Incentivo à leitura – crianças portadoras de necessidades especiais

LEITURA PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA COM NECESSIDADES ESPECIAIS: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

Fonte: Revista ABC

Maria Emília da Silva
Gleisy Regina Bóris Fachin

Resumo
Este artigo relata a experiência de leitura para alunos portadores de deficiência com necessidades especiais. Descreve os passos da atividade de leitura para alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE de Florianópolis, bem como apresenta alguns dos resultados obtidos.

1 INTRODUÇÃO
Na realização do Curso Biblioterapia, em 2002, ministrado
pela professora Clarice Fortkamp Caldin, na Universidade
Federal de Santa Catarina, resgata-se a função terapêutica da
literatura como:

As bibliotecas eram consideradas pelas
civilizações dos egípcios, gregos e romanos
como um depósito de remédios para o espírito.
Em bibliotecas medievais, descobriram-se
inscrições destacando a leitura com finalidade
terapêutica. A literatura possui a virtude de ser
sedativa e curativa e, como forma de influência
na psique humana, percorreu um longo caminho
de Aristóteles e sua teoria da catarse até Freud e
suas experiências psicanalíticas.

Desta forma, constata-se que a leitura tem sido utilizada
com sucesso como auxiliar da psicologia para resolver conflitos
e enfrentar problemas de ordem emocional, social, mental e
educacional. Partindo desse papel curativo, a atividade de leitura
para crianças portadoras de deficiência com necessidades
especiais pode ser entendida como uma forma de liberação das
emoções.

O conto aparece como terapêutico na obra de Colette
Chiland2 quando escreve: “Pelo tesouro dos contos e dos mitos,
facilitamos as elaborações mentais…”. A utilização dos contos
de fadas é muito importante, uma vez que “os mesmos exploram
os conflitos internos da criança, que fará a interpretação
conforme suas necessidades emocionais” (CALDIN, 2002). As
histórias estimulam o leitor ou ouvinte a liberar seu imaginário,
transformando emoções e liberando sentimentos. A leitura de
notícias atuais podem dar ao leitor ou ouvinte uma melhor
compreensão da realidade, fazendo-o refletir e questionar.

Neste artigo pretende-se descrever a atividade de leitura
para alunos do Instituto de Educação Especial “Prof. Manoel
Boaventura Feijó” – Associação de Pais e Amigos dos
Excepcionais – APAE de Florianópolis.

Na seção 2 deste artigo será descrita a atividade, na seção
3 serão apresentados e descritos os grupos participantes deste
experimento. A seção 4 descreverá como os temas foram
escolhidos, sendo que na seção 5 serão especificados como
foram desenvolvidas estas atividades de leitura. Por fim, serão
apresentadas algumas considerações gerais.

2 A ATIVIDADE
Antes de se iniciar as atividades de leitura para crianças
portadoras de necessidades especiais, foram passados 45 dias em
contato com os alunos, a fim de obter uma melhor compreensão
das suas necessidades e também estabelecer vínculos de
relacionamento.

As atividades de leitura para crianças portadoras de
necessidades especiais estão sendo desenvolvidas no Instituto de
Educação Especial – APAE em Florianópolis, SC, com 32
alunos do Ensino Infantil Fundamental, Educação e Trabalho e
Oficina de Atividades Laborativas Ocupacionais. com idades
entre 5 e 59 anos.
3 GRUPOS DE IDADES E DEFICIÊNCIAS ESPECÍFICAS
Segundo a Associação Americana de Deficiência Mental-
AAMR e Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais- DSM-IV, por deficiência mental entende-se o estado
de redução notável do funcionamento intelectual
significativamente inferior à média, associado a limitações pelo
menos em dois aspectos do funcionamento adaptativo:
comunicação, cuidados pessoais, competências domésticas,
habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários,
autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares, lazer e
trabalho.

As atividade foram desenvolvidas:

a) No Ensino Infantil, com 8 alunos em idade entre 5 e 7
anos, dos quais 100% apresentam deficiência mental.
b) No Ensino Fundamental, com 7 alunos em idade entre 11
e 14 anos. Três dos alunos desse nível apresentam
paralisia cerebral; um, síndrome de Down; dois,
deficiência mental e uma aluna não possui um
diagnóstico claro girando em torno da deficiência mental
ou da esquizofrenia.
c) Na turma de Educação e Trabalho, com 8 alunos em
idade entre 15 e 37 anos, todos apresentando deficiência
mental e paralisia cerebral e dois deles apresentando
também deficiência múltipla.
d) Na turma de Atividades Laborativas Ocupacionais, com
9 alunos em idade entre 29 e 59anos, todos apresentando
deficiência mental.

4 ESCOLHA DOS TEMAS
Os livros para serem lidos às crianças portadoras de
necessidade especiais foram escolhidos levando-se em conta a
presença de uma interação entre a linguagem verbal e a
pictórica, para melhor atrair a atenção dos alunos. Esses livros
continham enredos simples, com poucos personagens e
linguagem acessível.

Os temas foram escolhidos considerando-se a idade, a
série ou turma, buscando-se também o auxílio dos próprios
alunos que colocavam suas opiniões quanto aos assuntos.

Do ponto de vista de conteúdo, levaram-se em conta as
seguintes fases de crescimento: a fase de conhecimento do
mundo; da projeção da criança no mundo; da identificação de
pessoas e coisas; a formação de uma atitude crítica e de um
pensamento reflexivo, conforme sugerido por Pondé (1985, p.
25).

Na fase de conhecimento do mundo, utilizaram-se temas
como animais, brinquedos e objetos. Para melhor desenvolver a
fase da projeção da criança no mundo, foram utilizados contos
de fadas (nos quais a ficção assume uma função terapêutica) e
histórias tradicionais. Para uma melhor estimulação durante a
fase de identificação de pessoas, foram utilizadas histórias de
aventuras e heróis. Para possibilitar uma visão crítica do mundo,
foram utilizados livros e textos de cunho informativo e histórico.

Ainda na escolha dos temas para leitura, levaram-se em
conta alguns dos estágios do desenvolvimento cognitivo de
Piaget (apud KUHLTHAU, 2002, p. 14-15) que são:
Pré-operacional – no qual a criança pode usar símbolos como a
linguagem para representar. O estágio Concreto Operacional –
no qual a criança pode categorizar e usar classificações. E o
Formal operacional – no qual pode usar pensamento abstrato.

Por se tratarem de crianças portadoras de deficiência com
necessidades especiais e que apresentam, na sua maioria
deficiência mental, para a escolha dos temas e materiais, levouse
sempre em conta também as necessidades individuais de cada
aluno.

5 DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES
As atividades foram desenvolvidas utilizando-se textos,
livros, música, fantoches e seguidas sempre que possível por
uma atividade de fixação (pintura, colagem, dobradura, etc.)

No Ensino Infantil, as atividades foram desenvolvidas
através de estágios, conforme especificado a seguir:

a) Leitura de livros – verificou-se a necessidade de agregar
chamarizes, pois não se conseguia prender a atenção dos
alunos
b) Leitura de livros associada à utilização de fantoches –
verificou-se um interesse maior por parte dos alunos,
mas ainda faltava motivação.
c) Música associada a fantoches – verificou-se interesse por
parte dos alunos, portanto com uma resposta maior, mas
fugia-se das histórias.
d) Histórias infantis narradas (acompanhadas de música) e
também fantoches – verificou-se que os alunos
começaram a interagir e a dar respostas.

Vale lembrar que foram utilizadas atividades de pintura
para a fixação e também disponibilizados fantoches para melhor
identificação dos alunos com os personagens.

O caminho percorrido para desenvolver as atividades de
leitura para os alunos portadores de deficiência com necessidade
especiais do Ensino Fundamental, diferenciou-se do da
educação infantil por terem sido desenvolvidas atividades de
leitura quase sempre seguidas de atividades de fixação. No
Ensino Fundamental, os estágios foram desenvolvidos conforme
especificado a seguir:

a) Leitura de livros, revistas e jornais – verificou-se que os
alunos despertavam interesse pela “história do dia”
b) Leitura de livros associada à utilização de fantoches –
verificou-se que o interesse pela leitura aumentou
consideravelmente.
c) Leitura de textos históricos – verificou-se que os alunos
associavam os textos históricos ao conteúdo abordado
pela professora.

As atividade utilizados para a fixação dos temas para os
alunos portadores de deficiência com necessidades especiais do
Ensino Fundamental foram: pintura, dobradura, recorte e
colagem, sendo também disponibilizados fantoches para melhor
identificação dos alunos com os personagens.

Para a turma de alunos Turma Educação e Trabalho assim
como no Ensino Fundamental, foram desenvolvidas atividades
de leitura seguidas de atividades de fixação, diferenciando-se do
Fundamental por terem sido utilizados em maior quantidade
textos históricos, revistas e jornais, bem como textos
pedagógicos e pela presença de uma aluna portadora de
deficiência visual – DV e uma aluna cadeirante3. Somente, para
a aluna que apresenta DV, os trabalhos foram especificamente
desenvolvidos através de orientação da aluna quanto ao
detalhamento de signos utilizados por personagens e auxílio na
realização das atividades de fixação. Levou-se em conta a
presença da aluna cadeirante tendo sido evitado ao máximo
contar histórias que abordassem temas relativos a corridas,
patinação e outros. As atividades foram desenvolvidas em
estágios, conforme especificado a seguir:

a) Leitura de livros, textos pedagógicos, revistas e jornais –
verificou-se que os alunos na sua maioria conseguiam
identificar as notícias atuais.
b) Leitura de livros associada à utilização de fantoches –
verificou-se que assim como no Ensino Fundamental o
interesse pela leitura aumentou consideravelmente, mas
aflorou em demasia o lado infantil.
c) Leitura de textos históricos – verificou-se que os alunos
associavam os textos históricos ao conteúdo abordado
pela professora.

As atividades utilizadas para a fixação dos temas para os
alunos portadores de deficiência com necessidades especiais da
turma de Educação e Trabalho foram as mesmas das utilizadas
no Ensino Fundamental.

As atividades de leitura para aos alunos portadores de
deficiência com necessidade especiais da turma de Atividades
Laborativas Ocupacionais assim como no Educação e Trabalho
foram desenvolvidas utilizando-se textos históricos, revistas e
jornais, bem como textos pedagógicos. As atividades dessas
turmas diferenciam-se pela colaboração de uma das alunas
portadoras de deficiência mental – DM que é alfabetizada e pela
presença de um aluno surdo/mudo. Somente para o aluno que
apresenta surdez os trabalhos foram especificamente
desenvolvidos através de utilização de gestos e auxílio do aluno
para as realização das atividades de fixação. As atividades foram
desenvolvidas na turma de Atividades Laborativas Ocupacionais
em estágios, conforme especificado a seguir:

a) Leitura de livros – verificou-se a possibilidade de
utilizar-se historias mais longas.
b) Textos pedagógicos, revistas e jornais – verificou-se que
alguns dos alunos conseguiam identificar as noticiais
atuais.
c) Leitura de textos históricos – verificou-se que os alunos
associavam os textos históricos a episódios que
assistiram na Televisão. Exemplo: A abolição da
escravatura, a imigração, etc. .
d) Leitura de livros e textos por uma das aluna – verificouse
que além de incentivar na aluna o habito da leitura na
aluna, consegui-se despertar nos outros alunos interesse
pela atividade de leitura, melhorando também a auto –
estima.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Muito ao contrario do que se possa imaginar, a criança
portadora de deficiência muitas vezes tem capacidade de
respostas maior do que o esperado. Surpreende com sua
dedicação e interesse. Mas para tal, exige da pessoa que é o
interlocutor uma doação e um envolvimento maior do que outros
alunos.

Através da leitura pode-se extrair dos alunos sentimentos
reprimidos, apaziguar emoções e colocar a criança portadora de
deficiência em contato com o mundo dos livros, além é claro, de
permitir uma maior interação entre o meio e o aluno.

Verifica-se que a leitura para alunos portadores de
deficiência com necessidades especiais favorece aos alunos um
maior desenvolvimento crítico e intelecto, bem como estimula o
seu imaginário, permitindo que algumas barreiras e conceitos
sobre a pessoa portadora de deficiência com necessidades
especiais sejam quebradas.

Partindo da idéia de que os futuros profissionais da
Biblioteconomia devem ter bem claro seu papel social e
necessidade de promover a abertura de novas atividades
relacionadas à sua área, a leitura para portadores de necessidade
especial abre-se como uma forma de entendimento de que muito
ainda pode e deve ser feito para possibilitar a todas as pessoas o
acesso à informação, seja como interlocutor ou como ouvinte.

REFLETINDO SOBRE PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

Pais, irmãos, professores e comunidade em geral precisam aprender a lidar com as pessoas portadoras de deficiência de acordo com as condições e as vivências próprias de sua idade cronológica.

As propostas pedagógicas e os objetivos educacionais destinados aos portadores de necessidades especiais devem ter como prioridade possibilitar-lhe a conquista da máxima autonomia possível e a independência em relação aos outros indivíduos. As crianças portadoras ou não de necessidades especiais, constroem seu conhecimento pouco a pouco, na contínua interação com as pessoas ao seu redor.
A estimulação é fundamental. Estimular significa criar condições facilitadoras para o desenvolvimento da criança.

Voltando no tempo! A pessoa com deficiência era: sem direito à vida, depositária do mal, objeto de maldição, tragédia familiar, detentora de poderes sobrenaturais, doente mental. seu lugar na sociedade: asilo, exclusão, segregação.
E hoje? Estimulação precoce, aprendizagem e desenvolvimento, potencialidade, escola integrada e inclusiva, legislação, estudos científicos, auto-estima, auto-realização, autonomia, participação, integração, trabalho.

E como atuar numa escola inclusiva? Compreendendo o aluno portador de necessidades educativas especiais e respeitando-o como pessoa que tem limitações, mas que também tem seus pontos fortes. Para isso, é necessário que se abandonem os rótulos, as classificações, procurando levar em conta as possibilidades e necessidades impostas pelas limitações que a deficiência lhe traz.

Numa abordagem construtivista, como vemos a leitura e a escrita para alunos portadores de necessidades especiais? Levamos em conta que a criança ou o jovem, sejam eles portadores de necessidades ou não, são intelectualmente ativos, capazes de comparar, ordenar, categorizar, formular hipóteses, reformular, comprovar, enfim, redimensionar, segundo seu nível de desenvolvimento de acordo com o que pensam, e não colocando, no centro do processo, o professor, os métodos e os recursos materiais a serem utilizados.

Acreditamos que o processo de alfabetização pode funcionar como viabilizador da inclusão dos portadores de necessidades educacionais especiais nas classes regulares, visto que, numa visão construtivista, observamos o ritmo de cada um, valorizamos suas hipóteses, procuramos entender o que pensam ao ler e escrever, facilitamos a construção da auot-estima positiva, da segurança, dando-lhes condições de “ousar.” Quando a criança “ousa,” ela pensa, ela raciocina, ela formula hipóteses em relação aos processos de leitura e escrita. O grupo heterogêneo, com educandos de níveis diferentes, favorece o desempenho de todos, pois os “mais sabidos” funcionam como mediadores para os que estejam em níveis mais elementares daqueles processos. Alunos que se encontram em etapas diferentes de conceitualização, deve-se usar estratégias de trabalho diversificado em grupos, na sala de aula. É essencial que pensemos junto com a criança ou o jovem e não por eles, descobrindo o que estão pensando,verificando que hipóteses formulam através do Método Clínico.

PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM DE LEITURA PARA SURDOS MEDIADO POR COMPUTADOR

ELISA CLASEN LORENZET

Neste estudo, procuramos investigar o papel da interação virtual no
desenvolvimento da leitura em português por surdos, bem como o papel motivador da
presença da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) nas atividades com textos em português.
Para isso, foram realizadas uma pesquisa piloto, na qual participaram cinco alunos da 8ª série da Escola Especial Prof. Alfredo Dub de Pelotas, e uma pesquisa final, envolvendo dois alunos da 7ª série da mesma escola. A pesquisa foi organizada em três etapas principais: (
1)realização de leitura de texto em português e teste com 12 questões de múltipla escolha;
(2) realização da mesma leitura e do mesmo teste em ambiente virtual, contando, neste momento,com recursos em LIBRAS, como dicionário acoplado ao texto, questões, alternativas e feedback em LIBRAS; e
(3) realização de questionário com pergunta de compreensão sobre o texto lido e perguntas de opinião sobre as atividades realizadas. A análise revelou que os recursos disponibilizados no ambiente virtual, se explorados efetivamente, podem auxiliar na compreensão do texto, e que a presença da LIBRAS exerce papel motivador para os surdos nas atividades de leitura em português.

INTRODUÇÃO

Pesquisas sobre Educação de surdos no Brasil vêm crescendo nas últimas décadas.
Conforme Quadros (1997), num primeiro momento, passamos pelo período oralista, que
enfatiza a língua oral em termos terapêuticos e no qual o surdo é visto como um deficiente auditivo a ser recuperado. A seguir, entramos na fase bimodal, a qual defende a utilização do sinal dentro da estrutura da língua portuguesa e caracteriza-se pelo uso simultâneo de sinais e fala. Finalmente, chegamos à educação bilíngüe, que se propõe a tornar acessíveis à criança surda duas línguas: a língua de sinais, considerada sua língua natural, e a língua escrita, considerada uma língua estrangeira. Embora, ainda hoje, as propostas oralista e bimodal exerçam influência na educação de surdos, estudos apontam para os benefícios e a adequação
do bilingüismo.
Escolheu-se trabalhar com a leitura, nesta pesquisa, devido à necessidade de se
pensar em novos caminhos para o seu ensino na educação de surdos. Embora os surdos
tenham sua capacidade comunicativa assegurada pela língua de sinais, o ensino do português, na sua modalidade escrita, não deve ser esquecido devido às vantagens que a aprendizagem dessa segunda língua pode oferecer. Em uma sociedade onde o surdo faz parte de uma comunidade diferente, a aprendizagem da leitura e da escrita pode possibilitar a ele acesso às informações de forma independente.
Assim, neste estudo, buscando oferecer maiores subsídios para a área, pretendemos investigar o papel da interação virtual na compreensão de textos, bem como
verificar o aspecto motivacional da presença da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) nas atividades de leitura em português para alunos surdos.

Estruturamos o trabalho em quatro capítulos. No primeiro capítulo, apresentamos
algumas correntes de pensamento sobre Educação de surdos, abordando temas como
Bilingüismo, Língua de sinais, Aquisição e leitura em L2. Além disso, apresentamos aspectos relacionados à Interação, baseando-nos, especialmente, nos conceitos de Vygotsky.

No capítulo 2, apresentamos a metodologia utilizada no desenvolvimento das
duas pesquisas realizadas: a pesquisa piloto e a pesquisa final. Identificamos os sujeitos que participaram do estudo, detalhamos os instrumentos utilizados e apresentamos os procedimentos efetuados para o trabalho.

No terceiro capítulo, além de apresentar os dados obtidos, analisamos e
discutimos aspectos importantes observados no desempenho dos dois alunos participantes da pesquisa final. Desse modo, analisamos sua atuação em cada etapa do trabalho, bem como comparamos os resultados por eles apresentados.
Nas considerações finais, presentes no quarto capítulo, fazemos um fechamento,
apresentando as principais conclusões referentes as nossas observações e análises no
desenvolvimento da pesquisa.

LEIA o trabalho na íntegra clicando AQUI

Leitura e Surdez: A monossemia na Cartilha

Fonte: Educar e Agir

Sebastiana Almeida Souza

A adequação do material didático usado no processo ensino-aprendizagem do surdo para o desenvolvimento da leitura polissêmica.

Enfatiza-se que este estudo trata de uma problemática com que me deparo no trabalho que desenvolvo com esta clientela, educando os surdos. Uma situação vivenciada em sala de aula me despertou para esta temática. Fiz um exercício de leitura sobre um texto de Mário Quintana, “Família Desencontrada”, que enfocava as estações do ano através de metáforas. “Num parágrafo do texto havia a palavra “passo”, no sentido de passagem do tempo e uma aluna não conseguiu fazer essa leitura, para ela se tratava de ‘‘passo” no sentido de andar. O enunciado era o seguinte: o inverno dizia – “Eu não passo desse agosto…”

Diante desse acontecimento, compreendi, então, que para esta aluna havia apenas um significado, ela não se dava conta da polissemia da palavra ” passo”.

Essa questão da leitura e seu ensino se tornam mais relevante ainda quando se pretende construir uma escola inclusiva. Na perspectiva da escola inclusiva, a escola é uma instituição educacional na qual todos os recursos disponíveis s?o utilizados cooperativamente para satisfazer as necessidades educacionais de todas as crianças que a freqüentam. Segundo Barth (1990, p. 07).

“Uma escola inclusiva que educa todos os alunos em sala de aula em sala regular. Educar todos os alunos em sala de aula regular significa que todo aluno recebe educação o (…).”

Também significa que todo aluno recebe oportunidades educacionais adequadas, que são desafiadoras, porém ajustadas às suas habilidades e necessidades: recebem apoio de que ele ou seus professores passam, da mesma forma, necessitar para alcançar sucesso nas principais atividades.”

Portanto, a opção pela inclusão implica a real e efetiva individualização do ensino, além de uma conscientização da sociedade quanto a importância da inclusão para o processo social. Segundo Paulo Freire (1997, p. 24).

“Não é possível pensar se quer a educação sem que se pense a questão do poder : se não é possível compreender a educação como uma prática autônoma ou neutra,esta n?o significa de modo algum que a educação sistemática seja uma pura reprodutora da ideologia dominante”.

LEIA o artigo na íntegra clicando AQUI

Visite também estes sites

CMDV – Portal do Deficiente Visual

Sur10.net – O Portal da surdez

Bengala Legal

NADA DE EXCLUSÃO: QUEREMOS EDUCAÇÃO

2 thoughts on “Incentivo à leitura – crianças portadoras de necessidades especiais

  1. Gostaria de saber como a sociedade pode garantir o acesso dos portadores de necessidades especiais nas cidades ?
    Agradeço a atenção!

  2. AMEI! TRABALHO NA ÁREA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL E PRECISO DESENVOLVER UMA OFICINA PARA OS PROFESSORES.SOU PSICOPEDAGOGA GOSTEI DAS IDÉIAS.BJS

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