A Sexualidade na Educação

Adilson da Conceição é Professor Articulador do Laboratório de Informática Educativa e está montando com seus alunos a WEB RÁDIO objetivando o ensino e a aprendizagem através de reportagens, dicas das disciplinas, informações e entrevistas além de vários temas pertinentes ao currículo escolar.

A Revista A REDE de janeiro/fevereiro de 2008, edição 33 fez uma reportagem com Adilson intitulada CONEXÃO DIGITAL sobre o curso que solicitou em parceria com a divisão de Tecnologia Educacional do Estado de Sergipe sobre rádio que vocês podem conferir nas págs 18 e 19. A foto mostra alguns professores que participaram. Na página 20 vocês poderão ler o texto sobre Adilson da Conceição e a Escola João Nascimento Filho.

Adilson também montou, com seus alunos, o site Escola Municipal “ João Nascimento Filho” que pode ser visitado entrando AQUI

O Professor Evaldo Pedro Brasil da Costa nos presenteou com este Poema.
Suas palavras: “Caros amigos envolvidos neste Blog, com B maiúsculo.

Estou enviando um poema que não consegui postar como comentário/contribuição para este que, para mim, é um movimento pela educação.

Antes, preciso dizer que venho escrevendo o que chamo de Cordel 49, como sete sétimas em rima A B A(X) B C C B.

Essa é uma produção que está associada a um evento promovido pela dupla Macambira & Querindina, chamado festCordel estudantil.

CORDEL 49.23

Enfim recomeça agora o nosso Ano Letivo

I
Calendário! Temos muitos.
Mas este é especial
É como o religioso
É sagrado, é original!
Quem nunca dele viveu
Parece que já morreu
Quando usa a digital!

II
É o calendário escolar
Que começa em fevereiro
Vai à véspera do Natal
O seu dia derradeiro.
Passa ligeiro demais
E quem já era capaz
Com ele ficou matreiro.

III
Enfim recomeça agora
O nosso Ano Letivo
Professores e alunos
Em processo educativo.
Mas toda a comunidade
Se envolve na novidade
Do grande bem coletivo.

IV
O nosso Ano Letivo
Enfim recomeça agora
No processo formativo
Vejo raiar nova aurora.
O saber se faz suporte
Para renovar o norte
Pelo caminho da glória.

V
Você que ajuda a educar
Com papel privilegiado
Vê se não negligencia
Sua missão, seu chamado.
Você escolheu ensinar?
Você escolheu educar?
Novo mundo é chegado.

VI
Você que quer se educar
Tem papel privilegiado
Vê se não negligencia
Sua escolha, seu primado.
Você escolheu estudar?
Você escolheu s’educar?
Um novo ser é chegado.

VII
Vamos pensar a respeito
Das escolhas, do motivo,
Pra renovar a esperança
No processo educativo.
Vamos lá, bora-que-bora,
Enfim recomeça agora
O nosso Ano Letivo.

(Evaldo Pedro Brasil da Costa)
19/20 de Fevereiro de 2008.


Sexualidade Infantil – Aspectos pedagógicos e sócio-culturais

Demerval Florêncio da Rocha

Os profissionais da saúde e da educação percebem com bastante freqüência as dificuldades de pais e familiares em lidar com as manifestações das crianças no terreno da sexualidade. Os mesmos profissionais reconhecem suas próprias limitações em compreender e abordar o assunto.

Inicialmente, precisamos ver a sexualidade não apenas como mais uma das inúmeras funções do organismo (como respiração, digestão, circulação etc.), e sim como uma das mais relevantes para que a criança construa sua própria identidade e se perceba como uma Pessoa Humana. É a principal função para o desenvolvimento de todas as potencialidades construtivas do organismo, ou seja, para que a criança aprenda desde cedo a lidar com seu corpo e, através dele, explorar o mundo ao seu redor. A energia para esse evoluir contínuo chama-se libido. Essa grandeza energética atinge seu máximo potencial durante o relacionamento sexual, porém já desde a tenra infância alimenta todo o ciclo de integração do indivíduo com o mundo que lhe cerca. É essa energia, transmutada em afetividade, que estrutura e consolida a relação da criança com sua família e seus cuidadores (incluindo professores) para a formação de uma personalidade destinada ao futuro exercício de uma cidadania ativa. O principal que nós adultos temos a fazer é colaborar para esta harmoniosa canalização da libido infantil. Precisamos nos tranqüilizar que nem sempre a criança segue uma direção absolutamente disciplinada e laboriosa na utilização da libido. Isso acontece mesmo que nós oportunizemos e facilitemos as atividades mais atraentes e produtivas para a construção do Ser da criança, pois a libido dos pequenos muitas vezes excede a necessidade de sua utilização pelo trabalho pedagógio, lúdico ou laboral que nós propomos aos baixinhos. Ainda sobra energia. Além disso, dessas condições normais, há ainda os conflitos internos ou no seio do lar que fazem a criança extravasar comportamentalmente sua energia libidinal. É aí que presenciamos, por exemplo, manipulação de genitais, imitação de atos hetero ou homossexuais, vocabulário erotizado, rudimentares desenhos pornográficos e gestos obscenos.

Sabedores das noções que acabamos de expor, não há motivos para grande ansiedade com tais manifestações infantis; não devemos supervalorizá-las. Além de se constituírem em extravasamento fisiológico da libido, essas condutas se prestam para formar a identidade sexual da criança. Para isso, todo Ser necessita do complemento que vem do Outro. Por isso o ser humano é gerado dentro de outro. Depois segue à procura de outro. Esse delicado processo se vale de muitas estratégias – conscientes ou inconscientes. Uma delas é o prazer da oralidade (levar coisas à boca). Tudo voltado para fazer com que a criança se perceba e se conheça a si própria e tome consciência de sua incompletude. Nesses contatos para a busca de sua complementaridade é que se produzem as emoções. Estas qualificam a criança para as conquistas – principalmente a conquista de si mesma. Nossa preocupação deve residir em não desvirtuarmos esse processo pueril e orientar aos outros que também não o façam.

Infelizmente, a sociedade perverte esse fluxo salutar do desenvolvimento da sexualidade, através de entidades naturalmente constituídas (família, clubes) ou imperiosamente incutidas (escola, igrejas, mídia). Começa em casa, quando confundimos sexualidade com habilitação genital. Insinuamos atitudes genitais onde há apenas conteúdo afetivo. “Ele já tem namorada, doutor”, diz a mãe ao pediatra. “Ele é muito macho”, retruca o pai ao professor de educação física. “Menina, se comporte, pare com esse jeito de guri”, adverte a professora. A televisão ensina a dancinha da garrafa, exibe cartoons com implícita apelação sexual, mostra o comercial de um baby “celularizado” cantando a “garota linda” de fraldas. São apenas alguns dos inúmeros exemplos de aberrações sócio-pedagógicas, antecipando para a primeira infância o ritual de passagem à adolescência. Podemos agregar todas essas iniciativas em uma doutrina grotesca chamada sexismo – inoportuna, inadequada e fanatizante. É da natureza perniciosa da mídia lograr dividendos de propriedades naturais do organismo infantil. Os experts da publicidade sabem que a partir dos 3 anos a criança já tem fantasias eróticas; que aos 5 já têm condições fisiológicas de auto-erotização e orgasmo. Esses midiáticos exploram tais conhecimentos com o objetivo de ampliar audiência e faturamento para seus canais. É o capitalismo sexual, onde todo prazer tem que virar cifrão ($); sentimentos e desejos se transformam em capital. São técnicas ardilosas, pois ao invés de promover a pessoa humana, acabam por estimular o aliciamento, a exploração e a violência sexual contra menores e a pedofilia.


Concubinados às manobras publicitárias, surgem diversos tipos de relações viciosas de gênero. Repressão, depreciação e dominação do homem para com a mulher. “Segure tua cabra que meu bode tá solto”; “homem não chora”. Assim, o gênero feminino procura obter ou sustentar sua emancipação referenciando-se nos “poderes” masculinos e não na sua própria identidade.
Trabalhar adequadamente a sexualidade na infância pode resultar em melhorias na formação integral dos pequenos e atenuar futuros efeitos deletérios na auto-realização de adolescentes e nas relações de gênero. Para tanto, uma série de condições precisam ser contempladas, a começar pela preparação dos próprios pais e educadores. Abordar o assunto nas escolas e outras instituições não significa apenas destacar a prevenção de gravidez indesejada e de doenças sexualmente transmissíveis na juventude, como tem sido atualmente. O objetivo maior deve ser a visão de cidadania plena, que começa necessariamente no respeito afetuoso pelo outro.
O pré-requisito fundamental para a boa execução dessa tarefa é que os adultos repensem sua própria sexualidade e os valores que cultivam referentes à mesma. Para uma educação libertadora, inovadora, o educador há que se despir de determinados valores, tabus, mitos e preconceitos e assumir postura de cientista no grande laboratório da infância, disposto a uma atitude compreensiva e de aproximação ao contexto cultural do ambiente de seus pré-escolares. História pessoal ou familiar adversa dos próprios pais e professores, quanto à vivência de sentimentos ou estados afetivos, pode interferir nos objetivos ou no processo de facilitação da construção da sexualidade das crianças sob sua tutela ou orientação.

Competente é o educador que está atento ao simbolismo com que as crianças expressam sentimentos, angústia, irreverência, oposição etc, pois a primeira infância é um período pré-conceptual, ou seja, ainda não existe uma estrutura neural competente para viabilizar operações e conceitos formais e concretos. Trabalhar ludicamente a simbologia da linguagem infantil, valorizar a semiologia do imaginário da criança – eis a grande cartada para a promoção de uma sexualidade dignificante. É curioso saber que, segundo várias pesquisas com meninas adolescentes, a curiosidade é o principal fator que as leva a iniciar sua atividade sexual. Não é preciso imaginação para perceber que o fator “curiosidade” é ainda mais imponente na primeira infância. Satisfazer e não reprimir a curiosidade das crianças é um postulado básico de qualquer processo pedagógico. Mas satisfazer também com simbolização e não com protocolos e expedientes banalizados, inadequados ou inacessíveis aos pequeninos. A criança é mágica por natureza e, conseqüentemente, aprende por símbolos, desde que estes possam se situar dentro de seu campo fenomenal. A criança trabalha com símbolos, pois brincar é seu trabalho, e este trabalho não é menos valioso que o trabalho dos adultos. Precisamos atribuir à simbologia infantil o status de conhecimento.

Nós, adultos, temos que vislumbrar a importância de proceder assim com as crianças. Para tanto, urge de nossa parte dramatizar, serenizar, parodiar ou satirizar as deformações na construção de nossa própria sexualidade. O lúdico, o engraçado conta com maior chance de ser aprendido, pois o riso libera endorfinas, que abrem sinapses. Brincar com nossos preconceitos, com recalques, com mitos e tabus, visando construir o respeito pela diferença, exaltar o amor, ressaltar a afetividade. Promover dinâmicas de cumplicidade afetiva, de partilhar sentimentos, de envolvimento emocional, mas dinâmicas lúdicas antes de tudo. Romper a barreira do silêncio. Teatralizar, representar o cotidiano, rodopiar a insegurança, encenar a culpa, desnudá-la no palco, exorcizá-la na representação, desrepresentá-la no real.
É premente tirar pais e professores da penumbra e iluminá-los com conteúdos claros sobre sexualidade, para que eles possam recontar ou reescrever suas próprias histórias de vida, revivenciá-las. Desnudá-los dos mal-entendidos de sua própria infância e adolescência e vesti-los em um colete à prova de mitos, preconceitos e incertezas acerca da sexualidade. Ainda que tarde, reafetizar o mundo secreto de sua sexualidade ou reclamar-lhe os afetos há muito negligenciados. Re-infantizar o educador, reposicioná-lo no caminho da maturidade emocional.
http://www.filosofiabarata.com.br/blog/pediatria.php?p=54&more=1&c=1&tb=1&pb=1

Educação e sexualidade

As crianças que estão na Educação Infantil e no Fundamental já têm sexualidade e os professores precisam saber lidar com ela.

CLáudio Picazio

A criança não é um anjinho de candura e inocência: ela tem sexualidade que se
desenvolve do nascimento até a vida adulta. “É o que Freud dizia”, lembrou o psicólogo Cláudio Picazio, especializado em sexualidade e terapia de família e casal, coordenador do curso de sexualidade para professores no Programa de Educação Preventiva da Rede Municipal de Ensino de São Paulo.

Essa afirmação serve para respaldar a necessidade que os professores de Ensino Infantil e Fundamental têm de estar preparados para lidar com a sexualidade, mesmo dos mais pequenos. “A escola precisa aprender a lidar com a sexualidade.
Afinal, já a partir dos 3 anos de idade, a sexualidade fica mais evidenciada
entre as crianças. Não se trata de erotização, mas da curiosidade com o sexo. Trata-se do interesse pelas diferenças entre o pai e a mãe, o meninoe a menina, não tem nada a ver com o banho hormonal da adolescência.”

Segundo Picazio, até os anos 80, a escola reprimia qualquer comentário com relação à sexualidade. Depois, passou a liberar o assunto e, por fim, perdeu os limites. Hoje, precisa recuperá-los, mas é importante delimitar a diferença entre estabelecer limites e tachar o sexo de inadmissível e pecaminoso.
Em seu trabalho com professores, o psicólogo disse ser comum questionamentos sobre como lidar com meninos e meninas de Ensino Infantil e Fundamental que se beijam e se abraçam.

“É simples, é preciso lidar com o fato como se lida com uma criança que brinca muito com o mesmo brinquedo. Por exemplo, se o garoto joga bola por muito tempo, ninguém diz que o pé dele vai cair ou que irão crescer pêlos nos pés. Simplesmente, o professor recomenda que ele deixe a quadra e volte para a classe para outra atividade. Naturalmente. Com o sexo deve ser da mesma forma. Basta distrair a criança, dizer que aquilo não é coisa que se faz em público.”
Na Educação Infantil, Picazio afirmou que os educadores nem precisam se preocupar em falar de sexo porque as crianças, com certeza, irão perguntar. E as respostas devem ser de forma curta e correta, esclarecendo que a sexualidade existe. Explicando, por exemplo, de onde as crianças vêm: da barriga da mãe e que o pai colocou uma semente dentro dela.

“Mas para que isso ocorra é necessário investir no professor. Se ele tem dificuldades com sua própria sexualidade, como lidar com a dos alunos?”, perguntou. Picazio disse acreditar que não há problemas em preparar os educadores para tratar desse assunto, uma vez que não há a intenção de formá-los terapeutas. Mas sim, deixá-los prontos para lidar com as experiências referentes à sexualidade que apareçam em seu dia-a-dia. “O
assunto sexualidade deve ser colocado como um dos temas transversais e o professor precisa estar bem informado para não criar tabus, problemas ou traumas nas crianças.”


PREOCUPAÇÕES
Segundo Picazio, uma coisa que deixa os professores de Educação Infantil e Fundamental de cabelo em pé, é a masturbação infantil. “Há crianças com quatro anos de idade que descobrem que mexer nos órgãos genitais é algo gostoso. E não tiram mais a mão de lá. As meninas, por exemplo, ficam puxando a calcinha em público.” O psicólogo disse ser comum os professores imaginarem que as crianças com este comportamento sexual devem ter problemas ou sofrido algum abuso, mas não é nada disso. “Não há nada de excepcional ou problemático neste comportamento. Basta mostrar para a criança, de forma natural, que são coisas que não devem ser feitas em público e distraí-las com outras atividades, como se fosse uma brincadeira em excesso.”
Ele explicou que o fato dos educadores impedirem a criança de fazer essas coisas não causa trauma. O problema é a carga de valores que o professor passa para o ato. “Se ele começa a dizer coisas do tipo: é pecado, a mão vai cair, aí sim pode gerar um trauma. O que é necessário é mostrar que aquele comportamento é inadequado para o momento.”
Picazio também alertou os educadores a ficarem atentos e perceberem as atrações das crianças. “Há casos também em que os meninos passam a mão em uma menina e ela não fala nada. As professoras piram! Mas na verdade têm que ressaltar a auto-estima daquela criança e mostrar para ela que embora seja gostosinho, ela precisa valorizar seu corpo e não deve permitir que os garotos façam aquilo”, afirmou.

… “Procuro tratar da sexualidade com ênfase nas ligações afetivas, falo, por exemplo, dos papéis e gêneros dos sexos masculino e feminino. Encontro professores que consideram um menino de 17 anos vagabundo porque vive em região pobre e passa as tardes ouvindo música e lendo. Enquanto uma menina que faz a mesma coisa é considerada estudiosa. Esses educadores estão alimentando a divisão de papéis que aponta a menina como afetiva e o menino com um ser sexual e agressivo. Isso é errado, afinal, os meninos devem ser preparados também para ser afetivos e desenvolver sua função paterna.”

O psicólogo defende que este é um dos melhores caminhos para se evitar a gravidez precoce e indesejável das garotas. “O garoto, sentindo-se responsável por sua paternidade, vai pensar duas vezes antes de uma relação sem prevenção. Ao contrário do que acontece hoje em dia, em que a garota é considerada culpada e o menino muito macho por tê-la engravidado”, afirmou.

E Picazio disse acreditar que esse estímulo à função paterna deve começar cedo, na escola. “A professora que vê o menino brincando de boneca não pode achar que ele é gay. A sexualidade masculina não é tão frágil”, disse. Para ele, os garotos também precisam brincar com a boneca para experimentar o papel de ser pais, como se fosse um treino para essa responsabilidade.

A teoria desenvolvida por Picazio, em seu curso, está embasada em um tripé:
1) o corpo físico e biológico dos meninos e das meninas;
2) os papéis de gênero, ou seja, o papel do sexo masculino e feminino, a identidade sexual, como se sentir homem, mulher, pai, mãe;
3) a orientação sexual do desejo, que procura abordar quem é o tipo que atrai determinada pessoa e qual o motivo da atração.
“Aí sempre surge um questionamento que os professores conhecem bem: por quê a garota quieta acaba namorando o garoto sacana para desgosto de pais e educadores?”
A religiosidade de alguns mestres também preocupa o psicólogo. “É preciso ficar claro que há duas verdades: uma é científica e social, da lei. Outra é religiosa. Na escola, lidamos com a primeira, para que não haja o risco do educador depositar valores pessoais morais e religiosos nos alunos”, disse.
Para concluir, Picazio afirmou ser importante deixar claro para quem trabalha com educação de crianças que sexo também é afeto, não é só transa. “É o vínculo familiar que inclui o beijo no pai, o abraço entre irmãos, o carinho de quem se gosta. A cópula é só uma partezinha pequena.”
http://www.redenoarsa.com.br/biblioteca/06se12_6093.pdf

S.O.S SALA DE AULA
Masturbação infantil

Como lidar com a libido de alunos de pré-escola que se masturbam na classe?

Revista Nova Escola on-line

A masturbação faz parte da vida das pessoas desde a infância, mas é tabu em qualquer fase. Desde a Idade Média, incutia-se na cabeça de crianças e jovens “males” causados pela prática, como loucura, isolamento, espinhas no rosto e até pêlos nas mãos. Tudo bobagem!

Por volta dos 3 anos, a criança passa por mudanças significativas: deixa de usar fraldas, torna-se mais independente dos pais e descobre seu corpo. Nessa “exploração”, ela se toca e acaba descobrindo o prazer que isso causa. “Essa fase faz parte do desenvolvimento, assim como engatinhar, andar e falar”, diz Anne Lise Silveira Scapaticci, psicanalista e terapeuta familiar.
Nem por isso deve-se considerar tudo natural e permitido. É possível que a masturbação seja um problema quando é freqüente. “Pode ser sintoma de que a criança não consegue encontrar prazer nas brincadeiras e no relacionamento com colegas e adultos”, explica o educador e psicanalista Carlos Alberto de Mattos Ferreira.

Como agir

Em primeiro lugar, explique que há coisas que não devem ser feitas na frente das pessoas, como cocô e xixi ou brincar com os órgãos sexuais. Mostre a diferença entre público e privado e não entre certo e errado. Recriminar pode ser desastroso, pois é possível que o garoto ou a garota acabe por misturar sentimento de prazer e satisfação com complexo de culpa. Segundo, desvie a atenção dessas crianças para os prazeres da escola, como pintar, tocar um instrumento, brincar, correr, dançar e jogar. Valorize a imagem e melhore a auto-estima delas, elogiando suas tarefas e dando-lhe atenção.

Dicas

Para você identificar se a criança está tendo um comportamento compulsivo, observe se além de masturbar-se ela apresenta outros sinais, como isolamento, dificuldade para participar de atividades em grupo e baixa auto-estima.
Não chame a atenção do aluno na frente da turma nem recrimine a masturbação. Converse com ele em particular, dê atenção e afeto.
Se o problema persistir e você sentir necessidade de conversar com os pais, esclareça que a masturbação é um ato comum e normal, mas respeite a crença religiosa da família. Para muitas pessoas, a masturbação é considerada pecado. Nesse caso, você poderá fazer bem pouco, mas insista que recriminar pode causar danos maiores.
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0165/aberto/mt_193562.shtml

É NORMAL A CRIANÇA SE MASTURBAR
Eliane Pisani Leite

Psicopedagogia online


A curiosidade inata da criança a leva naturalmente a explorar seu próprio corpo. Ao fazer essa sondagem percebe que ao tocar diferentes partes de seu corpo algumas lhe proporcionam maior prazer que outras. Isso ocorre sobretudo ao serem tocados os órgãos genitais, cuja zona é de maior sensibilidade, portanto causando maior prazer. Diante de tais sensações agradáveis a criança passa então, a repetir a experiência com a finalidade de obter satisfação. E essa satisfação encontra na masturbação sua principal fonte de prazer. É preciso portanto, nesse momento em que foi descoberta essa nova de entretenimento, a criança possuir outros interesses, outras atividades que estejam igualmente à seu gosto, pois assim evitará da utilização da masturbação como seu mais considerável meio de adquirir prazer.

Dessa forma, quando a criança masturba-se moderadamente, atitude esta normal no desenvolvimento sexual infantil praticado por todas as crianças, os adultos não precisam se preocupar, desde que a criança tenha outros interesses e essa atividade não se torne um hábito. Nesses momentos os adultos responsáveis pela criança devem evitar agir de maneira maliciosa, lembrando que a criança ao tocar seus órgãos sexuais agem com a mesma naturalidade com que procederia ao levar a mão a qualquer outra parte de seu corpo.

Portanto, quando a criança masturba-se habitualmente, os adultos deverão agir de maneira muito hábil na tentativa de eliminar esse procedimento.
O melhor que se tem a fazer é tentar descobrir a causa de tal atividade.
O primeiro cuidado, deverá ser com a higiene da criança. É necessário que se mantenha o asseio da criança, pois sua falta poderá provocar irritações, e estas poderão causar excitações e isso a levará a colocar a mão no local continuamente.
Outra causa pode ser o sentimento de solidão ocasionado por um relacionamento insuficiente, pela falta de contato com outras crianças, assim usará a masturbação como uma recompensa satisfatória.

O ciúme que a criança sente pelo relacionamento entre seus pais, tanto com pessoas estranhas como no convívio entre pai-mãe, também pode desencadear atitudes masturbatórias.
Os adultos devem procurar compreender tais atitudes a fim de poder ajudar a criança, e acima de tudo conversar com ela, propor alternativas de entretenimento e atividades de lazer que substituam o prazer obtido através da masturbação para que a criança não sofra punições por tais comportamentos e elabore adequadamente sua sexualidade.
http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=173

A Sexualidade na Escola
“Educação Sexual” ou “Educação para os Afectos”?
Ricardo Jorge Costa

A Página


Abordar a sexualidade na escola não é fácil. Devia sê-lo, mas não é. “Falar de sexualidade é difícil porque imaginamos sempre coisas associadas a ela que nos levam a ficar com vergonha. Se calhar é por isso que os professores não estão à vontade para conversar connosco”. Quem o afirma é a Mariana, 17 anos, estudante do 11º ano, que naquela tarde estava sentada com mais dois amigos, a Cláudia e o Pedro, na escadaria fronteira à escola. Não foi difícil falar com eles. Pareceram partilhar as suas opiniões com gosto e dizer o que provavelmente muitas vezes fica por dizer.
O Pedro, um ano mais velho do que a Mariana, acha que aprendeu mais a falar com os amigos e os colegas sobre os temas que se relacionam com a sexualidade do que na escola. “Aqui fala-se principalmente dos perigos das doenças sexualmente transmissíveis, dos métodos contraceptivos e pouco mais”. Oculta-se, na sua opinião, o que por vezes é mais importante: satisfazer a curiosiosidade, questionar sobre se determinados comportamentos são considerados “estranhos” ou se “faz mal à saúde” praticar determinado tipo de sexo. “Acho que é como a Mariana disse: as pessoas talvez tenham vergonha ou achem mais natural falar disso com os amigos, não sei…”.
“Os rapazes deviam saber qual é a sensação de uma mulher ter um filho… Talvez assim dessem mais valor à maternidade”, opina a Cláudia. Apesar de concordar que passar pela mesma experiência será um pouco difícil, ela pretende demonstrar que o facto de “eles” desconhecerem o funcionamento biológico da mulher leva-os, muitas vezes, a adoptarem certos “comportamentos irresponsáveis”.

Há dois anos trabalharam a sexualidade como tema na área-escola. O resultado parece ter sido encorajador, mas não houve continuidade. “Foi engraçado porque pudemos pesquisar sobre determinados assuntos e expô-los abertamente aos outros. Na altura falamos bastante sobre o assunto, mas depois nunca mais o abordamos”, diz a Cláudia. “Foi a primeira vez que soube como realmente funcionava o aparelho reprodutor feminino, o ciclo da menstruação e outras coisas. Mas acho que ficou muito por perguntar…”, afirma, por seu lado, o Pedro.

Um pouco mais jovens do que os seus colegas – frequentam o nono ano e têm todos quinze anos -, a Mariana, a Ana e o Domingos estão à volta de uma mesa do bar jogando cartas. Talvez por isso seja patente a sua apreensão inicial em falar sobre o assunto. Como é que a educação sexual devia ser abordada na escola? “Nunca tinha pensado nisso”, diz a Mariana – esta de apelido Raquel -, desviando o olhar para os colegas e soltando um pequeno riso. “Aqui na escola só aprendi educação sexual nas aulas de Religião e Moral”, responde por seu turno a Ana, que, apesar disso, não hesita em afirmar que já sabe “quase tudo” o que há para saber.

O Domingos, pelo contrário, considera que devia haver uma hora semanal para discutir os assuntos ligados à sexualidade. “Às vezes há perguntas que temos vergonha de fazer aos nossos pais e às quais os amigos também não sabem responder. Nessa altura dava jeito. Mas não devia contar para avaliação nem ter faltas”, refere.
Os depoimentos recolhidos junto destes alunos de dois estabelecimentos de ensino do Porto, permitem demonstrar, pelo menos em parte, que a educação sexual nas escolas é ainda um tema pouco divulgado. Isto, apesar de a educação sexual se encontrar regulamentada desde 1984, pela lei nº3/84, bem como pela Lei de Bases do Sistema Educativo de 1986. O ano passado, as garantias do direito à saúde reprodutiva foram reforçadas pela Lei nº120/99 e, segundo o Plano Interministerial para a Educação Sexual e para o Planeamento Familiar, prevê-se que até 2003 cerca de 90 por cento dos alunos deverá receber formação nas áreas da sexualidade humana, fisiologia da reprodução, doenças sexualmente transmissíveis, relações interpessoais e planeamento familiar.

Uma meta tanto mais importante quando se sabe que Portugal é o país da União Europeia com maior número de mães menores de idade. Apesar deste número ter vindo a decrescer nos últimos anos, só em 1997, segundo números fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, cerca de 2500 adolescentes – entre os doze e os dezassete anos – foram parturientes, sendo que a larga maioria não retorna à escola.


Investir na formação dos professores

Apesar de ter uma importante função preventiva, a educação sexual não devia cumprir um papel meramente informativo. “E o erro está aí, ao continuar a achar-se que a informação é o mais importante. Não é, porque os adolescentes têm a informação e não a usam.” , diz Emília Costa, psicóloga e professora da Faculdade da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação do Porto. O mais importante, sublinha, é o “desenvolvimento do indivíduo no respeito por si próprio e pelo outro”. Daí considerar que deva falar-se mais em “educação para os afectos” – onde, a par com aspectos de ordem prática, se dê particular ênfase às relações interpessoais – do que reduzir o conceito a “educação sexual”.

Mas mais do que orientar-se preferencialmente por uma ou outra abordagem, o fundamental, defende, é que a escola, desde a pré-primária à universidade, defina com coerência os objectivos que pretende atingir. Mas as escolas, afirma, “não têm objectivos e cada professor tende a actuar de forma isolada”. “Assim, como é possível os alunos sentirem-se inseridos num contexto, quando não há uma identidade própria ou uma estratégia concertada?”, questiona-se.

A formação de professores é uma das áreas mais importantes para o sucesso dessa estratégia. Uma necessidade premente, demonstrado, nomeadamente, pelo crescente número de pedidos que a Associação para o Planeamento da Família (APF) tem vindo a receber para formação ou apoio a projectos de educação sexual nas escolas, inclusivamente nos estabelecimentos do 1º ciclo do ensino básico, embora nestes com menos frequência. A formação de formadores tem sido uma das principais apostas da instituição, tanto como meio de suprir a carência de formadores disponíveis como forma de aumentar a qualidade da resposta. Paralelamente a estas acções, também as escolas superiores de Educação e as universidades têm vindo a ser solicitadas no sentido de incluirem temas de educação sexual e Formação pessoal e Social nos curriculos dos diversos cursos, quer no que respeita à formação inicial, quer à formação contínua. ESE’s como a de Setúbal ou do Porto, entre outras, começaram já a organizar formação nesta área.

Seja por falta de preparação ou por desconhecimento de causa, o facto é que muitos professores continuam a ter dificuldades na abordagem da sexualidade. Para ilustrar esta afirmação, Emília Costa recorre a um exemplo extremo, mas bem ilucidador do que pode suceder quando o professor não se encontra convenientemente preparado para lidar com determinadas situações na sala de aula. Uma história que, confessa a própria, a chocou bastante: “A meio de uma aula uma adolescente foi menstruada e não se apercebeu do facto. Os colegas começaram a rir-se e a professora, ainda jovem, não reagiu de forma positiva, perguntando-lhe, ao contrário do que seria de esperar, se a mãe nunca lhe tinha ensinado a andar protegida”.

São exemplos como este que levam a psicóloga a concluir que o tipo de abordagem utilizada não se encontra relacionada com a idade ou com a formação pessoal de cada docente, mas está dependente, em grande medida, da motivação e da sensibilidade em relação aos problemas e à forma de lidá-los. Factores, reconhece, que uma formação adequada pode ajudar a desenvolver. É por isso que quando um aluno diz um “disparate” na aula, o professor, em vez de o convidar a sair, devia aproveitar a circunstância para abordar o assunto de uma “forma educativa”, sugere.
“Os professores esquecem-se muitas vezes que são ao mesmo tempo pais. Se eles pensassem nos alunos nos mesmos termos que os filhos, como reagiriam? Por outro lado, se se lembrassem do seu período de adolescência, o que faziam, o que questionavam, os medos e as angústias que experimentaram, concerteza se sentiriam mais próximos dos sentimentos dos alunos”.


Envolver os pais

Mas não devem ser apenas os professores os alvos destas acções de sensibilização e formação. Os encarregados de educação, enquanto actores centrais no processo de aprendizagem e da formação pessoal dos jovens, são também eles confrontados com situações às quais não sabem, por vezes, como reagir, questionando-se frequentemente de que forma podem ajudar os filhos. “Não é preciso tirar nenhum curso”, refere Emília Costa. “Basta que falem do que sabem com naturalidade e abertura”.
Neste sentido, a Associação de Pais da Escola Secundária da Maia, desenvolve, desde final de 1998, diversos programas de sensibilização para as questões da adolescência, de entre os quais se destaca uma acção de formação destinada exclusivamente aos encarregados de educação. “Elos de Intimidade”, assim se chama a iniciativa, leva, uma vez por semana, os pais de três turmas do oitavo ano daquela escola a encontrarem-se para debater os mais variados temas ligados à sexualidade, recebendo formação, entre outras vertentes, na área da comunicação com os filhos.
“Pretendemos principalmente que os laços de comunicação sejam facilitadores da relação entre pais e filhos”, refere Luísa Costa, presidente da Associação de Pais e dinamizadora da iniciativa. A taxa de participação não é muito elevada – cerca de trinta por cento do total de encarregados de educação assistem às reuniões -, mas esse não é um aspecto que a preocupe. “Não nos interessa formar grandes grupos porque não seguimos uma estratégia do tipo explanativa, apostamos mais na dinâmica de grupo, lançando questões que são posteriormente discutidas entre todos”.

Partindo da sua experiência, Luísa Costa diz que a sexualidade continua a ser um tabu, seja a nível pessoal, seja na relação entre os casais. “Como não o havia de ser entre pais e filhos?”, pergunta-se. Mas o trabalho parece estar a desenvolver frutos. Após três encontros, Luísa Costa afirma que a evolução deste grupo foi extraordinária. “Já há uma ligação mais forte entre os participantes, as pessoas falam abertamente, gracejam… houve inclusivamente quem me pedisse para levar as irmãs, as cunhadas ou os amigos. E isto demonstra a vontade dos pais quererem aprender mais para saber como lidar com os respectivos filhos”.

Um exemplo, entre tantos outros que se começam a generalizar, indispensáveis para mudar as mentalidades dos adultos e daqueles que ensinam as crianças. “A sociedade portuguesa ainda está muito virada para si própria. Ainda se acredita que ser pai e mãe é qualquer coisa de instintivo e natural, mas é uma das tarefas mais difíceis com que o ser humano é confrontado”, refere, por seu lado, Emília Costa. Daí considerar que uma boa parte do trabalho deva ser desenvolvido juntos dos adultos, pais e sociedade em geral, tentando alterar valores que já não se adaptam à actual forma de vivência dos adolescentes: “Somos regidos por valores paradoxais e queremos que os jovens os assumam”.

SEXUALIDADE NA ESCOLA

Samuel Cortez


O tema Sexualidade na Escola, talvez seja um dos mais polêmicos e de maior dificuldade para ser tratado. Por esta razão decidi por abordá-lo da maneira menos preconceituosa possível. Procurarei ser objetivo[1] e breve, por ser esta uma das características deste professor e de ser do agrado da maioria das pessoas neste mundo “apressado”.
Começo com uma pergunta: De quem é a responsabilidade de educar, sexualmente, os jovens e por que não os menos jovens?
Inicialmente diríamos que a responsabilidade é dos pais, da escola, enfim da sociedade como um todo. Mas sabemos[2], que na prática não é o que acontece.
Na realidade, hoje a escola é que possui cada vez mais esta responsabilidade de educar os alunos para uma sexualidade saudável. Sabemos também que em sua maioria, as escolas não estão cumprindo este papel com eficiência. Como motivo está o despreparo dos professores em abordar o tema, cheio de tabus, e a concorrência desleal dos meios de comunicação que acabam confundindo a cabeça do nosso jovem. Em um momento estão fazendo campanha para uso de camisinha, e no outro instante estão promovendo a promiscuidade, principalmente em novelas que “descrevem” o dia a dia, quando jovens praticam o sexo sem usar a tal camisinha (com raras exceções).

Mas retornemos a escola. Um dos principais motivos em que a responsabilidade passou a ser da escola é a falta de convivência familiar. Pai e mãe trabalham fora de casa e não participam efetivamente da vida escolar dos filhos. Outro fator relevante é a falta de formação e informação dos pais a respeito do assunto, polêmico e com muitos paradigmas, preferem na maioria dos casos não falar do assunto com os filhos.
Já que a coisa está neste pé, considero de importância básica o papel da escola na educação sexual, isto desde a pré-escola. Acredito nisso, pois se a criança crescer aceitando a sua sexualidade, certamente terá uma vida sexual saudável[3]. Mas para que o sucesso seja alcançado é necessária, antes de tudo, a preparação dos educadores. Refiro-me a todos, não somente os professores de ciências ou biologia e de psicologia[4]. Esta preparação envolve o repensar de conceitos sexuais e a conseqüente quebra de tabus existentes ainda hoje. Como exemplo a homossexualidade, encarada como um “desvio social”.

A mudança a que me refiro envolve todos os segmentos da escola, professores, supervisão, orientação educacional[5] e a direção. É uma corrente que na falta de apenas um elo, não serve a seu propósito.

Como primeiro passo está a avaliação dos conceitos e dos tabus que ainda existem entre os professores. É pura demagogia querer uma escola moderna com real interesse na formação de seus alunos, enquanto ainda existirem colegas que se barbarizam e marginalizam adolescentes grávidas, alunos homossexuais. Ou ainda que não admita, por exemplo, que a masturbação é parte do processo sexual. Não é com negativa a estes fatos que vamos resolver os problemas da sexualidade, principalmente na adolescência. Se você leitor, nos tópicos acima, ficou barbarizado ou apavorado então ainda não está pronto para abordar o tema sexualidade em aula e muito menos com seus filhos.

Uma vez que se tenha vencido o primeiro obstáculo (quebra de tabus), que não é fácil, podemos passar para a próxima etapa na abordagem do tema sexualidade. Esta fase também não é fácil, eu diria que é muito mais complexa. Trata-se da informação sexual dirigida ao aluno. O que informar e quando informar são questões difíceis de serem definidas, pois inexistem regras.
Na minha opinião estas questões estão muito ligadas entre si. Considerando que a abordagem deve incluir desde as séries iniciais ate as finais, depende, e muito, da curiosidade do aluno. Em regra, se é que se pode ter uma, da pré-escola a quinta série deve se informar àquilo que a criança pergunta, para tanto deve haver uma “janela” para pergunta. A informação deve ser clara, nada de “pintinho” e “garaginha” entre outras analogias. O sistema genital deve ser referido com o nome correto de suas partes, assim como é feito com o braço, as pernas, a cabeça, etc. Se começarmos a apelidar o sistema genital, provavelmente a criança irá aprender “fora” o nomes populares e certamente inadequados.
Este perguntar que me refiro deve ser, obviamente estimulado pelo professor a medida que a criança mostra interesse no assunto. Este interesse pode estar relacionado a um fato ocorrido na escola, em casa ou visto em um meio de comunicação. Por exemplo, quando a criança em idade pré-escolar ou nas séries iniciais vê a mãe grávida de um “maninho”, e questiona como é que o maninho foi parar ali dentro. A linguagem deve ser simples e sem fantasias. Aquela velha história da sementinha não “cola” mais, porque as informações que a criança possui (você vai se surpreender) são muito maiores do que a tal sementinha, que acredito ser uma versão muito machista para explicar a origem de um bebê. O “lance” de colocar a sementinha e que ela vai crescer na “barriga” da mamãe não lembra a teoria do homúnculo? A criança está pronta no espermatozóide e só precisa encontrar um abrigo (o útero) para crescer e se nutrir.
Continuando o raciocínio de divisão na informação sexual, reitero que é apenas para entender o processo numa escala cronológica, não sendo regras a serem adotadas por escolas ou professores, os temas a serem abordados de sexta até a oitava série devem levar em conta a fisiologia do sistema genital e da real abrangência da sexualidade, que envolve muito mais do que o ato sexual . Ela inicia muito antes, antes até do nascimento já no útero da mãe. Alguns cientistas afirmam que inicia na formação do óvulo.
Ë necessário que o adolescente entenda o “por quê” e qual a maneira mais saudável para seu desenvolvimento sexual. É neste período que se deve trabalhar a primeira relação sexual, entre outros temas. Considero a etapa mais importante para abordar o tema, pois é a partir de uma boa iniciação sexual que se tem uma vida sexual adulta saudável.

Muito importante é o adolescente se conhecer sexualmente, que entenda as transformações que estão ocorrendo com seu corpo. Sabendo disto certamente irá respeitar-se e ao seu parceiro sexual. Deve saber que o homossexualismo, ou chamado de terceiro sexo, é um fato real e normal, não uma aberração social. Deve saber que a masturbação também e uma coisa normal e saudável para o autoconhecimento, desde que não se transforme em um ato doentio, como o que ocorre com estupradores, por exemplo. Estando de posse destas informações o adolescente poderá tomar a decisão da sua “primeira vez” de maneira responsável optando por um bom método anticoncepcional, um parceiro de confiança e evitando as doenças sexualmente transmissíveis. Quando abordo este tema com os alunos, principalmente da sétima série, procuro salientar as conseqüências de uma gravidez na adolescência, engravidar é o menor dos problemas, o maior é o que vem depois, dedicar-se à criação de um filho na idade adolescente, quando é o momento de passear e “curtir” as amigas, namorados e etc.

Algumas adolescentes até tomam a decisão de engravidar para sair de casa em busca de uma falsa independência, quando na prática estão se tornando cada vez mais dependentes e agora com um filho para criar. Estes assuntos relevo com grande ênfase nas aulas, alertando as conseqüências, não impedindo o ato sexual em si[6].
No ensino médio o tema deve ser abordado de forma mais ampla e complexa, usando os conhecimentos adquiridos na Biologia e considerar a relação sexual como sendo necessária para a manutenção da espécie humana, ou seja, como uma necessidade evolutiva. Considerar também a sua relação com o amor, os problemas genéticos que podem ocorrer com o casal e com os filhos, da infertilidade e suas soluções, da vida a dois e das informações necessárias para os futuros papais e mamães.
O que proponho neste ensaio é um “repensar” de conceitos e atitudes e não ignorar a sexualidade. Devemos tratar o tema como coisa normal e essencial como beber água, comer ou respirar.
Quando todos nós encaramos a sexualidade desta maneira, sem sombra de dúvidas, teremos ao menos encaminhada uma geração sexualmente saudável e responsável.
http://profecortez.blogspot.com/2008/01/sexualidade-na-escola.html

Pesquisadora da Uerj estuda sexualidade na adolescência
Por Washington Castilhos

Univer>ia

A iniciação sexual do jovem brasileiro não é tão precoce como o senso comum propaga. A conclusão é de um estudo feito a partir de entrevistas com 4.634 jovens de 18 a 24 anos, feitas no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Salvador.

Apesar de a grande maioria dos entrevistados – 87% das mulheres e 95,3% dos homens – admitir ter tido relações sexuais, a pesquisa verificou que, em média, os rapazes se iniciaram sexualmente aos 16,2 anos e as moças aos 17,8 anos.

Feita por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e das universidades federais do Rio Grande do Sul e da Bahia, a Pesquisa Gravad (Gravidez na adolescência: estudo multicêntrico sobre jovens, sexualidade e reprodução no Brasil) teve seus dados compilados no livro O aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sociais de jovens brasileiros, lançado na semana passada no Rio de Janeiro e na segunda-feira (28/8), em Florianópolis.

O estudo, cujo trabalho de campo foi realizado em 2002, procurou descrever as características sociais e biográficas da juventude, investigar as diferentes trajetórias de entrada na sexualidade e, particularmente, pôr uma luz sobre um tema muito discutido, a gravidez na adolescência.

Os resultados contrariam a idéia comum de ser essa experiência a grande causa para a evasão escolar por parte das jovens. De acordo com a pesquisa, 29% das entrevistadas relataram um episódio de gravidez na adolescência e, dessas, 40,2% encontravam-se fora da escola. “Isso indica que, para tal parcela, não é a gravidez que as impede de uma maior escolarização”, disse a antropóloga Maria Luiza Heilborn, coordenadora nacional da pesquisa e uma das organizadoras do livro.

A maioria dos entrevistados (70%) declarou uso de preservativos e/ou contracepção na primeira relação sexual. Mas a taxa decaiu com a “estabilidade” do relacionamento, na medida em que os parceiros “ganham confiança” entre si.

“Um dos problemas das campanhas de Aids no país é não ter a preocupação de estabelecer a associação clara do benefício do uso do preservativo para a proteção frente a uma gravidez não prevista”, observa Maria Luiza, da Uerj.

Em entrevista à Agência FAPESP, a pesquisadora fala de maternidade e paternidade juvenis, da relação entre evasão escolar e gravidez na adolescência e de qual deve ser o papel da escola diante desse debate.

Agência FAPESP – A grande maioria dos entrevistados na Pesquisa Gravad (87%) disse já ter tido relações sexuais. O jovem brasileiro tem iniciado a vida sexual mais cedo do que no passado?
Maria Luiza Heilborn – As mulheres sim; os homens mantêm o mesmo comportamento de décadas atrás. Encontramos uma idade mediana de 16,2 anos para rapazes e 17,8 para as moças. Tais resultados contrariam o senso comum que folcloriza uma acentuada precocidade sexual no país. Mas houve uma mudança de costumes sexuais no que diz respeito à sexualidade feminina. Hoje, para as mulheres, é socialmente aceitável manter relações sexuais na fase de namoro.

Agência FAPESP – A pesquisa demonstra também um número significativo de jovens com experiência de gravidez. Essa situação é um dos grandes motivos de evasão escolar?
Maria Luiza – Encontramos uma realidade freqüentemente ignorada no debate público acerca da gravidez na adolescência: a de que 40,2% das jovens que engravidaram e tiveram filho já se encontravam fora da escola. Isso quer dizer que, para tal parcela, não é a gravidez que impede uma maior escolarização. As trajetórias escolares femininas, embora comparativamente melhores do que as masculinas em um cenário onde a educação é realmente um sério problema nacional, são igualmente descontínuas, com grande defasagem entre idade e série e interrupções que antecedem a ocorrência de gravidez ou nascimento de um filho. Pode-se dizer que a realização de tarefas domésticas pelas meninas inicia-se muito cedo nas camadas populares, sendo parte do processo de socialização para a maternidade. Desse modo, a maternidade se apresenta não apenas como “destino”, mas talvez como único projeto possível de reconhecimento social para jovens mulheres cujos eventuais projetos educacionais e profissionais dificilmente poderão se concretizar. Há que se ter em mente sempre o contexto de profunda desigualdade de classe que o país apresenta. Também constatamos que a paternidade antes dos 20 anos ocorria em proporção ligeiramente superior (47,8%) à maternidade encontrada entre as mulheres, e isso não afeta a situação escolar e de trabalho da ampla maioria dos rapazes, exceto para 19,5% dos jovens pais que pararam temporária ou completamente de estudar no primeiro ano após o nascimento da criança. No caso das mães adolescentes, 27,6% interromperam temporariamente, e 18,4% definitivamente, os estudos no primeiro ano após o nascimento do filho. Os resultados mostram uma relação bem mais complexa entre gravidez na adolescência e evasão escolar.

Agência FAPESP – Dados da Pesquisa Gravad mostram que o uso de preservativos pelos jovens aumentou. Que fatores estariam associados ao uso ou ao não uso de métodos de contracepção e de proteção?
Maria Luiza – O uso de preservativos diminui com a estabilidade de um vínculo entre os parceiros. Diversas pesquisas demonstraram esse fenômeno: os jovens valorizam a “confiança” no parceiro. Um dos problemas das campanhas de Aids no país é não ter a preocupação de estabelecer a associação clara do benefício do uso do preservativo para a proteção frente a uma gravidez não prevista.

Agência FAPESP – Qual deve ser o papel do sistema educacional diante dessa questão? É importante abordar a temática da sexualidade nas salas de aula?
Maria Luiza – É imperativo abordar o tema da sexualidade na escola. O currículo transversal nomeado de orientação sexual é destinado a cobrir essa preocupação. Mas há muito por fazer. É necessária uma capacitação continuada dos professores em relação ao tema para que abordem questões relativas às relações afetivas entre os sexos, permeadas por assimetrias de gênero – e não se restrinjam a descrever o funcionamento dos órgãos genitais. É importante falar de gênero associado à sexualidade para facultar a conversa entre os parceiros – e a responsabilidade masculina – no tema da contracepção.

Agência FAPESP – A sra. chama a atenção para o fato de que o fenômeno da gravidez na adolescência precisa ser compreendido em um contexto histórico e cultural específico e que deve-se levar em conta as mudanças nas relações intergeracionais. Que mudanças são essas?
Maria Luiza – A maternidade na adolescência não é fenômeno recente no país nem tampouco na América Latina. Existe enorme preocupação com o tema, com a qual compartilho. O incômodo social resulta da mudança de expectativas em relação à juventude: espera-se que na adolescência e na juventude os indivíduos estejam se preparando pela maior escolarização para um melhor ingresso no mercado de trabalho. Contudo, a adolescência – ainda mais com a mudança nos costumes sexuais – é o momento também da experimentação afetiva e sexual. Os pais e mães de hoje em dia estão mais ou menos cientes disso. Registramos apenas 3,1% de casos de moças expulsas de casa por terem engravidado, o que assinala mudanças de mentalidade em relação à sexualidade feminina antes do casamento e à tradicional problemática da honra. Há expressiva tolerância em relação à vida sexual dos jovens que ainda moram com os pais. Há três décadas isso era impensável. Mas o cenário é complexo: a tolerância é implícita e não se torna objeto de conversas abertas sobre sexualidade entre genitores e filhos. Ainda persiste uma comunicação difusa do tipo “olha lá o que vocês estão fazendo”. Para mudanças importantes no plano da conduta sexual é necessário conversa, formação e informação claras e reiteradas sobre contracepção.
http://www.universia.com.br/html/noticia/noticia_clipping_ddacj.html

2 thoughts on “A Sexualidade na Educação

  1. Estou pesquisando sobre sexualidade para defender uma tese de mestrado no ano que vem, e passeando pela internet encontrei o seu blog, gostei muito do que li, me ajudou para escrever. Agora estou querendo entrar em contato para conhecer mais bibliografia para que eu possa ler para melhor defender meu trabalho.
    Verônica-Jatai/GO

  2. Olá Cybele, como vai?

    Estive pesquisando seus textos e percebi que vc tem grande interesse pelo tema sexualidade nas escolas.

    Este tema faz parte de uma de nossas linhas editoriais e estamos promovendo uma discussão sobre se é devido e como se deve abordá-lo nas salas de aula.

    Gostaria de lhe convidar para participar e divulgar seu material.

    Segue o link
    http://www.facebook.com/topic.php?uid=302724447646&topic=11505

    Aproveito para convidar-lhe também para visitar nosso site (www.editorapollux.com.br). Nosso obejtivo é desenvolvê-lo como ferramenta de apoio ao professor. Ficaria feliz em ter seu feedback sobre nosso conteúdo.

    Um Abraço,
    Editora Pollux

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *