Criatividade!

VAMOS PRESTIGIAR O TRABALHO, EMPENHO E CRIATIVIDADE DA NOSSA COLEGA DE PROFISSÃO FÁTIAM RONDON

Esse projeto faz parte da 1° semana literária “Viajando no mundo da leitura”. O tapete foi confeccionado pela prof. Simone

ASSISTA AO VÍDEO ABAIXO:

Vídeo 5. Viajando no mundo da leitura, dos alunos da escola rural EMEB “Sítio dos Campos” cidade de Mogi-Mirim, São Paulo, Brasil

AGORA É SÓ CLICAR AQUI E VOTAR NO VÍDEO 5.

ASSISTA AO OUTRO VÍDEO:

Vídeo 13. “Viagem Pelo Mundo Da Leitura”, da EMEB “Profº Orlando Boni”, Mogi Mirim, S. Paulo, Brasil

AGORA É SÓ CLICAR AQUI E VOTAR NO VÍDEO 13.

Vamos mostrar que a EDUCAÇÃO tem peso para ganhar o Oscar da Internet Brasileira.
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Então é só votar no “Educar Já!”.

E desde já agradeço!!!!

A criatividade não tem limites…

Exposição de arte na Galeria de Arte Moderna de Hirshorn em Washington DC.

A regra era que o artista poderia usar somente uma folha de papel.

ASSISTA AO MARAVILHOSO VÍDEO “AI, QUE SAUDADE DE OCÊ…” NA MELODIOSA VOZ DE CRISTINA MOTTA, UMA COMPOSIÇÃO DE VITAL FARIAS NO “AQUI VOCÊ DESABAFA“.

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Pois a minha amiga Sam do site A vida como a vida quer está promovendo esta oportunidade.

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Para concorrer você só precisa fazer um comentário interessante sobre
este texto ou sobre os preconceitos que afetam o mundo feminino ou das
celebridades. Fácil, né? Ela está esperando ansiosa para ler seus
comentários, suas histórias, simpatia ou antipatia pelo tema. Na
segunda-feira ela divulgrá quem levou o exemplar autografado! ;)
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Datas Comemorativas – Descobrimento do Brasil

Descobrimento do Brasil

Smart Kids

SÉRIES INICIAIS

Quem descobriu o Brasil?

Foi Pedro Álvares Cabral no dia 22 de abril de 1500!
A expedição organizada pelos portugueses a pedido do Rei Dom Manuel tinha como objetivo repetir o feito de Vasco da Gama e chegar às Índias. Estavam em busca de metais preciosos, como o ouro e a prata, e especiarias!

Não se sabe ao certo por que Cabral desviou tanto a oeste da sua rota original, sabemos apenas que não fosse isto os portugueses não teriam descoberto as terras no depois chamado novo mundo.

No dia 22 ouvi-se um grito “terra vista”! Avistaram um monte, que recebeu o nome de Monte Pascal. O nome dado a terra descoberta foi Terra de Santa Cruz, atualmente cidade de Porte Seguro na Bahia. O nome definitivo, Brasil, só veio alguns anos depois, devido a quantidade de pau-brasil encontrado no litoral!

A carta escrita por Pero Vaz Caminha e enviada para o rei em Portugal descreve com detalhes a viagem, a terra descoberta e os nativos. Este é um importante documento histórico para o Brasil e para o mundo!

O primeiro contato com a população local foi feito no dia 23 de abril. Os índios Tupiniquins, de origem tupi-guarani, habitavam o litoral do sul da Bahia. Apesar do choque entre as diferentes culturas, trocaram objetos e cortesias pacificamente.

Frei Dom Henrique celebrou a primeira missa no dia 26 de abril. E acreditem, era domingo de páscoa! Compareceram não só os comandantes e suas tripulações, mas também muitos nativos curiosos atraídos pelo ritual.

Dias depois Cabral seguiu viagem até alcançar Calicute, mas deixaram por lá 2 degradados – condenados por crimes em Portugal – que meses depois foram resgatados e deram contribuições importantes aos portugueses.

CABRAL, O NAVEGADOR MUITO AMADO

Projeto memória

Depois de cumprir a missão que o rei lhe confiara, Pedro Álvares Cabral não quis voltar a embarcar. Refletindo um pouco, logo se conclui que procedeu bem pois um êxito estrondoso dificilmente se repete. Ora, Cabral foi o primeiro navegador da História da Humanidade a ligar quatro continentes numa única viagem. Enfrentou os ânimos mais suaves e mais agressivos dos dois oceanos conhecidos na época. Fortaleceu laços de amizade e fez pactos de comércio com reis e rainhas do Oriente. E descobriu o Brasil. Tudo somado, chega e sobra para encher uma vida.
Este bem sucedido viajante do rei casou com Dona Isabel de Castro, senhora ilustre que descendia da família real portuguesa e da família real castelhana. O casal teve seis filhos, dois rapazes e quatro meninas, batizados com os nomes de Fernando, Antônio, Constança, Guiomar, Isabel e Leonor.
Instalado em Santarém, Pedro Álvares Cabral foi sempre recebendo notícias da linda terra que descobrira, afinal bem maior e mais rica do que se pensava. E recompensas do rei D. Manuel I, à medida que ele compreendia a verdadeira importância daquela descoberta.


O navegador repousa ao lado da mulher numa sepultura na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Santarém. A sua face encontra-se esculpida em pedra na parede do mais belo monumento português, o Mosteiro dos Jerônimos. Aí se encontram também outros navegadores, mas olham em direções diferentes. Vasco da Gama e os companheiros Paulo da Gama e Nicolau Coelho estão virados para Oriente em memória da chegada à Índia. Pedro Álvares Cabral, de sorriso discreto e elegante barbicha, olha para o lado oposto, para Ocidente, para o Brasil.
Quinhentos anos após a sua viagem, continua a ser recordado com amor entre dez milhões de portugueses e cento e sessenta milhões de brasileiros.

O REGRESSO À CASA

No regresso, os homens da armada de Cabral tiveram uma agradável surpresa: encontraram a caravela comandada por Diogo Dias, que todos julgavam afundada no Cabo da Boa Esperança. Afinal estava intacta, havia treze sobreviventes de mil aventuras no Índico e tinham descoberto outra terra que ainda não figurava nos mapas, uma ilha batizada com o nome de São Lourenço e que mais tarde se chamou Madagascar.
Felizes por se reencontrarem, zarparam para Lisboa mas o vento, teimoso como sempre, dispersou os navios, impedindo que chegassem juntos conforme desejavam.
Pedro Álvares Cabral entrou na barra do rio Tejo a 23 de julho de 1501. Tinha passado um ano e quatro meses em viagem, resistira a pavorosas tempestades, a investidas traiçoeiras, a doenças tropicais, a batalhas navais. Trazia os porões carregados de especiarias, sedas e outras preciosidades do Oriente. Trazia também informações animadoras sobre o futuro dos portugueses no Índico e os nomes de novos e poderosos aliados. Podia assim apresentar-se diante do rei D. Manuel I com a serenidade de quem cumpriu a sua missão. No entanto, ao passar a vista pelas margens verdejantes de onde lhe acenavam homens e mulheres ansiosos por notícias dos familiares embarcados, uma sombra de tristeza deve ter pesado sobre seu coração. Tantos companheiros desaparecidos… E tal como muitos outros antes dele e muitos outros depois dele, certamente se interrogou: “Valeu a pena?”

Provavelmente não encontrou logo as palavras certas para uma boa resposta. Em todo caso, certamente pensou que descobrir, conhecer, comunicar, tem o seu preço. E depois, por entre as muitas imagens que lhe cruzaram o espírito, fixou-se numa só: a imagem do mundo novo descoberto a ocidente, suave paragem a caminho da Índia, lugar semelhante às mais belas descrições do paraíso terrestre.
Se não fosse por mais nada, pela terra de Vera Cruz já teria valido a pena!

JORNAL DA HISTÓRIA
Canal Kids

Quando o Brasil foi descoberto, no dia 22 de abril de 1500, ainda não existia jornal impresso e publicado diariamente. Mas… e se já existisse, do jeitinho que a gente conhece hoje? Já pensou como seriam as reportagens sobre o descobrimento do Brasil? No dia em que Cabral desembarcou em Lisboa, em 21 de julho de 1501, seria assim…

NAVEGADOR PORTUGUÊS DESCOBRE NOVAS TERRAS NA AMÉRICA


No dia 22 de abril do ano de 1500, o navegador português Pedro Álvares Cabral e sua frota alcançaram terras desconhecidas, que batizaram de Ilha de Vera Cruz. Eles haviam partido de Portugal no mês anterior com destino às Índias, em busca de ouro e especiarias.

Um desvio na rota acabou fazendo com que chegassem ao novo território – uma terra de grande beleza, como bem descreve a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel I. Apesar de estar sendo recebido em Portugal com todas as glórias, neste dia 21 de julho de 1501, após violento combate em Calicute, há especulações de que Cabral não teria descoberto as novas terras por mero acaso.

EXCLUSIVO! ENTREVISTA COM PEDRO ÁLVARES CABRAL

Jornal da História: Como o senhor chegou às terras brasileiras?

Cabral: Parti de Portugal comandando uma frota de 13 embarcações no dia 8 de março, com 1.500 homens e 8 padres. A maior frota portuguesa até então! Chegaram a terra firme 12 naus, mas infelizmente apenas 6 retornaram a Portugal. Nosso objetivo era alcançar as Índias, para comercializar mercadorias e levar a religião católica para outros povos. Nosso rei, Dom Manuel, queria impressionar o samorim, o rei de Calicute, na Índia, com uma frota rica e poderosa, para melhor fazer negócios. O samorim havia esnobado Vasco da Gama, que desembarcara em Calicute com navios pequenos e sem riquezas.

Jornal da História: É verdade que Portugal já tinha conhecimento da existência dessas novas terras?

Cabral: Isso eu não posso dizer.

Jornal da História: O que o senhor tem a dizer sobre os boatos de que o senhor não seria o primeiro a descobrir as novas terras?

Cabral: Que boatos? Isso é intriga da oposição! Que tipo de jornal é esse que dá ouvidos a boatos?

Jornal da História: Temos nossas fontes. Em 26 de janeiro do ano
de 1500, ou seja, no ano passado, o capitão espanhol Vicente Yáñez Pinzón teria desembarcado em um local que chamou de Santa Maria de La Consolación (Hoje, Ponta do Mucuripe, cerca de 10 quilômetros ao sul da atual Fortaleza, capital do Ceará). Os marujos teriam gravado a data, seus nomes e os de seus navios em árvores e rochas. Outro navegador espanhol, parente de Pinzón, Diego de Lepe, teria chegado ao Brasil no início de fevereiro (Hoje, os historiadores têm opiniões diferentes de onde seria o local Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, ou Cabo de São Roque, a 100 km de Natal, capital do Rio Grande no Norte)

Cabral: Se vocês insistirem nessa história, mando processar o jornal por traição à Coroa de Portugal!

Jornal da História: Bem, essa é uma dúvida que vai intrigar os futuros historiadores… Mas voltando à viagem, como foi a chegada?

Cabral: No dia 22 de abril de 1500, avistamos uma elevação que chamei de Monte Pascoal, porque era época da Páscoa. A presença de aves marinhas e de grandes algas flutuando no mar já indicava a proximidade de terra firme. No dia seguinte, enfrentando as ondas causadas por uma terrível tempestade, conseguimos encontrar uma baía para ancorar, por isso chamei o lugar de Porto Seguro, um lugar muito bonito.

Jornal da História: E o contato com os índios?

Cabral: Havia cerca de 20 nativos na praia, completamente nus, portando arco e flecha. Mas eram bastante amistosos. De início, trocamos algumas roupas e nossas boinas vermelhas por colares de contas. Francamente, fiquei surpreso com o comportamento dos nativos. Um dia, capturamos dois jovens índios e os levamos a bordo. Nós conversamos por gestos e em nenhum momento eles demonstraram medo por estar entre desconhecidos. A tripulação ficou agitada quando os índios apontaram para meu colar de ouro e depois para a terra, como se estivessem querendo dizer que lá também havia ouro. Ficaram deslumbrados com as galinhas que levamos, veja você! Os índios estavam tão à vontade que até dormiram no barco, em pleno convés.

Jornal da História: Depois você seguiu viagem em direção às Índias, onde entrou em conflito e acabou bombardeando Calicute por 15 dias. Como foi o ataque?

Cabral: Essa é uma longa história, que vocês podem deixar para a próxima edição, ora pois…

EXTRA! PORTUGUESES SÃO ABANDONADOS EM TERRA ESTRANHA


Tem gente que gosta mesmo de aventura… Não é que alguns marinheiros portugueses ficaram no Brasil, enquanto o resto da tripulação seguia viagem? Dois deles foram deixados de propósito para servir como informantes do rei. Eram dois degredados, condenados por crimes em Portugal, que abriram o maior berreiro quando foram deixados na praia.

Choraram tanto que até os nativos ficaram comovidos e caíram no choro também. Vinte meses depois, foram resgatados pela expedição de reconhecimento comandada por Américo Vespúcio. Os relatos de um dos chorões, Afonso Ribeiro, foram muito importantes para Portugal. Os outros marinheiros que haviam ficado simplesmente desertaram, cansados da vida sofrida a bordo. Em uma terra tão bonita, com fartura de comida e de índias sem roupa, escapuliram do navio rapidinho e nunca mais foram vistos.

Ninguém nunca soube o que aconteceu com os marujos fujões. Será que conseguiram viver entre os índios? Ou será que serviram de jantar para os índios canibais (aqueles que comem carne humana)?

TERRA DOS PAPAGAIOS

Uma outra curiosidade sobre os primeiros dias da descoberta foi o nome dado ao Brasil. Cabral batizou as novas terras com o nome de Ilha de Vera Cruz (ou da cruz verdadeira, devido à grande cruz fincada no dia da segunda missa).

Mas os marinheiros não estavam nem aí com o nome oficial.Eles inventaram outro nome. Sabe qual? “Terra dos papagaios”. Araras e papagaios multicores enfeitavam a paisagem, e durante mais de três anos, ninguém chamava o Brasil pelo nome dado por Cabral. Os portugueses trocaram quinquilharias e suas toucas vermelhas de marujos por essas aves maravilhosas, que viajaram até Portugal e deslumbraram seus compatriotas d’além mar.

Depois, o Brasil passou a ser chamado de Terra de Santa Cruz, por ordem do rei Dom Manuel. Poucos anos depois, o país seria conhecido como Brasil, devido à grande quantidade de pau-brasil, uma árvore de tronco avermelhado usada para tingir tecidos, muito apreciada na Europa.

Devido à paisagem paradisíaca, o nome do Brasil também pode ter derivado de uma ilha lendária na mitologia celta, a ilha Brazil. Era um lugar mágico perto da Irlanda, que fascinou muitos navegadores e chegou a aparecer em alguns mapas da época.

COMENTÁRIO POLÍTICO: O DESCOBRIMENTO FOI POR ACASO?

Dizem que Cabral descobriu o Brasil por acaso. Será? Tudo indica que os portugueses sabiam da existência dessas terras. Outros navegadores teriam passado bem perto daqui, como o português Duarte Pacheco, em 1498.

A própria viagem de Cristóvão Colombo, que descobriu a América em 1492, sugeria a existência das novas terras ao sul da República Dominicana. Seis anos antes da viagem de Cabral, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas. Nesse documento, os dois países rivais na expansão marítima chegaram a um acordo.

Traçaram uma linha imaginária que passava a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, colônia portuguesa próxima ao continente africano. O mundo ficou dividido em dois: as terras descobertas do lado esquerdo (oeste) dessa linha ficariam com a Espanha; as do lado direito (leste) ficariam com Portugal.

Ora, grande parte do Brasil ficava exatamente do lado português. Ao menos, a parte que mais interessava aos espertos e bem-informados portugueses: seu extenso litoral, rota fundamental para cruzar o Cabo da Boa Esperança e chegar às Índias. Portanto, faz sentido pensar que Cabral tinha uma missão secreta: encontrar as novas terras, garantindo o domínio de Portugal sobre elas.

(Quinhentos anos depois do fechamento desta edição, a polêmica e o mistério continuam. Nenhum dos documentos originais da viagem do descobrimento, como a carta de Pero Vaz de Caminha, deixou indicações definitivas sobre a verdadeira intenção de Cabral)

CULINÁRIA

Segundo os relatos, o encontro inicial entre os índios e os viajantes portugueses aconteceu de maneira pacífica. Só não houve acordo quanto à comida. Os dois índios que subiram a bordo de uma das caravelas experimentaram as comidas e bebidas oferecidas: pão, peixe cozido, bolo, mel, figos secos e vinho.

Não gostaram de nada. Cuspiam fora tudo que colocavam na boca. Não era para menos! Eles não estavam acostumados a nada daquilo.
A alimentação básica dos índios vinha das plantações de milho, inhame, feijão, abóbora e mandioca, além das frutas nativas, como o abacaxi. Até a água oferecida pelos “anfitriões” portugueses não se comparava àquela que os índios bebiam: tinha ficado armazenada em tonéis durante mais de 40 dias e não era nada fresca…

Imaginem se os índios tivessem provado da ração servida nas naus cabralinas! Sairiam correndo! A base da dieta a bordo era um biscoito duro e salgado, bolorento e fedorento, além de carne salgada, cebola, vinagre e azeite. Essa dieta muito pobre em vitaminas, causava uma doença terrível nos marujos, chamada escorbuto. Provocada pela carência de vitamina C, o escorbuto fez muitas vítimas fatais durante as viagens marítimas. Para alívio dos navegantes, no século 18 o capitão inglês James Cook descobriu que o consumo de limões e laranjas, ricos em vitamina C, combatia a doença.

COLUNA SOCIAL

No dia 26 de abril de 1500, domingo de Páscoa, foi realizada a primeira missa em terra firme, na praia. Todos estavam lá: o comandante Pedro Álvares Cabral, a tripulação da frota, os padres que também participaram da viagem.

O frei Dom Henrique celebrou a missa, acompanhada com grande devoção pelos portugueses. O melhor é que os índios, os verdadeiros donos da casa, também apareceram, curiosos para ver aquele desconhecido e solene ritual. Depois da missa, os nativos começaram a tocar conchas e buzinas, pulando e dançando. Resumindo: o primeiro evento social brasileiro foi um sucesso!

No dia 1º de maio, foi erguida a primeira cruz e rezada a segunda missa. Carregando os estandartes da Ordem de Cristo, mais de mil homens da esquadra de Cabral seguiram em romaria até o local escolhido para fincar a grande cruz, de cerca de sete metros.

A cruz foi ali colocada também para assegurar a posse da terra ao rei Dom Manuel, sinalizar uma boa fonte de água e o local onde seriam deixados dois degredados, futuros informantes. Cerca de 80 índios acompanharam a celebração, repetindo os gestos, levantando e se ajoelhando como os portugueses. Um luxo só!

MODA

Entre índios e portugueses, quanta diferença no visual! Os portugueses chegaram com suas roupas pesadas, botas de couro e boinas na cabeça. O tipo de roupa perfeito para o clima frio europeu e para as exigências da nobreza, mas nem um pouco adequado ao calor tropical.

Enquanto isso, os índios nem se preocupavam em vestir alguma coisa. Andavam completamente nus, usando apenas bonitos “acessórios”, como colares e cocares de penas multicoloridas. Para os portugueses, criados numa sociedade bastante diferente, aquilo era totalmente imoral.

Mas para os índios a nudez era a coisa mais natural do mundo. Esquisitas eram aquelas roupas calorentas que ainda por cima atrapalhavam na hora de correr, caçar, subir em árvores…

SEÇÃO DE CARTAS

O Jornal da História obteve, com exclusividade, trechos da carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei Dom Manuel. A carta chegou por meio de Gaspar de Lemos, que comandava a nau de mantimentos da frota de Cabral, enviada de volta a Portugal para dar notícia do “achamento” do Brasil.

Contratado para ser o contador da feitoria em Calicute, na Índia, para onde Cabral depois se dirigiu, Caminha também era escritor de talento. Sua carta, tida como a “certidão de nascimento” do Brasil, descreve com brilho e detalhe os primeiros dias dos portugueses na nova terra e seu contato com os índios.

Pero Vaz faleceu pouco depois, em combate contra os árabes em Calicute. Para homenageá-lo, o Jornal da História pede perdão aos leitores e cede sua Seção de Cartas ao bravo escriba. (Desaparecida durante muitos anos, a carta de Caminha só foi redescoberta e publicada em 1817, pelo historiador português Manuel Aires do Casal)

24 de abril de 1500, Sexta-feira

Sobre os índios

“A feição deles é parda, um tanto avermelhada, com bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas, e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam o lábio de baixo furado e metido nele seus ossos (…) agudos na ponta como furador. (…) Os seus cabelos são lisos. E andavam tosquiados (…) e rapados até por cima das orelhas (…) “

(Caminha, como os outros, ficou maravilhado com a inocência, ingenuidade e beleza dos índios, que se mostraram bastante dóceis desde o início).

O contato a bordo

“Afonso Lopes, nosso piloto, estava em um daqueles navios pequenos. (…) Tomou dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos, que estavam em uma espécie de jangada. Já de noite, Afonso Lopes trouxe-os ao Capitão, em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa. (…) Quando eles vieram, o Capitão estava sentado em uma cadeira, bem-vestido, com um colar de ouro muito grande no pescoço, e tendo aos pés um grande tapete como estrado. (…) Um deles, porém, reparou no colar do Capitão e começou a acenar para a terra e depois para o colar, como se nos quisessem dizer que na terra também havia ouro. (…) Nós assim interpretávamos os seus gestos, porque assim o desejávamos (…)”

(Durante muitos anos, Portugal desprezou o Brasil por considerar que as novas terras não tinham minérios de valor, como ouro, prata e ferro, em seu subsolo, se contentando em pilhar o pau-brasil, madeira valiosa na Europa. Por um bom tempo, o Brasil serviu apenas como rota e porto seguro para as Índias. Hoje sabemos que isso não é verdade, e que o país possui algumas das maiores reservas minerais do mundo!)

26 de abril de 1500, Domingo

O palhaço Diogo Dias

“Do outro lado do rio, andavam muitos deles, dançando e folgando, uns diante dos outros, sem se tomarem pelas mãos. (…) Dirigiu-se, então, para lá, Diogo Dias, homem gracioso e de prazer. Levou consigo um gaiteiro e sua gaita. E meteu-se a dançar com eles, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhes ali, andando no chão, muitas piruetas e salto mortal, de que eles se espantavam e riam muito. Mas como Diogo Dias tocasse neles e os segurasse com essas brincadeiras, logo se tornaram esquivos como animais monteses (…)”

(Apesar de “mansos”, os índios evitavam o contato físico com os portugueses. Demonstravam dessa forma não serem tão ingênuos, assim como o fato de não deixarem os portugueses dormirem na aldeia.)

30 de abril de 1500, Quinta-feira

Gente inocente

“Parecem-me gente de tal inocência que, se nós os entendêssemos, e eles a nós, seriam logo cristãos, porque parecem não ter nenhuma crença. E portanto, se os degradados que aqui hão de ficar aprenderem bem sua fala e os entenderem, não duvido que eles (…) hão de se tornar cristãos em nossa santa fé. Portanto, Vossa Alteza, que tanto deseja fazer crescer a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles . (…) Eles não lavram, nem criam. Nem há aqui boi, vaca, cabra, ovelha, galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado a conviver com o homem. (…) Nesse dia, enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, de maneira que são muito mais nossos amigos do que nós seus (…)”

(Aqui, Caminha se refere à docilidade dos índios, o que poderia facilitar a catequização pelos missionários católicos. É interessante notar a sinceridade do relato neste último trecho, em que Caminha reconhece as “segundas intenções” dos portugueses diante da alegria desinteressada dos índios)

Uma terra rica

“Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem o vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, frios e temperados (…). As águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-se aproveitá-la, dar-se-á nela tudo por causa das águas que tem.”

(Caminha não poderia imaginar o tamanho das riquezas da nova terra descoberta. Imaginem se tivesse visto o rio Amazonas em toda a sua imensidão… ou se soubesse que o Brasil, ainda hoje, possui a maior extensão de terras cultiváveis do mundo!)

BRASIL 500 ANOS DEPOIS

Na época do Brasil Colônia, quase todo mundo morava no campo, onde se concentravam as atividades econômicas mais lucrativas, como os engenhos de cana-de-açúcar. As famílias ricas tinham casas na cidade, mas quase só saíam de suas fazendas nas épocas de festas. Enquanto isso, as cidades eram pouco desenvolvidas, com população pequena que sobrevivia do comércio e das atividades administrativas.

O processo de urbanização e o crescimento das cidades começou a ganhar impulso quando o rei de Portugal, Dom João VI, transferiu a corte portuguesa para o Brasil e se instalou no Rio de Janeiro em 1808, fugindo do conquistador Napoleão Bonaparte.

Imagine o que deve ter sido, para uma cidade de 50 mil moradores, a chegada de mais de 10 mil novos habitantes, vindos da Europa! Foi uma mudança e tanto. A capital da colônia começou a virar “gente grande”: ganhou bibliotecas, novos teatros, passeios públicos. A maior badalação!

Com o crescimento das cidades, muita coisa mudou no Brasil. Muita gente saiu do campo e foi para a cidade, e 500 anos depois, é um país muito diferente …

AS CIDADES CRESCEM

Mesmo com essas mudanças, o Brasil continuou a ser um país basicamente agrícola. Em 1872, já na época do Império, somente 20% da população se dedicava ao setor de serviços ou à indústria. E o Rio de Janeiro permanecia sendo o único grande centro urbano, seguido por Salvador, Recife e Belém.

A partir do final do século 18, depois de proclamada a República, em 1889, teve início o incrível crescimento de São Paulo, cidade que enriqueceu com o comércio do café e atraiu muitos imigrantes. Em apenas 10 anos (1890-1900), a população passou de pouco mais de 60 mil habitantes para quase 240 mil.

A cara do Brasil urbano só começa mesmo a se definir, e muito rápido, a partir dos anos 50. Veja só quanta diferença: em 1940, a população urbana somava apenas 16% da população brasileira; mas em 1980 o número cresceu para 51,5%, quer dizer, a maioria das pessoas passou a morar nas cidades.

Surgiu uma grande quantidade de indústrias, que atraíam muita gente com ofertas de emprego, e o setor de serviços teve um enorme crescimento. Enquanto isso, no campo, as máquinas substituíam muitos trabalhadores, que corriam para as cidades em busca de trabalho.

UM PAÍS DO FUTURO?

Olhando para trás, vemos quanta coisa mudou nos últimos 500 anos! Os índios, que eram os senhores da terra, hoje não podem bobear: precisam lutar por seus direitos a todo momento para que não sejam ainda mais explorados e dizimados. A colônia virou Império e depois República. Mas nunca conseguiu se livrar dos interesses estrangeiros dispostos a tirar suas vantagens…

O povo brasileiro foi se formando através dos séculos, surgindo da mistura de negros, índios e brancos, criando sua própria cultura. Aos poucos, os brasileiros foram descobrindo seu próprio país. Primeiro se estabeleceram no litoral, depois se embrenharam país adentro, explorando o interior, a Amazônia e até construindo uma moderníssima capital, Brasília, em pleno descampado do Planalto Central.

As cidades, que nos primeiros tempos dependiam do campo, onde se concentrava a maioria da população, ganharam cada vez mais importância a ponto de transformar o Brasil num país, hoje, essencialmente urbano.

Com tantas mudanças, é impossível não se perguntar: como serão os próximos 500 anos?

Adolescência, Sexualidade e Drogas

ESCOLA CÉSAR CALS


Segundo a Organização Mundial de Saúde, droga é toda substância que, introduzida em um organismo vivo, pode modificar uma ou mais de suas funções.

Desde muito antes de Cristo, alguns povos usavam plantas como estimulantes, alívio de sofrimentos e dores, auto-castigo ou como forma de contato divino. O álcool também tem um histórico antigo.

Houveram épocas auge para cada tipo de droga. Em 1970 houve a proliferação da cocaína e seus derivados, dentre os quais o “crack” que agora tem representado um grande problema para a sociedade. Recentemente a droga mais popular entre as classes média e alta é o ectasy.

Existem as drogas lícitas, que são as legalmente produzidas e comercializadas, podendo ou não ter sua venda controlada por riscos de causar dependência e por uso indevido, como é o caso do álcool, tabaco, inalantes, solventes e medicamentos.

As drogas ilícitas são substâncias proibidas, dentre as quais estão o crack, LSD, cocaína e maconha.

Algumas drogas são estimulantes e provocam uma reação de alerta. Os usuários têm a impressão de estarem mais fortes e dinâmicos. Há um aumento dos batimentos cardíacos, da respiração, pressão sangüínea, temperatura corporal e a pessoa perde o sono e o apetite.

As drogas depressoras deprimem as atividades do cérebro causando certo relaxamento e provocando uma sensação de calma. Em geral estas drogas afastam sensações desagradáveis. O uso continuado deste tipo de droga causa efeito de retardamento da fala, dos movimentos, prejuízo na memória, alterações de humor e irritabilidade. Altas doses podem gerar convulsões, depressão respiratória e cerebral, levando, inclusive à morte.

Há ainda, o grupo das drogas perturbadoras que são as que produzem distorções, desvios e anormalidades na atividade cerebral, fazendo com que o cérebro funcione desordenadamente, provocando distorção de formas e cores. As alucinações provocadas por estas drogas correspondem a sintomas de doenças mentais graves.


As drogas possuem efeitos que fazem com que as pessoas se interessem pelo seu uso, mas as conseqüências que podem aparecer de curto a longo prazo, dependendo do tipo de droga, estabelecem prejuízos muito mais significativos e daí a necessidade de campanhas preventivas.

Muitas vezes, efeitos falsos são atribuídos às drogas com a finalidade de assustar as pessoas e de mantê-las longe do consumo, mas estas falsas atribuições só atrapalham as campanhas anti-drogas porque as pessoas experimentam, descobrem que os efeitos divulgados não são verdadeiros e desacreditam na parte mais importante para a decisão contra as drogas, que são os prejuízos que aparecem, mesmo que a longo prazo, e que dizem respeito tanto a efeitos físicos como psíquicos gravíssimos e irreversíveis a depender da droga e do tempo de uso.

Uma das drogas mais comuns é a NICOTINA, que tem efeito estimulante e aparece em forma de cigarros altamente divulgados pela mídia. A dependência física e psicológica causadas pelo cigarro são enormes e esta droga também causa bronquite crônica, enfisema pulmonar, doenças do coração, derrame cerebral, úlcera do estômago e diversos tipos de câncer.

O ÁLCOOL , como o tabaco, é lícito e incentivado através da mídia, caracterizando-se um poderoso depressor do sistema nervoso. O álcool provoca desinibição, distúrbios da personalidade, atitudes impulsivas e, logo após, muita sonolência e diminuição do ritmo do corpo. Esta droga pode ocasionar cirrose hepática, coma alcoólico, gastrite e neurite. As dependências física e psicológica são acentuadas e a síndrome de abstinência é uma das mais violentas, causando “delirium tremens” e até alucinações.

Dentre as drogas ilícitas mais usadas estão a MACONHA, que é fumada e provoca efeitos diferentes, dependendo da sensibilidade de cada usuário. Alguns não sentem absolutamente nada ao fumar e outros chegam facilmente a um estado alucinógeno.

A maconha relaxa, dá sonolência, provoca alterações na percepção e na memória, dificuldade de concentração e alterações controversas no desempenho sexual, que para alguns é estimulante e para outros pode provocar impotência.

O consumo regular desta droga provoca alterações de humor e comprometimento na atividade de memória e raciocínio, porque podem acontecer quebras nas ligações entre os neurônios. Há casos em que surtos psicóticos são atribuídos ao uso da droga. A dependência física da maconha é quase inexistente, enquanto que a psicológica pode ser muito significativa.


O LSD-25, ministrado por via oral, provoca reações semelhantes aos sintomas da esquizofrenia aguda, com alucinações, alterações visuais, táteis e despersonalização. É comum que aconteçam suicídios involuntários quando as alucinações causam a impressão, por exemplo, de que se pode voar.

O LSD produz moderada dependência psíquica e, geralmente, não acontece dependência física.

A COCAÍNA é uma das drogas estimulantes do sistema nervoso. Pode ser inalada, ingerida ou injetada. O usuário fica falante, com idéias de grandeza, idéias paranóicas, alucinações visuais, auditivas, táteis e delírios persecutórios. Os efeitos físicos provocam sensação de resistência.

Esta é uma droga muito violenta por provocar efeitos no comportamento social dos usuários, que fazem de tudo para consegui-la.

O CRACK foi desenvolvido na década de 1970, a partir da cocaína, e visava tornar esta droga fumável. Ele é fumado em pedras, colocadas em cachimbos e atinge o cérebro mais rápido do que as outras formas de ingestão da cocaína, prejudicando o equilíbrio hormonal do cérebro. O usuário sente os mesmos efeitos da cocaína e intensa agressividade. Pode provocar convulsão e a degeneração da pessoa se dá muito rapidamente.

As ANFETAMINAS são drogas produzidas em laboratório, usadas para emagrecer ou para manter as pessoas acordadas. Deveriam ser usadas apenas com receita médica, mas são conseguidas facilmente. Podem provocar alucinações, delírios, excitabilidade, sensação de força e até mudança de personalidade. Seu uso provoca dependência física e psicológica.

Os INALANTES e SOLVENTES são produtos químicos usados por inalação e que provocam perda de equilíbrio, falta de coordenação motora, hilaridade e excitação. A dependência física e psicológica é grande.

Existem as drogas encontradas em farmácias, que são os CALMANTES e SEDATIVOS, classificados como BARBITÚRICOS e os TRANQUILIZANTES e ANSIOLÍTICOS, classificados como BENZODIAZEPÍNICOS, utilizados para induzir o sono e tranqüilizar, provocando alta dependência física e psíquica.

As pessoas podem ter curiosidade em relação às drogas, experimentá-las e não reincidir no uso; podem usar moderadamente; podem ter hábito do uso, apresentando alguma dependência psicológica ou serem dependentes, caracterizando-se como toxicômanos.

O uso de drogas pelos adolescentes pode ser influenciado pela família, escola, amigos ou pela comunidade. As relações estabelecidas em cada um destes ambientes e os exemplos interferem na consciência desenvolvida a respeito das drogas, na relação com elas e nas informações necessárias para uma escolha adequada.

A ilegalidade tornou a distribuição das drogas uma atividade marginal de responsabilidade de narcotraficantes, que possuem poder e controle de algumas regiões do Brasil e do mundo, como é o caso dos morros do Rio de Janeiro.

Novas leis a respeito da liberação e descriminalização das drogas têm sido discutidas no Congresso Nacional.

Cerca de 20% das crianças que nascem a cada ano no Brasil são filhas de adolescentes. Comparado à década de 70, três vezes mais garotas com menos de 15 anos engravidam hoje em dia. A maioria não tem condições financeiras nem emocionais para assumir essa maternidade. Acontece em todas as classes sociais mas a incidência é maior e mais grave em populações mais carentes. O rigor religioso e os tabus morais internos à família, a ausência de alternativas de lazer e de orientação sexual específica contribuem para aumentar o problema. Por causa da repressão familiar, algumas adolescentes grávidas fogem de casa. Quase todas abandonam os estudos. Com isso, interrompem seu processo de socialização e abrem mão de sua cidadania.

Psicólogos, assistentes sociais, médicos e pedagogos concordam que a liberalização da sexualidade, a desinformação sobre o tema, a desagregação familiar, a urbanização acelerada, as precariedades das condições de vida e a influência dos meios de comunicação são os maiores responsáveis pelo aumento do número de adolescentes grávidas.

A solução não está nas mãos da prefeitura, mas algumas ações podem ser feitas, diminuindo a incidência do problema e minimizando seus efeitos negativos na vida das adolescentes.

Como prevenção, exige-se do poder público que ofereça programas efetivos de orientação sexual e planejamento familiar, em contrapartida ao estímulo à sexualidade apresentado pela mídia. Além disso, as adolescentes grávidas, ou que já são mães, precisam ter alternativas para que possam continuar seus estudos e garantir o sustento do filho.

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

A adolescência é uma espécie de preparação para assumir o papel de adulto, que é definido principalmente por ter um trabalho que garanta a sobrevivência de um lar. Ao mesmo tempo, a juventude é entendida como uma fase da vida que se caracteriza pelo aumento de autonomia em relação à infância, permitindo-se ao jovem que deixe o espaço doméstico e penetre em espaços públicos como ruas e praças. Para a jovem mulher esse processo é mais difícil por causa de condicionamentos culturais, que limitam sua autonomia na elaboração de projetos de vida, quase sempre exigindo que se mantenha nos limites do núcleo familiar.

Se além da dificuldade de construir sua identidade, administrar emoções e entender as mudanças que acontecem com seu corpo, houver uma sobrecarga de necessidades fisiológicas e psicológicas, a adolescência pode se caracterizar como um processo de ruptura, inviabilizando a formação de um adulto saudável, equilibrado, consciente de seus direitos.

No caso das mulheres, vítimas do preconceito sexual, uma ruptura decorrente de uma gravidez precoce pode acarretar o que se chama de risco psicossocial.

E a comunidade médica tem alertado que as conseqüências de uma gravidez na adolescência não se resumem apenas aos fatores psicológicos ou sociais. A gravidez precoce põe em risco de vida tanto a mãe quanto o recém-nascido. Na faixa dos 14 anos a mulher ainda não tem uma estrutura óssea e muscular adequada para o parto e isso significa uma alta probabilidade de risco para ela e para o feto. O resultado mais comum em uma gestação precoce é o nascimento de um bebê com peso abaixo do normal o que exige cuidados médicos especiais de acompanhamento do recém-nascido.

Além disso, o medo da gravidez leva muitas adolescentes à solução do aborto clandestino: segundo dados da Organização Mundial de Saúde, dos 4 milhões de abortos praticados por ano no Brasil, 1 milhão ocorrem entre adolescentes; muitas delas ficam estéreis e cerca de 20% morrem em decorrência do aborto.

Dados sobre a Gravidez na Adolescência

18% das adolescentes de 15 a 19 anos já haviam ficado grávidas alguma vez.
1 em 3 mulheres de 19 anos já são mães ou estão grávidas do 1º filho.
1 em 10 mulheres de 15 a 19 anos já tinham 2 filhos.
49,1% destes filhos foram indesejados.
20% das adolescentes residentes na zona rural tem pelo menos 1 filho.
13% das adolescentes residentes na área urbana tem pelo menos 1 filho.
54% das adolescentes sem escolaridade já haviam ficado grávidas.
6,4% das adolescentes com mais de 9 anos de escolaridade ou já eram mães ou estavam grávidas do 1º filho.
20% das adolescentes residentes na região norte tem pelo menos 1 filho.
9% das adolescentes residentes na região centro-oeste tem pelo menos 1 filho.

A sexualidade é um assunto desconhecido para a maioria das pessoas e portanto é comum que tenhamos muitas dúvidas a respeito dela.
Existem muitos preconceitos e moralismos em torno deste assunto, o que o transforma em um tabu e facilita o alto número de informações incorretas que temos a respeito.

Muitas instituições e até famílias, proíbem a educação sexual ou deixam que as informações sejam dadas apenas em nível de anatomia, fisiologia do corpo e mecanismos de reprodução.

O sexo é muito mais do que isto. Para falar do assunto, teríamos que considerar questões fundamentais como o prazer, o desejo, proibições, perigos, noções de erro e a culpa implicada nas questões relativas a ele.

Uma das questões mais determinantes dos problemas em relação à sexualidade, dizem respeito ao conflito entre o desejo sexual e a repressão a eles.

Sexo é um assunto que está em todos os lugares, na TV, jornais, cinema, revistas, piadas e na vida cotidiana, mas, por vergonha, por proibições, por medo de que os amigos pensem que somos desenformados, por medo de pensarem que somos promíscuos e por uma série de outros fatores, nunca perguntamos a respeito. Esta situação nos impede de adquirir uma informação correta, que certamente poderia ajudar a diminuir o medo, as dúvidas e os enganos sobre o assunto.

É muito comum que os jovens tenham dúvidas de até onde podem ir, ou seja, de que grau de intimidade podem ter numa relação a dois. Esta questão pode ser muito complicada para algumas pessoas, sejam elas do sexo masculino ou feminino.

Para as meninas é comum a ansiedade, causada por não saberem se deram intimidade de mais ou de menos e se com isto vão “ficar faladas” ou parecer “bobinhas”. Para os meninos pode ser difícil saber como se comportar na primeira relação sexual ou complicado entenderem o que pode estar acontecendo em determinadas situações.

O fato é que as pressões são muitas e de todos os lados e o desejo é fortemente barrado por questões morais.

Sem o acesso às informações, muitas dúvidas são comuns, não só para os jovens, mas para todas as pessoas. As questões mais freqüentes dizem respeito ao homossexualismo, ao orgasmo, aos métodos contraceptivos, ao aborto, masturbação, primeira relação sexual, gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis e outros temas que podem gerar muita ansiedade quando não são devidamente esclarecidos.

A sexualidade é considerada como tema na psicologia, biologia, medicina, antropologia sociologia, sexologia e outras ciências que estudam aspectos diferentes desta mesma questão.

A psicologia pode tratar do prazer, dos sentimentos que acompanham a nossa vida sexual e da diferença entre sexo e sexualidade.


O homem não tem um comportamento sexual apenas instintivo. Ele é influenciado por valores de sua cultura e escolhe seus parceiros. Sua ação tem um componente racional que o diferencia dos animais. O sexo praticado pelo ser humano é muito mais fortalecido pelo prazer que proporciona do que pela função reprodutiva. Para o homem o prazer é fundamental.

Um dos pioneiros no estudo da fonte do prazer foi Freud, que causou impacto ao defender que a sexualidade não é iniciada na puberdade, como supunham os moralistas do começo do século, mas que se inicia desde o nascimento.

Para Freud, o reflexo da sucção ocasiona o prazer do contato da mucosa bucal com o seio materno. Ele considera que a primeira manifestação da sexualidade acontece quando o bebê descobre que o dedo na boca também dá prazer e passa a fazê-lo não para a própria sobrevivência, mas pelo prazer em si, o que caracteriza o erotismo.

Para a psicanálise, o prazer é a maneira de dar vazão à libido, que é um forte impulso sexual que vai se desenvolvendo junto com as características psicológicas e maturacionais do indivíduo.

A psicanálise caracteriza o desenvolvimento sexual em três fazes: a oral, a anal e a fálica.

Para Freud, a sexualidade inicial não tem caráter genital e trata-se apenas da organização do impulso libidinal.

PROJETO – DROGAS: FIQUE FORA!

PROJETO DE APRENDIZAGEM DESENVOLVIDO PELOS PROFESSORES FACILITADORES
E.E. ANTÔNIO CANELA – MONTES CLAROS / MG

Justificativa:

Os jovens estão cada vez mais usando tóxicos e colocando em risco sua saúde e seu futuro.

Desde o “inocente” copo de cerveja, muitas vezes, em reuniões familiares, até o contato com drogas mais pesadas, o caminho pode não ser longo.

Como impedir que esse quadro se torne mais e mais dramático?

A prevenção é um caminho seguro. Uma educação específica sobre o assunto se faz imprescindível nas escolas; é preciso conscientizar jovens e adolescentes, pais e educadores, enfim, unirmos a comunidade, para discutirmos o assunto com coragem, decisão e espírito reflexivo.

Toda a sociedade se organiza para enfrentar tão grave problema, e a história mostra que das crises é que surgiram as grandes soluções.

Acreditamos que quando alguém usa drogas, não imagina a extensão dos vícios e as conseqüências desastrosas que futuramente poderão lhe advir.

Precisamos cuidar dos nossos jovens. Orientar e direcioná-los num caminho seguro, é nosso dever como educadores e cidadãos conscientes.

Queremos lembrar a sábia advertência gravada nas páginas do evangelho: “Conheceis a verdade e a verdade vos libertará!”

Tema: (Transversal)

Saúde
Vida familiar e social
Trabalho
Ética

Projeto:

O tema sobre drogas será abordado a partir da área de Ciências tendo outras áreas de conhecimento como apoio. A informática será utilizada sempre que possível como suporte nas atividades do Projeto.

Ciências
Matemática
Português
História
Geografia
Ed. Física
Ed. Religiosa

Objetivo Pedagógico Geral:

Possibilitar aos alunos através de pesquisas, análises, discussões, reflexões, a conscientização dos perigos e males que as drogas podem trazer às sus vidas.

Objetivos Pedagógicos Específicos:

Áreas Disciplinares:

1. Ciências/Química/Física:

Elaborar conceito de drogas.
Classificar tipos de drogas e relatar conseqüências.
Conhecer e relatar os primeiros socorros para usuários de drogas em crise.
Apresentar propostas para a cura do viciado.

2. Língua Portuguesa:

Desenvolver habilidades de leitura, interpretação, linguagem oral e produção de textos através de livros literários e textos diversos.
Desenvolver habilidades artísticas através de apresentação de poemas, paródias e dramatizações.
Analisar propaganda de TV, rádio e jornal alusivas ao tema.
Construir slogans e cartaz propaganda para conscientização sobre os malefícios da droga.

3. Matemática:

Coletar dados estatísticos sobre as drogas.
Construir gráficos com os dados levantados.
Analisar e construir tabelas.
Interpretar e sintetizar os dados estudados.
Resolver problemas operatórios utilizando os dados obtidos.

4. História:

Pesquisar a origem da droga e discutir o consumo na sociedade atual.
Conhecer a legislação brasileira que dispõe da lei anti-tóxicos.
Discutir sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente em relação às drogas.

5. Geografia:

Localizar em mapas os principais países produtores e consumidores de drogas.
Analisar tabelas de distribuição territorial do narcotráfico.
Discutir sobre o que diferencia os países que produzem e os que consomem drogas ( economia, questão social e climática).

6. Educação Física:

Fazer o levantamento dos detectores utilizados para comprovar o uso da droga pelos esportistas e outros.
Discutir fatos atuais que envolvem esportistas que fizeram uso de drogas.
Promover uma campanha através de um campeonato com o lema “Quem pratica esportes, não usa drogas”.
Procurar patrocinadores para doação de camisetas.

TEMAS TRANSVERSAIS:

1. Ensino Religioso:

Discutir sobre o que leva o adolescente procurar refúgio nas drogas.
Refletir sobre “O preço da liberdade é uma eterna vigilância”.
Discutir sobre a importância da escola (educação) como condutora de conhecimento e formadora de valores e conduta.
Compreender através de reflexões sobre a importância da fé e solidariedade como forma de libertação, relação de vida e construção da cidadania.
Organizar uma palestra informativa sobre “drogas” para pais ou responsáveis.

Tempo: 02 meses

Abrangência: Todo o Ensino Fundamental e Ensino Médio

CIÊNCIAS
Problematização

Assistir ao filme:

“Meninos de Rua” – 1º ciclo

” Morrer em vida” – 2º ciclo

Discutir:

- O que significa “morrer em vida”?

- Você acha que álcool e cigarro são drogas? Se concorda, por que são comercializadas livremente?

- Quais os motivos podem levar um jovem a usar drogas?

- Como ajudar uma pessoa que usa drogas a livrar-se do vício?

- Você acha que alguém que usa drogas pode ter bom desempenho na escola, e sucesso na vida?

Registrar o comentário do grupo sobre o filme.

Organização do projeto

Levantamentos dos conheci-mentos prévios e os desejados.
Levar os professores para o laboratório para que eles possam levantar as certezas e as dúvidas sobre as drogas.

Detalhamento Pedagógico
Levantamento de dados: Pesquisar na Biblioteca o conceito de drogas e os diferentes tipos.

Proposta interdisciplinar:
Fazer uma tabela de diferentes tipos de droga.

Preparar um roteiro para entrevistar um profissional para falar sobre tipos de drogas mais conhecidas e relatar seus danos sociais, psíquicos e físicos causados pelo uso.

Entrevistar profissional segundo roteiro, discussão e avaliação dos resultados.
Preparar um questionário para levantar opiniões sobre o uso de drogas.
Entrevistar o usuário.
Listar os primeiros socorros para usuários de drogas em crise.
Levantar proposta para cura do viciado.

Português

Confronto de pontos de vista:

Propor a leitura textos diversos e dos livros:
“Alcoolismo – questão de bom censo”,
“Macaco, Leão ou porco? … o abuso do álcool e seus problemas …”,
“Vou fazer meu pai parar de fumar”,
“Conversando sobre cigarro”,
“Drogas, uma história diferente” , etc.,

Apresentar a leitura através do conto, criação de poemas, paródias, dramatizações, júri simulado, discussões, etc

Trazer para a sala propaganda de TV, rádio e jornal sobre o tema abordado.

Construir slogans e cartaz propaganda para conscientização dos jovens sobre os malefícios das drogas.

Deflagrar uma campanha sobre os Malefícios das Drogas.

Matemática

Tabular dados estatísticos sobre os países que consomem drogas e países que produzem; e construir gráficos e tabelas
Interpretar dadas levantados.

Resolver problemas operatórios

História

Socialização das entrevistas e pesquisas:

Elaborar roteiro de pesquisa na Biblioteca: origem da droga, o consumo na sociedade
Legislação Brasileira que dispões sobre às drogas.

Estatuto da Criança e do Adolescente em relação às drogas.

Fazer apresentação, debate e jornal mural.

Geografia

Analisar tabelas de distribuição territorial do narcotráfico e localizar em mapas os principais países produtores e consumidores de drogas.

Discutir sobre a influência da questão social- econômica e climática nos países produtores e consumidores de drogas.

Educação Física

Fazer levantamento dos detectores utilizados para comprovar o uso de drogas pelos esportistas e outros e discutir fatos atuais.
Elaborar um campeonato interno com o lema” Quem pratica esportes, não usa drogas”.

Organizar uma pixação orientada nos muros internos da quadra, com slogans criados pelos alunos.

Procurar patrocinadores para doação dos jogos de camisetas.

Registro de hipóteses e conclusão

Organizar todo o material gerado ao longo do projeto:
Relatório de entrevistas
Gráficos de resultados de pesquisas
Tabelas elaboradas
Produções de textos
Paródias
Poemas
Dramatizações
Slogans
Cartaz propaganda
Jornal mural, etc.
Fazer uma exposição interna aberto à comunidade.

Avaliação do Projeto Pedagógico

Avaliar a aprendizagem e os aspectos de interdisciplinariedade
Avaliar a participação de cada aluno, os grupos e a participação da escola.

Começam inscrições para prêmio que vai reconhecer boas práticas de leitura

Brasília – As inscrições para o Prêmio Vivaleitura 2008, que integra o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), começam hoje (2) e vão até o dia 8 de julho. Criado com o objetivo de estimular, fomentar e reconhecer boas práticas de leitura, o prêmio será oferecido em três categorias: bibliotecas públicas, privadas e comunitárias; escolas públicas e privadas; e sociedade, que engloba empresas, organizações não-governamentais, pessoas físicas, universidades e instituições sociais.

Segundo informações do Ministério da Cultura, este ano o valor do prêmio será de R$ 30 mil, para cada um dos vencedores nas três categorias. As inscrições podem ser feitas pela internet ou pelo correio, em carta endereçada a Prêmio Vivaleitura 2008, caixa postal 710377, CEP 03410-970, São Paulo (SP).

O prêmio é uma iniciativa dos Ministérios da Cultura e da Educação, em conjunto com a Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). É realizado e patrocinado pela Fundação Santillana, com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

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Datas Comemorativas – Dia Internacional do Livro Infantil

02 DE ABRIL – DIA INTERNACIONAL DO LIVRO IFANTIL

Extraído do Brasil Escola

A escolha desta data para comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil foi feita em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Hans foi um renomado escritor de histórias infantis, escreveu mais de 156 contos. Entre suas obras destaca-se “O patinho feio”, “O soldadinho de chumbo” e “As roupas novas do imperador”.

A data é comemorada em mais de 60 países e é uma tentativa de despertar nas crianças o interesse pela literatura. A literatura infantil surgiu no século XVII com Fenélon (1651-1715), com a função de educar moralmente as crianças.

Essa literatura engloba desde os clássicos da literatura mundial aos livros apenas ilustrados e estimula o universo cognitivo da criança, aumentando seu potencial de aprendizado. Humberto Eco disse certa vez: “qualquer passeio pelos mundos ficcionais tem a mesma função de um brinquedo infantil. As crianças brincam com a boneca, cavalinho de madeira ou pipa a fim de se familiarizar com as leis físicas do universo e com os atos que realizarão um dia”. Assim, a literatura infantil procura dar sentido a fatos que aconteceram, estão acontecendo ou vão acontecer no mundo real. Essa é a razão que estimula as pessoas a continuar contando histórias.
Juscelino Tanaka

Estudo das diversas modalidades de textos infantis

Fábulas (do latim- fari – falar e do grego – Phao – contar algo)


Narrativa alegórica de uma situação vivida por animais, que referencia uma situação humana e tem por objetivo transmitir moralidade. A exemplaridade desses textos espelha a moralidade social da época e o caráter pedagógico que encerram. É oferecido, então, um modelo de comportamento maniqueísta; em que o “certo” deve ser copiado e o “errado”, evitado. A importância dada à moralidade era tanta que os copistas da Idade Média escreviam as lições finais das fábulas com letras vermelhas ou douradas para destacar.

A presença dos animais deve-se, sobretudo, ao convívio mais efetivo entre homens e animais naquela época. O uso constante da natureza e dos animais para a alegorização da existência humana aproximam o público das “moralidades”. Assim apresentam similaridade com a proposta das parábolas bíblicas.

Algumas associações entre animais e características humanas, feitas pelas fábulas, mantiveram-se fixas em várias histórias e permanecem até os dias de hoje.

leão – poder real
lobo – dominação do mais forte
raposa – astúcia e esperteza
cordeiro – ingenuidade


A proposta principal da fábula é a fusão de dois elementos: o lúdico e o pedagógico. As histórias, ao mesmo tempo que distraem o leitor, apresentam as virtudes e os defeitos humanos através de animais. Acreditavam que a moral, para ser assimilada, precisava da alegria e distração contida na história dos animais que possuem características humanas. Desta maneira, a aparência de entretenimento camufla a proposta didática presente.

A fabulação ou afabulação é a lição moral apresentada através da narrativa. O epitímio constitui o texto que explicita a moral da fábula, sendo o cerne da transmissão dos valores ideológicos sociais.

Acredita-se que esse tipo de texto tenha nascido no século XVIII a.C., na Suméria. Há registros de fábulas egípsias e hindus, mas atribui-se à Grécia a criação efetiva desse gênero narrativo. Nascido no Oriente, vai ser reinventado no Ocidente por Esopo (Séc. V a.C.) e aperfeiçoado, séculos mais tarde, pelo escravo romano Fedro (Séc. I a.C.) que o enriqueceu estilisticamente. Entretanto, somente no século X, começaram a ser conhecidas as fábulas latinas de Fedro.

Ao francês Jean La Fontaine (1621/1692) coube o mérito de dar a forma definitiva a uma das espécies literárias mais resistentes ao desgaste dos tempos: a fábula, introduzindo-a definitivamente na literatura ocidental. Embora tenha escrito originalmente para adultos, La Fontaine tem sido leitura obrigatória para crianças de todo mundo.

Podem-se citar algumas fábulas imortalizadas por La Fontaine: “O lobo e o cordeiro”, “A raposa e o esquilo”, “Animais enfermos da peste”, “A corte do leão”, “O leão e o rato”, “O pastor e o rei”, “O leão, o lobo e a raposa”, “A cigarra e a formiga”, “O leão doente e a raposa”, “A corte e o leão”, “Os funerais da leoa”, “A leiteira e o pote de leite”.


O brasileiro Monteiro Lobato dedica um volume de sua produção literária para crianças às fábulas, muitas delas adaptadas de Fontaine. Dessa coletânea, destacam-se os seguintes textos: “A cigarra e a formiga”, “A coruja e a águia”, “O lobo e o cordeiro”, “A galinha dos ovos de ouro” e “A raposa e as uvas”.

Contos de Fadas
Quem lê “Cinderela” não imagina que há registros de que essa história já era contada na China, durante o século IX d. C.. E, assim como tantas outras, tem-se perpetuado há milênios, atravessando toda a força e a perenidade do folclore dos povos, sobretudo, através da tradição oral.

Pode-se dizer que os contos de fadas, na versão literária, atualizam ou reinterpretam, em suas variantes questões universais, como os conflitos do poder e a formação dos valores, misturando realidade e fantasia, no clima do “Era uma vez…”.

Por lidarem com conteúdos da sabedoria popular, com conteúdos essenciais da condição humana, é que esses contos de fadas são importantes, perpetuando-se até hoje. Neles encontramos o amor, os medos, as dificuldades de ser criança, as carências (materiais e afetivas), as auto-descobertas, as perdas, as buscas, a solidão e o encontro.

Os contos de fadas caracterizam-se pela presença do elemento “fada”. Etimologicamente, a palavra fada vem do latim fatum (destino, fatalidade, oráculo).


Tornaram-se conhecidas como seres fantásticos ou imaginários, de grande beleza, que se apresentavam sob forma de mulher. Dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais, interferem na vida dos homens, para auxiliá-los em situações-limite, quando já nenhuma solução natural seria possível.

Podem, ainda, encarnar o Mal e apresentarem-se como o avesso da imagem anterior, isto é, como bruxas. Vulgarmente, se diz que fada e bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher, ou da condição feminina.

O enredo básico dos contos de fadas expressa os obstáculos, ou provas, que precisam ser vencidas, como um verdadeiro ritual iniciático, para que o herói alcance sua auto-realização existencial, seja pelo encontro de seu verdadeiro “eu”, seja pelo encontro da princesa, que encarna o ideal a ser alcançado.

Estrutura básica dos contos de fadas
Início – nele aparece o herói (ou heroína) e sua dificuldade ou restrição. Problemas vinculados à realidade, como estados de carência, penúria, conflitos, etc., que desequilibram a tranqüilidade inicial;
Ruptura – é quando o herói se desliga de sua vida concreta, sai da proteção e mergulha no completo desconhecido;
Confronto e superação de obstáculos e perigos – busca de soluções no plano da fantasia com a introdução de elementos imaginários;
Restauração – início do processo de descobrir o novo, possibilidades, potencialidades e polaridades opostas;
Desfecho – volta à realidade. União dos opostos, germinação, florescimento, colheita e transcendência.

Lendas (do latim legenda/legen – ler)
Nas primeiras idades do mundo, os seres humanos não escreviam, mas conservavam suas lembranças na tradição oral. Onde a memória falhava, entrava a imaginação para suprir-lhe a falta. Assim, esse tipo de texto constitui o resumo do assombro e do temor dos seres humanos diante do mundo e uma explicação necessária das coisas da vida.


A lenda é uma narrativa baseada na tradição oral e de caráter maravilhoso, cujo argumento é tirado da tradição de um dado lugar. Sendo assim, relata os acontecimentos numa mistura entre referenciais históricos e imaginários. Um sistema de lendas que tratem de um mesmo tema central constiruem um mito (mais abrangente geograficamente e sem fixação no tempo e no espaço).

A respeito das lendas, registra o folclorista brasileiro Câmara Cascudo no livro Literatura Oral no Brasil:

Iguais em várias partes do mundo, semelhantes há dezenas de séculos, diferem em pormenores, e essa diferenciação caracteriza, sinalando o típico, imobilizando-a num ponto certo da terra. Sem que o documento histórico garanta veracidade, o povo ressuscita o passado, indicando as passagens, mostrando, como referências indiscutíveis para a verificação racionalista, os lugares onde o fato ocorreu. (CASCUDO, 1978 , p. 51)

A lenda tem caráter anônimo e, geralmente, está marcada por um profundo sentimento de fatalidade. Tal sentimento é importante, porque fixa a presença do Destino, aquilo contra o que não se pode lutar e demonstra o pensamento humano dominado pela força do desconhecido.

O folclore brasileiro é rico em lendas regionais. Destacam-se entre as lendas brasileiras os seguintes títulos: “Boitatá”, “Boto cor-de-rosa”, “Caipora ou Curupira”, “Iara”, “Lobisomem”, “Mula-sem-cabeça”, “Negrinho do Pastoreio”, “Saci Pererê” e “Vitória Régia”.

Nas primeiras idades do mundo, os homens não escreviam. Conservavam suas lembranças na tradição oral. Onde a memória falhava, entrava a imaginação para supri-la e a imaginação era o que povoava de seres o seu mundo.

Todas as formas expressivas nasceram, certamente, a partir do momento em que o homem sentiu necessidade de procurar uma explicação qualquer para os fatos que aconteciam a seu redor: os sucessos de sua luta contra a natureza, os animais e as inclemências do meio ambiente, uma espécie de exorcismo para espantar os espíritos do mal e trazer para sua vida os atos dos espíritos do bem.

A lenda, em especial as mitológicas, constitui o resumo do assombro e do temor do homem diante do mundo e uma explicação necessária das coisas. A lenda, assim, não é mais do que o pensamento infantil da humanidade, em sua primeira etapa, refletindo o drama humano ante o outro, em que atuam os astros e meteoros, forças desencadeadas e ocultas.

A lenda é uma forma de narrativa antiqüíssima, cujo argumento é tirado da tradição. Relato de acontecimentos, onde o maravilhoso e o imaginário superam o histórico e o verdadeiro.

Geralmente, a lenda está marcada por um profundo sentimento de fatalidade. Este sentimento é importante, porque fixa a presença do Destino, aquilo contra o que não se pode lutar e demonstra, irrecusavelmente, o pensamento do homem dominado pela força do desconhecido.

De origem muitas vezes anônima, a lenda é transmitida e conservada pela tradição oral.

Poesia

O gênero poético tem uma configuração distinta dos demais gêneros literários. Sua brevidade, aliada ao potencial simbólico apresentado, transforma a poesia em uma atraente e lúdica forma de contato com o texto literário.

Há poetas que quase brincam com as palavras, de modo a cativar as crianças que ouvem, ou lêem esse tipo de texto. Lidam com toda uma ludicidade verbal, sonora e musical, no jeito como vão juntando as palavras e acabam por tornar a leitura algo muito divertido.

Como recursos para despertar o interesse do pequeno leitor, os autores utilizam-se de rimas bem simples e que usem palavras do cotidiano infantil; um ritmo que apresente certa musicalidade ao texto; repetição, para fixação da idéias, e melhor compreensão dentre outros.

Pode-se refletir, acerca da receptividade das crianças à poesia, lendo as considerações de Jesualdo:

“(…) a criança tem uma alma poética. E é essencialmente criadora. Assim, as palavras do poeta, as que procuraram chegar até ela pelos caminhos mais naturais, mesmo sendo os mais profundos em sua síntese, não importa, nunca serão melhor recebidas em lugar algum do que em sua alma, por ser mais nova, mais virgem (…)”

CRISTIANE MADANÊLO DE OLIVEIRA. “ESTUDO DAS DIVERSAS MODALIDADES DE TEXTOS INFANTIS” [online]
Disponível na internet via WWW URL: http://www.graudez.com.br/litinf/textos.htm
Capturado em 1/4/2008

Agradeço a colaboração da professora Regiane Amadei – Taubaté – SP

Branca de Neve

Você poderá assistir outros vídeos dos clássicos entrando no: