Educação – Artes – última parte.

A ARTE BRASILEIRA

Projetos
Colégio Rainha da Paz

A Arte Brasileira no século XIX e início do XX

A influência da Arte Européia I

Neoclassicismo


Obra de DAVID

Nas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras décadas do século XIX, esse movimento expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a direção da sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o império de Napoleão.

O ACADEMICISMO OU NEOCLASSICISMO EUROPEU


Obra de INGRES

De acordo com a tendência neoclássica, uma obra de arte só seria perfeitamente bela na medida em que imitasse não as formas da natureza, mas as que os artistas clássicos gregos e renascentistas italianos já haviam criado. E esse trabalho de imitação só seria possível através de um cuidadoso aprendizado das técnicas e convenções da ARTE CLÁSSICA. Por isso, o convencionalismo e o tecnicismo reinaram nas academias de belas-artes, até serem questionados pela arte moderna.

A influência da Arte Européia II

Romantismo

O ROMANTISMO EUROPEU

Dentro do século XIX, o Romantismo foi um movimento artístico, que se caracteriza como uma reação ao Neoclassicismo e historicamente situa-se entre 1820 e 1850.

Enquanto os artistas neoclássicos voltaram-se para a imitação da arte greco-romana e dos mestres do Renascimento italiano, submetendo-se às regras determinadas pelas escolas de belas-artes, os românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão da personalidade do artista. O sentimento do presente, o nacionalismo e a valorização da natureza.

A pintura romântica aproxima-se das formas barrocas. A cor é valorizada e os contrastes claro-escuro reaparecem, produzindo efeitos de dramaticidade. A natureza ganha importância. Temas: fatos reais da história nacional e contemporânea dos artistas.


Obra de GOYA


Obra de DELACROIX

ARTE BRASILEIRA NO SÉC. XIX

O início do século XIX no Brasil é marcado, em 1808, pela chegada da família real portuguesa, que fugia do conflito entre a França napoleônica e a Inglaterra. No Brasil, ainda, apreciava-se a arte barroca-colonial.

Dom João VI e mais uma comitiva de 15000 pessoas desembarcaram na Bahia em janeiro de 1808, mas em março do mesmo ano transferiram-se para o Rio de Janeiro.

A transferência da côrte portuguesa para o Brasil e a elevação da colônia a Reino Unido e sede do governo metropolitano renovaram o país. Nessa cidade o soberano português começou uma série de reformas administrativas, sócio-econômicas e culturais, para adaptá-la às necessidades dos nobres que vieram com ele e sua família. Assim, foram criadas as primeiras fábricas e fundadas instituições como o Banco do Brasil, a Biblioteca Real, o Museu Real e a Imprensa Régia.

A partir de então, o Brasil recebe forte influência da cultura européia, que começa a assimilar e a imitar. Essa tendência europeizante da cultura da colônia se afirma ainda mais com a chegada da Missão Artística Francesa, oito anos depois da vinda da família real.

A PINTURA BRASILEIRA ACADÊMICA

Em meados do século XIX, o Império Brasileiro conheceu certa prosperidade econômica, proporcionada pelo café, e certa estabilidade política, depois que D.Pedro II assumiu o governo e dominou as muitas rebeliões que agitaram o Brasil até 1848. Além disso, o próprio imperador procurou dar ao país um desenvolvimento cultural mais sólido, incentivando as letras, as ciências e as artes. Estas ganharam um impulso de tendência nitidamente conservadora, que refletia modelos clássicos europeus.

Mesmo a guerra que o Brasil manteve com o Paraguai, que custou aos dois países um grande número de vidas e um desgaste econômico incalculável, não foi motivo para um declínio das artes. Pelo contrário, serviu como um tema artístico para que alguns pintores exaltassem a ação do governo imperial.

É nesse contexto histórico que se situam as obras de Pedro Américo e Victor Meirelles, pintores brasileiros que estudaram na Academia Imperial de Belas-Artes do RJ. Além desses dois pintores, outro que merece destaque é José Ferraz de Almeida Júnior que foi aluno de Victor Meirelles.


“O Grito do Ipiranga”
A Academia de Belas-Artes, que foi instalada em 1826, permaneceu até 1919.

Outros artistas brasileiros estudaram, também, nos moldes acadêmicos.
OBRAS DE OUTROS ARTISTAS ACADÊMICOS.

O Academismo na Arte Brasileira

A influência do ACADEMISMO na arte brasileira ainda é visível hoje, especialmente em suas instituições mais fortes: ensino, mecenato oficial e mercado de arte.

Existe o Academismo ou Academicismo com influência Neoclássica e o Ecletismo.

O Academismo foi um sistema fechado, autoritário e poderoso, que envolveu todo o circuito de arte. O Neoclassicismo trazido pela Missão Artística Francesa serviu de base para a implantação do sistema das belas-artes. Com ele foram criadas as normas e regras do ensino, hierarquizando gêneros e temas, impondo modelos europeus e dificultando ao máximo o contato com a realidade brasileira.

Através de prêmios de viagem à Europa, concedidos inicialmente pela Academia, em concursos internos, e em seguida nas Exposições Gerais, este vínculo com a pátria artística colonial foi reforçado. Os bolsistas recebiam instruções precisas sobre o que ver e fazer, os mestres que deveriam tomar como professores, as obras de museus que deveriam ser copiadas etc. De volta ao Brasil, comprovado o bom aproveitamento, eram nomeados professores. Mantinha-se assim, sem rupturas, o funcionamento do sistema acadêmico. Várias tentativas de furar este bloqueio foram feitas. Os Acadêmicos controlavam também os Liceus de Artes e Ofícios, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu Nacional de Belas-Artes, e instituições influentes como a Sociedade Brasileira de Belas-Artes. Controlavam, até muito recentemente, o Salão Nacional, dificultando o acesso sos artistas jovens ao prêmio de viagem ao Exterior.

O Ecletismo

Existe uma outra arte acadêmica, que nada tem a ver com o Neoclassicismo, é o ECLETISMO e outros ismos que vigiam no Brasil ainda no século passado. Esse outro academismo, de hoje, é apenas uma arte temática, técnica e formalmente defasada. Mas que detém prestígio numa espécie de circuito paralelo, que envolve artistas, mercado, crítica, locais de apresentação, um público fiel e recursos de certa monta, tudo isso exercendo uma forte pressão subterrânea sobre o meio cultural brasileiro.

Misturam-se as diversas tendências (1870-1922)

O ECLETISMO reunia aspectos de estilos do passado, principalmente aqueles que tinham uma finalidade decorativa. Assim, alguns arquitetos mantiveram, num mesmo edifício, elementos greco-romanos, góticos, renascentistas e mouriscos.

Por isso, as casas que os fazendeiros de São Paulo construíram nas cidades passaram a ser ornamentadas com relevos de estuque pré-moldados, platibandas, grandes vidraças e ferragens importadas da França e da Bélgica. As cidades do norte do país, enriquecidas com a borracha, também desenvolveram uma arquitetura requintada, de acordo com as concepções ecléticas. O prédio do Museu Paulista da USP é um palácio de derivação neo-renascentista

PROJETO – CUBO MÁGICO
Patricia Marantes Bordignon Canoas, RS

Este projeto, realizado com as turmas de 7ª série do colégio Maria auxiliadora em Canoas – RS, teve por objetivo pesquisar obras e períodos da história da Arte onde percebeu-se a preocupação com a preservação ambiental, favorecendo o conhecimento de novas formas de expressão em Arte e exploração de materiais alternativos focalizados na consciência planetária. O projeto que incluiu pesquisa de dados biográficos do artista, conceituação de cada uma das formas de expressão a serem trabalhadas, culminou com a construção de um objeto artístico que representasse as idéias do artista ou período histórico pesquisado. Os alunos produziram objetos tridimensionais, esculturas e pinturas com utilização de materiais recicláveis. O trabalho que deu título ao projeto, foi criado por um grupo de alunos que construiu um cubo em M.D.F com medidas de 70X70 cm, com fotos e frases sobre consciência planetária.

Baseados nas características deste jogo tão popular, os alunos foram desafiados a procurar soluções possíveis para a preservação ambiental, tomando como base a consciência planetária que deve supor em primeiro lugar o respeito pelo semelhante, independentemente de quem ele seja e de onde ele esteja.

Título: “A expressão da cor na Arte de Romero Britto”

Patricia Marantes Bordignon

Este projeto visou conhecer a obra do artista Romero Britto por meio da apreciação e reflexão sobre a sua obra e também através da leitura e da produção artística. Além da pesquisa sobre a vida e a obra do artista brasileiro e sobre sua expressividade no uso das formas e das cores, os alunos da 5ª série, fizeram releituras da obra de Britto através de pintura em tela e esculturas com a técnica da papietagem.

Denise Cunha Pimpão

O objetivo do trabalho foi exercitar o olhar sensível por meio da leitura de códigos visuais e reconhecer a importância da corrente artística “op art” dentro da história da arte. A expressão “op art” vem do inglês e significa “arte óptica”. Defendia, em seus conceitos, menos expressão e mais visualização. As produções plásticas brincam com nossas percepções ópticas. As cores são usadas para a criação de efeitos visuais como sobreposição, movimento e interação entre o fundo e o foco principal. Antes de entrarmos na “op art” propriamente dita, observamos imagens populares de ilusão de óptica, em sua grande maioria conhecida pelos alunos que acessam a internet. Assim, o olhar foi treinado para em seguida receber e discutir as obras e os artistas desse período. Pesquisamos o que acontecia paralelamente na história da arte e história geral, a fim de enriquecer e agregar novos valores a aprendizagem.Pudemos fazer um link com conteúdos de outras disciplinas também, bem como, conceitos da física relacionados a espectros, realismo do senso comum da filosofia, sistema solar de geografia entre outros. A partir da análise das obras em seus aspectos formais e conceitos intrínsecos, os alunos elaboraram um desenho apropriando-se das características do estilo artístico. Projetaram formas geométricas em repetição, cores alternadas, perspectiva e muitos outros aspectos próprios da linguagem da op art aliados. Resultando, dessa forma, num processo único e criativo, com o qual os estudantes puderam, de forma agradável, conhecer um pouco mais do contexto histórico artístico e exercitar o olhar sensível.


Alessandra Baumer – 16 anos


Alini Lentz – 16 anos

O VESTIDO DE LAURA

Maria da Glória Gosciola Vizeu

Sou coordenadora pedagógica das creches mantidas por uma Associação sem fins lucrativos. Montamos um projeto com as educadoras sobre a poesia de Cecilia Meireles, “O Vestido de Laura”. Trabalhamos o conteúdo da poesia, fazendo pinturas,colagens, construções com crianças na faixa etária de 3 a 7 anos. instalamos o trabalho no pátio da creche.

Painel de Lauras

RIO DE JANEIRO

Dione Souza Lins

Os trabalhos aqui enviados fazem parte do projeto que abordou a cidade do Rio de Janeiro através de ícones, da música, dos esportes, artes visuais e da arquitetura. No último aspecto, Oscar Niemeyer foi o foco. Partimos de suas obras na cidade, no país e no mundo para celebrar seu centenário com muita arte.


linhas e curvas de Niemeyer- colag e pint s/papelão

ALBÚM DE FAMÍLIA

Priscyla Raquel da Silva
Referenciando o trabalho da artista plástica contemporânea Rosângela Rennó, no qual encontramos as palavras-chave: memória e apropriação, os alunos apropriaram-se de fotos de álbuns de família para a produção de seu trabalho, que veio a ser montado em um álbum da turma ao final do Projeto.

O MENINO DE VIDRO
Carlos Fernando Pulhiese

O trabalho ilustrado foi produzido em papel paraná, com espelhos cortados e colados com cola quente e aplicado tinta esmalte sintético preto ao fundo. Fou usado um aluno onde seu corpo foi contornado com lápis HB.

Educação – ARTES – 1ª Parte

AS QUATRO FASES DA PINTURA

Profª. Leonice Fumiko Sato Kurebayashi

PROJETOS

1. IDADE MÉDIA AO INÍCIO DO SÉCULO XIV

IDADE MÉDIA

1ª FASE: Início da Idade Média até o princípio do século XIV (bizantino, românico e gótico)

A Idade Média compreende o milênio entre os séculos V e XV, aproximadamente, desde a queda de Roma até o Renascimento. Existiram 3 grande fatores importantes durante a Idade Média:

1. A liderança cultural se deslocou para a França, Alemanha e Ilhas Britânicas.
2. O Cristianismo triunfou sobre o paganismo e o barbarismo.
3. A ênfase se deslocou do aqui e agora para o além, desaparecendo o interesse pela representação realista do mundo.

Neste período os nus foram proibidos e os artistas medievais se interessavam pela alma, afastando-se dos ideais greco-romanos de proporções harmoniosas e
equilíbrio do corpo e mente. A ARTE SE TORNOU SERVA DA IGREJA. Utilizaram mosaicos, pinturas e esculturas para decorar as igrejas, para que o
povo pudesse contemplar o divino. Na arquitetura, as construções foram se tornando mais arejadas, mais leves. Dentro destas igrejas apareciam os mosaicos,
afrescos e vitrais espiritualmente simbólicos, com temas religiosos.

ARTE NA IDADE MÉDIA

Durante a Idade Média a arte se manteve ligada à religião, numa sucessão de 3 estilos. As principais formas de arte são as seguintes:

BIZANTINO

“Justiniano e Cortesãos ” (detalhe) San Vitale, Ravena
MOSAICOS

Uma das maiores formas de arte, o mosaico, surgiu durante os séculos V e VI em Bizâncio, já em poder dos turcos, e em sua capital italiana, Ravena. Os mosaicos eram utilizados na propagação do novo credo oficial, o Cristianismo, portanto o tema era a religião em geral, mostrando Cristo como mestre e senhor todo-poderoso.
As figuras humanas são chapadas, rígidas, simetricamente colocadas, parecendo estar penduradas. Os artesãos não tinham interesse em sugerir perspectiva ou
volume. Figuras humanas altas, esguias, com faces amendoadas, olhos enormes e expressão solene, olhavam diretamente para a frente, sem o menor esboço de
movimento.


ÍCONES

Não se pode falar de arte bizantina sem falar dos ícones. Eram pequenos painéis de madeira com imagens pintadas, supostamente com poderes mágicos e sobrenaturais. As imagens de santos e seres sagrados são rígidas, em pose frontal, geralmente com halo e olhar fixo. Acreditava-se que os ícones tinham propriedades milagrosas. Diz a lenda que uma
imagem vertia lágrimas, outra emitia aroma de incenso. Fiéis ardorosos os carregavam para a guerra, outros gastavam a pintura de tanto beijá-los. Tão forte se tornou o culto dos ícones que eles foram proibidos, entre 726 e 843, por desobediência ao mandamento contra a idolatria.

ROMÂNTICO


AFRESCOS

Devido ao contato da península itálica com a civilização bizantina, a arte da pintura nunca foi abandonada, mas no fim do século XIII sua técnica floresceu.
Mestres como Duccio e Simone Martini, de Siena, e Cimabue e Giotto, de Florença, trocaram o estilo congelado bizantino por formas mais suaves, mais vivas.
Os afrescos ( pinturas em alvenaria úmida ) de Giotto di Bondone, 1266 – 1337, foram os primeiros, desde o período romano, a sugerir peso e curvas nas formas humanas, marcando o advento do que viria a se tornar o papel principal da pintura na arte ocidental.

Um grupo de mulheres lamenta a morte de seu salvador, enquanto anjos esperam sua chegada no reino dos céus.
Gestos emocionados, expressões sofridas e cores claras aumentam a intensidade do pesar de Maria, debruçada sobre o corpo morto de Cristo. Giotto provocou uma revoluação na pintura. Foi um dos primeiros artistas a dar a
ilusão de vida real, em termos de emoção e espaço, numa superfície plana. Este quadro, uma das muitas cenas representando a vida da Virgem, é considerado uma das obras mais importantes no desenvolvimento da arte ocidental. Ao lado de Cimabue, Giotto é geralmente considerado o fundador da pintura moderna, por ter rompido com o convencionalismo estático e estereotipado de sua época. Em 1334 foi designado como supervisor da catedral de Florença e arquiteto da cidade.


MANUSCRITOS

Com os saqueadores devastando as cidades do antigo Império Romano, os monastérios eram tudo o que restava entre a Europa Ocidental e o caos generalizado. Monges e freiras copiavam manuscritos, mantendo vivas a arte da ilustração. Os manuscritos eram considerados objetos sagrados que continham a palavra de Deus. Eram profusamente decorados, de
maneira que sua beleza refletisse a sacralização do conteúdo. Tinham capas de ouro cravejadas com pedras preciosas e semipreciosas. Até o desenvolvimento da tipografia, no século XV, esses manuscritos eram a única forma existente de livros, preservando não somente os ensinamentos religiosos, mas também a literatura clássica.

VITRAIS

A Catedral de Chartres é a alma visível da Idade Média. Construída para abrigar o véu da Virgem, doado à cidade pelo neto de Carlos Magno, é uma obra de arte multimídia. Os vitrais, a mais intacta coleção de janelas medievais do mundo, ocupam uma área total de 8.800 metros. Ilustrando passagens da Bíblia, as vidas dos santos e até mesmo os artesanatos tradicionais da França, os vitrais são gigantescos manuscritos iluminados

CARACTERÍSTICAS
1. O Artista não representa o espaço por meio da perspectiva.
2. Não representa os volumes por intermédio de luz e sombra.
3. Não se preocupa com a correção anatômica (corpo humano)
4. Não diferencia texturas (superfície lisa, rugosa, macia,etc.)

2. FIM DA IDADE MÉDIA AO INÍCIO DO SÉCULO XVI

RENASCIMENTO

2ª FASE: RENASCIMENTO (fim da Idade Média ao início do século XVI)

A Idade Média fica entre dois grandes períodos de produção artística: o período
clássico greco-romano e a Renascença. A passagem do interesse pelo sobrenatural para o natural provocou uma arte mais voltada para o real e para a vida. A expansão do conhecimento científico, com maior compreensão da anatomia e da perspectiva, possibilitou aos pintores do século XV e XVI superarem as técnicas da Grécia e de Roma. Com os novos conhecimentos técnicos, os artistas evoluíram na arte de pintar retratos, paisagens, motivos mitológicos. Na Alta Renascença (1500-1520), surgem pintores como Leonardo da Vinci, Michelângelo e Rafael. Neste período voltado para as ciências, o resultado foi a substituição do estudo de Deus (Idade Média) para o estudo do homem. Com o surgimento da tinta à óleo foi possível aumentar as opções de cores, com suaves nuances de tonalidades, permitindo representar texturas e criar a sensação de profundidade.

A Renascença nasceu em Florença. Os 3 primeiros grandes pintores que inventaram esse novo estilo são: Masaccio (pintor, Donatello (escultor) e Botticelli (pintor).

No século XVI, a liderança chegou a Roma e Veneza, onde Leonardo, Michelângelo e Rafael criaram esculturas e pinturas com total domínio da técnica.

A Renascença do Norte (Países Baixos) produziu Jan van Eyck, Bosch e o pintor de camponeses , Bruegel. A Renascença alemã foi marcada pela austeridade da pintura religiosa de Grünewald, pela perfeição técnica de Dürer e pelos retratos de Holbein.

Características da Renascença:
1. o artista busca representar o espaço pela primeira vez com a perspectiva, criando a ilusão de profundidade.
2. Representa os volumes com luz e sombra, por intermédio do claro e escuro.
3. Tenta descobrir formas de representar as texturas.
4. Busca na Grécia antiga o estudo da anatomia dos corpos (Renascença Italiana).

3. DA METADE DO SÉCULO XVI ATÉ A METADE DO SÉCULO XIX

BARROCO: A ERA DO ORNAMENTO

A arte barroca (1600-1750) conseguiu casar a técnica avançada e o grande porte da Renascença com a emoção, a intensidade e a dramaticidade do Maneirismo, fazendo do estilo barroco o mais suntuoso e ornamentado na história da arte. Artistas hoje chamados de barrocos acorreram a Toma, vindos de toda a Europa, para estudar as obras-primas da antiguidade clássica e da Alta Renascença. Voltando à terra de origem, acrescentaram às suas obras as particularidades culturais de cada região. Enquanto os estilos abrangiam desde o realismo italiano ao exagero francês, o elemento comum era a sensibilidade e o absoluto domínio da luz para obter o máximo impacto emocional.

A era barroca começou em Roma por volta de 1600, quando os papas se dispurseram a financiar magníficas catedrais e grandes trabalhos, para manifestar o triunfo da fé católica depois da Contra-Reforma, e para atrair novos fiéis com a dramaticidade das “imperdíveis”obras de arquitetura. O movimento se expandiu para a França, onde os monarcas absolutistas reinavam por direito divino e gastavam enormes somas para se glorificar. Embora tão opulenta como a arte religiosa, a pintura francesa elegia temas não religiosos, derivados do modelo da Grécia e de Roma, como as tranquilas paisagens habitadas por deidades pagãs, de Poussin.

Em países católicos, como Flandres , a arte religiosa florescia, ao passo que nas terras protestantes do norte da Europa, como a Inglaterra e a Holanda, as imagens religiosas eram proibidas. Em consequência, a pintura tendia a naturezas-mortas, retratos, paisagens e cenas do cotidiano.

O século XVII produziu artistas como Rembrandt e Velázquez e também expandiu o papel da arte para a vida cotidiana. O barroco se diferencia do Renascimento pois coloca ênfase na emoção e não na racionalidade, no dinamismo e não nas composições estáticas. Três grandes pintores são representantes do barroco italiano: o pintor Caravaggio (A dúvida de Tomé), o escultor Bernini e o arquiteto Borromini. Tanto quanto no Renascimento, o Barroco teve sua evolução em toda a Europa. Nos Países Baixos (Flandres) apareceu o pintor Peter Paul Rubens frequentemente conhecido por suas figuras femininas volumosas, arredondadas, geralmente em intenso movimento. No Barroco Holandês temos Hals, Rembrandt e Vermeer. No Barroco Espanhol, temos Diego Velázquez. No Barroco francês, teremos Poussin, Lorrain e La Tour.

Característica:

1. o artista busca outros tipos de representação do espaço além da perspectiva. Surge a perspectiva aérea, aprimorando a ilusão de profundidade.
2. Os volumes são muito bem representados, devido à gradação de cor, de luz e sombra.
3. Há preocupação de representar a textura, a aparência real do objeto (a textura da pele, dos tecidos, da parede, etc.)
4. O desenho e a técnica para representar o corpo humano são perfeitas.
5. É importante citar que as linhas estruturais de composição da obra barroca diferem da renascentista. No Barroco , as linhas diagonais comandam a composição, fazendo com que a sensação de movimento seja muito mais intensa. A obra renascentista ainda é estática em sua composição, pois estão baseadas na simetria, nas horizontais e verticais.

NEOCLASSICISMO

O JURAMENTO DOS HORÁCIOS (DAVID)

Nesta obra três irmãos juram derrotar os inimigos ou morrer por Roma, ilustrando o novo clima de auto-sacrifício, em vez de auto-indulgência. Da mesma maneira como a Revolução Francesa derrubou os nobres decadentes, essa pintura marcou uma nova era de estoicismo. David demonstrou a diferença entre o velho e o novo através do contraste dos contornos retos e rígidos dos homens com as formas curvas, suaves das mulheres. Até mesmo a composição da pintura reforçava sua firme resolução. David situou cada figura como uma estátua, iluminada por um feixe de luz, contra um fundo simples de arcos romanos. Com o fim de assegurar a precisão histórica, vestiu manequins com roupas romanas e fez capacetes romanos para então copiar.

ROMANTISMO


A Balsa do Medusa, Géricault, 1818-19, Louvre, Paris. Géricault inaugurou o Romantismo com esta tela, contrastando imagens de extrema esperança e desespero.

“O sentimento é tudo!”, proclamou o escritor alemão Goethe. Rebelando-se contra o período racionalista do neoclassicismo, a era romântica de 1800-50 foi a Idade da Sensibilidade. Tanto escritores como artistas optaram pela emoção e pela intuição no lugar da objetividade. Os românticos perseguiam suas paixões, mas muitos poetas e compositores românticos pagaram um alto preço por viver tão intensamente seus ideais. Muitos morreram muito jovens. O Romantismo tirou seu nome de um interesse nas lendas medievais chamadas romances. Voltaram-se para o gótico e os castelos medievais. Também cultuaram a natureza. Pintores como Turner e Constable ( Romantismo Inglês ) elevaram o status da pintura de paisagens . O Romantismo francês é representado por dois grandes pintores. ( Delacroix e Géricault )

Valores: intuição, emoção, imaginação.
Inspiração temática: as Eras Medieval e Barroca, o Oriente Médio e o Extremo Oriente. ( lendas, natureza , violência )
Tom: subjetivo, espontâneo, inconformista.
Cor: solta, profunda, rica em tons.
Gêneros: narrativas de lutas heróicas, paisagens, animais selvagens
Técnica: pinceladas rápidas, contrastes fortes de luz e sombra
Composição: uso da diagonal ( como no Barroco )

CARACTERÍSTICAS

1. O artista utiliza todo o conhecimento sobre perspectiva para criar a ilusão de espaço, como também a perspectiva aérea, dando uma nova visão da paisagem ou da cena (vista superior aérea).
2. Os volumes são muito bem representados, devido à gradação de cor, de luz e sombra.

3. Há preocupação de representar a textura, a aparência real do objeto (a textura da pele, dos tecidos, da parede, etc.)

4. O desenho e a técnica para representar o corpo humano são perfeitas.

5. Voltados para o desejo de exprimir emoções, observaremos em alguns pintores românticos, obras com uma grande movimentação como as pessoas da obra “A Balsa do Medusa”. A nova modalidade que surge dentro da pintura neste período é a paisagem e consideraremos as últimas obras de Turner como obras inovadoras, devido à sua pesquisa de cor e de luz.

REALISMO


Durante a primeira metade do século XIX, enquanto o Neoclassicismo se debatia com o Romantismo, o Realismo surge como uma nova força, que iria dominar a arte na segunda metade do século. O Realismo fez sempre parte da arte ocidental. Durante a Renascença, os artistas superaram todas as limitações técnicas para representar com fidelidade a natureza. Mas, no Realismo, os artistas modificaram os temas e insistiam na imitação precisa das percepções visuais sem alteração. Os artistas foram buscar no seu mundo cotidiano, moderno, as principais temáticas, deixando de lado deuses, deusas e heróis da antiguidade. Camponeses e a classe trabalhadora urbana passaram a dominar as telas dos realistas.

O pai do movimento realista foi Gustave Courbet ( 1819 – 77 ). Ele insistiu que “a pintura é essencialmente uma arte concreta e tem de ser aplicada às coisas reais e existentes”. Quando lhe pediram que pintasse anjos, respondeu: “Nunca vi anjos. Se me mostrarem um, eu pinto “. ( Veja Auto – retrato )

Nunca antes tinha sido realizado em tamanho épico – reservado somente para obras históricas grandiosas – uma pintura sobre gente comum ( “Enterro em Ornams ). Defendia em altos brados a classe trabalhadora e foi preso por seis meses por danificar um monumento napoleônico. Detestava a teatralidade da arte acadêmica. ( veja ” Mulheres peneirando trigo “)

Jean- François Milllet ( 1814 – 75 ) está sempre associado a retratos de trabalhadores rurais arando, semeando e colhendo. Nascido de uma família camponesa, disse uma vez que desejava “fazer com que o trivial servisse para exprimir o sublime”. Antes dele, os camponeses eram invariavelmente retratados como estúpidos. Millet lhes deu uma dignidade resoluta. ( Veja “Angelus “ )

CARACTERÍSTICAS

1. O artista utiliza todo o conhecimento sobre perspectiva para criar a ilusão de espaço, como também a perspectiva aérea, dando uma nova visão da paisagem ou da cena (vista superior aérea).
2. Os volumes são muito bem representados, devido à gradação de cor, de luz e sombra.

3. Há preocupação de representar a textura, a aparência real do objeto (a textura da pele, dos tecidos, da parede, etc.)

4. O desenho e a técnica para representar o corpo humano são perfeitas.

5. Voltados para o desejo de representar a realidade tal e qual ela se apresenta e voltados para temáticas de ordem social e política, os realistas pintam em geral trabalhadores, cenas do cotidiano e da modernidade.

INOVAÇÕES DE DAUMIER ( 1808 – 1879 )

Em Honoré Daumier vamos buscar as inovações relativas à cor e à luz. Já despreocupado em representar exatamente a realidade do objeto, Daumier se preocupa em trazer à pintura uma atmosfera irreal. Há sempre um espaço aéreo luminoso, mas é como uma foto desfocada, sem contornos nítidos. A isto, chamaremos de perspectiva aérea; quanto mais distante do observador, os detalhes dos objetos perdem a nitidez. ( veja “A boa garrafa “)

A atmosfera criada pela luz retira a sensação de volume dos corpos. As pinceladas são bem visíveis e Daumier renuncia à ilusão da matéria, isto é, das pessoas A textura do tecido não existe mais. Existe apenas a textura da própria pincelada. A cor deixa de ser a cor real. Ele se utiliza de claro-escuro. Há falta de sensação de espaço, de volume, matéria e cor, mas principalmente falta o desenho. Precisamos aprender a compreender o que o pintor quer demonstrar quando deforma. (Veja “Dom Quixote e Sancho Pança ” )

IMPRESSIONISMO

O movimento conhecido como Impressionismo marcou a primeira revolução artística total desde a Renascença. Nascido na França no início dos anos 1860, durou apenas até 1886. Mas determinou o curso da maior parte da arte que se seguiu. O Impressionismo rejeitou a tradição, deixando de usar sistematicamente a perspectiva, a composição equilibrada, as figuras idealizadas e principalmente o chiaroscuro da Renascença. Ao invés disto, os impressionistas representaram sensações visuais imediatas através da cor e da luz.

Seu principal objetivo era apresentar uma “impressão” da luz sobre tudo. Perceberam que a cor não é uma característica intrínseca e permanente, mas muda constantemente de acordo com os efeitos da luz, do reflexo ou do clima sobre a superfície do objeto. Para mostrar estas qualidades voláteis da luz, eles criaram uma pincelada distinta, curta, pontual; borrões irregulares que vibravam energia como o brilho da luz sobre a água. A uma certa distância, porém, estes borrões e manchas se fundiam dando formas mais ou menos definidas de objetos ou qualquer outra coisa retratada.

MANET

Temas: Atualizou temas dos antigos mestres, pintou cenas contemporâneas com visão crítica.
Cores: manchas escuras contra a luz; usava o preto.
fase final: colorido
Estilo: formas simplificadas com um mínimo de modelo, manchas de cor chapada com contorno preto.

MONET

Temas: Paisagens marinhas, séries sobre papoulas, rochedos, montes de feno, Catedral de Rouen, ninféias
Cores: tons solares, cores primárias puras ( sombras coloridas com cores complementares )
Estilo: dissolvia a forma em luz e clima, contornos suaves, ar impressionista clássico

RENOIR

Temas: nus femininos com pele de pêssego, o café-society, crianças, flores
Cores: vermelhos ricos, cores primárias, sem preto, usava o azul no lugar
Estilo: início: pinceladas rápidas, figuras manchadas
final: estilo mais clássico, nus solidamente formados

DEGAS

Temas: pastel de figuras humanas: bailarinas, corridas de cavalos, café-society, lavadeiras, circo, nus no banho
Cores: tons vistosos no início tons pastel no final
Estilo: Ângulos não convencionais com figuras amontoadas na beira da tela, composição assimétrica com vazio no centro

O PRIMEIRO IMPRESSIONISMO: ( 1862 – 86 )
Elenco Original: Manet, Monet, Renoir, Degas, Pissarro, Sisley, Morisot, Cassatt
Temas: paisagens ao ar livre, beira de mar, ruas e cafés parisienses
Propósito: retratar sensações visuais imediatas de uma cena.
CONTRIBUIÇÕES:

Depois do Impressionismo, a pintura nunca mais seria a mesma. Os pintores do século XX ou expandiram sua prática ou reagiram contra ela. Desafiando a convenção, esses rebeldes estabeleceram o direito do artista de experimentar com estilo pessoal. Acima de tudo, permitiram que a luz da natureza e a vida moderna brilhassem através das sombrias tradições seculares.

Os princípios básicos da pintura impressionista são os seguintes:

1. A COR É UMA QUALIDADE PERMANENTE NA NATUREZA: as tonalidades estão sempre mudando. A cor resulta, portanto, da luz que os corpos recebem. A cor de um objeto muda do amanhecer ao anoitecer, pois depende do ângulo de incidência dos raios solares.

2. A LINHA NÃO EXISTE NA NATUREZA: a linha é uma abstração criada pelo espírito do homem, para representar as imagens visuais. A linha para o impressionista é dada pelo encontro de duas superfícies coloridas de tonalidades diferentes. A linha não é o contorno. Ele passa a ser impreciso ou diluído, parecendo uma fotografia fora de foco.

3. AS SOMBRAS NÃO SÃO PRETAS, NEM ESCURAS, SÃO LUMINOSAS E COLORIDAS.: para os impressionistas, uma sombra preta ou escura não era aceitável, pois tudo está banhado pela luz solar. E onde há luz não há a cor preta, pois o negro é a ausência completa de luz.

4. A APLICAÇÃO DOS REFLEXOS LUMINOSOS OU DO CONTRASTE DAS CORES: as cores se influenciam reciprocamente, obedecendo à lei das complementares. A complementar de uma cor é outra cor que a torna mais pura, intensa e vibrante, quando justaposta ou aproximada. Então temos:

A complementar do vermelho é o verde e vice-versa. A complementar do amarelo é o violeta. A complementar do azul é o laranja. Normalmente os impressionistas usavam complementares nas sombras em contraste com as partes iluminadas.

5. A DISSOCIAÇÃO DAS TONALIDADES OU A MISTURA ÓTICA DAS CORES – PONTILHISMO: para obter leveza e brilho das cores, os pintores impressionistas resolveram produzir as cores conforme a natureza as produz à luz do sol. A luz branca contém sete cores: azul, vermelho, amarelo, verde, laranja, violeta e índigo. Os pintores resolveram produzir as cores misturando as cores primárias, juntando duas pinceladas. Por exemplo: misturar o azul e o amarelo para produzir o verde. Eles dissociavam a cor, dividiam as cores e davam pinceladas miudinhas para alcanças a cor desejada.

PÓS-IMPRESSIONISMO

O Pós- Impressionismo foi um fenômeno francês, incluindo os artistas franceses Seurat, Gauguin, Cézanne, Toulouse-Lautrec e o holandês van Gogh, que criou a maior parte de sua obra na França. Os Pós – Impressionistas desenvolveram suas carreiras de 1880 a 1905 e seus estilos derivaram das rupturas com os impressionistas. Os pós – impressionistas sentiam-se insatisfeitos em relação aos impressionistas, pois desejavam que a arte fosse mais substancial, não somente dedicada a captar um momento passageiro. Seurat e Cézanne se concentraram do desenho formal, quase científico – Seurat com sua teoria dos pontos e Cézanne com os planos de cor. Gauguin, van Gogh e Lautrec, como os românticos da última hora, enfatizaram a expressão de suas emoções e sensações através de cor e luz. A arte do século XX, com seus extremos de estilos individuais do Cubismo ao Surrealismo, nasceu dessas duas tendências.

SEURAT
Tema: Atividades de lazer em Paris
Assinatura :cores vivas em pontos minúsculos ( pontilhismo )
Tipo: científico, lógico
Preocupação: sistema de mistura ótica no olho do receptor
Marcas: superfície granulada, figuras estilizadas em aura de luz; desenho chapado, preciso

TOULOUSE LAUTREC

Tema: Vida noturna de cabaré
Assinatura: primeiros cartazes artísticos usados para propaganda
Tipo: decadente, febril
Preocupação: malaise de fin-de-siècle
Marcas: desenho esboçado, centro vazio e figuras cortadas na margens; cores fantásticas, de interior e fora de tom, caricaturas, máscaras

CÉZANNE

Tema: Naturezas-mortas com fruta, paisagens de Mont S.Victorie
Assinatura: ênfase protocubista na estrutura geométrica
Tipo: analítico, estável
Preocupação: ordem permanente subjacente
Marcas: desenho equilibrado; manchas chapadas quadradas, de cor em gradações de tom; formas geométricas simples

GAUGUIN

Tema: Nativos do Taiti, camponeses na Bretanha
Assinatura: primitivismo exótico
Tipo: simbólico, misterioso
Preocupação: cor viva para expressar emoção
Marcas: formas simplificadas em cores não-naturais, contornos fortes em padrões rítmicos

VAN GOGH

Tema: Auto – retratos, flores, paisagens, naturezas-mortas
Assinatura: pinceladas agitadas, em espiral
Tipo: apaixonado, vibrante
Preocupação: reação emocional ao tema através da cor, pincelada
Marcas: impasto grosso em pinceladas cortadas ou faixas onduladas; formas simples em cores puras, brilhantes; rítmos em caracol sugerindo movimento

4. DA METADE DO SÉCULO XIX À METADE DO SÉCULO XX

EXPRESSIONISMO

Essa manipulação do formal será um passo decisivo na arte do século xx, e obras grotescas como o auto-retrato acima de Schiele, integrante do grupo de Viena, com o tempo serão consideradas estéticas.

A principal característica da pintura expressionista foi a deformação da realidade sob a óptica dos sentimentos. Já não se procurava imitar o modelo da natureza ou o objeto real. Havia uma realidade ainda mais importante: a da visão subjetiva do artista.Para o grupo Der Brücke (A Ponte), os temas centrais eram as paisagens de policromia exacerbada e o corpo humano sintetizado em poucas linhas.

O que mais se destacaram em suas obras foram a agressividade da cor e a falta de tranqüilidade das formas. Sua preocupação era reformular os temas impressionistas. Os artistas do Die Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) usaram as teorias musicais para conseguir composições de colorido harmonioso e formas totalmente abstratas. Para os expressionistas vienenses, ao contrário, o tema central era o resgate do feio como novo valor estético.

Com o expressionismo, conceitos como deformação da realidade, expressividade da cor e abstração das formas passaram a ser os novos princípios da arte. Os princípios plásticos enunciados pelo expressionismo marcarão a estética de todas as disciplinas artísticas que vão surgir mais adiante, no século XX.

FOVISMO


LOCAL: França

PERÍODO: 1904 – 08

MESTRES: Matisse, Derain, Vlaminck, Dufy, Rouault, Braque

MARCAS: cores intensas, fortes, explosivas

Formas e perspectiva distorcidas; pinceladas vigorosas; motivos chapados e lineares; tela nua como parte do desenho completo.

“O Fovismo não é tudo”, comentou Matisse, “é apenas o começo de tudo”. O Fovismo durou de 1904 a 1908. Contudo, sendo o primeiro movimento importante de vanguarda do século XX, explodiu a era moderna. A exposição de 1905, que inaugurou o Fovismo em Paris, foi um desses momentos cruciais na história, que mudou para sempre nossa maneira de ver a arte. Antes , o céu era azul e a grama era verde. Mas nas telas dos fovistas Matisse, Vlaminck, Derain, Dufy, Braque e Rouault o céu era amarelo-mostarda, as árvores vermelho tomate, os rostos verde-ervilha.

A reação do público foi hostil. O grupo ganhou esse nome de um crítico, que os chamou de “feras”( fauves ). O que levou os críticos a considerarem os fovistas “todos um pouco loucos”foi o uso das cores sem referência à aparência real. Longe de loucos, porém, eles experimentavam, com a maior seriedade, novas maneiras de expressar suas emoções diante de uma cena ( geralmente paisagens ou marinhas, cenas externas ).

A saída radical da tradição teve origem no momento em que os artistas viram retrospectivas – e ficaram vivamente impressionados com elas – de van Gogh, Gauguin e Cézanne, entre 1901 e 1906.

Vlaminck comenta sobre van Gogh após uma visita à exposição: “Fiquei tão emocionado que tive vontade de chorar de alegria e desespero. Naquele dia, amei van Gogh mais que a meu próprio pai”.

Outra influência que pesou na recusa dos fovistas em imitar a natureza foi a descoberta da arte tribal não-européia , que vivia a ter um papel na formação da arte moderna. Derain, Vlaminck e Matisse ( o principal porta voz do fovismo ), foram dos primeiros a colecionar máscaras africanas. A arte dos Mares do Sul, popularizada por Gauguin, e o artesanato das Américas do Sul e Central também contribuíram para afastá-los das tradições renascentistas e conduzí-los a vias mais livres, mas individuais, de comunicação de emoções.

CUBISMO (CARACTERÍSTICAS CONCEITUAIS)

O cubismo apresenta os objetos tal como são concebidos pela mente. O pintor cubista pinta o que existe e não como se vê.

Existem 3 etapas no Cubismo. O Cubismo Primitivo (1907), o Cubismo Analítico (1910-1912) e o Cubismo Sintético (1913). O Cubismo teve influência do pintor Cézanne, mas também se relaciona às teorias relativistas de Albert Einstein, que estabeceu que é
impossível determinar um movimento. Um objeto pode parecer estar parado ou em movimento, segundo a perspectiva de quem olha.

CARACTERÍSTICAS:

1. representa os objetos selecionados em cubos como se fôssem cristais.
2. Descreve uma natureza morta por meio de uma monocromia definida por claros-escuros, sombras. etc.
3. Não se utiliza da perspectiva, que representa a natureza através de um único ponto de vista (ponto de fuga). Ao contrário , procura dar as muitas faces de um mesmo objeto, a partir da mudança do ponto de vista (parecem faces sobrepostas e coladas)


1. Cubismo Primitivo: (1907) : representado por ” As Senhoritas de Avignon “, a pintura dos primeiros anos do cubismo se caracterizou pela redução à rígidas formas geométricas de tudo. Aparecem casas sem portas, sem janelas e pessoas com uma só mão ou apenas um olho. As cores eram ocres, marrons e verdes, com a função principal de remodelar as formas.


2. Cubismo Analítico (1910-1913) : apresenta uma decomposição de objetos simples, tais como guitarras, violinos, cabeças ,figuras, etc. Era uma combinação de fragmentos de objetos, vistos de distintos pontos de vista, com uma perspectiva movediça


3. Cubismo Sintético (1913): Empregam-se colagens , papéis diversos, como jornais, papéis de paredes, etc. Há um interesse grande por texturas e materiais e as cores se tornam muito mais vivas. Volume e espaço são insinuados com pequenos e leves traços de sombra. Há uma completa ruptura com qualquer procedimento imitativo.

ABSTRACIONISMO


O pintor russo Wassily Kandinsky foi o primeiro a abandonar toda e qualquer referência à realidade reconhecível em sua obra, e chegou a essa descoberta revolucionária por acaso. Em 1910, entrando em seu estúdio ao cair da noite, ele disse, “fui subitamente confrontado com um quadro de indescritível e incandescente beleza. Intrigado, parei para olhar. O quadro não tinha tema algum, não representava qualquer objeto identificável e era totalmente composto de manchas coloridas. Por fim, aproximei-me e. somente então, reconheci o que era – meu próprio quadro, virado de lado no cavalete “.

Essa revelação – de que a cor podia despertar emoção independentemente do conteúdo – animou Kandinsky a dar o audacioso passo para descartar todo o realismo. A partir de então, fez experiências com dois tipo de pintura: “Composições “, em que executou um arranjo consciencioso de formas geométricas, e “Improvisos”, onde não exerceu controle consciente sobre a tinta aplicada espontaneamente à tela. Em cores de arco-íris e trabalho solto de pincel, Kandinsky criou pinturas absolutamente não-objetivas, com títulos como “Composição nº 2 “, tão abstratos como suas telas.

FUTURISMO


Após o nascimento do Cubismo, o mundo testemunhou mudanças grandes. A tecnologia disparou em velocidade máxima, transformando o mundo agrário em industrial e o rural em urbano. Com a Primeira Guerra Mundial, a Europa mergulhou num caos político. Para finalizar, a Revolução Russa em 1917, exigiu a destruição de tudo o que pertencia ao antigo regime. Os artistas procuravam novas formas para expressar essas reviravoltas. Três movimentos – Futurismo na Itália, Construtivismo na Rússia e Preciosismo nos Estados Unidos – adaptaram as formas do Cubismo de modo a redefinir a natureza da arte.
O Futurismo começou como movimento literário, em 1909, quando o poeta Marinetti lançou seu manifesto. Era um auto-promotor hiperativo, apelidado “Cafeína da Europa”, e desafiou os artistas a mostrarem “coragem, audácia e revolta”para comemorar “uma nova beleza, a beleza da velocidade”. A arte futurista, praticada por Giacomo Balla, Carlo Carrà, Luigi Russolo e Gino Severini, além de Umberto Boccioni era o movimento. Os pintores combinavam as cores fortes do Fovismo com os planos quebrados e recortados do Cubismo para exprimir propulsão.Em seu mais famoso quadro, “Despertar da Cidade”, Boccioni retratou trabalhadores e cavalos arrepiados como porcos-espinhos com a marca registrada das suas “linhas de força”irradiando de todas as figuras para transmitir a idéia
de velocidade.

DADAÍSMO


Fundado na neutra Zurique, em 1916, por um grupo de refugiados da Primeira Guerra Mundial, o movimento dadá tomou seu nome de uma palavra nonsense.
Em seus sete anos de vida, o Dadaísmo muitas vezes parecia mesmo sem sentido, mas tinha um objetivo de não-sem-sentido: protestava contra a loucura da guerra. Nesse primeiro conflito global, anunciado como “a guerra para acabar com todas as guerras”, dezenas de milhares morriam diariamente nas trincheiras para conquistar uns poucos metros de terra calcinada e em seguida eram forçadas a recuar pelos contra-ataques. Dez milhões de pessoas foram massacradas ou ficaram inválidas. Não admira que os dadaístas achassem que não podiam mais confiar na razão e na ordem estabelecida. Sua alternativa foi subverter toda autoridade e cultivar o absurdo.
O Dadaísmo foi uma atitude internacional, que se expandiu de Zurique para França, Alemanha e Estados Unidos. Sua principal estratégia era denunciar e escandalizar. Uma noite dadaísta típica contava com diversos poetas declamando versos nonsense simultaneamente em línguas diferentes e outros latindo como cães. Os oradores lançavam insultos à platéia, dançarinos com trajes absurdos entravam pelo palco, enquanto uma menina de vestido de primeira comunhão recitava poemas obscenos. Os dadaístas tinham um objetivo mais sério do que causar escândalo: queriam acordar a imaginação. “Falamos de Dadá como de uma cruzada para a reconquista da terra prometida da Criatividade”, disse o pintor alsaciano Jean Arp, um dos fundadores do movimento.

SURREALISMO

Dois anos depois do Dadaísmo surge o Surrealismo, filho legítimo do Dadá. O Surrealismo, que floresceu na Europa e nos Estados Unidos noas anos vinte e trinta, começou como um movimento literário promovido por André Breton e nascido da livre associação e da análise dos sonhos freudiana. Os poetas e, mais tarde, os pintores faziam experiências com o automatismo – uma maneira de criar sem o controle consciente – para despertar o imaginário inconsciente. O Surrealismo, que implica ir além do realismo, buscava deliberadamente o bizarro e o irracional para expressar verdades ocultas, inalcançáveis por meio da lógica.

O movimento tomou duas formas: alguns, como Joan Miró e Max Ernst, praticavam a arte improvisada, distanciando-se o mais possível do controle consciente; outros, como Salvador Dali e Magritte, usavam técnicas realistas para apresentar cenas alucinatórias que desafiavam o senso comum.

Segundo Breton, há dois métodos propriamente surrealistas: o automatismo rítmico (pelo qual se pintava seguindo o impulso gráfico) e o automatismo simbólico (a fixação das imagens oníricas ou subconscientes de maneira natural). De acordo com isso, surgiram grupos diferentes de pintores: Miró, Hans Arp e André Masson, por exemplo, representaram o surrealismo orgânico ou automatista, enquanto Dalí, Magritte, Chagall e Marx Ernst, entre outros, desenvolveram o surrealismo simbólico.Os surrealistas não representaram subjetivamente a realidade, pelo contrário, tentaram objetivar seu mundo interno, como demonstram suas obras.Na América Latina, esse tipo de representação encontrou eco principalmente entre pintores do porte de Frida Kahlo e Wilfredo Lam, entre outros. Sua pintura estava impregnada desse aspecto telúrico e quase ingênuo que tanto interesse despertara nos surrealistas europeus, apesar de não lhe faltar características expressionistas.

Pop Art


Pop Art é uma abreviação do termo inglês “popular art “( arte popular ). Não significa arte feita pelo povo, mas produzida para o consumo de massa. Esta arte nasceu na Inglaterra no início dos anos 50 , não nos Estados Unidos como se imagina. Posteriormente Andy Warhol foi um dos maiores representantes nos Estados Unidos. No Brasil em 1967, na Bienal, os pop artistas dominaram a representação dos EUA . Não se tornou popular e nem chegou a atingir a massa urbana, ficando restrita a colecionadores, frequentadores, galerias e museus na época. A obra de Andy Warhol esteve no Brasil na 23ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1996.

Pop Art é o nome que se deu à tendência artística que usa objetos e assuntos comuns como latas, sanduíches, tiras de história em quadrinhos, anúncios, embalagens, cenas de TV, como fontes de inspiração e que foram fisicamente incorporados ao trabalho. Utilizando imagens da sociedade de consumo e na cultura popular, empregando ilustrações cotidianas e não artísticas necessariamente, os artistas da Pop Art transgridem o sentido do fazer arte de maneira manual.

Eles se utilizam de novos materiais, misturando fotografia, pintura, colagem, escultura, assemblage ( colagem em 3 dimensões ). Colagens e repetições de imagens em série são características das obras e os temas são os símbolos e os produtos industriais dirigidos às massas urbanas: tampinhas de garrafa, pregos, automóveis, enlatados, os ídolos de cinema e da música, produtos descartáveis, fast food. O que interessa são as imagens, o ambiente, a vida que a tecnologia industrial criou nos grandes centros urbanos.

Projeto Artes Visuais na Educação Infantil
Extraído do PPD – Projetos Pedagógicos Dinâmicos

Como o mundo é repleto de significados e cheio de descobertas, nesta fase da infância! O ensino de Arte aborda uma série de significações, tais como: o senso estético, a sensibilidade e a criatividade.

A criança na educação infantil, se encontra em fase de pensamento concreto e faz largo uso de seus sentidos para enriquecer suas experiências. Nesta fase, as atividades artísticas fornecerão ricas oportunidades para o seu desenvolvimento, uma vez que, põem ao seu alcance os mais diversos tipos de material para manipulação.

Quando as habilidades infantis são estimuladas, ajudam no processo de aprendizagem, pois desenvolvem a percepção e a imaginação – recursos indispensáveis para a compreensão de outras áreas do conhecimento humano. Estabelecendo, sempre, um diálogo entre todos os participantes da turma – que é uma questão fundamental para que haja uma comunicação ampla – que será ampliado, desenvolvido, trabalhado, estimulado, aprimorado e praticado com constância para que a criança tenha o máximo desempenho de sua capacidade cognitiva.

A professora da rede pública paulista Regina Velasco Estrela desenvolveu um projeto de artes visuais com seus alunos de educação infantil e compartilhou conosco sua experiência positiva dando-nos dicas de atividades. Confira:


01- DESENHO COM FOLHA DE PLANTA:
Desenhar com giz de cera usando folhas de diversas formas e tamanhos.


02 – DESENHO ESPELHO:
Oriente os alunos a dobrar a folha de papel ofício ao meio e pingar cola colorida na dobra – tornar a dobrar a folha e aparecerá uma surpresa.


03 – BOLINHAS DE SABÃO:
Material Necessário: anilinas, detergente incolor, canudos, papel ofício e copos descartáveis.

Procedimento: Coloque um pouco de detergente com algumas gotas de anilina no copo ( cada copo com uma cor diferente ) – os alunos deverão molhar o canudo nos copos e soprar fazendo bolinhas de sabão no papel oficio.

OBS: Uma técnica que surte efeito muito bonito mas é necessário que o professor tenha muita atenção para que as crianças não engulam o detergente


04- DESENHO MÁGICO:
Desenhar no papel usando apenas giz de cera branco, em seguida, com pincel passe tinta guache em toda folha. As crianças adoram a surpresa!


05 – DESENHO LIVRE BRANCO NO PRETO:

Material Necessário: papel cartão preto, giz de cera branco e creme dental branco.

Procedimento: Desenhar livremente no papel cartão usando o giz e o creme dental.


06 – TEXTURA, FORMA E COR:

Colagem de areia colorida em quadrados, triângulos e círculos.


07 – PAPEL ÚMIDO:

Molhar a folha com algodão e pintar em seguida com tinta guache


A criança trabalha com as mãos, aprendendo e apreendendo o mundo; vê através delas, manipulando e modificando, destruindo e construindo, observando, mas sobretudo criando. Através das atividades lúdicas a criança consegue se exprimir; entretanto, também se torna necessário mostrar-lhe alternativas, perspectivas e concepções: a Arte como co-autora da nossa sociedade – ampliando, assim, sua visão de possibilidades, na experiência entre o real e o imaginário, do comparativo e do demonstrativo da realidade humana.

Compete ao professor a estimulação da criança, em todos os sentidos visuais e perceptivos, pois sua sensibilidade e criatividade serão privilegiadas.

Outras idéias: Pintar com os dedos, com esponjas, com escova de dente, com giz de lousa molhado no leite, desenhar na lixa, desenhar com hidrocor sobre papel camurça.

Campos dos Goytacazes (RJ) abre 573 vagas na área de educação
Do G1, em São Paulo

Os salários vão de R$ 889,64 a R$ 1.368,69.
São 12 cargos que exigem nível médio e superior.

A Secretaria Municipal de Educação de Campos dos Goytacazes (RJ) abriu concurso para 573 vagas. Os salários vão de R$ 889,64 a R$ 1.368,69.

As inscrições podem ser feitas pela internet, no site da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência ligada à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Funrio), até às 23h59 do dia 18 de março, ou no posto de inscrição do Liceu de Humanidades de Campos, na Praça Barão do Rio Branco, nº 15, Centro de Campos dos Goytacazes, até dia 18, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. As taxas são de R$ 45 para cargos de nível médio e de R$ 60 para cargos de nível superior.

A prova objetiva será no dia 20 de abril. O candidato inscrito no posto de atendimento deverá retirar o cartão de informação no mesmo local de inscrição no período de 14 a 16 de abril, das 9h às 17h. Todos os candidatos inscritos poderão também imprimir o cartão de informação, a partir do dia 14 de abril, no endereço eletrônico da Funrio. No cartão será informado o local da prova.

Veja lista de cargos:

Auxiliar de Secretaria
Professor II (Educação Infantil – creche)
Professor II (Educação Infantil – Escola e Professor de Ensino Fundamental – 1º segmento)

Educação – Portfólio

Um pouco de história

Extraído do Blogfolios


Tradicionalmente, os arquitectos, artistas e modelos usam os portefólios para apresentarem amostras do seu trabalho ou para demonstrar as suas capacidades a potenciais empregadores. Para estes profissionais, os portefólios constituem um registo e uma demonstração dos objectivos alcançados e dos atributos profissionais desenvolvidos ao longo do tempo e em colaboração com outros (Winsor, 1998).
Ao ser importado para o campo educativo o conceito de portefólio sofreu profundas alterações.
A aplicação deste conceito nos contextos de ensino, mais concretamente na avaliação do desempenho dos professores teve o seu início no Canadá, na década de 70, onde era designado por “teaching dossier”. Contudo, a origem do “portfolio movement” viria a localizar-se nos Estados Unidos, no início da década de 90, sendo de destacar, para tal, os trabalhos pioneiros desenvolvidos por Lee Shulman e os seus colegas no Teacher Assessment Project (TAP), do Institute for Research on Teaching, Michigan State University. Deste trabalho resultou um dos primeiros texto publicados sobre o tema, “The scholteacher’s portfolio: an essay on possibilities”, de Tom Bird, que se tornou, em 1990,num capítulo do livro “The new handbook of teacher evaluation: assessing elementary and secundary school teachers” editado por Millman & Darling-Hammond (Shulman, 1998). Com a curiosidade de ser uma apresentação teórica do portefólio num momento que, na prática, ainda muito pouco estava feito.
Desde esse momemto, sobretudo nos países anglo-saxónicos e com natural relevância para os Estados Unidos, onde foram considerados pela Association for Supervision and Curriculum como uma das três metodologias de topo, actualmente em uso no país os portefólios têm vindo a ganharam um lugar de destaque em âmbitos tão diversificados como, por exemplo:
· a avaliação da aprendizagem dos alunos (neste momento, existem estados nos Estados Unidos em que o portefólio constitui um instrumento de avaliação da totalidade dos alunos);
· a avaliação de professores em formação e certificação de professores já formados ( a americana National Board for Professional Teaching Standards, criada para melhorar a qualidade da certificação de professores a nível nacional, faz depender essa certificação da apresentação de um portefólio);
· a avaliação dos professores universitários (segundo Rodriguez-Farrar, em 1998 eram mais de 400 as instituições que nos Estados Unidos usavam os portefólios para a avaliação do desempenho dos seus docentes);
· como forma especial de Curriculum vitae, demonstrativo de determinadas competências e capacidades para determinado emprego ou função (Nunes, 2000) (nos Estados Unidos os professores são responsáveis pela procura da sua própria colocação, passando muitas vezes por entrevistas nas escolas onde pretendem ser colocados).
Em Portugal, estamos ainda a dar os primeiros passos no que a esta estratégia de investigação-acção-formação se refere. Como nos diz Sá-Chaves (2000), “têm vindo a ser desenvolvidos esforços no sentido de uma melhor compreensão das implicações positivas que possam decorrer da sua utilização como estratégia de formação, de investigação, de avaliação e ainda como estratégia de investigação ao serviço da qualidade da formação”.

O que é o portefólio do professor?


Em resposta à Filipa Xavier, podemos dizer que o portefólio do professor é uma colecção razoavelmente pequena e criteriosamente organizada de materiais e recursos produzidos pelo professor ou em colaboração com outros, que sejam representativos:
do seu trabalho;
do seu estatuto profissional;
da sua competência pedagógica;
do seu conhecimento dos conteúdos que lecciona; de outros atributos pessoais e profissionais que contribuem para o tornar um professor único;
Com espaço para a reflexão e auto-avaliação;
Organizado numa pasta ou dossiê ou em suporte digital.

O que é que transforma um conjunto de artefactos num portefólio?
Reflexividade (para conhecer, actuar, mudar, melhorar);
Implicação pessoal (o portefólio leva uma pessoa dentro);
Continuidade (construído e reconstruído ao longo do tempo, “longa carta” que o professor envia a si próprio);
Partilha (colegas, alunos, outros).

O que é o portefólio do aluno?

De acordo com Valadares e Graça (1998), o portefólio do aluno pode ser entendido como uma colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos produzidos pelo aluno ao longo de um período de tempo, de forma a poder proporcionar uma visão tão alargada quanto possível do seu desenvolvimento (cognitivo, metacognitivo e afectivo). Para a National Education Association, EUA (1993), corresponde a um registo da aprendizagem baseado no trabalho do aluno e na sua reflexão sobre esse trabalho.
Daqui sobressaem as características mais marcantes desta metodologia:

· Uma colecção de trabalhos; Quer a selecção de trabalhos seja da responsabilidade do aluno, quer seja determinada pelo professor ou quer resulte de decisões negociadas entre ambos, a colecção de trabalhos resultante deve revestir-se sempre de um carácter representativo, opondo-se claramente a recolhas sistemáticas e exaustivas do trabalho desenvolvido pelo aluno;

· Criada com um propósito; Promover o desenvolvimento de competências gerais, competências específicas, constituir um elemento de avaliação dos progressos do aluno numa ou em várias disciplinas, etc.

· Com espaço para a reflexão e auto-avaliação do aluno; A “pedra de toque” do portefólio. O que o transforma num “potente” instrumento de aprendizagem e desenvolvimento.

Retomando a ideia de que o portefólio é uma pasta com gente dentro, o portefólio do aluno pode ser entendido como um roteiro dos percursos pessoais de crescimento, desenvolvimento e aprendizagem do aluno, da pessoa a que pertence. É um diário educativo ou autobiografia do aprendente em que o mesmo de deve encontrar profundamente implicado (Nunes, 2000).

O formato conta?

É claro para todos que o mais importante num portefólio é o seu conteúdo, o que diz sobre a pessoa que está lá dentro! Agora, não é menos verdade que “os olhos também comem” e o modo como nos apresentamos perante os outros, sobretudo em contextos de avaliação, não só é importante como pode fazer toda a diferença. E se o fizermos com um toque pessoal de originalidade e inovação, tanto melhor.
Portanto, penso que a melhor solução para a questão é simplesmente dar total liberdade ao aluno para apresentar o portefólio no formato que preferir. Só assim podem surgir apresentações que nos surpreendam.
Sempre que damos alguma orientação quanto à forma do portefólio ou apresentamos exemplos, a esmagadora maioria dos alunos irá cair na tentação de apresentar algo semelhante ao que mostrámos.

Todas as possibilidades são válidas. Para além dos dossiês, podem surgir os diários ou jornais, os posters e cartazes, as apresentações em PowerPoint ou “Flash”, as páginas web (Webfólios!), os filmes, os documentários ou as encenações teatrais, até as caixas de sapatos (no caso dos miúdos!). O limite é mesmo a imaginação!

Cuidados a ter!

Alguns dos cuidados a ter na hora de optar pelo desenvolvimento de um portefólio. Uma implementação precipitada, pouco reflectida ou desajustada às necessidades e característica dos nossos alunos pode comprometer o processo e levar à desmotivação, mau uso e até mesmo ao abandono da metodologia.
Assim, devemos dar especial atenção aos seguintes aspectos:

· Definir o nosso quadro conceptual de referência. A visão pessoal que temos da educação. O modo como encaramos o ensino e a aprendizagem, o papel que reservamos para o professor e para o aluno nesse processo. Estes posicionamentos e as características pessoais de cada um de nós são determinantes para o tipo de portefólio que vamos desenvolver e para a profundidade com que o faremos.

· Começar lentamente. Ser ambicioso, mas não no curto prazo. Utilizar a “estratégia da sopa de pedra”: começar a sopa com uma pedra e água – começar o portefólio com alguns objectivos e metas – e ir juntando os ingredientes aos poucos, ou seja, aumentar a complexidade, lenta e progressivamente, à medida que dominamos as variáveis já em jogo. Se chegarmos e pedirmos logo “a sopa completa” é meio caminho andado para gerar confusão e desmotivação nos nossos alunos.

· Ganhar aceitação. Através de um adequado processo de esclarecimento, formação e negociação. Ganhar a aceitação dos alunos que por vezes demoram a perceber as particularidades da metodologia que lhes exige novas formas de estar, pensar e actuar e contrárias à postura estática em relação à aprendizagem que foram habituados a adoptar. Ganhar aceitação dos colegas eventualmente envolvidos e dos pais e encarregados de educação.

· Incentivar o sentido de pertença. Os alunos devem conhecer as virtudes e os defeitos ou dificuldades de metodologia e sentirem-se parte interessada no processo de desenvolvimento do portefólio.

· Clarificar os objectivos e a organização. Como é que o portefólio será usado (Porquê? Para quê? Como? Quando?). Como vai servir a avaliação e a classificação. Qual a estrutura (obrigatória, recomendada ou flexível) e os respectivos critérios de avaliação (se for caso disso).

· Utilizar exemplos. Dada a novidade associada aos portefólios o recurso a exemplos pode constituir uma importante ajuda. É preciso ter sempre em atenção que estes exemplos não devem funcionar como modelos a copiar e seguir, mas sim como referências a adaptar às nossas necessidades concretas. Como tal, devemos revestir-nos da coragem necessária para, sozinhos ou em colaboração com outros, sermos investigadores e construtores autónomos da nossa prática e dos instrumentos a ela ligados.

· Ser realista. Pelo que tenho vindo a referir, o portefólio pode chegar a ser uma poderosa metodologia, integral e integradora de todas as restantes metodologias utilizadas. Pode mesmo chegar a ser o fio condutor de toda a nossa prática lectiva. Mas, antes disso, não deixa de ser mais uma estratégia para articular com as restantes, também elas importantes, uma vez que a diversidade de experiências educativas será sempre fundamental para a riqueza do ensino.

· Ser reflexivo. A implementação desta estratégia é sempre um processo inacabado. Devemos reflectir continuamente sobre o impacto que o portefólio está a ter na nossa prática a na aprendizagem dos nossos alunos e ajustar, modificar, introduzir alterações ou novidades de modo a tirar o melhor partido da metodologia.

Ciclo de revisão do portefólio

Devemos ter em conta que as etapas apresentadas são sequenciais e algumas são mesmo simultâneas – como a colecção, organização e reflexão – e com o processo em andamento constituem um ciclo em que, tal como mostra o esquema, uma vez concluída a sequência, voltamos ao início, saltando as fases da planificação (a não ser que desejemos introduzir alterações ou novidades) e da apresentação, recomeçando o ciclo na fase da colecção.

Etapas do portefólio

Tendo em conta várias propostas da bibliografia e a minha própria experiência, considero que, de modo a garantir uma implementação cuidada e harmoniosa, devem ser respeitadas, pelo menos, as seguintes etapas:

Planificação. Envolve sobretudo o professor, mas também os alunos que podem (e devem) ser chamados a dar o seu contributo para a implementação da metodologia.

Apresentação aos alunos. Clarificação dos objectivos do portefólio. Pode ser feita uma apresentação oral da metodologia. Por exemplo, partindo do que os alunos já sabem sobre o termo “portefólio”. Estes, podem nem sequer o conhecer, como podem já ter conhecimento da sua aplicação no campo das artes (pintura, fotografia, arquitectura, etc.) podendo esta aplicação constituir um ponto de partida para a introdução, estabelecendo as semelhanças e diferenças entre este portefólio (conjunto dos melhores trabalhos do artista) e o portefólio do aluno (muito mais de que um conjunto de trabalhos e não necessariamente os melhores). Os alunos podem demorar a interiorizar os princípios da metodologia pelo que é aconselhável o fornecimento simultâneo de uma ficha ou brochura de consulta com as principais orientações.

Colecção. Recolha dos trabalhos. A recolha de evidências para o portefólio pode resultar do normal desenrolar das actividades lectivas. Ou seja, não tem que haver necessariamente um acréscimo de trabalho por parte dos alunos nesta fase. Se já fazemos assentar a nossa prática regular numa confortável diversidade de estratégias e metodologias não teremos dificuldade em ficar satisfeitos com a riqueza de evidências apresentada nos portefólios. Se ainda não o fazemos, poderemos vir a sentir a necessidade de desenvolver novos trabalhos e actividades que ajudem os nossos alunos a demonstrar as suas competências.

Organização. As diferentes evidências devem estar organizadas na pasta ou dossiê de modo a permitir um fácil acesso e consulta. Tal organização pode ser deixada ao critério dos alunos, partir de sugestões nossas ou, como sempre, ser um processo negociado.

Reflexão. A mais importante etapa do processo. Pode ocorrer em vários momentos. Por exemplo, sempre que é adicionada um novo trabalho ou sempre que o portefólio é revisto. Nesta etapa o aluno reflecte sobre cada uma das evidências que seleccionou para o seu portefólio, decide quais são as mais representativas dos seus progressos, das suas capacidades e competências, e que, como tal devem permanecer no portefólio enquanto outras devem sair. Esta reflexão pode ser auxiliada por fichas desenvolvidas para o efeito.

Avaliação. Etapa em que o professor e o aluno se encontram para discutir a avaliação do portefólio. O aluno faz a sua auto-avaliação, que deve também ser escrita, transmite essa percepção que tem do seu trabalho ao professor e este fará chegar ao aluno um feedback – de preferência também escrito – da avaliação que faz do seu trabalho. Cada aluno pode também ser incentivado a solicitar uma co-avaliação por parte de um colega.

Divulgação. Sempre que possível, numa fase mais avançada do processo, deve ser promovida uma apresentação oral do portefólio. Regra geral, os nossos alunos vão desenvolver em relação ao seu portefólio um sentimento de orgulho pelo trabalho desenvolvido pelo que se sentirão motivados para fazer a sua apresentação perante os colegas, professores ou até mesmo os pais, se estes forem convidados a assistir.

Recomendo ler o artigo da professora Dynéia Hypollito sobre “O uso do portfolio a reflexão e a avaliação”, publicado na Revista Integraçao – USJT.

Assista também, parte da entrevista concedida pela Prof.ª Dinéia Hypolitto à CINETVNET sobre portfólio.

Portfólio – Utilização na Educação
Extraído do blog Informática e Educação

Definições:

Um portfolio é uma lista de trabalhos de um profissional ou empresa.

Portfólio – Documento formal que apresenta as experiências de aprendizagem fora da escola, sendo utilizado para solicitar reconhecimento académico da aprendizagem experimental. (JCPaiva.net)

Portfólios são espaços de trabalho onde os estudantes coletam e organizam os objetos representativos dos conhecimentos adquiridos durante a elaboração de seus projetos, como documentos, diagramas, anotações, imagens, etc. Os portfólios têm como objetivo manter as evidências da habilidade individual, das idéias, interesses e acompanhamentos de um estudante ao longo de sua atividade de aprendizagem e podem ser usados coo base de um processo de avaliação autêntica (Sistêlos, Schiel e Domínguez). (Projeto AgP)


Utilização

A idéia de se utilizar portólios como forma de aprimorar (ou auxiliar) a performance do estudante está sendo usada de diversas maneiras:

*como ferramenta para comunicar o que o aluno sabe e pode fazer, uma “exibição”;
*como suporte eletrônico para uma forma alternativa de avaliação;
*como uma ferramenta para avaliar a formação do professor;
*como uma biblioteca de conteúdos científicos;
*como uma ferramenta para investigação reflexiva dos alunos.

Na aprendizagem

Os portfólios são laboratórios nos quais os estudantes constroem significado a partir de sua experiência acumulada. É um resumo analógico ou digital da trajetória de aprendizagem. A maioria das escolas faz memória e não portfólio. Para distinguir uma da outra basta verificar quem montou o portfólio: a professora ou o aluno? Ou ainda: todos os portfólios seguem o mesmo modelo? O portfólio é propriedade do aprendiz e portanto, é ele quem estrutura a sua apresentação. É individual. O aluno mostra a sua própria voz. (Miriam Salles)

Os portfólios permitem ainda, ser enriquecidos com documentos pessoais, material resultante de pesquisa, referências fundamentadas de participação (conferências, colóquios, simpósios, etc.) que demonstrem a autonomia do aluno e criatividade dos alunos.

Percurso de aprendizagem que os portfólios permitem:

Avaliação

O portfolio é mais um elemento de avaliação do progresso. Serve para refletir e perceber que tipo de trabalho se desenvolve, quais as dificuldades, em que situações se aprende melhor, quais as áreas de interesse, como é que se faz a auto-avaliação do trabalho. Funcionando como avaliação diagnóstica e formativa .


Portfólios Eletrônicos

Os portfólios eletrônicos são coleções selecionadas de trabalho estudantil disponibilizadas através de uma página Web pessoal. Como estamos lidando com uma geração digital, não é surpresa para mim que este meio on-line capte o interesse dos estudantes de uma forma que a velha versão no disco rígido nunca capturou. Uma vez que comecei a implementar os portfolios eletrônicos até os alunos pouco inspirados começaram a pedir mais tempo para trabalharem em seus portfólios. Aparentemente, tem algo de sedutor saber que teu trabalho pode ser visto pelas pessoas em todo o mundo!
(Microsoft)

Vantagens Eletrônicas

Mesmo além de seu poder de motivação, os portfolios eletrônicos baseados na Internet oferecem inúmeras vantagens, se comparados com a contraparte, ou seja, as pastas de papel:

•Não se perdem ou extraviam.
•São fáceis de acessar desde qualquer lugar.
•São uma forma de armazenagem de baixo custo para o material de ensino em uma variedade de formas, incluindo áudio, vídeo, gráficos e textos.
•Conectam os estudantes a uma base de dados de um grupo maior de pessoas.
•São fáceis de atualizar e otimizar durante vários períodos letivos.
•Através de hiperlinks, oferecem uma forma pouco complicada de aprender através de consultas e comparações entre trabalhos do mesmo grupo. (Microsoft)

Ferramentas para os portfólios digitais:

As mais indicadas são as de autoria.

* editores de texto
* bases de dados
* powerPoint
* editores de imagens
* editores de vídeos
* editores de hml
* wiki
* blogs

Datas comemorativas – Dia Internacional da Mulher

Para votar você deve proceder da seguinte maneira:

1- Clique na figura ao lado e o link o levará ao Prêmio iBEST
2- Em seguida você terá que se cadastrar preenchendo com seu e-mail e senha o “cadastre-se aqui”
3- Aguarde a confirmação do seu cadastro em seu e-mail.
4- Ao receber a confirmação verifique a senha que lhe foi enviada e em seguida valide seu cadastro no
“ATENÇÃO! É necessária a validação do cadastro antes de poder utilizar o Prêmio iBest. Para validar, clique aqui.”
5- Você será levada novamente para a página do Prêmio iBEST.
6- Você deverá se logar colocando seu e-mail e a senha enviada pelo iBEST
Agora você já pode votar.
É só procurar na caixa de busca pelo Educar Já e votar colocando na janela que se abrirá, as letras indicadas, e dar o seu ok!

Tema da blogagem coletiva: “Pela valorização da Mulher brasileira”

Quem propôs: Meire e a Lys

Ocorre: Sábado, 8 de março de 2008.

Como participar: O objetivo principal dessa coletiva é resgatar o sentido de luta do dia 8 de março para as mulheres. Nesse dia redija um post que discuta as questões femininas e tambem a necessidade da valorizacao da mulher
como ser humano, em especifico a mulher brasileira. Idéias de abordagem podem ser encontradas em “Pela valorização da mulher brasileira” no Universo Desconexo.
Essa é uma campanha pelas mulheres e não esta ligada a nenhum movimento especifico portanto, é importante entender os problemas da mulher com amor e trazer solucões em formas de acões diretas que a sociedade e o governo deveriam tomar para melhorar a condição feminina dentro de nosso país e nossa sociedade.
Colabore, as mulheres brasileiras precisam de você!!

08 de Março – Dia Internacional da Mulher
Luiz Affonso
Mulher: lutas, conquistas e sensibilidade

Negras, brancas ou amarelas, católicas ou mulçumanas, jovens ou idosas, não importa.
O 08 de Março, Dia Internacional da Mulher, simboliza todo o poder feminino no mundo.

Não se pode negar que as conquistas femininas avançaram muito nos últimos anos. O panorama atual se difere substancialmente do que o de há algumas (e poucas) décadas.

As mulheres que vieram depois de 1945 passaram por um “boom” de transformações. Na verdade, acho que fomos quase que cobaias. A começar pela bomba atômica, pelo pós-guerra. Depois veio a pílula, o movimento feminista, a educação sem limites para os filhos, as drogas, a produção independente, hormônios…

Quase 150 anos separam o data de hoje do dia em que 129 operárias morreram em uma greve nos EUA. A história do Dia Internacional da Mulher tem seu começo. Em 8 de março de 1857, patrões e policiais colocaram fogo na fábrica têxtil onde as mulheres estavam trancadas, após protestarem contra a jornada de trabalho de 16 horas e por melhores salários. Muita coisa mudou desde então, mas ainda há muito por fazer.

As primeiras articulações de um movimento feminista começaram logo após a Revolução Francesa. Os principais objetivos eram o direito ao voto e à educação. No Brasil, até 1879, as mulheres eram proibidas de freqüentar cursos de nível superior e, durante boa parte do século 19, só poderiam ter educação fundamental. Mesmo com a legislação que permitia a instrução feminina, as mulheres tinham o acesso dificultado.

Aos poucos, as conquistas vão acontecendo. A passos de formiga, mas vão. Toda a crise no Oriente Médio, por exemplo, trouxe – embora, de forma trágica – significativas mudanças. A libertação ocorreu em diversos níveis e, dentre eles, o da mulher. Somente o fato de questionar todos os conceitos pré-estabelecidos e, muitas vezes, prejudiciais, já é uma forma de evolução.

Hoje, muitos homens já reconhecem esta força feminina, tanto que, muitos deles, buscam neste equilíbrio da emoção e criatividade (características, muitas vezes, somente da mulher) artifícios para a busca de seus objetivos. “Já cheguei a dar palestras para cerca de 3 mil homens, numa sala onde haviam apenas três mulheres”, revela Mônica Buonfiglio, uma estudiosa de assuntos esotéricos e espiritualistas. Mônica encara esta mudança como uma porta de entrada para o avanço de ambos os sexos.

As mudanças foram absorvidas de tal forma que muitas pessoas acreditam que a mulher já conquistou a ambicionada “igualdade”. Porém, novas e antigas formas de preconceito e violência persistem. Enquanto isso, a mulher, com seu poder descomunal, continua abrindo fronteiras, assumindo espaços e gritando por seus direitos. Com uma parte da guerra vencida, o feminino encara cada ano como uma nova batalha.

Algum benefício na guerra
Terrores à parte, a a guerra serviu como um grande empurrão para a emancipação feminina. Por causa da falta de homens, que eram obrigados a ir para o front, mais mulheres entraram para o mercado de trabalho.

Desde a Revolução Industrial, mulheres vinham ocupando postos em fábricas, além de exercer as profissões tipicamente femininas, como enfermagem e serviços domésticos. Os salários, entretanto, tinham diferenças brutais. As distorções permanecem, mas menos severas.

O batalhado direito ao voto
O direito a escolher os próprios governantes mobilizou mulheres de todo o mundo durante boa parte da primeira metade do século 20. No Brasil, essa conquista aconteceu em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas.


A Nova Zelândia foi o primeiro país a permitir o voto feminino, em 1893. Na França, apesar de “igualdade” estar entre os lemas da Revolução Francesa, a mulher só conseguiu votar a partir de 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

A liberação sexual
Nos anos 50, o feminismo ganhou um novo aspecto: a contrução da identidade feminina e a liberação sexual. Em 1949, a escritora Simone de Beauvoir publicou O Segundo Sexo, que demolia o mito da “natureza feminina” e negava a existência de um “destino biológico feminino”. Para a companheira de Jean-Paul Sartre, “a feminilidade não é uma essência nem uma natureza: é uma situação criada pelas civilazações a partir de certos dados fisiológicos”.

O livro causou impacto imediato e provocou críticas não só dos conservadores – devido principalmente aos capítulos dedicados à sexualidade feminina -, mas também da esquerda. Simone de Beauvoir foi acusada de desviar o foco da questão principal, a luta de classes.

Um novo impulso chegou nos anos 60, com a criação da pílula anticoncepcional. A revolução sexual acompanhava outros acontecimentos da época, como a guerra do Vietnã e a ascensão do movimento estudantil. Com a chegada da pílula, um dos pretextos para a repressão sexual feminina, a gravidez indesejada, não tinha mais porque existir. Depois de cerca de 40 anos de existência, a pílula é usada por cem milhões de mulheres em todo o mundo.

Outro sinal dos tempos viria em 1964, quando a inglesa Mary Quant escandalizou com uma saia dois palmos acima do joelho. O pedaço de pano de trinta centímetros rapidamente conquistou mulheres de todo o mundo e deu o impulso a novas musas, como a modelo Twiggy, que apesar de polêmicas eram mais simpáticas que as feministas clássicas, como Betty Friedman e Simone de Beauvoir. Em 1971, preenchendo a longa lista de tabus quebrados, a brasileira Leila Diniz apareceu de biquíni em uma praia carioca, exibindo uma grande barriga de gravidez.

Uma nova ordem familiar
Com o novo papel da mulher da sociedade, mudou também a estrutura familiar. As publicações e programas de televisão dirigidos ao público feminino se multiplicaram durante os anos 80, e a educação sexual começou a entrar nos currículos escolares.

Sem dependerem financeiramente do marido, as mulheres passaram a adiar o casamento. As taxas de fecundidade caíram, ligadas à presença cada vez maior no mercado de trabalho.

A Revolução feminina
Fatima Nazareth

A evolução e a conquista dos direitos da mulher nos dias de hoje, contrasta com o pensamento machista de séculos atrás, conforme frases de intelectuais, filósofos, apóstolos e teólogos da época

Uma das provas do avanço e da conquista dos direitos da mulher é conhecermos a história da sociedade machista que sempre oprimiu as mulheres, relegando-as à submissão e escravidão.

Atualmente, graças a luta incessante das mulheres e dos direitos alcançados nos dias de hoje, nos causa repugnação e indignação em saber como sofriam nossas ancestrais.

“Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai, ao se casar de seu marido, se este morrer, de seus filhos e se não os tiver, de seu soberano. Uma mulher nunca deve governar a si própria.” Leis de Manu (Livro Sagrado da Índia)

“A mulher que se negar ao dever conjugal deverá ser atirada ao rio.”
Constituição Nacional Suméria (civilização mesopotâmica, século XX A.C.)

“Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e, durante o período em que durar, é lícito a ele (ao marido) contrair novo matrimônio” Código de Hamurabi (Constituição Nacional da Babilônia, outorgada pelo rei Hamurábi, que a concebeu sob inspiração divina, século
XVII A.C.)

“A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe: Senhor, que desejais que eu faça?” Zaratustra (filósofo
persa, século VII A.C.)

“As mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos.” Péricles (político democrata ateniense, século V A.C., um dos mais brilhantes cidadãos da civilização grega)

“A mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo.” Confúcio (filósofo chinês, século V A.C.)

“A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior.”
Aristóteles (filósofo, guia intelectual e preceptor grego de Alexandre, o Grande, século IV A.C.)

“Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se querem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos.” São Paulo (apóstolo cristão, ano 67 D.C.)

“Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dai às mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las:
deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher.” Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos, escrito por Maomé no século VI, sob inspiração divina)

“Para a boa ordem da família humana, uns terão que ser governados por outros mais sábios que aqueles; daí a mulher, mais fraca quanto ao vigor da alma e força corporal, estar sujeita por natureza ao homem, em quem a
razão predomina.” São Tomás de Aquino (italiano, um dos maiores teólogos católicos da humanidade, século XIII)

“Inimiga da paz, fonte de inquietação, causa de brigas que destroem toda a tranqüilidade, a mulher é o próprio diabo.” Petrarca (poeta italiano do Renascimento, século XIV)

“O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia.” Lutero (teólogo alemão, reformador protestante, século XVI)

“As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios.” Henrique VII (rei da Inglaterra, chefe da Igreja Anglicana, século XVI)

“Enquanto houver homens sensatos sobre a terra, as mulheres letradas morrerão solteiras.” Jean-Jacques Rousseau (escritos francês, precursor do Romantismo, um dos mentores da Revolução Francesa, século XVIII)

“Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado.” Constituição Nacional Inglesa (lei do século XVIII)

“A mulher pode ser educada, mas sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes.” Friederich Hegel (filósofo e historiador alemão do século XIX)”

“Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar ousado.” Le Ménagier de Paris (Tratado de conduta moral e costumes da França, século XIV )

Anistia Internacional

A Anistia Internacional informou, no inicio de 2004, que a violência contra a mulher é “o desafio mais persistente à defesa dos direitos humanos de nossa era” e denunciou que o flagelo de estupros e da circuncisão feminina ainda afeta milhões de mulheres em todo o mundo.

Um dia depois da data escolhida pela ONU para marcar a Eliminação da Violência Contra a Mulher, a organização de defesa dos direitos humanos, com sede em londres, afirmou que a barbárie contra mulheres não tem fronteiras culturais, religiosas, políticas, sociais ou econômicas.

De acordo com a organização, 120 milhões de mulheres no mundo são submetidas todos os anos à dolorosa prática da circuncisão feminina – que consiste na retirada do clitóris, muitas vezes sem material cirúrgico próprio, anestesia ou condições apropriadas de higiente – a maioria delas em tribos na África, em nome de religião ou cultura.

Na África do Sul, adolescentes pertencem ao grupo de maior risco de estupro. Cinqüenta por cento de todos os assassinatos em Bangladesh são de mulheres – mortas por seus parceiros.

Em Ciudad Juárez, mais de 370 mulheres jovens e pobres – a mais nova delas com 11 anos – foram seqüestradas, torturadas brutalmente, estupradas e assassinadas, na região da fronteira com os EUA. A Anistia afirma que as autoridades não tomaram as medidas necessárias para investigar e lidar com o problema.

Apenas nos EUA, 700 mil mulheres são estupradas todos os anos. Na Grã-Bretanha, as autoridades recebem um pedido de ajuda de mulheres a cada minuto, devido à violência doméstica.

O grupo diz ainda que as mulheres não estão a salvo em tempos de guerra ou de paz. No Paquistão, centenas de mulheres são mortas por seus pais ou irmãos em nome da honra. Noivas são queimadas vivas na Índia por não conseguirem um dote considerado bom o suficiente.

Nós temos a força
Flávia Martinelli
Bolsa na mão e o mundo aos nossos pés. Soa lindo, não soa? E é verdade. Pesquisas confirmam, especialistas validam: cada vez que você compra algum produto, seja ele qual for, move uma engrenagem gigantesca. Tudo começa a partir de uma informação preciosa para os fabricantes: é a mulher quem compra ou decide o que será consumido em 80% dos casos. Das cuecas do marido ao carro da família, a palavra final é, praticamente, sempre nossa. Agora, o mais bacana disso tudo é ter consciência do que esse poder significa no cenário econômico. Até mesmo a comprinha mais simples e cotidiana passa a ganhar importância. E muito significado.


Indústrias e serviços querem e precisam agradar
às mulheres para lucrar

O banco do carro não rasga mais as suas meias nem os botões do painel quebram as suas unhas ou arruínam a manicure. Ou seja, a indústria, cada vez mais, presta atenção às exigências femininas. Produtos tradicionalmente masculinos estão se adaptando às nossas necessidades. Você já não precisa usar o aparelho de barbear para se depilar. Desenharam um só para você. “Sabemos que as mulheres compram furadeiras elétricas. Antes, nosso produto era totalmente voltado para os homens. Mas detectamos a mudança do perfil de consumo e desde os anos 90 estamos atentos”, afirma Luis Bressane, chefe de marketing do setor da indústria Bosch na América Latina. “Hoje, as furadeiras Skill têm punho ergonômico, que dá segurança na pegada da máquina.” Os executivos perceberam que nós já não esperamos mais maridão, irmão ou papai para furar parede.

Muitas mudanças nascem de reclamações ou sugestões femininas. A empresa que hoje não tiver um serviço de atendimento ao consumidor (SAC) corre um tremendo risco. Até meados da década de 80, as que dispunham de áreas específicas voltadas ao cliente não passavam de 20. Em 1995, já eram 2 mil serviços de atendimento e, no último levantamento, do ano 2000, mais de 5 mil novos SACs foram criados. Vale a pena ouvir quem compra. Quando uma indústria escuta e aproveita o que você fala, ganha clientes mais satisfeitas. E lucra muito mais.

Uma das gurus do marketing norte-americano e fundadora de uma consultoria que identifica novas oportunidades de negócios para empresas, Faith Popcorn, aconselha: “As mulheres querem uma marca que diga: “Fale o que você quer e vamos fazer disso nossa estratégia”".

A publicidade já reflete faz tempo a tendência identificada por Faith. Você se lembra da “mulher-propaganda de margarina”? Aquela dona de casa perfeita e sorridente que servia o café-da-manhã para a família e parecia existir em função do marido? Repare, ela se aposentou de vez dos comerciais e da vida. De rainhas do lar, as mulheres hoje são chefes de família. Aliás, segundo o último censo, de 2000, de cada quatro lares, um é chefiado por mulher. Hoje, o sabão em pó só não pendura a roupa para secar. Pudera, ele é usado por quem passa oito horas por dia no trabalho – caso de 44% das brasileiras.


Pesquisas mostram que o empenho das indústrias e serviços em responder às nossas necessidades – e assim vender aos montes – é, mais do que estratégia de marketing, questão de sobrevivência. Afinal, veja o alcance dos superpoderes femininos:
Escolhemos TODOS os produtos de higiene e limpeza usados pela família.
Decidimos em 95% dos casos as marcas dos alimentos consumidos em casa.
Dirigimos 45% dos carros em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas decidimos a compra de 80% dos automóveis; opinamos em tudo: do modelo à cor, especialmente a cor.
Respondemos por 60% do comércio pela internet.
Corretores de imóveis espertos sabem: o marido até pode assinar o cheque, mas é sempre a mulher quem escolhe onde a família vai morar.
Longe do universo doméstico também somos foco. As instituições financeiras assumiram sua porção mulher e sete entre dez campanhas são direcionadas a nós.
30% de todos os cartões de crédito são sacados de uma carteira feminina. Na faixa etária que vai dos 18 aos 30 anos, o índice sobe para 45%.
Impressiona constatar tudo isso, não é? E tem mais.

Se uma mulher sozinha é poderosa, imagine quando elas se unem…

Em 1983, um grupo de bancárias, profissionais liberais, diaristas, líderes comunitárias, coordenado pela professora mineira Lúcia Pacífico, se reuniu para conversar. Todas administradoras do orçamento de suas casas. Viviam na pele a crise que assolava o país. A inflação corria à solta e o salário sumia antes do fim do mês. Juntas, essas mulheres fizeram um levantamento de suas aflições. Falaram sobre a sensação de impotência diante dos abusos nos preços, debateram idéias, buscaram soluções. E assim foi criado o Movimento das Donas de Casa de Belo Horizonte.

Apesar de muitas terem carreira e trabalhar fora, o nome da entidade é muito adequado. “Quase toda mulher é dona de casa, mesmo que relute em assumir o fato – o que é uma bobagem. Quem escolhe o vai para a geladeira é dona de casa, independe da profissão que exerce”, diz Lúcia, a fundadora do movimento. Logo nas primeiras semanas, a organização agiu. “Fizemos um boicote à carne. O preço era abusivo. Foi uma linda vitória, substituímos a carne por outros produtos, deixamos de comprar e assim obrigamos os fornecedores da cidade a abaixar o preço”, lembra Lúcia.

Naquele mesmo 1983, a engenheira agrônoma Marilena Lazzarini assumia a diretoria da Fundação Procon de São Paulo. O país estava em processo de abertura democrática e ela era a primeira mulher a dirigir a entidade paulista. Em três anos no cargo, Marilena modernizou o órgão público, que passou a coletar denúncias de consumidores e alertar os empresários sobre a necessidade de mudar o relacionamento com consumidores. Em 1987, Marilena fundou, com um pequeno grupo de voluntários, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), uma associação independente de consumidores. A missão da entidade é representar associados em disputas sobre questões de alimentos, planos de saúde, medicamentos e serviços públicos. Quando ganham causas, abrem precedente e servem de exemplo.

Marilena, do Idec, e Lúcia, do Movimento das Donas de Casa, sempre lutaram pela criação do Código de Defesa do Consumidor. Em 1991, ambas foram consultoras e participaram na elaboração de nossas leis de defesa do consumidor, consideradas as melhores do mundo. Nesses dez anos, muito mudou.

Informar data de validade e composição de produtos de alimentos, por exemplo, ficou obrigatório. E mais, prometeu tem que cumprir. O produto tem que fazer o que está anunciado, sempre em letras bem legíveis, na embalagem. Se houver reclamação do consumidor, é o fornecedor que tem que se explicar. A população também descobriu a utilidade de cobrar e ficou menos passiva. Na outra ponta, empresas, fornecedores e prestadores de serviços foram obrigados a obedecer às regras.


As organizações de consumidores se fortaleceram e multiplicaram. Hoje, o Movimento das Donas de Casa tem representantes em 14 Estados. De tanto os homens reivindicarem participação, desde 1994 a entidade acrescentou ao nome um lugar para o sexo forte. Virou Confederação Nacional das Donas de Casa e Consumidores. “Os rapazes estão muito ligados”, observa Lúcia. O grupo de 5 mil associados já conseguiu, a custa de boicote, a adoção de normas no uso de hormônios para engorda do gado. Eles são especialistas em botar a boca no trombone e conscientizar a população em passeatas contra os aumentos de tarifas públicas e abuso na cobrança das taxas de juro. A confederação organiza listas comparativas de preços e sempre leva denúncias à imprensa. Atualmente, Lúcia Pacífico é vereadora em Belo Horizonte, única cidade que obriga os supermercados a ter gôndolas exclusivas para alimentos transgênicos. “Somos formiguinhas com força de elefante.”

“A mulher tem mais facilidade para reclamar que o homem, tem mais argumento, conhece, compara, é mais solta”, diz Marilena, do Idec, que acaba de completar 15 anos de vitórias. Entre elas, a restituição de cerca de 8 milhões de reais referentes às perdas da poupança no Plano Verão, de 1989, e ações na Justiça em nome de dez mulheres carentes que tomaram as “pílulas de farinha”, aqueles anticoncepcionais de mentirinha. Como conseqüência dos testes e avaliações de produtos feitos pelo Idec, muitas normas de fabricação são aperfeiçoadas e produtos ganham qualidade. Aconteceu com camisinhas, berços, playgrounds, chupetas, fogões, materiais elétricos e dezenas de alimentos industrializados. Toda vez que o Idec testa ou contesta, todo mundo ganha.

O jogo da bolsa

Em resumo, quando tiramos da nossa bolsa o nosso suado dinheirinho para fazer uma compra, mesmo a mais simples e cotidiana, tomamos uma decisão que transborda da sacola de compras. Não importa o quanto você gaste, é enorme a engrenagem que você, e todos os consumidores, põem em ação. E é a sua inteligência que sofistica o movimento dessa máquina gigante e pode mudar as regras da corrida pelo lucro.

Já existe uma tendência identificada em todo o mundo: a solidez de uma empresa estáassociada à sua postura ética. Em um futuro bem próximo, veremos um novo valor pesando na balança da decisão. Além de o produto atender às necessidades do consumidor, deve ser de “boa família” para ser escolhido. A responsabilidade social do fabricante é o tal valor que desempatará a decisão entre dois produtos de qualidade igual.
Um belo dia, não tão distante, em troca da nossa preferência, estaremos exigindo – além de produto honesto e adequado às nossas necessidades – a preocupação do fabricante em preservar o meio ambiente, sua participação em campanhas humanitárias e outros investimentos no bem-estar comum.

Ora, se temos o poder de decisão de tudo, tudo, o que se compra, nós, mulheres, temos a opção de protagonizar nada mais, nada menos do que uma nova revolução. Uma revolução através do consumo. Se a regra do jogo é criar desejos, está aí um bem a ser desejado.

A origem do mito da greve de 1857
Vito Giannotti


O que estamos acostumados a ler nos boletins de convocação do Dia da Mulher é a história de uma greve, que aconteceu em Nova Iorque, em 1857, na qual 129 operárias morreram depois de os patrões terem incendiado a fábrica ocupada.

A primeira menção a essa greve, sem nenhum dos detalhes que serão acrescentados posteriormente, aparece no jornal do Partido Comunista Francês, na véspera do 8 de Março de 1955. Mas onde se dá a fixação da data do 8 de março, devido a esta greve, é numa publicação, que apareceu em Berlim, na então República Democrática Alemã, da Federação Internacional Democrática das Mulheres. O boletim é de 1966.

O artigo fala rapidamente, em três linhas, do incêndio que teria ocorrido em 8 de março de 1857 e depois diz que em 1910, durante a 2ª Conferência da Mulher Socialista, a dirigente do Partido Socialdemocrata Alemão, Clara Zetkin, em lembrança à data da greve das tecelãs americanas, 53 anos antes, teria proposto o 8 de Março como data do Dia Internacional da Mulher.

A confusão feita pelo jornal L ´Humanité não fala das 129 mulheres queimadas. Aonde se começa a falar desta mulheres queimadas é na publicação da Federação das Mulheres Alemã, alguns anos depois. Esta historinha fictícia teve origem, provavelmente, em duas outras greves ocorridas na mesma cidade de Nova Iorque, mas em outra época. A primeira foi uma longa greve real, de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910.

A segunda foi uma outra greve, uma das tantas lutas da classe operária, no começo do século XX, nos EUA. Esta aconteceu na mesma cidade em 1911. Nessa greve, em 29 de março, foi registrada a morte, durante um incêndio, causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, de 146 pessoas, na maioria mulheres imigrantes judias e italianas.

Esse incêndio foi, evidentemente, descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo.

Essa fábrica pegando fogo, com dezenas de operárias se jogando do oitavo andar, em chamas, nos dá a pista do nascimento do mito daquela greve de 1857, na qual teriam morrido 129 operárias num incêndio provocado propositadamente pelos patrões.

E como se chegou a criar toda a história de 1857? Por que aquele ano? Por que nos EUA? A explicação, provavelmente, é a combinação de casualidades, sem plano diabólico pré-estabelecido. Assim como nascem todos os mitos.

A canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma traça da greve de 1857. Nem nos jornais da grande imprensa da época, nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias.

Ela afirma e reafirma que essa greve nunca existiu. É um mito criado por causa da confusão com as greves de 1910; de 1911, nos EUA; e 1917, na Rússia.

Essa confusão se deu por motivos históricos políticos, ideológicos e psicológicos que ficarão claros no fim do artigo.

Pouco a pouco, o mito dessa greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória histórica das mulheres e dos homens outras datas reais de greves e congressos socialistas que determinaram o Dia das Mulheres, sua data de comemoração e seu caráter político.


Já em 1970, o mito das mulheres queimadas vivas estava firmado. Rapidamente foi feita a síntese de uma greve que nunca existiu, a de 1857, com as outras duas, de costureiras, que ocorreram em 1910 e 1911, em Nova Iorque.

Nesse ano de 1970, com centenas de milhares de mulheres americanas participando de enormes manifestações contra a guerra do Vietnã e com um forte movimento feminista, em Baltimore, EUA, é publicado o boletim Mulheres-Jornal da Libertação. Neste já se reafirmava e se consolidava a versão do mito de 1857.

Mas, na França, essa confusão não foi aceita tranqüilamente por todas e todos. O jornal nº 0, de 8 de março de 1977, História d´Elas, publicado em Paris, alerta para esta mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857. Mas o alerta não teve eco.

Dolores Farias, no seu artigo no Brasil de Fato, nº 2, nos lembra que, em 1975, a ONU declarou a década de 75 a 85 como a década da mulher e reconheceu o 8 de março como o seu dia. Logo após, em 1977, a Unesco reconhece oficialmente este dia como o Dia da Mulher, em homenagem às 129 operárias queimadas vivas.

No ano de 1978, o prefeito de Nova Iorque, na resolução nº 14, de 24/1, reafirma o 8 de março como Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado oficialmente na cidade de Nova Iorque.

Na resolução, cita expressamente a greve das operárias de 1857, por aumento de salário e por 12 horas de trabalho diário, e mistura esta greve fictícia com uma greve real que começou em 20 de novembro de 1909. O mito estava fixado, firmado e consolidado. Agora era só repeti-lo.

Prefeitura de Campos abre concurso com 573 vagas na área de Educação

Período de Inscrições :
* Internet – Das 00:00 h do dia 29/02/2008 até às 23:59 hs do dia 18/03/2008.

* Posto de Inscrição – De 03/03/2008 até 18/03/2008, de 2ª a 6ª feira, das 09:00 às 17:00 hs.

Local:
Liceu de Humanidades de Campos – Praça Barão do Rio Branco, nº 15 – Centro
Campos dos Goytacazes / RJ

Data e Horário de Realização da Prova Objetiva :
* Dia 20 de Abril de 2008 – Manhã: das 9:00 h às 13:00 h(horário de Brasília)

Cargos: Professor II(Educação Infantil – Creche), Professor I(Professor de Arte, Ciências, Educação Física, Geografia, História, Língua Inglesa, Língua Portuguesa e Matemática) e Pedagogo.

* Dia 20 de Abril de 2008 – Tarde: das 15:00 h às 19:00 h(horário de Brasília)

Cargos: Auxiliar de Secretaria e Professor II(Educação Infantil-Escola e Ensino Fundamental 1º segmento).

Os salários variam de R$ 896,02 a R$ 1.368,69

As inscrições podem ser feitas no FUNRIO
As taxas são de R$ 45,00 (Professor II) e R$ 60,00 (demais funções)

SP reabre inscrição para 12 mil vagas de professores coordenadores

Inscrição deve ser feita até o dia 5; prova será aplicada em 9 de março.
Mudança atende a pedido de professores e dos sindicatos da categoria.

Do G1, em São Paulo

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo reabriu nesta quinta-feira (28) as inscrições para 12 mil vagas destinadas a professores-coordenadores. Os cerca de 250 mil professores da rede estadual podem se inscrever até a próxima quarta-feira, 5 de março. A prova, que aconteceria neste domingo (2), será em 9 de março.

Nesta nova etapa de inscrições os professores poderão apresentar os requisitos (veja lista abaixo) para a função após a prova, no momento da posse. As inscrições precisam ser feitas via internet, no site www.saopaulofazescola.sp.gov.br.

Os professores-coordenadores, que atuarão já neste ano em todas escolas estaduais, trabalharão como gestores das mudanças implementadas pela pasta em toda a rede de escolas. Eles serão responsáveis, por exemplo, por planejar como as escolas cumprirão as metas de desempenho e como elevar o nível de aprendizado dos alunos.

A mudança de data da prova atende a pedido de professores e dos sindicatos da categoria, que solicitaram a mudança de data da prova e mais tempo para as inscrições.

A secretaria dividiu a seleção em duas partes. Neste momento haverá inscrições para atuação no ciclo 2 do ensino fundamental e no ensino médio. A segunda fase, no meio do ano, será para professor coordenador de ciclo 1 do fundamental, totalizando as 12 mil vagas. Todos os professores, concursados ou temporários, podem se inscrever.

O salário inicial de professor-coordenador de ciclo 1 é de R$ 1.773,71. Para ciclo 2 e ensino médio é de R$ 1.975,55. Um professor na rede estadual ganha hoje, de início, para 24 horas semanais, R$ 1.036,00.

A prova terá 20 questões de múltipla escolha sobre propostas curriculares e metodologias das áreas. Cada questão valerá 5 décimos, e a classificação acontecerá a partir de 5 pontos, em uma escala de 0 a 10. Após a prova, os candidatos apresentarão projeto de trabalho e passarão por entrevista.

Atualmente a secretaria conta com 6.000 professores coordenadores – um por escola. Eles poderão participar da seleção de 12 mil. A secretaria levará em conta na avaliação a experiência já adquirida.

A seleção é necessária porque em 2007 foi criada nova função de professor-coordenador, com carga horária diferente (40 horas semanais) e bonificação específica (15%, mais incorporações). Cada professor coordenador agora será responsável por um ciclo (1ª a 4ª séries do ensino fundamental, 5ª a 8ª e ensino médio) e por no máximo 30 classes. A seleção dará prioridade para professores que já atuam na escola pretendida, passando para vizinhas se não houver interesse.

A bibliografia que servirá de base para a elaboração das questões está disponível no site São Paulo Faz Escola (www.saopaulofazescola.sp.gov.br)

Requisitos para a vaga

Ser portador de diploma de licenciatura plena.
Contar, no mínimo, com 3 anos de experiência como docente da rede estadual de ensino.
Ser docente efetivo classificado na unidade escolar em que pretende ser professor coordenador ou ser docente com vínculo garantido em lei, com, no mínimo 10 aulas atribuídas na unidade escolar em que pretende ser professor coordenador.