Sadan, meu amigão!

Há doze anos atrás chegou para compartilhar do convívio da minha família uma figurinha pretinha, gordinha, com apenas quarenta dias de vida, parecia uma bolinha, mas na verdade tratava-se de um lindo filhote de pastor alemão capa-preta.

Chorou muito nas primeiras noites, mas após um revezamento entre eu e meus filhos ele acalmou.

Fizemos uma mesa redonda onde sugestões foram dadas para votarmos no nome que daríamos à ele. Sadan foi o vencedor e a partir deste dia seu nome não saiu mais das nossas conversas.

Em casa tínhamos cinco tuias plantadas no jardim. Tuias, para quem não sabe, é aquela arvorezinha baixinha que pode ser podada imitando um pinheirinho de Natal. Também pode ser podada no formato arredondado ficando apenas uns vinte centímetros acima do chão que era o caso da nossa tuia. Pois Sadan adorava deitar embaixo delas. Acontece que Sadan crescia rapidamente e as tuias conservavam-se pequenas. Ele não se conformava de não mais conseguir deitar embaixo delas e ficava bravo ao insistir. Eu também ficava brava com ele que acabava quebrando os galhos rasteiros deixando-as tortas.

Sempre foi muito inteligente aprendendo tudo com muita rapidez. Aprendeu a dar a patinha, a sentar, a se fingir de morto e a rolar no chão. Tudo isso ensinado por meus filhos.
Não podia ouvir a palavra “passear” que já saia correndo e enfiava a cabeça no armário onde ficava guardada sua coleira. Ao colocar a coleira pegava a guia com a boca e corria alegremente até o portão esperando abri-lo para que pudesse finalmente passear.

Os filhos foram crescendo, se mudando para estudar fora, e a casa acabou ficando imensa. Quando a caçula entrou na faculdade em outra cidade resolveu que iria levar o Sadan para morar com ela, afinal ele era o “filho” dela e uma mãe não abandona seu filho. E foi o que fez. Faz quatro anos que Sadan também se mudou de casa.

Acontece que ele já está velhinho. Infelizmente a velhice nos animais chega numa velocidade muito maior do que chega para nós.

Esta semana que passou Sadan foi operado para amenizar as dores que sente nas patas traseiras em razão da artrose. Foi feita uma denervação e eu fui ajudar na recuperação pós-cirúrgica.

Ele chegou no apartamento meu anestesiado. Teve que ser transportado em um cobertor por três homens, afinal ele pesa cinqüenta quilos. Ficou alojado no tapetão da sala de visitas. Eu e minha filha acordávamos toda vez que ele gemia, para mudá-lo de posição.

Ele ainda continua muito esperto. Se era sua vontade virar-se para o outro lado, ele deitava de lado e ficava esperando o comando. Quando dizíamos “vai Sadan” ele dava impulso com as patas dianteiras ajudando-nos a virá-lo.

Quando não queria virar, não adiantava forçar que ele não deitava de lado.

Às vezes ao nos ver ele já deitava de lado e fazia uma carinha de quem estava esperando para ser virado, e ao comando lá estava ele dando impulso com as patas dianteiras.

Hoje é um dia muito especial, pois ele vai iniciar sua recuperação usando um tipo de “andador” para ajudar no fortalecimento das patas traseiras.

Sadan, estamos todos torcendo muito por você.
Força meu amigo.
Quero ver você andando sozinho logo, logo.
Te amamos muito!

Um beijo da sua família.

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