PNEE – Informática





Foto 1 – Pulseira de pesos
Foto 2 – Haste fixada na cabeça
para digitação
Foto 3 – Teclado reposicionado
para digitação com o pé
Foto 4 – Comandando o
computador com sopros
no microfone
Foto 5 – Estabilizador de punho
e abdutor de polegar com ponteira para
digitação

Sugestão da professora Suzi Seixas – PNEE – Informática

Valtemir Rodrigues

Da Voz do Brasil

Brasília – O computador pode ser um importante elo entre crianças e o mundo. Por meio dele, estudantes com necessidades especiais descobrem formas de interação com as letras e os números, driblando os limites impostos por livros, cadernos e salas de aula. Diante dessas possibilidades, o Ministério da Educação criou, em 2003, o Programa de Informática na Educação Especial (Proinesp).

Até agora, foram instalados 456 laboratórios de informática em instituições que atendem estudantes com, por exemplo, dificuldade de locomoção, deficiência visual ou auditiva. Este ano, o MEC planeja implantar outros 500 novos laboratórios de informática nas escolas em que esses alunos estão matriculados.

De acordo com a coordenadora geral de desenvolvimento para a educação especial, Kátia Barbosa, a expectativa é que cerca de 20 mil novos alunos com necessidades especiais sejam atendidos. “O uso da informática como ferramenta de aprendizagem é importante pra todos os alunos, mas em especial para os alunos com necessidades educacionais especiais por que ele dá melhores condições de acessibilidade”, informou a coordenadora.

Segundo ela, a instalação desses equipamentos vai facilitar a inclusão dos jovens, melhorando as condições de ensino. “Nesses laboratórios você pode desenvolver novas formas para atender a diversidade e assim melhorar a qualidade na educação. A gente acredita que a inclusão desses estudantes numa escola beneficia todos os outros alunos e ajuda a entender a diversidade”, disse Kátia.

Os novos laboratórios serão colocados em escolas da rede pública e privada sem fins lucrativos. Cada unidade vai receber seis computadores, uma impressora, um scanner, uma webcam e todos os móveis para o espaço.

A instalação dos laboratórios é feita apenas em escolas onde há alunos com necessidades educacionais especiais. Além disso, o programa oferece o treinamento e a capacitação de pelo menos dois professores em cada escola. Eles farão um curso à distância com duração de 120 horas.

De acordo com o MEC, no Brasil existem cerca de 640 mil alunos com necessidades educacionais especiais matriculados em 37 mil escolas, 33 mil delas públicas.

Portadores de necessidades especiais ganham Centro Vocacional TecnológicoAgência CT
01/04/2005
Muitos brasileiros que sofrem algum tipo de deficiência têm plena capacidade de exercer uma profissão e conseguir sua independência. Com o objetivo de apoiar a inserção dessas pessoas especiais no mercado de trabalho, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF) e a Embaixada da Finlândia inauguraram o mais novo Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do País.
“Este centro é diferente de outros espalhados pelo Brasil, pois tem o objetivo de capacitar, qualificar e inserir no mercado de trabalho pessoas portadoras de deficiências”, ressaltou o secretário de C&T para Inclusão Social do MCT, Rodrigo Rollemberg, afirmando ser a iniciativa importante por inserir na sociedade brasileiros duplamente excluídos, ou seja, excluídos pela deficiência e pela falta de oportunidades no campo profissional. “Acredito que essa é a forma mais eficiente e duradoura de se promover a inclusão social”, completou.
Localizado numa área de 15 mil metros quadrados, em Sobradinho (DF), o CVT servirá de modelo para um programa nacional, disponibilizando cursos de capacitação profissional nas áreas de informática, jardinagem, horticultura e processamento de alimentos.
Os investimentos para a construção do Centro foram repassados à Apae-DF pela Secretaria de C&T para Inclusão Social do MCT – recursos no valor de R$ 250 mil -, e pela Embaixada da Finlândia, – R$ 90 mil – para a aquisição de equipamentos e montagem da estrutura do local, que terá um laboratório de informática, uma oficina de processamento e cozinhas industriais.
O laboratório de informática também permitirá a capacitação dos familiares das pessoas portadoras de deficiências, bem como de toda a comunidade carente de Sobradinho, Planaltina e regiões adjacentes.
O CVT também vai contar com uma horta e um pomar, projetados pela Embrapa-Cerrados e Emater. As frutas e verduras lá produzidas serão utilizadas na cozinha e na fábrica de processamento que existe no local. Participaram também da solenidade a presidente regional da Apae-DF, Diva Marinho, o representante da embaixada da Finlândia, Peka Kailarte, e o administrador de Sobradinho, Paulo Cavalcanti.

Programa “Informática na Educação Especial” do CRPD
O Programa InfoEsp – “Informática, Educação e Necessidades Especiais” do Centro de Reabilitação e Prevenção de Deficiências (CRPD), unidade das Obras Sociais Irmã Dulce, foi implantado em outubro de 1993 em Salvador-Bahia, atendendo, inicialmente, somente a alunos residentes no CRPD.
Primeiro do gênero no Estado da Bahia, a partir de março de 1995 o Programa recebeu o seu primeiro Laboratório de Informática completo (10 computadores 486, alguns com multimídia, equipamento de última geração na época), por meio de convênio com a Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, CORDE, na época, orgão do Ministério da Justiça.
O funcionamento desse Laboratório propiciou, além do aumento no número de alunos matriculados, estendendo esses atendimentos também a alunos da comunidade, um incremento significativo no processo de capacitação permanente e especializado da equipe com três técnicos sendo envolvidos de maneira estável no Programa. Eventualmente e por períodos de tempo pré-definidos, essa equipe é ampliada com a participação de estagiários de diferentes cursos superiores.
Seis anos depois, em setembro de 2001, foi feita a atualização desses equipamentos já defasados, com a chegada de novos computadores e softwares (13 computadores, webcam, impressoras, scanner, máquina fotográfica digital e novos softwares), divididos em dois Laboratórios, através de convênio com o PROINESP (Projeto de Informática na Educação Especial) da Secretaria de Educação Especial do MEC, assim como a participação da equipe em cursos de aperfeiçoamento.
Em maio de 2005, a partir de um convênio com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do Estado da Bahia, foi inaugurado o Projeto de Atualização e Ampliação do Programa InfoEsp, com a chegada de 12 novos computadores e a construção de um novo Laboratório de Informática, o terceiro em funcionamento. Esse convênio, junto com a contratação de um quarto profissional para compor a equipe de trabalho, possibilitou a diversificação dos serviços prestados pelo Programa, que passou a atender a uma outra forte demanda existente, ou seja, o oferecimento de cursos técnicos de informática, em ambiente acessível e adaptado com Tecnologias Assistivas e metodologias apropriadas, principalmente para pessoas com diferentes graus de comprometimento motor ou sensorial, possibilitando a essas pessoas a aquisição dos conhecimentos em informática, tão necessários atualmente para a busca de um espaço no mercado de trabalho. Atualmente são oferecidos dois cursos:
1- Curso de Informática Básica
2- Curso de Montagem e Manutenção de Computadores
A meta é a formação, somente com esses cursos técnicos, de uma média de 100 pessoas com deficiência por ano.
Alem desses cursos técnicos, o Programa InfoEsp também atende, atualmente, a 108 alunos com necessidades educacionais especiais (pessoas com deficiência física, sensorial e deficiência intelectual) de Salvador e municípios próximos, com duas ou três horas-aula por semana. Nesses casos, o objetivo é trabalhar o desenvolvimento cognitivo dos alunos, principalmente crianças e adolescentes, utilizando os recursos do ambiente computacional e telemático. Em alguns casos, também adultos. Esses alunos constroem seus conhecimentos através da interação com softwares que respondem às suas necessidades educacionais, detectadas por avaliação e no decorrer das atividades, segundo uma filosofia e metodologia que configura o paradigma pelo qual optamos. E, com isso, o trabalho têm apresentado resultados que estimulam a sua continuidade, aprofundamento e ampliação, resultados esses percebidos em diversos aspectos do desenvolvimento:

a) Desenvolvimento sócio-afetivo:
– Maior motivação e entusiasmo dos alunos para as atividades educacionais.
– Aumento da interação do aluno com o meio em que vive.
– Maior estímulo para o exercício da criatividade.
– Crescimento do sentido de auto-estima.

b) Desenvolvimento cognitivo:– Compreensão de conceitos e aumento de conhecimentos teórico-práticos.
– Desenvolvimento do raciocínio lógico-dedutivo.

Nesse aspecto encontramos agora, por exemplo, adolescentes com paralisia cerebral que freqüentavam escolas especializadas há vários anos, sem que nunca tivessem conseguido aprender a ler e escrever, e que puderam desenvolver essas capacidades a partir do trabalho no Laboratório de Informática. Alguns deles já prestam, inclusive, pequenos serviços de informática para a instituição e também editam no computador o pequeno jornal do local. Além do desenvolvimento de outras habilidades e conceitos, como a capacidade de ver as horas, o desenvolvimento do conceito de número, comunicação através da Internet, etc., construídos em função do potencial de cada um.
Em relação a utilização da Internet, percebemos também que essa atividade tem influenciado no aprimoramento da comunicação escrita de alguns alunos, através das mensagens de e-mail que são trocadas, além de motivá-los a realizarem pesquisas sobre diversos assuntos na rede. Enfim, desenvolveram habilidades que proporcionam uma melhor interação com o seu meio e uma maior autonomia na resolução dos próprios problemas.

c) Desenvolvimento da psicomotricidade global e fina:
– Maior consciência de possibilidades motoras a serem exploradas.
– Busca de superação de limitações motoras.
– Treino de habilidades de coordenação motora fina.

Para que isto possa ocorrer no trabalho com alunos com necessidades educacionais especiais, freqüentemente é necessário recorrer a diferentes tipos de adaptações que facilitem, ou mesmo possibilitem, o trabalho no computador, principalmente quando se tratam de alunos com alguma deficiência motora ou sensorial. Essas Tecnologias Assistivas podem ser ou órteses, ou adaptações de hardware, ou software especiais de acessibilidade. Com a finalidade de possibilitar o acesso ao computador a alunos com um comprometimento motor mais severo, fazemos uso de diversas adaptações e programas especiais de acessibilidade, que tornam o trabalho possível a essas pessoas. É o caso, por exemplo, de um aluno nosso, adulto, tetraplégico, e que só consegue utilizar o computador através de um programa especial que lhe possibilita transmitir seus comandos somente através de sopros em um microfone. Isto lhe tem permitido agora, pela primeira vez na vida, escrever, desenhar, jogar e realizar diversas atividades que antes lhe eram impossíveis. Ou seja, novos horizontes se abriram para esse aluno, possibilitando que sua inteligência, antes aprisionada por um corpo extremamente limitado, encontrasse novos canais de expressão e desenvolvimento.
Da mesma forma, outros alunos fazem uso de diferentes adaptações, em função das necessidades específicas de cada um, tais como: máscara de teclado (colméia), estabilizador de punho, abdutor de polegar, simuladores de teclado e simuladores de mouse com diferentes acionadores, opções de acessibilidade do Windows e outras
Além desses resultados, o Programa “Informática na Educação Especial” do CRPD tornou-se centro de referência para pesquisa e capacitação de profissionais, sendo convocado, através de membros de sua equipe, por instituições de educação da Bahia, para a formação de técnicos na área, através de palestras, seminários e disciplinas ministradas em cursos de graduação e pós-graduação em instituições de ensino superior, tais como:
– Universidade do Estado da Bahia, UNEB, em Salvador.
– Universidade Estadual de Santa Cruz, UESC, em Ilhéus.
– Faculdade de Educação da Bahia, CEPOM/FEBA, em Salvador.
– Curso de Pedagogia da UNIBAHIA, em Lauro de Freitas.
– Curso Normal Superior das Faculdades UNIME, em Lauro de Freitas.
– Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, em Salvador.
– Faculdade São Bento da Bahia, em Salvador.

O Programa foi chamado a apresentar suas atividades no II Curso de Capacitação de Multiplicadores em Informática na Educação, orientado para a Educação Especial, realizado em Brasília e promovido pelo MEC (Secretaria de Educação Especial – SEESP/MEC), em setembro de 2000, através de seu coordenador que, como palestrante convidado, proferiu a palestra “O Programa Informática na Educação Especial do CRPD: O Aluno Construindo sua Autonomia”.
Ao Programa também foi solicitada a apresentação de projetos de capacitação de professores, em Informática na Educação Especial, para diferentes instituições especializadas de Salvador. Em abril de 2000 iniciamos a capacitação dos professores da APAE-Salvador com um curso introdutório de 30 horas, ministrado pelos professores do nosso Programa, tendo ocorrido visitas de alunos e professores da APAE ao nosso laboratório.
No ano de 2001 nosso Programa recebeu a “Certificação como Tecnologia Social”, conferida pelo Prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil em parceria com a UNESCO, passando a compor o Banco de Tecnologias Sociais dessa Fundação.
Em agosto de 2002 a equipe do Programa participou do III Congresso Ibero-Americano de Informática na Educação Especial (CIIEE 2002), em Fortaleza-Ceará, onde apresentou quatro trabalhos científicos, sendo que, como painelista convidado, seu coordenador apresentou o trabalho “A Telemática no Desenvolvimento de Projetos Pedagógicos: Vivências da Educação Especial no CRPD” Em 2005, também foi apresentado trabalho por componente da equipe do Programa InfoEsp no CIIEE 2005, em Montevidéu, no Uruguai.
Como Centro de Pesquisa, no Programa foram sistematizados diferentes estudos, dos quais destacamos:
1) Pesquisa sobre “o desenvolvimento do conceito de número no ambiente Logo de aprendizagem com alunos portadores de paralisia cerebral”, que resultou em monografia aprovada pelo “Curso de Especialização em Informática na Educação” da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em 1996, apresentada por membro da equipe do Programa.
2) Foi estudada, também por componente da equipe, “a relação entre o vínculo afetivo e a aprendizagem em indivíduos institucionalizados e portadores de deficiências”, trabalho examinado e aprovado pelo “Curso de Especialização em Projetos Educacionais e Informática” do Centro de Estudos de Pós-Graduação Olga Mettig, da Faculdade de Educação da Bahia (FEBA/CEPOM), em 1998.
3) Ao longo desses anos, tem sido alvo permanente da preocupação e estudos da equipe a construção e captação de novas adaptações e Tecnologias Assistivas, que facilitem, ou mesmo possibilitem, o trabalho no computador a alunos com diferentes níveis de comprometimento motor, pesquisas desenvolvidas sempre em função das necessidades concretas dos nossos alunos.
4) Foi desenvolvida, no laboratório do Programa, a pesquisa intitulada “Ambientes computacionais e telemáticos no desenvolvimento de projetos pedagógicos com alunos com paralisia cerebral”, para a elaboração da dissertação do Mestrado em Educação, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por componente da equipe).
5) Também foi desenvolvida a pesquisa sobre “o processo de alfabetização de portadores de deficiência múltipla através de recursos das tecnologias da informação e da comunicação”, para a elaboração de monografia do “Curso de Especialização em Alfabetização Infantil”, pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), também por componente da equipe.
6) Em andamento no Laboratório, a pesquisa sobre “tecnologias assistivas em ambiente computacional e telemático: sistemas estimuladores dos processos de supercompensação em alunos com deficiência motora severa” para a Tese de Doutorado em Educação, por componente da equipe, pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Em função de diferentes fatores detectados e vivenciados na nossa realidade e comunidade, dos quais destacamos:

a) o real e acentuado atraso no desenvolvimento global da quase totalidade das pessoas com alguma deficiência que nos procura, a grande maioria proveniente de famílias de baixa renda;

b) o fato de que ainda não sejam encontrados com facilidade, nas estruturas educacionais oficiais de nossa comunidade, nem a infra-estrutura de novas tecnologias a serviço da Educação Especial, e, na maioria dos casos, nem modelos pedagógicos que realmente confiem e apostem nas capacidades e iniciativa do aluno com necessidades especiais, na construção de seus próprios conhecimentos e de sua autonomia;

este trabalho, como um programa específico de utilização da informática na educação de alunos com necessidades especiais, tem confirmado sua viabilidade e relevância, ao longo dos seus mais de 10 anos de existência, principalmente pelos significativos resultados alcançados, entre os quais podemos destacar as transformações e saltos na qualidade da postura de muitos alunos em relação a sua própria vida, a sua auto-estima, a vivência e valorização de seu processo de aprendizagem e interação com o mundo, e a inclusão digital desses alunos, conforme relatado acima.

Todo este caminho e resultados apontam para a necessidade de dar prosseguimento e aprofundamento sempre maior ao trabalho, que preenche, em nossa comunidade, uma lacuna entre as atividades essenciais para o desenvolvimento e autonomia da pessoa com necessidades educacionais especiais, num mundo que cada vez mais exige do cidadão uma participação ativa e criadora. Com maior eficácia ainda se todo o trabalho de Informática na Educação Especial, com os paradigmas que propomos, for sendo integrado, com o tempo, em um contexto mais abrangente de Escola Inclusiva.

TECNOLOGIA ASSISTIVA
As Ajudas Técnicas em Ambiente Computacional e Telemático na Educação de Alunos com Necessidades Especiais

1- As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e as Ajudas Técnicas
(*) Luciana Lopes Damasceno
(**)Teófilo Alves Galvão Filho

Conforme destacou Vygostsky, é sumamente relevante para o desenvolvimento humano o processo de apropriação, por parte do indivíduo, das experiências presentes em sua cultura. O autor enfatiza a importância da ação, da linguagem e dos processos interativos na construção das estruturas mentais superiores (VYGOTSKY, 1987). O acesso aos recursos oferecidos pela sociedade, escola, tecnologias, etc., influenciam determinantemente nos processos de aprendizagem da pessoa.

Entretanto, as limitações do indivíduo com deficiência tendem a tornarem-se uma barreira para esse aprendizado. Desenvolver recursos de acessibilidade seria uma maneira concreta de neutralizar as barreiras causadas pela deficiência e inserir esse indivíduo nos ambientes ricos para a aprendizagem, proporcionados pela cultura.
Outra dificuldade que as limitações de interação trazem consigo são os preconceitos a que o indivíduo com deficiência está sujeito. Desenvolver recursos de acessibilidade também pode significar combater esses preconceitos, pois, no momento em que lhe são dadas as condições para interagir e aprender, explicitando o seu pensamento, o indivíduo com deficiência mais facilmente será tratado como um “diferente-igual”… Ou seja, “diferente” por sua condição de pessoa com deficiência, mas ao mesmo tempo “igual” por interagir, relacionar-se e competir em seu meio com recursos mais poderosos, proporcionados pelas adaptações de acessibilidade de que dispõe. É visto como “igual”, portanto, na medida em que suas “diferenças”, cada vez mais, são situadas e se assemelham com as diferenças intrínsecas existentes entre todos os seres humanos. Esse indivíduo poderá, então, dar passos maiores em direção a eliminação das discriminações, como consequência do respeito conquistado com a convivência, aumentando sua auto-estima, porque passa a poder explicitar melhor seu potencial e seus pensamentos.

É sabido que as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) vêm se tornando, de forma crescente, importantes instrumentos de nossa cultura e, sua utilização, um meio concreto de inclusão e interação no mundo (LEVY, 1999).

Esta constatação é ainda mais evidente e verdadeira quando nos referimos a pessoas com deficiência. Nestes casos, as TICs podem ser utilizadas ou como Tecnologia Assistiva, ou por meio da Tecnologia Assistiva.

Definindo, Tecnologia Assistiva é toda e qualquer ferramenta, recurso, estratégia ou processo desenvolvido com a finalidade de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. O objetivo da Tecnologia Assistiva é:

“proporcionar à pessoa portadora de deficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação da comunicação, mobilidade, controle do seu ambiente, habilidades de seu aprendizado, competição, trabalho e integração com a família, amigos e sociedade.”… “Podem variar de um par de óculos ou uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado”.

Sobre esses “sistemas computadorizados”, ou seja, as TICs utilizadas como Tecnologia Assistiva, ou por meio de Tecnologias Assistivas, é que queremos tratar aqui.

As diferentes maneiras de utilização das TICs como Tecnologia Assistiva têm sido sistematizadas e classificadas das mais variadas formas, dependendo da ênfase que quer dar cada pesquisador. Nós, aqui, optamos por apresentar uma classificação que divide essa utilização em quatro áreas (SANTAROSA, 1997 e, na Web, em PROINESP/MEC):

1. As TICs como sistemas auxiliares ou prótese para a comunicação.
2. As TICs utilizadas para controle do ambiente.
3. As TICs como ferramentas ou ambientes de aprendizagem.
4. As TICs como meio de inserção no mundo do trabalho profissional.

1. As TICs como sistemas auxiliares ou prótese para a comunicação: talvez esta seja a área onde as TICs tenham possibilitado avanços mais significativos. Em muitos casos o uso dessas tecnologias tem se constituído na única maneira pela qual diversas pessoas podem comunicar-se com o mundo exterior, podendo explicitar seus desejos e pensamentos.

Essas tecnologias tem possibilitado a otimização na utilização de Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação (SAAC), com a informatização dos métodos tradicionais de comunicação alternativa, como os sistemas Bliss, PCS ou PIC, entre outros.

Fernando Cesar Capovilla, pesquisando na área de diagnóstico, tratamento e reabilitação de pessoas com distúrbios de comunicação e linguagem, faz notar que:

“Já temos no Brasil um acervo considerável, e em acelerado crescimento, de recursos tecnológicos que permitem aperfeiçoar a qualidade das interações entre pesquisadores, clínicos, professores, alunos e pais na área da Educação Especial, bem como de aumentar o rendimento do trabalho de cada um deles.” (CAPOVILLA, 1997).

2. As TICs, como Tecnologia Assistiva, também são utilizadas para controle do ambiente, possibilitando que a pessoa com comprometimento motor possa comandar remotamente aparelhos eletrodomésticos, acender e apagar luzes, abrir e fechar portas, enfim, ter um maior controle e independência nas atividades da vida diária.

3. As dificuldades de muitas pessoas com necessidades educacionais especiais no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem têm encontrado uma ajuda eficaz na utilização das TICs como ferramenta ou ambiente de aprendizagem. Diferentes pesquisas têm demonstrado a importância dessas tecnologias no processo de construção dos conhecimentos desses alunos (NIEE/UFRGS, NIED/UNICAMP, CRPD/OSID e outras).

4. E, finalmente, pessoas com grave comprometimento motor vêm podendo tornar-se cidadãs ativas e produtivas, em vários casos garantindo o seu sustento, através do uso das TICs.

Com certa frequência essas quatro áreas se relacionam entre si, podendo determinada pessoa estar utilizando as TICs com finalidades presentes em duas ou mais dessas áreas. É o caso, por exemplo, de uma pessoa com problemas de comunicação e linguagem que utiliza o computador como prótese de comunicação e, ao mesmo tempo, como caderno eletrônico ou em outras atividades de ensino-aprendizagem.

2- Utilizando a Tecnologia Assistiva em Ambiente Computacional e Telemático

Nosso interesse específico aqui é apresentar um pouco mais detalhadamente algumas Ajudas Técnicas para o acesso ao computador e à internet, utilizadas no trabalho educacional com alunos com necessidades especiais. Ou seja, o acesso ao ambiente educativo computacional e telemático, feito por meio de Tecnologia Assistiva.
Conforme tem sido detectado:

“A importância que assumem essas tecnologias no âmbito da Educação Especial já vem sendo destacada como a parte da educação que mais está e estará sendo afetada pelos avanços e aplicações que vêm ocorrendo nessa área para atender necessidades específicas, face às limitações de pessoas no âmbito mental, físico-sensorial e motoras com repercussão nas dimensões sócio-afetivas.” (SANTAROSA, 1997).

No nosso trabalho educacional, portanto, utilizamos adaptações com a finalidade de possibilitar a interação, no computador, de alunos com diferentes graus de comprometimento motor e/ou de comunicação e linguagem, em processos de ensino e aprendizagem.

Essas adaptações podem ser de diferentes ordens, como, por exemplo:

“…adaptações especiais, como tela sensível ao toque, ou ao sopro, detector de ruídos, mouse alavancado a parte do corpo que possui movimento voluntário e varredura automática de itens em velocidade ajustável, permitem seu uso por virtualmente todo portador de paralisia cerebral qualquer que seja o grau de seu comprometimento motor (Capovilla, 1994).

Nós classificamos os recursos de acessibilidade que utilizamos em três grupos:

1- Adaptações físicas ou órteses.
São todos os aparelhos ou adaptações fixadas e utilizadas no corpo do aluno e que facilitam a interação do mesmo com o computador.

2- Adaptações de hardware.
São todos os aparelhos ou adaptações presentes nos componentes físicos do computador, nos periféricos, ou mesmo, quando os próprios periféricos, em suas concepções e construção, são especiais e adaptados.

3- Softwares especiais de acessibilidade.
São os componentes lógicos das TICs quando construídos como Tecnologia Assistiva. Ou seja, são os programas especiais de computador que possibilitam ou facilitam a interação do aluno com deficiência com a máquina.

1- ADAPTAÇÕES FÍSICAS OU ÓRTESES:

Quando buscamos a postura correta para um aluno com deficiência física, em sua cadeira adaptada ou de rodas, utilizando almofadas, ou faixas para estabilização do tronco, ou velcro, etc., antes do trabalho no computador, já estamos utilizando recursos ou adaptações físicas muitas vezes bem eficazes para auxiliar no processo de aprendizagem dos alunos. Uma postura correta é vital para um trabalho eficiente no computador.

Alguns alunos com seqüelas de paralisia cerebral têm o tônus muscular flutuante (atetóide), fazendo com que o processo de digitação se torne lento e penoso, pela amplitude do movimento dos membros superiores na digitação. Um recurso que utilizamos é a pulseira de pesos que ajuda a reduzir a amplitude do movimento causado pela flutuação no tônus, tornando mais rápida e eficiente a digitação. Os pesos na pulseira podem ser acrescentados ou diminuídos, em função do tamanho, idade e força do aluno
Outra órtese que utilizamos é o estabilizador de punho e abdutor de polegar com ponteira para digitação, para alunos, principalmente com paralisia cerebral, que apresentam essas necessidades (estabilização de punho e abdução de polegar).
Além dessas adaptações físicas e órteses que utilizamos, existem várias outras que também podem ser úteis, dependendo das necessidades específicas de cada aluno, como os ponteiros de cabeça, ou hastes fixadas na boca ou queixo, quando existe o controle da cabeça, entre outras.

2- ADAPTAÇÕES DE HARDWARE:

Um dos recursos mais simples e eficientes como adaptação de hardware é a máscara de teclado (ou colméia). Trata-se de uma placa de plástico ou acrílico com um furo correspondente a cada tecla do teclado, que é fixada sobre o teclado, a uma pequena distância do mesmo, com a finalidade de evitar que o aluno com dificuldades de coordenação motora pressione, involuntariamente, mais de uma tecla ao mesmo tempo. Esse aluno deverá procurar o furo correspondente à tecla que deseja pressionar.
Alunos com dificuldades de coordenação motora associada à deficiência mental também podem utilizar a máscara de teclado junto com “tampões” de papelão ou cartolina, que deixam à mostra somente as teclas que serão necessárias para o trabalho, em função do software que será utilizado. Desta forma, será diminuído o número de estímulos visuais (muitas teclas), que podem tornar o trabalho muito difícil e confuso para alguns alunos, por causa das suas dificuldades de abstração ou concentração. Vários tampões podem ser construídos, disponibilizando diferentes conjuntos de teclas, dependendo do software que será utilizado.
Outras adaptações simples que podem ser utilizadas, dizem respeito ao próprio posicionamento do hardware.

Por exemplo, nosso aluno Mércio, que digita utilizando apenas uma mão, em certa etapa de seu trabalho, e com determinado software que exigia que ele pressionasse duas teclas simultaneamente, descobriu ele mesmo que, se colocasse o teclado em seu colo na cadeira de rodas, poderia utilizar também a outra mão para segurar uma tecla (tecla Ctrl), enquanto pressionava a segunda tecla com a outra mão.

Já o aluno Raimundo está começando agora a conseguir utilizar o mouse para pequenos movimentos (utilização combinada com um simulador de teclado) com a finalidade de escrever no computador, colocando o mouse posicionado em suas pernas, sobre um livro ou uma pequena tábua.

Outra solução que utilizamos é reposicionar o teclado perto do chão para digitação com os pés, recurso utilizado por uma aluna que não consegue digitar com as mãos.

E assim, diversas variações podem ser feitas no posicionamento dos periféricos para facilitar o trabalho do aluno, sempre, é claro, em função das necessidades específicas de cada aluno.
Além dessas adaptações de hardware que utilizamos, existem muitas outras que podem ser encontradas em empresas especializadas, como acionadores especiais, mouses adaptados, teclados especiais, além de hardwares especiais como impressoras Braille, monitores com tela sensível ao toque, etc. (ver outros endereços no final).

3- SOFTWARES ESPECIAIS DE ACESSIBILIDADE:

Alguns dos recursos mais úteis e mais facilmente disponíveis, porém muitas vezes ainda desconhecidos, são as “Opções de Acessibilidade” do Windows (Iniciar – Configurações – Painel de Controle – Opções de Acessibilidade). Por meio desses recursos, diversas modificações podem ser feitas nas configurações do computador, adaptando-o a diferentes necessidades dos alunos. Por exemplo, um aluno que, por dificuldades de coordenação motora, não consegue utilizar o mouse mas pode digitar no teclado (o que ocorre com muita freqüência), tem a solução de configurar o computador, através das Opções de Acessibilidade, para que a parte numérica à direita do teclado realize todos os mesmos comandos na seta do mouse que podem ser realizados pelo próprio mouse.
Opções de Acessibilidade – Mouse
(como configurar)

– Iniciar
– Configurações
– Painel de Controle
– Opções de Acessibilidade
– Mouse
– Marcar a opção: “utilizar as teclas do mouse”
– Clicar “configurações”
– No campo “Utilize as teclas do mouse quando NumLock estiver”, selecione a opção “Ativado”
– Selecione a opção “Exibir status da Tecla do Mouse na tela”
– OK
– OK

Funções das Teclas:

– Teclas dos números (à direita do teclado): 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8 e 9: servem para movimentar o cursor do mouse na tela.

– Tecla do número “5”: corresponde a um clique com o botão esquerdo do mouse.

– Tecla do número “0”: corresponde à ação de clicar e segurar (aderir), para arrastar.

– Tecla “del”: corresponde à ação de soltar a tecla esquerda do mouse, depois de arrastar alguma coisa.

– Tecla “+”: corresponde ao “clique duplo” com o botão esquerdo do mouse.

– Teclas /, * e -: servem para trocar as funções entre os botões direito e esquerdo do mouse.

Além do mouse, outras configurações podem ser feitas, como a das “Teclas de Aderência”, a opção de “Alto Contraste na Tela” para pessoas com dificuldades visuais, recurso utilizado por nosso aluno Filipe, e outras opções.

Outro exemplo de Software Especial de Acessibilidade são os simuladores de teclado e de mouse. Todas as opções do teclado ou as opções de comando e movimento do mouse, podem ser exibidas na tela e selecionadas, ou de forma direta, ou por meio de varredura que o programa realiza sobre todas as opções. Para as necessidades de nossos alunos, encontramos na Internet o site do técnico espanhol Jordi Lagares, no qual ele disponibiliza para download diversos programas freeware por ele desenvolvidos. Tratam-se de simuladores que podem ser operados de forma bem simples, além de serem programas muito “leves” (menos de 1 MB). Com o simulador de teclado e o simulador de mouse, o aluno Raimundo, com 38 anos, pode começar a utilizar o computador e expressar melhor todo o seu potencial cognitivo, iniciando a aprender a ler e escrever. Raimundo, que é tetraplégico, só conseguia utilizar o computador por meio desses simuladores, que lhe possibilitam transmitir todos os comandos ao computador somente através de sopros em um microfone. Isso lhe permitiu escrever pela primeira vez na vida, além de desenhar, jogar, construir seu site na Internet e realizar diversas atividades que antes lhe eram impossíveis. Atualmente, ele já consegue utilizar o mouse sobre as pernas, para pequenos movimentos. Ou seja, com esses recursos de acessibilidade, horizontes novos se abriram para ele, possibilitando que sua inteligência, antes aprisionada por um corpo extremamente limitado, encontrasse novos canais de expressão e desenvolvimento.
Esses simuladores podem ser acionados não só através de sopros, mas também por pequenos ruídos ou pequenos movimentos voluntários feitos por diversas partes do corpo, e até mesmo por piscadas ou somente o movimento dos olhos.

Existem outros sites na Internet que disponibilizam gratuitamente outros simuladores e programas especiais de acessibilidade, como o site da Rede Saci.

Como softwares especiais para a comunicação, existem as versões computadorizadas dos sistemas tradicionais de comunicação alternativa como o Bliss, o PCS ou o PIC.

Para pessoas com deficiência visual existem os softwares que “fazem o computador falar”:

“Também os cegos já podem utilizar sistemas que fazem a leitura da tela e de arquivos por meio de um alto-falante; teclados especiais que têm pinos metálicos que se levantam formando caracteres sensíveis ao tato e que “traduzem” as informações que estão na tela ou que estão sendo digitadas e impressoras que imprimem caracteres em Braille.” (FREIRE, 2000)

Para os cegos existem programas como o DOSVOX, o Virtual Vision, Bridge, Jaws e outros.

Além de todos estes recursos de acessibilidade que apresentamos, existem outros tipos e dimensões de acessibilidade que também são pesquisados e estudados por outros profissionais, como as pesquisas sobre Acessibilidade Física, que estuda as barreiras arquitetônicas para o portador de deficiência e as formas de evitá-las (por exemplo, a Comissão Civil de Acessibilidade, aqui mesmo de Salvador). Outra conceito novo é o conceito de Acessibilidade Virtual, que estuda as melhores maneiras de tornar a Internet acessível a todas as pessoas (Rede Saci).

É importante ressaltar que as decisões sobre os recursos de acessibilidade que serão utilizados com os alunos, têm que partir de um estudo pormenorizado e individual, com cada aluno. Deve começar com uma análise detalhada e escuta aprofundada de suas necessidades, para, a partir daí, ir optando pelos recursos que melhor respondem a essas necessidades. Em alguns casos é necessária também a escuta de diferentes profissionais, como terapeutas ocupacionais ou fisioterapeutas, ou outros, antes da decisão sobre a melhor adaptação. Todas as pesquisas, estudos e adaptações que fomos construindo ou captando em nosso Programa ao longo dos anos, partiram das necessidades concretas dos nossos alunos.

Ambientes Digitais de Aprendizagem e Inclusão: Mediação pelas áreas de desenvolvimento potencial de pessoas com necessidades educacionais especiais – Apoio CNPQ – 2006-2009

Vivemos em tempos de extremas e rápidas mudanças. Nunca o homem havia tido disponível ferramentas cognitivas tão poderosas que propiciam a associação compartilhada da cognição no âmbito da inteligência distribuída. Com as ferramentas de comunicação e interconexão abre-se um leque de oportunidades, principalmente para os sujeitos cujos padrões de aprendizagem não seguem os quadros típicos de desenvolvimento. A Internet oferece, através da criação de ambientes digitais de aprendizagem, uma das mais efetivas formas de interação, comunicação, colaboração na construção de atividades coletivas, principalmente para pessoas com necessidades educacionais especiais- PNEEs, favorecendo o seu desenvolvimento e a sua inclusão digital/social. Com o presente estudo, buscamos ampliar as investigações com diferenciadas síndromes/deficiências de PNEEs, tendo em vista os seguintes objetivos: (1)configurar/estruturar modelos de ambientes digitais de aprendizagem e inclusão, para o estudo de processos de mediação e/em áreas/estágios de desenvolvimento potencial de pessoas com necessidades educacionais especiais – PNEEs, que contemplem ferramentas as quais mobilizem processos de interação/ conversação dialógica / colaboração – síncronas e assíncronas – visando à inclusão social;(2) observar e acompanhar processos de mediação e/em áreas/estágios de desenvolvimento potencial, de pessoas com autismo e hospitalizadas, com graves enfermidades em situação de exclusão temporária, em ambientes digitais de aprendizagem e inclusão;(3)mapear os processos de mediação e/em áreas/estágios de desenvolvimento potencial, considerando diferenciadas deficiências de PNEEs ( cegos, surdos, pessoas com paralisia cerebral, com autismo e pessoas hospitalizadas) focalizando a construção /teorização de processos que orientem práticas pedagógicas e metodologias alternativas para a inclusão digital e social de PNEEs;(4)construir conhecimento sobre os processos de mediação e/em áreas/estágios de desenvolvimento potencial de PNEEs, para PNEEs com diferenciadas síndromes/deficiências, que possibilitem a configuração de modelos de ambientes digitais de aprendizagem e inclusão, focalizando à acessibilidade desses sujeitos. A pesquisa envolve o estudo de casos individuais ( multicasos) e pequenos grupos de PNEEs com autismo e hospitalizados, com enfermidades graves em situação de exclusão temporária, em diferentes etapas, observando e acompanhando o processo de interação e comunicação em ambientes digitais de aprendizagem e inclusão, os quais compreendem a conversação dialógica síncrona – chat – e assíncrona -e-mail, fórun- , o desenvolvimento de projetos coletivos e demais atividades que o ambiente propicia – Diário de Bordo, Portfólio, Mural-, entre outros. As interações dos PNEEs serão, no mínimo semanais, com conexão em pontos de rede da Internet que se localizarão em Instituições, no NIEE e no ambiente hospitalar , dependendo do perfil de cada sujeito do estudo. O ambiente digital de aprendizagem e inclusão constitui-se em um espaço aberto para a comunidade de cibernautas ou telecomunidades , sejam seus integrantes PNEEs ou não , mediados por facilitadores e pelas ferramentas interação/comunicação, enfatizando o processo de inclusão digital/social, pelas atividades interativas/colaborativas. Esperamos obter resultados sobre os processo de mediação e/em estágios de desenvolvimento potencias de PNEEs, considerando diferentes síndromes/deficiências, para teorização e construção de conhecimento que orientem (1) práticas e metodologias de trabalho junto a Centros de pesquisa, Organizações, Instituições e Escolas que estejam trabalhando o processo de inclusão escolar , bem como para o (2) desenvolvimento de ambientes digitais de aprendizagem e inclusão (sistemas/software/ferramentas de acessibilidade), mobilizando espaços para o (3) desenvolvimento novas investigações ( dissertações e teses).

Ambientes de Aprendizagem Virtuais para Inclusão Digital de Pessoas com Necessidades especiais: – Apoio CNPQ – 2006-2008

A associação da Informática com as telecomunicações vem transformando o mundo numa aldeia global e mudando o próprio conceito de sociedade. Isso abre uma perspectiva ímpar para pessoas com necessidades especiais-PNEEs, para as quais destacamos o potencial dos ambientes digitais/virtuais que possibilitam romper com o isolamento desses indivíduos que, por barreiras arquitetônicas e sociais ou por impossibilidade motora, são obrigados a interromper sua formação escolar ou ter acesso à informação de forma interativa. Aplicações e investigações, em âmbito internacional, vêm revelando a importância e o potencial que as tecnologias da informação e comunicação- TIC- assumem no campo da Educação Especial. Tem-se observado que as TIC têm apresentado maiores/melhores efeitos na Educação Especial quando comparada à Educação geral. Também tem-se verificado que grande parte do que é planejado/aplicado para portadores de necessidades especiais, principalmente na área de software, resulta em benefícios a outros usuários, estendendo-se seu uso de modo generalizado. Várias colocações poderiam ser levantadas que reforçam o potencial das TIC para PNEEs, deixando margem à emergência de estudar tais recursos para viabilizar a adequação de sua utilização. É extremamente urgente que grupos de pesquisa consolidados, na área das TIC aplicadas à Educação Especial, prossigam com seus estudos e investigações para viabilizar a construção de novos recursos que ampliem as alternativas de educação/formação/desenvolvimento PNEEs, principalmente no que se refere à inclusão digital e social. Assim, esse projeto tem como proposta construir conhecimento na área da acessibilidade e inclusão digital de PNEE’s; construir conhecimento de modelos de ambientes virtuais de aprendizagem, que promovam a inclusão digital e social de PNEE’s ; definir normas e padrões de Acessibilidade para Web e outros ambientes digitais; definir critérios necessários e suficientes para acessibilidade de pessoas com: Deficiência Visual, Deficiência Auditiva, Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, Paralisia Cerebral, Deficiência Mental, Deficiência Motora;definir modelos de hardware e software em ambientes digitais de aprendizagem com acessibilidade; construir conhecimento na área de ferramentas para análise/avaliação/validação de acessibilidade em interfaces Web para avaliação ambientes digitais; construir conhecimento para a formação de recursos humanos, nas aplicações dessas áreas, além de socializar e disponibilizar gratuitamente o ambiente digital de aprendizagem, com vistas continuidade de Construção de conhecimento na área e como espaço/ambiente digital para a INCLUSAO SOCIAL de pessoas com necessidades educacionais especiais .

Referências
http://abt-br.org.br
http://www.inovacaotecnologica.com.br
http://www.infoesp.net
http://www.proinfo.mec.gov.br
http://www.saci.org.br/
http://www.niee.ufrgs.br

6 thoughts on “PNEE – Informática

  1. Olá Cybele,
    Muito Obrigado pelo Material enviado
    As crianças com necessidades Especiais agrdece.
    agradeço de coração.

    Cybele Reply:

    Olá Herbson,

    Fico feliz que possa aproveitar.
    Estamos sempre à disposição
    abraços e ótimo final de semana
    Cybele Meyer

  2. Olá sou estudante de Análise de Sistemas e estou fazendo um trabalho sobre tecnologia assitiva na cadeira de interface homem maquina e gostaria de saber se é possível me passar qual tipo de software é usado junto com o teclado colmeia. Desde já agradeço.

    Cybele Reply:

    Olá Alexandre, tudo bem?

    Nós apenas compartilhamos esta matéria. Não foi feita por nós. Tem o link de crédito na própria matéria pelo qual você pode entrar em contato direto.
    abraços e continue acompanhando o Educa Já!
    Equipe Educa Já!

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