativo na rede, caso contrário ficará difícil entender o que realmente está acontecendo, e essa falta de entendimento dificultará a orientação.

Não vejo eficácia em introduzir a Educação Digital como disciplina, porém acredito ser de suma importância a Educação Digital estar presente 24 horas por dia tanto na escola, quanto na família, na comunidade, na sociedade e dentro da própria rede.

É responsabilidade e compromisso de todos nós.

Todos sabem que matar alguém é crime. Nenhuma disciplina precisa ser introduzida na escola para falar sobre os perigos de se manusear uma arma, sobre o possuir ilegalmente uma arma, sobre os cuidados de se manter a arma fora do alcance das crianças e tantas outras informações. Mesmo sabendo que muitas crianças andam armadas, utilizam a arma para roubar, brincam com a arma dos pais, mesmo assim não é responsabilidade única da escola orientar sobre essa prática, porém a escola não se omite na reflexão junto dos seus alunos quando casos envolvendo uso de armas por crianças e adolescentes acontecem e são noticiados. A escola se faz sempre presente toda vez que é necessário, na orientação e alerta sobre todos os assuntos, independente de estar contido na grade curricular. Isso ocorre porque o professor lida com vidas, diariamente, e como ser humano educador não consegue se omitir diante das barbaridades, mesmo porque, ninguém está livre de nada. Agora impingir à escola e ao professor a responsabilidade maior pela Educação Digital é um contrassenso.

Cabe também à União o dever de orientar sobre a prática do cyberbullying, sobre os perfis falsos, e tantas outras práticas através de propagandas explicativas, de panfletos educativos, de Palestras e Encontros reunindo gestores, professores, pais, alunos, comunidade, enfim aberto a todos que interajam uns com os outros.

Escute abaixo o parecer que dei para a CBN sobre o tema Educação Digital

MULHERES – Educando e formando o futuro

Dia Internacional da mulher

Nós, dia após dia, somos açoitados por notícias de novos casos de corrupção, desvio de dinheiro, formação de quadrilha, assalto a mão armada, sequestro, golpe, latrocínio, bala perdida e mais uma infinidade de agressões e lesões que ora machucam o corpo e ora machucam a alma assustando, amedrontando e decepcionando, nós, cidadãos e trabalhadores honestos e de boa índole.

Será que essa enxurrada de más ações é fruto de valores e atitudes éticas confusas e desgastadas diante da banalidade do comportamento humano?

Essa banalidade do comportamento humano se deve ao fato de sermos fruto de uma sociedade que historicamente sempre coibiu o pensar?

No tempo da ditadura a escola era uma fábrica de pessoas que aprendiam a obedecer sem questionar. Essa obediência era estendida aos lares o qual a família se intimidava pelas notícias que enfatizavam o exílio e demais punições aos que tentavam exercer o pensar.

Hoje, triste realidade, ainda somos subestimados por aqueles que, ao serem eleitos para nos representarem, arbitrariamente, se dão o direito de maquiar a realidade usando palavras enganosas imaginando que o pensar não faz parte do nosso cotidiano.

Continuam a agir  igual ao tempo em que o trabalho da mulher era apontado como inferior e ela qualificada como ser não pensante e portanto sem opinião e sem bagagem para identificar sua real posição na sociedade.

Bom seria não ser preciso mencionar o sexo ao falar sobre qualquer assunto, pois o mundo não deve ser dividido entre homens e mulheres, afinal somos todos seres humanos. O problema da mulher não é o homem e o problema do homem não é a mulher, muito pelo contrário, mulher e homem são seres que se completam. Cada qual vive e enfrenta as barreiras que se apresentam no decorrer da caminhada, porém ao caminharem lado a lado, se tornam mais fortes e seus limites são potencializados com a união das forças, física, espiritual, intelectual e emocional.

Tudo isso é algo muito mais grandioso do que a identificação do sexo. Trata-se do sincronismo da diversidade que habita em cada um de nós.

É por essa razão que hoje, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, não vou me reportar à super mulher como fiz no primeiro artigo meu escrito em 2005; às grandes mulheres que se destacaram por suas ações, pensamentos, coragem como fiz neste post e outros similares que escrevi ao longo dos anos, mas vou sim focar na mulher comum que sai de casa cedo ou não tão cedo assim, que trabalha, que estuda, que quer ser mãe e que além de se importar com a decoração do quarto e do enxoval, se preocupa com o exemplo que dará a seu filho(a) e com os conceitos que passará para ele(a) durante toda a vida.

Quero homenagear aquela mulher que está sempre atenta ao que o filho traz para casa ensinando que o ditado “achado não é roubado” é um equívoco e que se o objeto está ali é porque alguém o perdeu e que com certeza voltará para procurar e ficará muito feliz ao encontrá-lo.

Quero homenagear aquela mulher/mãe que se preocupa em, com seu exemplo, transmitir valores como respeitar o outro não importando seu cargo, sua posição social ou quanto de dinheiro traz na carteira.

Quero homenagear aquela mulher/mãe/professora que esclarece aos seus filhos/alunos que delação premiada não é um ato louvável e muito menos digno de ser imitado. Que o conceito de delação premiada é, na legislação brasileira, um benefício legal concedido a um criminoso delator, que aceita colaborar na investigação entregando seus companheiros para obter uma diminuição na pena. Tirar proveito em tudo e de tudo é uma atitude abominável.

Quero homenagear aquela mulher/mãe que ao constituir uma família se sente responsável pela formação humana ensinando conceitos básicos como, por exemplo, que a honestidade é a base da confiança e que se cada um respeitar o outro e o que é do outro a convivência em sociedade será muito mais harmoniosa.

Por isso que hoje, dia 08 de março, homenageio a mulher mãe e a mulher professora, que, com consciência e dedicação, não desistem de formar daqueles que serão os responsáveis pelo futuro do nosso país.

Espero confiante que o nosso país, bonito por natureza, e que o nosso povo, gentil e hospitaleiro, possam escrever uma história bem diferente da que está sendo escrita hoje, e que o brasileiro possa caminhar com a cabeça erguida e com a dignidade tatuada em verde e amarelo.