Imigração Japonesa no Brasil – 18 de junho

Imigração japonesa no Brasil

Fonte: Wikipédia

A imigração japonesa no Brasil começou no início do século XX, como um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. O Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão. São cerca de 1,5 milhão de pessoas.[1] O uso do termo nikkei (??) é, atualmente, usado para denominar os japoneses e seus descendentes.


Um cartaz para atrair imigrantes japoneses para o Brasil

Razões da imigração

O Japão vivia, desde o final do século XIX, uma crise demográfica. O fim do feudalismo deu espaço para a mecanização da agricultura. A pobreza passou a assolar o campo e as cidades ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores rurais miseráveis. No Brasil, por sua vez, estava faltando mão-de-obra na zona rural. Em 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para São Paulo (a maior corrente imigratória para o Brasil era de italianos).

As fazendas de café, principal produto exportador do Brasil na época, passaram a sentir a falta de trabalhadores com a diminuição drástica da chegada de italianos. O governo brasileiro, então, precisou encontrar uma nova fonte de mão-de-obra. Desta vez, decidiu-se por serem atraídos imigrantes do Japão.

Com a eclosão da I Guerra Mundial, os japoneses foram proibidos de emigrar para os Estados Unidos, eram mal-tratados na Austrália e no Canadá. O Brasil tornou-se um dos poucos países no mundo a aceitar imigrantes do Japão.


Bairro da Liberdade, reduto da maior colônia japonesa fora do Japão, em São Paulo, Brasil

A Pré-Imigração

Apesar de receber japoneses durante o século XIX e nos anos iniciais do século XX, na condição de visitantes ou prestadores de serviços, não figurando como imigrantes, somente em 1906 chegou ao Brasil um grupo disposto a residir e estabelecer uma colônia. Liderados por Saburo Kumabe, o grupo situou-se, em 1907, no interior do estado do Rio de Janeiro, nos atuais municípios de Conceição de Macabu e Macaé. A colônia, situada na Fazenda Santo Antônio, durou cinco anos, fracassando por razões diversas, como falta de investimentos, epidemias e saúvas. Outro problema enfrentado pela comunidade nipônica fluminense, é que tratavam-se de um grupo heterogêneo – juíz, professores, funcionários públicos – onde não haviam agricultores ou pessoas com tradição de cultivar e cuidar da terra.

O Kasato Maru


O Kasato Maru trazendo os primeiros japoneses ao Porto de Santos, 1908.

O Kasato Maru é considerado pela historiografia oficial o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, em 18 de Junho de 1908. Chegou ao Porto de Santos trazendo 165 famílias, que vinham trabalhar nos cafezais do oeste paulista. O ano de 2008 está marcado de comemorações dos 100 anos de imigração japonesa no Brasil.

Nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Com o começo da I Guerra Mundial (1914), explodiu a imigração: entre 1917 e 1940, vieram 164 mil japoneses para o Brasil. 75% foram para São Paulo, visto que o estado concentrava a maior parte dos cafezais.

A grande imigração nipônica

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes japoneses para o Brasil cresceu enormemente. O governo japonês passou a incentivar a ida de japoneses para o Brasil, por diversos motivos: o campo e cidades japonesas estavam superlotados, causando pobreza e desemprego. O governo também queria a expansão da etnia japonesa para outros lugares do mundo e também que a cultura japonesa fosse enraizada nas Américas, a começar pelo Brasil.

A maior parte dos imigrantes chegou no decênio 1920-1930. Já não iam apenas trabalhar nas plantações de café, mas também desenvolveram o cultivo de morango, chá e arroz no Brasil.

Gerações

A colônia japonesa do Brasil está dividida em:

isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão) 12,51%;
nisseis (filhos de japoneses) 30,85%;
sanseis (netos de japoneses) 41,33%;
yonseis (bisnetos de japoneses) constituem 12,95% [2]

Atualmente, existem no Brasil 1,5 milhão de japoneses e descendentes, sendo 80% no Estado de São Paulo e a maioria na capital (326 mil segundo o censo de 1988). Da comunidade japonesa no Brasil, 90% vivem nas cidades. O bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, representa o marco da presença japonesa na cidade. Outros focos importantes de presença japonesa no Brasil são o Paraná, o Mato Grosso do Sul e o Pará.

A primeira geração


CENTENÁRIOS: A partir do alto, no sentido horário, os imigrantes Sei Maeda, Yoshiko Hanashiro, Ryo Sakagami e Yoshito Hirata, todos com 100 anos de idade Foto Estadão.com.br

A imensa maioria dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer no Brasil e retornar para o Japão em, no máximo, três anos. Todavia, o enriquecimento rápido em terras brasileiras era um sonho quase impossível de se alcançar. Submetido a horas exaustivas de trabalho, o imigrante tinha um salário baixíssimo: o preço da passagem era descontado no salário. Ademais, tudo o que o imigrante consumia deveria ser comprado na mão do fazendeiro. Em pouco tempo as dívidas se tornavam quase impagáveis.

A geração nascida no Japão foi aquela que mais dificilmente se adaptou ao Brasil. A barreira do idioma, os hábitos alimentares, o vestuário, o modo de vida e as diferenças climáticas acarretaram em um choque cultural extremo. Com o almejo de retornar o mais breve possível ao Japão, os imigrantes não se preocupavam em se integrar ao Brasil. Uma parcela considerável nunca aprendeu a falar o português.[3]

Eis que, através de um sistema de parceria com o fazendeiro, muitos japoneses conseguiram comprar seus primeiros pedaços de terra. Após algum tempo de plantação, o imigrante tinha o direito de receber uma parcela da última. Tal ascenção social no Brasil resultou, para a grande maioria dos imigrantes, a permanência definitiva no Brasil.


O Bairro da Liberdade com suas características japonesas.

A segunda geração

A primeira geração nascida no Brasil viveu de forma semelhante aos pais imigrantes. Ainda dominados pelo desejo de regresso ao Japão, os imigrantes educavam seus filhos dentro da cultura japonesa. As crianças eram educadas em escolas japonesas fundadas pela comunidade. A predominância do meio rural facilitou tal isolamento. Cerca de 90% dos filhos de japoneses falavam japonês em casa. É de notar que muitos brasileiros de origem japonesa ainda possuem dificuldades em falar o português.

A segunda geração de japoneses no Brasil viu, definitivamente, sepultada a esperança de retornar ao Japão. A eclosão da II Guerra Mundial abalava a terra natal. Era mais seguro permanecer no Brasil. Muitos imigrantes começam a chegar neste período, atraídos pelos parentes que já tinham imigrado. Na década de 1930, o Brasil já abrigava a maior população de japoneses fora do Japão.

Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, a comunidade japonesa foi diretamente atingida. A língua japonesa foi proibida de ser falada no País. As escolas japonesas foram fechadas. Em meio à situação, surgiu o Shindo Renmei, uma organização extremista japonesa criada no Brasil.

Shindo Renmei


Praça do Japão, em Curitiba.

O coronel aposentado Junji Kikawa fundou pouco após o final da guerra a organização secreta Shindo Renmei (“liga do caminho dos súditos”, em japonês), para impedir as “notícias falsas da derrota” de se espalharem e para se matar os “derrotistas”, também apelidados “Corações Sujos” (que batizou um livro sobre a organização escrito por Fernando Morais e lançado em 2000).

Durante a Segunda Guerra Mundial, alguns japoneses radicais protestavam contra a posição brasileira na guerra e criavam panfletos pedindo a destruição do cultivo de seda (usada para pára-quedas, por exemplo) e hortelã (o mentol poderia aumentar a potência da nitroglicerina, era usado para resfriar motores e podia ser tóxico).

A maioria dos 200 mil imigrantes não aceitaram a derrota em 1945, e assim a colônia se dividiu em “derrotistas” (makegumi), menos de 20% da população, e os “vitoristas” (kachigumi).

Essa organização pretendia propagar no Brasil a idéia de que o Japão não tinha perdido a Guerra, pois seria uma invenção dos Estados Unidos para enfraquecer o Japão. Os imigrantes japoneses eram fiéis ao Imperador do Japão, Hirohito, e grande parte tornou-se membro da organização.

Praça do Japão, em Curitiba.Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, os japoneses passaram a ser perseguidos pelo governo brasileiro, e assim como aconteceu com as comunidades alemã e italiana do Brasil, a língua japonesa foi proibida de ser falada no País. Escolas japonesas foram fechadas e manifestações culturais nipônicas proibidas em território brasileiro.

O Shindo Renmei perseguiu os japoneses que acreditaram que o Japão realmente tinha perdido a guerra, entre katigumis e makegumis foram mortos oficialmente 23 pessoas entre 1946 e 1947. A organização perdeu força a partir do final de 1947, quando o governo do General Dutra, após interrogar 30 mil pessoas, prendeu mais de 300 suspeitos e condenou à expulsão do território nacional 155 japoneses, decisão esta que nunca foi colocada em prática.


Armazém japonês em São Paulo.

A terceira geração

A partir da terceira geração no Brasil, os descendentes de japoneses passaram a se abrir definitivamente à sociedade brasileira. Os avós imigrantes trabalharam duro no campo para que seus filhos e netos tivessem futuro no Brasil. Ocorre, sobretudo na década de 1960, um grande êxodo rural dentro da comunidade nipo-brasileira. Os japoneses saem do campo e rumam para as cidades para concluir os estudos. A cidade de São Paulo torna-se, assim, a cidade com maior número de japoneses fora do Japão.

No ambiente urbano, os japoneses começaram a trabalhar em ramos ainda com raízes campestres. Pequenos armazéns foram abertos, onde vendiam produtos agrícolas, como frutas e legumes ou peixes. Os mais jovens se dedicaram aos estudos. Formaram-se em larga escala nas áreas biológicas e de exatas. Os descendentes de japoneses mudaram a paisagem de onde se aglomeraram. O Bairro da Liberdade é um exemplo da força da comunidade nipo-brasileira.

A quarta geração

Os bisnetos de japoneses, em sua maioria adolescentes e jovens, são os mais integrados ao Brasil. Exemplo disso é a miscigenação: 61% têm alguma origem não-japonesa. Os traços mestiços predominam entre esta nova geração. Os vínculos com o Japão ancestral são mínimos: a maioria sabe falar pouco ou nada de japonês.

Miscigenação

Uma das características da sociedade brasileira é a miscigenação mas, no caso dos nipo-brasileiros, ela levou um tempo maior para acontecer. O casamento de japoneses fora da colônia não era aceito pela maioria dos imigrantes por não querer manter laços no Brasil, podendo assim retornar para o Japão. Porém, o lado étnico-cultural foi o que mais dificultou, inicialmente, a miscigenação. Os japoneses possuem uma cultura fechada e, mesmo hoje em dia, o casamento com um não-japonês (gaikokujin) é mal-visto por grande parte da população.

No caso dos imigrantes japoneses no Brasil, essa situação de isolamento étnico acabou por se deteriorar a partir da década de 1970. Os imigrantes de primeira geração raramente se casavam com um não-japonês, porém, a partir das segunda e terceira gerações, o fenômeno da miscigenação passou a fazer parte da realidade da colônia japonesa no Brasil.


Uma moça brasileira de ascendência japonesa durante uma celebração xintoísta em Curitiba.

Os municípios mais japoneses

O município com maior número de japoneses e seus descendentes no Brasil é São Paulo. Estima-se que vivam 326 mil japoneses nesta cidade. Em termos de porcentagens, os municípios de Assaí no Paraná e de Bastos em São Paulo são os mais japoneses com, respectivamente, 15% e 11,4% de seus habitantes possuindo origens no Japão.

Religião

Os imigrantes, assim como a maioria dos japoneses, eram budistas e xintoístas. Nas colônias japoneses, houve a forte presença de padres brasileiros para catequizar os imigrantes. O casamento com pessoas católicas também contribuiu para o crescimento dessa religião na comunidade. 60% dos descendentes de japoneses no Brasil são católicos.

Idiomas

A grande maioria dos nipo-brasileiros falam somente o português. A primeira geração fala com freqüência dialetos japoneses, mas os nascidos no Brasil são raramente fluentes. Apenas 0,23% da comunidade usa o japonês. O japonês falado no Brasil é uma mistura de diversos dialetos influenciados pela língua portuguesa. Com o retorno dos imigrantes brasileiros do Japão, é provável que o número de falantes da língua japonesa no País cresça

O fenômeno Dekassegui

Vivem no Japão mais de 300.000 brasileiros, a maioria dos quais são dekasseguis (brasileiros de origem japonesa e seus cônjugues, que vão ao Japão para trabalhar, a grande maioria como operários na indústria). A comunidade brasileira no Japão é a terceira maior fora do Brasil e, por sua vez, é a terceira maior comunidade imigrante no Japão, atrás apenas dos coreanos e chineses.

Inversão do fluxo migratório de brasileiros descendentes ou cônjuges de japoneses ao Japão à procura de melhores oportunidades de renda, iniciados na segunda metade da década de 80 do século XX. Nessa época, com a necessidade de atrair mão-de-obra para a rápida expansão econômica japonesa levou o governo daquele país a criar leis para facilitar a entrada de trabalhadores. Em 1990 foi editada a “Lei de Controle de Imigração”, permitindo que japoneses e seus cônjuges ou descendentes até a 3ª geração possam exercer qualquer atividade legalmente por um período relativamente longo. Por outro lado a crise no lado brasileiro (alta inflação, crescente dívida externa e instabilidade política) levou a população (principalmente os mais jovens) a procurar melhores alternativas de vida em outros lugares (Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e, no caso dos descendentes de japoneses, o Japão).

A maioria dos brasileiros no Japão são escolarizados, mas são empregados como operários em fábricas de automóvel e eletrônicos. Muitos são submetidos a horas exaustivas de trabalho, ganhando salários pequenos para o padrão de vida japonês. A maior parte dos imigrantes no Japão vão aliciados por agências de recrutamento, legais ou ilegais. De qualquer maneira, no ano de 2002, os brasileiros no Japão mandaram para o Brasil 2,5 bilhões de dólares. As cidades com mais brasileiros são: Hamamatsu, Aichi, Shizuoka, Kanagawa, Saitama and Gunma.

Identidade brasileira no Japão

No Japão, muitos nipo-brasileiros sofrem preconceito por não terem fluência na língua japonesa. Apesar de sua aparência japonesa, imigrantes brasileiros no Japão são culturalmente brasileiros e são tratados pelos japoneses como qualquer outro estrangeiro. Os brasileiros no Japão formam a maior comunidade de falantes de português na Ásia, superando todas as ex-colônias portuguesas na região, como Macau e Goa. Os filhos dos brasileiros são, muitas vezes, isolados nas escolas japonesas por não falarem bem o idioma japonês. Milhares de crianças brasileiras se encontram fora da escola no Japão.

Estudiosos constatam que, no Brasil, muitos nipo-brasileiros se sentiam (e, muitas vezes, eram vistos) como japoneses. Todavia, quando imigram para o Japão, os descendentes de japoneses percebem que são totalmente brasileiros, fazendo surgir um forte sentimento de “identidade brasileira” na comunidade. Isto se constata no sentimento de unidade dos brasileiros no Japão, que se organizam para promover carnavais ao som de samba em diversas cidades japonesas, vendendo comida da culinária do Brasil. De acordo com os estudiosos, os nipo-brasileiros fazem questão de exibir sua origem brasileira, e esta é a forma encontrada pelos descendentes de japoneses para demonstrarem a sua identidade brasileira em terras japonesas

PROPOSTA DE ATIVIDADE

Fonte:Alô Escola


1. Proponha aos alunos, em grupos, entrevistar pessoas (vizinhos, amigos, familiares) que sejam imigrantes ou descendentes de imigrantes, a fim de levantar dados como:

país de origem
motivo da imigração
rota de imigração (demonstrar num mapa)
processo de adaptação Discutir os dados coletados e expor as conclusões para os colegas.
2. Na sala de aula, organize um levantamento sobre as origens dos alunos (ascendências) e uma pesquisa sobre os países de maior representação entre eles. Oriente a elaboração de cartazes, para serem expostos em classe, que demonstrem a cultura dos povos estudados e suas influências no Brasil.

3. Oriente uma pesquisa sobre as influências da imigração japonesa, alemã e italiana na nossa agricultura, com a confecção de cartazes.

4. Organize um painel com recortes de revistas, jornais, cartazes, ilustrando as influências da imigração japonesa, italiana, coreana e alemã no cotidiano da sociedade brasileira.

5. Em grupos, os alunos podem pesquisar a culinária de um país de onde tenha emigrado grande número de pessoas para o Brasil. Eles podem escolher um prato dessa culinária e levá-lo para ser degustado em sala de aula, e tecer um comentário sobre essa culinária e os motivos da escolha.

6. Conte em sala de aula uma lenda do folclore de uma das correntes migratórias, coloque o tema em discussão entre os alunos e solicite um trabalho escrito.

7. Proponha uma pesquisa sobre os principais incentivos para a imigração (doação de terras, ajuda financeira) e o interesse do Brasil na mesma. Os alunos podem debater o tema e elaborar uma conclusão em grupos.

8. Forme grupos de alunos, para que cada um estude a cultura de um dos países de onde tenha emigrado grande número de pessoas para o Brasil. Organize uma exposição com vestuário, livros, revistas, objetos religiosos etc, do país pesquisado.

Visitas pra complementar o estudo:
IMIGRAÇÃO JAPONESA:

Fundação Japão Av. Paulista, 37 – 2º andar São Paulo – SP – Brasil Agendar visitas: 2ª/6ª das 10h às 17h

Pavilhão Japonês Av. Pedro Alvares Cabral (Pq. Ibirapuera) São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: sáb, dom e feriado das 12h às 18h

Museu Histórico da Imigração Japonesa R. São Joaquim, 381 – 7º/8º andar – Liberdade São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: 3ª/dom das 13h30min às 17h30min

Casa da Cultura Japonesa R. Prof. Lineu Prestes, 159 (Cidade Universitária) São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: 2ª/6ª das 13h às 17h.

SUGESTÕES:

Nova Escola online

Educação Artística
7ª e 8ª série

O Sol nascente em quadrinhos

Para apresentar a cultura japonesa às suas turmas de 7ª e 8ª série, a arte-educadora Débora Almada usou histórias em quadrinhos. “É uma forma de expressão valorizada por alunos dessa idade”, observa Débora, que dá aulas na Escola Viver, de Itanhaém (SP). Entre tantas produções do gênero, a professora escolheu a revista Lobo Solitário (Editora Nova Sampa, tel. 011/5589-7197). Criada por Kazuo Koike e Goseki Kojima, a obra é sucesso no Japão desde os anos 70 e foi publicada no Brasil pela primeira vez em 1988. Contando as aventuras de Ito Ogami, um samurai desonrado, as histórias de Lobo Solitário retratam o Japão antigo. Além disso, o desenho lembra os traços de gravuras japonesas tradicionais. “Por esses motivos, é um interessante instrumento didático para conciliar história e arte”, avalia Débora. Se o professor preferir trabalhar com outro quadrinho japonês, deve levar em conta essas mesmas características.

Após discutir o enredo da história, Débora incentiva os alunos a produzir seus próprios quadrinhos, fazendo uma releitura da cultura japonesa. “No final, as produções são expostas na escola”, diz a professora.

História e Português
De 5ª a 8ª série

Uma aula nas ondas do Rádio

Quem quiser aproveitar a data para explorar a imigração em linhas gerais pode usar a sugestão do professor de História Silvio Boccia Pinto de Oliveira Sá, da Escola da Vila, em São Paulo. Sua proposta é a produção de radionovelas sobre os estrangeiros que escolheram o Brasil como segunda pátria. “A radionovela traz para mais perto os fatos do passado”, explica.

Para começar, divida a turma em grupos e proponha uma pesquisa sobre os principais imigrantes — japoneses, italianos, alemães, portugueses. Nesse levantamento, é preciso descobrir quando e como cada grupo de estrangeiros chegou ao Brasil, onde se fixou, em que atividades trabalhou, como foi a adaptação à nova terra, que influências exerceu sobre nossa cultura e assim por diante.

Após essa fase, que pode demorar quase um mês, cada grupo apresenta ao resto da turma os resultados de sua pesquisa. De posse das informações, os alunos terão condições de criar um roteiro de radionovela usando o tema “imigrantes”. Nessa hora, será necessária a participação do professor de Português, para explicar como se elabora um roteiro, ressalta Silvio Boccia.

As radionovelas, gravadas em fita cassete comum, deverão ter a duração máxima de dez minutos e usar músicas, efeitos sonoros e expressões típicas da nacionalidade focalizada. O professor ainda lembra que todas as produções poderão ser apresentadas junto com uma exposição de objetos de época (fotos e utensílios domésticos, por exemplo), coletados pelos alunos.

Geografia
7ª e 8ª série

Diário de um Imigrante

Criatividade e muita informação formam a receita de sala de aula do professor de Geografia Ulisses José Rodrigues, da Escola da Vila, em São Paulo. Ele sugere reunir, por meio de pesquisas monitoradas, dados físicos, humanos e econômicos sobre os países de origem dos estrangeiros instalados no Brasil. Depois, a proposta é que grupos de alunos organizem diários de imigração. Ou seja, um deles pode incorporar o papel de um japonês recém-chegado, enquanto outro se imagina na pele de um italiano ou de um alemão. No final, os alunos anotam em um diário suas impressões sobre a terra desconhecida.

Todos os diários deverão conter informações variadas, como as diferenças de paisagem, de clima, de hábitos e costumes entre o país abandonado e o adotado como novo lar. “Um japonês que emigra de uma região muito fria com certeza destacará em seu diário a dificuldade em se adaptar às temperaturas quentes do clima tropical”, exemplifica o professor.

Para fazer o contraponto com a imigração nipônica, Ulisses propõe que um grupo de alunos assuma o papel de um descendente de japoneses que, nos dias de hoje, realiza o caminho inverso – vai morar no Japão para trabalhar e juntar dinheiro, mas acaba passando maus bocados. São os chamados dekasseguis, imigrantes brasileiros que tentam a sorte no país do Sol nascente. “A atividade pode ser um ótimo instrumento de comparação entre as culturas”, afirma o professor.

Os alunos precisarão soltar sua criatividade para representar os papéis, mas vão aprender Geografia.

Banzai Brasil

Fonte: A vida como a vida quer

Na onda das homenagens à imigração japonesa no Brasil, começa hoje a exposição Banzai Brasil no saguão do Edifício Altino Arantes, no centro de São Paulo. São : quadros de óleo sobre tela, aquarelas, litografia e esculturas de mármore assinadas por nomes como Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Kazuo Wakabayashi, Hiroe Sasaki, Richard Hideaki e Masako Tsukada . Entre os destaques, está a primeira obra adquirida pelo Museu: Sonho de Princeza (sic), produzida por Manabu Mabe, em 1967.

Tenho uma simpatia imensa por Manabu Mabe desde criança e creio que herdei de minha mãe, uma apaixonada pela cultura japonesa. Mais tarde eu mesma descobri Tomie Ohtake e gosto de sua obra como de sua forma de ser, de se apresentar e de se inserir na sociedade brasileira. E esta inserção dos japoneses será o mot da mostra e da homenagem que o Museu Santander faz ao “povo que tanto contribuiu para o desenvolvimento do País”. Banzai Brasil é a nossa celebração ao talento dos artistas japoneses e descendentes.

Tomie Ohtake – Banzai Brasil apresenta um óleo sobre tela de Tomie Ohtake catalogado como sem título, pintado por em 1969, embora registre o nome “Caminho da Esperança” em seu verso. Uma das mais reconhecidas artistas de ascendência japonesa no País, Tomie nasceu em Kioto, em 1913 e chegou ao Brasil em 1936. Naturalizou-se quase três décadas depois. Ela começou a pintar aos 40 anos e, durante a década de 60, dedicou-se às abstrações informais, período em que aprimorou sua técnica. Aos 95 anos, é considerada a “Dama das Artes Plásticas Brasileiras ”.

Artistas e obras

Tomie Ohtake:

Sem título (“Caminho de Esperança”) – Óleo sobre tela – 1969
Branco – Óleo sobre tela – 1969

Manabu Mabe:

Sonho de Princeza (sic) – Óleo sobre tela – 1967
Conquista da Lua – Óleo sobre tela – 1969

Tikashi Fukushima

Óleo Bege – Óleo sobre tela – 1969
Óleo – Óleo sobre tela – 1969
Bege e Marrom – Óleo sobre tela – 1970

Kazuo Wakabayashi

Óleo Ocre – Óleo sobre tela – 1969
Sem Título – Óleo sobre tela – 1969
Sem Título – Litografia – 1989

Hiroe Sasaki

Chorisia Speciosa – Aquarela – 1994

Richard Hideaki

Pássaro – Escultura em Mármore – 1992
Torso Bailarino – Escultura em Mármore – 1992

Masako Tsukada

Ilhas Gregas – Aquarela – 1989

Serviço

Exposição Banzai Brasil
Data: de 20 de maio a 27 de junho
Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 17h00
Entrada Franca
Local: Edifício Altino Arantes – Rua João Brícola, 24 – Centro – SP – próximo à estação do Metrô São Bento

Brasil foi pioneiro na leitura de mangá no Ocidente

Fonte: Gibiteca

No Brasil, os mangás vieram com os imigrantes japoneses que aqui desembarcaram. Logo que surgiram as primeiras importadoras de revistas e jornais japoneses, este tipo de quadrinho se tornou uma forma de acompanhamento do que acontecia no Japão. “Ler mangá foi sempre uma forma de preservar a língua japonesa e também de atualização da mesma. Portanto o Brasil é um país que lê mangá muito antes de qualquer outro país ocidental do mundo. Somente nos anos 90 com o sucesso de alguns mangás e animês nos Estados Unidos é que a grande massa começou a ter conhecimento da cultura pop japonesa”, afirma a pesquisadora Sônia Maria Bibe Luyten, autora de “Mangá, o Poder dos Quadrinhos Japoneses” e “Cultura Pop Japonesa: Mangá e Animê”.

O contato com o universo dos mangás pela via familiar é o caso da estudiosa Christine Akune Sato, que desde a infância teve em sua casa as revistas, como uma forma dos avós a fazerem se interessar pelo idioma japonês. “Meus avós assinavam revistas que vinham do Japão e com elas, mangás. Nos anos 50, 60, elas eram exaustivamente trocadas entre os parentes”, afirma Sato.

De origem italiana e com sobrenome holandês devido ao casamento, Luyten foge à regra. “Em 1972 comecei o primeiro curso universitário de histórias em quadrinhos. Foi na Universidade de São Paulo, na Escola de Comunicações e Arte, no departamento de Jornalismo e Editoração”, disse a pesquisadora.

“Nos anos 1970 o Japão teve um grande avanço econômico que veio surgindo desde o final da 2º Guerra Mundial. Com este boom da economia a indústria editorial também cresceu muito e os quadrinhos japoneses –os mangás– também aceleraram muito em vendas. Este foi o grande motivo do meu interesse pois em nenhum país do ocidente uma revista alcançou vendagens de um milhão de cópias por semana”, conta Luyten. Ela resolveu então entrar em contato com editoras japonesas para obter mais informações em um semestre no qual havia muitas alunas nisseis na turma.

Mangás no Brasil

Segundo Luyten, muitos descendentes de japoneses que liam mangá também tomaram gosto pelo desenho e entraram no mercado editorial brasileiro nos anos 60. “É o caso de Julio Shimamoto, Paulo Fukue, entre outros. Portanto tivemos uma geração de nisseis desenhando mangá antes de qualquer outro país no mundo”, disse a pesquisadora. Já Sato, concorda, mas afirma que o boom do mangá foi nos anos 80, após a criação da divisão de quadrinhos da editora Abril, no qual uma área passou a esporadicamente publicar mangás, e as exposições na Sociedade de Cultura Japonesa.

própria Abrademi foi criada naquela década, em 1984. Para Sato, o sucesso só não foi maior porque havia um certo preconceito com a publicação de mangás, pois estes eram considerados muito violentos e sem apelo para o público brasileiro em geral. A pesquisadora, que foi bolsista em 1987 no Japão, conta que também há dificuldades técnicas em decorrência da escrita, que é da direita para a esquerda, de baixo para cima. Isto muda o formato dos balões.

Sato cita, como tentativas de se publicar mangás no Brasil, “Akira”, que foi lançado pela editora Globo. A especialista marca a metade da década de 90 como uma outra mudança crucial, com a vinda ao mercado das editoras Conrad e JBC, focadas na publicação de mangás para o público brasileiro.

“Atualmente há muitas publicações em forma de fanzines que estão experimentando a linguagem dos mangás, o que acho algo extraordinário pois a maioria nem é descendente de japoneses”, afirmou Luyten.

Dentre os sucessos brasileiros de mangás em bancas, a pesquisadora cita “Holy Avenger”, da dupla Marcelo Cassaro e Erica Awano. A publicação teve uma série completa e boa vendagem.

A pesquisadora também lembra a publicação de “Mangá Tropical”, coordenada por Alexandre Nagado, que reuniu desenhistas e roteiristas com ou sem descendência japonesa e que tinha como principal característica histórias passadas no Brasil. Além disso, Luyten também citou Fábio Yabu, que desenhou Combo Rangers publicado primeiro na internet e que depois virou revista em quadrinhos, publicadas pelas editoras JBC e Panini. Ao todo, foram 25 revistas.
Desafios

Os principais desafios para este mercado, segundo Luyten, são os desafios que qualquer desenhista brasileiro enfrenta: encontrar editoras que aceitem o trabalho, ter um trabalho bom e com continuidade, enfrentar os ciclos altos e baixos da economia brasileira entre outros motivos.

“Há muita gente que acha o mangá está tirando o pão de cada dia do desenhista brasileiro. Antes a culpa era dos americanos e antes ainda dos europeus. Acredito que o mercado brasileiro tem capacidade de absorver tudo desde que seja bom, de preço acessível, que tenha continuidade. Há lugar para todos quando algo tem qualidade”, disse Luyten.

100 anos da imigração japonesa no Brasil

Imigração Japonesa no Brasil – 18 de junho

Imigração japonesa no Brasil

Fonte: Wikipédia

A imigração japonesa no Brasil começou no início do século XX, como um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. O Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão. São cerca de 1,5 milhão de pessoas.[1] O uso do termo nikkei (??) é, atualmente, usado para denominar os japoneses e seus descendentes.


Um cartaz para atrair imigrantes japoneses para o Brasil

Razões da imigração

O Japão vivia, desde o final do século XIX, uma crise demográfica. O fim do feudalismo deu espaço para a mecanização da agricultura. A pobreza passou a assolar o campo e as cidades ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores rurais miseráveis. No Brasil, por sua vez, estava faltando mão-de-obra na zona rural. Em 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para São Paulo (a maior corrente imigratória para o Brasil era de italianos).

As fazendas de café, principal produto exportador do Brasil na época, passaram a sentir a falta de trabalhadores com a diminuição drástica da chegada de italianos. O governo brasileiro, então, precisou encontrar uma nova fonte de mão-de-obra. Desta vez, decidiu-se por serem atraídos imigrantes do Japão.

Com a eclosão da I Guerra Mundial, os japoneses foram proibidos de emigrar para os Estados Unidos, eram mal-tratados na Austrália e no Canadá. O Brasil tornou-se um dos poucos países no mundo a aceitar imigrantes do Japão.


Bairro da Liberdade, reduto da maior colônia japonesa fora do Japão, em São Paulo, Brasil

A Pré-Imigração

Apesar de receber japoneses durante o século XIX e nos anos iniciais do século XX, na condição de visitantes ou prestadores de serviços, não figurando como imigrantes, somente em 1906 chegou ao Brasil um grupo disposto a residir e estabelecer uma colônia. Liderados por Saburo Kumabe, o grupo situou-se, em 1907, no interior do estado do Rio de Janeiro, nos atuais municípios de Conceição de Macabu e Macaé. A colônia, situada na Fazenda Santo Antônio, durou cinco anos, fracassando por razões diversas, como falta de investimentos, epidemias e saúvas. Outro problema enfrentado pela comunidade nipônica fluminense, é que tratavam-se de um grupo heterogêneo – juíz, professores, funcionários públicos – onde não haviam agricultores ou pessoas com tradição de cultivar e cuidar da terra.

O Kasato Maru


O Kasato Maru trazendo os primeiros japoneses ao Porto de Santos, 1908.

O Kasato Maru é considerado pela historiografia oficial o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, em 18 de Junho de 1908. Chegou ao Porto de Santos trazendo 165 famílias, que vinham trabalhar nos cafezais do oeste paulista. O ano de 2008 está marcado de comemorações dos 100 anos de imigração japonesa no Brasil.

Nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Com o começo da I Guerra Mundial (1914), explodiu a imigração: entre 1917 e 1940, vieram 164 mil japoneses para o Brasil. 75% foram para São Paulo, visto que o estado concentrava a maior parte dos cafezais.

A grande imigração nipônica

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes japoneses para o Brasil cresceu enormemente. O governo japonês passou a incentivar a ida de japoneses para o Brasil, por diversos motivos: o campo e cidades japonesas estavam superlotados, causando pobreza e desemprego. O governo também queria a expansão da etnia japonesa para outros lugares do mundo e também que a cultura japonesa fosse enraizada nas Américas, a começar pelo Brasil.

A maior parte dos imigrantes chegou no decênio 1920-1930. Já não iam apenas trabalhar nas plantações de café, mas também desenvolveram o cultivo de morango, chá e arroz no Brasil.

Gerações

A colônia japonesa do Brasil está dividida em:

isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão) 12,51%;
nisseis (filhos de japoneses) 30,85%;
sanseis (netos de japoneses) 41,33%;
yonseis (bisnetos de japoneses) constituem 12,95% [2]

Atualmente, existem no Brasil 1,5 milhão de japoneses e descendentes, sendo 80% no Estado de São Paulo e a maioria na capital (326 mil segundo o censo de 1988). Da comunidade japonesa no Brasil, 90% vivem nas cidades. O bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, representa o marco da presença japonesa na cidade. Outros focos importantes de presença japonesa no Brasil são o Paraná, o Mato Grosso do Sul e o Pará.

A primeira geração


CENTENÁRIOS: A partir do alto, no sentido horário, os imigrantes Sei Maeda, Yoshiko Hanashiro, Ryo Sakagami e Yoshito Hirata, todos com 100 anos de idade Foto Estadão.com.br

A imensa maioria dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer no Brasil e retornar para o Japão em, no máximo, três anos. Todavia, o enriquecimento rápido em terras brasileiras era um sonho quase impossível de se alcançar. Submetido a horas exaustivas de trabalho, o imigrante tinha um salário baixíssimo: o preço da passagem era descontado no salário. Ademais, tudo o que o imigrante consumia deveria ser comprado na mão do fazendeiro. Em pouco tempo as dívidas se tornavam quase impagáveis.

A geração nascida no Japão foi aquela que mais dificilmente se adaptou ao Brasil. A barreira do idioma, os hábitos alimentares, o vestuário, o modo de vida e as diferenças climáticas acarretaram em um choque cultural extremo. Com o almejo de retornar o mais breve possível ao Japão, os imigrantes não se preocupavam em se integrar ao Brasil. Uma parcela considerável nunca aprendeu a falar o português.[3]

Eis que, através de um sistema de parceria com o fazendeiro, muitos japoneses conseguiram comprar seus primeiros pedaços de terra. Após algum tempo de plantação, o imigrante tinha o direito de receber uma parcela da última. Tal ascenção social no Brasil resultou, para a grande maioria dos imigrantes, a permanência definitiva no Brasil.


O Bairro da Liberdade com suas características japonesas.

A segunda geração

A primeira geração nascida no Brasil viveu de forma semelhante aos pais imigrantes. Ainda dominados pelo desejo de regresso ao Japão, os imigrantes educavam seus filhos dentro da cultura japonesa. As crianças eram educadas em escolas japonesas fundadas pela comunidade. A predominância do meio rural facilitou tal isolamento. Cerca de 90% dos filhos de japoneses falavam japonês em casa. É de notar que muitos brasileiros de origem japonesa ainda possuem dificuldades em falar o português.

A segunda geração de japoneses no Brasil viu, definitivamente, sepultada a esperança de retornar ao Japão. A eclosão da II Guerra Mundial abalava a terra natal. Era mais seguro permanecer no Brasil. Muitos imigrantes começam a chegar neste período, atraídos pelos parentes que já tinham imigrado. Na década de 1930, o Brasil já abrigava a maior população de japoneses fora do Japão.

Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, a comunidade japonesa foi diretamente atingida. A língua japonesa foi proibida de ser falada no País. As escolas japonesas foram fechadas. Em meio à situação, surgiu o Shindo Renmei, uma organização extremista japonesa criada no Brasil.

Shindo Renmei


Praça do Japão, em Curitiba.

O coronel aposentado Junji Kikawa fundou pouco após o final da guerra a organização secreta Shindo Renmei (“liga do caminho dos súditos”, em japonês), para impedir as “notícias falsas da derrota” de se espalharem e para se matar os “derrotistas”, também apelidados “Corações Sujos” (que batizou um livro sobre a organização escrito por Fernando Morais e lançado em 2000).

Durante a Segunda Guerra Mundial, alguns japoneses radicais protestavam contra a posição brasileira na guerra e criavam panfletos pedindo a destruição do cultivo de seda (usada para pára-quedas, por exemplo) e hortelã (o mentol poderia aumentar a potência da nitroglicerina, era usado para resfriar motores e podia ser tóxico).

A maioria dos 200 mil imigrantes não aceitaram a derrota em 1945, e assim a colônia se dividiu em “derrotistas” (makegumi), menos de 20% da população, e os “vitoristas” (kachigumi).

Essa organização pretendia propagar no Brasil a idéia de que o Japão não tinha perdido a Guerra, pois seria uma invenção dos Estados Unidos para enfraquecer o Japão. Os imigrantes japoneses eram fiéis ao Imperador do Japão, Hirohito, e grande parte tornou-se membro da organização.

Praça do Japão, em Curitiba.Quando o Brasil declarou guerra ao Japão, os japoneses passaram a ser perseguidos pelo governo brasileiro, e assim como aconteceu com as comunidades alemã e italiana do Brasil, a língua japonesa foi proibida de ser falada no País. Escolas japonesas foram fechadas e manifestações culturais nipônicas proibidas em território brasileiro.

O Shindo Renmei perseguiu os japoneses que acreditaram que o Japão realmente tinha perdido a guerra, entre katigumis e makegumis foram mortos oficialmente 23 pessoas entre 1946 e 1947. A organização perdeu força a partir do final de 1947, quando o governo do General Dutra, após interrogar 30 mil pessoas, prendeu mais de 300 suspeitos e condenou à expulsão do território nacional 155 japoneses, decisão esta que nunca foi colocada em prática.


Armazém japonês em São Paulo.

A terceira geração

A partir da terceira geração no Brasil, os descendentes de japoneses passaram a se abrir definitivamente à sociedade brasileira. Os avós imigrantes trabalharam duro no campo para que seus filhos e netos tivessem futuro no Brasil. Ocorre, sobretudo na década de 1960, um grande êxodo rural dentro da comunidade nipo-brasileira. Os japoneses saem do campo e rumam para as cidades para concluir os estudos. A cidade de São Paulo torna-se, assim, a cidade com maior número de japoneses fora do Japão.

No ambiente urbano, os japoneses começaram a trabalhar em ramos ainda com raízes campestres. Pequenos armazéns foram abertos, onde vendiam produtos agrícolas, como frutas e legumes ou peixes. Os mais jovens se dedicaram aos estudos. Formaram-se em larga escala nas áreas biológicas e de exatas. Os descendentes de japoneses mudaram a paisagem de onde se aglomeraram. O Bairro da Liberdade é um exemplo da força da comunidade nipo-brasileira.

A quarta geração

Os bisnetos de japoneses, em sua maioria adolescentes e jovens, são os mais integrados ao Brasil. Exemplo disso é a miscigenação: 61% têm alguma origem não-japonesa. Os traços mestiços predominam entre esta nova geração. Os vínculos com o Japão ancestral são mínimos: a maioria sabe falar pouco ou nada de japonês.

Miscigenação

Uma das características da sociedade brasileira é a miscigenação mas, no caso dos nipo-brasileiros, ela levou um tempo maior para acontecer. O casamento de japoneses fora da colônia não era aceito pela maioria dos imigrantes por não querer manter laços no Brasil, podendo assim retornar para o Japão. Porém, o lado étnico-cultural foi o que mais dificultou, inicialmente, a miscigenação. Os japoneses possuem uma cultura fechada e, mesmo hoje em dia, o casamento com um não-japonês (gaikokujin) é mal-visto por grande parte da população.

No caso dos imigrantes japoneses no Brasil, essa situação de isolamento étnico acabou por se deteriorar a partir da década de 1970. Os imigrantes de primeira geração raramente se casavam com um não-japonês, porém, a partir das segunda e terceira gerações, o fenômeno da miscigenação passou a fazer parte da realidade da colônia japonesa no Brasil.


Uma moça brasileira de ascendência japonesa durante uma celebração xintoísta em Curitiba.

Os municípios mais japoneses

O município com maior número de japoneses e seus descendentes no Brasil é São Paulo. Estima-se que vivam 326 mil japoneses nesta cidade. Em termos de porcentagens, os municípios de Assaí no Paraná e de Bastos em São Paulo são os mais japoneses com, respectivamente, 15% e 11,4% de seus habitantes possuindo origens no Japão.

Religião

Os imigrantes, assim como a maioria dos japoneses, eram budistas e xintoístas. Nas colônias japoneses, houve a forte presença de padres brasileiros para catequizar os imigrantes. O casamento com pessoas católicas também contribuiu para o crescimento dessa religião na comunidade. 60% dos descendentes de japoneses no Brasil são católicos.

Idiomas

A grande maioria dos nipo-brasileiros falam somente o português. A primeira geração fala com freqüência dialetos japoneses, mas os nascidos no Brasil são raramente fluentes. Apenas 0,23% da comunidade usa o japonês. O japonês falado no Brasil é uma mistura de diversos dialetos influenciados pela língua portuguesa. Com o retorno dos imigrantes brasileiros do Japão, é provável que o número de falantes da língua japonesa no País cresça

O fenômeno Dekassegui

Vivem no Japão mais de 300.000 brasileiros, a maioria dos quais são dekasseguis (brasileiros de origem japonesa e seus cônjugues, que vão ao Japão para trabalhar, a grande maioria como operários na indústria). A comunidade brasileira no Japão é a terceira maior fora do Brasil e, por sua vez, é a terceira maior comunidade imigrante no Japão, atrás apenas dos coreanos e chineses.

Inversão do fluxo migratório de brasileiros descendentes ou cônjuges de japoneses ao Japão à procura de melhores oportunidades de renda, iniciados na segunda metade da década de 80 do século XX. Nessa época, com a necessidade de atrair mão-de-obra para a rápida expansão econômica japonesa levou o governo daquele país a criar leis para facilitar a entrada de trabalhadores. Em 1990 foi editada a “Lei de Controle de Imigração”, permitindo que japoneses e seus cônjuges ou descendentes até a 3ª geração possam exercer qualquer atividade legalmente por um período relativamente longo. Por outro lado a crise no lado brasileiro (alta inflação, crescente dívida externa e instabilidade política) levou a população (principalmente os mais jovens) a procurar melhores alternativas de vida em outros lugares (Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e, no caso dos descendentes de japoneses, o Japão).

A maioria dos brasileiros no Japão são escolarizados, mas são empregados como operários em fábricas de automóvel e eletrônicos. Muitos são submetidos a horas exaustivas de trabalho, ganhando salários pequenos para o padrão de vida japonês. A maior parte dos imigrantes no Japão vão aliciados por agências de recrutamento, legais ou ilegais. De qualquer maneira, no ano de 2002, os brasileiros no Japão mandaram para o Brasil 2,5 bilhões de dólares. As cidades com mais brasileiros são: Hamamatsu, Aichi, Shizuoka, Kanagawa, Saitama and Gunma.

Identidade brasileira no Japão

No Japão, muitos nipo-brasileiros sofrem preconceito por não terem fluência na língua japonesa. Apesar de sua aparência japonesa, imigrantes brasileiros no Japão são culturalmente brasileiros e são tratados pelos japoneses como qualquer outro estrangeiro. Os brasileiros no Japão formam a maior comunidade de falantes de português na Ásia, superando todas as ex-colônias portuguesas na região, como Macau e Goa. Os filhos dos brasileiros são, muitas vezes, isolados nas escolas japonesas por não falarem bem o idioma japonês. Milhares de crianças brasileiras se encontram fora da escola no Japão.

Estudiosos constatam que, no Brasil, muitos nipo-brasileiros se sentiam (e, muitas vezes, eram vistos) como japoneses. Todavia, quando imigram para o Japão, os descendentes de japoneses percebem que são totalmente brasileiros, fazendo surgir um forte sentimento de “identidade brasileira” na comunidade. Isto se constata no sentimento de unidade dos brasileiros no Japão, que se organizam para promover carnavais ao som de samba em diversas cidades japonesas, vendendo comida da culinária do Brasil. De acordo com os estudiosos, os nipo-brasileiros fazem questão de exibir sua origem brasileira, e esta é a forma encontrada pelos descendentes de japoneses para demonstrarem a sua identidade brasileira em terras japonesas

PROPOSTA DE ATIVIDADE

Fonte:Alô Escola


1. Proponha aos alunos, em grupos, entrevistar pessoas (vizinhos, amigos, familiares) que sejam imigrantes ou descendentes de imigrantes, a fim de levantar dados como:

país de origem
motivo da imigração
rota de imigração (demonstrar num mapa)
processo de adaptação Discutir os dados coletados e expor as conclusões para os colegas.
2. Na sala de aula, organize um levantamento sobre as origens dos alunos (ascendências) e uma pesquisa sobre os países de maior representação entre eles. Oriente a elaboração de cartazes, para serem expostos em classe, que demonstrem a cultura dos povos estudados e suas influências no Brasil.

3. Oriente uma pesquisa sobre as influências da imigração japonesa, alemã e italiana na nossa agricultura, com a confecção de cartazes.

4. Organize um painel com recortes de revistas, jornais, cartazes, ilustrando as influências da imigração japonesa, italiana, coreana e alemã no cotidiano da sociedade brasileira.

5. Em grupos, os alunos podem pesquisar a culinária de um país de onde tenha emigrado grande número de pessoas para o Brasil. Eles podem escolher um prato dessa culinária e levá-lo para ser degustado em sala de aula, e tecer um comentário sobre essa culinária e os motivos da escolha.

6. Conte em sala de aula uma lenda do folclore de uma das correntes migratórias, coloque o tema em discussão entre os alunos e solicite um trabalho escrito.

7. Proponha uma pesquisa sobre os principais incentivos para a imigração (doação de terras, ajuda financeira) e o interesse do Brasil na mesma. Os alunos podem debater o tema e elaborar uma conclusão em grupos.

8. Forme grupos de alunos, para que cada um estude a cultura de um dos países de onde tenha emigrado grande número de pessoas para o Brasil. Organize uma exposição com vestuário, livros, revistas, objetos religiosos etc, do país pesquisado.

Visitas pra complementar o estudo:
IMIGRAÇÃO JAPONESA:

Fundação Japão Av. Paulista, 37 – 2º andar São Paulo – SP – Brasil Agendar visitas: 2ª/6ª das 10h às 17h

Pavilhão Japonês Av. Pedro Alvares Cabral (Pq. Ibirapuera) São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: sáb, dom e feriado das 12h às 18h

Museu Histórico da Imigração Japonesa R. São Joaquim, 381 – 7º/8º andar – Liberdade São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: 3ª/dom das 13h30min às 17h30min

Casa da Cultura Japonesa R. Prof. Lineu Prestes, 159 (Cidade Universitária) São Paulo – SP – Brasil
Agendar visitas: 2ª/6ª das 13h às 17h.

SUGESTÕES:

Nova Escola online

Educação Artística
7ª e 8ª série

O Sol nascente em quadrinhos

Para apresentar a cultura japonesa às suas turmas de 7ª e 8ª série, a arte-educadora Débora Almada usou histórias em quadrinhos. “É uma forma de expressão valorizada por alunos dessa idade”, observa Débora, que dá aulas na Escola Viver, de Itanhaém (SP). Entre tantas produções do gênero, a professora escolheu a revista Lobo Solitário (Editora Nova Sampa, tel. 011/5589-7197). Criada por Kazuo Koike e Goseki Kojima, a obra é sucesso no Japão desde os anos 70 e foi publicada no Brasil pela primeira vez em 1988. Contando as aventuras de Ito Ogami, um samurai desonrado, as histórias de Lobo Solitário retratam o Japão antigo. Além disso, o desenho lembra os traços de gravuras japonesas tradicionais. “Por esses motivos, é um interessante instrumento didático para conciliar história e arte”, avalia Débora. Se o professor preferir trabalhar com outro quadrinho japonês, deve levar em conta essas mesmas características.

Após discutir o enredo da história, Débora incentiva os alunos a produzir seus próprios quadrinhos, fazendo uma releitura da cultura japonesa. “No final, as produções são expostas na escola”, diz a professora.

História e Português
De 5ª a 8ª série

Uma aula nas ondas do Rádio

Quem quiser aproveitar a data para explorar a imigração em linhas gerais pode usar a sugestão do professor de História Silvio Boccia Pinto de Oliveira Sá, da Escola da Vila, em São Paulo. Sua proposta é a produção de radionovelas sobre os estrangeiros que escolheram o Brasil como segunda pátria. “A radionovela traz para mais perto os fatos do passado”, explica.

Para começar, divida a turma em grupos e proponha uma pesquisa sobre os principais imigrantes — japoneses, italianos, alemães, portugueses. Nesse levantamento, é preciso descobrir quando e como cada grupo de estrangeiros chegou ao Brasil, onde se fixou, em que atividades trabalhou, como foi a adaptação à nova terra, que influências exerceu sobre nossa cultura e assim por diante.

Após essa fase, que pode demorar quase um mês, cada grupo apresenta ao resto da turma os resultados de sua pesquisa. De posse das informações, os alunos terão condições de criar um roteiro de radionovela usando o tema “imigrantes”. Nessa hora, será necessária a participação do professor de Português, para explicar como se elabora um roteiro, ressalta Silvio Boccia.

As radionovelas, gravadas em fita cassete comum, deverão ter a duração máxima de dez minutos e usar músicas, efeitos sonoros e expressões típicas da nacionalidade focalizada. O professor ainda lembra que todas as produções poderão ser apresentadas junto com uma exposição de objetos de época (fotos e utensílios domésticos, por exemplo), coletados pelos alunos.

Geografia
7ª e 8ª série

Diário de um Imigrante

Criatividade e muita informação formam a receita de sala de aula do professor de Geografia Ulisses José Rodrigues, da Escola da Vila, em São Paulo. Ele sugere reunir, por meio de pesquisas monitoradas, dados físicos, humanos e econômicos sobre os países de origem dos estrangeiros instalados no Brasil. Depois, a proposta é que grupos de alunos organizem diários de imigração. Ou seja, um deles pode incorporar o papel de um japonês recém-chegado, enquanto outro se imagina na pele de um italiano ou de um alemão. No final, os alunos anotam em um diário suas impressões sobre a terra desconhecida.

Todos os diários deverão conter informações variadas, como as diferenças de paisagem, de clima, de hábitos e costumes entre o país abandonado e o adotado como novo lar. “Um japonês que emigra de uma região muito fria com certeza destacará em seu diário a dificuldade em se adaptar às temperaturas quentes do clima tropical”, exemplifica o professor.

Para fazer o contraponto com a imigração nipônica, Ulisses propõe que um grupo de alunos assuma o papel de um descendente de japoneses que, nos dias de hoje, realiza o caminho inverso – vai morar no Japão para trabalhar e juntar dinheiro, mas acaba passando maus bocados. São os chamados dekasseguis, imigrantes brasileiros que tentam a sorte no país do Sol nascente. “A atividade pode ser um ótimo instrumento de comparação entre as culturas”, afirma o professor.

Os alunos precisarão soltar sua criatividade para representar os papéis, mas vão aprender Geografia.

Banzai Brasil

Fonte: A vida como a vida quer

Na onda das homenagens à imigração japonesa no Brasil, começa hoje a exposição Banzai Brasil no saguão do Edifício Altino Arantes, no centro de São Paulo. São : quadros de óleo sobre tela, aquarelas, litografia e esculturas de mármore assinadas por nomes como Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Kazuo Wakabayashi, Hiroe Sasaki, Richard Hideaki e Masako Tsukada . Entre os destaques, está a primeira obra adquirida pelo Museu: Sonho de Princeza (sic), produzida por Manabu Mabe, em 1967.

Tenho uma simpatia imensa por Manabu Mabe desde criança e creio que herdei de minha mãe, uma apaixonada pela cultura japonesa. Mais tarde eu mesma descobri Tomie Ohtake e gosto de sua obra como de sua forma de ser, de se apresentar e de se inserir na sociedade brasileira. E esta inserção dos japoneses será o mot da mostra e da homenagem que o Museu Santander faz ao “povo que tanto contribuiu para o desenvolvimento do País”. Banzai Brasil é a nossa celebração ao talento dos artistas japoneses e descendentes.

Tomie Ohtake – Banzai Brasil apresenta um óleo sobre tela de Tomie Ohtake catalogado como sem título, pintado por em 1969, embora registre o nome “Caminho da Esperança” em seu verso. Uma das mais reconhecidas artistas de ascendência japonesa no País, Tomie nasceu em Kioto, em 1913 e chegou ao Brasil em 1936. Naturalizou-se quase três décadas depois. Ela começou a pintar aos 40 anos e, durante a década de 60, dedicou-se às abstrações informais, período em que aprimorou sua técnica. Aos 95 anos, é considerada a “Dama das Artes Plásticas Brasileiras ”.

Artistas e obras

Tomie Ohtake:

Sem título (“Caminho de Esperança”) – Óleo sobre tela – 1969
Branco – Óleo sobre tela – 1969

Manabu Mabe:

Sonho de Princeza (sic) – Óleo sobre tela – 1967
Conquista da Lua – Óleo sobre tela – 1969

Tikashi Fukushima

Óleo Bege – Óleo sobre tela – 1969
Óleo – Óleo sobre tela – 1969
Bege e Marrom – Óleo sobre tela – 1970

Kazuo Wakabayashi

Óleo Ocre – Óleo sobre tela – 1969
Sem Título – Óleo sobre tela – 1969
Sem Título – Litografia – 1989

Hiroe Sasaki

Chorisia Speciosa – Aquarela – 1994

Richard Hideaki

Pássaro – Escultura em Mármore – 1992
Torso Bailarino – Escultura em Mármore – 1992

Masako Tsukada

Ilhas Gregas – Aquarela – 1989

Serviço

Exposição Banzai Brasil
Data: de 20 de maio a 27 de junho
Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 17h00
Entrada Franca
Local: Edifício Altino Arantes – Rua João Brícola, 24 – Centro – SP – próximo à estação do Metrô São Bento

Brasil foi pioneiro na leitura de mangá no Ocidente

Fonte: Gibiteca

No Brasil, os mangás vieram com os imigrantes japoneses que aqui desembarcaram. Logo que surgiram as primeiras importadoras de revistas e jornais japoneses, este tipo de quadrinho se tornou uma forma de acompanhamento do que acontecia no Japão. “Ler mangá foi sempre uma forma de preservar a língua japonesa e também de atualização da mesma. Portanto o Brasil é um país que lê mangá muito antes de qualquer outro país ocidental do mundo. Somente nos anos 90 com o sucesso de alguns mangás e animês nos Estados Unidos é que a grande massa começou a ter conhecimento da cultura pop japonesa”, afirma a pesquisadora Sônia Maria Bibe Luyten, autora de “Mangá, o Poder dos Quadrinhos Japoneses” e “Cultura Pop Japonesa: Mangá e Animê”.

O contato com o universo dos mangás pela via familiar é o caso da estudiosa Christine Akune Sato, que desde a infância teve em sua casa as revistas, como uma forma dos avós a fazerem se interessar pelo idioma japonês. “Meus avós assinavam revistas que vinham do Japão e com elas, mangás. Nos anos 50, 60, elas eram exaustivamente trocadas entre os parentes”, afirma Sato.

De origem italiana e com sobrenome holandês devido ao casamento, Luyten foge à regra. “Em 1972 comecei o primeiro curso universitário de histórias em quadrinhos. Foi na Universidade de São Paulo, na Escola de Comunicações e Arte, no departamento de Jornalismo e Editoração”, disse a pesquisadora.

“Nos anos 1970 o Japão teve um grande avanço econômico que veio surgindo desde o final da 2º Guerra Mundial. Com este boom da economia a indústria editorial também cresceu muito e os quadrinhos japoneses –os mangás– também aceleraram muito em vendas. Este foi o grande motivo do meu interesse pois em nenhum país do ocidente uma revista alcançou vendagens de um milhão de cópias por semana”, conta Luyten. Ela resolveu então entrar em contato com editoras japonesas para obter mais informações em um semestre no qual havia muitas alunas nisseis na turma.

Mangás no Brasil

Segundo Luyten, muitos descendentes de japoneses que liam mangá também tomaram gosto pelo desenho e entraram no mercado editorial brasileiro nos anos 60. “É o caso de Julio Shimamoto, Paulo Fukue, entre outros. Portanto tivemos uma geração de nisseis desenhando mangá antes de qualquer outro país no mundo”, disse a pesquisadora. Já Sato, concorda, mas afirma que o boom do mangá foi nos anos 80, após a criação da divisão de quadrinhos da editora Abril, no qual uma área passou a esporadicamente publicar mangás, e as exposições na Sociedade de Cultura Japonesa.

própria Abrademi foi criada naquela década, em 1984. Para Sato, o sucesso só não foi maior porque havia um certo preconceito com a publicação de mangás, pois estes eram considerados muito violentos e sem apelo para o público brasileiro em geral. A pesquisadora, que foi bolsista em 1987 no Japão, conta que também há dificuldades técnicas em decorrência da escrita, que é da direita para a esquerda, de baixo para cima. Isto muda o formato dos balões.

Sato cita, como tentativas de se publicar mangás no Brasil, “Akira”, que foi lançado pela editora Globo. A especialista marca a metade da década de 90 como uma outra mudança crucial, com a vinda ao mercado das editoras Conrad e JBC, focadas na publicação de mangás para o público brasileiro.

“Atualmente há muitas publicações em forma de fanzines que estão experimentando a linguagem dos mangás, o que acho algo extraordinário pois a maioria nem é descendente de japoneses”, afirmou Luyten.

Dentre os sucessos brasileiros de mangás em bancas, a pesquisadora cita “Holy Avenger”, da dupla Marcelo Cassaro e Erica Awano. A publicação teve uma série completa e boa vendagem.

A pesquisadora também lembra a publicação de “Mangá Tropical”, coordenada por Alexandre Nagado, que reuniu desenhistas e roteiristas com ou sem descendência japonesa e que tinha como principal característica histórias passadas no Brasil. Além disso, Luyten também citou Fábio Yabu, que desenhou Combo Rangers publicado primeiro na internet e que depois virou revista em quadrinhos, publicadas pelas editoras JBC e Panini. Ao todo, foram 25 revistas.
Desafios

Os principais desafios para este mercado, segundo Luyten, são os desafios que qualquer desenhista brasileiro enfrenta: encontrar editoras que aceitem o trabalho, ter um trabalho bom e com continuidade, enfrentar os ciclos altos e baixos da economia brasileira entre outros motivos.

“Há muita gente que acha o mangá está tirando o pão de cada dia do desenhista brasileiro. Antes a culpa era dos americanos e antes ainda dos europeus. Acredito que o mercado brasileiro tem capacidade de absorver tudo desde que seja bom, de preço acessível, que tenha continuidade. Há lugar para todos quando algo tem qualidade”, disse Luyten.

100 anos da imigração japonesa no Brasil

Festa Junina

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Acenda a fogueira do seu coração que a festa já vai começar!

Site do Menino Maluquinho

E aí compadre e comadre? Estão preparados para a festa junina? O meu arraial já está prontinho, tem história, música, dança, brincadeiras e, é claro, muita comida gostosa! Quer ver?

História

Você sabe por que as festas juninas receberam esse nome? Todo mundo conhece a história de que elas são chamadas de juninas por acontecerem no mês de junho. Mas o que pouca gente sabe é que, antigamente, na Europa, a comemoração era conhecida como festa joanina em homenagem ao nascimento de São João Batista.

Mais tarde, os portugueses incluíram São Pedro e Santo Antônio nas festanças e também outros elementos, como as grandes fogueiras, que serviam para afastar as pragas agrícolas e trazer boas colheitas, os fogos de artifício e as bombinhas, que espantavam o mau-olhado, e os balões coloridos, que levavam pedidos aos santos.

As festas de junho são comemoradas em três datas principais:
· 13 de junho – festa de Santo Antônio;
· 24 de junho – festa de São João;
· 29 de junho – festa de São Pedro.

É claro que, como os brasileiros adoram festas, qualquer dia do mês de junho é dia de comemorar e, do norte ao sul do país, as barraquinhas de guloseimas vão surgindo, a música toca alto e a dança vai até o sol raiar! E viva São João!!!

Quitutes

Festa junina não é festa junina se não tiver muitos e variados quitutes. Huuummm… Só de pensar, fico com água na boca! Apesar de ter muitas coisas em comum, a culinária típica das festas juninas não é igual em todas as regiões do Brasil. No Norte, por exemplo, o biju e a tapioca são os quitutes mais saboreados nessas ocasiões. No Sul, o pinhão é a sensação das festas. No Sudeste, é o pão de queijo que faz sucesso. Na Região Centro-Oeste, a pamonha não pode faltar e, no Nordeste, o apetite dos festeiros é estimulado com muito cuscuz, cocadas, bolinhas de jenipapo e amendoim. Nas festas do meu bairro, cada um leva um prato.

A mãe do Junin faz pé-de-moleque e o pai da Carol sabe cozinhar uma canjica maravilhosa. A vó da Juju gosta de fazer receitas com milho verde: ela faz milho cozido, pamonha e bolo de milho. É tudo muito gostoso! Minha mãe é especialista em bolo de fubá, e eu também sei fazer algumas coisinhas gostosas. Nessa festa, eu vou levar a pipoca e a paçoca, que são receitas deliciosas e fáceis de fazer! Aí vai a minha receita de paçoca para que você também possa colaborar com um prato típico na sua festa junina:

Paçoca

Ingredientes:

1 quilo de amendoim torrado sem casca e sem pele
2 xícaras (chá) de açúcar
1 xícara de farinha de mandioca
1 colherinha de sal

Modo de preparar:

Misture todos os ingredientes e passe-os, aos poucos, no processador de alimentos ou no liquidificador até que se tornem um pó fino. Coloque a mistura em forminhas para moldar as paçoquinhas ou em canudinhos de papel. Pronto, agora você já pode se deliciar com essa receita simples e gostosa!

Quadrilhas

A quadrilha foi trazida para o Brasil pela Corte portuguesa e, inicialmente, era dançada apenas pela nobreza. Com o tempo, ela foi se popularizando, e a dança servia para representar o dia-a-dia dos trabalhadores da roça e os perigos e dificuldades que eles enfrentavam a caminho do trabalho. Além da quadrilha, outros tipos de dança também animam as comemorações juninas, como, por exemplo, o forró no Nordeste, o cateretê na Região Sudeste, o cururu na Região Centro-Oeste, o vaneirão no Sul e o boi-bumbá, que aquece os festejos do Norte brasileiro. E, quando falamos em dança, não podemos esquecer das cantigas que todos gostam de cantar e que alegram as festas. Essas duas são as minhas preferidas:

Pula a fogueira

Pula a fogueira, Iaiá
Pula a fogueira, Ioiô
Cuidado para não se queimar
Olha que a fogueira
Já queimou o meu amor.

Capelinha de Melão

Capelinha de Melão
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.

São João está dormindo,
Não me ouve não,
Acordai, acordai, acordai João.

Brincadeiras

Sem dúvida nenhuma, essa é a parte da festa que eu mais adoro! Quem é que não gosta de corrida de saco, tiro ao alvo com bolinha de meia, pescaria, pau de sebo e corrida com ovo na colher? E ainda tem a brincadeira da cadeia, em que pagamos para prender nossos amigos ou as pessoas que estão atrapalhando a nossa diversão. Para sair, “o preso” tem que pagar também e, se não tiver dinheiro e ninguém quiser pagar para que ele saia de lá, pode contar que vai ficar lá a festa inteira! A brincadeira que os tímidos mais gostam é o correio elegante, pois é uma ótima forma de mandar recadinhos apaixonados para a pessoa de que estamos gostando. Mas o correio elegante não é só para namorados. Também podemos enviar mensagens, poesias e charadas para nossos amigos e familiares.

Infelizmente, nem todas as brincadeiras são divertidas e acabam bem. A cada ano que passa, os acidentes, incêndios e queimaduras aumentam muito durante o período das festas juninas por causa dos balões e dos fogos de artifício. Além disso, fabricar, vender ou soltar balões é proibido por lei. Quem cometer esse delito, além de ter que pagar uma multa, pode ficar preso (em uma cadeia de verdade) por um a três anos. Por isso, no meu arraial, brincadeira perigosa não entra de jeito nenhum! E, como eu gosto muito de balões, aprendi a fazer uns lindos, coloridos, divertidos, fáceis e que não causam nenhum tipo de acidente, nem para as pessoas e nem para a natureza! Então, mãos à obra, clique aqui para fazer o seu balão!

CONVITES

Fonte: Pra gente miúda

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QUADRINHAS E DESAFIOS

NOITE DE SÃO JOÃO

NOITE FRIA DE JUNHO,
NOITE DE SÃO JOÃO,
PRA ESQUENTAR O FRIO,
VAMOS TOMAR QUENTÃO!

QUANTA ALEGRIA,
NA NOITE DE SÃO JOÃO,
VAMOS PULAR A FOGUEIRA,
E SOLTAR MUITO ROJÃO!

O BALÃO É PERIGOSO,
CRIANÇA NÃO SOLTE NÃO,
INVENTE OUTRA BRINCADEIRA,
PRA NOITE DE SÃO JOÃO!

Lá vem festa junina!

Pronto! Lá vem de novo as festas juninas!
Vão me vestir de mendigo,
Com uma roupa remendada,
Amassar o meu dedão,
Numa botina apertada!
E sujar a minha cara,
Com bigode de carvão…

Que baita humilhação!
E, depois, vem o pior:
vou ter que dançar quadria,
Abraçado com a Maria,
E rever minha vergonha,
em vídeo e fotografia!!!

Que destino apavorante,
é enfrentar cara a cara,
uma menina sardenta,
com trancinha de barbante!

Socorro, São Pedro!
Me acuda, Santo Antônio!
Me salva, São João!

Desafio do Zé Vicente

Maricota dos rabichos,
Nunca vi cabelo assim!
Isto é trança ou é palha
Muita seca de capim?

Zé Vicente, falador,
Eu não sei se é de fato,
Mais bonito o meu cabelo,
Ou o seu pé de pato!

Ô mocinha, deixa disto,
Eu não sou tão falador!
O meu pé é muito grande,
Porque sou bom caçador!

Zé Vicente, caçador,
Onde está a valentia
De quem fugiu de uma onça,
Lá no mato outro dia?

Pro meu pé, não olhe não,
Vem depressa ser meu par.
Ele é grande mas eu garanto,
Que ainda serve pra dançar…

Minha gente, até logo,
Vamos contentes brincar,
Sempre fomos bons amigos,
Não precisam duvidar!

A DANÇA DA PENEIRA

HOJE É DIA DE SÃO JOÃO,
VAMOS MENINA PENEIRAR,
A FESTA SERÁ ANIMADA,
QUANDO A SAIA BALANÇAR!

BALANÇA PRA LÁ,
BALANÇA PRA CÁ,
BALANÇA PRA LÁ,
DEIXE A POEIRA LEVANTAR!

DEIXE A PENEIRA NO CHÃO,
DÊ UMA VOLTA NO LUGAR,
PEGUE DEPRESSA A PENEIRA,
VOLTE LOGO A PENEIRAR!

BALANÇA PRA LÁ,
BALANÇA PRA CÁ,
BALANÇA PRA LÁ,
DEIXE A POEIRA LEVANTAR!

JOGUE A PIPOCA PRA CIMA,
VOLTE LOGO A PENEIRAR,
ELAS PULAM, PULAM, PULAM,
NINGÉM PODE SEGURAR!

BALANÇA PRA LÁ,
BALANÇA PRA CÁ,
BALANÇA PRA LÁ,
DEIXE A POEIRA LEVANTAR!

CASAMENTO CARPIRA

Padre – A noiva tá chegando! Vamo batê parma pr’ela, pessoar!!! Cadê o noivo ???

Noiva – Ai mãe, ele num vem, acho que vou dismaiá… (simula um desmaio e é acudida pela mãe e pela madrinha. O pai da noiva faz um sinal para o delegado se aproximar e cochicha alguma coisa em seu ouvido. O delegado concorda com a cabeça.)

Delegado – Pera aí seu padre; eu já vô buscá ele. (sai acompanhado por dois soldados armados de espingarda e cassetetes. Em seguida entra o noivo encurralado pelo delegado, que permanece no altar, grande parte da cerimônia, para que o “condenado” não fuja.)

Padre – Bão, vamo começá logo esse casório. Ocê, Ciquinha Dengosa, promete, de coração, prá marido toda vida, o Pedrinho Foguetão?

Noiva – Mas que pregunta isquisita seu vigário faz prá mim… Eu vim aqui mais o Pedrinho num foi prá dizê que sim???

Padre – E ocê Pedrinho, que me olha assim tão prosa, qué mesmo prá sua esposa a Sinhá Chiquinha Dengosa?

Noivo – Num havia de querê, num é essa minha opinião mas, se não caso com a Chiquinha , vô direto pro caixão… (diz isso olhando de esguelha para o delegado, que segura uma espingarda)

Padre – Então, em nome do cravo e do manjericão, caso a Chiquinha Dengosa com o Pedrinho Foguetão! E Viva os noivos!

Convidados – VIVA!!! (conforme os noivos passam, os convidados jogam arroz)

Padre – E vamo pro baile, pessoar!!!

QUADRILHA

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PAINÉIS

CONVITES

Fonte: Oficina de Criatividade<

Dislalia


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Dislalia, a disfunção do Cebolinha

Olhar virtual

Esta semana, o Olhar Vital esclarece um transtorno da fala que ainda é conhecido pelo seu nome antigo: a dislalia. Com o campo da Lingüística, conectada intimamente com a Fonoaudiologia, pesquisas recentes desvendaram a fundo essa dificuldade de aquisição de linguagem da criança. A partir daí, uma nova visão é instaurada e a atenção do diagnóstico volta-se para os critérios de como se adquire os sons da língua para formar o vocabulário.

Como visto, a troca do termo dislalia (do grego dys + lalia = distúrbio articulatório) para desvios fonológicos, não é ocasional. Há cerca de 15 anos, essa disfunção era unicamente associada a um problema articulatório (envolvendo músculos e arcada dentária). Porém, descobriu-se que não é necessariamente sempre assim. Mônica Rocha, professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ, explica que “a disfunção está ligada ao processo de aquisição dos grupos de fonemas. Não se explicaria tão somente pela dificuldade articulatória, mas como as crianças elegem o uso de um determinado som na composição de uma determinada palavra. È muito mais um processo lingüístico do que articulatório”.

Os fatores de causa são extensos e variam de acordo com cada criança. Além da competência articulatória, os problemas auditivos, que vão de uma simples otite até os diversos níveis de surdez, não permitem a discriminação correta dos sons o que às vezes faz com que se apreendam os fonemas de maneira distorcida ou incorreta. Isso acontece por que “nós falamos o que escutamos”, salienta Mônica. Crianças com défcits de atenção e atraso no desenvolvimento global podem também estar suscetíveis a sofrerem desvios fonológicos.

– Antigamente, o pensamento era de que a fala errada passava com o tempo. O que acontecia é que as crianças chegavam aos quatro anos com transtornos de expressão verbais bem significativos. Hoje há critérios diferenciados para analisar se a alteração que elas mostram é pertinente com o desenvolvimento delas ou não – esclarece Mônica Rocha.

No desenvolvimento da primeira infância, é natural que a criança troque certos fonemas e fale, por exemplo, “bapo”, ao invés de sapo. Porém, os pais têm que estar sempre atentos desde a emissão das primeiras palavras de seus filhos. Dessa forma, os desvios são detectados e sanados mais cedo. “Se aos dois anos e meio a criança não é capaz de conjugar duas palavras na intenção de uma frase, mesmo que isso esteja longe da estrutura gramatical da Língua, os pais devem ficar alertas. E se aos três anos ela ainda tem dificuldade de expressar-se de maneira satisfatória e clara, e há troca de fonemas, é recomendável a avaliação de um fonodiólogo”, aconselha a professora.

Durante a alfabetização, a criança pode ou não levar o seu desvio oral para a grafia. Mônica Rocha alerta que o desvio fonológico não é pré-condição de uma alteração de leitura e escrita, embora não seja aconselhável chegar nessa fase escolar com o padrão de linguagem fora do normal.

A terapia fonoaudiológica é recomendável quando o desvio persiste e está muito fora do padrão lingüístico. No tratamento não se realizam somente exercícios articulatórios, mas também a interação da criança com a linguagem, através de cantigas, jogos de rima, brincadeiras lúdicas e educativas. O objetivo principal é que o pequeno paciente tenha a consciência fonológica e a organização vocabular.

Para os pais que desejam um acompanhamento para seus filhos, o Instituto de Neurologia Deolindo Couto da UFRJ disponibiliza, às segundas e quartas, de 8h às 17h, um Ambulatório de Desvios Fonológicos. Mônica Rocha, que coordena o serviço, é uma das especialistas no assunto.
Isabella Bonisolo

DISLALIA

Saúde

Dislalia é a má formação da articulação de fonemas, dos sons da fala. Não é um problema de ordem neurológica, mas de ordem funcional, referente à forma como estes sons são emitidos”, explica a fonoaudióloga Rosane Paiva. Segundo ela, este som alterado pode se manifestar de diversas formas, havendo distorções, sons muito próximos mas diferentes do real ; omissão, ato em que se deixa de pronunciar algum fonema da palavra; transposições na ordem de apresentação dos fonemas (dizer mánica em vez de máquina, por exemplo); e, por fim, acréscimos de sons. Estas alterações mais comuns caracterizam uma dislalia.

Rosane explica que a dislalia pode ser fonética, quando o problema se apresenta somente na alteração constante de fonemas mas a criança conhece o significado da palavra, ou fonológica, quando a criança simplesmente não ordena de modo estável os sons de sua fala. Para evitar tais problemas,a Fonoaudiologia deve ser também preventiva: “

A maioria das pessoas ainda não tem o hábito de fazer uma avaliação fonoaudiológica preventiva, nos primeiros anos de vida, como ocorre no que diz respeito à Pediatria. Mas eu penso que se deve estar atento também à saúde da voz, da fala e da audição, e acompanhar este desenvolvimento, principalmente quando se pretende expor a criança a uma aprendizagem formal, na idade certa”- diz Rosane.
Muitos fatores, segundo a fonoaudióloga, podem influir para que dislalias venham a surgir: “crianças que usam a chupeta por muito tempo, ou que mamam na mamadeira por tempo prolongado, ou mesmo aquelas que mamam pouco tempo no peito terminam por alterar as funções de mastigação, respiração e amamentação. Estas crianças podem apresentar um quadro de dislalia”- explica. E ressalta que, embora não se possa dizer que haja uma relação direta, é inegável que tais crianças acabem apresentando flacidez muscular e postura de língua indevida, o que pode ocasionar dislalia. Sendo assim, a dislalia pode ser prevenida por mães bem orientadas durante a amamentação e o pré-natal.

O tratamento da dislalia varia de acordo com a necessidade de cada criança. Em primeiro lugar, é feita uma avaliação após um contato com a família, e faz-se um levantamento histórico da criança para, só depois, iniciar o trabalho com a percepção dos sons que ela não executa. Rosane explica que existem crianças que têm dificuldade de perceber auditivamente os sons. O fonoaudiólogo deve, então, usar recursos corporais e visuais para chegar ao seu objetivo. Outras crianças apresentam línguas hipotônicas (flácidas), o que às vezes chega a ocasionar alterações na arcada dentária. Ou ainda, mostram falhas na pronúncia de certos fonemas devido a postura e respiração deficientes. “Para cada criança, tem-se um procedimento diferente, mas, em geral, o fonoaudiólogo atua, na terapia, sobre a falha e a dificuldade, usando, de preferência, meios lúdicos para ampliar a possibilidade de utilização dos sons, até que a criança se sinta segura”- explica.

Recadinho para os Professores

-Repetir somente a palavra correta para que a criança não fixe a forma errada que acabou de pronunciar.

- É importante que o professor articule bem as palavras, fazendo com que as crianças percebam claramente todos os fonemas.

- Assim que perceber alterações na fala de um aluno, o professor deve evitar criar constrangimentos em sala de aula ou chamar a atenção para o fato. O recomendável é que não se espere muito tempo para avisar a família e procurar um fonoaudiólogo.

- Uma criança que falta às aulas regularmente por problemas de audição, como otites freqüentes, requer maior atenção.

- Os professores devem ser bem -orientados em relação a estes fatores e , para isto, é preciso que haja interação entre eles e os fonoaudiólogos.

- O ato da fala é um ato motor elaborado e, portanto, os professores devem trocar informações com os educadores esportivos e professores de Educação Física, que normalmente observam o desenvolvimento psicomotor das crianças.

- O ideal é que a criança faça uma avaliação fonoaudiológica antes de iniciar a alfabetização, além de exames auditivos e oftalmológicos.

O Jogo do Jardim Zoológico

Michele Adum utiliza bastante uma brincadeira muito comum no universo infantil: o joguinho dos bichos. “Desenvolvo muitas áreas incentivando a criança a ‘montar’ o seu Jardim Zoológico, com bichinhos de plástico e cercados – diz ela. E explica que é possível trabalhar a área afetiva, por exemplo, quando a criança coloca lado a lado os membros de uma ‘família’: touro, vaca e bezerros”.

Segundo ela, é possível trabalhar também níveis de classificação, já que “a criança separa os bichos por tamanho, classes, espécies, cores”. Ou ainda, a coordenação motora – a própria criança monta os cercados e encaixa as cerquinhas – e a organização do pensamento. Até a Matemática é enfocada, pois, com base na classificação, Michele pode abordar conceitos de união, interseção, conter e estar contido. “O Jardim Zoológico é uma excelente ferramenta de avaliação e terapia”, diz ela. A utilização de todo jogo, no entanto, é controlada e sistemática, visando a atingir um objetivo específico.

Dislalia

Fonte?: She.com.br

Até quatro anos de idade é normal erros na linguagem da criança, mas depois desta idade se a criança continuar falando errado pais e professores devem ficar atentos porque a criança pode ter dislalia.

Dislalia é a omissão, substituição, distorção ou acréscimo de sons na palavra falada. A dislalia são falhas de articulação que podem ter origem funcional ou orgânica. Na dislalia de origem funcional a criança não sabe mudar a posição da lingua e dos lábios e na dislalia de origem orgânica podem ser defeitos na arcada dentária, lábio leporino, freio da lingua curto e lingua de tamanho acima do normal.

Tipos de Dislalia:

Omissão – não pronuncia alguns sons – “Omei ao ola”(Tomei coca-cola).

Substituição – troca alguns sons pôr outros – “Telida mamãe”(Querida mamãe).

Acréscimo – Acrescenta mais um som – “Oceano Atelântico”(Oceano Atlântico).

Rotacismo – substitui o r pela letra L – “tleis”(Três).

Gamacismo – omite ou substitui os fonemas k e g pelas letras d e t – “tadeira” (cadeira), “dato”(gato).

Lambdacismo – pronuncia a letra L de maneira defeituosa – “palanta” (planta), “confilito” (conflito).

Sigmatismo – usa de forma errada ou tem dificuldade em pronunciar as letras s e z (às vezes não consegue nem soprar ou assobiar).

Na dislalia funcional é muito freqüente em caçulas, porque eles tendem a conservar as formas de articulação infantis muitas vezes pôr terem uma posição importante na família e não necessitarem de muito esforço para serem compreendidas.

A dislalia funcional pode acontecer com filhos de estrangeiros porque em casa usam uma lingua e na escola a lingua corrente do pais, o que obriga a criança ter ao mesmo tempo dois sistemas de articulação. A dislalia pode interferir no aprendizado da lingua escrita também e podendo também acarretar outros problemas na aprendizagem.

No tratamento da dislalia é importante um trabalho interdiciplicar de profissionais como: fonoaudiologo, psicopedagogo, dentista e psicólogo.
Andréa do Nascimento Preto

Muito treino para falar bem

Fonte: Nova Escola online

Sou diretora de um berçário e notei que uma das crianças, de 3 anos, gagueja e pronuncia as palavras de forma incorreta. Além disso, ela é muito ansiosa e intranqüila. Sei que até os 4 anos é normal que uma criança fale com alguns erros. Mas quero ajudá-la agora, para evitar problemas na alfabetização. Gostaria de conhecer técnicas modernas em fonoaudiologia, como por exemplo softwares para melhorar a fala.
Rita de Cássia Tamborra
Osasco, SP

O período entre os 2,5 e os 5 anos de idade é caracterizado por um intenso desenvolvimento, não só língüístico mas também motor, cognitivo e emocional. Durante essa fase são comuns a gagueira e as trocas ou ausências de sons (fonemas) em certas palavras, problema que vai desaparecendo à medida que a criança amadurece. Sua persistência após os 4 anos de idade, porém, pode ser considerada patológica e merece avaliação específica de um fonoaudiólogo.

Por enquanto, não esqueça que o processo de desenvolvimento da fala faz parte de um processo maior, que é o de aquisição da linguagem. Nele atuam não só as condições físicas do aparelho vocal mas também aspectos ambientais e afetivos que fazem parte da vida da menina ou do menino. Para avaliar o aluno dentro dessa perspectiva global, procure conhecer sua história de vida, avalie sua saúde geral, observe como ele dorme e se alimenta, como são seus contatos sociais e como ele brinca. Caso perceba problemas em algum desses setores, aconselhe os pais a consultarem um médico e/ou um psicólogo.

Outra coisa: para aprender a falar, a criança precisa ter uma perfeita percepção dos sons. Muitas crianças falam “errado” porque não conseguem distinguir os sons e ruídos gerados no ambiente ao seu redor.

Certas atividades lúdicas relacionadas à estimulação auditiva, com tarefas de atenção, discriminação e memorização de sons desenvolvidas na escola, podem ajudar a corrigir essa falha, sendo úteis também para o restante da classe. Por exemplo: ouvir uma poesia curta e repetir os versos; aprender a cantar uma ou mais estrofes de uma música conhecida; distinguir entre vários sons gravados; fazer ruídos que exercitem os órgãos encarregados da fala (lábios, língua e bochechas).

Ao mesmo tempo, oriente os professores para não criticar ou completar a fala do pequeno, evitando também demonstrar ansiedade ou pressa diante de suas tentativas para articular as palavras. Se a criança for colocada sob muita pressão, a gagueira ou a troca de fonemas, consideradas normais e passageiras, podem se instalar definitivamente. Por outro lado, mudanças no padrão de relacionamento dos adultos com ela podem levar à melhora dos distúrbios por diminuir a presença de fatores estressantes.

Se, apesar de todos os esforços, as dificuldades de fala persistirem, é hora de procurar um profissional competente, pois o aluno pode estar sofrendo de dislalia, que é a troca do “r” pelo “l” (fala do Cebolinha), ou de disartria, um distúrbio nos centros nervosos relacionados à fala.

Em tempo: desconheço a existência de softwares que ajudem na elaboração da fala.