Datas comemorativas – Descobrimento do Brasil

DESCOBRIMENTO DO BRASIL

Motivos das Navegações Portuguesas

Portugal logo percebeu que o seu futuro não estava no comércio terrestre, obstruído pela Espanha – em luta contra os árabes e governada por um inimigo, o Mediterrâneo se achava inteiramente dominado pelos italianos (venezianos e genoveses), que monopolizam o comércio das especiarias com os árabes, ampliando sempre mais suas rotas marítimas e terrestres, na distribuição dos produtos orientais. Os portos lusitanos, entre os quais Sagres, Lisboa e Porto, simplesmente tornava-se escala importantes das expedições marítimas quer realizam o tráfico das especiarias orientais entre o Mediterrâneo e o Norte da Europa.

Para Portugal só restavam os caminhos do mar. Somente vencendo a barreira do Atlântico poderia expandir seu comércio.

A saída natural para o avanço do comércio marítimo lusitano seria a exploração da Costa Africana mais próxima, onde se encontravam algumas cidades árabes de importância comercial, entre as quais sobressai a cidade de Ceuta, cidade do norte africano, em frente a Gibraltar, seria o primeiro trampolim: abriria aos portugueses as portas do Mediterrâneo.

Em 1415, Ceuta foi vencida, Tânger, Arzila e Alcácer, novas conquistas portuguesa no litoral africano. Sua importância comercial era o marfim, ouro e escravo. Mas a África era apenas o começo. A verdadeira riqueza estava nas Índias, de onde vinham, além de ricas sedas e brocados, as especiarias: pimenta, canela, cravo, gengibre, noz-moscada, essenciais para o sabor e conservação dos alimentos. Tudo isso rendia um bom dinheiro aos mercadores árabes que as forneciam e às cidades italianas que as negociavam com o resto da Europa.

Em 1453, os turcos penetram na Europa, tomam Constantinopla, e avançam até Alexandria e bloqueiam todo o comércio das especiarias, com o rompimento das linhas de abastecimento, surge a crise no mercado europeu. Impõe-se, com urgência descobrir um novo caminho para o Oriente.

Para dominar esse rico mercado das especiarias e eliminar os intermediários muçulmanos, passa a ser o grande alvo da expansão marítima portuguesa. E o jeito era descobrir um caminho direto para chegar as Índias.

Expedição às Índias

Quando Dom Manuel I, sucessor de Dom João II, sobre ao trono em 1495, está decidido a, enfim, chegar até às Índias. O reino português organiza nova expedição em 1497. Para comandá-la escolhe Vasco da Gama, a quem instrui pessoalmente sobre o que deseja: estabelecer sólidas bases comerciais no Oriente – e propagar a fé cristão.
Em 1498, o esforço quase secular de expansão ultramarina por parte de Portugal atinge seu clímax. A esquadra de Vasco da Gama chega a Calicute na Índia, grande empó-rio de mercadorias do Oriente. Está traçada definitivamente a nova rota marítima para às Índias, pelo Atlântico sul. Via Cabo da Boa Esperança.

Ao regressar, seus 160 homens reduziam-se a 55. A viagem prolongara-se por dois anos. Mas dois anos que mostraram o acerto na política portuguesa de navegações. Com Vasco da Gama, completavam-se os objetivos e sonhos dos portugueses. Os comerciantes que aplicavam fortunas nas esquadras, seriam fartamente recompensados, os navegadores que perderam a vida não tinham morrido em vão e ao mesmo tempo está resolvido o grave problema do abastecimento dos mercados europeus.

Está garantido, assim, o sucesso da estratégia política e marítima de D. João II: o espaço aberto pela linha de Tordesilhas, assegura para Portugal a posse do Atlântico sul, caminho aberto e exclusivo para o rico mercado oriental, além de conferir o domínio do já conhecido litoral africano, muito provavelmente também poderia conferir a posse e o controle de um possível “litoral americano” no mesmo Atlântico sul. Esta hipótese viria a ser comprovada em 1500. Com o descobrimento do Brasil.

A Escola de Sagres

O Infante Dom Henrique, um dos filhos do Rei João I, que participara da conquista de Ceuta, compreende a necessidade de planejar e organizar mais eficientemente o empreendimento marítimo-mercantil, reuni alguns dos melhores e mais experientes pilotos, astrônomos, matemáticos, cartógrafos e construtores de navios da época, vindo sobretudo de Gênova e Veneza, ativas cidades comerciais da Itália. E, funda, em 1417 a Escola de Sagres, acontecimento importante, representa a mudança radical e definitiva do rumo da expansão ultramarina.

Valendo-se do que lá aprenderam, os portugueses começam a sua expansão marítima, o norte da África, é abandonado, de agora em diante, cada vez mais para o Atlântico, ocupam as ilhas de Açores e Madeira no Atlântico.

Mas o objetivo principal era descer as costas da África, de extensão desconhecida, para tentar chegar às Índias. A segunda tentativa de ultrapassar o cabo Bojador, uma ponta da África que avançava pelo Atlântico, foi vencida pelo medo. Medo de que passando do cabo os brancos se tornassem negros, medo de que o mar fervesse ao calor tropical, medo de que a neblina espessa engolisse os navios. Os marinheiros temiam o desconhecido. Imaginavam a Terra plana, com oceanos que poderiam desembocar no nada.

Em 1434 Gil Eanes, da equipe de Sagres, volta triunfante, o Bojador e contornado.
A expansão marítimo-comercial portuguesa ao longo do litoral africano, passa a ser mais intensa, Nuno Tristão, explora o Senegal, Serra Leõa, a Costa do Ouro, sempre em busca do marfim, ouro e principalmente dos escravos negros para as ilhas de Açores e Madeira.

Com as invenções que surgiram – o astrolábio para medir a posição das estrelas, e a bússola, para garantir a orientação – os pilotos portugueses puderam afastar-se do litoral sem o pavor de se perder. Vela ao vento, as naus não param, cruzando o Atlântico: era preciso chegar ao fim da África e de lá partir para a conquista do mercado das especiarias, tecidos e porcelana da Índia.

Com a invasão da Europa pêlos turcos, e fator decisivo. O que interessa é descobrir um novo caminho para negociar com os homens das Índias, na década de 1470, Lopo Gonçalves cruza a linha do Equador, Diogo Cão atinge a embocadura do Congo, chamando-o de Rio do Padrão. O reconhecimento da região por esse navegador possibilita mais tarde a viagem de Bartolomeu Dias, que chega a cruzar o Cabo das Tormentas em 1488, mudando-lhe o nome para Cabo da Boa Esperança, numa antevisão da certeza e confiança de estar no caminho certo para o Oriente.

Antes, porém que Portugal possa colher o triunfo esperado, um fato surpreendente vem fazer sombra sobre as esperanças portuguesas. Cristóvão Colombo, navegador genovês contratado por Espanha, chega à ilha de Guanaani, em 1492, descobrindo o continente americano, e regressa, afirmando ter atingido às Índias. Infante Dom Henrique, um dos filhos do Rei João I, que participara da conquista de Ceuta, compreende a necessidade de planejar e organizar mais eficientemente o empreendimento marítimo-mercantil, reuni alguns dos melhores e mais experientes pilotos, astrônomos, matemáticos, cartógrafos e construtores de navios da época, vindo sobretudo de Gênova e Veneza, ativas cidades comerciais da Itália. E, funda, em 1417 a Escola de Sagres, acontecimento importante, representa a mudança radical e definitiva do rumo da expansão ultramarina.

Valendo-se do que lá aprenderam, os portugueses começam a sua expansão marítima, o norte da África, é abandonado, de agora em diante, cada vez mais para o Atlântico, ocupam as ilhas de Açores e Madeira no Atlântico.

Mas o objetivo principal era descer as costas da África, de extensão desconhecida, para tentar chegar às Índias. A segunda tentativa de ultrapassar o cabo Bojador, uma ponta da África que avançava pelo Atlântico, foi vencida pelo medo. Medo de que passando do cabo os brancos se tornassem negros, medo de que o mar fervesse ao calor tropical, medo de que a neblina espessa engolisse os navios. Os marinheiros temiam o desconhecido. Imaginavam a Terra plana, com oceanos que poderiam desembocar no nada.

Em 1434 Gil Eanes, da equipe de Sagres, volta triunfante, o Bojador e contornado.
A expansão marítimo-comercial portuguesa ao longo do litoral africano, passa a ser mais intensa, Nuno Tristão, explora o Senegal, Serra Leõa, a Costa do Ouro, sempre em busca do marfim, ouro e principalmente dos escravos negros para as ilhas de Açores e Madeira.

Com as invenções que surgiram – o astrolábio para medir a posição das estrelas, e a bússola, para garantir a orientação – os pilotos portugueses puderam afastar-se do litoral sem o pavor de se perder. Vela ao vento, as naus não param, cruzando o Atlântico: era preciso chegar ao fim da África e de lá partir para a conquista do mercado das especiarias, tecidos e porcelana da Índia.

Com a invasão da Europa pêlos turcos, e fator decisivo. O que interessa é descobrir um novo caminho para negociar com os homens das Índias, na década de 1470, Lopo Gonçalves cruza a linha do Equador, Diogo Cão atinge a embocadura do Congo, chamando-o de Rio do Padrão. O reconhecimento da região por esse navegador possibilita mais tarde a viagem de Bartolomeu Dias, que chega a cruzar o Cabo das Tormentas em 1488, mudando-lhe o nome para Cabo da Boa Esperança, numa antevisão da certeza e confiança de estar no caminho certo para o Oriente.

Antes, porém que Portugal possa colher o triunfo esperado, um fato surpreendente vem fazer sombra sobre as esperanças portuguesas. Cristóvão Colombo, navegador geno-vês contratado por Espanha, chega à ilha de Guanaani, em 1492, descobrindo o continente americano, e regressa, afirmando ter atingido às Índias.

TRATADO DE TORDESILHAS

Verificar postagem do dia 08 de outubro de 2007 que fala somente do Tratado de Tordesilhas.
Você poderá lê-lo acessando aqui

O Viajante do Rei

Com o sucesso da viagem de Vasco da Gama, Dom Manuel decide montar uma esquadra maior e mais preparada, que pudesse estabelecer feitorias seguras nas Índias. Portugal tratava de desenvolver as bases para seu império comercial. Para chefiar esta esquadra procura um conhecedor da arte de navegar, bom soldado, cristão, leal e capaz de entender os seus projetos políticos e comerciais.

E encontra esse homem em Pedro Alvares Cabral. Novamente, o brasão das duas cabras está presente na história das conquistas portuguesa. Ele surgira com Álvaro Gil Cabral, na instauração da dinastia de Avis; nas mãos de Luís Álvares Cabral e Fernão Álvares Cabral, durante a tomada de Ceuta. No cerco de Tânger morre Fernão Álvares, mas o brasão empunhado pôr seus filhos, Fernão Cabral, se distingue nas lutas pela conquista de Alcácer e Arzila. É o brasão de uma nobre e audaz estirpe portuguesa: a linhagem dos Cabral.


Pedro Álvares nascera em 1467 ou 1468, no castelo da vila de Belmonte, na Beira Baixa, filho de Dona Isabel de Gouveia e Dom Fernão Cabral. Seu pai tinha o apelido de “Gigante da Beira”, pôr sua grande estatura, e era respeitado tanto pela bravura e nobreza de seus antepassados, como pelo talento de guerreiro e habilidade de administrador.

Pedro Álvares passou os primeiros anos no castelo de Belmonte, ao lado dos pais e dez irmãos. Cresceu ouvindo os feitos dos antepassados, em meio às notícias das descober-tas marítimas do seu povo. Com a morte de seu irmão mais velho, receberia o sobrenome da família. Só então passou a chamar-se Cabral.

Com onze anos, foi para a corte de Afonso V, onde, além de receber instrução literária, história e científica, aprendeu a usar armas. Com dezesseis anos, é nomeado moço fidalgo da corte de Dom João II. E ali vive um ambiente de heroísmo, cercado de histórias de batalhas e de descobertas. Todos falam da conquista da África, das viagens marítimas, dos caminhos das Índias.

Com 33 anos, Cabral é um homem culto. E, embora não seja marinheiro experimentado, conhece os problemas de navegação.

Dom Manuel acreditava encontrar em Cabral as qualidades de chefe militar e de diplomata. Tinha-o como o homem certo para comandar a Segunda esquadra portuguesa com destino às Índias, e lá negociar. Com ele iriam os mais hábeis pilotos e, para ajudar as negociações, os navios estavam cheios de presentes para os soberanos asiáticos.

Havia um Cientista na Esquadra de Cabral

Este cientista era o sábio Mestre João que integrava a frota de Cabral.
Ele localizou o Brasil com exatidão, pela primeira vez, de seu observatório astronômico improvisado.
Este personagem além de astrônomo, astrólogo, cosmógrafo, era médico da frota. Mestre João, Joam Faras, natural da Galícia, na Espanha, mudou-se para Lisboa por volta de 1485. Era Bacharel em Artes e Medicina, fisios (como os fisiologistas de hoje) e cirurgião particular de D. Manoel.
As atividades de cosmógrafo, astrônomo e astrólogo estavam até certo ponto, ligadas à prática da medicina. Antes da tratar alguém, ainda mais um rei, fazia-se o mapa astral de seu paciente. O próprio D. Manoel estivesse doente ou não, mandava ver diariamente como andavam os astros.

No perigoso ambiente das caravelas do século XVI, a presença de um médico era imprescindível.
POR QUE ?
1) As condições sanitárias das caravelas eram péssimas
2) A alimentação era baseada quase exclusivamente de uma monodieta de biscoito duro e salgado, quase sempre podre, perfurado por baratas e com bolor malcheiroso. A comida e a água eram guardadas no porão, sem cuidados mínimos de higiene.
3) A maioria dos marinheiros passava tão mal que não tinha forças para subir ao convés e fazer suas necessidades nos baldes reservados para isto. Faziam-nas no porão, muitas vezes já recoberto pelo fruto de seu próprio enjôo.
4) O banho era considerado um malefício à saúde (achavam que 2 ou 3 por ano eram suficientes)
Este conjunto de circunstâncias eram favoráveis à proliferação de doenças. As doenças de pele eram as mais comuns, e até Mestre João, que era médico, contraiu “uma coçadura” na perna, a partir da qual surgiu uma ferida maior que a palma da mão.

O arsenal usado por Mestre João para medir a distância das estrelas :


1) Roda Mágica – o astrolábio era uma roda dividida em graus que tinha, presa em seu centro, uma seta móvel. Quando alinhada com os raios do sol (o que era indicado pela sombra), a parte superior da seta mostrava, na roda, a altura do sol acima do horizonte, o que permitia estabelecer a latitude.


2) Kamal – ou tábua da índia, era um pedaço de nós preso em seu centro. Segurava-se o fio com os dentes e afastava-se a tábua até que o astro ficasse encostado na parte de cima e o horizonte na de baixo. Os nós do fio esticado diziam qual era a altura angular da estrela.


3) Angulo certo – para saber quantos graus um astro estava acima do horizonte, usava-se também a balestrilha, conjunto de duas varas graduadas perpendiculares entre si. Olhava-se por uma ponta da maior e movia-se a menor. Quando a extremidade de cima da vara encontrasse o astro e a de baixo encontrasse no horizonte, formava-se o ângulo com o qual se podia calcular a altura da estrela.

A certidão de nascimento do Brasil foi redigida por Pero Vaz de Caminha e ficou perdida até fevereiro de 1773, quando foi redescoberta pelo guarda-mar da Torre de Tombo, José Seabra da Silva.
As cartas de Mestre João ficaram na obscuridade mais tempo, sendo encontradas em 184 também nos recônditos da Torre do Tombo.

A esquadra comandada por Pedro Alvares Cabral era constituída por 8 naus, uma naveta de mantimentos e 3 caravelas. A esquadra de Cabral estava ancorada a dois quilômetros da costa.
Faziam 5 dias que Cabral e sua tripulação tinham avistado os contornos arredondados de um “Grande Monte”, no entardecer de 22 de abril, 4ª feira. O Monte foi batizado de Monte Pascoal, pois estava na semana da Páscoa.

No Brasil recém descoberto foram feitos novos estoques de água e lenha, e todos estavam fascinados com o esplendor da natureza e a docilidade dos nativos.
Mestre João fora incumbido de uma das mais importantes tarefas : descobrir, por meio da observação das estrelas, que terra era aquela e em que latitude se localizava. Ele demorou para por os pés em terra por razão de doença (a ferida inflamada na perna), precisou permanecer por mais tempo a bordo “de um navio muito pequeno e muito carregado” do qual não havia “lugar para coisa alguma”, segundo escreveu depois ao rei de Portugal D. Manoel.

Quando mestre João meteu-se em um pequeno barco e dirigiu-se à praia, com seu grande astrolábio de madeira, mediu a altura do sol e calculou a latitude em que se localizava a nova terra. Obteve a medida de aproximadamente 17 graus.

Ao observar as estrelas que luziam sobre a bahia, mestre João vislumbrou uma constelação de extraordinária beleza. Embora ela já fosse conhecida desde a antigüidade e servisse para orientar navegantes a cruzarem a linha do Equador, o conjunto de astros ainda não tinha nome. Mestre João, ao ver o desenho no céu, comparou a uma cruz e batizou então de “Cruzeiro do Sul”, a constelação que brilha hoje no centro de nossa bandeira.

Se Pero Vaz de Caminha foi o primeiro cronista dos nativos e das belezas da terra recém descoberta, Mestre João foi também alem de médico, o cartógrafo do céu e o primeiro a descrever, por meio de instrumentos, onde estava o Brasil.

Alguns trechos da carta escrita por mestre João em 1º de maio de 1500 e que ficou perdida até 1843 são mostradas abaixo (super1):

“(…) Segunda feira, que foram 27 de abril, descemos em terra (…) tomamos a altura do sol ao meio dia (…), segundo as regras do astrolábio, julgamos estar afastados da equinocial por 17º (…) ”

“(…) não se pode tomar a (altura dos astros) com elas (tábuas da Índia) senão com muitíssimo trabalho, que, se Vossa Alteza soubesse como desconcertavam todos nas polegadas, riria disso mais que do astrolábio (…) ”

“(…) estas estrelas, principalmente as da Cruz, são grandes quase como as do carro (Ursa Maior) (…)”

A Partida

“Senhor:

Posto que o capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães, escrevam a Vossa Alteza a (…) A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi, segunda feira, 9 de março.(…) não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que, para o bem contar e falar, o saiba fazer pior que todos(…)””Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha”

Era um domingo, na segunda semana de março de 1500.


E é o próprio Dom Manuel I que, cercado de grande pompa, assiste à missa na Capela de Nossa Senhora de Belém, diante da praia de Restêlo. Há luzes, incenso e cânticos neste Domingo, 8 de março de 1500.

Um pouco atrás do rei estão as maiores personalidades da corte, solenemente vestidas de luto , como se usava nessa despedida. O bispo de Ceuta, Dom Diogo de Ortiz, celebra da missa , faz um longo sermão, augurando bom êxito à viagem
Depois, abençoa a bandeira das armas reais e a Cruz da Ordem de Cristo – símbolo da fé e dos grandes feitos marítimos portugueses, o rei entrega a Pedro Álvares Cabral, alcaide-mor de Azurara e Senhor de Belmonte, junto com um barrete, presente do papa.
Terminada a missa, a comitiva se encaminha para a praia. À frente está o bispo com os acólitos, precedidos do porta-cruzes e acompanhados dos frades da Ordem de Cristo, com tochas na mão. Dom Manuel e Cabral vem a seguir secundados pelos cortesãos, capitães e tripulantes dos navios. Soam trombetas, flautas, tambores. E o povo acompanha o cortejo fazendo coro aos cânticos solenes. Em grandes botes enfeitados, Cabral e seus homens rumam para as naus ancoradas ao largo, no rio Tejo.
A tarde, com a chegada de ventos propícios, os navios demandam à barra. Começa a longa viagem rumo ao Descobrimento do Brasil, era segunda feira, 9 de março de 1500.

São aproximadamente 1500 homens, entre mercadores, pilotos, oficiais maiores, carpinteiros, caldeireiros, ferreiros, torneiros, soldados e técnicos em navegação.
As caravelas tinham dois ou , mais freqüentemente, três mastros, com popa alta de dois pavimentos, eram ligeiras e facilmente manobráveis. Cada uma transportava perto de 120 homens e, apesar de não serem navios de guerra, possuíam poderosos canhões. Mas a frota compunha-se também de naus mais possantes e maiores, sólidas, preferidas para o transporte de mercadorias.

Eram ao todo treze navios, naus e caravelas, capazes de navegar com vento muito fraco. Sua capacidade variava entre 50 a 100 toneladas, e sua velocidade média aproximava-se dos 13 quilômetros horários. Costeavam praias perigosas e, quando bem dirigidos, podiam até navegar contra o vento.
No comando das treze embarcações, que compõem a esquadra estão alguns dos mais ilustres navegadores do reino:

Nº-NAU/CARAVELA-COMANDANTE

01-Nau Capitânia-Pedro Alvares Cabral

02-Nau Sota-El-Rei Sancho Tovar

03-Nau–Simão de Miranda de Azevedo

04-Nau-Aires Gomes da Silva

05-Nau-Vasco de Ataíde

06-Nau-Nuno Leitão da Cunha

07-Nau-Simão de Pina

08-Nau-Luis Pires

09-Nau-Nicolau Coelho

10-Caravela-Bartolomeu Dias

11-Caravela-Diogo Dias

12-Caravela-Pêro de Ataíde

13-Naveta de antimentos-Gaspar de Lemos

Afonso Lopes:Piloto
João de Sá: O escrivão, físico, o mestre João, médico e cirurgião do rei.
Pero Vaz de Caminha: Escrivão da feitoria que se ia fazer em Calicute.
Frei Henrique Soares de Coimbra: Chefiava os frades franciscanos.
Pero de Escobar: Piloto, foi com Vasco da Gama na sua primeira viagem à Ásia.
Aires Correia seria o feitor de Calicute.

A VIAGEM RUMO AO DESCOBRIMENTO

Eduardo Bueno – escritor e jornalista, autor dos livros “A Viagem do Descobrimento” e “Náufragos, Traficantes e Degredados”, ambos da coleção Terra Brasilis, publicada pela editora Objetiva. Juntos, os dois livros já venderam cerca de 150 mil exemplares.

Embora tenha sido uma jornada militar, um empreendimento comercial e uma missão diplomática, a viagem de Pedro Alvares Cabral – em meio a qual o Brasil foi descoberto – foi também, e acima de tudo, uma aventura extraordinária. Privilegiar os aspectos aventurescos da expedição de Cabral se justifica plenamente, não apenas porque sua viagem de fato foi repleta de ação e de terríveis naufrágios, combates marítimos e terrestres, encontro com povos e terras desconhecidas e inúmeros outros episódios dramáticos, mas principalmente porque, desta forma, é muito mais fácil e mais agradável compreender seus múltiplos significados.

A lição da História


Ao percebermos com clareza que a viagem de Cabral foi realizada por homens de carne e osso – com desejos e temores, com anseios e expectativas, premidos pela fome e pela sede, lutando por glória e por dinheiro -, nossa capacidade de nos identificarmos com aqueles marinheiros, soldados e capitães aumenta enormemente. Tal identificação permite que nos coloquemos de imediato no lugar dos grumetes e dos degredados, dos comandantes de origem nobre e dos pilotos de vasto saber, enfrentando os perigos do Mar Tenebroso, penetrando nos escuros e insalubres porões de suas diminutas caravelas, desembarcando nas praias paradisíacas do sul da Bahia – e seguindo viagem com eles rumo à longínqua Índia.

Dessa maneira, como num passe de mágica, a História deixa de ser uma seqüência enfadonha de nomes e datas para se transformar naquilo que ela de fato é: um processo orgânico e múltiplo, repleto de ação e aventura; com sangue, sexo, ganância, coragem e hombridade. A História começa a se explicar por si própria e se desvenda como um fluxo de acontecimentos interligados, revelando de onde viemos e nos permitindo antever para onde vamos. Aqueles que não conhecem a própria História estão condenados a repeti-la. Os que sabem como e porque estão aqui, se encontram preparados para interferir e transformar o próprio curso da História.

A História não pode ser aprisionada nos bancos da escola. A História está viva: pulsa, lateja e vibra no raiar de cada novo dia. Acompanhar passo a passo a viagem de Cabral – episódio inaugural da História oficial do Brasil – é uma viagem virtual da qual cada passageiro emerge com uma nova visão do mundo, munido das ferramentas que o transformam de mero espectador em agente efetivo, em sujeito histórico cujas ações podem ter reflexos reais na construção da nação.

Redescobrir o Brasil


Na escola, a viagem de Cabral e o descobrimento do Brasil se resumem a um episódio histórico aparentemente grandiloqüente -, mas tedioso. Por algum motivo, jamais ficamos sabendo que boa parte dos 1500 tripulantes da frota que zarpou de Lisboa no dia 9 de março de 1500 tinha, em média, 15 ou 16 anos de idade, e que muitos deles não apenas jamais haviam navegado como foram recrutados a força em pequenas cidades do interior de Portugal. Ninguém nos conta o que comiam e bebiam esses homens ao longo dos quase seis meses em que permaneciam em alto-mar. Quanto ganhavam eles? O que pensavam? O que esperavam? Quantos sobreviveram? De que forma morreram aqueles que jamais retornaram para a sua pátria? O que sentiram ao verem uma terra repleta de flores e frutos desconhecidos, habitada por um povo desnudo que, aparentemente, se limitava a dançar pelas praias de areias claras e águas tépidas? Por que dois grumetes desertaram da expedição e se deixaram ficar entre os nativos? Quem eram e por que choravam os dois degredados abandonados no Brasil?

Para além desses aspectos mais lúdicos e mais particulares, temos sido privados também de dados econômicos fundamentais. Quanto custou a viagem de Cabral? Quem a financiou e com qual objetivo? Qual o preço de uma nau e de uma caravela em 1500? De que forma, onde e por quem tais embarcações foram construídas? Quanto Pedro Alvares Cabral recebeu para chefiar aquela missão e porque foi ele o escolhido? Por que sua viagem mudou o curso da história econômica da Europa?

Essas respostas são todas conhecidas e, uma vez de posse delas, nos vemos preparados para entender muito mais plenamente – e com muito mais prazer e lucidez – o que de fato significou a descoberta do Brasil e qual o alcance da jornada comandada por Cabral. Ao descobrirmos as motivações que levaram o rei D. Manoel a enviar uma monumental frota de 13 embarcações da Europa até a Índia, estamos prontos para redescobrir o Brasil. E redescobrir o Brasil cinco séculos após o desembarque de Cabral é uma autêntica viagem de autoconhecimento.

Ouro e pimenta

Para entender mais amplamente o significado da expedição de Cabral, é preciso empreender uma jornada no tempo, retrocedendo pelo menos até 1453. No dia 29 de maio de 1453, os turcos otomanos – comandados pelo califa Maomé II – tomaram a cidade de Constantinopla (hoje Istambul), na Turquia. Foi um acontecimento tão importante que não apenas marcou o fim do Império Romano como tem sido considerado o início da Era Moderna. Com a tomada de Constantinopla, os turcos bloquearam as milenares rotas de comércio entre a Europa e o Oriente. Do Oriente, os europeus importavam sedas, pedras preciosas e, acima de tudo, especiarias – especialmente pimenta.

A pimenta havia se tornado um artigo tão fundamental na dieta e nos hábitos europeus que valia quase tanto quanto o ouro. Por que? Porque cada vez que o inverno se aproximava – o que, no hemisfério norte se dá ao redor do mês de novembro – os camponeses e os grandes senhores de terra eram forçados a abater seus rebanhos bovinos, ovinos e caprinos. As geadas e, a seguir, a neve, acabavam com as pastagens. Os animais eram sacrificados antes que a falta de comida os tornasse magros demais. Para conservar a carne, sal e pimenta eram usados em grandes quantidades. Ainda assim, na hora de ser consumida, a carne tinha um gosto tão ruim que nobres, reis, cardeais e burgueses bem-sucedidos a condimentavam com muitos temperos – especialmente pimenta.

Dessa forma, a pimenta, muito mais do que uma mera especiaria, tornou-se uma espécie de moeda franca, corrente em toda a Europa: algo similar ao que o dólar é hoje. Quem tinha pimenta era rico. Quem não a tinha, não era ninguém. Logo após a conquista de Constantinopla, praticamente toda a pimenta vinda do Oriente chegava à Europa através de Veneza, na Itália. Isso porque os venezianos fizeram um acordo com os turcos, obtendo deles o monopólio para a distribuição das especiarias.

Portugal era uma das nações mais distantes da Itália. Assim sendo, a pimenta e as demais especiarias chegavam a Lisboa com preços exorbitantes. Ao mesmo tempo, Portugal era um dos únicos países europeus com saída para o oceano Atlântico. Sob inspiração do rei D. João II, os portugueses se dispuseram a singrar as misteriosas e temíveis águas do Atlântico – então chamado de Mar Tenebroso – para contornar o continente africano e chegar à Índia por via marítima. Uma vez na Índia, eles poderiam obter pimenta por preços muito mais baixos.

Sua extraordinária aventura exploratória passou a ser incentivada – e parcialmente financiada – por banqueiros florentinos e genoveses. Nada mais lógico: as cidades-estado de Gênova e Florença, eternas rivais de Veneza, tinham sido as mais prejudicadas pelo acordo entre os venezianos e os turcos otomanos. Depois de 85 anos de incessante luta contra as correntes e os perigos do Atlântico, os navegadores lusos enfim chegaram à Índia. O autor da façanha foi o temerário e cruel Vasco da Gama. No dia 27 de maio de 1497, ele aportou com suas três caravelas no porto de Calicute, na costa do Malabar, no sul da Índia. Aquele não foi apenas um extraordinário feito náutico: foi também um marco que estabeleceu o início do período que certos estudiosos chamam de “a era da dominação européia na História” – cujos reflexos permanecem vivos ainda hoje.

Estava descoberto o Brasil


A viagem de Pedro Alvares Cabral só pode ser entendida em sua totalidade como uma decorrência da jornada de Vasco da Gama. Ao retornar a Portugal em julho de 1499, com a fantástica notícia de que a Índia podia ser alcançada por mar, Gama estava deflagrando o primeiro grande processo globalizante da humanidade – e transformando todo o planeta em uma imensa rede comercial que envolvia quase todos os continentes e inúmeros povos, de muitas crenças e muitas línguas.

Cabral – um sisudo chefe militar, com 1,90 m de altura (numa época em que a estatura média dos portugueses mal ultrapassava 1,65 m) – foi escolhido para chefiar a segunda expedição para a Índia, cuja missão era estabelecer uma feitoria (ou entreposto comercial) em Calicute. Ainda assim, é provável que ele jamais houvesse navegado. O que levou então o rei D. Manoel (sucessor de D. João II) a alçá-lo a um cargo tão importante? Provavelmente o fato de Cabral ser casado com uma das mulheres mais ricas de Portugal, D. Isabel de Castro.

Com dez naus e três caravelas, a frota comandada por Cabral era a maior e a mais portentosa que Portugal jamais enviara para singrar o Atlântico. Quase todas as expedições anteriores eram constituídas por apenas três caravelas e cerca de 150 tripulantes. Entre marujos, soldados, grumetes, degredados, pilotos, astrônomos, escrivães e capitães de sangue nobre, Cabral conduzia 1500 homens. Seus navios estavam abarrotados de tesouros, cuja luminescência e valor deveria seduzir os rajás indianos. Se o poder do dinheiro falhasse, Cabral também levava canhões, pólvora e espadas afiadas.

Seguindo as instruções de Vasco da Gama, a esquadra zarpou de Lisboa em meio a festas e orações. Tudo transcorreu bem – embora um dos navios tenha sido “comido pelo mar”, de acordo com a terrível e poética frase de então. E assim, no entardecer de 22 de abril de 1500, após de 44 dias em alto-mar, quando se encontrava muito mais a Oeste do que o necessário para contornar a África e chegar à Índia, a expedição deparou com um “monte, mui alto e redondo”, vestido por uma mata luxuriante e silhuetado contra o fulgor do crespúsculo. Estava descoberto o Brasil.

Embora, naquela instante, o “achamento” da nova terra tenha sido considerado pouco mais do que um feliz acidente de percurso, o passar dos anos acabaria revelando que o descobrimento do Brasil era o cerne e o coroamento da aventura portuguesa pelos mares do mundo.

Quinhentos anos depois do luminoso desembarque em Porto Seguro, a extraordinária aventura de Cabral continua repleta de significados e envolta em mistérios insondáveis. Foi uma descoberta casual ou acidental? Cabral estava seguindo uma rota já percorrida por outros portugueses ou foi o primeiro a chegar ao Brasil? Os portugueses de fato desprezaram a nova terra ou apenas aguardaram o momento oportuno para colonizá-la?

Buscar essas respostas e acompanhar a jornada dos homens que as forjaram continua sendo uma viagem apaixonante – não apenas no tempo e no espaço, mas em direção à alma de uma nação e para dentro de nós mesmos. Quem aceita embarcar nessa aventura sai dela apaixonado e engrandecido. Um novo homem em um Novo Mundo.

O descobrimento do Brasil e o comércio à escala mundial

O 2º Encontro sobre laptops na Educação surge da necessidade de compartilharmos experiências e informações a respeito do Projeto UCA – Um Computador por Aluno – que vem sendo desenvolvido no Brasil, institucionalmente, desde o início de 2007. É um projeto baseado nas propostas da Organização sem fins lucrativos “One Laptop per Child” (OLPC).

É também necessário e urgente, repensarmos as metodologias pedagógicas, os ambientes educacionais dentro e fora da tradicional sala de aula, a ética e os valores humanos na comunicação no mundo digital; e acreditamos que a articulação entre os profissionais das diversas áreas da sociedade seja fundamental para tentarmos compreender os processos desse novo mundo no qual já estamos inseridos. Falamos de uma reforma radical nas concepções de ensinar e de aprender com as quais temos lidado até então.
Pretendemos que seja uma série de Encontros, e que essa idéia percorra todo o país, mobilizando educadores, desenvolvedores de sistemas e outros interessados no assunto.

Essa é uma iniciativa particular, colaborativa, envolvendo profissionais de diferentes áreas.

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