Datas Comemorativas – Consciência Negra

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20 de Novembro – Dia da Consciência Negra

Fonte: Radio Graciosa

O 20 de novembro tem uma história antiga. A idéia surgiu na década de 70, no Rio Grande do Sul, quando o grupo Palmares, resgatando a trajetória do quilombo de mesmo nome, propôs que fosse celebrado o Dia do Negro na data que marcava o desaparecimento de Zumbi.

Na verdade, o quilombo dos Palmares já havia se tornado referência para todos aqueles que acreditam em justiça social. Um frentenegrino como Vicente Ferreira, na década de 30 do século XX, por exemplo, celebrava a luta palmarina em seus discursos.

Na década de 70, no entanto, a proposta era abandonar as celebrações do 13 de maio. Muitos grupos iam por esse caminho e a idéia vinda do Sul ressaltava o aspecto coletivo da epopéia dos Palmares, o que colocava ênfase em aspectos mais comunitários e solidários.

Em 1978, o Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, depois denominado MNU, propôs que o 20 passasse a ser considerado Dia Nacional da Consciência Negra, consolidando o desejo de todos aqueles que viam no 20 a afirmação de uma nova consciência e uma nova atitude em relação à questão racial brasileira.

Com o tempo, mais do que o aspecto palmarino coletivo, ressaltou-se a figura individual e heróica de Zumbi, um guerreiro que encarnava uma postura firme diante da opressão, um exemplo a ser lembrado por todos aqueles que se indignavam diante das injustiças do dia-a-dia. Zumbi atualmente figura no panteão dos heróis nacionais.

Mas na imagem do indivíduo a coletividade pode continuar a ser celebrada, mostrando que o espírito do quilombo continua vivo. Não só dos Palmares, mas de todos os outros que o antecederam ou sucederam. A decretação de feriado em mais de duzentas cidades brasileiras mostra isso. A luta de todos aqueles quilombolas não foi em vão. Palmares será sempre exemplo, para nós e para os que ainda virão, de que é possível construir uma sociedade justa.

Sim, nós podemos!

Arena conta Zumbi: a canção enganjada no teatro

Fonte: Arquivo 68

Por: MARIA APARECIDA PEPPE

A música enquanto discurso sonoro é produto de um contexto histórico, pois, o compositor capta através de sua arte as tensões vivenciadas pela sociedade tornando-a um veículo para exposição de idéias. Neste contexto, o Teatro de Arena, através de seus idealizadores, estreitou a relação entre cultura e poder, sendo a música concebida como um elemento para uso político. Essa arte atuaria no sentido de contribuir para tornar as condições favoráveis à tomada do poder, por meio da conscientização popular.

Para o Teatro de Arena, a música constitui um meio para a formação de uma consciência coletiva, na medida em que age como facilitadora da comunicação, onde música e letra expressam o mesmo sentimento; de outro modo, o discurso verbal ao ser reafirmado por ela, favorece a reflexão sobre determinada conjuntura histórica. Nesse sentido, emZumbi a música de Edu Lobo foi composta dentro de uma tessitura (conjunto de notas que podem ser emitidas por uma voz ou um instrumento) que favorece o canto coletivo, conseqüentemente a assimilação da letra. O trecho abaixo da música “Zambi no Açoite, de Edu Lobo exemplifica o trabalho do compositor: herdeiro de Zambi, mas apresentam-se também fundidos numa só entidade que congrega seu povo para a resistência, desde a formação do Quilombo, até sua destruição total, lutando e morrendo pela liberdade.

É Zambi no açoite, ei, ei é Zambi

É Zambi, tui, tui, tui, tui é Zambi

É Zambi na noite, ei, ei, é Zambi

É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi

Vem filho meu, meu capitão

Ganga Zumba, liberdade, liberdade,

Ganga Zumba, vem meu irmão.

É Zambi morrendo, ei, ei, é Zambi

É Zambi, tui, tui, tui, tui, é

Zambi Ganga Zumba, ei, ei, ei, vem aí

Ganga Zumba, tui, tui, tui, é Zambi

A música como linguagem e modo de comunicação é a arte mais adequada para veicular uma mensagem política ao público. A melodia do “Upa, Neguinho” nos revela novamente a preocupação de Edu Lobo em tornar a melodia de fácil memorização: Nesse registro de análise, a música “Upa, Neguinho” mostra uma tessitura em que a linha melódica funde-se com o texto poético, atingindo mais facilmente o público receptor. O conjunto da obra nos mostra uma arte graciosa, porém, é uma forma utilizada para criticar a política do momento. A música prepara assim, o público para receber a mensagem política dos textos.

Na letra da canção, a maioria dos versos termina em “á” (cantá, apanhá), pretendendo uma linguagem que se assemelha a uma espécie de dialeto africano, distanciando-se da linguagem culta. A interjeição “upa”, repetida várias vezes, transmite um ar de brincadeira e graça, simulando a imagem de uma criança que ensaia seus primeiros passos, tropeçando, caindo e levantando:

Upa, neguinho na estrada

Upa, pra lá e pra cá

Virge, que coisa mais linda

Upa, neguinho começando a andá

E já começa a apanhá

Cresce, neguinho e me abraça

Cresce e me ensina a cantá

Eu vim de tanta desgraça

Mas muito te posso ensiná

Capoeira, posso ensiná

Ziquizira, posso tirá

Valentia, posso emprestá

Mas liberdade, só posso espera

O nascimento de Ganga Zumba, futuro rei Zumbi, é celebrado pelos escravos que vêem nele a esperança da transformação de sua condição. Os negros adultos se dispõem a ensinar ao negrinho todas as artes de sobrevivência que conhecem, a capoeira, como forma de luta e brincadeira, as artes curandeiras e a valentia, sob a forma de dignidade. Porém, a letra aponta para a condição inferior a qual o sistema submete o escravo, sendo por este assimilada, levando-o a admitir para o negrinho que a coisa mais preciosa, a liberdade, ele, também escravo, não pode conceder-lhe, tornando-a objeto de uma longa espera

Pautado na historiografia, o discurso verificado nas canções apresenta também a mitificação do herói Zumbi que corporifica os ideais populares unificando o povo em torno de um objetivo comum: a luta pelo reconhecimento da liberdade, que deve continuar sempre sendo conquistada.

Zambi meu pai, Zambi meu rei,

Última prece que rezou

Foi da beleza de viver, Olorum didê.

Longe, num tão longe além do mar

Meu rei guerreiro diz adeus a quem vai ficar.

Diz prá sua gente não desesperar,

Zambi morreu, se foi,

mas vai voltar em cada negrinho que chorar.

Peça Teatral

Fonte: Professor Fábio

TEATRO: “ZUMBI GRACIOSO”

Dia da Consciência Negra – 20 de novembro.
Texto de BRUNO e DIANA da 8ª série A – Escola XXXX
Orientação e modificações: professor Fábio R.

1ª Cena: O senhor sentado vendo o algodão sendo colhido pelos escravos. (música “Zumbi” do Jorge bem Jor ou “Retirantes” de Dorival Caymmi)

Diálogo entre escravos:

———– Vivemos na escravidão. Somos tratados como animais.

———– Trabalhamos tanto e não ganhamos nada. Nem comida boa temos.

———– Devemos fugir para um lugar melhor.

———– E existe este lugar?

———– Existe o quilombo. Irei para lá. No quilombo todos são livres. O rei é Ganga Zumba, bom com todos. E seu general é Zumbi.

———– Já ouvi falar dele.

———– Vou para o quilombo lutar com Zumbi para libertar todos os escravos.

(um escravo foge, mas é recapturado pelo capitão do mato)

2ª Cena: Feitor prende um escravo fujão. Pede a ordem do senhor para castiga-lo com chicotadas. Tem a ordem e vai ao tronco onde prende o escravo e lhe dá 50 chicotadas.

Diálogo entre feitor e o Barão senhor dos escravos

Feitor_ O escravo está no tronco esperando a decisão do barão e se deixar o escravo que está no troco sem castigo os outros escravos vão acreditar na história que ele está contando e vai querer fugir.

Barão
_Está bem. Deite 20 chibatadas.

Feitor
_Me disculpe, Barão, mas 20 chibatadas não vai nem fazer riscos nas costas dele!

Barão_Está bem! deite-lhe 50 chibatadas.

Narrador
_Logo depois o feitor foi dar as 50 chibatadas, enquanto isso a baronesa estava falando com o barão. Começa um toque de música.

Baronesa
_Mas já vai começar com essa cantoria!a.

Barão_Se voce não gosta deste barulho tampe os ouvidos com algodão, Candida.

(toca a música Homeless, de Paul Simon, do seriado Raízes)

3ª Cena: No quilombo Zumbi planeja com os irmãos a invasão da fazenda e libertação dos escravos. Ganga Zumba não concorda e quer aceitar acordo de paz com Portugal. Por isso os dois começam a brigar. Depois disso, Ganga Zumba morre misteriosamente.

Diálogo no Quilombo.

Um irmão do quilombo entrega uma carta para o Rei Ganga Zumba:

“Senhor Ganga Zumba. O Rei de Portugal te propõe um acordo de paz com o quilombo de Palmares. Todos os nascidos no quilombo ficarão livres, os outros não.”

Ganga Zumba lê a carta.

Logo chega seu sobrinho Zumbi – Tio Ganga Zumba, vamos invadir a fazenda e libertar nossos irmãos.

Ganga – Isso não é possível. Estamos negociando a paz com Portugal.

Zumbi
– Que paz que nada. Precisamos soltar nossos irmãos.

Ganga
– Uma guerra só vai trazer dor.

Zumbi – Não é justo que fiquemos em paz enquanto tantos padecem escravidão.

Ganga – Também não é justo que tantos morram pelo bem de outros. Precisamos de paz.

Zumbi – A paz não traz igualdade. Esta paz é injusto, pois é para poucos. Precisamos de guerra.

Partidários de Zumbi e de Ganga Zumba se dividem, gritando de um lado “Paz” e de outro “Guerra”.

Chega Dandara, esposa de Zumbi.

Dandara
– Que é isso Zumbi! Como briga com seu tio?

Zumbi – Ganga Zumba pensa com a razão, mas erra. A liberdade tem que ser para todos.

Ganga Zumba
– Dandara, explique para seu marido que a guerra irá destruir Palmares. O melhor caminho é do negociação. A paz é sempre o melhor caminho.

Dandara – Zumbi, não brigue com seu tio. Vamos reunir um conselho e discutir este assunto. Vivemos para a felicidade e não para a dor. Se for possível, lutaremos também por nossos irmãos que estão escravizados, mas precisamos lutar juntos. Desunidos seremos fracos. Vamos! Façam as pazes.

Cena da Morte: Uma irmã do quilombo leva uma bebida para Ganga Zumba, que cai morto misteriosamente.

cena enterro de Ganga Zumba e coroação de Zumbi – Ganga Zumba está morto. Longa vida a Zumbi, nosso Rei

(toca música de capoeira. Afoxé de Dorival Caymmi)

4ª Cena: Os negros estão nas senzalas na roda de capoeira, que é a única diversão deles, o momento de alegria e lembranças; (tocar músicas de capoeira); Chega Zumbi e os irmãos do quilombo para libertá-los. O senhor descobre e manda o feitor ir atrás deles, mas eles conseguem fugir em segurança.

(toca música “Monólogo ao pé do ouvido” da Nação Zumbi, para ilustrar o ataque)
cena Ataque à fazenda, para libertar escravos. Feitor avisa o senhor:

Feitor – Chefe, tenho péssimas notícias. A fazenda está sendo invadida pelos negros quilombolas. (sai correndo com uma arma).

Senhor está preocupado. Baronesa chega assustada.

Baronesa – O que está acontecendo.

Senhor – Prepare-se. Fomos invadidos pelo capitão Zumbi.

5ª Cena: Eles chegam ao quilombo pela manhã. Com muita alegria são recebidos e festejam a liberdade com parentes, amigos e é claro com Zumbi.

(música final – “Cangoma me chamou ” de Clementina de Jesus, ou interpretada pelo grupo Mawaca)
cena final – Festa em Palmares.

Cantos, dança e capoeira.

Narrador conta história de Palmares no alto-falante (deixar música afro com volume baixo no fundo, depois aumentar o volume

Narrador – O quilombo de Palmares resistiu durante quase dois séculos, tendo sido destruído apenas em 1710, após ataques do capitão do mato Domingos Jorge Velho. Zumbi morreu, mas seu sonho de justiça e liberdade continua vivo nos corações de todos os brasileiros.

PERSONAGENS:
Dandara
Senhor
Baronesa
Feitor:
Capitão do Mato
Escravo Fujão
Zumbi
Tio (Ganga Zumba)

Sugestão de livros

3 thoughts on “Datas Comemorativas – Consciência Negra

  1. Gostaria de usar com alunos de sétima série e oitava série e achei que a peça da muito certo para trabalhar com essa idade.

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