Dicas para Redação

MANUAL DE REDAÇÃO

Fonte: Vitoria online

O presente Manual de Redação tem por objetivo auxiliar as pessoas a escrever com fluência, respeitando as regras da língua portuguesa e, ao mesmo tempo, adotando o tom coloquial que facilita o entendimento da linguagem escrita por parte de todos os que são levados a ler textos, independente de escolaridade ou especialização.

Ele é dividido em capítulos que enfocam, sobretudo, o linguajar do jornalista porque este tem a preocupação com o escrever de maneira simples, coloquial, mas correta. Por isso também leva aos leitores os principais erros cometidos no dia-a-dia, alguns por vício, outros por desconhecimento.

O Manual possui capítulos destinados às principais regras da língua portuguesa, aquelas que são mais usadas na linguagem escrita. Na maioria das vezes, as pessoas falham ao escrever, ou porque levam para o “papel” os vícios da linguagem falada, ou então porque não têm o hábito de se exercitar com freqüência na escrita. A explicação das regras visa a minorar essas deficiências.

Este instrumento está, pois, à disposição. É uma ferramenta de trabalho para quem dele precisa profissionalmente e um auxílio a quem o vai consultar esporadicamente, para as mais diversas finalidades. (Álvaro José Silva)

“A palavra falada é um fenômeno natural; a palavra escrita é um fenômeno cultural”
(Fernando Pessoa)

Erros comuns

São erros gramaticais e ortográficos que devem, por princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com maior freqüência, merecem atenção redobrada. Veja quais são e analise o roteiro para fugir deles.

1 – “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

2 – “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3 – “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4 – “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.

5 – Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6 – Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7 – “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8 – “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9 – “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10 – “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use “por que” separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11 – Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12 – Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13 – O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14 – Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio), “vultuoso” (vultoso), “cincoenta” (cinqüenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), “calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro).

15 – Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16 – Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17 – Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18 – “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19 – “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20 – Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21 – Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

22 – Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23 – Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24 – O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25 – A última “seção” de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão eqüivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26 – Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27 – “Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28 – Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”, que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29 – A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

30 – Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou… O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto… / Como as pessoas lhe haviam dito… / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

31 – O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho).

32 – Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

33 – “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.

34 – O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.

35 – Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

36 – “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

37 – A questão não tem nada “haver” com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

38 – A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

39 – Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

40 – Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

41 – Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

42 – “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

43 – Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44 – Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45 – Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.

46 – Lute pelo “meio-ambiente”. Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.

47 – Queria namorar “com” o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48 – O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não “junto ao”) Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não “junto aos”) leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto ao”) banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não “junto ao”) Procon.

49 – As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50 – Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”). / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”).

51 – Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos. Há indica passado e eqüivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52 – Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53 – A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos.

54 – Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55 – Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56 – Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57 – O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58 – À medida “em” que a epidemia se espalhava… O certo é: À medida que a epidemia se espalhava… Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59 – Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60 – Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61 – A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62 – Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63 – Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64 – Fique “tranquilo”. O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65 – Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66 – “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67 – Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.

68 – Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quando eqüivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69 – Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos mesmos”).

70 – Vou sair “essa” noite. Este designa o tempo no qual se está ou o objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).

71 – A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72 – A promoção veio “de encontro aos” seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73 – Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74 – Se eu “ver” você por aí… O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75 – Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76 – Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “adequa”, “adeqüe”, etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77 – Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”, substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas “precavejo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”, “precaveja”, etc.

78 – Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”, etc.

79 – Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80 – O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

81 – A tese “onde”… Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que… / A faixa em que ele canta… / Na entrevista em que…

82 – Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83 – Venha “por” a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo,
almoço, etc.

84 – “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85 – A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86 – Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também “comprimentar” alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87 – O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88 – Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89 – “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras).

90 – A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso: A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não “foram punidas”).

91 – O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92 – “Haja visto” seu empenho… A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93 – A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94 – É hora “dele” chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado… / Depois de esses fatos terem ocorrido…

95 – Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”).

96 – Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97 – A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não “kms.”), 5 m, 10 kg.

98 – “Dado” os índices das pesquisas… A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas… / Dado o resultado… / Dadas as suas idéias…

99 – Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100 – “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.

Erros graves

“Os dez erros mais graves” é um dos títulos com os quais O Estado de São Paulo nos homenageia com dicas sobre como errar pouco ao escrever. Vale a pena ler isso e guardar para não cometer erros tão crassos. E olhem que eles são muito mais comuns do que a gente imagina.

Vamos à lista dos “dez mais”:

Alguns erros revelam maior desconhecimento da língua que outros. Os dez abaixo estão nessa situação.

1 – Quando “estiver” voltado da Europa. Nunca confunda tiver e tivesse com estiver e estivesse. Assim: Quanto tiver voltado da Europa. / Quando estiver satisfeito. / Se tivesse saído mais cedo. / Se estivesse em condições.

2 – Que “seje” feliz. O subjuntivo de ser e estar é seja e esteja: Que seja feliz. / Que esteja (e nunca “esteje”) alerta.

3 – Ele é “de menor”. O de não existe: Ele é menor.

4 – A gente “fomos” embora. Concordância normal: A gente foi embora. E também: O pessoal chegou (e nunca “chegaram”). / A turma falou (e nunca “falaram”.

5 – De “formas” que. Locuções desse tipo não têm s: De forma que, de maneira que, de modo que, etc.

6 – Fiquei fora de “si”. Os pronomes combinam entre si: Fiquei fora de mim. / Ele ficou fora de si. / Ficamos fora de nós. / Ficaram fora de si.

7 – Acredito “de” que. Não use o de antes de qualquer que: Acredito que, penso que, julgo que, disse que, revelou que, creio que, espero que, etc.

8 – Fale alto porque ele “houve” mal. A confusão está-se tornando muito comum. O certo é: Fale alto porque ele ouve mal. Houve é forma de haver: Houve muita chuva esta semana.

9 – Ela veio, “mais” você, não. É mas, conjunção, que indica ressalva, restrição: Ela veio, mas você, não.

10 – Fale sem “exitar”. Escreva certo: hesitar. Veja outros erros de grafia e entre parênteses a forma correta: “areoporto” (aeroporto), “metereologia” (meteorologia), “deiche” (deixe), enchergar (enxergar), “exiga” (exija). E nunca troque menos por “menas”, verdadeiro absurdo lingüístico.

CRASE


A crase indica a fusão da preposição a com artigo a: João voltou à (a preposição + a artigo) cidade natal. / Os documentos foram apresentados às (a prep. + as art.) autoridades. Dessa forma, não existe crase antes de palavra masculina: Vou a pé. / Andou a cavalo. Existe uma única exceção, explicada mais adiante.

Regras práticas

Primeira – Substitua a palavra antes da qual aparece o a ou as por um termo masculino. Se o a ou as se transformar em ao ou aos, existe crase; do contrário, não. Nos exemplos já citados: João voltou ao país natal. / Os documentos foram apresentados aos juizes. Outros exemplos: Atentas às modificações, as moças… (Atentos aos processos, os moços…) / Junto à parede (junto ao muro). No caso de nome geográfico ou de lugar, substitua o a ou as por para. Se o certo for para a, use a crase: Foi à França (foi para a França). / Irão à Colômbia (irão para a Colômbia). / Voltou a Curitiba (voltou para Curitiba), sem crase). Pode-se igualmente usar a forma voltar de: se o de se transformar em da, há crase, inexistente se o de não se alterar: Retornou à Argentina (voltou da Argentina). Foi a Roma (voltou de Roma).

Segunda – A combinação de outras preposições com a (para a, na, da, pela e com a, principalmente) indica se o a ou as deve levar crase. Não é necessário que a frase alternativa tenha o mesmo sentido da original nem que a regência seja correta. Exemplos: Emprestou o livro à amiga (para a amiga). / Chegou à Espanha (da Espanha). / As visitas virão às 6 horas (pelas 6 horas). / Estava às portas da morte (nas portas). / À saída (na saída). / À falta de (na falta de, com a falta de).
Usa-se a crase ainda:

1 – Nas formas àquela, àquele, àquelas, àqueles, àquilo, àqueloutro (e derivados): Cheguei àquele (a + aquele) lugar. / Vou àquelas cidades. / Referiu-se àqueles livros. / Não deu importância àquilo.

2 – Nas indicações de horas, desde que determinadas: Chegou às 8 horas, às 10 horas, à 1 hora. Zero e meia incluem-se na regra: O aumento entra em vigor à zero hora. / Veio à meia-noite em ponto. A indeterminação afasta a crase: Irá a uma hora qualquer.

3 – Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas como às pressas, às vezes, à risca, à noite, à direita, à esquerda, à frente, à maneira de, à moda de, à procura de, à mercê de, à custa de, à medida que, à proporção que, à força de, à espera de: Saiu às pressas. / Vive à custa do pai. / Estava à espera do irmão. / Sua tristeza aumentava à medida que os amigos partiam. / Serviu o filé à moda da casa.

4 – Nas locuções que indicam meio ou instrumento e em outras nas quais a tradição lingüística o exija, como à bala, à faca, à máquina, à chave, à vista, à venda, à toa, à tinta, à mão, à navalha, à espada, à baioneta calada, à queima-roupa, à fome (matar à fome): Morto à bala, à faca, à navalha. / Escrito à tinta, à mão, à máquina. / Pagamento à vista. / Produto à venda. / Andava à toa. Observação: Neste caso não se pode usar a regra prática de substituir a por ao.

5 – Antes dos relativos que, qual e quais, quando o a ou as puderem ser substituídos por ao ou aos: Eis a moça à qual você se referiu (equivalente: eis o rapaz ao qual você se referiu). / Fez alusão às pesquisas às quais nos dedicamos (fez alusão aos trabalhos aos quais…). / É uma situação semelhante à que enfrentamos ontem (é um problema semelhante ao que…).

Não se usa a crase antes de:

1 – Palavra masculina: andar a pé, pagamento a prazo, caminhadas a esmo, cheirar a suor, viajar a cavalo, vestir-se a caráter. Exceção. Existe a crase quando se pode subentender uma palavra feminina, especialmente moda e maneira, ou qualquer outra que determine um nome de empresa ou coisa: Salto à Luís XV (à moda de Luís XV). / Estilo à Machado de Assis (à maneira de). / Referiu-se à Apollo (à nave Apollo). / Dirigiu-se à (fragata) Gustavo Barroso. / Vou à (editora) Melhoramentos. / Fez alusão à (revista) Projeto.

2 – Nome de cidade: Chegou a Brasília. / Irão a Roma este ano. Exceção. Há crase quando se atribui uma qualidade à cidade: Iremos à Roma dos Césares. / Referiu-se à bela Lisboa, à Brasília das mordomias, à Londres do século 19.

3 – Verbo: Passou a ver. / Começou a fazer. / Pôs-se a falar.

4 – Substantivos repetidos: Cara a cara, frente a frente, gota a gota, de ponta a ponta.

5 – Ela, esta e essa: Pediram a ela que saísse. / Cheguei a esta conclusão. / Dedicou o livro a essa moça.

6 – Outros pronomes que não admitem artigo, como ninguém, alguém, toda, cada, tudo, você, alguma, qual, etc.

7 – Formas de tratamento: Escreverei a Vossa Excelência. / Recomendamos a Vossa Senhoria… / Pediram a Vossa Majestade…

8 – Uma: Foi a uma festa. Exceções. Na locução à uma (ao mesmo tempo) e no caso em que uma designa hora (Sairá à uma hora).

9 – Palavra feminina tomada em sentido genérico: Não damos ouvidos a reclamações. / Em respeito a morte em família, faltou ao serviço. Repare: Em respeito a falecimento, e não ao falecimento. / Não me refiro a mulheres, mas a meninas.

Alguns casos são fáceis de identificar: se couber o indefinido uma antes da palavra feminina, não existirá crase. Assim: A pena pode ir de (uma) advertência a (uma) multa. / Igreja reage a (uma) ofensa de candidato em Guarulhos. / As reportagens não estão necessariamente ligadas a (uma) agenda. / Fraude leva a (uma) sonegação recorde. / Empresa atribui goteira a (uma) falha no sistema de refrigeração. / Partido se rende a (uma) política de alianças.

Havendo determinação, porém, a crase é indispensável: Morte de bebês leva à punição (ao castigo) de médico. / Superintendente admite ter cedido à pressão (ao desejo) dos superiores.

10 – Substantivos no plural que fazem parte de locuções de modo: Pegaram-se a dentadas. / Agrediram-se a bofetadas. / Progrediram a duras penas.

11 – Nomes de mulheres célebres: Ele a comparou a Ana Néri. / Preferia Ingrid Bergman a Greta Garbo.

12 – Dona e madame: Deu o dinheiro a dona Maria . / Já se acostumou a madame Angélica. Exceção: Há crase se o dona ou o madame estiverem particularizados: Referia-se à Dona Flor dos dois maridos.

13 – Numerais considerados de forma indeterminada: O número de mortos chegou a dez. / Nasceu a 8 de janeiro. / Fez uma visita a cinco empresas.

14 – Distância, desde que não determinada: A polícia ficou a distância. / O navio estava a distância. Quando se define a distância, existe crase: O navio estava à distância de 500 metros do cais. / A polícia ficou à distância de seis metros dos manifestantes.

15 – Terra, quando a palavra significa terra firme: O navio estava chegando a terra. / O marinheiro foi a terra. (Não há artigo com outras preposições: Viajou por terra. / Esteve em terra.) Nos demais significados da palavra, usa-se a crase: Voltou à terra natal. / Os astronautas regressaram à Terra.

16 – Casa, considerada como o lugar onde se mora: Voltou a casa. / Chegou cedo a casa. (Veio de casa, voltou para casa, sem artigo.) Se a palavra estiver determinada, existe crase: Voltou à casa dos pais. / Iremos à Casa da Moeda. / Fez uma visita à Casa Branca.

Uso facultativo

1 – Antes do possessivo: Levou a encomenda a sua (ou à sua) tia. / Não fez menção a nossa empresa (ou à nossa empresa). Na maior parte dos casos, a crase dá clareza a este tipo de oração.

2 – Antes de nomes de mulheres: Declarou-se a Joana (ou à Joana). Em geral, se a pessoa for íntima de quem fala, usa-se a crase; caso contrário, não.

3 – Com até: Foi até a porta (ou até à). / Até a volta (ou até à). No Estado, porém, escreva até a, sem crase.

DISTÂNCIA
Desde que não se determine qual é, não tem crase: “A polícia ficou a distância”, “O navio estava a distância”. Quando se define a distância, entra a crase: “O navio estava à distância de 500 metros do cais.”

TERRA
Quando a palavra significa terra firme não há crase: “O navio estava chegando a terra firme”, “O marinheiro foi a terra”. Nos demais casos, usa-se à crase: “Ele estava chegando à terra natal”.

CASA
Quando é considerada como lugar onde se mora, não tem crase: “Voltou a casa”, “Chegou cedo a casa”. Nos demais casos, há crase: “Ele voltou à casa dos pais”, “Kennedy fez uma visita à Casa Branca”.

Concordância

Adjetivo com substantivo

Para efeito de concordância, as normas válidas para o adjetivo aplicam-se também ao pronome, artigo, numeral e particípio. O substantivo a que eles se referem pode às vezes dar lugar a um pronome.

1 – Fundamentos

a) O adjetivo concorda com o substantivo em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural): Prédio alto. / Casa branca. / Homens bons. / Mesas antigas. / Duas mulheres.

b) O adjetivo irá para o plural masculino quando pelo menos um dos substantivos for masculino: Homens e mulher bons. / Médico e enfermeiras dedicados. / Aí compreendidos estes e aquelas.

c) Mantém-se a concordância mesmo que haja preposição entre o adjetivo e o substantivo: Desgraçados dos homens. / Coitadas das mulheres.

2 – Adjetivo com dois ou mais substantivos

Esteja o adjetivo antes ou depois dos substantivos, você acertará sempre se fizer a concordância no plural: “A mão esquerda, entre cujos índi-
ce e polegar…” / Terno e gravata escuros./ Ótimos texto e conhecimentos./ Atentos o governo e as Forças Armadas. / Reajustados o salário mínimo e os aluguéis. / Convocados o Senado, a Câmara e o Supremo. / Mortos pai e filho no litoral.

Observações:

a) O adjetivo colocado antes de dois ou mais substantivos pode concordar com o substantivo mais próximo: Branca túnica e sandália. / “…notando o estrangeiro modo e uso.” / Ótimo texto e conhecimentos./ Seu pai e filhos. / Suas filhas e mulher.

O adjetivo, no entanto, vai obrigatoriamente para o plural se os substantivos forem predicativos do objeto, nomes próprios, títulos ou formas de tratamento: Julgava perdidas a fé e a esperança (predicativo do objeto)./ Trazia espertos o desejo e as virtudes (pred. do obj.). / A Justiça declarou culpados o pai e a filha. / Os irmãos Caetano e Bethânia. / Os apóstolos Pedro e Paulo. / Os generais Costa e Silva e Médici. / Os srs. Silva e Cia.

b) Se o adjetivo vem depois de dois ou mais substantivos, pode também concordar com o mais próximo: Um terno e uma gravata escura. / Ternos e gravata escura. / Terno e gravatas escuras. / Elogiamos o seu esforço, empenho e dedicação extrema. Quando os substantivos são sinônimos ou formam gradação (como no último exemplo acima), há gramáticos que defendem a concordância – que, no entanto, não é obrigatória – com o mais próximo.

3 – Verbo de ligação

Com verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, etc.), o adjetivo vai para o plural, em qualquer caso, e segue as normas gerais de concordância: O depoimento e o laudo pericial eram conclusivos. / A loja e a residência estavam inundadas. / As casas e o prédio de apartamentos pareciam velhos. / Eram justos o preço fixado e a comissão. / Estavam liberados a testemunha e o réu.

Apenas se o verbo de ligação estiver antes dos substantivos, admite-se também a concordância com o mais próximo (no Estado, prefira o plural, de qualquer forma): Era justo o preço fixado e a comissão. / Estava liberada a testemunha e o réu.

4 – Um substantivo e dois ou mais adjetivos

a) Substantivo antes

Há três possibilidades: Os governos brasileiro e francês; o governo

brasileiro e o francês; o governo brasileiro e francês. / Os poderes temporal e espiritual; o poder temporal e o espiritual; o poder temporal e espiritual.

A primeira forma (Os governos brasileiro e francês, os poderes temporal e espiritual) é jornalisticamente a mais recomendável, embora a segunda (O governo brasileiro e o francês, o poder temporal e o espiritual) soe melhor em alguns casos. Convém, apenas, evitar a terceira (O governo brasileiro e francês, o poder temporal e espiritual), por induzir a duplo sentido.

b) Substantivo depois

Admitem-se quatro formas: A primeira e a segunda série; a primeira e segunda série; a primeira e a segunda séries; a primeira e segunda séries. / O quarto e o sétimo andar; o quarto e sétimo andar; o quarto e o sétimo andares; o quarto e sétimo andares.

As melhores: A primeira e a segunda série, a primeira e segunda séries./ O quarto e o sétimo andar, o quarto e sétimo andares.

5 – Adjetivos compostos

Só o último elemento é flexionado: estudos histórico-filosóficos, tecidos azul-claros, relações anglo-franco-brasileiras, partidos social-democratas, partidos democrata-cristãos, homens bem-intencionados, notícias extra-oficiais, países não-alinhados, política econômico-financeira, vida profissional-amorosa. Exceção. Flexionam-se os dois termos de surdo-mudo, seja a palavra adjetivo composto ou substantivo: Homens surdos-mudos, moça surda-muda, mulheres surdas-mudas, os surdos-mudos, a surda-muda, as surdas-mudas.

6 – Casos especiais

Veja cada um deles nos verbetes um e outro, nem um nem outro, próprio, junto, menos, possível (o mais, o menos, o melhor, o pior), anexo, cores, um dos que, incluso , etc.

Verbo

1 – Regra básica

O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa: O prédio ruiu. / Ele chegou ontem. / Nós pedimos para sair. / Alugam-se apartamentos. / Os ministros anunciaram o novo pacote.

2 – Sujeito composto

Adote como norma: o sujeito composto leva o verbo para o plural, esteja o verbo antes ou depois do sujeito. Exemplos: Partiram lotados o trem e o ônibus. / O homem e o filho feriram-se no acidente. / Reportagem, crítica e comentário têm lugar num jornal ou revista.

Observação. O verbo pode ficar no singular (no Estado, apenas em textos especiais e declarações) nos seguintes casos:

a) Verbo antes do sujeito composto: Passará o céu e a terra. / “… se a tanto me ajudar engenho e arte.” / Saiu João e os demais.

Exceção. Se os sujeitos forem todos nomes próprios ou se indicarem reflexibilidade, reciprocidade, o plural será obrigatório: Vieram Maria, Pedro e João. / Feriram-se o agressor e a vítima. / De ambos os lados, cresceram o rancor e o ódio.

b) O sujeito composto indica uma gradação, crescente ou decrescente: “Uma palavra, um gesto, um olhar bastava.” / “O próprio interesse, a gratidão, o mais restrito dever fica impotente…”

c) O sujeito é formado por palavras sinônimas ou tomadas como um todo: “A vida e o tempo nunca pára.”/ “Estes receios, este proceder meticuloso pode matar-nos.”.

d) Se os dois sujeitos estiverem ligados pela preposição com ou por outras palavras e locuções que indiquem companhia, o verbo ficará no singular se o primeiro elemento prevalecer sobre o segundo. E nesse caso convém colocar o segundo entre vírgulas:

O rei, com a corte e toda a nobreza, participou da missa solene. Proceda da mesma forma nas frases em que o com é substituído por locuções de sentido equivalente ou aproximado: O presidente, ao lado dos ministros, deu início às solenidades. / O general, acompanhado do ajudante-de-ordens, passou as tropas em revista.

O plural justifica-se apenas nos casos (mais raros) em que ambos os elementos têm igual ênfase: A mãe com a filha foram salvas do incêndio.

3 – Pronomes pessoais

A primeira pessoa prevalece sobre a segunda e a terceira, a segunda prevalece sobre a terceira e o verbo fica no plural: Eu e tu chegamos cedo (eu + tu = nós). / Eu, tu e a tua irmã fomos aprovados (eu + tu + tua irmã, que equivale a ela, no caso). / Tu e ele viestes de carro (tu + ele = vós). / Tu e os Pires perdestes o trem (tu + eles = vós)./ Tu e teu pai saístes do edifício juntos (tu + ele = vós). / Ele e a mãe eram bem-vindos (ele + ela = eles). / Eu e as bicicletas nos chocamos (eu + elas = nós). / Tu e os carros já estais à vista (tu + eles = vós).

Observações:

a) Modernamente, admite-se o verbo na terceira pessoa do plural quando tu e vós se combinarem com ele, eles ou equivalentes (por causa da dificuldade no uso do tempo verbal correspondente a vós): Tu e os carros já estavam à vista. / Eles e vós já têm lugares marcados.

b) Se o verbo estiver antes dos pronomes, a concordância pode ser feita com o mais próximo (no Estado, porém, coloque o verbo no plural): Era ele e sua tia que chegavam. / Poderás tu e o motorista levar-me ao Centro?

4 – Sujeito constituído de orações ou infinitivos

O verbo fica no singular: Que ele entre e saia a toda hora não causa espanto. / Andar e nadar faz bem à saúde. / Comer, dormir e vadiar era só o que queria. / “Serem os homens uma coisa e parecerem outra é fácil.”

Exceção. Verbo no plural se houver contraste entre os sujeitos ou se estiverem substantivados: O comer e o dormir engordam uma pessoa. / Nascer e morrer fazem parte da vida.

5 – Sujeitos resumidos por um pronome indefinido

O verbo fica no singular quando os sujeitos são resumidos pelos pronomes tudo, nada, nenhum, cada um, cada qual, outro, ninguém, alguém, isso, isto, aquilo: Casas, pontes, estradas, tudo se perdeu com a enchente. / Amigos, colegas, parentes, ninguém o alertou sobre os riscos da viagem. / Pai, mãe, irmã, alguém deve chamá-lo à realidade. / Médico, engenheiro, advogado, cada qual tem seu código de ética.

6 – Coletivo ou palavras que dêem essa idéia

a) Sem complemento – Concordância normal com o verbo: O povo saiu. / A gente chegou. / Os cardumes subiam o rio.

b) Com complemento – Faça a concordância do verbo com o sujeito, no singular, e não com o complemento, no plural: A maioria dos empregados chegou atrasada no dia da enchente. / A maior parte dos trabalhos figurava na exposição. / Grande número de pessoas aderiu à iniciativa./ Estava destruída parte dos afrescos. / Um sem-número de crianças fazia barulho. / Boa parte dos habitantes mora na periferia. / Um grupo de ladrões dominou os clientes do banco./ Uma porção de crianças esperava a distribuição dos alimentos. / Uma equipe de policiais prendeu os seqüestradores. / Um total de 20 técnicos participou da operação.

Observação. Aceita-se (no Estado, apenas em textos especiais ou declarações) a concordância com a idéia de plural expressa pelo complemento em casos como: A maioria das pessoas foram feridas. / Grande número de passageiros deixaram de pagar a passagem.

7 – Palavras no plural, mas com idéia de singular

O verbo fica no singular: Pêlos ainda tem acento. / Nós é um pronome. / Casas está no plural. / Frases é o sujeito da oração. / Lágrimas é coisa que ele não tem.

8 – Nomes próprios no plural

a) Sem artigo – Verbo no singular: Andradas fica em Minas. / Memórias Póstumas de Brás Cubas consagrou Machado de Assis / Divinas Palavras já foi representada em São Paulo (é uma peça).

b) Com artigo no plural – Verbo no plural, faça ou não o artigo parte do nome: As Memórias Póstumas de Brás Cubas lhe causaram profunda impressão. / Os Estados Unidos representam… / Os Andes constituem… / Os Alpes ficam… / Os Lusíadas imortalizaram Camões. / Os Sertões consagraram Euclides da Cunha. / Os Maias deram a Eça inegável prestígio.

Exceção. Com o verbo ser e predicativo no singular, o verbo pode ficar no singular: Os Lusíadas é a obra-prima de Camões. / Os Sertões é o nome da obra que imortalizou Euclides da Cunha.

9 – Nas indicações de preço, medida, quantidade, porção ou equivalente

Verbo no singular: Três quilômetros é muito. / Dois capítulos é pouco./ Mil reais é demais por esse artigo. / Cem dólares pode parecer exagerado. / Cem vagas representa muito nessa escola. / Dois terços de um meio é dois sextos. / Quatro anos de mandato é pouco, julga o presidente.

Exceção. Com dias e horas, a concordância é a normal: Eram 9 horas. / São 6 horas. / Hoje é dia 15 de agosto. / Hoje são 15 de agosto.

10 – Sujeito no singular e predicativo no plural

Com o verbo ser (e mais raramente parecer), ocorre a concordância por atração, isto é, se o sujeito estiver no singular e o predicativo no plural, o verbo concordará com o predicativo, e não com o sujeito: O que lhe peço são fatos concretos. / Tudo são flores./ Nada são flores. / Tudo parecem flores. / Isto são os ossos do ofício. / Isso eram manobras inconseqüentes./ Aquilo foram histórias. / Amor são venturas e sofrimento. / Sua maior alegria continuam sendo os filhos. / O grande prazer das crianças vinham sendo aqueles brinquedos. / O resto (ou o mais) são casos sem importância.

Observações:

a) Se o sujeito for pessoa ou nome de pessoa, a concordância se fará regularmente: Joana é as delícias da mãe. / O homem é cinzas. / O filho era as venturas do casal.

b) Se o sujeito for nome de coisa, poderá, para muitos gramáticos, ficar no singular: A comida era só verduras.

O verbo no plural, no entanto, tem o apoio da maioria dos estudiosos (A comida eram só verduras) e é a forma adotada pelo Estado.

11 – Predicativo é substantivo abstrato

O predicativo não concorda com o sujeito quando é substantivo abstrato: As espinhas ou acnes são um enigma para a medicina (e não são enigmas). / Para muitos, as cadernetas de poupança eram a melhor garantia para o futuro (e não eram as melhores garantias). / Estas providências foram a salvação das finanças da empresa.

12 – Pronome pessoal com predicativo

a) Se o pronome pessoal vem depois do verbo, o verbo concorda com ele: O autor do livro sou eu, mas o editor sois vós. / O responsável pelo erro somos nós (preferível: Os responsáveis…). / O chefe és tu. / Os herdeiros somos eu e teus irmãos.

b) Havendo dois pronomes pessoais, a concordância se faz com o primeiro: Eu não sou você. / Nós não somos você. / Tu não és eu. / Ele não é eu (ou tu).

13 – Pronome interrogativo com predicativo

Nas orações que comecem com pronome interrogativo, o verbo concorda com o substantivo ou pronome pessoal: Que são objetos diretos, Pedro? / Que somos nós? / Quem sois vós? / Quem és tu? / Quem teriam sido os autores do atentado? / Que são três dias?

14 – Concordância com a idéia

Há casos em que a concordância se faz com a coisa subentendida e não com o nome que a expressa: A Vozes foi premiada com o Jabuti (subentende-se a editora). / A Faria Lima vive congestionada (avenida). / O Joelma pegou fogo num 1º de fevereiro (edifício). / O Paraíba é sinuoso (rio). / São Paulo é a mais populosa (cidade). / São Paulo é o mais populoso (Estado)./ A Gustavo Barroso está avariada (fragata). / A Apollo foi à Lua (nave). / A Dersa será reformulada (empresa). / O Opala (carro), a Caravan (perua).

15 – Formas de tratamento

O verbo concorda com a pessoa que recebe o tratamento: Vossa Excelência está errado (homem), Vossa Excelência está errada (mulher). / Sua Santidade chegou atrasado (o papa)./ Vossa Alteza é magnânimo (rei), Vossa Alteza é magnânima (rainha).

16 – Nós no lugar de eu

Quando o pronome nós substitui eu (plural de modéstia), o verbo fica no singular: Estamos grato por tudo (eu estou). / Somos favorável à decisão (eu sou). É forma a evitar, porém.

17 – Nós subentendido

Quando a pessoa que fala se inclui num grupo, o verbo concorda com o pronome nós: Todos aprovamos a decisão (eu + eles, nós + eles). / Éramos seis na casa. / Os paulistas (nós, os paulistas) somos descendentes dos bandeirantes. / A causa teria mais força do que supomos os leigos.

18 – Verbos impessoais

Como não existe sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular: Choveu muito em São Paulo este ano. / Ventava demais naquele morro. / Já houve ocasiões mais favoráveis que esta. / Fazia frio de madrugada. / Pode haver muitas pessoas no show.

l9 – Sujeito indeterminado

O verbo vai para a 3ª pessoa do plural: Pediram-me que a procurasse. / Estão guiando muito mal nas estradas paulistas. / Disseram-lhe que saísse.

Se a indeterminação do verbo for indicada pelo pronome se, usa-se a 3ª pessoa do singular: Cantou-se e tocou-se muito ali. / Ainda se vive mal em muitas regiões brasileiras. / Vive-se e morre-se de amor.

20 – Sujeito que representa a mesma pessoa ou coisa

O verbo fica no singular: Deus, o Criador, o Onipotente, paira sobre todas as coisas. / “Esse primeiro palpitar da seiva, essa revelação da consciência a si própria, nunca mais me esqueceu…” (M. de Assis) / O presidente da República e membro da ABL convidou…

Erros

Alguns erros de concordância vêm-se tornando muito comuns. Por isso,

esteja atento para que não apareçam no seu texto. Veja as situações em que a maior parte deles ocorre (todos os exemplos são reais):

1 – Verbo, complemento, aposto ou oração dependente colocados antes do sujeito: Serão realizados hoje os sorteios (e nunca “será realizado”). / Viu como era feita (e não “era feito”) a aguardente. / Está marcada (e não “marcado”) para o dia 22 uma grande manifestação. / Terão tempero caseiro os quitutes… (e não “terá”)/ Os contratos trazem embutida (e não “embutido”) uma correção. / Foi publicada (e não “publicado”) no Diário Oficial uma relação… / Não deixam (em vez de “deixa”) de causar estranheza certas situações… / Ficou constatada (e não “constatado”) apenas uma forte torção… / Chegam (e não “chega”) a ser irritantes (e não “irritante”) os constantes erros… / Tem de ser levada (e não “levado”) em conta a disposição… / Se prevalecerem (em vez de “prevalecer”) as evidências… / São importantes (e não “é importante”) esses pontos… / Errados, errados mesmo (e não “errado, errado mesmo”) são os termos…

2 – Núcleo do sujeito distante do verbo: Os preparativos para a criação do novo bairro já estavam praticamente concluídos (e não “já estava”…). / As execuções determinadas por partidos clandestinos de esquerda, na década de 70, eram (e não “era”) uma verdade incontestável. / Férias fora de hora levam (e não “leva”) mães ao pânico. / As acusações ao presidente daquele sindicato de trabalhadores demonstravam (e nunca “demonstrava”) a possibilidade…

3 – Núcleo do sujeito no singular acompanhado de uma expressão preposicionada no plural, que completa ou altera o seu sentido – o verbo fica no singular (não deixe que a falsa noção de plural influencie a concordância): Como essa diversidade de assuntos não agradava (e nunca “agradavam”) aos leitores… / A produção dos especiais de música brasileira é de (e nunca “são de”…) / A fulminante ascensão do candidato nas pesquisas eleitorais mudou (e não “mudaram”) o conceito… / O preço das passagens aéreas sobe (e não “sobem”) hoje. / A publicação das fotos da modelo prejudicou (e não “prejudicaram”) a sua reputação.

4 – O que exige o verbo no singular e no masculino: O que se ouvia eram frases indignadas (e nunca o que “se ouviam”…). / O que não é admitido é a internação… (e não o que não “é admitida”…).

5 – É que não varia em frases como as que se seguem (repare que está intercalada uma expressão preposicionada): É nesses movimentos que a plástica sobressai (e nunca “são” nesses movimentos que…). / É sobre esses aspectos que ele deve meditar (e não “são” sobre esses aspectos que…). / É dessas coisas que (em vez de “são” dessas coisas que…).

6 – Bastar, existir, faltar, restar e sobrar variam normalmente: Bastam alguns minutos. / Falou sobre as diferenças que existiam entre eles. / Existem muitas concepções equivocadas. / Faltam motivos que expliquem o crime. / Restavam poucas pessoas na sala. / Sobram idéias, mas faltam meios para pô-las em prática.

Hífen

Este sinal tem dez normas de utilização. Vamos explicá-las rapidamente, uma por uma:

1 – em compostos homogêneos (dois adjetivos): amarelo-claro, luso-brasileiro. (dois verbos): corre-corre;

2 – em nomes gentílicos e demais derivados de nomes próprios e locuções: cabo-verdiano, santa-terezense;

3 – antes de sufixos tupis e guaranis (gu)açu e mirim, isso se o elemento anterior acaba em vogal acentuada graficamente ou em vogal nasal: araçá-guaçu, capim-açu, araçá-mirim. Ou então antes de mor: altar-mor, guarda-mor;

4 – nos nomes dos dias da semana: segunda-feira, quarta-feira;

5 – nos compostos em que o primeiro é forma apocopada ou verbal: bel-prazer, arranha-céu, vaga-lume;

6 – em nomes de santos ou substantivos próprios compostos tornados substantivos comuns: sancho-pança, santo-antônio, dom-joão;

7 – em combinações substantivas, quando o segundo elemento for indicativo de tipo, forma ou finalidade: café-concerto, escola-modelo, navio-fantasma;
8 – entre palavras que se unem para construir todo semântico distinto dos valores semânticos dos componentes. Mas quando conservam sua estrutura e acento: acaba-novenas, espia-marés, amor-perfeito;

9 – antes dos pronomes enclíticos e antes e depois dos mesoclíticos: dize-me, dir-te-ei, far-se-lhe-á;

10 – nas partições de vocábulos: tungs-tê-nio, ins-tru-iu.

Hífen e prefixos:

Como norma fundamental, só admitem hífen elementos morfologicamente individualizados, ou que tenham vida autônoma: bem-me-quer, benquisto. Como norma secundária, exige hífen a clareza ou a expressividade gráfica para que se evite a leitura incorreta: bem-aventurado. Sem hífen poderia ser bem-ma-venturado. Finalmente, exigem hífen os prefixos tônicos, os acentuados graficamente e os que têm evidência semântica especial: sem-vergonha.

Prefixos e elementos prefixados sempre seguidos de hífen – além, aquém, recém, nuper, sem, grã, grão, vice, vizo, sota, soto, co(m), ex, pós, pré e pró. Há uma exceção: pré-fixar (fixar previamente) e prefixar (colocar um prefixo em alguma coisa).

Hífen e nomes próprios:

Usam-se nos seguintes casos: 1) elementos ligados por artigos, pronomes: Trás-os-Montes, Não-me-Toque. 2) sendo o primeiro elemento Grã-, Grão-: Grã-Bretanha, Grão-Pará. 3) sendo primeiro elemento um verbo: quebra-nozes; 4) correspondentes a nomes comuns hifenizados: Todo-Poderoso; 5) combinações simétricas indicando relação ou acordo: Brasil-Portugal.

Sem hífen:

Não se usa hífen nestes casos: 1) uma vez desaparecida a consciência da composição, o que acontece quando um elemento perde seu acento próprio ou não tem vida autônoma na língua: aguardente, clarabóia, madrepérola. 2) quando a aglutinação de prefixos se pode fazer sem prejuízo da clareza ou expressividade gráfica e sem induzir a leitura incorreta: aeroplano, megaevento, bicampeão. 3) em quaisquer locuções: onomásticas, substantivas, adjetivas, numerais, pronominais, verbais, adverbiais, conjuntivas, prepositivas, interjetivas. Para melhor entendimento, é preciso ter em mente o seguinte: a diferença entre palavra composta e locução é que a primeira possui unidade semântica; seus componentes perdem o sentido individual em proveito de um sentido grupal e muitas vezes figurado: mãos-rotas, pão-duro. No caso da locução, ela não forma um todo com perfeita unidade semântica, pois cada elemento, apesar da associação, guarda seu sentido individual e sua função própria: anjo da guarda, de repente.

Hífen estilístico:

O hífen é chamado de traço-de-união oficial. Mas há o que se pode chamar de pessoal ou subjetivo. Escritores recorrem a este sinal para transmitir realidades, sensações e experiências que as regras oficiais desconhecem. Não se pode ter essas liberdades em textos comuns. Elas são permitidas a muito poucas pessoas: Carlos Drummond de Andrade: a Maria-Que-Morreu-Antes; Fernando Pessoa: mulher-todas-as-mulheres.

Pontuação


Parênteses – Este sinal () é usado em orações intercaladas e incidentes: “Corri ao ilustre ateniense, para levantá-lo, mas (com dor o digo) era tarde: estava morto, morto pela segunda vez.” (Machado de Assis, Uma visita de Alcibíades.) O acordo de 1943 diz que o sinal de pontuação deve marcar-se depois dos parênteses, sempre que a pausa coincidir com o início da oração incidente. Mas quando a frase inteira ou qualquer unidade se achar encerrada pelos parênteses, coloca-se dentro destes a pontuação competente. Portanto, não há simultaneamente pontos-finais antes e depois dos parênteses. Havendo um ponto antes, o seguinte virá antes do segundo parêntese.

Pontuação com ETC. – Etc. é abreviatura da expressão latina et cetera (ou caetera) que significa ‘e outras coisas’, ‘e outros’, ‘e assim por diante’: Comprou livros, revistas, etc.

Pontuação nos títulos e cabeçalhos – Todos os cabeçalhos e títulos são encerrados por pontos-finais. Não há uniformidade quando ao uso desta pontuação, mas é de bom tom seguir o que determina a ortografia oficial vigente. Isso embora muita gente considere mais estético não pontuar títulos. Em jornalismo, por exemplo, não se usa a pontuação de titulação.

Ponto de exclamação – Quase sempre desnecessário em texto jornalístico. Só deve ser usado em declarações enfáticas, e sempre entre aspas.

Ponto-e-vírgula – Indica pausa maior que a vírgula e menor que o ponto. Emprega-se nos seguintes casos: A) para separar orações coordenadas não unidas por conjunção, que guardem relação entre si: a represa está poluída; os peixes estão mortos. B) para separar orações coordenadas, quando pelo menos uma delas já tem elementos separados por vírgula: o resultado final foi o seguinte: 20 deputados votaram a favor da emenda; 39, contra. C) para separar os diversos itens de uma enumeração, principalmente quando há vírgulas em seu interior: Compareceram ao evento: Herbert de Souza, o Betinho, cientista social; Paulo Santos, historiador; Marcos Tavares, economista, e Antônio Rocha, cientista político.

Travessão – O travessão (-) não passa de um hífen prolongado e tem os seguintes empregos: 1) liga palavras ou grupos de palavras que formam encadeamentos vocabulares: O percurso Rio – São Paulo. A estrada de ferro Rio Grande do Sul – São Paulo. 2) substitui parênteses, vírgulas e dois pontos em alguns casos: “…vendo naquela paz de claustro católico como um recanto da pátria recuperada – o abrigo e a consolação – rolaram-me das pálpebras duas lágrimas mudas.” (Eça de Queiroz, O Mandarim.) 3) indica dialogação, mudança de interlocutor: “Imagino Irene entrando no céu: – Licença, meu branco! E São Pedro bonachão: – Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.” (Manuel Bandeira, Irene no Céu.) 4) evita a repetição de um termo já mencionado: Assis (Joaquim Maria Machado de -) 5) dá ênfase e realce à palavra ou pensamento que segue: “Só há um caminho para a conquista da natureza, dos homens, de si mesmo: – saber. Não há outro meio de o conseguir: – querer. (Afrânio Peixoto)

Vírgulas – Como as pessoas erram demais neste ponto, vamos repetir aqui as regras gerais já deixadas na redação do GAB-COM. Devemos usar vírgulas para:
1 – Separar palavras da mesma classe. Exemplo: “A casa tem três quartos, dois banheiros, três salas e um quintal”.
2 – Para separar vocativos. Exemplo: “Minha filha, não seja precipitada.”
3 – Para separar apostos. Exemplo: “Brasília, Capital da República, foi fundada em 1960.”
4 – Para separar palavras e expressões explicativas, retificativas ou continuativas. Exemplos: “Gastamos R$ 1 mil, isto é, tudo o que tínhamos”. “Ela não pôde vir, ou melhor, não quis vir”. “Quer dizer que você, então, não mais verá o Festival de Monólogos?”
5 – Para separar orações coordenadas assindéticas. Exemplo: “O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém.”
6 – Antes de todas as conjunções coordenativas, menos e e nem aditivas (o e, quando equivale a mas, exige anteposição de vírgula). Exemplos: “Eu queria falar, mas não conseguia”. “Cumprimos nossa obrigação, logo nada temos a temer” . “Não chore, que será pior.”
7 – Depois do elemento coordenativo e correlativo de não só. Exemplo: “Lars Grael não só pediu, mas exigiu Justiça.”
8 – Para separar todas as conjunções adversativas e conclusivas no meio da frase. Exemplo: “Estou triste; não estou, porém, decepcionado.”
9 – Antes da conjunção e, quando os sujeitos forem diferentes. Exemplo: “O homem vendeu o carro, e a mulher protestou.” No caso, “homem” é sujeito de “vendeu”, e “mulher” é sujeito de “protestou”.
10 – Antes de e e nem repetidos. Exemplos: “Ele chegou, e gritou, e esbravejou, e esperneou, e morreu.” Ela não é lindíssima, nem elegante, nem inteligente, nem educada, mas é a mais nova loura do Tcham.”
11 – Para separar o nome da localidade, nas datas. Exemplo: “Vitória, 5 de junho de 2000.”
12 – Depois de qualquer termo da oração que apareça fora do seu lugar normal. Exemplo: “As laranjas, você chegou a comprar?”
13 – Para separar qualquer oração que venha antes ou no meio da principal. Exemplos: “Quando o prefeito voltar, avise-nos imediatamente”. “O artista que ficou satisfeito com a sua obra, faltou à vocação”.
14 – Para separar orações adverbiais explicativas. Exemplo: “Vitória, que é Capital do Espírito Santo, é conhecida como Cidade Presépio.”
15 – Para separar adjuntos adverbiais longos. Exemplo: ” Depois de algumas semanas de trabalho árduo, voltamos para casa.”
16 – Para separar todas as palavras repetidas e também indicar omissão de verbos facilmente subentendidos. Exemplos: “Mulheres, mulheres, mulheres, quantas mulheres?” Ou então: “Carmen ficou alegre; eu, muito triste.”

Recebi esta sugestão da minha amiga Semíramis Alencar que tem o blog Educando o Amanhã:

Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

A* vírgula pode ser uma pausa… ou não*.
Não, espere.
Não espere.

*Ela pode sumir com seu dinheiro.**
*23,4.
*2,34.

*Pode ser autoritária*.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

*Pode criar heróis*.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

*E vilões.**
*Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

*Ela pode ser a solução*.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

*A vírgula muda uma opinião*.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

*Uma vírgula muda tudo*.

Após o Grande Sucesso do Congresso SL na Educação em São Paulo e atendendo a vários pedidos, temos o prazer de anunciar que no dia 28 de JUNHO de 2008 será realizado no Rio de Janeiro também, num formato totalmente inovador. Não perca esta oportunidade de interagir com aqueles que estão envolvidos com as novas tecnologias e ambientes de ensino, aproveite e participe deste Congresso.

FAÇA SUA INSCRIÇÃO AQUI

PAra saber mais sobre o evento clique AQUI

Portal da Secretaria de Ensino Superior

Inscrições para Prêmio CAPES de teses
Pró-Reitorias de Pós-Graduação devem fazer as inscrições até 30 de junho

Estão abertas as inscrições para o Prêmio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES/MEC) de tese. As Pró-Reitorias de Pós-Graduação interessadas em participar devem encaminhar a Capes as teses indicadas pelos cursos de doutorado, na respectiva área de conhecimento, até o dia 30 de junho.

Os vencedores, autores da tese, recebem um certificado, uma medalha e uma bolsa de pós-doutorado nacional de um ano. O orientador da tese premiada recebe um auxílio equivalente a uma participação em congresso nacional ou igual soma de recursos aplicável no custeio de projeto aprovado pela CAPES.

Em 2007, foram inscritas 417 teses. Para o alcance do resultado final, foram envolvidas 51 comissões e 207 consultores de diversas instituições de ensino superior do Brasil.

Mais informações no site da CAPES.

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