Campanha – Bater em criança é covardia

Uma palmada na consciência

A violência começa quando a palavra perde o valor.
Para lidar com a violência doméstica,
o primeiro passo é escutar.

Diante da enormidade de casos de agressões em crianças o qual somos testemunhas diárias através dos jornais, nós educadores, não podemos fazer de conta que nada está acontecendo, principalmente porque trabalhamos com crianças. Temos o dever de incentivar o educar e não o bater.

Temos que realizar um trabalho com os pais mostrando que há inúmeras formas de se educar sem bater. Afinal, bater nunca foi educar.
Abaixo há material de qualidade para se travar esta luta junto aos pais.


COMO EDUCAR SEUS FILHOS SEM BATER

* Demonstre o que eles devem fazer. E não apenas o que não devem.
* Explique suas verdadeiras razões. ‘Porque eu estou dizendo’ nada ensina.
* É importante dizer sim.
* Elogie o bom comportamento e repreenda o inadequado.
* Apóie-se em recompensas como abraços e brincadeiras, e não em punições como tapas e gritos.
* Ignore pequenas bobagens. Quanto mais você ralhar, menos será ouvida.
* Quando as crianças fazem alguma coisa errada, explique-lhes como podem consertá-la.
* Mesmo que você não aprecie o comportamento do seu filho, nunca sugira que você não gosta dele.
Fonte: Organização Mundial para o Fim da Punição Física

PORQUE BATER EM CRIANÇA É COVARDIA

Para falar sobre esse tema, temos que sair do lugar comum e deixar de lado a correlação habitual entre bater e educar. Os dois termos são excludentes entre si, não conversam, falam de coisas diferentes. Educar é uma coisa, bater é outra. Senão, vejamos:

A história nos mostra como o sangue da criança sempre foi usado em sacrifícios a • divindades diversas, havendo relatos no Antigo Egito, na Grécia, em Roma, entre os astecas e principalmente na bíblia, culminando na ‘matança dos inocentes’ por Herodes.

Na literatura, os livros de Charles Dickens são eloqüentes e detalhados sobre uso • dos castigos humilhantes a crianças. Entre nós, o conto de Machado “O caso da vara” mostra de onde vem a sanha brasileira pela ‘vara de marmelo’, também usada pelos senhores de escravos, juntamente com a palmatória e similares.

Há grande confusão sobre o que é pátrio-poder: pais não são proprietários dos filhos, • mas guardiães de sua vida e integridade corporal e moral.
Quando se aceita ter um filho, ou adotá-lo, é com a promessa implícita de que é
bem-vindo a este mundo e de que viver vale a pena.

Bater tanto não educa que a presente geração de seus 50 anos foi educada dentro • desse princípio e, no entanto, o mundo globalizado que aí está é corrupto e violento. Por que o mundo é cada vez mais dominado pela banalidade do mal?
A sociedade tem medo de demonstrar ternura à criança após os primeiros meses. • Tão logo ela comece a se interessar pelo mundo – para aprender – começa a apanhar na mão, na cabeça, no corpo todo.

Bater é exercício obsoleto de poder sobre mulheres e crianças, deixando como • ‘ensinamento’ a vontade de sumir de casa.

Bater é covardia pela desproporção de força, na razão de 7:1. Por que o adulto não • bate em alguém de seu tamanho? Por que não usa a ‘palmada pedagógica’ em quem ocupa sua vaga, ou não lhe paga o que deve ou comete alguma injúria contra ele, adulto?
A criança é a vítima perfeita de um crime perfeito: sem testemunhas, sem denúncia, • com apoio da sociedade e com vítima incapaz de revidar.

Bater encerra – muitas vezes – um dos aspectos da pedofilia: bate-se por excitação e atração mal dissimulada pela carne tenra da criança. Fazendo analogia com o texto de Freud – “Bate-se em uma criança” – há o agente (pai, mãe, professor) a criança que recebe a pancada e aquele que se delicia com a cena e até a incentiva (um parente, um passante, a sociedade).

A palmada chega a ser um reflexo condicionado na família. Freqüentemente é a ponta de um terrível iceberg, que inclui tapas, beliscões, queimaduras por cigarro, óleo, ferro quente, arrancamento de couro cabeludo, fraturas, morte. A criança é um ser ávido de aprender e para isso busca os objetos que, para ela, não têm valor financeiro, mas são essenciais a seu aprendizado. Mas não se tolera que pegue os objetos ou que esbarre numa prateleira de supermercado ou que fique estressada pelo excesso de estímulos nos shoppings. Em vez de retirar a criança da cena do ‘crime’, bate-se nela. Bate-se por não se aceitar que ela tenha outro compasso e que não é um adulto em miniatura.

Há um projeto de lei que criminaliza a agressão à criança, aprovado na Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, onde empacou por influência de líderes ‘religiosos’, sob o pretexto de que ‘tiraria a autoridade dos pais’. Já vimos que é uma falácia. A OAB-SP declarou em programa de TV que os segmentos mais resistentes em cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente são os da língua do P: Pais, Professores, Pastores e Policiais. Aos seres “de menor” se atribui todo o mal existente no mundo que – na prática – é regido por adultos. Adultos desnorteados com a perda de referências, com o desemprego, as aflições, o terrorismo, o medo – e que descontam seu mal-estar na criança.

A criança é uma pessoa e como tal tem direito à vida e à integridade. Ela confia
cegamente no adulto, e, no entanto pais e até cuidadores exorbitam de suas funções e a agridem física e moralmente. Sempre que surge a pergunta – Por que se bate numa criança? encontra-se uma das respostas possíveis: a palmada erotiza; bater engolfa o agente em volúpia que se torna incontrolável.

Mas a melhor explicação é a de Ezio Flavio Bazzo, professor de psicologia da Unb: “A prova mais evidente de que a vida não passa de um ciclo ordinário está no fato de vermos nos nossos filhos tudo aquilo que passamos a vida inteira combatendo em nós”. Ou seja, não podendo com nosso próprio descalabro, batemos no filho que nos espelha!

Dra. Relva da PEDIATRIA RADICAL, pediatra Thelma B Oliveira – DF

PROJETO DE LEI MARIA DO ROSÁRIO

A violência começa quando a palavra perde o valor.
Para lidar com a violência doméstica, o primeiro passo é escutar.

Uma palmada na consciência

O projeto de lei 2654/2003 está tramitando no Congresso Nacional desde o final de 2003 e já foi avaliado e aprovado de forma unânime em duas Comissões – Comissão de Educação e Cultura (CEC) e Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF). No momento, o PL encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), com parecer favorável, aguardando votação. Em seguida, o projeto segue para o Senado.

O PL foi elaborado pela equipe do Laboratório de Estudos da Criança da USP – por meio de um estudo feito a partir de anos de pesquisa e em colaboração com milhares de alunos de pós-graduação no país. Atualmente, a iniciativa também é apoiada por um conjunto de organizações da sociedade civil, que esperam que o Brasil possa seguir as diretrizes da ONU e abolir definitivamente da nossa cultura a idéia de que as crianças só podem ser educadas por meio de tapas, palmadas, gritos e demais violências psicológicas.

O projeto de lei se fundamenta no seguinte:
A proteção contra qualquer forma de violência é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 5°) e pela Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU (art. 19). Hoje, a proibição dos Castigos Físico e Humilhante está presente na legislação de 17 países (Suécia, Finlândia, Noruega, Áustria, Chipre, Dinamarca, Letônia, Croácia, Alemanha, Bulgária, Israel, Islândia, Romênia, Ucrânia e Hungria, além de Itália e Portugal, que mesmo sem ainda terem realizado alterações em suas legislações, as Supremas Cortes dos dois países também declararam a punição corporal como ilegal). Grécia, Países Baixos, Lituânia, Luxemburgo, República Eslováquia e Eslovênia assumiram o compromisso de proibir esse tipo de agressão ainda este ano. Na América Latina também há propostas de projetos de lei em andamento na Costa Rica, no Peru, no Uruguai e na Colômbia.

A violência é um componente da mente humana que a civilização e a cultura vêm tentando reprimir. Na Roma antiga, o pai detinha o poder de jogar os filhos nas prisões, flagelá-los e mantê-los acorrentados. Em outra época, mulheres sifilíticas davam de mamar a bebês na crença de que se livrariam da doença. O infanticídio foi tolerado até o fim do século XVII.

Já não aceitamos essas condutas, nem mesmo a palmatória que era usada pela professora nas escolas. Mas, com toda a civilidade que conseguimos, a Humanidade ainda não é competente diante de seu impulso destrutivo. Guerra, terrorismo, corrupção são perversões humanas que trazem o prazer de “fortes” sobre “fracos”, o prazer do exercício da opressão.

Ouvi um educador falar em defesa da palmada “educativa”. Para ele, a nova lei seria uma interferência na vida familiar, com “o Estado entrando em casa onde a supremacia tem que ser dos pais”. Concordando, estaremos legitimando o desrespeito ao corpo do outro visto como posse: o pai, a mãe que bate no(a) filho(a), que abusa sexualmente do(a) filho(a), o marido que bate na mulher, ou seja, o mais forte exercendo o poder segundo sua arbitragem. Aliás, vale lembrar que os pais param de aplicar castigos físicos quando seus filhos crescem, e a relação das dimensões corporais entre eles deixa de ser assimétrica.

É preciso ter a garantia da fragilidade do outro para banir o insuportável medo de sua própria impotência, que então cede lugar a uma ilusória, mas prazerosa sensação de onipotência. É assim que fazem os pais com seus filhos, é o que fazem estes filhos como autores de bullying na escola, é o que continuam a fazer como pitboys nas festas e é desse modo que passam a fazer de novo com seus filhos, numa repetição doentia.

Como especialista, afirmo que bater, gritar e humilhar causam dano permanente à mente em desenvolvimento. Sabemos todos que a violência é endêmica. Portanto, é preciso escutar melhor e se responsabilizar, porque a violência nasce quando morrem a palavra e o afeto.

ANA MARIA IENCARELLI é psicanalista e presidente da Associação Brasileira de Proteção à Infância e à Adolescência.

7 thoughts on “Campanha – Bater em criança é covardia

  1. Como cristão que sou não posso me omitir sobre a opinião dA Palavra de DEUS, que nos orienta a corrigirmos nossos filhos com disciplina, porem sem feri los….a desordem publica hoje se deve ao esquecimento desse principio e a falta total de correção…uma palmada no BUMBUM nunca matou ningues, poprem a falta dessas palmadas esta levando muitos filhos a desgraça!!!

  2. Amiga cima disse tudo, uma vergonha oque estão fazendo hoje,
    uma palmada no BUMBUM nunca matou ninguem.

  3. é triste ver como as pessoas são ignorantes e ainda usam o que crêem ser a “palavra de Deus” para continuar esse ciclo vicioso de violência em vez de se educarem sobre métodos mais eficientes de educar seus filhos do que aqueles que aprenderam quando crianças. É muito mais fácil dar uma palmada em um ser inocente do que aprender como abordar o problema da criança de forma entendível e coerente. Lamentável!

  4. Alguns pais acreditam que dar tapas na mão, palmadas no bumbum ou bater na criança com uma vara pode ensinar importantes lições. Na verdade, o castigo físico ensina à criança que:
    – É batendo que comunicamos coisas importantes.
    – Bater é uma resposta aceitável para a raiva.
    – As pessoas das quais elas dependem para sua proteção irão machucá-las.
    – Eles devem ter medo de seus pais, ao invés de confiar neles para que ajudem e ensinem.
    – Suas casas não são seguras para exploração.

    É necessário pensar sobre o que queremos ensinar a nossos filhos no longo prazo. Se quisermos ensiná-los a serem pacíficos, precisamos nos mostrar como seres pacíficos. Se quisermos ensiná-los como permanecer em segurança, devemos explicar e mostra-los como fazê-lo.

    Pense no efeito que ser punido fisicamente tem sobre adultos. Quando alguém nos bate, a gente se sente humilhado. Não temos motivação para agradar a pessoa que nos bateu, sentimos ressentimento e medo. Podemos inclusive ter desejo de vingança. Bater em seu filho prejudica seu relacionamento com ele, e não lhe dá a informação necessária para que tome decisões. Além disso, bater não aumenta o respeito de seu filho por você.

    Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.

  5. EU AGRADEÇO A MEUS PAIS PELAS SURRAS QUE LEVEI,SE FOSSEM ELAS HOJE EU ESTARIA MORTO OU EM UMA CADEIA.ESSA CAMPANHA É MUIITA HIPOCRISIA.

  6. CRISTÃO??? Nunca um cristão pode ser a favor da violência, você pode ser criatura de Deus, mais filho de Deus não. Jesus não nos ensinou a dar palmadas, Jesus é justiça é amor.

  7. – É batendo que comunicamos coisas importantes. ERRADO
    – Bater é uma resposta aceitável para a raiva. ERRADO
    – As pessoas das quais elas dependem para sua proteção irão machucá-las. ERRADO
    – Eles devem ter medo de seus pais, ao invés de confiar neles para que ajudem e ensinem. E ERRADO
    eu apanhei no entanto não uso de violência gratuita e nem meus pais e parentes
    eu posso ter apanhado, mas sempre entendi que era uma forma de correção, não tem essa asneira de criança não saber por que esta apanhando, eles sabem por que apanham,
    eu sempre confiei no meu pais e na minha mãe, nunca tive medo dos meus pais, tive temor

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