Problemas de visão e a aprendizagem

MANUAL DE BOA VISÃO ESCOLAR

Programa Menina dos Olhos de Guarulhos

CUIDADOS COM OS OLHOS DOS RECÉM-NASCIDOS

1) O NENÊ JÁ NASCE ENXERGANDO?

Não. O recém-nascido apenas percebe luz e vultos, os quais ainda
não sabe interpretar. Assim como ele não sabe falar e andar, também
não sabe ver. Com o passar dos meses, se estiver tudo em ordem com
seus olhos, irá desenvolvendo progressivamente sua visão.
Ao redor de 5 anos de idade, na maioria das crianças, a visão será igual
à do adulto.

2) COMO ENXERGAMOS?

A luz que entra no olho passa por várias camadas e atinge a retina,
onde é transformada em estímulos elétricos, os quais são enviados ao
cérebro através do nervo óptico (ver página 24).
O cérebro interpreta as informações recebidas e as armazena na
memória, de maneira semelhante ao banco de dados de um computador.


3) O QUE DEVO PERCEBER NOS OLHOS DO RECÉM-NASCIDO QUE
INDIQUE ALGUMA ALTERAÇÃO OCULAR?

Deve-se estar atento para:
???? A presença de olhos vermelhos;
???? Secreção (pus);
???? Pupila (menina dos olhos) branca;
???? Lacrimejamento constante;
???? Olhos grandes que fogem da luz;
???? Olhos estrábicos (vesgos, tortos);
???? Olhos esbranquiçados.
Em todos esses casos, levar o recém-nascido com URGÊNCIA ao oftalmologista!

4) LEITE MATERNO PODE CURAR CONJUNTIVITE?

Não. Se o bebê tiver conjuntivite (dor d’olhos), levar ao
oftalmologista, o qual irá receitar colírios específicos para o problema.
Somente colírios podem ser colocados nos olhos.

Lembrete: Algumas conjuntivites são muito perigosas e, se não tratadas precocemente, podem levar à cegueira, como a conjuntivite da
gonorréia.

5) COMO POSSO LIMPAR OS OLHOS DO BEBÊ?

Para limpar os olhos do bebê, deve-se utilizar gaze ou pano limpo,
molhado em água filtrada e fervida. Fazer movimentos delicados sem
apertar os olhos.


6) O SOL FAZ MAL PARA OS OLHOS DO
BEBÊ?

Quando sair ao sol, proteja os olhos
do bebê com uma fraldinha limpa ou
chapeuzinho. O sol das 7h00 às 10h00 é
fundamental para os ossos do bebê,
mas é prejudicial se olhado diretamente.

7) O BEBÊ PODE TER O CANAL LACRIMAL
ENTUPIDO E LACRIMEJAR?

Sim. O bebê pode nascer com o canal, que leva a lágrima para o
nariz, entupido. O problema, normalmente, é tratado com massagens e
uso de colírios antibióticos. Porém, se isso não resolver, deve ser feita
uma sondagem das vias lacrimais (desbloqueio do canal) antes do 1º ano
de vida.

8) QUAIS OUTRAS DOENÇAS SÃO COMUNS NO RECÉM-NASCIDO?

Glaucoma Congênito (lacrimejamento, aversão à luz, olhos grandes).
Ocorre nos dois olhos e necessita de tratamento imediato, pois pode
levar à cegueira;

Catarata Congênita (menina dos olhos branca, não fixa objetos).
Ocorrendo nos dois olhos, o tratamento precisa ser imediato.
Lembrete: A visão é o sentido mais importante do ser humano, por isso deve-se cuidar muito bem da saúde visual. Os cuidados devem ter início
mesmo antes do nascimento. Toda a gestante deve fazer o pré-natal em
um posto de saúde, evitando, assim, doenças como a rubéola,
toxoplasmose, sífilis e outros problemas que podem comprometer a visão
da criança.

PROBLEMAS DE VISÃO NO ESCOLAR

1) PROBLEMAS VISUAIS ATINGEM MUITAS CRIANÇAS EM IDADE
ESCOLAR?

Sim. Cerca de 15% das crianças do ensino fundamental apresentam
algum tipo de problema visual.
Esses problemas podem não ser reconhecidos em tempo, caso não
haja um programa de educação em saúde ocular que permita, através da
observação do desempenho visual e/ou da aplicação de testes simples,
a detecção ou suspeita das dificuldades do escolar.

2) COMO OS PROFESSORES E OS PAIS PODEM COLABORAR PARA QUE
OS ALUNOS TENHAM UMA BOA SAÚDE VISUAL?

Os professores podem colaborar: observando em seus alunos
comportamentos que possam indicar dificuldades visuais e aplicando
testes de avaliação da visão; orientando os pais no encaminhamento da
criança ao oftalmologista e estimulando o uso de óculos quando
necessário.

Os pais podem, igualmente, colaborar, informando-se sobre os cuidados com a
visão, observando o comportamento visual da criança e encaminhando os
filhos para exame oftalmológico, quando necessário.

3) O USO DOS ÓCULOS VICIA?

O uso dos óculos não vicia! O importante é a boa visão e o
conforto que a criança sente ao usar os óculos.

4) ESTUDAR DEMAIS PODE ENFRAQUECER A VISÃO?

Não. Nenhum esforço visual é prejudicial ao olho, qualquer que
seja a idade. A necessidade de óculos não será por ter estudado demais
(ou de menos).

5) LER COM POUCA LUZ PODE ENFRAQUECER A VISÃO DA CRIANÇA?

Não. Pode cansar ou dificultar a leitura. Porém, não enfraquece a
visão. O uso de iluminação adequada ajuda no rendimento do trabalho
escolar

6) TV, COMPUTADOR E VÍDEO-GAME PREJUDICAM A VISÃO?

Não. Podem deixar os olhos vermelhos, irritados e ardendo, se
houver um exagero no período que a criança permanece assistindo TV,
brincando com o vídeo-game ou no computador. Mas, até onde se sabe,
isso não causa lesão ocular.

Normalmente, após 2 horas de uso destes monitores, deve-se
fazer um descanso de 5 a 10 minutos (fechando os olhos ou olhando para
longe).

7) A CRIANÇA CEGA OU COM BAIXA VISÃO PODE FREQÜENTAR CLASSE
COMUM?

A criança cega ou com baixa visão deve freqüentar classe
comum, pois raciocina como qualquer criança. Só não enxerga
como as outras. Além disso, o convívio com outras pessoas de
sua idade serve de estímulo para seu desenvolvimento global e para
sua adaptação ao mundo real.

Talvez, esta necessite de auxílio óptico especial, lentes de
aumento, lupas ou telescópios(que ampliam as imagens) e de
recursos não-ópticos (letras ampliadas, canetas com traçado mais forte
ou iluminação especial, aproximar-se da lousa etc…). Deve-se oferecer às
crianças com visão baixa e aos pais e professores, orientações especiais.
Existem projetos da Secretaria de Educação Especial do Ministério
da Educação, que fornece suporte necessário (recursos ópticos: lupas e
telescópios; e não ópticos: cadernos, livros, bengalas, sorobã, manuais
de orientação etc…) ao processo educativo das crianças necessitadas.

8) COMO MEDIR A VISÃO DA CRIANÇA EM CASA?

As mães podem fazer um teste em casa com crianças por volta dos
7 meses de idade: coloque objetos que ela mais gosta no chão.
Feche um olho com um tampão, que pode ser comprado pronto
nas farmácias ou pode ser feito com gaze, algodão e esparadrapo
micropore para fixação no rosto.

Observe a criança: se pega os objetos, se os analisa, se põe na
boca etc.

A reação em ambos os olhos deverá ser a mesma, ao ocluir um
olho e, depois de 5 minutos, o outro. Se a criança for
maiorzinha e souber andar, peça-lhe para pegar algum objeto e trazê-lo para você com um olho ocluido.

Já a criança mais velha pode informar o que vê através da janela do
ônibus ou do carro, sempre fechando um olho de cada vez. Após os 4 anos de
idade, a visão pode ser medida com uma tabela especial, encontrada em postos de
saúde, nas escolas e nos consultórios de pediatras.

9) COMO PERCEBEMOS AS CORES?

A luz do sol é composta de muitas cores, como podemos observar
num arco-íris. A luz artificial imita a luz do sol.
Quando a luz (solar ou artificial) toca uma superfície, um objeto
etc… que tenha cor, a maior parte das cores da luz é absorvida, com
exceção de uma, que é aquela que volta até o nosso olho.
Exemplo: Se desenharmos uma flor amarela no papel, a tinta utilizada
para a flor absorverá a maior parte das cores da luz, com exceção dos
raios amarelos que voltam até a nossa retina. O mesmo ocorre com o
caule, que deixa de absorver a cor verde; é esta que chega até a nossa
retina.

Portanto, podemos concluir que a cor depende dos raios que voltam até a nossa
retina. Quando não existe absorção de cor, percebemos a cor branca.
Já a cor preta aparece, quando todas as cores são absorvidas, deixando de
refletir qualquer cor.
Podemos dizer que há uma ausência de cor.
Observação: O daltonismo é uma alteração no mecanismo pelo qual vemos as cores. É geralmente hereditário, afetando mais os homens. É muito raro daltonismo completo, onde veríamos tudo acinzentado.

10) CRIANÇA QUE ENXERGA DE UM OLHO SÓ PODE FAZER ESFORÇO
VISUAL?

Sim. Muitas pessoas enxergam apenas com um olho e só vão
perceber quando, por algum motivo, ocluem o olho bom.
Nenhum esforço visual é prejudicial para os olhos, quer a criança
enxergue só de um ou dos dois olhos.

11) COMO DEVE SER A ILUMINAÇÃO DURANTE OS ESTUDOS DA
CRIANÇA?

A má iluminação pode provocar cansaço visual para as crianças
que lêem prolongadamente. Porém, não prejudica a visão e nem o olho.
O rendimento da criança é que diminuirá.
O ideal é ler com luz e sem sombras no papel.

12) COMO DEVE SER A POSTURA FRENTE AO COMPUTADOR?

O ideal é a tela do computador ficar na altura ou um pouco abaixo da linha dos
olhos, e não acima. Se ficar acima dos olhos, ocorre o aumento da fenda palpebral,
levando a uma maior exposição dos olhos, além da lágrima evaporar mais rapidamente.
A cadeira ideal é aquela que proporciona maior conforto.
Mas, seu corpo não deve ficar encurvado para frente, causando pressão na nuca e possível dor de cabeça após horas de permanência nessa posição.

13) POR QUE MEUS OLHOS ARDEM QUANDO FICO ALGUMAS HORAS
NO COMPUTADOR?

Quando você está prestando muita atenção em alguma atividade,
ocorre uma diminuição da freqüência do piscar, levando a ardor e
desconforto visual. Nunca se esqueça de piscar mais, quando está no
computador, cinema ou quando está assistindo um vídeo na TV.
Evite, também, ventilador ou ar condicionado direto sobre seu rosto.

14) A CRIANÇA PODE LER COM LIVRO BEM PRÓXIMO DOS OLHOS?

Ler com o livro perto dos olhos não prejudica a visão. Pode ser desconfortável. E se a postura da cabeça não for boa, pode forçar a coluna.
Fique observando se a criança que traz o livro bem perto dos olhos assim o faz,
por não estar enxergando bem.

O EXAME OFTALMOLÓGICO

1) Não há idade fixa para ir ao oftalmologista!

O recomendável é examinar a criança com 2, 4 e 6 anos ou a
qualquer momento, se for detectada alguma anomalia nos seus olhos.
Também quando os pais tiverem problemas oculares como estrabismo
(olho torto), grau alto de óculos ou visão baixa, deve-se fazer exame, já
nos primeiros anos de vida.

2) COMO SABER SE MEU FILHO PRECISA DE ÓCULOS?

Se você notar que a criança:

???? Reclama de dor de cabeça e/ou lacrimejamento durante ou após
esforço visual (na escola, TV, leitura);
???? Aperta ou arregala os olhos para ver melhor;
???? Aproxima-se da TV ou do livro para ler;
???? Evita brincadeiras ao ar livre;
???? Apresenta desinteresse na leitura;
???? Apresenta mudanças de comportamento, olhos vermelhos após
leitura e caspa nos cílios.
Procure um oftalmologista para exame ocular.

3) POR QUE NO EXAME OCULAR DA CRIANÇA TEM QUE SE DILATAR A
PUPILA? E QUANTO TEMPO A PUPILA FICA DILATADA?

A criança tem uma capacidade, chamada acomodação, pela qual
ela pode mudar o formato interno da lente denominada cristalino e
corrigir hipermetropia ou aumentar miopia, dificultando a medida do
grau. Para saber o grau exato dos óculos, é necessário anular a
acomodação (dilatar a pupila). Normalmente, a criança permanece com a
pupila dilatada por 12 a 24 hs.

4) EXISTE ALGUM EXERCÍCIO OCULAR PARA DIMINUIR O GRAU DOS
ÓCULOS OU EVITAR SEU AUMENTO?

Não. Nenhum exercício ocular diminui ou faz estacionar a evolução
da miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Existem exercícios oculares
para alguns casos de fraqueza dos músculos responsáveis pela
convergência dos olhos.

5) COMO DEVEM SER OS ÓCULOS DA CRIANÇA E QUAIS OS
CUIDADOS?

Os óculos com grau só podem ser receitados pelo oftalmologista e
recomenda-se que sejam conferidos após sua confecção.
???? As armações de acrílico são mais resistentes. Devem estar adaptadas
ao rosto da criança e não podem estar soltas e nem apertar o nariz ou
atrás da orelha.
???? As hastes que se prendem atrás da orelha são ideais para crianças
menores.
???? As lentes devem ser de acrílico (são mais leves, mas riscam mais) ou
policarbonato.
???? Evitar lentes com anti-reflexo para crianças, pois sujam mais
facilmente.
???? Quando o grau for elevado, pode-se usar lentes especiais que
deixam os óculos mais leves e mais finos.
???? Trocar os óculos sempre que a armação estiver defeituosa, muito
pequena para o rosto da criança ou se as lentes estiverem muito
riscadas.
???? Quando sair ao sol, usar óculos escuros com proteção aos raios UV.
???? Se houver necessidade de oclusão (tampão), evitar usar cola na lente
dos óculos, colocando o tampão na pele ou na armação.
???? Para limpar os óculos, utilize água, sabão e um pano limpo e
macio.
???? Guardar os óculos no estojo quando não estiver usando e levá-lo para
a escola.
???? Nunca apoiar os óculos com as lentes para baixo porque riscam.
???? Sempre remover os óculos com as duas mãos.


Lembrete:Os pais, os avós e os tios devem sempre colaborar com o uso dos óculos através de reforços positivos (ex: “muito bem, ficou ótimo de
óculos”…). Evitar frases do tipo: “Judiação…,
coitadinho…, que dó…!”.
Esses tipos de frases só fazem com que a criança tenha rejeição aos óculos e desenvolva problemas psicológicos.

Você sabia?
15% da população escolar necessita do uso de óculos!
A falta de correção óptica na criança pode levar a comprometimento na aprendizagem e
socialização!

6) PORQUE MEU FILHO TEM QUE USAR OS ÓCULOS RECEITADOS PELO OFTALMOLOGISTA? AO INVÉS DOS ÓCULOS, PODEM SER LENTES DE CONTATO?

O oftalmologista receita óculos para criança para que possa
desenvolver a visão e não ficar com visão fraca.
Além disso, os óculos ajudam a criança a enxergar para longe ou
perto, colaborando com a sua formação global. Imagine uma criança que
não vê de longe e não usa óculos para brincar de pega-pega, por
exemplo. Simplesmente ela ficará no banco, sem vontade de sair
correndo por um lugar que não enxerga!

Também, evita que tenha desconfortos causados pela falta de
óculos, tais como dor de cabeça, ardor, lacrimejamento e visão
embaçada.

Normalmente, não se recomenda o uso de lentes de contato para
menores de 12 anos. Porém, em alguns casos, a criança necessita usar
lentes de contato, pois os óculos não fornecem boa correção.

Exemplo: Em casos de irregularidade de córnea ou grande diferença de
grau entre os dois olhos.
Observação: Lentes de contato não evitam que o grau aumente! Não há
como evitar a progressão do grau.

7) A CRIANÇA DEVE USAR ÓCULOS O TEMPO TODO?

Existem casos em que os óculos devem ser usados o tempo todo (por exemplo: em estrabismo). Existem condições em que precisam ser usados parte do tempo (ler, escrever, ver TV etc…). O oftalmologista fornecerá todas essas informações.

DOENÇAS OCULARES NA CRIANÇA

1) O QUE É HIPERMETROPIA, MIOPIA E ASTIGMATISMO E QUAIS AS
CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS PORTADORAS?

Hipermetropia:
É quando o olho é menor do que o normal, o que faz com que a
imagem se forme atrás da retina. Muitos hipermétropes têm dificuldade
em enxergar de perto, pois necessitam de um esforço maior para
acomodar a imagem na retina.
Características dos hipermétropes: é comum os portadores de
hipermetropia, que não usam óculos, terem dores de cabeça, tonturas e
cansaço visual, principalmente se estão lendo, escrevendo, pintando ou
brincando com objetos próximos dos olhos. Geralmente, são crianças
mais dispersivas e que dão preferência às brincadeiras ao ar livre.

Miopia:

É quando o olho é maior que o normal. A imagem é formada num
ponto anterior a retina. Isso acarreta perda de nitidez à distância.
Características dos míopes: geralmente, os míopes apertam os olhos
para ver melhor e costumam aproximar os objetos dos olhos.
As crianças portadoras de miopia que não usam óculos,
normalmente, são mais tímidas, preferindo atividades como leitura,
pintura ou atividades próximas das mãos, do que ao ar livre e à
distância.

Astigmatismo:

Quando a córnea não é esférica, a sua curvatura difere de um ponto para o outro, levando à percepção de uma imagem distorcida.
A essa condição, denomina-se astigmatismo.
Características dos astigmatas: quando não usam óculos, podem apresentar dores de cabeça, ardor ocular e olhos vermelhos, durante os esforços visuais para perto e longe. O astigmatismo pode estar associado à miopia ou hipermetropia.
Quando os astigmatas iniciam o uso dos óculos, costumam apresentar desconforto ocular (imagens distorcidas) que desaparece em poucas horas ou dias.


2) O QUE É ESTRABISMO E AMBLIOPIA?

Popularmente chamado de “olho torto”, o estrabismo é uma doença que não melhora
espontaneamente. Constitui quebra no paralelismo dos olhos.
Quando observamos um objeto, os olhos devem se posicionar paralelamente para que o cérebro consiga fundir numa só as imagens que cada olho recebe. Já, quando olhamos
para perto, os olhos devem convergir e, igualmente, focar o mesmo ponto.
Qualquer alteração nesse sincronismo,caracteriza um estrabismo.

O estrabismo pode ser congênito (estar presente ao nascimento ou surgir nos
primeiros meses de vida) ou adquirido (associado à fraqueza muscular, à
hipermetropia ou à miopia). Mais raramente, o estrabismo pode ser causado por traumatismo, catarata ou doenças cerebrais.
Pode acometer um olho ou os dois olhos. Além do transtorno estético, o estrabismo, quando não tratado, pode levar à ambliopia (olho preguiçoso), pois o cérebro receberá
imagens diferentes dos dois olhos, não conseguindo fundi-las em uma só, o que leva a pessoa a enxergar duplo. Para evitar essa imagem dupla, o cérebro suprime a imagem do olho desviado, passando a enxergar com um olho só.

É necessário considerar o fato de que a visão se desenvolve até aproximadamente os 7 anos de idade e que, após essa idade, a recuperação é difícil. A suspeita de estrabismo em uma criança é considerada URGÊNCIA em oftalmologia, devendo ser feito exame ocular assim que possível.

O tratamento para a ambliopia é a oclusão do olho bom, forçando, desta maneira, o olho preguiçoso a enxergar.
Em geral, associa-se o uso dos óculos(sempre estimulando a criança para fazer o tratamento). Em alguns casos de estrabismo, além do uso de óculos, recorre-se à
cirurgia para posicionar os olhos corretamente. Porém, o melhor tratamento para o estrabismo é o preventivo. Pais estrábicos, com alta hipermetropia, miopia ou ambliopia, devem levar os filhos o quanto antes ao oftalmologista.

3) O QUE É UMA BOLINHA NA PÁLPEBRA?

Em geral quando surge uma “bolinha” na pálpebra, próximo aos cílios, significa que uma das glândulas palpebrais se obstruiu. Existem glândulas superficiais que, quando obstruídas, recebem o nome de “terçol” e que se resolvem espontaneamente de 5 a 7 dias e outras mais profundas que, quando obstruídas, recebem o nome de “hordéolo interno”. O tratamento para os hordéolos internos consiste na aplicação de pomada oftálmica e compressas de água morna. Caso isso não resolva, pode ser removido cirurgicamente. Essas pomadas têm componentes fortes e necessitam de receita e acompanhamento médico.

4) A CASPA DA CABEÇA PODE PASSAR PARA O OLHO?

Não. A escamação que algumas pessoas apresentam na borda dos cílios, é atribuída a uma inflamação na pele das pálpebras, recebendo o nome de “blefarite”. O tratamento é limpar as pálpebras com xampu neutro, durante o banho, mantendo os olhos fechados.

5) BICHOS DE ESTIMAÇÃO PODEM TRAZER DANOS OCULARES?

As fezes de alguns animais (cachorros, gatos e aves) podem transmitir uma doença, que provoca inflamação no olho, podendo levar à cegueira. O contágio é feito através do contato: mão — fezes do animal — mão — boca. Então, é muito importante ensinar as crianças a lavarem as mãos, assim que acabarem de brincar com os animais.
Também nos sítios, as crianças devem tomar cuidado com as aves que bicam, podendo ferir os olhos.

CUIDADOS COM OS OLHOS

1) COÇAR OS OLHOS FAZ MAL?

Sim. Coçar os olhos é prejudicial e, quando repetitivo, pode levar à
diminuição da visão, a queda da pálpebra, olho vermelho e lacrimejamento.
Coçar os olhos pode facilitar infecção e desencadear doenças oculares, como o ceratocone (córnea pontiaguda).
A criança que com freqüência coça os olhos, deve ser encaminhada ao oftalmologista para avaliação.

2) COMO AGIR NO CASO DE CONJUNTIVITE E EVITAR QUE OUTRAS
PESSOAS SE CONTAMINEM?

Estes cuidados devem ser tomados por 15 dias:
???? Não deixe a criança coçar os olhos;
???? Peça para que lave as mãos freqüentemente com água e sabão
(inclusive embaixo das unhas – utilizando-se de uma escovinha) e após
isso, enxaguar com álcool;
???? Troque a toalha e fronha da criança todos os dias (a toalha de mão
que a criança vai usar não poderá ser usada por outras pessoas);
???? Não interrompa, por conta própria, o uso do medicamento prescrito,
mesmo apresentando melhora nos primeiros dias, pois se o
tratamento não for completo, a conjuntivite pode voltar;
???? Não deixe a criança dar beijos ou cumprimentar alguém com as
mãos;
???? Para retirar a secreção (remela) ocular do olho da criança, utilize
água filtrada fervida e morna, evitando esfregar os olhos;
???? Peça afastamento do seu filho da escola por 7 dias. Se necessário,
solicite atestado para o oftalmologista;
???? A criança não pode tomar banho em piscina, mar ou banheira;
???? Reforce a alimentação com sucos ricos em vitamina C (laranja,
limão…), evite excesso de exercícios físicos e garanta que ela durma
bem.

Problemas de visão prejudicam aprendizado infantil

Fonte: Unimed Ribeirão Preto


Cerca de 20% das crianças em fase escolar apresentam algum tipo de problema visual. Eles podem ser percebidos em tempo, no caso de haver um programa de educação em saúde ocular que permita, através da observação do desempenho visual e/ou da aplicação de testes simples, a detectação ou suspeita das dificuldades do aluno na escola.

Os professores podem colaborar observando em seus alunos comportamentos que possam indicar dificuldades visuais e aplicando testes de avaliação de visão. Devem orientar os pais no encaminhamento das crianças ao oftalmologista estimulando o uso de óculos quando necessário.

Os pais podem, igualmente, colaborar informando-se sobre os cuidados com a visão, observando o comportamento visual do filho e encaminhando-os ao médico quando necessário. É importante lembrar que o uso de óculos não vicia, ele só garante conforto e boa visão para a criança. A TV, o computador e o video game, podem deixar os olhos vermelhos, irritados e ardendo se a criança permanecer muito tempo diante deles.

Mas até onde se sabe, isso não causa lesão ocular. Normalmente após duas horas de uso destes monitores, deve-se fazer um descanso de 5 a 10 minutos, fechando os olhos e olhando para longe. Por volta dos sete meses de idade dos seus bebês, as mães podem fazer um teste, em casa mesmo colocando objetos de que eles gostem no chão. Feche um olho com um tampão que pode ser comprado pronto nas farmácias ou pode ser feito com gaze, algodão e esparadrapo micropore para a fixação no rosto.

Observe se a criança pega os objetos, se os analisa; se ela os coloca na boca. A reação deverá ser a mesma para ambos os olhos. Se a criança for maior e souber andar, peça que pegue um objeto com o olho tapado ou então informar o que vê através da janela do ônibus ou do carro, sempre fechando um olho de cada vez. Ao notar alguma reação diferente, procure um oftalmologista.

Para crianças acima de quatro anos de idade, existe uma tabela especial para aferir a visão, encontrada em postos de saúde, nas escolas e nos consultórios de pediatras. Em caso da criança necessitar do uso de óculos, alguns cuidados devem ser tomados:

· As armações de acrílico são mais resistentes. Devem estar adaptadas ao rosto da criança e não podem estar soltas e nem apertando o nariz e atrás da orelha.
· As hastes que se prendem atrás da orelha são melhores para as crianças.
· As lentes devem ser de acrílico, pois são mais leves ou ainda de policarbonato.
· Evitar lentes foto-cromática e anti-reflexo para crianças, pois sujam com mais facilidade.
· Quando o grau for elevado, podem-se usar lentes especiais que deixam os óculos mais leves e mais finos.
· Trocar de óculos sempre que a armação estiver defeituosa ou se as lentes estiverem muito riscadas.
· Se houver necessidade de tampão, evitar usar cola na lente dos óculos, colocando-o na pele ou na armação.
· Para limpar os óculos utilize-se de água, sabão e um pano limpo e macio, que não solte fiapos.

LEIA TAMBÉM SOBRE VISÃO ACESSANDO AQUI

FAÇA SUAS AULAS SEREM BEM VISTASNOVA ESCOLA

Teste a visão da turma

NOVA ESCOLA

Com uma avaliação simples, é possível perceber se as crianças enxergam bem ou precisam ir ao oftalmologista
Paulo Araújo

A Carta de Snellen, ou escala optométrica, é um material utilizado por oftalmologistas para medir a capacidade de visão dos pacientes. Bem simples, ela pode ser usada na escola para descobrir se a garotada está enxergando bem. O modelo mostrado na abertura desta reportagem deve ser copiado com ampliação em 300% para ficar com o tamanho padrão (26 por 54 centímetros). Outra opção é reproduzir a carta disponível na seção “Exclusivos on-line” imprimindo três arquivos em tamanho A4, que devem ser emendados.

No dia-a-dia, você tem muitas chances de perceber alguma dificuldade do aluno em enxergar. “O professor é um grande parceiro dos pais e dos médicos para solucionar o problema, porque observa constantemente a garotada em classe”, explica Carlos Fernando Ferreira, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, no Rio de Janeiro. Reclamações de tontura ou dor de cabeça na região dos supercílios podem ser sinais. Se os estudantes franzem a testa durante a aula, se esforçam para enxergar o quadro-negro, têm os olhos lacrimejantes, estão sempre desatentos ou apresentam dificuldades de leitura e escrita, é possível que estejam precisando usar óculos.

Antes de aplicar o teste (veja no quadro abaixo), converse com os alunos e explique seu objetivo. As informações que você já tem sobre o comportamento e as dificuldades de cada um vão ser muito úteis. “Há crianças que têm vontade de usar óculos”, alerta Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier, em Campinas (SP). Por isso, é necessário ficar atento àqueles “pacientes” que podem mentir durante a avaliação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 20% das crianças em idade escolar apresentam algum problema de visão. Entre os principais estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo (veja o quadro abaixo). Quando não são corrigidas, essas alterações afetam o estado emocional e psicológico dos pequenos, o comportamento e, é claro, seu desempenho escolar. Eles se recusam a ler e até mesmo a praticar esportes. Não é para menos: dos cinco sentidos, a visão é responsável por 85% de toda a interação que fazemos com o meio ambiente.

Carta de snellen Este modelo pode ser ampliado na xerox em 300% e usado para testar a visão da garotada

Como realizar a triagem

Problemas de visão

Instituto Penido Burnier/Divulgação

Visão normal: objetos próximos e distantes ficam nítidos

Instituto Penido Burnier/Divulgação

Astigmatismo: objetos próximos e distantes ficam embaçados

Instituto Penido Burnier/Divulgação

Miopia: objetos distantes ficam embaçados

Instituto Penido Burnier/Divulgação

Hipermetropia: objetos próximos ficam embaçados

Quem oferece atendimento

Se algum de seus alunos apresentar dificuldades no teste, oriente os pais a procurar o serviço público de saúde.

O governo federal mantém o Programa Nacional de Saúde do Escolar, que beneficia um município de cada estado – o que apresenta o maior número de alunos triados. Essa cidade recebe recursos para realizar consultas oftalmológicas e adquirir e distribuir óculos para alunos da 1ª série do Ensino Fundamental.

Alguns estados e municípios mantêm programas isolados. No Rio de Janeiro, por exemplo, há parceria entre as secretarias estaduais de Saúde e Educação, a Defesa Civil e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia para atendimento dos estudantes. Em Belo Horizonte, a Secretaria de Educação tem convênio com o Hospital Universitário São Geraldo.

No ano passado, Campinas (SP) foi beneficiada por iniciativa do setor privado e da Secretaria Municipal de Educação para o atendimento oftalmológico a crianças carentes. Parceria firmada entre o Instituto Penido Burnier e três empresas da indústria óptica resultou no projeto Mais Visão. Médicos examinaram 650 estudantes, de 7 a 9 anos. Constatou-se que 118 precisavam de óculos, que foram fornecidos gratuitamente. Este ano, o projeto Mais Visão deve ser ampliado. “Vamos ensinar aos professores da rede pública, por meio da internet, a realizar o teste de acuidade visual”, informa o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, coordenador do projeto.

Hora de observar a visão das crianças

PORTAL HOB

Foi graças a um diagnóstico precoce que Anacélia Martins, 40 anos, psicóloga, conseguiu evitar problemas maiores de visão em sua filha, Amanda Martins, hoje com 8 anos. “Na escolinha, minha filha (que então tinha 5 anos de idade) vivia reclamando de dores de cabeça, dizia que a visão embaçava ao tentar ler o quadro e acabava forçando muito as vistas. Então conversei com a professora, pedi que a trocasse de lugar, levei-a a um oftalmologista. Ele diagnosticou estrabismo e ambliopia”, conta. Foram mais de dois anos de tratamento incluindo exercícios oculares, tampão e uso de óculos, até Amanda ficar totalmente curada. “Sei que se demorasse mais um pouco para identificar estes problemas de visão em minha filha, correríamos o risco de tornarem-se irreversíveis”, reconhece a mãe.

Escola e escolinha – Há sintomas da presença de problemas de visão evidentes no comportamento da criança que podem ser percebidos desde cedo pelos pais, em casa, e, na escola, pelos professores. A oftalmologista do HOB relaciona alguns:

Até dois anos de idade:

Falta de reação a estímulos luminosos
Aversão à luz
Lacrimejamento excessivo
Olhos mantidos fechados por muito tempo
“Olho torto”
Pupila dilatada, opaca ou com reflexo luminoso
Olhos vermelhos e com secreção
Tremor ocular

A partir dos três anos de idade:

Dor ou coceira nos olhos
Dificuldade em distinguir cores
“Olho torto”
Testa franzida para focar imagens
Assistir televisão muito próximo ao aparelho
Dores de cabeça após leitura e/ou a jornada escolar
Olhos vermelhos e irritados
Dificuldade em enxergar o conteúdo escrito no quadro em sala de aula
Desinteresse em sala de aula
Lentidão ao copiar as informações
Aproximar demais dos olhos livros e cadernos para ler e escrever

4 thoughts on “Problemas de visão e a aprendizagem

  1. hoje dia 13 de setembro de 2010,
    eu fiz esse exame de tampar o olho e ver o desenho. mas o meu não deu problema algum

    Cybele Reply:

    Olá João Vitor,

    Que bom! Fico feliz por isto.
    O importante é sempre estar atento e divulgar para os amigos.
    beijinhos e volte sempre!

  2. Minha filha possui ambliopia e faz uso de tampão ocular. Tenho uma dúvida, pois a Oftalmologista nos ensinou que o olhinho deveria ficar fechado ao colocarmos o tampão, e hoje minha filha me disse que o olho dela está abrindo por trás do tampão. Fiz o teste no meu olho e realmente consegui abrí-lo, mesmo com o tampão bem colado. Gostaria de saber se isto causa algum problema para ela.
    Obrigada,

    Aline

    Cybele Reply:

    Olá Aline, tudo bem?

    Não tem propriedade e nem formação para lhe orientar neste assunto.
    Sugiro que você procure o oftalmo e pergunte a ele. Ele é a melhor pessoa para lhe orientar.
    Boa sorte!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>