Datas Comemorativas – A Primeira Missa

A Primeira Missa

Fonte Educa Terra
No dia 26 de abril de 1500, num banco de coral na praia da Coroa Vermelha no litoral sul da Bahia, foi rezada uma missa de Páscoa, a primeira de tantas que desde então foram celebradas naquele que veio a tornar-se o maior país católico do mundo. Acompanhe os passos iniciais dos padres evangelizadores e as etapas das missões católicas no Brasil Colonial.

“E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles (os índios) se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado: e então tornaram-se a assentar como nós… e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção.” – Carta de Caminha a El-Rei, 1º de maio de 1500

A Primeira Missa e a conclusão de Caminha

Dias já faziam em que estavam os lusos ali entre idas à praia e voltas ao mar. Carregavam água, frutas e o lenho para os barcos, enquanto dois carpinteiros separavam um enorme tronco para a feitura da Cruz. Os índios, uns oitenta ou mais, tagarelas, estorvantes, arrodeavam os marinheiros em seus afazeres, olhando pasmos o efeito do fio do ferro na árvore. Da mata próxima vinham os barulhos da bicharada, o ruído forte dos papagaios, dos bugios, e de uma poucas pombas rolas. A missa mesmo, a primeira no Brasil, deu-se no Domingo de Páscoa, 26 de abril de 1500, quando afincaram a Cruz no chão macio de um banco de areia em Porto Seguro.

O Frei Henrique de Coimbra, um franciscano, oficiou-a todo aparamentado, enquanto a tripulação congregava-se na praia as voltas do altar. Tomavam posse daquela Ilha de Vera Cruz, em nome do rei de Portugal e da santa fé católica. Os nativos, dóceis, se portaram de tal modo que Caminha convenceu-se da fácil conversão deles no futuro. Um par de padres, dos bons, escreveu ele ao rei, bastava.

A decisão de vir ocupar o Brasil

Porém, não foi essa a decisão da Coroa. Demorou quase meio século para que um reduzido destacamento de jesuítas desembarcasse no Brasil para fins de catequese. As políticas anteriores de ocupação da nova terra ( o arrendamento ao consórcio de cristãos-novos de Fernão de Noronha, e, depois, a doação de capitanias), redundaram em fracasso. Foi o acirramento do combate teológico contra os protestantes, e as visitas das naus bretãs e flamengas atrás do pau-tinta, quem fez o rei abandonar a desatenção para com o Brasil. Tinha urgentemente que ocupar os pontos estratégicos da costa e por aqueles hereges à correr. Ou tomava conta de vez, ou perdia tudo.

Os primeiros seis missionários

A guerra econômica e religiosa das Europas, transferiu-se assim para o Brasil. Nos barcos de Tomé de Souza, o fundador de Salvador, vieram junto, em março de 1549, os soldados de Cristo, os homens-de-preto da recém fundada ordem de Santo Inácio de Loyola. Eram apenas quatro. O Padre Manoel da Nóbrega e o Padre Aspicuelta Navarro foram os mais famosos, depois, é claro, do Padre José de Anchieta que arribou mais tarde. A eles juntaram-se mais dois: Antônio Rodrigues, um ex-soldado mestre nos idiomas nativos, e Pêro Correia, um ricaço que decidira-se pelo hábito talar, e que, para Nóbrega, “era a melhor língua do Brasil”. O trabalho era imenso. Evangelizar aquela massa de gentios, com mil falas, que se espalhava por aquele mundão todo, era tarefa de gigantes. Talvez nem o apostolo Paulo, no lugar deles, conseguisse.

Desentendeu-se Nóbrega, a seguir, com o teólogo Quirino Caxa, examinador dos Casos de Consciência da Bahia que dera o parecer, bem pouco cristão, de que um pai índio, em caso de penúria “da grande”, podia vender seus filhos, e que o próprio nativo, se em idade para tanto, podia empenhar a si mesmo. Lançada as fundações do Colégio de Meninos de Salvador, o Padre Nóbrega, o cérebro estratégico da Companhia de Jesus no Brasil, não demorou em perceber, depois de uma visita que fez a São Vicente, bem mais ao sul, das vantagens da instalação de um centro de catequese no Planalto de Piratininga.

A Espada e a Cruz

Soubera lá, ao tentar demover o branco João Ramalho em deixar de ser um sultão em meio a uma serralho de índias, que o Rio Tietê era um intrometido. Enfiava-se por todo o sertão. Construindo o Colégio de São Paulo, batizado em janeiro de 1554, a cavaleiro daquele rio de caipiras, ele se entregaria à conquista espiritual da bacia do Paraná. Sonhou em chegar até ao Paraguai. Com um missal e um rosário em punho, seguido por um reduzido coral de curumins flautistas, enfiados em canoas, faria milagres. Estenderia um Império Teocrático até o sopé dos Andes. Dissuadiu-o Tomé de Souza, que não queria briga com os castelhanos. Virou-se então para a necessidade de vir ocupar-se a Guanabara (escreveu ao bispo em Salvador, dizendo-lhe do perigo de abandonar-se aquela área). Não sem antes que lhe lembrassem, citando-lhe as Constituições de 1556 da Companhia de Jesus, para que evitassem ter escravos, que assumissem a pobreza cristã.

Logo, Estácio de Sá, em campanha contra os franceses no Rio de Janeiro, chamou-o. Queria o padre Nóbrega e seus orfeus-mirins para que, com seus trinados, exorcizassem a presença calvinista da Baía da Guanabara e fizessem sossegar os Tamoios. Apresentou-se o jesuíta a ele em 1565. A batina e a couraça, a cruz e a espada, aliadas, garantiram que São Sebastião do Rio de Janeiro ficasse com os lusitanos.

Dada a pouca esperança de muitos portugueses em ver prosperar aquela capitania, muitos deram a desandar, a desertar. Queriam voltar para a terrinha, para Lisboa. Ai deles! Nobrega virou fera. Deus os mandar ali, e eles tinham que ficar. Nada de frouxuras. Chamaram-no de tirano, disseram-se “cativos do faraó”, mas se aquietaram.

A expansão do Catolicismo

E assim, com igrejas e capelas, santuários erguidos nas aparições da Virgem, orações, cantorias, procissões, conversões e batismos, trazendo mais padres e outras ordens (dos franciscanos, carmelitas, beneditinos, mercedários, e outros), a Igreja Católica foi doutrinando, educando e civilizando o bruto que aqui estava, e o outro bruto que aqui chegava. Com ameaças ao Inferno, recorrendo. por vezes, à “vara de ferro” e ao látego, erguidos contra o animismo, o feiticismo, a magia e a heresia, espantaram-nos desta parte do Novo Mundo. Uma Santa Casa aqui, um Colégio acolá, uma cama de lençóis para um doente, um tema de Cícero, um asilo para um órfão, uma lição do De Bello Gallico, que, somados aos oceânicos sermões do Padre Vieira, fizeram com que se mantivesse em mãos católicas uma das maiores extensões de terras do mundo ocidental. E dizer que tudo isso começou há 500 atrás, numa improvisada missa campal, puxada à frente de uma cruz de madeira bárbara, em hora de sol a pino, encerrada em seu final à bulha de “corno ou buzina”, saltos e danças, feitos por uns nativos esquisitos, numa desconhecida praia da Bahia!

Etapas da Conquista Espiritual
do Catolicismo no Brasil Colonial

Missões: 1º Movimento(Litoral)

Áreas geográficas alcançadas
A partir de 1549: ocupação do litoral, a costa do pau-brasil e a zona da mata açucareira, que abarcavam o Rio Grande do Norte até São Vicente. Política de fundações de colégios e implantação de aldeamentos, lideradas pelos Padres Nóbrega e Anchieta

Missões: 2º Movimento(Sertão)

Áreas geográficas alcançadas
A partir de 1554: adentrando o interior pelo Rio São Francisco e pelo Rio Tietê, a partir do Planalto de Piratininga, com fundação de aldeamentos nas beiras dos rios.

Missões: 3º Movimento(Floresta)

Áreas geográficas alcançadas
Entre 1620-1650: ocupando São Luís do Maranhão, depois da rendição da França Equinocial, em 1616, penetram nas planícies do norte pelos rios Pindaré, Itapecuru e Mearim, e, partindo de Nossa Senhora do Belém do Pará, remando pelo Rio Amazonas a dentro, vão até as fronteiras mais orientais da floresta. O principal dessas missões foi o Padre Vieira (1653-1661)

Missões: 4º Movimento(Minas)

Áreas geográficas alcançadas
A partir de 1700: impulsionado pelo clero secular e pelas irmandades, que se espalham pelas áreas do garimpo do ouro e dos diamantes, por Vila Rica do Ouro Preto, Sabará, São João del Rei, Diamantina, e de lá, na carona das monções, atingindo Goiás e Cuiabá.

Olivença, Frei Henrique de Coimbra e a Primeira Missa no Brasil

Fonte: Portugal em linha

«Ao domingo de Pascoela pela manhã, (26 de Abril de 1500), determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho. Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção. (…) Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta.» (Carta de Pero Vaz de Caminha)

Olivença e o Bispado de Ceuta

Quando Olivença passou a integrar o território nacional, pelo Tratado de Alcanizes de 1297, manteve-se dependente do Bispado de Badajoz, o mesmo sucedendo com Ouguela e Campo Maior, que pelo mesmo acto internacional entraram no espaço de soberania nacional(1). Idêntica situação viveram as terras de Riba Côa, permanecendo dependentes de Ciudad Rodrigo em matéria episcopal. Esta falta de coincidência entre as fronteiras políticas de Portugal e os limites dos seus bispados e arcebispados tinha outros paralelos mais remotos, não resultando em exclusivo dos acertos territoriais acordados entre D. Dinis de Portugal e D. Fernando IV de Castela. Nos fins do século XIV, com o Cisma do Ocidente e o agudizar do conflito político-militar travado entre Portugal e Castela, desenvolve-se um fenómeno de nacionalização da igreja portuguesa, passando os nossos territórios religiosamente dependentes das dioceses de Tuy, Ciudad Rodrigo e Badajoz a eleger os seus próprios administradores eclesiásticos.

O processo culminou com a união das terras de Riba-Côa ao Bispado de Lamego em 1403 e com a transferência de Olivença, Ouguela e Campo Maior para o Bispado de Ceuta em 1444. Em 1475 Olivença foi desanexada do Bispado de Ceuta, ficando unida ao Arcebispado de Braga. Só no reinado do Rei D. Manuel, Olivença foi reintegrada no Bispado de Ceuta, em resultado de um acordo celebrado em 1512 entre o Bispo desta cidade, Frei Henrique de Coimbra e o Arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa. O território de Valença, que em 1444 havia sido incorporado no Bispado de Ceuta, transitou pelo mesmo acordo para a mitra bracarense. A partir de Frei Henrique de Coimbra os bispos de Ceuta passaram a residir em Olivença. Entre 1513 e 1570 exerceram o seu episcopado nesta vila os bispos D. Frei Henrique de Coimbra, D. Diogo da Silva, D. Diogo Ortiz de Vilhegas e D. Jaime de Lencastre. Nesta última data Olivença foi incorporada na diocese de Elvas, então criada, o mesmo sucedendo com Ouguela e Campo Maior. Pela mesma altura a Diocese de Ceuta foi suprimida, sendo reunida ao Bispado de Tânger.

Frei Henrique de Coimbra e a Primeira Missa no Brasil

O primeiro bispo de Ceuta residente em Olivença, apesar de natural de Coimbra, estava ligado àquela vila alentejana por laços familiares.(2) Antes de assumir a mitra oliventina fora confessor de D. João II, tendo exercido magistério confessional no Mosteiro de Jesus de Setúbal.(3) Na viagem de Pedro Álvares Cabral que em 1500 rumava até à Índia, Frei Henrique de Coimbra dirigia um grupo de religiosos destinados às missões do oriente. Frei Henrique de Coimbra destacava-se assim como pioneiro entre os missionários portugueses em terras Indianas. Antes disso, na passagem da frota cabralina por terras de Vera Cruz, este franciscano presidiu à celebração da primeira missa rezada nesta região da América do Sul. Estava-se a 26 de Abril de 1500(4).

Em Calecute, dos oito franciscanos que compunham a expedição cinco foram mortos em razão do recontro entre os portugueses e os muçulmanos, na sequência da traição do Samorim. Nesse incidente foi assassinado o célebre autor da Carta do achamento do Brasil, Pero Vaz de Caminha. Frei Henrique salvou-se a muito custo, regressando a Portugal cumulado de glória pelos muitos elogios que sobre os seus feitos teceu Pedro Álvares Cabral ao Rei Venturoso.(5) O Rei D. Manuel acabou por escolher Frei Henrique para Bispo de Ceuta, o que foi confirmado pelo Papa Júlio II em 30 de Janeiro de 1505.(6) Ao tomar posse de Olivença, no seguimento do acordado com o Arcebispo de Braga em 1512, Frei Henrique de Coimbra decidiu-se a construir os Paços Episcopais, o Tribunal e o Aljube(7).

Pela mesma época se começou a construir a Igreja de Santa Maria Madalena de Olivença, «um dos espécimes mais nobres e mais puros do estilo manuelino»(8), segundo Reinaldo dos Santos; edifício que serviu de Sé Catedral do Bispado de Ceuta durante quase meia centúria, obra para a qual terá sido decisiva a acção do seu primeiro bispo. Como preito de homenagem da catedral ao seu bispo, a Igreja da Madalena, como vulgarmente é chamada em Olivença, guarda no seu regaço os restos mortais do seu notável prelado, a quem a monumentalidade da vila tanto deve(9).
Tão intimamente ligada à história de Ceuta, Olivença tal como a primeira cidade portuguesa de Marrocos vieram a cair nas mãos dos vizinhos espanhóis. Ambas aguardam hoje a sua Libertação. Marrocos continua a reclamar a entrega de Ceuta e Melilla esperando apenas tempo mais azado para o conseguir. Portugal também não esqueceu que Olivença é de direito uma terra portuguesa. E a História ainda não findou para Olivença. A menos que tenha terminado para Portugal!?…

(1) Cf. Matos Sequeira e Rocha Júnior, Olivença, Lisboa, Portugalia Editora, 1924, p. 105.
(2) O seu nome seria Frei Henrique de Vasconcelos. Teve alguns familiares em Olivença, incluindo seu irmão Manuel de Vasconcelos. Vide Amadeu Rodrigues Pires, «Frei Henrique de Coimbra», in Boletim do Grupo Amigos de Olivença, Nº 3/4, Lisboa, 1957, p. 6.
(3) Matos Sequeira e Rocha Júnior, ob. cit., p. 107.
(4) A cruz de ferro forjado possivelmente usada na cerimónia está hoje no Museu da Sé de Braga.
(5) Amadeu Rodrigues Pires, ob. cit. p. 6.
(6) Matos Sequeira e Rocha Júnior, ob. cit., p. 107.
(7) Ibidem.
(8) Reinaldo dos Santos, O Manuelino, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1952, p. 28.
(9) – Frei Henrique de Coimbra morreu repentinamente em 1532. Esteve sepultado na Capela-Mor da Igreja da Madalena, talvez em campa rasa, até 1720. Nesta data terá sido transferido para a Capela do Senhor Jesus, situada na cabeceira da igreja, do lado do evangelho, num sarcófago que tem a inscrição: «AQVI JAZ HO BISPO DE CEITA DOM ANRIQUE FALECEO A 24 DE SETEMBRO DE 1532 ANS». Era Mestre em Teologia.
Foi desembargador da Casa da Suplicação, em Lisboa. E por pouco tempo Bispo desta cidade nos últimos anos da sua vida. Vide Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, Vol. II, Porto, l968, PÁG. 688.

Mário Rodrigues
Amigos de Olivença

Victor Meirelles – Primeira Missa no Brasil

Fonte: Museu de Arte de Santa Catarina
Primeira Missa no Brasil – O Renascimento de uma pintura

O Museu Nacional de Belas Artes dando continuidade à política de circulação de acervos, estabelecida pelo Governo Federal, em 2003, visando à divulgação e fruição do Patrimônio Nacional a todo cidadão do nosso país, reafirma com a exposição “Primeira Missa no Brasil – Renascimento de uma pintura” o seu compromisso de ser o museu de todo o povo brasileiro. Estarmos, hoje, efetivando uma parceria com o Governo do Estado de Santa Catarina, através da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, da Fundação Catarinense de Cultura e do Museu de Arte de Santa Catarina, nos orgulha e consolida a nossa vocação institucional. Apresentada inicialmente, ao público paranaense, no Museu Oscar Niemeyer, através de uma parceria com o Governo do Estado do Paraná, esta exposição evidencia que as instituições museológicas estão articuladas e vivas, em perfeita sintonia com o resgate, a preservação e a memória do nosso Patrimônio Cultural.

A exposição “Primeira Missa no Brasil – O Renascimento de uma pintura” encontra-se inserida no projeto de trabalhos acadêmicos desenvolvidos por técnicos do Museu Nacional de Belas Artes/IPHAN/MINC e focaliza, principalmente, o processo de restauração da tela. A obra foi totalmente recuperada estruturalmente, em minucioso trabalho de restauração realizado em 2006, patrocinada pelo BNDES e Ministério da Cultura, nos Laboratórios do Museu Nacional de Belas Artes, como também, uma cuidadosa analise cientifica da obra foi feita, através de metodologia desenvolvida por pesquisadores da COPPE/UFRJ, do Rio de Janeiro.

Victor Meirelles de Lima, como é conhecido na sua cidade natal, Desterro, atual Florianópolis, foi um dos principais pintores brasileiros do século XIX. Predileto do Imperador Pedro II, conheceu a glória e o esquecimento. Sua vasta obra nos oferece uma visão privilegiada da formação de um artista nos oitocentos no Brasil.

Os nossos agradecimentos a todos que tornaram possível a realização da exposição “Primeira Missa no Brasil – O Renascimento de uma pintura”, em Santa Catarina, em especial ao Senhor Secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Gilmar Knaesel, à Presidente da Fundação Catarinense de Cultura Professora Elisabete Nunes Anderle (in memoriam) e ao Sr. João Evangelista de Andrade Filho, Administrador do Museu de Arte de Santa Catarina, pela iniciativa de interligar instituições culturais na reflexão por capítulos significativos da arte brasileira. Não podemos deixar de citar a longa parceria técnica que mantemos com o Museu Victor Meirelles/IPHAN, experiência enriquecedora na divulgação e conhecimento da obra de um dos principais artistas brasileiros.

A exposição, com curadoria a cargo de uma equipe do Museu Nacional de Belas Artes, sob orientação de Pedro Xexéo, estará aberta diariamente em horário integral (manhã, tarde e noite) das 09 às 21 horas. Além da grande tela, a curadoria planejou expor uma série de desenhos, e, entre eles, estudos preparatórios para a “Primeira Missa”. Este aspecto da mostra por certo surpreenderá, pois nos desenhos o público terá ocasião de verificar a ciência e a espontaneidade do traço invulgar de Vitor Meireles. A exposição inaugura dia 3 de abril/2008 e será encerrada a 11 de maio/2008. Além dela o MASC programou duas palestras e uma visita guiada, a cargo de especialistas e, como sempre, as visitas mediadas com agendamentos, que estarão a cargo do núcleo de arte-educação do MASC.

Monica F. Braunschweiger Xexéo
Diretora
Museu Nacional de Belas Artes/IPHAN/MinC

Santa Cruz de Cabrália/BA

Filmagem feita em Santa Cruz de Cabrália, local onde, segundo fontes históricas, foi realizada a primeira missa no Brasil.
Santa Cruz de Cabrália – Porto Seguro Pataxó

O museu Vitor Meirelles
Pintor que retratou a Primeira Missa no Brasil

MUSEU OSCAR NIEMEYER

A exposição apresenta o quadro A Primeira Missa no Brasil, pintado por Victor Meirelles, em 1860, e que foi totalmente restaurado pelo Museu Nacional de Belas Artes, com o patrocínio do BNDES. A mostra é complementada pela exibição de painéis fotográficos sobre todo o processo de restauração e de 12 desenhos produzidos pelo artista, chamados de estudos preparatórios, que fundamentaram a execução da famosa obra.

A obra foi baseada na carta que Pero Vaz de Caminha enviou a Dom Manuel, por sugestão de Manoel de Araújo Porto Alegre. A Primeira Missa no Brasil foi pintada em Paris e foi a primeira obra de um artista brasileiro aceita no Salão Francês. “É uma honra para o Museu receber uma das obras mais importantes que temos e que reflete um momento histórico para o Brasil”, disse a presidente do Museu Oscar Niemeyer, Maristela Requião.

Após participar da exposição em Paris, o quadro foi um dos escolhidos para representar o Brasil na Exposição Universal da Filadélfia, em 1876. “As duas viagens foram seguramente a causa da primeira restauração, já em 1878. Ainda hoje o transporte e o manuseio de obras de grandes dimensões estão entre as principais causas de danos”, afirma o curador da exposição, Pedro Xexéo.

Com o objetivo de contextualizar a produção e o restauro dessa grande obra, o curador dividiu a exposição em três segmentos, tendo como núcleo central a exibição do quadro complemente recuperado. Os outros dois segmentos apresentam painéis fotográficos coloridos que mostram todas as etapas do processo de restauração e a parte histórica com um resumo preparado por Xexéo sobre “como foi pintada a obra”. O segmento histórico é enriquecido pela série de desenhos para figuras e objetos que estão representados na pintura. “Naquela época, geralmente, os artistas começavam as suas obras pelos desenhos. Faziam os estudos preparatórios e somente depois é que começavam a pintar.”


VICTOR MEIRELLES


ESTUDOS PARA A PRIMEIRA MISSA

Restauro

Para restaurar o quadro, a equipe do Museu Nacional de Belas Artes contou com o apoio do Laboratório de Instrumentação Nuclear da COPPE/ UFRJ, que identificou a paleta usada pelo pintor através da fluorescência de raios X e registrou a alteração das dimensões da obra e os danos de suporte através da radiografia digital. O trabalho de restauração teve início no ano passado e foi concluído há cerca de um mês.

Além dos exames, e antes de qualquer intervenção, A Primeira Missa foi dividida em 108 quadrantes para facilitar a localização dos dados. As fotos foram feitas com luz natural, tangencial, ultravioleta e infravermelho.

A pesquisa documental indicou também que a tela deve ter sido molhada no porão do navio que a trouxe de volta ao Brasil após a exposição na Filadélfia. O relatório da chegada, assinado pelo restaurador Vasco Mariz e pelo próprio Victor Meirelles, diz que um terço do quadro estava danificado: havia um furo no centro, a pintura estava mofada e a tela enfraquecida.

Segundo ele, é um bom exemplo de como na restauração, a história, a química e a física se complementam para guiar a intervenção na obra. E foi somente após o registro e entendimento desses dados é que se começou a intervenção.

Em 1921, uma comissão avaliou o estado da obra que seria o destaque da Exposição Universal, comemorativa do centenário da Independência, no Rio de Janeiro. A equipe se decidiu por uma completa e perfeita reentelação, devido às péssimas condições em que estava. Quarenta anos depois, em 1969, o professor Edson Motta fez um novo restauro. Em 2000, a obra foi retirada do circuito de exposição do MNBA (Museu Nacional de Belas Artes) devido ao seu estado precário. No ano passado, com o patrocínio do BNDES, A Primeira Missa No Brasil começou a ser restaurada e, finalmente, é devolvida ao público.

ATIVIDADE

O Brasil do tempo de Cabral
A Primeira Missa no Brasil, do pintor Victor Meirelles, permite discutir a chegada dos colonizadores portugueses e sua representação na arte
Márcio Ferrari

Fonte: Nova Escola

A Primeira Missa no Brasil, de 1860, pintada pelo catarinense Victor Meirelles (1832-1903).

A obra representa a missa celebrada pelo frei Henrique Soares de Coimbra em Porto Seguro (BA) em 26 de abril de 1500, domingo de Páscoa, quatro dias depois do desembarque dos portugueses no Brasil. (Utilizar a figura da tela obra de Victor Meirelles)

A gravura será útil para ensinar a ler uma obra de arte pelo viés dos aspectos históricos, segundo a professora de História e especialista em Educação Maria Lima, de São Paulo. Isto requer que o professor estimule os estudantes não só a descrevê-la e dizer o que pode significar, mas também que aprenda a fazer perguntas para a obra e o artista. Também é importante levá-los a relacionar o que já sabem e o que estão aprendendo com a obra artística analisada. Desta forma, ela deixa de ser só ilustração e passa a ser vista como objeto cultural.

Lima preparou a seguinte sugestão de aula com base em A Primeira Missa no Brasil, indicada para turmas de 4ª série.

O trabalho de análise do quadro está estruturado aqui em quatro blocos:

Apresente a pintura a seus alunos num contexto de estudo de conteúdos sobre a colonização portuguesa. Inicialmente, exponha a obra e escreva no quadro-negro o título, a data de produção e o nome do autor. Procure mapear o que a turma quer e precisa saber. Pergunte se conhecem o quadro, o que acham que ele mostra e em que época se passa o acontecimento retratado. Registre o que dizem os alunos e afixe as anotações num mural. Forme grupos de quatro a seis crianças e peça que descrevam por escrito o que vêem, prestando atenção aos detalhes. Com toda a classe, sistematize as descrições de um lado do quadro. Depois, pergunte a eles: “O que vocês acham que o pintor quis dizer com esta obra?”, “Ele estava presente no momento da missa?”. Registre as suposições na coluna ao lado da descrição.

Pergunte aos alunos o que seria preciso fazer para confirmar as suposições levantadas. Deverão aparecer perguntas sobre: 1) A autoria. Exemplos: Quem foi Victor Meirelles? Que outros quadros produziu? Por que fez este? 2) O momento histórico retratado. Estimule perguntas que você considera fundamentais, como aquelas que levem a turma a entender o papel da Igreja na colonização portuguesa, ou as que explorem as intenções do pintor. Organize as perguntas em blocos e discuta com os alunos onde se pode obter as informações (livros, enciclopédias, sites). Oriente o trabalho de resposta às questões, de preferência em horário de aula.

É hora de relacionar as informações. Discuta com a turma os fatos pesquisados e aproveite para expor os pontos fundamentais de História. Retome as suposições dos alunos e peça que eles as revejam diante do que aprenderam, escrevendo uma nova versão. Por último, produza um texto coletivo de análise da pintura em torno de três eixos: 1) O quadro e sua autoria. 2) O momento histórico do fato representado. 3) Análise da cena pintada. É interessante introduzir a discussão sobre o porquê da produção do quadro.

Você pode ainda apresentar A Primeira Missa no Brasil pintada por Candido Portinari e analisar as diferenças na forma de retratar o mesmo fato. Na versão de Portinari, por exemplo, não se vêem indígenas. Para fechar o projeto, peça à criança que, com base em tudo o que discutiram e aprenderam, desenhem a própria versão da Primeira Missa. Este trabalho poderá ser um instrumento valioso de avaliação da aprendizagem dos conteúdos históricos e da visão da obra artística.

O pintor e a visão oficial
Victor Meirelles de Lima foi um dos dois grandes pintores voltados para o registro dos eventos marcantes da história oficial do Brasil — o outro foi seu contemporâneo Pedro Américo (1843-1905). Ironicamente, Meirelles se inclinava para uma pintura mais intimista e atenta aos detalhes, mas se viu obrigado a seguir as exigências do ambiente artístico do Segundo Império e registrar cenas grandiosas. Meirelles nasceu em Desterro, hoje Florianópolis. Estudou pintura no Rio de Janeiro e depois em Florença, Roma e Paris.
Para pintar A Primeira Missa no Brasil, o pintor apoiou-se no conteúdo da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal. Uma de suas preocupações foi enaltecer a convivência supostamente pacífica entre brancos e índios.

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