Novo Acordo Ortográfico

Olá queridos professores,

É sempre bom falar sobre o Novo Acordo Ortográfico, e quanto mais falarmos, mais familiarizados ficaremos com as mudanças.

Há também sempre um jeito atrativo de levar estas mudanças para os nossos alunos.

Primeiramente trago para vocês:

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: muitos sotaques, uma grafia

Fonte: EducaRede

Desde janeiro de 2009, entrou em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Dúvidas, críticas e elogios compõem um mosaico de impressões sobre o Acordo que acaba de nascer nos oito países que falam Português

por José Alves

O que cinco países africanos, um asiático, um europeu e um da América do Sul podem ter em comum? Se a resposta for que os habitantes dessas oito nações utilizam-se da Língua Portuguesa para se comunicar, está correta. E é com a intenção de unificar a forma escrita da quinta língua mais falada no mundo, pronunciada por cerca de 230 milhões de pessoas, que os oito países lusófonos (que têm o português como língua oficial) do planeta – Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Portugal e Brasil – aderiram ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que passou a vigorar desde o dia 1º de janeiro de 2009. Vale ressaltar que as duas normas ortográficas – a usada até então e a prevista no acordo – serão aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos até dezembro de 2012. Segundo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a língua será internacionalmente tanto mais importante quanto maior for o seu peso unificado. A CPLP ainda destaca que das quatro grandes línguas (Inglês, Francês, Português e Espanhol), o Português é a única com duas grafias oficiais.

Novos parâmetros para a escrita

Mas o que muda efetivamente a partir do acordo ortográfico? Em primeiro lugar é necessário observar que, como o próprio nome diz, a mudança é meramente ortográfica, ou seja, concentra-se exclusivamente na grafia, nas letras e na acentuação das palavras, o que significa não haver alterações na pronúncia ou flexão, diferentes entre os países lusófonos. As principais mudanças estão concentradas no fim do trema e das consoantes mudas, nas novas regras para o emprego do hífen, na inclusão das letras w, k e y no alfabeto e nas novas regras de acentuação. Apesar das mudanças, não houve uma alteração significativa se a análise utilizar como base a quantidade de palavras modificadas. Linguistas dos dois países, Antônio Houaiss, pelo Brasil, e João Malaca Casteleiro, português, afirmam que 0,43% das palavras no Brasil e 1,42% das portuguesas sofrem alterações.

Acordo Ortográfico: Prós e Contras

A equipe do Portal EducaRede ouviu dois especialistas, Douglas Tufano, professor de Português e História da Arte, e autor de livros didáticos e paradidáticos nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura, e José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), que defendem posições diferentes em relação ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Para Tufano, embora não seja completamente favorável ao Acordo, esse momento é considerado um passo à frente no projeto de unificação ortográfica, mas ainda está longe do pretendido objetivo. “Nesse caso, o Acordo poderia ter sido mais ousado e abrangente”. Outra questão levantada por Tufano é a falta de clareza quanto ao uso do Hífen: “o maior dos problemas no Acordo é a confusão que se estabeleceu quanto ao uso do hífen nas locuções. No uso do hífen com os prefixos, as regras são quase todas bem simples, mas ao tratar do uso do hífen nas locuções, como “maria vai com as outras” ou “pé de moleque”, o Acordo não é nada claro e a publicação do dicionário da Academia Brasileira de Letras não contribuiu em nada para esclarecer essa questão”. Segundo Tufano, a resolução desse problema passa pela elaboração do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), considerada uma fonte oficial de consulta e que já deveria estar publicado antes do Acordo entrar em vigor, para evitar confusões.

José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), concorda que algumas normas são tecnicamente mal formuladas, principalmente nas bases 15 e 16 do Acordo, em relação ao Hífen, que carrega dubiedade no entendimento das regras. A resolução desse problema está na elaboração do “Vocabulário Ortográfico Da Língua Portuguesa”, outro ponto de concordância entre os especialistas. Mas, ao contrário de Tufano, José Luiz Fiorin é plenamente a favor do Acordo, principalmente em seu aspecto político, já que unifica a grafia nos países lusófonos e cria uma unidade na Comunidade de Língua Portuguesa. Até então, tínhamos duas grafias oficiais, a utilizada em Portugal, que é a mesma nas ex-colônias africanas e asiática, e a usada no Brasil. Segundo Fiorin, “reafirmar a unidade ortográfica é reafirmar a unidade de base da Língua Portuguesa”. O especialista fez questão de salientar a diferença entre grafia e língua: “A língua é viva e muda tanto de país para país, com seus sotaques e gírias, como de geração para geração dentro do mesmo território. A unificação está somente na grafia”.

Por fim, Fiorin analisou o impacto do Acordo nas salas de aula: “não interfere em nada a assimilação dos estudantes”. O professor aponta três antigos problemas de ortografia nas escolas, e ressalta que nenhum deles foi contemplado no acordo. São eles:

1. Uma letra que representa vários sons. Ex: a letra “X” tem som de “C” na palavra auxílio e som de “Z” em exame;

2. Várias letras representam o mesmo som. Ex. Em beleza, o “Z” tem som de “Z”, em exame, o “X” também tem som de “Z”, e em casa, o “S” tem a mesma característica, som de “Z”;

3. A não correspondência entre a letra e o som. Ex. A palavra “Sol”: como a letra “L” tem som de “U”, alunos podem escrever “Sou”, o mesmo se dá com a palavra “Sal”, que pode ser escrita, equivocadamente, “sau”.

Para o Professor, uma forma de resolver essa questão está no automatismo da escrita, que vai aos poucos eliminando essas dúvidas. O entrevistado aponta uma forma bastante eficiente para alcançar esse automatismo, que é a memória visual das palavras, ou seja, quanto mais os alunos lerem, menos errarão na escrita. Mais um dado que evidencia a importância do hábito da leitura.

Custo ou investimento?

Segundo estimativa, a reforma ortográfica deverá custar cerca de 30 milhões de reais às editoras brasileiras, que deverão revisar e relançar mais de 25 mil títulos de livros. O Professor Douglas Tufano considera que a “relação custo/benefício é muito pequena e não compensa o gasto financeiro com as reedições”. A Câmara Brasileira do Livro, no entanto, acha que esse valor pode vir a ser um bom investimento, já que as mudanças podem aumentar a venda de obras brasileiras em outros países de Língua Portuguesa. Em entrevista à Rede Globo de Televisão, Rosely Bosquini, presidente da Câmara Brasileira do Livro, afirma: “Antes do acordo, sempre precisávamos adaptar os livros e para isso nós dependíamos de editores portugueses ou de outros países de Língua Portuguesa para trabalhar nos textos das obras brasileiras. Com a nova ortografia unificada, o mercado nos países pertencentes ao acordo tende a se abrir para a literatura brasileira”. As editoras têm até dezembro de 2012 para revisar todas as obras e disponibilizá-las no mercado, data em que passa a vigorar a obrigatoriedade das novas regras nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos.

O Acordo Ortográfico e o Internetês

O Acordo Ortográfico, por meio das novas normas, unificou a grafia da língua nos países da Comunidade de Língua Portuguesa. A linguagem utilizada na Internet, chamada popularmente de Internetês, sofre alguma influência a partir das novas regras do Acordo Ortográfico?

Segundo Douglas Tufano, professor de Português e História da Arte, e autor de livros didáticos e paradidáticos nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura, o internetês não tem ligação com o acordo, já que se trata de um sistema elaborado pelos próprios internautas, que não estão preocupados com a ortografia oficial, seja ela velha ou nova. “Eles querem apenas praticidade. Por isso, aliás, esse internetês deve se modificar muito ainda com o tempo, na busca dos internautas por mais rapidez e simplicidade”, diz Tufano em entrevista ao EducaRede.

José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), ao falar ao EducaRede diz que a linguagem utilizada na web é uma abreviação, uma forma de trazer praticidade e rapidez à escrita, característica idêntica à uma anotação feita à mão, por exemplo, quando precisamos registrar um grande número de informações em curto espaço de tempo; portanto, não sofre nem exerce nenhuma influência ao Acordo.

Além disso, Fiorin não considera o Internetês como uma degradação da língua, como muito se diz. Ele aponta, inclusive, considerações notáveis no uso dessa linguagem, como a abreviação pelas consoantes: beleza abrevia-se blz, por exemplo. Segundo o especialista, trata-se de uma “análise linguistica intuitiva da grafia”, já que, desde os Fenícios, quando surge o alfabeto, somente as consoantes eram marcadas. “É possível ler uma palavra se tivermos somente as consoantes na abreviação, mas é impossível ler a mesma palavra se separarmos somente as vogais”, diz.

CURIOSIDADE

Histórico: os caminhos da língua

Muitos devem se perguntar o porquê da Língua Portuguesa possuir duas grafias oficiais. Tudo começou em Portugal, em 1911, quando da 1ª Reforma Oficial da Ortografia Portuguesa, que não levou em consideração a República Brasileira, e, desde essa data, a língua tem comportado duas formas de escrita. A partir daí, as duas ortografias percorreram caminhos distintos ao longo dos anos.

Foram muitas as tentivas de unificação da ortografia no século passado. Em 1931 aconteceu o primeiro Acordo Ortográfico entre Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a Língua Portuguesa. Contudo, este acordo não foi posto em prática. Em 1943 é redigido o Formulário Ortográfico de 1943, na primeira Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal. Dois anos depois, em 1945, um novo Acordo Ortográfico torna-se lei em todos os países de Língua Portuguesa, com exceção do Brasil, que continuou a regular-se pela ortografia do Vocabulário de 1943.

Uma nova tentativa de unificação aconteceu em 1975 por meio de outro acordo ortográfico, agora elaborado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa. Na ocasião, não houve aprovação por motivações políticas entre os países. Uma nova investida, estimulada pelo acadêmico Antonio Houaiss, deu-se em 1986. Segundo Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras, desta vez não houve aprovação por reações polêmicas ao acordo, que àquela época pretendia unificar 99,5% do vocabulário.

Por fim, em 1990, em Lisboa, um novo documento foi elaborado e assinado por representantes das nações de Língua Portuguesa, com a finalidade de unificar 98% da grafia do vocabulário. O documento, que regula o Acordo, foi aprovado pelos congressos de Portugal e Cabo Verde. Em 1995, foi aprovado por parlamentares brasileiros. Em 1998, os países assinaram um protocolo modificativo do acordo, alterando a data de vigência. Em 2004, foi assinado um novo protocolo modificativo para a adesão do Timor-Leste às normas, já que o país conquistou sua independência em 2002.

Estas quadrinhas me foram enviadas pela professora de Português Lauana Vale de Melo Brandão que com bom humor enfoca as mudanças do novo Acordo Ortográfico.

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Datas Comemorativas – Dia Nacional da Poesia

Olá amigos professores,

No dia 14 de março comemora-se o Dia Nacional Da Poesia. Dia em que nasceu o nosso Poeta dos Escravos, Antonio Frederico de Castro Alves.

Leia a MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE CASTRO ALVES
(anotadas por Antônio Carlos Secchin). Tenho certeza que irão adorar compartilhar com os alunos.
Fonte: Projeto Memória

Nascimento e Infancia

Morri no dia 6 de julho de 1871, às três e meia da tarde, na cidade de Salvador. Nasci no dia 14 de março de 1847, na fazenda das Cabaceiras, perto de Curralinho, cidade que hoje tem o meu nome. Não estranhem o fato de eu começar minhas memórias pela data da morte. Diante da eternidade, não há muita diferença entre o que é princípio e o que é fim: tudo se mistura, se apaga e se acaba na roda-viva dos séculos.


Meus pais foram o doutor Antônio José Alves e dona Clélia Castro, filha de José Antônio da Silva Castro, que foi um dos heróis da Independência da Bahia, conquistada em 2 de julho de 1823.

Em muitas províncias os portugueses não acataram a proclamação do Sete de Setembro, e queriam nos manter atados à Coroa lusitana. Na Bahia, meu avô materno ajudou a derrotar o general Madeira, comandante das tropas inimigas, e com isso confirmar a Independência do Brasil.

Papai foi um médico famoso. Estudou na Europa, de onde enviava cartas bem românticas à minha futura mãe. Casaram-se, e logo encomendaram a prole: José Antônio foi o primeiro; eu, Antônio, o segundo; Guilherme, o terceiro; sem esquecer João, de morte prematura. Essa seqüência masculina só foi quebrada em 1852, com o nascimento de Elisa.

A escola e os primeiros poemas


A vida na fazenda começava a ficar limitada demais para a ambição de meu pai. No começo de 1854, fomos morar em Salvador, na rua do Rosário nº 1. Esta casa, que marcaria de forma definitiva a minha vida, era cheia de lendas e mistérios: uma linda moça, Júlia Feital, nela foi assassinada pelo noivo, que, louco de ciúmes, a teria fulminado com uma bala de ouro.

Nesta casa nasceram minha querida irmã Adelaide e a caçula Amélia, em 1855, empatando em 3 x 3 o jogo entre homens e mulheres.


Além de praticar a ciência, papai era dado à pintura. Em 1856, foi um dos fundadores da Sociedade das Belas-Artes da Bahia, mesmo ano em que iniciei os estudos no Colégio Sebrão.

Mas logo me transferi para o Ginásio Baiano, do doutor Abílio César Borges, futuro barão de Macaúbas. Para a época – 1858 – as idéias do doutor eram o máximo: estudávamos várias matérias ao mesmo tempo, não recebíamos castigos físicos, éramos incentivados a participar de torneios literários.

Para mim, que já trazia o amor Améliaà arte cultivado em família, foi uma espécie de preliminar (desculpem a imodéstia) para a glória futura.


Celebrávamos principalmente as datas cívicas, e esse amor prematuro aos feitos brasileiros deixou sementes que iriam germinar na minha poesia de adulto. Eu já gostava de falar em público, de recitar poemas que, cuidadosamente, anotava num caderninho. Mais tarde, tive a sabedoria de dar fim a essa poesia, impedindo que os primeiros textos de Cecéu (como eu era conhecido) fossem publicados em livro.


Desse período, a péssima notícia foi a morte de mamãe, em 1859, aos 33 anos. Desesperado, meu irmão tentou o suicídio. Não gosto de falar disso. Diferente de outros poetas, me incomodaria retratar minha mãe nos poemas. E o mano teve uma reação de louco. Loucura e morte eram os temas da moda: eu sofri os dois na carne.

Mudança para o Recife


A grande mudança, que me arrancou em definitivo das indecisões e devaneios do fim da infância, se deu em 1862, quando fomos, eu e José Antônio, morar no Recife para seguir os cursos preparatórios à Faculdade de Direito.

Fomos trocando de endereço até nos estabelecermos numa “república” de estudantes. No ano seguinte publiquei no número 1 de um jornal acadêmico, A Primavera, meu primeiro poema contra a escravidão: “A canção do africano”. Devo dizer que, à época, estava repetindo o curso de Geometria, pois tinha levado bomba em 1862. Como a grande maioria da humanidade, sempre tive graves problemas na hora de me entender com a Matemática e seus derivados. O consolo é que, para fazer poesia, quase nunca é preciso contar além de 12 sílabas, e esse número basta para acolher o universo inteiro.

Um grande prazer, não só meu mas de todos os companheiros de geração, era o teatro. O divino Victor Hugo, fonte inesgotável de inspiração, já havia escrito muita coisa sobre o drama romântico. Exemplo desse drama era Dalila, de Octave Feuillet, que foi à cena no Teatro Santa Isabel com a atriz Eugênia Câmara. Difícil descrever o impacto que a presença dela exerceu sobre mim. Digo apenas que ela foi a mulher mais importante de minha vida, a musa celeste que me arrastou, como um turbilhão, ao mais profundo fundo dos cafundós do Castro Alves – 1865inferno. Mas isso é história para mais tarde: por enquanto, tenho apenas 16 anos, e corre o ano de 1864.


Sou um rapaz bonito, talentoso, querido pelos colegas (apesar de me acharem orgulhoso em excesso) e marcado por duas novas perdas: a do ano letivo na Faculdade de Direito e a do meu irmão José, morto em fevereiro. Quanto à primeira, paciência!

Estive na Bahia, faltei mesmo mais do que devia, e as faltas não foram abonadas. Mas meu irmão… Em outubro do ano anterior já dava sinais de desequilíbrio. O jeito foi mandá-lo ao Rio, a ver se melhorava. Acabou suicidando-se. Sofri, me lembrei da primeira tentativa; a segunda, desgraçadamente, dera certo. Loucura e morte se abraçaram, e comemoraram as bodas em cima do cadáver de José.


Para compensar tanto infortúnio, 1865 correspondeu a um período de grande felicidade. Repetente, já sabia as matérias do primeiro ano de Direito; sobrava-me tempo para desenvolver o projeto do livro Os escravos.

Morava no bairro de Santo Amaro, em companhia da dengosa Idalina, a quem homenageei no poema “Aves de arribação”. Eu brincava dizendo que estava muito bem instalado entre mortos e doidos: a casa ficava entre um hospício e o cemitério.

O primeiro sucesso e a vocação para a poesia social


Em 11 de agosto, obtive meu primeiro grande sucesso público: recitei “O século” na sessão comemorativa da abertura dos cursos jurídicos; nove dias depois, foi a vez de “Aos estudantes voluntários”, no Teatro Santa Isabel. Voluntários, é claro, da Guerra do Paraguai: até eu me alistei no Batalhão.

“O século”, que reservei para abrir meu livro Os escravos, é um grito de crença na juventude e no futuro, é uma aposta na força do novo. Apesar do sangue militar do avô materno, nunca fui um apologista da guerra. Cantei, sim, os feitos heróicos, as batalhas vitoriosas contra a opressão – só em louvor do Dois de Julho escrevi cinco poemas. Se acham que exagerei, saibam que num único livro de outro poeta, Félix da Cunha, há sete poemas dedicados ao Sete de Setembro! Naquele tempo a palavra da poesia, além de ser íntima, também devia ser cívica. Daí tantas confissões de amor à pátria num tom vibrante, que os críticos, décadas depois, me censuraram.

Mas não era com sussurros que se incendiava o público: era com entusiasmo, dramaticidade, retórica. Eu tinha consciência de que fazia alguns poemas para voz alta, e não para leitura com um chá no aconchego das cadeiras de balanço. Mais tarde, num deles, lido na rua (“Pesadelo de Humaitá”), cheguei a anotar: Não se publica. Foram publicados… O poeta, quando muito, é o dono dos versos, mas não é nunca o dono do destino dos versos.


A Guerra do Paraguai foi o último grande conflito externo que atingiu o reinado de D. Pedro II. As lutas internas – a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada, a Farroupilha – já haviam sido sufocadas e, derrotado o Paraguai, desenhou-se para o país um longo período de letárgica e superficial tranqüilidade.

Sim, porque agora o inimigo estava dentro de nós, em nossas famílias, sorvendo o sangue e o suor de uma raça em tempos de suposta paz. Como acreditar em paz, tendo ao lado os guerreiros negros vencidos pela escravidão? É certo que, desde 1850, já se proibira o tráfico de escravos. Pouco antes de minha morte, eu ainda comemoraria, em 1869, a proibição da venda de seres humanos em pregão público. Mas era pouco. Para mim, abolição e república eram palavras quase irmãs: uma puxava a outra, naturalmente.

Alguns poetas falavam mal do Governo; para eles, uma troca de Gabinete resolveria a contento a questão. Eu não queria trocar um Gabinete: queria mudar de regime. Abaixo a monarquia! Chamaram-me de “o poeta dos escravos”, e eu me orgulho do epíteto. Acho, porém, que ele não diz tudo: sempre quis ser “o poeta da liberdade”. A escravidão era uma das mazelas, talvez a mais horrenda, que se devia combater em prol da liberdade. Mas, além da liberdade social, era preciso lutar pela econômica, pela política, pela (por que não?) afetiva…

Muitos dizem que minha obra está composta de uma parte política e de uma parte lírica. Eu penso que vigora sempre o mesmo amor à humanidade, sob roupagens diversas: amor coletivo e amor pessoal, e não saberia dizer qual o mais importante.

O amor de Edugênia Câmara e as brigas com Tobias Barreto

Mas voltemos às minhas dores: em 1866, eu, que já era semi-órfão, tornei-me órfão por inteiro. Assisti a morte de papai em janeiro, na Bahia, durante as férias da Faculdade. Procurei não transportar o peso de tantas perdas para a minha poesia. Particularmente, achava exagerado o gosto pelo doentio que os poetas da geração anterior à minha desenvolveram. Eu queria apostar na vida, mas vivia perdendo a aposta… De vez em quando, porém, eu ganhava. E o prêmio, no caso, não foi pequeno: o amor de Eugênia Câmara.


Após um longo período de indecisões e recuos, que nunca soube com clareza se eram meus ou dela, finalmente consegui arrancá-la do empresário com quem vivia, e levei-a, junto com a filha, para morar comigo num subúrbio do Recife.

Dediquei-lhe muitos poemas, alguns recitados em público, e que, na paixão do amor ou no desespero da perda, testemunham a intensidade da nossa relação: “Dalila”, “Meu segredo”, “Amemos”, “O vôo do gênio”, “A uma atriz”, “Fatalidade”, “O ‘adeus’ de Teresa”, “O gondoleiro do amor”.

Para ela escrevi, no fim do ano, o drama Gonzaga ou a revolução de Minas, onde falo de liberdade, escravidão, traição, paixões… em suma, de tudo que atormentava ou deliciava minha existência, e se confundia com a própria Eugênia, para quem, é evidente, eu havia reservado o papel principal. Sonhava vê-la em cena interpretando meu texto com seu talento fulgurante, decerto bem superior ao da concorrente Adelaide Amaral, atriz aclamada pelo poeta Tobias Barreto.


Durante algum tempo, aliás, minha sina foi entrar em conflito com Tobias. Começamos como amigos – temos inclusive poesias dedicadas um ao outro; passamos a colegas, tornamo-nos rivais e acabamos inimigos.

Intrigas pessoais e literárias. O Tobias era feio, velho, escrevia mal e declamava pior ainda. Nos recitativos ficava nervoso, tinha um jeito desastrado, não controlava a voz. Já eu, que possuía domínio cênico, entrava vestido de negro, com uma flor na lapela, óleo nos cabelos, madeixas minuciosamente espontâneas e pó-de-arroz no rosto, para parecer mais pálido. Por modéstia, não direi que freqüentemente as moças ficavam tão próximas do delírio quanto os rapazes, da inveja.

Mas nem depois de morto eu descansei do Tobias: um historiador literário, Sílvio Romero, sergipano como o poeta, resolveu promovê-lo postumamente às minhas custas, afirmando a superioridade do conterrâneo sobre mim. Até hoje, todos só se lembram de Barreto por isso, naturalmente para discordar de Romero (aqui, sou o primeiro da fila).


Continuava devotado às causas sociais. Fundei, com Rui Barbosa e outros colegas da Faculdade, uma sociedade abolicionista e participei de um comício republicano dissolvido pela polícia, quando criei de improviso os versos de “O povo ao poder”.

No terreno sentimental — e seria desse modo até o fim – vivia em sobressaltos. A companhia teatral de Eugênia iria excursionar ao sul do país, e necessitava de sua maior estrela; nessas circunstâncias, eu não poderia acompanhá-la. Para meu alívio, Eugênia rompeu com o empresário e decidiu ficar definitivamente (até quando?) comigo. Motivado, arrematei o Gonzaga em fevereiro de 1867 e deixei o Recife, aonde nunca mais voltaria, na direção da Bahia, levando Eugênia e uma certeza: iríamos conseguir encenar o texto em Salvador.


Depois de curto período no hotel Figueiredo, instalamo-nos no solar Boa Vista, casa de minha infância, então semi-abandonada pela família. O impacto desse reencontro eu registrei no poema “A Boa Vista”. Ao lado de Eugênia, eu sentia minha carreira se fortalecer. Nesse período, esbocei A cachoeira de Paulo Afonso, que só seria publicada cinco anos após meu falecimento. Um grande sucesso foi a declamação de “Quem dá aos pobres, empresta a Deus”, numa sessão beneficente no mês de outubro, em prol das famílias dos mortos na Guerra do Paraguai.


Mas a verdadeira consagração ocorreu no dia 7 de setembro, quando finalmente subiu à cena, no Teatro São João, Teatro São João o meu Gonzaga, tendo à frente do elenco Eugênia e, no papel de Tomás Antônio Gonzaga, o esquecido Eliziário Pinto, ator e poeta, cujo belo “Festim de Baltazar” permaneceu como uma espécie de filho único do autor, reproduzido em muitas antologias do começo do século XX. Pobre Eliziário, de tanto brilho naquele 7 de setembro, e hoje sem qualquer migalha no festim da literatura…


Imaginam um autor delirantemente aplaudido após a estréia? Multipliquem por mil, e ainda será pouco. Fui chamado à cena depois de cada ato, sob estrondosa ovação. Não satisfeita, a multidão carregou-me em triunfo, sobre os ombros, até minha casa. Era a glória, mas baiana. Quem sabe eu não seria bafejado pela consagração nacional?


Decidi prosseguir os estudos de Direito, interrompidos na temporada em Salvador, na cidade de São Paulo. Incluí no roteiro de viagem uma visita ao Rio de Janeiro, onde tencionava conhecer o maior escritor brasileiro do momento, o cearense José de Alencar. Em fevereiro de 1868 já estávamos no Rio, Eugênia e eu. Munido de uma carta de Matrícula na Faculdade de Direito de São Paulo, visitei Alencar, então residindo na Tijuca, sabendo que tocava numa corda sensível do mestre: li para ele o Gonzaga.


Meu anfitrião era um obcecado pela construção de um teatro brasileiro, mesmo tendo fracassado na tentativa. Pregava um teatro baseado em nossa História – exatamente o que eu fazia, ao invocar em meu drama a Inconfidência Mineira. A receptividade foi muito boa, a ponto de Alencar encaminhar-me a outro talento que se firmava na literatura fluminense: o jovem Machado de Assis, a quem visitei no domingo de carnaval. O resultado desses encontros se traduziu nas crônicas publicadas no Correio Mercantil, a de José em 22 de fevereiro e a de Machado em 1º. de março, ambas muito favoráveis ao Gonzaga. Isso contribuiu para que, em São Paulo, minha acolhida superasse toda expectativa.


Lá cheguei em fins de março. Joaquim Nabuco, bem mais tarde, diria que eu era “o eleito da mocidade” e que representava “a dignidade e a independência das letras”. Outro colega chamou-me “mais um semideus do que um poeta”. Lúcio de Mendonça, que seria o fundador da Academia Brasileira de Letras, escreveu que quando eu me exibia à multidão “era grande e belo como um deus de Homero”


Creio que há algum exagero nisso tudo, mas, para corresponder a tanto carinho, ofereci à Paulicéia o melhor de que dispunha: meus versos. Em abril, compus a “Tragédia no mar”, que todos insistem em conhecer pelo subtítulo, “O navio negreiro”; eu recitaria esses versos no dia 7 de setembro, no Grêmio Literário da Faculdade de Direito de São Paulo. Em junho declamei, no Teatro São José, a “Ode ao Dois de Julho”, meu mais conhecido poema sobre a data, e, no mesmo mês, escrevi “Vozes d’África”. Para culminar, foi representado com o maior ator da época, Joaquim Augusto.


Tudo estaria perfeito, não fossem as cada vez mais constantes desavenças com Eugênia. Cenas violentas, ciúmes, brigas, precárias reconciliações. Sopravam-me histórias de adultério. No entanto, sei que ela me amou, como sei que, talvez, meu amor tenha sido insuficiente para sua necessidade. Não a recrimino. Em determinado momento, largou a carreira para me seguir. Agora me largava para seguir a si própria.

Abatido, desgostoso, procurei refúgio em algumas distrações: caçadas, por exemplo. Maldito dia de novembro, quando fui ao Brás. Sem querer, ao transpor uma vala, acionei o gatilho e a bala se cravou no meu pé esquerdo. Resultado: plantei ali a semente de chumbo da minha morte. Nunca me curei de todo, e à ferida do pé se acrescentaram problemas infecciosos e pulmonares. Sem Eugênia, prostrado ao leito em seis meses de sofrimento, disse adeus a São Paulo e fui tratar-me no Rio, em maio de 1869.


Os médicos concluíram que a única alternativa seria a amputação do terço inferior da perna, e eu concordei: ficaria com menos matéria do que o resto da humanidade. Ainda permaneci no Rio até o fim do ano, quando decidi retornar à Bahia. Com o navio se afastando da Guanabara, visualizei, repentinamente, duas tristezas: a da noite, que descia dos céus, e a da solidão, que subia do oceano. Entre mar e céu, vaga e vento, brotou-me um nome, Espumas Flutuantes, para assim chamar o livro que reuniria meus poemas.

Em Salvador, aquecido pela calor dos trópicos e da família, cheguei a sonhar que me curaria. Dediquei-me com afinco à preparação da obra; em fevereiro de 1870 redigi o “Prólogo”, em que aludi aos tempos felizes no Sul, à transitoriedade da dor e da alegria. Fiz questão de assinalar data e local de muitos poemas, como se, com isso, estivesse dizendo que escrevi o que a vida me ditou, e a cada dia o ditado foi diverso.


Encarreguei o amigo Augusto Guimarães de acompanhar a publicação do livro em seus detalhes: tipografia, papel, tiragem, e meti-me no interior da Bahia, de volta a Curralinho, em busca de sossego mental e regeneração física. Revi Leonídia Fraga, namoradinha de infância, que me inspirou “O hóspede”. Na Fazenda Santa Isabel dei por encerrada A cachoeira de Paulo Afonso.

Retornei a Salvador em setembro. À medida que me enfraquecia, o livro ganhava corpo: nasceu forte e belo. Em novembro despachei para o Rio os primeiros exemplares de Espumas Flutuantes. Nessa altura, a doença abandonava a marcha lenta e já galopava, feroz, no meu corpo. Recolhi-me em definitivo ao abrigo da família, e só abri uma exceção no dia 1º de fevereiro de 1871, quando, combalido, arranquei forças para declamar em público um poema em solidariedade às crianças vítimas da Guerra Franco-Prussiana.


Na minha vida pessoal, fui ainda aquinhoado com um amor diverso de todos os que até então vivera: apaixonei-me por Agnèse Murri, viúva, jovem, linda, italiana. Professora de canto e piano da mana Adelaide, foi a casta musa para quem compus “Noite de maio”, “Versos para música”, “Remorsos”, “Gesso e bronze”, “Aquela mão”, “Longe de ti”, “Em que pensas?”. Nunca foi minha, mas, na memória inesgotável do desejo, será minha para sempre.

A morte e a herança de Castro Alves

Seis de julho de 1871, três e vinte da tarde. Daqui a dez minutos vou morrer. Peço à mana que me ajude a levantar da cama, quero ir à janela e ver ainda uma vez o sol. Com grande esforço apóio-me ao parapeito; a respiração ofegante, o suor, essa dor no peito. Imóvel, sinto que a luz do sol se escurece, ou talvez seja eu que esteja escurecendo dentro do dia que insiste em brilhar. Três e meia. Castro Alves não existe mais.

Bem. E depois? Cada um seguiu seu rumo. Leonídia, por exemplo, se casou cinco anos após minha morte. O solar da Boa Vista virou hospício, e um dia internou uma mulher velhinha e doida – Leonídia. Quando faleceu, encontraram em seus pertences cópias amarelecidas de versos meus. Agnèse voltou para a Itália, e hoje em dia deve estar regendo o coro dos querubins.


Versos publicados, esquecidos, fracassados, traduzidos, improvisados, não escritos. Talvez a biografia de um poeta seja a soma de seus versos e a multiplicação de seus sonhos.

Em meio a tantas tempestades, ouso dizer que fui feliz.

Tive a bênção de ser o último poeta a casar povo e poesia, e já estava bem morto à época do divórcio.

Por isso, se ainda quiserem saber de mim, não me ouçam mais – tratem de ouvir meus versos, porque, em minha vida, eu afirmei:

Último trono – é o poema!
Último asilo – a Canção!…

Dia Internacional de Mulher


Imagem enviada pela amiga Zulma Peixoto

Queridas amigas professoras,

Segue o meu carinho a todas vocês pelo DIA INTERNACIONAL DA MULHER
NADA MAIS CONTRADITÓRIO DO QUE “SER MULHER”…

MULHER QUE PENSA COM O CORAÇÃO, AGE PELA EMOÇÃO E…

… VENCE PELO AMOR.

QUE VIVE MILHÕES DE EMOÇÕES NUM SÓ DIA E…

… TRANSMITE CADA UMA DELAS, NUM ÚNICO OLHAR.

QUE COBRA DE SI A PERFEIÇÃO E VIVE ARRUMANDO DESCULPAS PARA OS ERROS, DAQUELES A QUEM AMA.

QUE HOSPEDA NO VENTRE OUTRAS ALMAS, DÁ A LUZ E DEPOIS FICA CEGA, DIANTE DA BELEZA DOS FILHOS QUE GEROU.

QUE DÁ AS ASAS, ENSINA A VOAR MAS NÃO QUER VER
PARTIR OS PÁSSAROS, MESMO SABENDO QUE ELES
NÃO LHE PERTENCEM.

QUE SE ENFEITA TODA E PERFUMA O LEITO, AINDA QUE SEU AMOR NEM PERCEBA MAIS TAIS DETALHES…

QUE COMO UMA FEITICEIRA TRANSFORMA EM LUZ E SORRISO…

… AS DORES QUE SENTE NA ALMA, SÓ PARA NINGUÉM NOTAR.

E AINDA TEM QUE SER FORTE, DAR O OMBRO
PARA QUEM NELE PRECISE CHORAR.

FELIZ DO HOMEM QUE POR UM DIA SOUBER, ENTENDER…

…A ALMA DA MULHER!

Beijinhos e PARABÉNS para todas nós.

Aproveitem para ler o post onde falo sobre a mulher da terceira idade
Falando sobre
Cybele Meyer

Datas comemorativas – Páscoa

Mais sugestões para a Páscoa
Fonte: Cantinho Alternativo

Pode ser feito com pratinho de bolo ou EVA



Use palitos de sorvete para conveccionar estas lembrancinhas

Enfeite de porta ou sala feito em EVA ou papel


Porta-retrato feito em EVA



Coelhinho porta ovos feitos em EVA

CLIQUE NA FIGURA PARA VÊ-LA AUMENTADA

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Cartões de Páscoa

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Material:
Utilizar cartolina ou papel color set

Como fazer
As crianças devem colorir o desenho. Depois colar o desenho ou já imprimir na cartolina ou color set e recortar.
Montar a caixinha e colocar doces ou ovinho dentro

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Você pode colocar em um copo de plástico e encher de balas

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Cestinha

Enfeite de porta

Feitos com palito de sorvete

Guirlanda

Lembrancinha

Como fazer

Porta-guardanapo

Molde

Porta- treco

Contando histórias

Olá amigos professores,

Vou disponibilizar algumas histórias diferentes para serem contadas na “Hora do conto” ou nas “Rodas de histórias”
Espero que gostem!

Sambo
Fonte: Ideias e Artes

Sambo era um menino africano que completaria 12 anos.
Ele estava muito feliz, pois pela primeira vez, ganharia dinheiro e poderia ir sozinho até alguma aldeia para comprar o que quisesse e, que ficaria como recordação daquele dia tão especial!
Sambo havia sonhado muito com esse dia.
Pensava, pensava e não sabia que presente comprar.
Ele chegou à aldeia e começou a percorrer as casas de comércio, mas não encontrava nada que gostasse.
Ele queria algo que fosse útil.

Então, viu um objeto diferente. Mas que seria aquilo?
Era a coisa mais estranha e curiosa que ele já vira.
Então perguntou o nome daquilo.
- Guarda-chuva?
Repetiu ele espantando quando lhe responderam.
- Quer dizer que eu compro isso
para guardar a chuva dentro?
O homem da loja riu.
- Não rapazinho, você compra para ser guardado da chuva.
- Quer dizer que, comprando isso, poderei andar na chuva sem me molhar?
Era muito bom pensar assim, pois quando chovia as crianças da tribo tinham que ficar nas suas casas.

Sambo ficou maravilhado e comprou o guarda-chuva.
- Vai ser um sucesso na tribo, pensou ele.
Foi caminhando para casa, pensando no dia em que poderia finalmente usar o seu presente.
Olhando para o céu, viu várias nuvens escuras.
- Oba! Antes de chegar em casa poderei usá-lo.
Não demorou muito e começaram a cair os tão esperados pingos de chuva.
- Pode chover, que agora eu não me molho!
Que bom companheiro arrumei!
E ele olhava para seu guarda-chuva

Sambo caminhava e ía ficando molhado pela chuva.
- Epa, o homem da loja mentiu.
Comprei isto e ainda estou me molhando.
Algumas pessoas passavam por ele e riam.
Sambo pensou: – Será que é assim que usa?
Não, acho que deve ser de outro jeito.
Havia usado erradamente o guarda-chuva, mas agora sabia usar.
Sambo levantou o guarda-chuva acima de sua cabeça pensando que agora tinha acertado.
Mas continuava errado.
Imaginem só, ter uma coisa tão boa e útil e não saber usar!
E Sambo foi ficando bravo.
Além de se molhar, ainda riam mais dele.
Já ia voltar à loja e brigar com o dono…

Mas uma bondosa senhora o chamou e lhe disse:
“Não é assim meu filho, deixe-me mostrar a vocꔑ.
E pegando o guarda-chuva de Sambo, ela o abriu.
O menino levou um grande susto!
Mas depois sorriu…
Agradeceu muito à senhora e continuou seguindo seu caminho.

Agora sim!
Não caía uma gota sequer na sua cabeça!
Sambo seguia para casa cantarolando, muito feliz mas também envergonhado
por ter sido tão bobo.
Alguma vez já aconteceu algo parecido com você?

Comentário do Professor:
Você tinha algo, que era útil, mas não sabia usar?
(Deixe as crianças comentarem)
Vocês sabiam que muitas vezes algumas crianças
e também adultos agem do mesmo modo que Sambo?
Têm algo muito mais útil que um guarda-chuva
e não sabem usar.
Você mesmo pode ter e não estar sabendo usar.

Alegoria das Ferramentas

Fonte: Ideias e Arte

Esta história é ótima para trabalhar a autoestima!
Ilustre-a com as gravuras abaixo.

Há muito tempo atrás, em uma carpintaria, quando todo o trabalho havia acabado, as ferramentas começaram a conversar entre si.
Elas discutiam para saber qual delas era a mais importante para o carpinteiro.
O Sr. Martelo começou:
Certamente que sou Eu o mais importante para o carpinteiro! Sem mim os movéis não ficaram de pé, pois eu tenho que martelar os pregos!

O Sr. Serrote logo quis dar a sua opinião:
Você Sr martelo? Você não pode ser! Seu barulho é horrível! É ensurdecedor ficar ouvindo toc, toc, toc…
O mais importante sou eu! O serrote! Sem mim, como o carpinteiro serra a madeira?
Eu sou o melhor!

Falou a Dona Lixa:
Eu sim sou a melhor! Se não fosse eu os movéis não seriam tão lisinhos e perfeitos!
Eu sou a mais importante!

Disse a Dona Plaina:
Eu é quem deixo tudo retinho, e tiro as imperfeições da madeira.
Eu sim sou a indispensável…

Disse a Dona Chave de Fenda:
Se não fosse eu, como o carpinteiro iria apertar os parafusos?

Disse o Sr. Esquadro:
Eu sou o mais importante! Sem mim os movéis ficariam tortos! O carpinteiro nem saberia a medida.
EU sou o mais importante!

As ferramentas ficaram discutindo até o dia amanhecer…
O carpinteiro chegou para trabalhar, colocou sobre a mesa a planta de um movél
e começou a trabalhar!

Ele usou todas as ferramentas.
Usou o serrote, o martelo, o esquadro, a lixa, a plaina, os pregos, o martelo, a chave de fenda, a cola e o verniz para deixar o movél brilhando….
Enfim ele acabou.

Chegou o fim do dia o carpinteiro estava cansado, mas feliz com o que tinha feito!
Seu trabalho com as ferramentas tinha ficado ótimo!
O carpinteiro foi para casa.

Enfim, as ferramentas voltaram a conversar.
Só que agora elas ficaram admirando o que tinham feito todas juntas e o carpinteiro.
Sabe o que elas fizeram?
Uma linda arca!
E tinha ficado linda!

Elas chegaram a uma conclusão:
Todas eram importantes aos olhos do carpinteiro.
Ele usou todas! Sem exceção de nenhuma!
E o movél tinha ficado lindo!
Elas descobriram que quando todas trabalham juntas tudo anda melhor!!

Moral da história

Cabe a nós, como ferramentas, nos deixar ser usados para fazer bem a todos. Assim nos sentiremos úteis e ficaremos felizes por isso.


Boneca para montar

Fonte: Ideia e Arte

Esse recurso serve para:
- criar, montar, inventar, contar… histórias
- explicar sobre as emoções, auto-controle, boas maneiras, expressões faciais,
domínio-próprio…

CORPO DA MENINA

ASSUSTADA

EMBURRADA



FELIZ

COM RAIVA

TRISTE



CORPO MENINO



ASSUSTADO

BRAVO

CHORANDO

COM MEDO

COM RAIVA

ENVERGONHADO

FELIZ

REFLETINDO



SORRINDO

TRISTE

A GULOSA DISFARÇADA

Fonte: Canto do Conto


Era uma vez uma mulher muito gulosa, que não queria que ninguém soubesse disso. Assim, comia sempre às escondidas. Porém, como ela vivia engordando, o marido desconfiou. Um dia, ele fingiu sair de casa, mas ficou espiando pela janela.

A mulher, pensando estar sozinha, fez um bolo com uma grossa cobertura de creme e o devorou. Depois almoçou um frango ensopado inteirinho. À tarde, assou finos biscoitos e fritou uma dúzia de pastéis, deixando-os bem sequinhos, e comeu tudo, sem deixar uma só migalha.

Dali a pouco o marido apareceu.Porém, embora tivesse chovido o dia inteiro, ele não estava molhado. A mulher estranhou:

- Puxa, como é que com essa chuva tão forte, você não se molhou ?

E ele respondeu :
- Pois veja você ! Se a chuva fosse grossa como a cobertura do bolo que você devorou, eu teria ficado ensopado como o frango que você almoçou. Mas como a chuva foi fina como os biscoitos que você lanchou, eu fiquei sequinho como os pastéis que você fritou…

A mulher entendeu o recado e nunca mais fez as coisas às escondidas.
…E era uma vez uma vaca Vitória, que deu um espirro… e acabou-se a história !



VAIVÉM VAI ? (do folclore brasileiro)

Uma uma vez um marceneiro que gostava muito de dar nomes para as coisas. Nunca chamava suas ferramentas como todo mundo ; preferia chamar o martelo de bate-bate , a plaina de raspa-e-afina , o alicate de prende-e-puxa e o serrote de vaivém.

Um dia o filho do seu vizinho foi até sua oficina para pedir o serrote emprestado. O marceneiro, porém, conhecia a fama do vizinho : ele nunca devolvia o que pedia emprestado.

Então, o marceneiro disse para o menino :

-”Olhe, meu filho, diga a seu pai que vaivém só vai quando vaivém vem; se vaivém fosse e vaivém viesse vaivém ia; mas como vaivém vai e vaivém não vem… vaivém não vai !!

BATISMO DIGITAL – Minas Gerais

BATISMO DIGITAL

O governo mineiro, a promotoria pública e as lan houses promovem uma aliança inédita no Brasil para acelerar a inclusão digital, gerar empregabilidade e fomentar o empreendedorismo.

No próximo dia 7 de março, das 9 às 17 horas, milhares de cidadãos mineiros vão ter a oportunidade de ter o seu Batismo Digital com o objetivo de abrir mais oportunidades no mercado de trabalho e fomentar o empreendedorismo.

A iniciativa inédita é resultado de uma aliança entre a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), o Ministério Público e as Lan houses e vai envolver 58 Centros Vocacionais Tecnológicos, 457 Telecentros e cerca de 560 Lan houses da capital e interior de Minas Gerais.

Para marcar a impotancia e relevancia do evento, uma tenda armada na Praça da Liberdade, na capital mineira, vai disponibilizar 50 computadores e 100 agentes treinados para que os interessados em ingressar no mundo da informação digital sejam “batizados”.

A agenda do evento, inteiramente gratuita, traz uma série de oficinas realizadas simultaneamente ao batismo. Os temas abordados serão: Internet Segura; Programas de Inclusão Digital do Governo de Minas; Utilização da Web 2.0 para a promoção de Negócios e Inovação; e o papel das Lan houses na inclusão social.

O Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Duque Portugal, explica que o Batismo Digital representa um esforço conjunto do governo e iniciativa privada para estimular as pessoas a utilizar a internet, que se tornou uma ferramenta imprescindível na economia do conhecimento. “Nosso objetivo”,ressalta o secretário, “é fomentar a articulação de um processo de valorização social, econômica e política através da inclusão digital. O Batismo Digital é mais uma iniciativa nesta direção”.

Destinado a escolas municipais, público da terceira idade, pais de família, jovens e demais interessados, o batismo terá duas modalidades: 1.0, oferecendo noções básicas de uso do PC para navegantes de primeira viagem, que nunca tiveram contato com a internet; e 2.0 para aqueles que já conhecem a Web, navegam com facilidade, mas não têm tanta intimidade com as suas ferramentas e potencialidades.

Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro já realizam o evento desde 2005 por meio de uma parceria entre Comitê para Democratização da Informática (CDI) e a Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID), dentro da programação do Mês da Inclusão Digital, em março.

O Governo de Minas fez uma opção clara e estratégica pela ciência, tecnologia e inovação que se reflete, entre outros, no Programa de Inclusão Digital mineiro, o maior do Brasil, e no Programa Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados – TeiaMG -, no âmbito do qual está sendo realizado o Projeto Batismo Digital.

TeiaMG

Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados (TeiaMG) é o Programa da Sectes que visa fomentar a utilização das ferramentas da Web para impulsionar negócios, estimular o empreendedorismo e promover a inovação. O Batismo Digital oferecerá o cadastro de agentes para realizar treinamento virtual em novas tecnologias da informação e comunicação por meio da internet. Esses agentes atuarão na articulação e fomento do empreendedorismo identificando oportunidades de desenvolvimento de negócios e gerando empregabilidade.

O foco do TeiaMG são empresas, autarquias, órgãos públicos, instituições de ensino, sindicatos e associações. O projeto abrange todos os municípios mineiros e é mais um parceiro na promoção do Batismo Digital. Segundo a coordenadora do projeto em Belo Horizonte, Paula Cardoso, a inclusão digital “só tem sentido na medida em que signifique um atalho para a economia da sociedade do conhecimento”.

Lan Houses

O presidente da Associação das Lan Houses de Minas Gerais (Almig), André Rubens Simões, o evento é importante para ressaltar a imagem positiva do segmento junto à sociedade e o papel fundamental das lans na inclusão digital e social. “Cerca de 50% dos acessos à internet no Brasil são realizados pelas lan houses. É importante mudar a percepção de que esses ambientes seriam locais inseguros e usados para a prática de crimes”.

São mais de 10 mil lan houses em Minas. Por enquanto, cerca de 200 na capital e 360 no interior já se comprometeram a oferecer a sua estrutura para realizar o batismo gratuitamente no dia do evento.

Navegação Segura

Outro foco do Batismo Digital em Minas Gerais é conscientizar a população sobre os riscos da navegação na internet. O Ministério Público, por meio da Promotoria de Combate a Crimes Cibernéticos, vai oferecer palestras educativas voltadas aos pais de jovens internautas sobre os cuidados a serem tomados para evitar crimes virtuais. O conteúdo envolve a navegação em redes de relacionamento (Orkut, Facebook, Myspace, Peabirus, Via6), salas de bate-papo, envio de mensagens por e-mail e comércio eletrônico.

Serviço:

Batismo Digital em Minas Gerais

Dia: 07 de março de 2009

Local: Praça da Liberdade, Belo Horizonte – MG

Horário: 9h às 17h

Mais informações: (31) 3247 2073 – (31) 4063 9603

Batismo Digital 1.0

* Iniciação ao analfabeto digital completo.
* Introdução elementar ao manuseio do computador, focado no público de todas as idades que nunca tiveram contato com um. Sendo de especial interesse o público da terceira idade e a criança do primário.
* Introdução à nomenclatura das partes externas, manuseio do mouse, utilização do teclado para acentuação e sinais especiais (@, &, Alt gr e Afins).
* Navegação Básica, endereços eletrônicos (www, @) Buscas simples, Sites de Relacionamentos e comunicadores instantâneos.
* Tempo Estimado total da iniciação, 10 Min + 5 Min de uso assistido. (4 pessoas por hora)
* Podendo ser reduzido para 7+3 de acordo com o fluxo e demanda. (6 pessoas por hora)

Batismo Digital 2.0

* Desenvolvendo uma Navegação Aprimorada.
* Conduzir o usuário médio, minimamente iniciado, a uma navegação que potencialize sua experiencia com a web em três pilares.
* E-Gov – Introdução a sites que prestam serviços governamentais de interesse público, incluindo Detran, SSP, TJ, e tantos outros quanto possíveis ou desejáveis.
* E-Learning – Introdução a sites que contenham conteúdo de formação e educação a distância, eminentemente gratuitos, incluindo comunidades para formação para concursos públicos e cursos profissionalizantes on line, incluindo os gratuitos da FGV e outros da rede publica de Minas de interesse para divulgação.
* E-Commerce – Desmistificando o universo de comercio eletrônico, noções de cuidados Básicos, dicas e macetes.

Oficinas

* Oficina Telecentros e CVt’s: Cursos e opções que os telecentros oferecem a comunidade e onde estão localizados.

* Oficina Internet Segura: Ensinando principalmente aos adultos como proteger seus filhos de crimes digitais.

Oficina TEIA MG: Apresentação do projeto TEIA do governo do estado de Minas Gerais e cadastro de agentes TEIA. (http://www.teiamg.com.br)