Gripe “A” e a escola

Caros professores,

A escola é o lugar de onde se propõe a observação e análise da narrativa do mundo. Não há como ficar falando somente sobre o ontem enquanto o hoje está acontecendo dinamicamente.
Assim sendo, professores PAREM TUDO e vamos falar sobre a Gripe Suína também chamada de gripe A.

A revista Nova Escola disponibilizou um plano de aula entitulado:

GRIPE SUÍNA: UMA EPIDEMIA

Introdução

O tema está na mídia e os alunos devem estar trazendo para a sala de aula questionamentos sobre a gravidade da chamada gripe suína. Autoridades de saúde do mundo inteiro estão em alerta, frente ao elevado número de mortos no México e a confirmação de casos em várias partes do planeta. Neste plano de aula, sugerimos o tratamento do tema com uma boa conversa para esclarecimento sobre as causas e condições para a ocorrência de uma epidemia, além de uma atividade para dar aos alunos a noção da velocidade e da facilidade com que uma doença contagiosa pode se propagar, caso não haja prevenção.

Objetivos
Entender como atitudes individuais afetam a saúde coletiva.
Analisar e julgar ações de intervenção que visam preservar a saúde pública.

Conteúdos específicos
Saúde e prevenção de doenças.

Ano
8º ano.

Tempo estimado
Duas aulas.

Material necessário
Papéis em branco onde os alunos possam anotar nomes.
Reportagens sobre o assunto:


Desenvolvimento

Primeira aula
Inicie a aula verificando qual conceito os alunos têm de uma epidemia. Quer seja por vários filmes de “cinema-catástrofe”, quer seja pelo destaque que recebe na mídia, geralmente os alunos acham que epidemia é uma situação na qual pessoas se contaminam e aparecem mortas pelos cantos. Puro exagero.

Explique que epidemia é uma questão de números. Um aumento repentino, em um curto intervalo de tempo, da ocorrência de uma doença dentro de uma população é considerado uma epidemia.

Esse número não está estabelecido, depende de valores médios medidos em anos anteriores. Mas como fazer no caso de uma doença nova? Há que se ter bom senso para analisar os números e considerar a gravidade da doença, algo que as autoridades de saúde do mundo todo já estão fazendo neste caso.

Para introduzir a atividade sobre a transmissão da doença, converse com a turma sobre como uma doença pode se tornar uma epidemia. Os alunos não devem ter dificuldades em concluir que, para uma doença se espalhar de forma epidêmica, ela depende da presença do agente patogênico e, é claro, tem de ser contagiosa. Para aquelas que são de contágio indireto, a presença de um vetor é fundamental. No caso da dengue, por exemplo, o vetor é o mosquito. Sistemas imunes não preparados também são condição para a ocorrência de uma epidemia. Se não houve vacinação e se a população não tem contato com o agente causador da doença, o sistema imunológico não apresenta defesas.

Para exemplificar a velocidade com que, por sua vez, uma doença de contágio direto pode se espalhar proponha a seguinte brincadeira:

Os alunos deverão receber pequenos papéis e ter lápis ou caneta à mão. Explique que eles devem conversar com apenas uma pessoa por vez, cumprimentando-a e fazendo perguntas genéricas. Após um intervalo de tempo combinado previamente (15 a 20 segundos são suficientes), os alunos devem parar, se despedir, anotar o nome do amigo no papel e procurar novas pessoas para conversar, nunca repetindo a mesma pessoa. Para uma sala com 35 alunos, repita essa dinâmica 5 vezes. Será o suficiente para uma boa discussão. Se quiser animar um pouco mais a turma, ao invés de conversa, coloque música para que, no lugar de um bate-papo, os alunos dancem um pouco uns com os outros. Mas devemos lembrar que, nessa idade, eles ainda podem ter vergonha de fazer isso com facilidade.

Antes de distribuir os papeizinhos, marque um deles, no verso, com algum símbolo bem discreto, para não despertar suspeitas. O aluno que ficar com esse papel será o “portador da doença”. Após todas as rodadas, organize um círculo com a turma, para que todos possam se ver. Identifique, então, o “portador da doença” e peça para ele manter a mão erguida. Pergunte quem conversou com ele na primeira rodada. Apenas um colega deverá levantar a mão e permanecer com ela levantada. Pergunte, em seguida, quem conversou com algum dos dois na 2ª rodada; mais duas mãos serão levantadas. E assim por diante, em progressão aritmética.

Discuta, ao término da constatação, sobre a facilidade com que se propaga uma doença e como doenças diferentes, dependendo da forma de contágio, se propagam de forma mais ou menos rápida. No caso da gripe suína, o contágio é fácil e direto, mas existem aquelas que são transmitidas por água (hepatite) ou sexualmente (Aids). Em todos os casos, é possível ampliar a discussão e propor formas de prevenção.

Segunda aula
De posse de artigos ou reportagens sobre a doença, proponha uma leitura compartilhada (em pequenos grupos, se possível) e pergunte se a doença em questão se encaixa nas características de uma epidemia. Sim, é o caso: o vírus é novo, há contágio pelo ar, não há vacina e houve um número grande de registros, incluindo as mais de 140 mortes no México.

Identifique com os alunos, então, quais as medidas tomadas e qual o sentido de cada uma. Parecem razoáveis? Por quê? A única que é duvidosa é se as máscaras cirúrgicas de camada única realmente ajudam a prevenir o contágio. Os modelos com dupla camada são barreiras mais eficientes, entre humanos, no caso de doenças transmitidas por vias respiratórias. As demais orientações são para evitar a aglomeração de pessoas.

E quanto aos aeroportos? Por que a preocupação? Conte para os alunos que a doença se manifesta após dois a sete dias do contágio. Para que lugares se pode ir de avião nesse intervalo? Para qualquer lugar! É possível dar duas voltas no planeta, parando em todos os continentes!!

Avaliação
Para avaliar a aprendizagem da turma, proponha uma pesquisa sobre os casos anuais de uma doença na região (pode ser também cidade, estado ou mesmo no país) usando um bom intervalo de tempo, em anos, indicando quando houve campanhas de prevenção e vacinação. Com base nos números encontrados e tabulados, peça aos estudantes que construam gráficos e os analisem para verificar se as campanhas deram ou não resultado. Indique fontes confiáveis para obter esses números, como o IBGE, a Vigilância Sanitária e a FUNASA.

Casos de gripe suína no mundo sobem para 1.893, diz OMS

Órgão reconhece casos em 24 países, sendo que somente dois tiveram mortes pela doença, EUA e México

Fonte: Vida e Saúde – Estadão

SÃO PAULO – A OMS elevou para 1.893 o número de casos de gripe suína relatados em todo o mundo nesta quarta-feira, 6. A doença, provocada pelo vírus influenza A (H1N1), têm o maior número de casos confirmados no México, 942, incluindo 29 mortes. Os Estados Unidos já relataram 642 infectados, além de duas mortes.

Ao todo, a OMS reconhece casos em 24 países do mundo, sendo 22 sem mortes. São eles: Áustria, Canadá, China, Hong Kong, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, El Salvador, França, Alemanha, Guatemala, Irlanda, Israel, Itália, Holanda, Nova Zelândia, Portugal, Coreia do Sul, Espanha, Suíça, Suécia e Reino Unido. Os dados da OMS são um pouco menores do que a soma dos números divulgados pelos governos, e que constam do mapa do estadao.com.br, porque o órgão só atualiza suas informações depois de receber confirmação oficial.

VEJA O MAPA QUE INDICA COMO ESTÁ A GRIPE A NO MUNDO

ENTENDA A GRIPE – PERGUNTAS E RESPOSTAS

FOLHETO OFICIAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

A influenza suína é uma doença respiratória causada pelo vírus A(H1N1). Devido a
mutações no vírus e transmissão de pessoa a pessoa, principalmente por meio de tosse, espirro ou de secreções respiratórias de pessoas infectadas, o Ministério da Saúde recomenda:
A ) Aos viajantes que se destinam às áreas afetadas:
• Usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante toda a permanência em áreas afetadas. Substituir as máscaras sempre que necessário.
• Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.
• Evitar locais com aglomeração de pessoas.• Evitar o contato direto com pessoas doentes.
• Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
• Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
• Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
• Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens recentes às áreas afetadas.
• Não usar medicamentos sem orientação médica.

B ) Aos viajantes procedentes de áreas afetadas:
Viajantes procedentes, nos últimos 10 dias, de áreas com casos confirmados de influenza suína em humanos e que apresentem febre alta repentina, superior a 39ºC, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, musculares e nas articulações, devem:
• Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima.
• Informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.

Para informações adicionais sobre medidas preventivas estabelecidas pelas autoridades de saúde das áreas afetadas, acesse:INFLUENZA SUÍNAOutras informações:

Organização Pan-americana de Saúde (em espanhol)http://new.paho.org/hq/index.php?lang=esOrganização Mundial da Saúde (em inglês)http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/index.html
Influeza Suina.indd 1 4/27/09 1:24:20 AM

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Sobre a gripe suína

Fonte: Miriam Salles

Já li por ai que o “povo é histérico mesmo!” ou que o “povo está histérico” por conta das notícias sobre a gripe suína. Não concordo com o uso da palavra com o sentindo de menosprezar/ridicularizar o sentimento das pessoas.

Evidente que ainda não há motivo de pânico. Não é porque espirrei uma vez nos últimos vinte minutos que vou sair para comprar um anti-viral ou procurar o hospital da Unicamp.

Mas penso que vivemos uma situação que demonstra, mais uma vez, resultados do analfabetismo científico e a necessidade de se promover a alfabetização/letramento científico. Uma boa oportunidade para se pensar na importância de se disponibilizar as informações de forma adequada (e não apenas informar os dados) para que as pessoas não entrem em pânico ou, no outro extremo, não sigam as recomendações das autoridades sanitárias, achando que a gripe suína é apenas uma invenção dos meios de comunicação e/ou de governos para tirar o foco na crise econômica. (Sim, li isso em comentários de blogs e fiquei sem saber se era para rir ou para chorar, enfim..)

Desconfio que esse é um assunto que deva estar rondando as salas de aula. Imagino como crianças e jovens possam estar mobilizados por conta de todos esses noticiários na TV e jornais. É uma excelente oportunidade se “cultivar e exercer as práticas sociais envolvidas com a ciência; em outras palavras, fazer parte da cultura científica” e “promover do acesso ao conhecimento científico de forma a poder opinar sobre eles e utilizá-los para a resolução de problemas individuais e comunitários” (dos posts sobre Alfabetização Científica).

Ficam aqui algumas indicações, que considero as mais interessantes do que li nesses últimos dias, para que professores busquem subsídios atuais para tratar do assunto com seus alunos.

Blogs de Ciências:

1. Rainha Vermelha: O que você precisa saber sobre a gripe suína e O que torna um vírus da gripe mais letal do que outros

2. RNA[m]: Gripe suína: informação, globalização e prejuízos

3. Brontossauros no meu jardim: A gripe suína vai se tornar uma pandemia? e Novos dados sobre a gripe suína – 27/04

4. Ecce Medicus: Gripe Suína

As crianças e a gripe suína

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Fonte: Mãe com Filhos

Pode ser que seu filho, como os meus, já tenha lhe perguntado sobre o vírus A(H1N1), apelidado de Gripe Suína. Aqui em casa este assunto veio à tona e nós pesquisamos na web, além de conversarmos com alguns amigos ligados à área de saúde.

Ontem o Roda Viva, programa da TV Cultura de São Paulo, entrevistou Luiz Roberto Barradas, Secretário de Estado da Saúde de São Paulo. O tema foi gripe suína, assunto que tomou conta dos noticiários e que, embora esteja longe do Brasil, acaba na mesa das famílias brasileiras.

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1, e ganhou este nome por causa do tipo de proteína externa que possui, as proteínas H e N do tipo 1 são as mais comuns em vírus que circulam em porcos – e este texto sobre influenza explica a sigla. O H1N1 atual vem de dois vírus de porcos mesmo, um das Américas e outro da Europa e Ásia. No entanto, não há registro de contágio por animais ou o consumo de carnes – e é comprovado que a temperatura de cozimento, acima de 71ºC, destrói os vírus e as bactérias.

Conversei com o cientista Átila Iamarino, pesquisador da USP na área de HIV, e ele desmistificou algumas informações para mim. Como acontece frequentemente nas viroses, o contágio se dá por via aérea, de pessoa para pessoa, por meio de espirros e tosse. Por isso nas imagens da TV os mexicanos usam máscaras e fala-se em evitar multidões em lugares fechados. Embora o uso de máscara não seja garantia de proteção, lavar as mão com frequência tem um efeito mais comprovado, já que evita que se a mão entre em contato com o vírus e com mucosas como o olho e nariz, regiões sensíveis. Os sintomas são de gripe e incluem febre acima de 39°C, falta de apetite e tosse. No entanto, quem pode diagnosticar é um médico e recomenda-se evitar a automedicação pelos mesmos motivos que no caso de Dengue, os medicamentos de gripe podem mascarar os sintomas. A maior preocupação atualmente não é com a severidade da gripe em quem for infectado, mas sim com a quantidade de pessoas que o vírus pode atingir. Quando se fica gripado, o corpo desenvolve imunidade contra aquele tipo de vírus, e como este H1N1 é novo entre humanos, e não há imunidade nenhuma na população.

Se você quer saber mais, indico os blogs de dois cientistas brasileiros que são sérios e cujos textos são aprofudados sem se perder numa linguagem distante dos leigos. Átila Iamarino fez um post muito bom em seu blog Rainha Vermelha revivendo a história deste vírus. E o Dr. Carlos Hotta, dono da rede Science Blogs Brasil, em seu blog Brontossauros no meu jardim, fez há alguns dias uma crítica aberta ao alarmismo exacerbado em torno do tema. Sem deixar de exortar que todos estejamos preparados e alertas, ele pede que todos prestemos atenção aos falsos-positivos e falsos-negativos.

Na dúvida, procure sempre um médico. E para se informar, busque sites confiáveis, como o do Ministério da Saúde.

Samantha Shiraishi

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Vídeo gravado em 26 de abril

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