Primeiro faz, depois pensa!


Quando será que o brasileiro irá perder o péssimo hábito de primeiro falar que vai fazer algo e depois pensar. É claro que falo isso de uma maneira geral, pois existem muitos brasileiros sensatos, comedidos e honestos. Sempre é tempo de salientar estas qualidades, que na verdade não deveriam ser enquadradas como qualidades e sim como atitudes normais e habituais, porém, diante de tanta insensatez e desonestidade estas ações passaram a pertencer ao rol das qualidades.

Mas na verdade iniciei comentando “o fazer sem pensar “ embasada nas medidas tomadas pela secretária estadual de Educação de São Paulo Maria Helena Guimarães de Castro, com o aval do governador José Serra, em relação ao programa de planos e metas para a educação lançado esta semana.

Tenho certeza que a intenção foi a melhor, porém de boas intenções… Não há como propor mudanças e estabelecer metas sem ouvir a parte que irá colocar este plano em prática.

Um programa para ter sucesso não pode ser elaborado unilateralmente, mesmo porque, são comuns os cargos de secretarias e ministério da educação não serem ocupados por professores que vivenciaram o dia a dia em sala de aula. Esta experiência é condicional para a elaboração de qualquer mudança. Não há como mudar olhando o todo, o geral, o superficial. As grandes mudanças sempre foram feitas de pequenas e cotidianas atitudes.

As metas estabelecidas com prazo até 2010 são excelentes. Que maravilha termos todos os alunos de 8 anos plenamente alfabetizados, poder reduzir em 50% as taxas de reprovação da 8ª série; implantar programas de recuperação para alunos com dificuldades de aprendizagem nas oitavas séries e no ensino médio; aumentar em 10% os índices de desempenho dos ensinos fundamental e médio nas avaliações nacionais e estaduais; ter atendimento de 100% na demanda de jovens e adultos de ensino médio; oferecer programas de formação continuada de professores e de capacitação dos dirigentes e diretores; promover a descentralização da alimentação escolar e providenciar programas de obras e infra-estrutura física nas escolas.

Numa visão geral o programa é excelente e gera uma grande expectativa, porém ninguém procurou ouvir o responsável pela sua execução – o professor.

O professor que está diariamente em contato com a criança e que é o responsável por sua aprendizagem deve relacionar os itens que realmente dificultam e prejudicam a qualidade do ensino.

O programa não estabelece um número limite de 25 alunos por sala de aula acabando com a superlotação, que é uma realidade em todas as escolas públicas, e que contribui e muito para que a aprendizagem não ocorra.

Nas séries iniciais, além da diminuição do número de alunos em sala de aula é fundamental que a professora tenha uma auxiliar para ajudar na assistência das crianças no processo de alfabetização.

E a melhoria dos salários? Ao invés de propor bonificações por desempenho, não seria mais justo estabelecer um salário digno diminuindo assim a necessidade de duplicar e muitas vezes triplicar a jornada semanal em busca de uma remuneração de sobrevivência?

Funcionário valorizado é funcionário satisfeito e consequentemente produtor de bons resultados.

Não há dúvidas de que o professor é um profissional que realmente exerce sua profissão por amor. Não existe nenhuma outra explicação que justifique o passar por tantas privações, sofrimentos, injustiças e ainda assim continuar em sala de aula.

Vamos unir forças objetivando uma educação plena e eficaz, mas para que isso ocorra o professor tem que ser ouvido.

Povo desenvolvido é aquele que valoriza e respeita seus professores.

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