Prevenção de Acidentes Infantis.


Sugestão da Pedagoga e Mestranda Zulma Peixoto de Salvador – Bahia:
Prevenção de Acidentes Infantis.

Crianças estão muito sujeitas aos mais diversos tipos de acidentes e o controle disso é uma questão de saúde pública, tão alto é o número de vidas abreviadas e invalidadas. Prevenir os acidentes infantis é uma questão de informação e de atenção de pais, educadores e de todos aqueles que zelam pela infância”.

Acidentes Domésticos Matam um Bebê Por Dia em SP

Os acidentes domésticos figuram entre as principais causas de morte na infância, além de serem a origem de invalidez em inúmeras crianças. Diversas instituições brasileiras iniciaram, desde a década de 80, a computar os atendimentos em prontos-socorros relacionados aos acidentes domésticos envolvendo a faixa etária de zero a quatorze anos, e os números alcançados são assustadores – nem tanto pela quantidade de vidas abreviadas, mas pelo fato de que muitas destas tragédias poderiam ter sido evitadas com medidas simples e um tanto mais de atenção. Estima-se que, para cada criança que morre outras 900 podem sofrer seqüelas de todo tipo, incluindo invalidez permanente.

Com base em fatos publicados pelo Jornal da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo), sabe-se que relatórios da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) demonstram que, entre 1985 e 1993, ocorreram 2.916 mortes de crianças com menos de um ano por acidente no Estado de São Paulo. Todavia, os índices podem ser mais assustadores, pois os pais costumam esconder as notificações de acidentes.

A pesquisadora e psicóloga Sandra Regina Gimeniz-Pascoal, do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília/SP, desenvolveu tese de doutorado sobre a prevenção às quedas de bebês e, examinando os números do Seade, salientou que “Esses números, porém, são subestimados, pois as mães receiam dizer que a morte foi acidental e as estatísticas oficiais são deficientes”.

Outros dados da mesma fonte, através da Sessão de Psicologia, indicam que os acidentes domésticos matam um bebê por dia, no Estado. Segundo artigo do Dr. Evanildo da Silveira, neste jornal, “toda mãe que tem criança pequena sabe que qualquer descuido pode resultar em acidente. As conseqüências podem se resumir a um simples susto, mas podem também provocar seqüelas permanentes e até a morte”.

Segundo informações do COREN-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo), a atitude preventiva de acidentes infantis é um dos compromissos do Enfermeiro. De acordo com informações de Shirley Rangel Gomes, enfermeira da Unidade Infantil do Hospital e Maternidade São Camilo, o Pronto Socorro Infantil do Hospital registrou, no período de novembro de 1996 a maio de 1997, 566 atendimentos de acidentes infantis, representando 3,1% do total de atendimentos realizados (18.200). “As estatísticas são muito pobres, pois não existe, nos pronto-socorros, um protocolo obrigatório que identifique a causa dos acidentes”, acusa a enfermeira, na época Chefe de Enfermagem do Hospital. Sua pesquisa foi exatamente com base em um protocolo aplicado com a ajuda de toda a equipe do hospital.

Causas Mais Comuns dos Acidentes Infantis

De acordo com especialistas em saúde na infância, os acidentes mais comuns envolvendo crianças são provocados por quedas, armas de fogo, afogamentos, engasgos, queimaduras, envenenamentos, sufocação e falta de segurança no transporte. De acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, o acidente com transporte é a principal causa de morte infantil. “Está ligado à desatenção dos adultos que insistem em levar as crianças no banco da frente dos carros, no colo das mães e o que é pior, sem o cinto de segurança”, advertem.

Conforme os dados de Minas Gerais, maus tratos, brigas, abusos sexuais e queimaduras causaram cerca de 790 mortes de crianças, no ano 2000. Convém destacar que entre os acidentes infantis, a queda da cama ou do trocador de fraldas, por exemplo, figura entre as primeiras razões de morte acidental.

Cada Etapa da Infância Oferece Seus Riscos

De acordo com a pesquisa realizada pela ex-chefe de enfermagem Shirley Rangel Gomes, do Hospital São Camilo, de São Paulo, o maior índice de acidentes observados no Pronto Socorro do Hospital ocorreu na faixa etária de 8 a 12 anos (31,4%). A pesquisadora concluiu que, por esta faixa etária corresponder à fase escolar, a criança desenvolve atividades independentes do seu círculo familiar, na escola, entre os amigos e praticando esportes, o que a expõe a maiores oportunidades de acidentes.

Na seqüência, a segunda faixa etária mais atingida corresponde à etapa dos 2 aos 4 anos incompletos, ou seja, 17,8% do universo pesquisado. Nesta idade, a criança caminha sozinha, sua curiosidade é inata ao seu desenvolvimento e o ambiente pode ser propício aos acidentes, explica a enfermeira. Entre os 4 e 6 anos incompletos, correspondentes à fase pré-escolar, a criança dispõe-se a realizar tarefas ainda inadequadas ao seu desenvolvimento físico e intelectual, o que pode levar a acidentes. A enfermeira concluiu que as outras faixas etárias são importantes, mas representam índices pouco menores, embora com o mesmo risco de morbidade.
De acordo com a pesquisa realizada no Hospital São Camilo, os meninos seriam mais propícios aos acidentes, mas, como representam apenas 56,7% dos acidentes infantis, a enfermeira Shirley, avalia que “esta realidade, dos meninos serem mais propícios aos acidentes, em função de suas brincadeiras serem mais arriscadas, está mudando, uma vez que cada vez mais as meninas estão também brincando mais com bolas, bicicletas, skates”. Além disso, ela lembra que meninas se queimam muito, com a mania dos pais de deixarem que brinquem na cozinha. Elas se machucam muito, também, ao jogar vôlei e basquete.

Em 63,3% dos Casos, os Acidentes Acontecem em Casa

Um dado alarmante revelado pela pesquisa da enfermeira, é que em 62,3% dos casos atendidos no Hospital, o local em que se deram os acidentes envolvendo crianças foi sua própria casa ou a de parentes. Com um índice bem mais reduzido, a escola desponta como o segundo palco dos acidentes infantis: 15,7%, seguida da rua, onde ocorrem 11,1% dos casos. “A grande maioria dos acidentes acontece na presença da mãe”, diz a enfermeira, que chama a atenção para o fato de que o comportamento das crianças muda muito na presença materna, muitas vezes visando chamar a atenção de uma mãe em geral também ocupada com outros afazeres domésticos.

A Necessidade de Prevenção

Muitos dos acidentes que mutilam a infância – em especial as queimaduras, afogamentos, quedas, agressões, atropelamentos, envenenamentos, transporte inadequado, entre outros – poderiam ser evitados. A conclusão é do Dr. Domingos André, cirurgião do Hospital João XXIII, da Rede Fhemig. De acordo com o especialista, o adulto é o grande responsável por estes traumas. Ele cita que somente no ano passado, o Hospital João XXIII registrou nada menos que 8.791 ocorrências com lesões diversas e 17,4% delas, ou seja, 1.530 atendimentos ocorreram com crianças de um a cinco anos de idade. Ele adverte que o trauma é considerado uma das doenças mais graves do século XX e que, não havendo medidas eficazes de prevenção, pode se tornar uma verdadeira tragédia no início do milênio.

Trabalhando com a prevenção de acidentes infantis, a psicóloga Sandra Regina relatou que “os acidentes infantis, quando não matam, podem mutilar ou deixar seqüelas neurológicas irreversíveis. Como não há vacina contra isso, tem-se que tentar preveni-los, mudando o comportamento das mães”. A doutora aponta para o descuido e a negligência de algumas mães no tangente às quedas da cama ou do trocador de fraldas, que geram sérios traumatismos crânioencefálicos em crianças.

A psicóloga cita como principais cuidados para prevenir os acidentes, não deixar os bebês sozinhos; observar cuidados quanto aos trocadores de fraldas; cuidar da segurança dos móveis; evitar camas com colchas de tecido escorregadio; ter atenção e cuidados ao colocar as crianças em cadeirões de alimentação e em berços; ter especial atenção com as janelas abertas, escadas e com os cuidados durante o banho do bebê, para que esse não caia na água e possa se afogar.

Prevenindo os Acidentes Infantis

O Dr. Manuel Naves, pediatra do Pronto Socorro do HRT (Hospital Regional de Taguatinga, de Minas Gerais), publicou em sua página pessoal na Internet uma série de dicas para proteção contra os acidentes infantis, divididas por faixas etárias. A Enfermeira Shirley, por sua vez, autora de uma cartilha de prevenção aos acidentes infantis, editada pelo Hospital São Camilo, de São Paulo, também dá dicas neste sentido e as organiza do mesmo modo: por faixas etárias.

0 aos 6 meses

De acordo com o pediatra, dos 0 aos 6 meses, por exemplo, a criança precisa de proteção o tempo todo e os acidentes tendem a ocorrer mais freqüentemente quando ela adquire o hábito de se virar, engatinhar e pegar objetos.

Ele indica que, para evitar queimaduras, a mãe teste a água do banho com o cotovelo e evite beber líquidos quentes, como café ou sopa, com o filho no colo. Além disso, ele adverte que os únicos locais seguros para que um bebê nesta idade fique sozinho são o berço e o cercadinho. No entanto, é necessário que se verifique se os espaços entre as barras do berço são adequados para que o bebê não passe entre eles ou prenda sua cabeça. Neste sentido, os cercadinhos de malha são considerados os mais seguros.

O médico lembra que nunca se deve deixar uma criança desta faixa etária sem assistência sobre uma mesa de troca de roupas, por exemplo. Para evitar afastar-se, a recomendação é deixar sempre as fraldas à mão antes de largar a criança, recomenda o pediatra.

Dos 0 aos 6 meses, os brinquedos devem ser grandes o bastante para não serem engolidos, além de serem resistentes para não quebrarem. Também é importante que não tenham pontas nem arestas agudas, sendo arredondados e de madeira lisa ou de plástico. Eles também não devem conter tintas tóxicas. Na hora de comprar, recomenda-se que se verifique as recomendações de idade do fabricante, alerta.

É importante também que se mantenha objetos pequenos e agudos, fora do alcance das crianças. O mesmo com os sacos plásticos, fios de telefone longos e travesseiros fofos, que podem ser sufocantes, asfixiando a criança. O médico chama a atenção também para que a criança não durma na mesma cama que os pais, que, ao virarem-se à noite, podem asfixia-la.

Nas viagens de automóvel, as crianças nunca devem ser transportadas no colo das mães no assento dianteiro, pois, em um acidente, o corpo da mãe pode esmagar o do filho contra o painel, sem que esta tenha qualquer controle sobre a situação. O transporte adequado para bebês é a cadeirinha no banco de trás, sempre com cinto de segurança.

7 aos 12 meses

As crianças nesta faixa etária, descreve o Dr. Naves, já começam a engatinhar, ficam de pé e podem começar a caminhar. Eles põem tudo na boca. Deve-se ter cuidado, em especial, com os riscos de afogamento e de queimaduras, evitando-se a cozinha, considerada o local mais perigoso da casa. O médico propõe mesmo que se coloque um bloqueio que impeça a passagem da criança para a cozinha, pois líquidos e alimentos quentes, fios elétricos, torradeiras, bules, garrafas e o próprio fogão são perigosos, assim como a tábua de passar roupa.

Nesta etapa, deve-se manter fora do alcance das crianças todos os remédios e venenos, assim como os produtos perigosos, que devem ser mantidos em suas embalagens originais. Para evitar quedas, compensa usar portas ou portões nas escadarias e baixar o estrado das camas a partir do momento que a criança começa a sentar ou ficar de pé. Os cuidados que vinham sendo tomados até os seis meses podem ser todos mantidos. As tomadas podem passar a ser protegidas com protetores nos soquetes.

1 a 3 anos

O médico de Taguatinga, MG, explica que as crianças de 1 a 2 anos são muito ativas e têm necessidade de investigar, escalando, abrindo portas e gavetas, retirando coisas de armários e brincando com água. O De acordo com a cartilha “Acidentes na Infância” editada pelo Hospital São Camilo, de São Paulo, e disponível no seu site, nesta idade as crianças são ainda fascinadas pelo fogo e capazes de abrir a maioria dos recipientes, além de explorarem armários de louças, medicamentos, mesas de cabeceira, interior de guarda-roupa, geladeiras, fornos, entre outros locais que reservam perigos. Observar de perto as crianças desta idade é essencial para evitar acidentes.

Elas estão muito interessadas no que estão fazendo e tem pouca consciência dos perigos que podem estar correndo. São comuns as quedas e os cortes, por isso é preciso manter as portas ou caminhos para escadas, depósitos ou rua trancadas ou bloqueadas. Vale a pena usar pratos e copos de plástico e verificar os móveis com bordas cortantes. O pediatra ensina que nesta idade as crianças são rápidas e imprevisíveis. Elas podem arremessar e chutar bola, correr, pular e pedalar um velocípede. Elas começam a entender. Mas ainda não sabem o que é perigoso. Elas necessitam de proteção, supervisão e disciplina firme.Na banheira, deve-se usar tapetes não derrapantes e instalar grades em todas as janelas acima do primeiro andar. A cozinha continua sendo uma área de risco.

3 a 5 anos

Com esta idade, explica o pediatra, a criança explora a vizinhança, corre, escala, anda com velocípede, aprende a andar de bicicleta, brinca com outras crianças, atravessa a rua e esses movimentos precisam ser feitos sob atenta vigilância. A enfermeira Shirley ensina ainda que nesta fase as crianças sobem em árvores, ficam em pé em balanços, brincam com mais violência com os brinquedos, bolas pesadas, fósforos e isqueiros, além de experimentarem remédios. Nesta fase, as crianças podem aceitar e responder aos ensinamentos, porém, elas ainda necessitam de proteção.

6 a 12 anos

Aos seis anos, a criança explode em energia e constante movimento. Com um tempo de concentração breve, elas iniciam novas tarefas que não conseguem concluir, são autoritárias e sensíveis. Aos sete anos, elas ficam mais quietas que aos seis, mas são mais criativas e gostam de aventuras. Dos oito aos dez, são curiosas em relação ao funcionamento das coisas, tem maior autonomia para realizar tarefas. Dos dez aos doze, são intensas, observadoras, acham que sabem tudo, são energéticas, indiscretas e argumentadoras. Querem ser líderes e aceitas nos seus grupos, buscando, muitas vezes, atitudes radicais.

Durante esta faixa etária, recomenda o médico, em que os filhos estão longe de casa, por vezes durante horas, disciplina e orientação são essenciais. A escola e grupos comunitários partilham de responsabilidade por sua segurança. “Seus filhos estão participando de equipes esportivas, fazem parte de algum grupo e tentarão algo mais. Podem idolatrar e querer imitar heróis infantis ou uma pessoa mais velha que viva perigosamente” alerta. Segundo o Dr Manuel, crianças nessa idade devem assumir alguma responsabilidade por sua própria segurança, porém é aconselhável andar acompanhada até 11 anos, alerta.

Equipamentos de Segurança e Situações de Risco

Em entrevista exclusiva, por telefone, para esta reportagem, a enfermeira Shirley atenta para o fato da indústria nacional ainda não ter descoberto o grande filão dos equipamentos de segurança para crianças. “A maior parte dos equipamentos disponíveis no mercado são importados e caros, inacessíveis para as classes mais baixas”, lamenta. Além disso, acusa, a indústria nacional não faz propaganda do que produz, e as pessoas não conhecem as possibilidades que o mercado oferece.

A enfermeira lembra ainda da precariedade das construções, enfrentadas pelas classes mais baixas da população. Ela relata que é comum receber crianças com graves lesões por quedas de lajes mal construídas ou por terem caído elas próprias de terraços sem proteção. Os poucos playgrounds disponíveis para esta população também carecem de manutenção e são palco freqüente de acidentes, envolvendo cortes em brinquedos enferrujados, perfurações com pregos e fraturas.

Ela chama a atenção ainda para a crueldade comum de colocar lâminas de barbear em escorregadores e garante que a melhor maneira de prevenir este tipo de acidente é realmente contar com a presença constante e atenta das mães.

Outro dado curioso apresentado por Shirley é o da freqüência com que os fios das pipas empinadas pelos meninos causam sérios acidentes. Na semana desta entrevista, ela relatou, um rapaz que dirigia uma moto foi morto pelo fio de uma pipa que havia sido “turbinado” com cerol, pó de vidro utilizado para tornar o fio mais cortante na briga de pipas. Em alguns casos, as crianças também utilizam pó metálico, que além de tudo é condutor de energia e freqüentemente causa eletrificações, quando cruzam com a fiação elétrica da cidade.

A enfermeira chama ainda a atenção para o risco dos pisos encerados e dos tapetinhos, comuns nas casas dos idosos e um perigo tanto para eles quanto para as crianças. A reutilização de embalagens alimentícia com produtos de limpeza é ainda um grande causador de intoxicações entre as crianças, muito fascinadas pelas texturas e cores chamativas dos detergentes, xampus e água sanitária.

Outra ocorrência freqüente nos pronto-socorros relata Shirley, são das crianças que engoliram moedas. A “síndrome do cofrinho”, considerada muito engraçada por alguns pais desavisados, pode causar grandes transtornos intestinais. O tratamento, na verdade, é mais doloroso e traumático do que o acidente em si, explica. Para retirar uma moeda do aparelho digestivo de uma criança, é necessário que esta seja levada em jejum para o hospital, que tome anestesia geral e que faça uma endoscopia.

A enfermeira lembra ainda que algumas receitas caseiras para tratar acidentes simples podem causar grandes transtornos e a exposição da criança a tratamentos dolorosos e desnecessários no hospital. Para dar exemplos, ela cita o uso de pomadas, manteiga e óleo sobre as queimaduras e a aplicação de borra de café sobre os cortes.

Ao chegar ao pronto-socorro, é necessário lavar estes “curativos”, o que pode ser bastante dolorido para a criança. Para evitar este tipo de iniciativa caseira e prestar o atendimento correto, ela sugere que os pais façam cursos de pronto-socorro, quando possível, ou que chamem o atendimento de resgate em casa, o que pode ser mais rápido e eficiente até do que levar a criança em conduções não habilitadas para o socorro.

A prevenção dos acidentes na infância pode e deve ser instituída. O termo “acidente” implica a sua imprevisibilidade, e embora seja certo que as lesões não tenham maior probabilidade de ocorrer do que as doenças, estar atento para as situações de risco pode evitar perdas irreparáveis.

MAMÃE FAZ TUDO

Cuidado com os acidentes domésticos

Prevenção de Acidentes na Infância
Prevenção de Acidentes na Infância Faz parte da missão do pediatra alertar a família sobre os riscos que corre a criança no lar ou mesmo fora dele (mas sobretudo no lar, quando a criança é pequena).

Ele deve orientar a família para a criação de uma verdadeira mentalidade de prevenção de acidentes, isto é, para que se pense no acidente antes que o mesmo ocorra – assim como se pensa em determinada doença contra a qual foi aplicada a vacina respectiva. Vejamos, a seguir, alguns acidentes mais freqüentes e como preveni-los.

Quedas:

Na criança pequena, as quedas ocorrem quase sempre porque ela é subestimada. Quedas freqüentes e perigosas ocorrem também do cadeirão – a criança que nela foi colocada não deve ser deixada só nem por uma fração de segundo. Passando a engatinhar e a andar, o risco maior são as escadas: as crianças serão protegidas com a colocação de grades ou portões adequados. Todas as janelas acima do térreo devem ter grades de proteção. Evite pisos escorregadios, principalmente em banheiros, e coloque sempre um tapete antiderrapante no box do chuveiro.
Queimaduras e choques:

O máximo cuidado deverá ser tomado com a temperatura da água do banho: a criança somente deve entrar na água já testada pela mãe. Mamadeiras ou alimentos muito quentes podem queimar toda a boca da criança. Nunca se deve dar uma caixa de fósforos para a criança brincar – é um “chocalho” perigoso pois, mais cedo ou mais tarde, ela levará à boca a caixa e/ou os palitos, que contêm substâncias tóxicas; mais cedo ou mais tarde, ela aprenderá a riscar o palito na caixa,correndo o risco de se queimar ou mesmo de incendiar a casa. Não permita que a criança se aproxime do fogão: ainda assim, utilize as bocas de trás do mesmo ou, pelo menos, mantenha os cabos das panelas voltados para dentro. As tomadas de luz devem ser obturadas através de plugue próprio ou mesmo com esparadrapo. Nunca deixe uma criança tocar em lâmpadas acesas que estejam ao seu alcance (abajures, por exemplo) – a queimadura será inevitável.

Asfixia (sufocamento):

A asfixia pode ocorrer por corpo estranho ou por imersão. A criança pequena costuma explorar o ambiente muitas vezes através da própria boca. Todo brinquedo deverá ser analisado com espírito crítico pelo adulto, verificando quais os possíveis riscos que ele possa oferecer (rodinhas de automóvel, olhos de bonecas etc.) Em princípio, a criança pequena terá brinquedos grandes (que não caibam na boca), reservando-se os brinquedos pequenos (peças de montar) para as crianças maiores. Recomenda-se não utilizar, antes dos três meses de vida, mosquiteiros no berço, nem usar correntes ou fitas no pescoço – há o risco de sufocação. Quanto à asfixia por imersão (afogamento), devem-se tomar cuidados profiláticos básicos: nunca deixar a criança sozinha na banheira ou em piscinas.

Intoxicações:

É fundamental fazer-se rigorosa triagem nos armários sob a pia da cozinha, depósito de substâncias cáusticas, detergentes, produtos de limpeza e até soda cáustica ou formicidas que, quando ingeridos, podem causar graves e até fatais intoxicações. Nunca transferir para garrafa de refrigerante restos de detergentes ou de qualquer outro produto de limpeza: a memória visual da criança é surpreendentemente ótima e assim ela poderá ingerir substâncias altamente tóxicas julgando estar tomando inocente refrigerante de seu agrado. Os medicamentos devem ser guardados a sete chaves. Deve haver particular cuidado com três grupos de medicamentos: a aspirina (muitas vezes com visual e/ou odor agradáveis) que pode causar grave intoxicação; todos os medicamentos de uso nasal (à exceção do soro fisiológico), quase sempre derivados da efedrina, que podem levar até à parada cardíaca; e os sedativos de tosse à base de codeína, narcótico que pode produzir grave depressão respiratória e que nunca deveria ser prescrito antes dos três anos de idade.

Ferimentos:

Facas, garfos, tesouras e outros objetos cortantes nunca deveriam permanecer ao alcance das mãos das crianças. Tampouco se permitirá que uma criança de tenra idade ande pela casa levando em suas mãos ainda inseguras um copo, uma garrafa ou outro objeto de vidro – ela pode cair sobre o mesmo, sofrendo cortes sérios e múltiplos.
Portas e chaves:

Há apartamentos providos de fechadura dita de segurança, cuja maçaneta externa não gira. Pode ocorrer que a mãe, estando só com seu filho, e indo atender à porta, a criança, mesmo engatinhando, fechar a porta com um simples empurrão, deixando a mãe no hall do elevador sem possibilidade de entrar e a criança presa no apartamento. A partir de certa idade, é preciso remover todas as chaves das portas internas, pois a criança pode se trancar e não saber como abrir a porta. Os banheiros devem ser providos de fechaduras tipo borboleta em que a porta pode ser aberta por fora com chave romba, que deverá estar sempre em local acessível à família.
Elevadores:

Por motivos óbvios, enquanto a criança não atingir certa maturidade, ela não deverá utilizar o elevador a não ser em companhia de um adulto.
A criança no automóvel:

As viagens à noite não são recomendáveis: geralmente o motorista já está cansado e com seus reflexos diminuídos. Além disso, à noite qualquer pequeno defeito mecânico tornaria o reparo mais problemático e demorado. A viagem deverá ser programada para o período da manhã. A velocidade será moderada, prevendo-se várias paradas em lugar sombreado para trocar, alimentar e oferecer água à criança, fazer refeições ligeiras, podendo-se, no dia da viagem, dispensar-se a sopinha e substituí-la por mamadeira. A criança nunca viajará no banco dianteiro, só ou no colo da mãe; numa freada brusca ou num acidente, ela pode ser projetada contra o pára-brisa, o que pode ter conseqüências fatais. Ela poderá ser transportada no banco traseiro e, dependendo de sua idade, no moisés ou em cadeiras próprias, sempre protegida pelo cinto de segurança. De um modo geral, a criança pequena suporta bem qualquer tipo de viagem, inclusive aérea, não estando ainda sujeita aos enjôos da criança mais velha.
Educação para o trânsito:

À medida que a criança for crescendo, ela deverá ser educada para o trânsito. Mostre-lhe que é perigoso brincar em ruas de movimento e lhe ensine a somente atravessar as vias públicas nas respectivas faixas de segurança. Lembre-se de que ela se espelhará no exemplo dos mais velhos: se o pai, ao dirigir o automóvel, não respeita os sinais de trânsito, se é um mau motorista, que esperar do filho quando o mesmo começar a dirigir?
Dr. Manuel Naves

Acidentes Domésticos

Os acidentes domésticos são muito comuns, e mesmo com todo o cuidado alguns objetos e situações apresentam riscos, principalmente para as crianças; às vezes esses acidentes são tão graves que podem levar à morte.
Os pais devem lembrar que para a criança tudo pode ser brinquedo interessante e ela não é capaz de avaliar o perigo. Por isso devem ficar atentos a pequenos objetos como moedas, tampinhas de garrafas, clips, botões até brinquedos que possuam peças pequenas e que se soltam com facilidade e possam causar engasgos e sufocamento.
Siga algumas regras básicas e transforme sua casa em um lugar seguro.

MEDICAMENTO
Todo medicamento deve ser guardado em lugares altos e, de preferência,trancados com chave. Nenhum medicamento deve ser tomado sem orientação médica.
ESCADAS
As escadas devem possuir corrimão e o piso não deve ser liso. Quando as crianças forem pequenas e principalmente na época em que estão engatinhando ou começando a andar, procure colocar protetores e barreiras em todos os acessos da casa que levem à escada.
JANELAS E SACADAS
Para quem tem crianças em casa e principalmente em apartamentos, devem ser colocadas grades ou redes de proteção. Muitos acidentes acontecem pela falta de proteção em janelas e sacadas.
PISCINA
Crianças nunca devem ser deixadas sozinhas perto das piscinas. Em casa deve ser colocada tela de proteção ou grade em volta da piscina.Toda vez que a criança for nadar, em casa ou no clube, nunca deve deixar de usar bóias.
COZINHA
As pessoas e muito menos as crianças não têm noção do perigo que a cozinha representa, por isso mantenha as crianças sempre longe. Criança não tem medo de fogo, nunca deixe as panelas com os cabos virados para fora do fogão. Cuidado também com vazamento de gás. Verifique sempre os botões do fogão e se as mangueiras do gás estão em ordem.
PRODUTOS QUÍMICOS E MATERIAL DE LIMPEZA
Por serem produtos altamente tóxicos e, muitas vezes, inflamáveis devem ser deixados em local de difícil acesso para crianças e animais. Nunca permita que crianças mexam com álcool ou outros produtos abrasivos e inflamáveis. A ingestão de certos produtos pode ser fatal.
TOMADAS
Utilize sempre protetores especiais para as tomadas evitando assim choques e outros acidentes.
OBJETOS PONTIAGUDOS OU CORTANTES
Facas, tesouras, chaves-de-fenda e outros objetos perfuro-cortantes nunca devem ser dados às crianças. Mantenha esses objetos em locais fechados onde a criança não tenha acesso.
FERRO DE PASSAR ROUPA
Nunca deixe o ferro ligado com o fio desenrolado e ao alcance das crianças. Além da alta temperatura, é perigoso por seu peso e eletricidade.
Em caso de acidente saiba como praticar os primeiros socorros.

Primeiros Socorros

Acidentes podem acontecer na hora em que menos esperamos. Por isso tenha sempre em casa um estojo de primeiros socorros para os casos de emergência. O estojo deve conter pelo menos, esse material básico.
• creme anti-séptico
• pomada contra queimaduras e picadas de insetos
• anti térmico para adulto e infantil
• mercúrio ou mertiolate
• gaze, esparadrapo, algodão e ataduras
• curativos adesivos tipo band-aid
• pinças e tesoura
• bolsa de gelo e de água quente
• água oxigenada

Os acidentes mais comuns:

CORTES E ARRANHÕES – Ferimentos pequenos devem ser lavados com água morna ou oxigenada e depois desinfetados com mercúrio-cromo ou mertiolate. Depois proteja o ferimento utilizando-se de atadura,gaze ou esparadrapo. Certifique-se de que o objeto cortante não esteja sujo ou enferrujado. Neste caso, haverá necessidade de aplicar a vacina antitetânica. Para extrair espinhos ou lascas use uma agulha ou pinça desinfetada no fogo e depois aplique iodo ou álcool no lugar ferido.

HEMORRAGIAS NO NARIZ – Um dos problemas mais comuns, quando se toma muito sol. Em hemorragia de nariz, não se deve colocar a cabeça para trás porque a vítima pode aspirar o sangue, levando à uma pneumonia. A cabeça deve ser inclinada para frente, e o nariz deve ser pinçado com o polegar e indicador para tentar estancar o sangue (tamponamento).

TORCEDURAS – Mantenha a parte afetada erguida e aplique bolsa de gelo ou água fria. Quando o inchaço tiver desaparecido, use toalhas quentes no local para aliviar a dor.

PICADAS DE INSETOS – Na falta de pomada específica, álcool ou aguardente ajudam quando friccionados no local atingido. É bom espremer antes o lugar da picada para retirar o líquido injetado ou ferrão dos insetos. Se o local inchar, você pode colocar compressas de água e vinagre (três colheres de sopa de vinagre para um litro de água).

Para tirar bichos-do-pé use uma agulha desinfetada no fogo. Depois passe um pouco de tintura de iodo ou um antimicótico. Os carrapatos se soltam sozinhos por inteiro aplicando uma gota de iodo ou manteiga. O iodo também é utilizado para repelir os acarinos (transmissores da sarna) e os piolhos.

INTOXICAÇÃO E ENVENENAMENTO – A primeira medida no caso de envenenamento é provocar vômito. Isso só não deve ser feito se o doente estiver inconsciente ou se a intoxicação for provocada por produtos derivados do petróleo. Neste caso procure logo um hospital. Em todos os casos de envenenamento e intoxicação deve-se procurar um pronto socorro levando as seguintes informações:
O que foi ingerido
• A quantidade ingerida. No caso de remédios, tente descobrir quantos comprimidos foram engolidos.
• Quando ocorreu a ingestão
• Se puder transportar a vítima ao hospital ou ao médico, leve consigo os frascos do produto envolvido.

MORDIDAS DE ANIMAIS – Mordida de um animal como o cão , gato ou cavalo deve-se buscar ajuda médica, pois a maioria desses ferimentos pode infeccionar quando não tratada rapidamente. A pessoa mordida pode necessitar de uma injeção antitetânica ou levar pontos. Algumas mordidas podem exigir que a vítima tome injeções anti-rábicas.

QUEIMADURAS – Elas podem se causadas por calor seco (fogo) ou por calor úmido (vapor, líquidos quentes), eletricidade ou produtos químicos corrosivos. A área atingida deve ser resfriada ou colocando-a sob uma torneira aberta. Não aplique de modo algum qualquer pomada ou creme, nem fure bolhas que possam se formar na pele.
Procure urgente ajuda médica se a queimadura afetar uma área extensa, se a pele estiver aberta, muito cheia de bolhas ou carbonizada, ou se a vítima sofrer dores fortes. Mesmo pequenas queimaduras podem causar cicatrizes no rosto e nas mãos, por isso você deve procurar sem demora auxílio médico.

Em casos de choque elétrico, consulte um médico, mesmo que só haja queimaduras leves.
Normalmente, a temperatura do corpo é constante, por volta dos 37ºC. Durante exposição prolongada ao frio, o corpo pode perder mais calor do que pode produzir; logo, a temperatura cai. Isto é chamado de hipotermia. A hipotermia exige cuidados médicos urgentes, mas antes você deve abrigar a vítima do frio, isolando-a do chão se estiver no ar livre. Dentro de casa, remova quaisquer roupas molhadas e troque-as por roupas quentes e secas ou agasalhe a vítima com cobertores.
Se ela estiver consciente, dê-lhe goles de bebida quente e doce, não alcoólica. Não a coloque em água morna nem ponha bolsas de água quente ou cobertores elétricos
Lúcia Helena Salvetti De Cicco

Referências
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3964&ReturnCatID=1617
http://www.alobebe.com.br/site/revista/reportagem.asp?texto=29
http://www.saudevidaonline.com.br/acident.htm

One thought on “Prevenção de Acidentes Infantis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *