Agora é a hora!

Estamos vivendo uma situação muito delicada que exige atenção e cuidado.

Não é de hoje que alertas estão sendo dados no tocante a educação das nossas crianças.
Os pais apoiando-se em motivos variados mantêm-se omissos quanto à formação ética e moral dos seus filhos.

A escola tem alertado sobre esta lacuna, porém, por não ter uma estrutura programada para suprir esta falta acaba por não desempenhar satisfatoriamente nem mesmo o seu papel de formação integral do aluno.

É líquido e certo que o papel de educar a criança pertence tanto à família quanto à escola, sendo que cada uma deve cumprir com suas responsabilidades.
Sabemos também que nada disso vem acontecendo, pois os pais alegando falta de tempo não educam seus filhos e a escola alegando falta de tempo não cumpri com o seu papel de formar cidadãos. Assim sendo o espaço reservado para a educação das nossas crianças está vazio.

Está aberta então uma brecha para que qualquer um venha ocupar este espaço.

Metaforicamente falando se eu estou sentada numa cadeira e levanto deixando-a vazia eu estou propiciando a possibilidade de que alguém venha se sentar nela. Esta cadeira pode ser ocupada por uma pessoa que queira apenas descansar como pode ser ocupada por uma pessoa que queira ficar observando e interferindo nos fatos que ocorrem à sua volta.

Depois que a cadeira foi ocupada fica difícil conseguir que a pessoa se levante dela.

É justamente isto que está acontecendo. A “cadeira” da educação está vazia e estamos propiciando que qualquer pessoa sente-se nela.

O Estado está de olho nesta cadeira vazia para querer sentar-se. Estamos percebendo isto diante dos primeiros passos que estão sendo dados para o controle da programação da televisão.

A televisão é um eletrodoméstico que integra a casa da maioria dos brasileiros. A televisão sempre foi encarada como um meio de distração e informação. O brasileiro sempre teve e tem total liberdade para assistir o programa que bem lhe convier. Sempre teve e tem total liberdade para educar e conscientizar seus filhos sobre o que deve ou não ser assistido por eles na televisão.

Ocorre que a cada ano que passa a falta de orientação dos pais para com seus filhos está ficando cada vez mais evidente sendo esta afirmação constatada por dados estatísticos.

Outro dia assisti a uma entrevista do nosso Ministro da Saúde José Gomes Temporão na qual ele mencionou a queda do consumo do cigarro em razão da proibição da propaganda na televisão. De imediato tive certeza que a queda do consumo não havia ocorrido entre o público adulto, pois este só pára de fumar por vontade própria.
Pois bem, se o consumo do cigarro após a proibição da propaganda na televisão caiu consideravelmente entre os adolescentes e jovens é porque estes estão crescendo sem receber qualquer orientação tanto por parte dos pais quanto por parte da escola.

Temos que nos preocupar e muito com o fato dos nossos jovens não terem opinião própria e serem altamente influenciáveis.

Agora, a melhor orientação nunca foi e nunca será a proibição. E é isto que está acontecendo, e é isto que não podemos permitir que continue a acontecer.

Começaram com o cigarro, agora estão trabalhando em relação à bebida, à classificação indicativa na programação tanto televisiva, como cinematográfica e teatral. Enfim, estamos a um passo de uma censura generalizada.

O que uma criança deve ou não assistir na televisão cabe aos seus pais decidir. Eles, melhor do que ninguém, sabem os valores que estão sendo passados para a formação dos seus filhos.

Sabemos que enfiar o dedo na tomada é perigoso. Então iremos tirar todas as tomadas na nossa casa?!

O Estado tem consciência de que nosso povo, por não ter orientação dentro de casa, é totalmente conduzível. Se permitirmos que isto avance, amanhã estaremos vivendo um imenso “1984” como George Orwell descreveu. Acordaremos de manhã, todos no mesmo horário, para fazermos ginástica monitorada pela televisão porque isto faz bem à saúde, dentre outras coisas.

Temos que nos conscientizar que formar cidadãos é colocar-los a par de tudo e dar-lhes embasamento para que eles saibam agir diante de toda e qualquer situação. Quando censuramos e conduzimos as pessoas, elas só saberão obedecer. Quando se virem sem os comandos não saberão o que fazer.

Além do mais, toda e qualquer situação tem sempre duas formas para ser analisada, vai depender dos conceitos e valores de cada um. A maldade mora na cabeça de cada um. Exemplificando: uma foto de pessoas nuas pode ser interpretada como arte, mas também como pornografia, vai depender da concepção de quem a está olhando.

Não há como censurar e privar as pessoas do acesso à informação, principalmente porque vivemos a Era da informação. Como podemos ficar subjugados à interpretação de meia dúzia de pessoas que vão olhar tudo com olhos de censura? Se tivermos esta missão poderemos ver maldade até no introduzir a colherinha na xícara de café com leite e fazer movimentos giratórios. Isto pode significar um ato de atentado ao pudor.
Então pergunto: Quem é o dono da verdade? Quem tem embasamento suficiente para dizer o que é certo e o que é errado?
Sabe-se hoje, mais do que nunca, que toda ação pode ser considerada certa ou errada dependendo das circunstâncias.

Não podemos de forma alguma permitir que andemos para trás. Já vivemos isto e não aprovamos. Não podemos deixar que isto volte a acontecer!

Pai, tome as rédeas da educação do seu filho.

Não dê este direito a ninguém.

Você é a melhor pessoa para saber o que é bom e o que é ruim para o seu filho. Não permita que ninguém lhe tire este direito.
Porém, para não permitir que alguém sente na sua cadeira, você tem que estar sentado nela

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