Alfabetização – Defasagem idade/série

Programa Acelera Brasil – Instituto Ayrton Senna


Como implementar programas para Regularizar o Fluxo Escolar em Redes Estaduais e Municipais de Ensino

A experiência do Programa Acelera Brasil com a Pedagogia do Sucesso

I- Tudo o que o Governador, o Prefeito e o Secretário de Educação precisam saber sobre o fluxo escolar

O problema

• Um aluno leva, em média, 12 anos para concluir as 8 séries do Ensino Fundamental, o que significa 4 repetências EM MÉDIA por aluno
• Entre 10 e 35% dos alunos das 4 primeiras séries das escolas públicas brasileiras permanecem analfabetos após 3 anos de escolaridade
• Esse analfabetismo, fruto da falta de um ensino adequado dentro da escola, dá origem à defasagem escolar
• O Brasil desperdiça por ano, com o abandono e a repetência, cerca de 6 bilhões de reais, o que representa quase 40% do total dos gastos com o Ensino Fundamental

Existe solução?
Sim.
Alguns governadores e prefeitos já conseguiram resolver esse problema ou estão próximos de resolvê-lo

Como?

2. A solução

• Programas especiais de Alfabetização e de Aceleração da Aprendizagem:
O Programa de Alfabetização se destina a alunos das 4 primeiras séries que não estejam alfabetizados.
O Programa de Aceleração da Aprendizagem se destina a alunos das 3 primeiras séries, que estejam realmente alfabetizados, e que tenham dois anos ou mais anos de defasagem, ou seja, dois anos mais velhos do que a idade regular para a série na qual se encontram.

• Diagnóstico dos alunos que chegam ao sistema:
Implementar mecanismos que identifiquem o nível de alfabetização dos alunos que venham a ingressar no sistema, quer pela via da transferência, quer pela via da matrícula inicial quando já em idade defasada, encaminhando-os para as classes regulares ou para Programas de Alfabetização ou de Aceleração.
• Manutenção de uma equipe de profissionais alfabetizadores:
Assegurar que os melhores professores da rede, identificados com o perfil de alfabetizadores, lecionem nas primeiras séries.
• Implementação da Pedagogia do Sucesso:
Estabelecer uma política de resultados que deve tornar-se responsabilidade de cada escola, substituindo a Pedagogia da Repetência por uma Pedagogia do Sucesso.
• Integração e interação entre as redes estadual e municipal:
Idealmente as duas redes devem estar envolvidas e comprometidas com os Programas, pois os alunos normalmente transitam entre uma rede e outra.

A razão da correção do fluxo escolar

A defasagem escolar reflete o problema número um da educação brasileira: baixa qualidade do ensino, expressa nos altos índices de reprovação e abandono escolar, além dos baixos níveis de aprendizagem.
Os elevados custos para manter os cerca de 12 milhões a mais de alunos defasados no Ensino Fundamental, inviabiliza qualquer possibilidade de ampliação de recursos para a educação.
Assim, corrigir o fluxo escolar é pré-requisito para qualquer projeto de reforma e melhoria da qualidade da educação.

O tempo necessário
Dependendo do tamanho do município, e da quantidade de alunos, a correção do fluxo escolar pode ser feita no prazo máximo de 4 anos.
Recomenda-se uma implementação progressiva, para que todos os componentes do Programa sejam assimilados por toda a rede de ensino.

A decisão

A correção do fluxo escolar é uma decisão política:
O Governador ou o Prefeito devem assumir o compromisso público com a regularização do fluxo escolar, estabelecendo esse programa como A PRIORIDADE da educação, com recursos, prazos e metas definidos para atingir os resultados dentro de um período máximo de 4 anos.
O Secretário de Educação é quem irá executar, juntamente com sua equipe, essa política de governo.

Ações

• Tomar consciência e assumir um compromisso político
É o primeiro passo.
O governador, o Prefeito e o Secretário de Educação precisam conhecer pessoalmente o problema, sua extensão, suas implicações e seus custos, assim como a solução proposta, seus custos e os compromissos exigidos.
Mas para o sucesso do Programa é necessário o compromisso político e a liderança pessoal da autoridade local com as decisões pertinentes relativas à equipe e recursos, durante toda a implementação do mesmo.
Dada sua complexidade, o Programa somente terá sucesso se for administrado como O investimento prioritário do governo.
• Designar uma equipe responsável
Para sua operacionalização o Programa precisa de um Coordenador, diretamente ligado ao Prefeito e ao Secretário de Educação.
É importante que tenha liderança, experiência em gestão de projetos, trabalho em equipe e na obtenção de resultados.
Deve ser um elemento de confiança do Prefeito e do Secretário, uma pessoa com bom trânsito nas duas redes de ensino e também junto aos diretores de escola.
• Estabelecer um cronograma de intervenção
Feito o diagnóstico da rede de ensino, identificados os alunos defasados, estabelecidos os quantitativos de alfabetizados e não alfabetizados, deve ser feito o mapa de distribuição das turmas, projetando-se o atendimento com o estabelecimento de metas anuais.
• Assegurar recursos financeiros
Compatíveis com as necessidades e os prazos previstos no cronograma de execução.
• Liderar pessoalmente a iniciativa
A autoridade local deve investir tempo e atenção ao Programa, marcando presença nas ações por ele desenvolvidas.


Executores

Equipe típica de um programa municipal: 1 coordenador municipal 1 auxiliar técnico administrativo 1 supervisor para cada 10 classes no máximo 1 professor para cada classe de 25 alunos Equipe típica de um programa estadual: 1 coordenador com uma equipe na coordenação central 1 auxiliar técnico administrativo coordenadores regionais, além de coordenadores municipais 1 supervisor para cada 10 classes no máximo 1 professor para cada classe de 25 alunos Coordenadores e supervisores deverão ter dedicação exclusiva e em tempo integral
Lista de Componentes

• Utilização de materiais específicos para turmas de alfabetização:
Conjunto de 3 livros: Módulo de Alfabetização
Módulo de Alfabetização – Manual do Professor
Caderno de Atividades
Caixa de Material Complementar com 40 livros de literatura e outros materiais, como mapas e dicionários.
• Utilização de materiais específicos para turmas de aceleração:
Conjunto de 7 livros: Módulo Introdutório
Projeto I – Quem sou eu?
Projeto II – Escola Espaço de Convivência
Projeto III – O Lugar Onde Vivo
Projeto IV – Minha Cidade
Projeto V – Brasil de Todos Nós
Projeto VI – Operação Salva Terra
Caixa de Material Complementar com 40 livros de literatura e outros materiais, como mapas e dicionários.

• Utilização de instrumentos de gerenciamento do processo:
Orientações para o Professor / Manual de Operacionalização
Sistemática de Acompanhamento

Recursos – Custos – Economia

Recursos e custos típicos de um programa Salário de coordenadores e supervisores Espaço físico Equipamento para equipe de coordenação Recursos para transporte/locomoção de coordenadores e supervisores Livros para alunos: 10 a 15 reais no Programa de Alfabetização 20 a 25 reais no Programa de Aceleração Caixa de materiais: 500 a 600 reais por turma de Alfabetização ou Aceleração Manual de Operação e Sistemática de Acompanhamento (reprodução) Materiais e atividades de Capacitação em serviço Avaliação Externa
Os custos do Programa são, em média, 200 reais para cada aluno do Programa, durante um ano, que serão acrescidos aos gastos normais da escola e do pagamento do professor.


Economia

Este investimento, e os resultados dos Programa, geram um ganho líquido de quase 500 reais por aluno, ao final de um ano, considerando que o aluno deixa de ser reprovado e ainda consegue concluir, em média, 2,5 anos letivos. Além disso, no longo prazo, a correção de fluxo permite economias superiores a 40% na operação do sistema.

Atenção:

• À escolha do Coordenador Municipal:
O Coordenador Municipal deve ser pessoa de confiança do Governador, Prefeito, ou do Secretário, com capacidade de estabelecer relações de trabalho produtivas com todas as instâncias da rede de ensino. A escolha deve recair em pessoa com comprovada experiência gerencial e com foco em resultados.
• Às condições de trabalho para a equipe do projeto.
O projeto é de duração limitada, e deverá desaparecer ao final de 4 anos, no máximo. Isso justifica o investimento nos recursos, na atenção e nas condições especiais de trabalho dos profissionais envolvidos.
• À persistência no foco:
O projeto deve ser executado, do início ao fim, sem que se perca seu foco e sem se misturar ou envolver com outras atividades da Secretaria ou da Escola.
O coordenador e o projeto não devem receber outros encargos durante sua execução.
• À liderança:
A liderança pessoal e sistemática do Governador, Prefeito, Secretários Estadual e Municipal de Educação, seja ela através do suporte legal ou financeiro, é determinante para o envolvimento dos diretores com o Programa.
Esse envolvimento é fundamental para a obtenção de bons desempenho e resultados pelas equipes escolares, assim como para garantir o envolvimento da comunidade extra escolar.

Lembre-se:

• Todos os professores e supervisores já integram o quadro de funcionários da Rede Estadual e Municipal de Educação.

• O programa estabelecido nos livros deve ser seguido com rigor e em ordem, de forma que seja totalmente esgotado ao longo do ano letivo.

• Não se deve iniciar o projeto se não houver o compromisso de assegurar os recursos de forma adequada, isto é, nos quantitativos necessários e no tempo oportuno. Sem isso é preferível não começar.

Como funciona o Programa de Alfabetização

• Os alunos são diagnosticados através de testes. A experiência revela que entre 10 e 35% dos alunos das 4 primeiras séries não sabem ler.
• Os alunos que se revelarem como não alfabetizados são encaminhados para um programa especial de alfabetização, em classes de no máximo 25 alunos.
• O Programa é ministrado ao longo de um ano, e conta com materiais próprios estruturados, além de uma caixa contendo livros de literatura infanto-juvenil e outros materiais de apoio. Os professores recebem instruçöes básicas e informações gerais, no início do ano e são acompanhados durante todo o ano.
• Semanalmente o supervisor visita cada classe durante um turno de aulas, orienta o professor do ponto de vista técnico-pedagógico e toma providências junto à escola.
• Os professores participam de atividades semanais de supervisão, capacitação em serviço e planejamento.
• Os supervisores se reúnem mensalmente sob a liderança do coordenador municipal para analisar os resultados e fazer o plano de trabalho para o próximo mês.
• Mensalmente são gerados relatórios de acompanhamento do programa.
• Normalmente, no final do ano, os alunos estão alfabetizados e, pelo nível alcançado, são promovidos e ainda saltam mais de uma série escolar, em média. Muitos desses alunos são encaminhados para programas de aceleração.
• Os professores que se tornam capacitados no processo depois de 2 a 3 anos de atuação no programa devem ser destacados para cuidarem das primeiras séries, adotando metodologias eficazes de alfabetização.


Como funciona o Programa de Aceleração

• Os alunos defasados são identificados e enturmados em classes de aceleração, com no máximo 25 alunos cada. Os alunos precisam estar adequadamente alfabetizados, capazes de ler e compreender as instruções do Módulo Introdutório. Caso contrário devem ser matriculados em programas de alfabetização.
• Os professores, de preferência tendo aderido voluntariamente ao programa.
• Os alunos recebem livros especiais para o programa e cada classe recebe uma caixa de livros de literatura e outros materiais, como mapas e dicionários, por exemplo.
• Semanalmente o supervisor visita cada classe durante um turno de aulas, orienta o professor e toma as providências que se fizerem necessárias junto à escola.
• Os professores participam de atividades semanais de supervisão, capacitação em serviço e planejamento.
• Os supervisores se reúnem mensalmente sob a liderança do coordenador municipal para analisar os resultados e fazer o plano de trabalho para o próximo mês.
• Mensalmente são gerados relatórios de acompanhamento do programa.
• No final do ano os professores avaliam os alunos e decidem para qual série devem ser enviados. Normalmente os alunos são promovidos e podem saltar uma ou mais séries.
• No final do ano é realizada uma avaliação externa para assegurar o controle de qualidade do programa. A meta é que a média dos alunos seja compatível com a meta obtida pelos alunos da unidade federada nos testes do SAEB.


II- Como implementar um programa de Correção do Fluxo Escolar: passo a passo.

Atividades preliminares

Decisão política.
Designação do Coordenador Municipal.
Levantamento dos dados.
Estabelecimento do cronograma de implementação progressiva ao longo de 3 a 4 anos

Atividades de Planejamento e Implantação

Elaboração do plano de ação para o primeiro ano, onde constam os passos seguintes.
Identificação das escolas que irão participar do programa
Apresentação do programa aos diretores, professores e pais
Escolha dos supervisores e professores
Diagnóstico e triagem dos alunos para os programas de alfabetização e aceleração
Aquisição de materiais
Reprodução de manuais, instrumentos de acompanhamento e controle
Capacitação inicial de supervisores e de professores de alfabetização e aceleração.

Atividades Rotineiras de Implementação

Estabelecimento das rotinas de:
Visita semanal às classes pelos supervisores
Reuniões semanais de capacitação em serviço dos professores
Reuniões quinzenais de supervisão
Reuniões quinzenais ou mensais do coordenador com os supervisores
Elaboração mensal de relatórios e análise dos dados junto aos supervisores, diretores e coordenação

Estabelecimento de:
Mecanismos de apoio aos supervisores e professores
Avaliação externa
Divulgação periódica dos resultados do programa para as pessoas e grupos pertinentes

Como recuperar o ensino público de sua cidade em 6 lições

O Acelera Brasil é um programa de Qualidade em Educação do Instituto Ayrton Senna, que tem como principal objetivo regularizar o fluxo escolar nas redes públicas de ensino. Ele foi desenhado por João Batista Araújo e Oliveira para combater a baixa qualidade do Ensino Fundamental, responsável pelos altos índices de repetência e de abandono, evidenciados nos dados oficiais do SAEB e do Censo Escolar do MEC/INEP, e que se transformam em assustadores índices de distorção idade-série: somente 60,6% dos alunos das quatro primeira séries do Ensino Fundamental tinham entre 7 a 10 anos de idade em 1999 ( Fonte MEC/INEP/SEEC 1999 ), e parte deles já se encontrava em defasagem idade-série.
Este programa que já vem sendo aplicado .

III- Da correção do fluxo à Pedagogia do Sucesso

Uma coisa é corrigir o fluxo escolar. Outra coisa é assegurar que o fluxo corrigido seja mantido posteriormente.
Para que isso ocorra, é preciso transformar a atual pedagogia da repetência na Pedagogia do Sucesso. Isso requer que os alunos sejam bem ensinados, que aprendam e que sejam promovidos de ano dominando os conteúdos respectivos de cada série ou ciclo escolar.
Para tanto, além das atividades acima, é necessário assegurar a implementação progressiva, em toda a Rede Pública de Ensino, dos seguintes componentes adicionais da Pedagogia do Sucesso:

• envolver os diretores das escolas no programa, co-responsabilizando-os pelos resultados do mesmo e pela promoção da Pedagogia do Sucesso em suas escolas
• envolver os demais professores da escola, particularmente através dos programas de capacitação em serviço
• assegurar a implementação de mecanismos de diagnóstico para os novos alunos, no momento da matrícula
• assegurar a designação de professores alfabetizadores capacitados para as primeiras séries
• assegurar mecanismos que garantam a oferta de 200 dias efetivamente letivos, de no mínimo 4 horas diárias de aula
• implementar mecanismos que assegurem a presença, durante as 4 horas diárias, no mínimo, nos 200 dias letivos, de todos os alunos e professores
• assegurar mecanismos rotineiros de recuperação de alunos, paralela ou ao final de cada bimestre

Elemento de custoExplicaçãoCusto por aluno/anoProfessores Um professor para cada classe de 25 alunos. Normalmente são funcionários da rede de ensino, portanto não se trata de um custo adicional.0,00 Supervisores Um supervisor para cada 10 classes, no máximoCoordenador Municipal Auxiliar administrativoLocal e infra-estruturaNormalmente o programa opera na Secretaria. É necessário computador, telefone, acesso a xerox, etc. Custo médio: 1.000 reais por mês6,00Transporte Frequentemente é necessário transporte para o supervisor de escolas afastadas, e, eventualmente, para o coordenador5,00Materiais para os alunosConjunto de 2 livros para aluno de alfabetização13,00Conjunto de 7 livros para aluno de aceleração31,00*Material para o professorManual do Professor7,00Material para o supervisor e coordenadorManual de Operacionalização7,00Material para a turmaCaixa de material complementar22,00Avaliação externaNormalmente se faz por amostragem10,00Outros custosNormalmente podem incluir capacitação e assistência técnica. Esses custos são muito variáveis. 40,00Total alfabetização105,00Total aceleração123,00
Para impressão de 10.000 exemplares

Lista de Componentes

• Material para aluno de alfabetização:
Módulo de Alfabetização
Caderno de Atividades

• Material para aluno de aceleração:
Módulo Introdutório
Projeto I – Quem sou eu?
Projeto II – Escola Espaço de Convivência
Projeto III – O Lugar Onde Vivo
Projeto IV – Minha Cidade
Projeto V – Brasil de Todos Nós
Projeto VI – Operação Salva Terra

• Material para turma de alfabetização e aceleração:
Caixas de Material Complementar com 40 livros específicos de literatura, e outros materiais como mapas, dicionários e livros de apoio ao professor.

• Material para professor de alfabetização e aceleração:
Manual do Professor

• Material de gerenciamento do processo para supervisor e coordenador de programas de alfabetização e de aceleração:
Manual de Operacionalização / Sistemática de Acompanhamento
Custos – Economia

Elemento de custoCusto aluno/ano ( cálculo para turmas de 25 alunos )Professor, supervisor e coordenador Normalmente são funcionários da rede de ensino, portanto não se trata de custo adicionalEspaço físico para as turmasTambém já é regularmente previsto pela rede municipal.Material para alfabetizaçãoR$ 33,00Material para aceleração*R$ 55,00Avaliação externaR$ 10,00Capacitação em serviço e capacitação à distância, ( curso CAPACITAR )**R$ 3,00Assistência TécnicaR$ 40,00
*custo referente à impressão de 10.000 exemplares
Devem ser acrescidos os custos de transporte para supervisores e coordenador, e infraestrutura ( fax, xerox, telefone, computador, internet, equipe de apoio etc. )

Economia

Considerando que o programa de aceleração evita que o aluno seja reprovado, e ainda consegue concluir, em média, 2,5 anos letivos, pode-se dizer que a correção de fluxo permite, a médio e longo prazos, economias superiores a 40% na operação do sistema.

Proposta de trabalho com alfabetização – Ensino Fundamental


O Departamento Pedagógico, por meio de sua equipe de Alfabetização, dará este ano, continuidade ao projeto desenvolvido no ano de 2003.
A equipe conta atualmente com as professoras Marta Ramos Cabette, Gisele de Freitas Silva Alves e Patrícia do Nascimento.
Este trabalho tem como princípio o aperfeiçoamento da prática didática baseado no diálogo com professor em busca de novas alternativas de trabalho, priorizando as 1ª séries do Ensino Fundamental, atuando diretamente com os professores alfabetizadores.
Tendo em vista que os estudos mais recentes e a própria realidade encontrada nas escolas apontam para a necessidade de se trabalhar a interpretação, a análise e o uso das diferentes funções da linguagem, teremos como foco os diferentes tipos de textos.
Vemos como necessário que a escola deve propiciar uma alfabetização mais funcional para que possa haver a inclusão social do aluno da escola pública.
Segundo Luís Maruny Curto, “o fator mais seguro relacionado ao êxito escolar é o acesso mais cedo possível, às linguagens complexas, como as que ocorrem nos textos”.
Pautaremos o trabalho na utilização de diversos tipos de textos e suas funções por meio da criação coletiva desses.
Ex: – Texto informativo

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- Cartazes
- Reescrita de contos e fábulas
- Poesia
- História em quadrinhos
- Música
- Parlendas
- Adivinhas, etc.

Desta forma, acreditamos que o educando construirá sistematicamente sua própria aprendizagem, apropriando-se da língua como bom leitor e bom escritor, e desenvolvendo sua criticidade e criatividade
Ações do Projeto:
- Visita quinzenal à escola para reunião com o professor da sala de projeto, coordenador da U.E. e Equipe da Alfabetização do DEPED (Marta, Patrícia e Gisele), para levantamento das dificuldades encontradas pela professora no trabalho diário, na própria sala de aula.

- Discussão de possíveis ações pertinentes às dificuldades apresentadas, buscando facilitar ação do professor na resolução destas.

- Proposta de registro de atividades executadas pela professora e que foram discutidas na reunião do grupo.

- A equipe de Alfabetização do DEPED procurará elaborar propostas de atividades específicas para auxiliar o professor, de acordo com nível de aprendizagem da classe envolvida no projeto.

- Em cada retorno à escola, será realizada uma análise das práticas realizadas no período entre as reuniões.

- Conforme a disponibilidade da escola e da equipe do DEPED, haverá reunião de orientação aos pais realizadas pela profª e psicóloga Marta Cabette.

- Estimulação e sensibilização dos alunos em diferentes linguagens expressivas, conforme a possibilidade de aproveitamento de estagiários de psicologia, vinculados à Secretaria de Educação, que estejam presentes nas escolas.
O projeto prevê reunião periódica mensal ou bimestral de todo os professores envolvidos no Centro de Capacitação para troca de vivências, como forma de enriquecer o trabalho.


Há uma equipe,no Departamento Pedagógico, responsável pela elaboração e coordenação de projetos voltados à problemas de leitura e escrita no período de alfabetização.
As professoras Elisângela Augusto Gonçalves e Marta Ramos Cabette são responsáveis pela elaboração destes projetos e subsídios aos professores. Aqui, elas explicam a proposta de trabalho de trabalho para 2003, com alunos com defasagem em alfabetização:
Durante o período exploratório, em 2002 , descobriu-se que, de um total de 175 alunos das 3as séries, apenas 80 estavam em nível compatível com a série a ser cursada.

Dos 95 restantes, 30 estavam no estágio pré-silábico e/ou silábico e apresentavam dificuldade para identificar cores, formas geométricas e sistema de numeração decimal. Os 65 alunos restantes encontravam-se em nível esperado para uma 2a. série. Observaram-se esses aspectos em todas as áreas de conhecimento.
Esse grupo de alunos apresentava uma auto-estima muito rebaixada, mostrando-se, muitas vezes inseguros e apáticos no desenvolvimento das atividades propostas. Eram dependentes, faltando-lhes autonomia, iniciativa e organização global.
O nível socioeconômico da grande maioria é muito baixo, caracterizando uma população excluída socialmente, com todos os problemas advindos disto, incluindo alto grau de analfabetismo entre os pais dessas crianças.
Durante o ano de 2002, optou-se por um trabalho por áreas, sendo que três professoras assumiram as classes, possibilitando fazer um melhor acompanhamento desses alunos junto com a coordenação da escola.

Durante o ano letivo, as crianças foram remanejadas entre as três classes, conforme iam superando dificuldades. Esse remanejamento foi possível sem causar discriminação das crianças, uma vez que tinham aula com as três professoras.
Durante todo o ano de 2002, foi feito um trabalho de alfabetização destes alunos, na tentativa de recuperar a defasagem em que se encontravam e assim recuperar sua auto-estima.Segundo o depoimento das professoras envolvidas:
“No início, queríamos trabalhar o projeto com os alunos que não sabiam ler ainda… Ao termos contato com a Zilda e a Edi ( Projeto “Pão de Açúcar faz História”) ficamos em dúvida e achamos melhor trabalhar com a classe alfabetizada (aquela perfeita, sabe?), porém, as duas disseram-nos que poderíamos trabalhar com aquela classe que realmente precisava de apoio e foi o que fizemos…
Durante todo o projeto, as propostas de atividades feitas por elas e a avaliação de cada dia em que eram aplicadas, com registro sistemático de todas as ações, permitiu nos uma avaliação continuada do progresso conseguido pelas crianças e a interferência nos momentos em que encontramos falhas em nosso trabalho.
Mesmo sem estarem alfabetizadas, as crianças desenvolveram o projeto, estando motivadas para atividades que envolviam escrita como: criação de legendas para fotos, textos coletivos, etc.

Hoje, temos a prova de os alunos, mesmo não sendo alfabetizados, são capazes de participar, envolver-se, e produzir material tão bom como os outros que já alcançaram a escrita. Aliás, o projeto e a dedicação das capacitadoras colaborou e muito para o crescimento dos nossos alunos, não só na parte pedagógica, como também na formação da sua personalidade e principalmente da sua auto-estima. Que bom que pudemos fazer parte de algo tão rico e carregado de vivências!!!
“No decorrer deste trabalho, houve uma preocupação em possibilitar vivencia uma diversidade cultural maior, haja visto que seu repertório de vivências é muito limitado.Elas foram engajadas em vários projetos dentro da escola, como aulas de judô, parcerias com Museu a Pessoa, Instituto Avisalá e Pão de Açúcar (memórias de Santos) e também foi feito um trabalho bem diversificado com dramatizações, músicas, dentro das possibilidades e habilidades das professoras das classes.
Ao final de 2002, a evolução destas crianças ficou evidente, mas, mesmo assim, algumas não se alfabetizaram (em torno de 15 crianças)
Diante disso, desejando dar continuidade a este trabalho, sentimos necessidade de criar uma classe de alfabetização para crianças de 3a e 4a. séries,(em torno de 22 alunos), onde possam ser trabalhadas de uma forma diferenciada.

Além disto, um projeto de sensibilização foi proposto ,na tentativa de obter o resgate de auto-estima dos alunos e orientação com os pais a ser realizado pela professora Marta, com formação em Psicologia . Esse trabalho seria feito em um período diferente daquele em que o aluno freqüentaria a sala de alfabetização, com os alunos separados por horários , em grupos de mais ou menos 5 alunos, e a orientação com os pais seria quinzenal.


Projeto de Alfabetização – “Alfabeto com Afeto”

A E.M.E.F. Therezinha de Jesus Siqueira Pimentel iniciou, no mês de fevereiro, um projeto piloto com a participação de estagiários de psicologia.
O trabalho consiste em desenvolver e melhorar a auto-estima das crianças, com a experimentação de novas vivências por meio de diferentes linguagens expressivas para poderem descobrir novos talentos.
O grupo de crianças escolhidas apresenta defasagem idade (10 anos) / séries , dificuldades de aprendizagem e estão em processo de alfabetização com as professoras Elisangela Gonçalves e Marta Cabette, em uma classe de 3ª série, onde elas ministram aulas por área.

O trabalho visa possibilitar a esses alunos que descubram novas aptidões, usando-as para compensar outras áreas, nas quais apresentem problemas de aprendizagem.
Os estagiários irão à E.M.E.F. Therezinha, inicialmente para aprenderam novas técnicas: uso de argila, relaxamento, expressão corporal, que serão ministradas em oficinas pela professora Ellen, da Educação Especial.
Dentro da escola, eles farão observação, em sala de aula, dos aspectos pedagógicos e psicológicos envolvidos na aprendizagem dessas crianças.
Concomitantemente, participarão de um grupo de estudo e discussão com a Professora e Psicóloga Marta Cabette.

Nesse grupo, eles se prepararão para o atendimento e orientação aos pais dos alunos envolvidos no projeto, que acontecerá quinzenalmente.
Após esse começo, pretende-se ampliar o projeto para outras escolas da rede, priorizando aquelas unidades que também possuem alunos em defasagem série/ idade e que estão em nível de alfabetização.

Regularizando a distorção idade/série

Professora: Maria do Socorro Lustosa de Queiroz Vilarinho
Gerente do Programa Escola Campeã


O problema da defasagem idade-série é crônico no Brasil e agudo devido ao imenso número de alunos que ficam retidos nas primeiras séries a cada ano.
Há quatro principais causas da defasagem: a repetência, o abandono, a entrada tardia na escola e a evasão.

O programa de correção de fluxo escolar tem como objetivo regularizar o fluxo escolar de uma rede de ensino dentro de um determinado período de tempo.
Dentre as recentes tentativas de solução para o problema da defasagem, surgiram no Brasil, nos últimos anos, programas de “aceleração da aprendizagem”, os quais se constituem em estratégias políticas destinadas a transformar a “cultura da repetência”, que atrasa o país, em uma “cultura do sucesso”.
O objetivo desses programas é criar condições especiais para que os alunos defasados recuperem, pelo menos em parte, o tempo perdido, à medida que eles vão se ajustando às séries correspondentes à sua idade.

Uma condição primordial para que o aluno possa ser acelerado, isto é, participar de programa de aceleração da aprendizagem, é está alfabetizado. Porém, o que se observou é que muitos alunos com distorção idade-série não estavam alfabetizados.
Para atender aos alunos defasados e não alfabetizados criou- se turmas de alfabetização especial ,que, utilizando uma metodologia e material pedagógico específico, propiciam condições para que o aluno possa ser alfabetizado num prazo de um ano.

Estando os alunos defasados já alfabetizados, poderão, então, serem encaminhados às turmas de aceleração da aprendizagem.
Os resultados já alcançados no Programa de Correção do Fluxo Escolar – Alfabetização Especial e Aceleração da Aprendizagem, indicam que:
• em média, os alunos multirrepetentes completam, em um ano, o equivalente a duas séries escolares;
• o desempenho médio dos alunos da aceleração, ao final do programa, nas disciplinas de Português e matemática, é equivalente ao desempenho médio dos demais alunos da 4ª série;
• o desempenho dos egressos do programa de aceleração nos anos seguintes ao seu retorno às classes regulares é equivalente ao desempenho dos alunos regulares das escolas onde estão matriculados;
• os professores que participam do programa de correção do fluxo escolar alteram profundamente suas crenças, atitudes e métodos de ensino.

O êxito do programa depende de alguns fatores, tais como:
• envolvimento do diretor na implementação e apoio ao programa;
• a participação voluntária de professores;
• a provisão de materiais didáticos e pedagógicos adequados para os alunos e professores;
• um sistema adequado de acompanhamento, apoio e supervisão aos professores;
• capacitação em serviço, voltada para o ensino dos conteúdos básicos.

Em 2001, foram atendidos 1.647 alunos da Aceleração da Aprendizagem e 3.610 da Alfabetização Especial, com recursos da PMT, tendo em vista que os recursos previstos de convênios com o UNICEF e o MEC/FNDE só foram liberados ao final do ano, o que propiciou o atendimento de 1.647 alunos da Aceleração da Aprendizagem, de 59 escolas, no ano de 2002, ficando sob a responsabilidade orçamentária da PMT os 1.157 alunos da Alfabetização Especial, atendidos no ano de 2002.
No ano de2003, o projeto de aceleração, bem como o de alfabetização foi financiado totalmente com recursos da PMT, beneficiando 988 alunos, de 38 escolas na aceleração e 1.041 na alfabetização, de 42 escolas.
Em 2004, o projeto de alfabetização está atendendo 1.017 alunos e o de aceleração 908 alunos.

A parceria com o Instituto Ayrton Senna – IAS, um acordo de cooperação exclusivamente técnica, a partir de 2001, possibilitou um redirecionamento do Programa de Correção do Fluxo Escolar, oportunizando um acompanhamento sistematizado, através da Inclusão Consultoria, empresa que foi recomendada pelo IAS para ser contratada pela PMT.

Correção do Fluxo Idade/Série


O Governo do Distrito Federal implantará a partir de março de 2008, o Programa de Intervenção Metodológica para Correção do Fluxo Idade/Série, ou seja, um programa de aceleração da aprendizagem. Segundo o Censo Escolar 2007 (INEP/MEC), só no Distrito Federal são 20.088 alunos de 5ª série com defasagem em idade-série.

Para a Secretaria de Educação do DF, o objetivo do programa é oportunizar aos estudantes condições para que sua vida escolar tenha o curso normalizado. Para o Ensino Fundamental, o programa terá a duração de 1 ano e, para o Ensino médio 1 ano e meio.

O programa será excecutado em parceria com a Fundação Roberto Marinho que já atua em outros estados. Para os educadores do Distrito Federal é importante o acompanhamento do programa nos aspectos administrativos e pedagógicos.

Educação de SP divulga aprovados em concurso para 20 mil temporários

Cerca de 325 mil candidatos se inscreveram para o processo seletivo.
Lista pode ser consultada no site www.educacao.sp.gov.br e nas diretorias de ensino.

Do G1, em São Paulo

Secretaria da Educação de São Paulo divulgou nesta terça-feira (11) a classificação dos aprovados no concurso para 20 mil vagas temporárias de agente de serviços escolares e agente de organização escolar.

Cerca de 325 mil se inscreveram para o processo seletivo, que foi realizado em 17 de fevereiro. Os 20 mil aprovados iniciam trabalho já em abril, por prazo máximo de 12 meses. A lista pode ser consultada no site www.educacao.sp.gov.br e nas 91 diretorias de ensino.

No site da secretaria, o candidato deve digitar o nome e o número de CPF. A lista também foi publicada no Diário Oficial em ordem alfabética, mas com a identificação da classificação e da pontuação na prova.

O salário de agente de serviços escolares é de R$ 602,03, enquanto, para agente de organização escolar, é de R$ 627,49 . A Secretaria planeja outro concurso, mas para funcionários efetivos destinados ao cargo de secretário de escola. Serão 2.545 vagas.

A contratação de funcionários temporários atende determinação do Ministério Público do Trabalho para demissão de funcionários contratados através de associações de pais e mestres (APMs).

13 thoughts on “Alfabetização – Defasagem idade/série

  1. gostei muito de ver um instituto como esse preocupado em ajudar a educaçao de nosso país. trabalho numa escola no municipio do Pará onde praticamente 70% dos alunos estao com defasagem idade/serie e nao foram incluidos nesse programa. existe alguma solução?

    Cybele Reply:

    Olá Ada, tudo bem?

    Realmente esta é uma realidade presente em muitas escolas públicas em todo o nosso país. Isto é fruto de uma aprendizagem deficitária em razão de fatores que vão desde a falta de recursos até a formação caótica do profissional de educação.
    Porém, esforços estão sendo despendidos para que esta realidade mude. Professores empenhados e institutos comprometidos estão, aos poucos, contribuindo para que esta realidade mude.
    O Projeto Todos pela Educação estabeleceu metas que, com muito empenho e dedicação de todos, conseguirão mudar estes resultados.
    Obrigada pela sua participação e por acompanhar o Educa Já!
    Volte sempre!
    Com carinho

  2. Gostaria de conhecer algum projeto de distorção nas series finais, pois estou querendo dimnuiri o indice de devasagem idade serie na escola em que sou gestor.

  3. gostaria de saber o que faço para que minha escola seja contemplada com projetos do acelera brasil. nossa clientela, como ja disse, tem muita distorçao serie idade.precisamos urgentemente de umas açoes quwe dem resultados positivos me responda pelo e-mail

    Cybele Reply:

    Olá Ada, tudo bem?

    Sugiro que você entre em contato com a Secretaria de Educação da sua cidade. Para integrar estes Projetos há uma série de burocracias que somente as secretarias podem desenvolver.
    Se informe e então realize os procedimentos necessários.
    Boa sorte!
    Com carinho

  4. Boa Tarde!

    Sou professora da rede minicipal de Canavieiras e já participo ativamente há dois anos , do programa de correção de fluxo escolar Instiuto Ayrton Senna.No 1ºano de implatação , trabalhei no Se liga Brasil,foi um trabalho produtivo pois existia o comprometimento de toda equipe,coordenador,supervisor e professor,mas atualmente estou na regencia de uma classe do Acelera Brasil e tenho enfrentado muitas dificuldades pois os alunos apresentam sérias dificuldades de aprendizagens e não estão conseguindo avançar na aprendizagem e o pior de tudo é que não tenho suporte da equipe do programa ,para compartilhar as dificuldades presentes .

    ProfªAcelera Brasil.

    Cybele Reply:

    Olá Michelle, tudo bem?

    Fico muito triste quando leio comentários como o seu.
    Você, que já vivenciou a importância da participação da escola como um todo, sabe o quanto esta ausência interfere no progresso da aprendizagem.
    Faço votos que esta situação se reverta para o bem da educação.
    abs

  5. EU MORRO EM SANTA TERESA /CENTRO GOSTARIA DE SABER ONDE MINHA FILHA PODE FAZER ACELERAÇAO.

  6. Em meu município, este ano teremos que trabalhar com ” método” Se liga do programa acelera Brasil, estou perdida, nem material temos para orientação. Consegui um (livro) módulo de alfabetização velho e recortado, não tem o manual do professor e nem caderno de atividade, apenas algumas xerox de atividades para o tal caderno de acolhida.Relp! preciso de ajuda!!!

    Cybele Reply:

    Olá Katia, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho de sempre.
    Continuamos juntas em 2013.
    abraços
    Cybele Meyer e Equipe Educa Já!

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