Pela Valorização da Mulher Brasileira!

A mulher através dos séculos carrega o fardo de viver para satisfazer os desejos do homem.

Na idade média a mulher era usada somente para saciar as necessidades dos homens e procriar. Toda e qualquer participação sua era excluída principalmente em razão das leis e imposições serem feitas por eclesiásticos. Estes, submissos às próprias regras, tinham que viver afastados delas. Em decorrência disso lhe imputavam a responsabilidade de serem pecadoras da carne, possuidoras do demônio, causadoras da perda do Paraíso e disseminadora do mal.

Toda e qualquer referência à mulher, nesta época, veio por intermédio dos homens da igreja, e foi por esta razão que pouco registro há, uma vez que, a igreja sempre banalizou a figura feminina.
Com a instituição do casamento, pela própria igreja no século XI, o papel da mulher passou a ser o de boa esposa e de boa mãe. Tinha quer servir seu marido lhe devendo total obediência. Ele, como seu amo e senhor, tinha o direito de dominá-la não lhe permitindo qualquer atitude sem prévio consentimento sob pena de sofrer penalidades físicas.

A mulher recolheu-se ao mundo doméstico dedicando-se aos encargos da casa, das crianças, dos doentes e à noite tinha a obrigação de servir ao seu marido.
Mesmo com o passar do tempo, enquanto os religiosos detiveram o poder político a figura da mulher esteve ligada ao pecado original inferiorizando-a e subjugando-a somente a procriação e às ordens do marido.

E a mulher carregava o fardo de viver para satisfazer os desejos do homem.

Entre quatro paredes, dependendo do marido, a mulher até podia dar sua opinião sobre alguns assuntos, usando sua intuição podia até aconselhá-lo, porém da porta para fora, diante de todos era ele o dono da verdade. Na presença de visitas, o marido ao tratar algum assunto importante, mandava que a mulher se retirasse da sala deixando-os sozinhos. Suas ordens eram inquestionáveis.

Após a I Guerra a mulher começou a dar seus primeiros passos rumo a sua libertação. Começou a ingressar no mercado de trabalho vendendo a preços miseráveis sua mão de obra e lhe sendo imposto a manutenção dos encargos da casa, da família, da educação dos filhos e o servir ao marido. Além disso, assumia a culpa de todo e qualquer problema conjugal que ocorresse. Era-lhe cobrado nunca estar cansada, estar sempre sorridente, arrumada, perfumada e disposta a cumprir com suas obrigações matrimoniais.

E é a mulher carregando o fardo de viver para satisfazer e agradar o homem.

Com o aumento do número de mulher trabalhando fora de seus lares começaram as demarcações pela sociedade machista, das profissões femininas e masculinas alegando que algumas profissões exigiam funções frágeis como as de empregadas domésticas, enfermeiras, professoras, secretárias e consequentemente salários baixos para as mulheres e altos para os homens.

A visão de que a mulher tinha que servir ao homem ainda era uma constante principalmente nas atitudes dos chefes que assediavam suas funcionárias, e que eram despedidas caso não aceitassem. Este tipo de coação incentivava a aceitação de muitas diante da necessidade do emprego e da consciência de que o mesmo aconteceria em outro trabalho.

Aos poucos a mulher vai se fortalecendo e vai se desvencilhando das amarras. Vai conseguindo ocupar um lugar no mercado de trabalho.
Porém, a visão carnal a ela imposta na idade média ainda nos dias de hoje continua presente.

A cobrança pelo corpo perfeito, pela pele maravilhosa, pela magreza, pelo não envelhecimento é diária e atinge todas as camadas sociais.

A mulher se submete a passar meses comendo clara de ovo para não engordar! Aumenta a boca com metacril correndo o risco de ficar deformada. Aplica doses abusivas de botox para conservar uma pseudo-juventude. Malha, encapa os dentes, faz depilação definitiva, elimina costelas para afinar a cintura e por aí vai.

Tudo com o intuito de agradar o homem. Se flagela com o intuito de agradar o homem.
Isso lhe imposto pela sociedade. A cobrança vem inclusive das próprias mulheres.
Está na hora de nós mulheres sermos valorizadas pela sociedade pelo que somos, do jeito que somos e sem cobranças.

Não temos obrigação de ser modelo de beleza, de peso de boca, de cintura…
Temos que ser queridas e amadas mesmo com alguns quilos a mais.

Gostamos de discutir relação SIM, temos TPM, gostamos que puxem nossa cadeira para sentarmos, que nos dêem rosa sem qualquer motivo, que nos levem para jantar.
Gostamos de shopping, de tomar sol na praia, de assistir filme romântico, de dar beijinho de boa noite.

E gostamos de não ter que viver para satisfazer e agradar o homem. Isso tem que acontecer naturalmente.

Gostamos sim de ter um companheiro, um ombro para aconchegar após um dia de trabalho, um abraço forte e carinhoso num momento de fragilidade, um sorriso iluminado a compartilhar.

Não queremos tomar o lugar de ninguém.
Não queremos andar nem atrás e nem na frente.
Queremos andar lado a lado, de mãos dadas.

MINHA HOMENAGEM À CORA CORALINA


Cora Coralina (1889-1985), que na verdade era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretãs. Poderíamos dizer que tinha nome de princesa, mas era só na quantidade de sobrenomes porque foi mulher do povo e de luta.

“Escrevia desde os quinze anos tentando construir uma ponte entre o passado e o presente “rever, escrever e assinar os autos do Passado antes que o Tempo passe tudo ao raso“.

Escondia-se atrás deste pseudônimo uma vez que moça prendada e “casadoira” não se dava a estas futilidades. De início era apenas Cora, derivado de coração, sendo depois completado por Coralina dando perfeita sonoridade e significado poético: “coração vermelho”.

Mulher muito a frente do seu tempo. Apaixonou-se por Cantídio quando tinha 20 anos e por ser ele casado fugiram para Jaboticabal onde tiveram quatro filhos. Apesar de tanto amor e de ter transgredido regras ao fugir para viver junto de seu amado, este não aprovava sobre seus escritos tendo que continuar a esconder-se sobre o manto do coração vermelho – Cora Coralina.

Já viúva mudou-se para Andradina, cidade que se iniciava e junto ao fogão de lenha escrevia e escrevia. Aprendeu a datilografar aos 70 anos e aos 75 publicou seu primeiro livro “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.
Muito ainda há para se descobrir sobre esta mulher maravilhosa que nos marcou a alma com suas poesias, contos e frases.

Neste dia homenageio esta mulher que tanto admiro – Cora Coralina

Referência
http://www.vilaboadegoias.com.br/cora_coralina/mais.htm

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