Imigração Japonesa no Brasil – 18 de junho

Imigração japonesa no Brasil

Fonte: Wikipédia

A imigração japonesa no Brasil começou no início do século XX, como um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. O Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão. São cerca de 1,5 milhão de pessoas.[1] O uso do termo nikkei (??) é, atualmente, usado para denominar os japoneses e seus descendentes.


Um cartaz para atrair imigrantes japoneses para o Brasil

Razões da imigração

O Japão vivia, desde o final do século XIX, uma crise demográfica. O fim do feudalismo deu espaço para a mecanização da agricultura. A pobreza passou a assolar o campo e as cidades ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores rurais miseráveis. No Brasil, por sua vez, estava faltando mão-de-obra na zona rural. Em 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para São Paulo (a maior corrente imigratória para o Brasil era de italianos).

As fazendas de café, principal produto exportador do Brasil na época, passaram a sentir a falta de trabalhadores com a diminuição drástica da chegada de italianos. O governo brasileiro, então, precisou encontrar uma nova fonte de mão-de-obra. Desta vez, decidiu-se por serem atraídos imigrantes do Japão.

Com a eclosão da I Guerra Mundial, os japoneses foram proibidos de emigrar para os Estados Unidos, eram mal-tratados na Austrália e no Canadá. O Brasil tornou-se um dos poucos países no mundo a aceitar imigrantes do Japão.


Bairro da Liberdade, reduto da maior colônia japonesa fora do Japão, em São Paulo, Brasil

A Pré-Imigração

Apesar de receber japoneses durante o século XIX e nos anos iniciais do século XX, na condição de visitantes ou prestadores de serviços, não figurando como imigrantes, somente em 1906 chegou ao Brasil um grupo disposto a residir e estabelecer uma colônia. Liderados por Saburo Kumabe, o grupo situou-se, em 1907, no interior do estado do Rio de Janeiro, nos atuais municípios de Conceição de Macabu e Macaé. A colônia, situada na Fazenda Santo Antônio, durou cinco anos, fracassando por razões diversas, como falta de investimentos, epidemias e saúvas. Outro problema enfrentado pela comunidade nipônica fluminense, é que tratavam-se de um grupo heterogêneo – juíz, professores, funcionários públicos – onde não haviam agricultores ou pessoas com tradição de cultivar e cuidar da terra.

O Kasato Maru


O Kasato Maru trazendo os primeiros japoneses ao Porto de Santos, 1908.

O Kasato Maru é considerado pela historiografia oficial o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, em 18 de Junho de 1908. Chegou ao Porto de Santos trazendo 165 famílias, que vinham trabalhar nos cafezais do oeste paulista. O ano de 2008 está marcado de comemorações dos 100 anos de imigração japonesa no Brasil.

Nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Com o começo da I Guerra Mundial (1914), explodiu a imigração: entre 1917 e 1940, vieram 164 mil japoneses para o Brasil. 75% foram para São Paulo, visto que o estado concentrava a maior parte dos cafezais.

A grande imigração nipônica

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes japoneses para o Brasil cresceu enormemente. O governo japonês passou a incentivar a ida de japoneses para o Brasil, por diversos motivos: o campo e cidades japonesas estavam superlotados, causando pobreza e desemprego. O governo também queria a expansão da etnia japonesa para outros lugares do mundo e também que a cultura japonesa fosse enraizada nas Américas, a começar pelo Brasil.

A maior parte dos imigrantes chegou no decênio 1920-1930. Já não iam apenas trabalhar nas plantações de café, mas também desenvolveram o cultivo de morango, chá e arroz no Brasil.

Gerações

A colônia japonesa do Brasil está dividida em:

isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão) 12,51%;
nisseis (filhos de japoneses) 30,85%;
sanseis (netos de japoneses) 41,33%;
yonseis (bisnetos de japoneses) constituem 12,95% [2]

Atualmente, existem no Brasil 1,5 milhão de japoneses e descendentes, sendo 80% no Estado de São Paulo e a maioria na capital (326 mil segundo o censo de 1988). Da comunidade japonesa no Brasil, 90% vivem nas cidades. O bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, representa o marco da presença japonesa na cidade. Outros focos importantes de presença japonesa no Brasil são o Paraná, o Mato Grosso do Sul e o Pará.

A primeira geração


CENTENÁRIOS: A partir do alto, no sentido horário, os imigrantes Sei Maeda, Yoshiko Hanashiro, Ryo Sakagami e Yoshito Hirata, todos com 100 anos de idade Foto Estadão.com.br

A imensa maioria dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer no Brasil e retornar para o Japão em, no máximo, três anos. Todavia, o enriquecimento rápido em terras brasileiras era um sonho quase impossível de se alcançar. Submetido a horas exaustivas de trabalho, o imigrante tinha um salário baixíssimo: o preço da passagem era descontado no salário. Ademais, tudo o que o imigrante consumia deveria ser comprado na mão do fazendeiro. Em pouco tempo as dívidas se tornavam quase impagáveis.

A geração nascida no Japão foi aquela que mais dificilmente se adaptou ao Brasil. A barreira do idioma, os hábitos alimentares, o vestuário, o modo de vida e as diferenças climáticas acarretaram em um choque cultural extremo. Com o almejo de retornar o mais breve possível ao Japão, os imigrantes não se preocupavam em se integrar ao Brasil. Uma parcela considerável nunca aprendeu a falar o português.[3]

Eis que, através de um sistema de parceria com o fazendeiro, muitos japoneses conseguiram comprar seus primeiros pedaços de terra. Após algum tempo de plantação, o imigrante tinha o direito de receber uma parcela da última. Tal ascenção social no Brasil resultou, para a grande maioria dos imigrantes, a permanência definitiva no Brasil.


O Bairro da Liberdade com suas características japonesas.

A segunda geração

A primeira geração nascida no Brasil viveu de forma semelhante aos pais imigrantes. Ainda dominados pelo desejo de regresso ao Japão, os imigrantes educavam seus filhos dentro da cultura japonesa. As crianças eram educadas em escolas japonesas fundadas pela comunidade. A predominância do meio rural facilitou tal isolamento. Cerca de 90% dos filhos de japoneses falavam japonês em casa. É de notar que muitos brasileiros de origem japonesa ainda possuem dificuldades em falar o português.

A segunda geração de japoneses no Brasil viu, definitivamente, sepultada a esperança de retornar ao Japão. A eclosão da II Guerra Mundial abalava a terra natal. Era mais seguro permanecer no Brasil. Muitos imigrantes começam a chegar neste período, atraídos pelos parentes que já tinham imigrado. Na década de 1930, o Brasil já abrigava a maior população de japoneses fora do Japão.

Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, a comunidade japonesa foi diretamente atingida. A língua japonesa foi proibida de ser falada no País. As escolas japonesas foram fechadas. Em meio à situação, surgiu o Shindo Renmei, uma organização extremista japonesa criada no Brasil.

Shindo Renmei


Praça do Japão, em Curitiba.

O coronel aposentado Junji Kikawa fundou pouco após o final da guerra a organização secreta Shindo Renmei (“liga do caminho dos súditos”, em japonês), para impedir as “notícias falsas da derrota” de se espalharem e para se matar os “derrotistas”, também apelidados “Corações Sujos” (que batizou um livro sobre a organização escrito por Fernando Morais e lançado em 2000).

Durante a Segunda Guerra Mundial, alguns japoneses radicais protestavam contra a posição brasileira na guerra e criavam panfletos pedindo a destruição do cultivo de seda (usada para pára-quedas, por exemplo) e hortelã (o mentol poderia aumentar a potência da nitroglicerina, era usado para resfriar motores e podia ser tóxico).

A maioria dos 200 mil imigrantes não aceitaram a derrota em 1945, e assim a colônia se dividiu em “derrotistas” (makegumi), menos de 20% da população, e os “vitoristas” (kachigumi).

Essa organização pretendia propagar no Brasil a idéia de que o Japão não tinha perdido a Guerra, pois seria uma invenção dos Estados Unidos para enfraquecer o Japão. Os imigrantes japoneses eram fiéis ao Imperador do Japão, Hirohito, e grande parte tornou-se membro da organização.

Praça do Japão, em Curitiba.Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, os japoneses passaram a ser perseguidos pelo governo brasileiro, e assim como aconteceu com as comunidades alemã e italiana do Brasil, a língua japonesa foi proibida de ser falada no País. Escolas japonesas foram fechadas e manifestações culturais nipônicas proibidas em território brasileiro.

O Shindo Renmei perseguiu os japoneses que acreditaram que o Japão realmente tinha perdido a guerra, entre katigumis e makegumis foram mortos oficialmente 23 pessoas entre 1946 e 1947. A organização perdeu força a partir do final de 1947, quando o governo do General Dutra, após interrogar 30 mil pessoas, prendeu mais de 300 suspeitos e condenou à expulsão do território nacional 155 japoneses, decisão esta que nunca foi colocada em prática.


Armazém japonês em São Paulo.

A terceira geração

A partir da terceira geração no Brasil, os descendentes de japoneses passaram a se abrir definitivamente à sociedade brasileira. Os avós imigrantes trabalharam duro no campo para que seus filhos e netos tivessem futuro no Brasil. Ocorre, sobretudo na década de 1960, um grande êxodo rural dentro da comunidade nipo-brasileira. Os japoneses saem do campo e rumam para as cidades para concluir os estudos. A cidade de São Paulo torna-se, assim, a cidade com maior número de japoneses fora do Japão.

No ambiente urbano, os japoneses começaram a trabalhar em ramos ainda com raízes campestres. Pequenos armazéns foram abertos, onde vendiam produtos agrícolas, como frutas e legumes ou peixes. Os mais jovens se dedicaram aos estudos. Formaram-se em larga escala nas áreas biológicas e de exatas. Os descendentes de japoneses mudaram a paisagem de onde se aglomeraram. O Bairro da Liberdade é um exemplo da força da comunidade nipo-brasileira.

A quarta geração

Os bisnetos de japoneses, em sua maioria adolescentes e jovens, são os mais integrados ao Brasil. Exemplo disso é a miscigenação: 61% têm alguma origem não-japonesa. Os traços mestiços predominam entre esta nova geração. Os vínculos com o Japão ancestral são mínimos: a maioria sabe falar pouco ou nada de japonês.

Miscigenação

Uma das características da sociedade brasileira é a miscigenação mas, no caso dos nipo-brasileiros, ela levou um tempo maior para acontecer. O casamento de japoneses fora da colônia não era aceito pela maioria dos imigrantes por não querer manter laços no Brasil, podendo assim retornar para o Japão. Porém, o lado étnico-cultural foi o que mais dificultou, inicialmente, a miscigenação. Os japoneses possuem uma cultura fechada e, mesmo hoje em dia, o casamento com um não-japonês (gaikokujin) é mal-visto por grande parte da população.

No caso dos imigrantes japoneses no Brasil, essa situação de isolamento étnico acabou por se deteriorar a partir da década de 1970. Os imigrantes de primeira geração raramente se casavam com um não-japonês, porém, a partir das segunda e terceira gerações, o fenômeno da miscigenação passou a fazer parte da realidade da colônia japonesa no Brasil.


Uma moça brasileira de ascendência japonesa durante uma celebração xintoísta em Curitiba.

Os municípios mais japoneses

O município com maior número de japoneses e seus descendentes no Brasil é São Paulo. Estima-se que vivam 326 mil japoneses nesta cidade. Em termos de porcentagens, os municípios de Assaí no Paraná e de Bastos em São Paulo são os mais japoneses com, respectivamente, 15% e 11,4% de seus habitantes possuindo origens no Japão.

Religião

Os imigrantes, assim como a maioria dos japoneses, eram budistas e xintoístas. Nas colônias japoneses, houve a forte presença de padres brasileiros para catequizar os imigrantes. O casamento com pessoas católicas também contribuiu para o crescimento dessa religião na comunidade. 60% dos descendentes de japoneses no Brasil são católicos.

Idiomas

A grande maioria dos nipo-brasileiros falam somente o português. A primeira geração fala com freqüência dialetos japoneses, mas os nascidos no Brasil são raramente fluentes. Apenas 0,23% da comunidade usa o japonês. O japonês falado no Brasil é uma mistura de diversos dialetos influenciados pela língua portuguesa. Com o retorno dos imigrantes brasileiros do Japão, é provável que o número de falantes da língua japonesa no País cresça

O fenômeno Dekassegui

Vivem no Japão mais de 300.000 brasileiros, a maioria dos quais são dekasseguis (brasileiros de origem japonesa e seus cônjugues, que vão ao Japão para trabalhar, a grande maioria como operários na indústria). A comunidade brasileira no Japão é a terceira maior fora do Brasil e, por sua vez, é a terceira maior comunidade imigrante no Japão, atrás apenas dos coreanos e chineses.

Inversão do fluxo migratório de brasileiros descendentes ou cônjuges de japoneses ao Japão à procura de melhores oportunidades de renda, iniciados na segunda metade da década de 80 do século XX. Nessa época, com a necessidade de atrair mão-de-obra para a rápida expansão econômica japonesa levou o governo daquele país a criar leis para facilitar a entrada de trabalhadores. Em 1990 foi editada a “Lei de Controle de Imigração”, permitindo que japoneses e seus cônjuges ou descendentes até a 3ª geração possam exercer qualquer atividade legalmente por um período relativamente longo. Por outro lado a crise no lado brasileiro (alta inflação, crescente dívida externa e instabilidade política) levou a população (principalmente os mais jovens) a procurar melhores alternativas de vida em outros lugares (Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e, no caso dos descendentes de japoneses, o Japão).

A maioria dos brasileiros no Japão são escolarizados, mas são empregados como operários em fábricas de automóvel e eletrônicos. Muitos são submetidos a horas exaustivas de trabalho, ganhando salários pequenos para o padrão de vida japonês. A maior parte dos imigrantes no Japão vão aliciados por agências de recrutamento, legais ou ilegais. De qualquer maneira, no ano de 2002, os brasileiros no Japão mandaram para o Brasil 2,5 bilhões de dólares. As cidades com mais brasileiros são: Hamamatsu, Aichi, Shizuoka, Kanagawa, Saitama and Gunma.

Identidade brasileira no Japão

No Japão, muitos nipo-brasileiros sofrem preconceito por não terem fluência na língua japonesa. Apesar de sua aparência japonesa, imigrantes brasileiros no Japão são culturalmente brasileiros e são tratados pelos japoneses como qualquer outro estrangeiro. Os brasileiros no Japão formam a maior comunidade de falantes de português na Ásia, superando todas as ex-colônias portuguesas na região, como Macau e Goa. Os filhos dos brasileiros são, muitas vezes, isolados nas escolas japonesas por não falarem bem o idioma japonês. Milhares de crianças brasileiras se encontram fora da escola no Japão.

Estudiosos constatam que, no Brasil, muitos nipo-brasileiros se sentiam (e, muitas vezes, eram vistos) como japoneses. Todavia, quando imigram para o Japão, os descendentes de japoneses percebem que são totalmente brasileiros, fazendo surgir um forte sentimento de “identidade brasileira” na comunidade. Isto se constata no sentimento de unidade dos brasileiros no Japão, que se organizam para promover carnavais ao som de samba em diversas cidades japonesas, vendendo comida da culinária do Brasil. De acordo com os estudiosos, os nipo-brasileiros fazem questão de exibir sua origem brasileira, e esta é a forma encontrada pelos descendentes de japoneses para demonstrarem a sua identidade brasileira em terras japonesas

PROPOSTA DE ATIVIDADE

Fonte:Alô Escola


1. Proponha aos alunos, em grupos, entrevistar pessoas (vizinhos, amigos, familiares) que sejam imigrantes ou descendentes de imigrantes, a fim de levantar dados como:

país de origem
motivo da imigração
rota de imigração (demonstrar num mapa)
processo de adaptação Discutir os dados coletados e expor as conclusões para os colegas.
2. Na sala de aula, organize um levantamento sobre as origens dos alunos (ascendências) e uma pesquisa sobre os países de maior representação entre eles. Oriente a elaboração de cartazes, para serem expostos em classe, que demonstrem a cultura dos povos estudados e suas influências no Brasil.

3. Oriente uma pesquisa sobre as influências da imigração japonesa, alemã e italiana na nossa agricultura, com a confecção de cartazes.

4. Organize um painel com recortes de revistas, jornais, cartazes, ilustrando as influências da imigração japonesa, italiana, coreana e alemã no cotidiano da sociedade brasileira.

5. Em grupos, os alunos podem pesquisar a culinária de um país de onde tenha emigrado grande número de pessoas para o Brasil. Eles podem escolher um prato dessa culinária e levá-lo para ser degustado em sala de aula, e tecer um comentário sobre essa culinária e os motivos da escolha.

6. Conte em sala de aula uma lenda do folclore de uma das correntes migratórias, coloque o tema em discussão entre os alunos e solicite um trabalho escrito.

7. Proponha uma pesquisa sobre os principais incentivos para a imigração (doação de terras, ajuda financeira) e o interesse do Brasil na mesma. Os alunos podem debater o tema e elaborar uma conclusão em grupos.

8. Forme grupos de alunos, para que cada um estude a cultura de um dos países de onde tenha emigrado grande número de pessoas para o Brasil. Organize uma exposição com vestuário, livros, revistas, objetos religiosos etc, do país pesquisado.

Visitas pra complementar o estudo:
IMIGRAÇÃO JAPONESA:

Fundação Japão Av. Paulista, 37 – 2º andar São Paulo – SP – Brasil Agendar visitas: 2ª/6ª das 10h às 17h

Pavilhão Japonês Av. Pedro Alvares Cabral (Pq. Ibirapuera) São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: sáb, dom e feriado das 12h às 18h

Museu Histórico da Imigração Japonesa R. São Joaquim, 381 – 7º/8º andar – Liberdade São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: 3ª/dom das 13h30min às 17h30min

Casa da Cultura Japonesa R. Prof. Lineu Prestes, 159 (Cidade Universitária) São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: 2ª/6ª das 13h às 17h.

SUGESTÕES:

Nova Escola online

Educação Artística
7ª e 8ª série

O Sol nascente em quadrinhos

Para apresentar a cultura japonesa às suas turmas de 7ª e 8ª série, a arte-educadora Débora Almada usou histórias em quadrinhos. “É uma forma de expressão valorizada por alunos dessa idade”, observa Débora, que dá aulas na Escola Viver, de Itanhaém (SP). Entre tantas produções do gênero, a professora escolheu a revista Lobo Solitário (Editora Nova Sampa, tel. 011/5589-7197). Criada por Kazuo Koike e Goseki Kojima, a obra é sucesso no Japão desde os anos 70 e foi publicada no Brasil pela primeira vez em 1988. Contando as aventuras de Ito Ogami, um samurai desonrado, as histórias de Lobo Solitário retratam o Japão antigo. Além disso, o desenho lembra os traços de gravuras japonesas tradicionais. “Por esses motivos, é um interessante instrumento didático para conciliar história e arte”, avalia Débora. Se o professor preferir trabalhar com outro quadrinho japonês, deve levar em conta essas mesmas características.

Após discutir o enredo da história, Débora incentiva os alunos a produzir seus próprios quadrinhos, fazendo uma releitura da cultura japonesa. “No final, as produções são expostas na escola”, diz a professora.

História e Português
De 5ª a 8ª série

Uma aula nas ondas do Rádio

Quem quiser aproveitar a data para explorar a imigração em linhas gerais pode usar a sugestão do professor de História Silvio Boccia Pinto de Oliveira Sá, da Escola da Vila, em São Paulo. Sua proposta é a produção de radionovelas sobre os estrangeiros que escolheram o Brasil como segunda pátria. “A radionovela traz para mais perto os fatos do passado”, explica.

Para começar, divida a turma em grupos e proponha uma pesquisa sobre os principais imigrantes — japoneses, italianos, alemães, portugueses. Nesse levantamento, é preciso descobrir quando e como cada grupo de estrangeiros chegou ao Brasil, onde se fixou, em que atividades trabalhou, como foi a adaptação à nova terra, que influências exerceu sobre nossa cultura e assim por diante.

Após essa fase, que pode demorar quase um mês, cada grupo apresenta ao resto da turma os resultados de sua pesquisa. De posse das informações, os alunos terão condições de criar um roteiro de radionovela usando o tema “imigrantes”. Nessa hora, será necessária a participação do professor de Português, para explicar como se elabora um roteiro, ressalta Silvio Boccia.

As radionovelas, gravadas em fita cassete comum, deverão ter a duração máxima de dez minutos e usar músicas, efeitos sonoros e expressões típicas da nacionalidade focalizada. O professor ainda lembra que todas as produções poderão ser apresentadas junto com uma exposição de objetos de época (fotos e utensílios domésticos, por exemplo), coletados pelos alunos.

Geografia
7ª e 8ª série

Diário de um Imigrante

Criatividade e muita informação formam a receita de sala de aula do professor de Geografia Ulisses José Rodrigues, da Escola da Vila, em São Paulo. Ele sugere reunir, por meio de pesquisas monitoradas, dados físicos, humanos e econômicos sobre os países de origem dos estrangeiros instalados no Brasil. Depois, a proposta é que grupos de alunos organizem diários de imigração. Ou seja, um deles pode incorporar o papel de um japonês recém-chegado, enquanto outro se imagina na pele de um italiano ou de um alemão. No final, os alunos anotam em um diário suas impressões sobre a terra desconhecida.

Todos os diários deverão conter informações variadas, como as diferenças de paisagem, de clima, de hábitos e costumes entre o país abandonado e o adotado como novo lar. “Um japonês que emigra de uma região muito fria com certeza destacará em seu diário a dificuldade em se adaptar às temperaturas quentes do clima tropical”, exemplifica o professor.

Para fazer o contraponto com a imigração nipônica, Ulisses propõe que um grupo de alunos assuma o papel de um descendente de japoneses que, nos dias de hoje, realiza o caminho inverso – vai morar no Japão para trabalhar e juntar dinheiro, mas acaba passando maus bocados. São os chamados dekasseguis, imigrantes brasileiros que tentam a sorte no país do Sol nascente. “A atividade pode ser um ótimo instrumento de comparação entre as culturas”, afirma o professor.

Os alunos precisarão soltar sua criatividade para representar os papéis, mas vão aprender Geografia.

Banzai Brasil

Fonte: A vida como a vida quer

Na onda das homenagens à imigração japonesa no Brasil, começa hoje a exposição Banzai Brasil no saguão do Edifício Altino Arantes, no centro de São Paulo. São : quadros de óleo sobre tela, aquarelas, litografia e esculturas de mármore assinadas por nomes como Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Kazuo Wakabayashi, Hiroe Sasaki, Richard Hideaki e Masako Tsukada . Entre os destaques, está a primeira obra adquirida pelo Museu: Sonho de Princeza (sic), produzida por Manabu Mabe, em 1967.

Tenho uma simpatia imensa por Manabu Mabe desde criança e creio que herdei de minha mãe, uma apaixonada pela cultura japonesa. Mais tarde eu mesma descobri Tomie Ohtake e gosto de sua obra como de sua forma de ser, de se apresentar e de se inserir na sociedade brasileira. E esta inserção dos japoneses será o mot da mostra e da homenagem que o Museu Santander faz ao “povo que tanto contribuiu para o desenvolvimento do País”. Banzai Brasil é a nossa celebração ao talento dos artistas japoneses e descendentes.

Tomie Ohtake – Banzai Brasil apresenta um óleo sobre tela de Tomie Ohtake catalogado como sem título, pintado por em 1969, embora registre o nome “Caminho da Esperança” em seu verso. Uma das mais reconhecidas artistas de ascendência japonesa no País, Tomie nasceu em Kioto, em 1913 e chegou ao Brasil em 1936. Naturalizou-se quase três décadas depois. Ela começou a pintar aos 40 anos e, durante a década de 60, dedicou-se às abstrações informais, período em que aprimorou sua técnica. Aos 95 anos, é considerada a “Dama das Artes Plásticas Brasileiras ”.

Artistas e obras

Tomie Ohtake:

Sem título (“Caminho de Esperança”) – Óleo sobre tela – 1969
Branco – Óleo sobre tela – 1969

Manabu Mabe:

Sonho de Princeza (sic) – Óleo sobre tela – 1967
Conquista da Lua – Óleo sobre tela – 1969

Tikashi Fukushima

Óleo Bege – Óleo sobre tela – 1969
Óleo – Óleo sobre tela – 1969
Bege e Marrom – Óleo sobre tela – 1970

Kazuo Wakabayashi

Óleo Ocre – Óleo sobre tela – 1969
Sem Título – Óleo sobre tela – 1969
Sem Título – Litografia – 1989

Hiroe Sasaki

Chorisia Speciosa – Aquarela – 1994

Richard Hideaki

Pássaro – Escultura em Mármore – 1992
Torso Bailarino – Escultura em Mármore – 1992

Masako Tsukada

Ilhas Gregas – Aquarela – 1989

Serviço

Exposição Banzai Brasil
Data: de 20 de maio a 27 de junho
Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 17h00
Entrada Franca
Local: Edifício Altino Arantes – Rua João Brícola, 24 – Centro – SP – próximo à estação do Metrô São Bento

Brasil foi pioneiro na leitura de mangá no Ocidente

Fonte: Gibiteca

No Brasil, os mangás vieram com os imigrantes japoneses que aqui desembarcaram. Logo que surgiram as primeiras importadoras de revistas e jornais japoneses, este tipo de quadrinho se tornou uma forma de acompanhamento do que acontecia no Japão. “Ler mangá foi sempre uma forma de preservar a língua japonesa e também de atualização da mesma. Portanto o Brasil é um país que lê mangá muito antes de qualquer outro país ocidental do mundo. Somente nos anos 90 com o sucesso de alguns mangás e animês nos Estados Unidos é que a grande massa começou a ter conhecimento da cultura pop japonesa”, afirma a pesquisadora Sônia Maria Bibe Luyten, autora de “Mangá, o Poder dos Quadrinhos Japoneses” e “Cultura Pop Japonesa: Mangá e Animê”.

O contato com o universo dos mangás pela via familiar é o caso da estudiosa Christine Akune Sato, que desde a infância teve em sua casa as revistas, como uma forma dos avós a fazerem se interessar pelo idioma japonês. “Meus avós assinavam revistas que vinham do Japão e com elas, mangás. Nos anos 50, 60, elas eram exaustivamente trocadas entre os parentes”, afirma Sato.

De origem italiana e com sobrenome holandês devido ao casamento, Luyten foge à regra. “Em 1972 comecei o primeiro curso universitário de histórias em quadrinhos. Foi na Universidade de São Paulo, na Escola de Comunicações e Arte, no departamento de Jornalismo e Editoração”, disse a pesquisadora.

“Nos anos 1970 o Japão teve um grande avanço econômico que veio surgindo desde o final da 2º Guerra Mundial. Com este boom da economia a indústria editorial também cresceu muito e os quadrinhos japoneses –os mangás– também aceleraram muito em vendas. Este foi o grande motivo do meu interesse pois em nenhum país do ocidente uma revista alcançou vendagens de um milhão de cópias por semana”, conta Luyten. Ela resolveu então entrar em contato com editoras japonesas para obter mais informações em um semestre no qual havia muitas alunas nisseis na turma.

Mangás no Brasil

Segundo Luyten, muitos descendentes de japoneses que liam mangá também tomaram gosto pelo desenho e entraram no mercado editorial brasileiro nos anos 60. “É o caso de Julio Shimamoto, Paulo Fukue, entre outros. Portanto tivemos uma geração de nisseis desenhando mangá antes de qualquer outro país no mundo”, disse a pesquisadora. Já Sato, concorda, mas afirma que o boom do mangá foi nos anos 80, após a criação da divisão de quadrinhos da editora Abril, no qual uma área passou a esporadicamente publicar mangás, e as exposições na Sociedade de Cultura Japonesa.

própria Abrademi foi criada naquela década, em 1984. Para Sato, o sucesso só não foi maior porque havia um certo preconceito com a publicação de mangás, pois estes eram considerados muito violentos e sem apelo para o público brasileiro em geral. A pesquisadora, que foi bolsista em 1987 no Japão, conta que também há dificuldades técnicas em decorrência da escrita, que é da direita para a esquerda, de baixo para cima. Isto muda o formato dos balões.

Sato cita, como tentativas de se publicar mangás no Brasil, “Akira”, que foi lançado pela editora Globo. A especialista marca a metade da década de 90 como uma outra mudança crucial, com a vinda ao mercado das editoras Conrad e JBC, focadas na publicação de mangás para o público brasileiro.

“Atualmente há muitas publicações em forma de fanzines que estão experimentando a linguagem dos mangás, o que acho algo extraordinário pois a maioria nem é descendente de japoneses”, afirmou Luyten.

Dentre os sucessos brasileiros de mangás em bancas, a pesquisadora cita “Holy Avenger”, da dupla Marcelo Cassaro e Erica Awano. A publicação teve uma série completa e boa vendagem.

A pesquisadora também lembra a publicação de “Mangá Tropical”, coordenada por Alexandre Nagado, que reuniu desenhistas e roteiristas com ou sem descendência japonesa e que tinha como principal característica histórias passadas no Brasil. Além disso, Luyten também citou Fábio Yabu, que desenhou Combo Rangers publicado primeiro na internet e que depois virou revista em quadrinhos, publicadas pelas editoras JBC e Panini. Ao todo, foram 25 revistas.
Desafios

Os principais desafios para este mercado, segundo Luyten, são os desafios que qualquer desenhista brasileiro enfrenta: encontrar editoras que aceitem o trabalho, ter um trabalho bom e com continuidade, enfrentar os ciclos altos e baixos da economia brasileira entre outros motivos.

“Há muita gente que acha o mangá está tirando o pão de cada dia do desenhista brasileiro. Antes a culpa era dos americanos e antes ainda dos europeus. Acredito que o mercado brasileiro tem capacidade de absorver tudo desde que seja bom, de preço acessível, que tenha continuidade. Há lugar para todos quando algo tem qualidade”, disse Luyten.

100 anos da imigração japonesa no Brasil

3 thoughts on “Imigração Japonesa no Brasil – 18 de junho

  1. legal mas nao era o que eu procurava. mas tambem um pouco interesante as imagens e o video.
    eu só achei um pouco incompleto pq nao fala de curiosidaes e cultura que eles trouseram ao brasil.

    Cybele Reply:

    Olá Aline, tudo bem?

    Seria excelente se você contribuisse com estas informações. Este espaço é de todos nós.
    Pode contribuir a vontade. Todos nós agradecemos.
    É a colaboração e a cooperação existente na web.
    Obrigada por acompanhar o Educa Já!
    Volte sempre!
    bjs

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