Datas comemorativas, continuação


Quatro aulas com Duque Estrada

Para muitos, o Hino Nacional não empolga os alunos por ter uma letra complexa, que exige esforço para ser entendida. A professora Laura Cristina de Paula acha que é isso que o torna atraente. “Além do desafio de entender o seu significado, a letra permite dar uma rica aula de Português”, diz ela, que leciona para a sétima e oitava série da Escola Caio Pereira, em Recife (PE). Laura usou o livro O Hino Nacional Brasileiro (Aldo Pereira, 32 páginas, Grifo, tel. 021-240-7806, 3,50 reais) para elaborar sua aula.
Proponha à turma discutir o significado da palavra “hino”. Deve ficar claro que o hino é feito para exaltar algo. Distribua a letra do hino. Junto com a classe, destaque as palavras menos comuns, como “penhor” e “clava”. Peça para pesquisarem o significado no dicionário e formarem frases com elas.
Passe para a compreensão do texto. Por que o autor usa um número tão grande de adjetivos? E o Riacho do Ipiranga, ele é tão importante assim? Se o Brasil for ameaçado, o que o texto diz que os brasileiros farão?
Apresente o hino na ordem direta (veja ao lado). Explique que na literatura muitas vezes a ordem natural das frases é mudada para chegar às rimas ou obedecer à métrica. Prove isso pedindo à classe para cantar o hino com a letra na ordem direta.
O hino está repleto de figuras de linguagem. Mostre-as para os alunos, mas peça que procurem outros exemplos. Entre as figuras de linguagem está a metonímia, que designa um objeto por outra palavra que tenha relação com ele. É o caso de “terra adorada”, usada como sinônimo de “Brasil”. A hipérbole, o exagero como artifício estilístico, está presente na expressão “entre outras mil”. O “Ó Pátria amada” é uma apóstrofe, um apelo direto a um ser real ou fictício.

Duas letras do Hino Nacional Brasileiro

Versos de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927)
Música de Francisco Manuel da Silva (1795-1865)

Autor de um livro sobre o Hino Nacional, o jornalista Aldo Pereira propõe que sua letra seja lida na ordem direta para uma melhor compreensão. Ele fez, também, um glossário com as palavras menos conhecidas.
A versão no original…
I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor desta igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida,”
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.
Ó Pátria amada…
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada…
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil

…e na ordem direta

As margens plácidas do Ipiranga ouviram
o brado retumbante de um povo heróico,
e, nesse instante, o sol da Liberdade
brilhou, em raios fúlgidos, no céu da Pátria.
Se conseguimos conquistar com braço forte
o penhor desta igualdade,
em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito
desafia a própria morte!
Ó Pátria amada,
idolatrada,
salve! salve!
Brasil, se a imagem do Cruzeiro resplandece
em teu céu formoso, risonho e límpido,
um sonho intenso, um raio vívido
de amor e de esperança desce à terra.
És belo, és forte, impávido colosso,
gigante pela própria natureza,
e o teu futuro espelha essa grandeza.
Ó Pátria amada,
Brasil, [apenas] tu,
entre outras mil [terras],
és terra adorada!
Pátria amada, Brasil,
és mãe gentil dos filhos deste solo!

II
Ó Brasil, florão da América,
deitado eternamente em berço esplêndido,
ao som do mar e à luz do céu profundo,
fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!
Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores do que a terra mais garrida; [e
assim como] “nossos bosques têm mais vida,” [também] “nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”.
Ó Pátria amada…
Brasil, o lábaro estrelado que ostentas
seja símbolo de amor eterno,
e o verde-louro dessa flâmula diga:
— Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues a clava forte da justiça,
verás que um filho teu não foge à luta,
quem te adora não teme nem a própria morte.
Terra adorada…
entre outras mil [terras],
és terra adorada!
Pátria amada, Brasil,
és mãe gentil dos filhos deste solo!

Margens plácidas
“Plácida” significa serena, calma. Esse é o tom desses versos. Ao contrário do hino de outras nações, o nosso não fala em guerras
IpirangaÉ o riacho junto ao qual D. Pedro I teria proclamado a independência. O Ipiranga nasce junto ao zoológico da cidade de São Paulo
Brado retumbante
Grito forte, que provoca eco
Penhor
Usado de maneira figurada, “penhor desta igualdade” é a garantia, a segurança de que haverá liberdade
Imagem do Cruzeiro resplandece
O “Cruzeiro” é a constelação do Cruzeiro do Sul, que brilha, ou resplandece, no céu
Impávido colosso
“Colosso” é o nome de uma estátua de enormes dimensões. Estar “impávido” é estar tranqüilo, calmo
Mãe gentil
A “mãe gentil” é a pátria. Um país que ama e defende seus “filhos”, os brasileiros, como qualquer mãe
Florão
“Florão” é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas. O Brasil seria o ponto mais importante e vistoso da América
Garrida
Enfeitada, que chama a atenção pela beleza
Lábaro
“Lábaro” era um antigo estandarte usado pelos romanos. Aqui é sinônimo de bandeira
Clava forte
Clava é um grande porrete, usado no combate corpo-a-corpo. No verso, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.

Viagem ao Brasil Império

Setembro é o mês da Independência. Há 185 anos, D. Pedro I declarou que as terras portuguesas na América não pertenciam mais a Lisboa. Foi o início do nosso império, que durou até a proclamação da República, em 1889. Os dois museus aqui indicados, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, expõem todo o esplendor da época.

MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS
A casa de D. Pedro II
Assim como toda nobreza européia, a família real brasileira também construiu um palácio para descansar durante os meses de verão. Numa viagem a Minas Gerais, em 1822, D. Pedro I encantou-se com uma propriedade no alto da serra fluminense. Comprou-a e por anos sonhou construir ali um palácio. Episódios políticos que ocorreram após a separação de Portugal obrigaram o príncipe a abandonar o Brasil em 1831. Mas seu filho e sucessor, D. Pedro II, herdou a Chácara do Córrego Seco e ergueu ali, entre 1845 e 1862, o palácio que entraria para a história como sua residência preferida.

Quem vai ao Museu Imperial de Petrópolis, que hoje funciona no palácio, fica com a impressão de ter viajado no tempo ao observar charretes, roupas, louças, jóias, o trono e a coroa do imperador. Essa peça — de ouro cinzelado, 639 brilhantes e 77 pérolas incrustadas — é a mais procurada pelo público e revela toda a opulência do império. Nos jardins, é possível comprovar como D. Pedro II era um profundo conhecedor de espécies raras da fauna e da flora brasileira e estrangeira. Lá há diversos exemplares de bromélias, palmeiras e outras espécies centenárias. O museu tem ainda um arquivo com cerca de 200 mil documentos, gravuras, mapas e fotografias que atende a pesquisadores de todo o mundo. A biblioteca, especializada em história brasileira dos séculos 18 e 19, tem mais de 40 mil volumes, periódicos e livros raros à disposição de estudantes e professores.
O valor do nosso patrimônio
Ao visitar com os alunos — in loco ou virtualmente — qualquer um dos dois museus, você tem uma ótima oportunidade para introduzir o conceito de educação patrimonial e ensinar a importância de prédios e objetos antigos. No museu de Petrópolis, as turmas da Educação Infantil vão aprender história com auxílio de um teatrinho de fantoches. No enredo, uma família de ratos visita vários ambientes e descobre como eram as férias da família imperial. Já as turmas de Ensino Fundamental assistem à reconstituição de um sarau — reunião social comum entre os nobres. O Museu do Ipiranga oferece cursos preparatórios para professores que vão levar suas turmas para conhecer o acervo. Não há roteiros definidos, e sim indicações de temas que podem ser explorados — como cotidiano, sociedade e universo do trabalho. O professor fica livre para estabelecer seus objetivos, definir pontos a ser trabalhados e adequar a visita à faixa etária da turma. Em ambos, é aconselhável entrar em contato com o setor educativo antes de levar a turma.

MUSEU DO IPIRANGA
Um monumento à liberdade
Conhecido como Museu do Ipiranga, o Museu Paulista é o grande símbolo do momento em que o Brasil se separou de Portugal. Ele não existia quando D. Pedro I declarou nossa independência, em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho de mesmo nome — hoje canalizado. O prédio, em estilo renascentista italiano, foi construído entre 1885 e 1890 já para abrigar o museu. No salão nobre, os visitantes ficam frente a frente com a pintura Independência ou Morte, de Pedro Américo, uma imagem de liberdade que se cristalizou no imaginário de todos os brasileiros. O acervo é um dos mais indicados para quem quer entender o cotidiano e a sociedade do Brasil do século 19 e meados do século 20. O acervo inclui 125 mil peças, entre utensílios domésticos, roupas, móveis, fotografias, bustos, selos, armaduras, objetos religiosos, medalhas e moedas que cobrem desde o período colonial até a década de 1950. Em cima dos pilares da escadaria foram colocadas 12 ânforas de vidro contendo água dos grandes rios do Brasil, como Tietê, Amazonas, São Francisco, Negro e Paraíba. Do lado de fora, chama a atenção o jardim de 1500 metros quadrados. Inspirado no estilo barroco dos jardins do Palácio de Versalhes, na França, ele foi totalmente restaurado no ano passado. À noite, é possível admirar também as fontes luminosas.

Referências:
www.museuimperial.gov.br.
http://www.mp.usp.br/
www.novaescola.com.br

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