Artigos de Johanna M. Franco

Fonte: Terapia Ocupacional Coordenação Motora Fina

Preensão e Pinça

Preensão: ato segurar,agarrar,pegar objetos de tamanhos e formas diferentes.

A função básica da mão consiste na preensão,de forma correta,dos vários objetos nas atividades vida diária(higiene,alimentação e vestuário)
e atividades de vida prática(brincar,lazer,escola/trabalho).

Padrões de preensão – A preensão consiste na principal função da mão.
A análise da complexidade dos movimentos da mão permite a compreensão de duas preensões básicas -a preensão global e pinça – que por sua vez se dividem.

Neste tipo de preensão, a palma da mão serve de plataforma oposta dos
dedos fletidos. É constituída pela:

-Preensão cilíndrica-que constitui a preensão mais primitiva.
Ex:segurar a mamadeira(6-7 meses),segurar um copo.

-Preensão em bola

-Preensão em gancho-esta consiste numa preensão realizada inteiramente pelos dedos, com a excepção do polegar, e é utilizada,normalmente, para carregar objectos mais pesados.



A Pinça

A pinça da mão humana adquire-se, principalmente, com a habilidade de segurar os objetos entre o polegar e o indicador. Esta posição permite as performance em atividades de destreza. Existem três tipos de pinça:

Pinça Fina(polpa dos dedos indicador e polegar)

Trípude



Pinça lateral

O DESENVOLVIMENTO DA PREENSÃO

A capacidade manual desenvolve-se, gradativamente, através dos sistemas sensório-motores. Um bebê adquire a precisão da pinça fina(indicador e polegar) até cerca de 12 meses de idade.
O desenvolvimento segue uma seqüência ordenada e previsível baseada no amadurecimento neurológico e nas oportunidades oferecidas ao bebê. Para observar a preensão deve-se criar um ambiente que permita que a criança inicie e organize movimentos propositais para um aprendizado motor.Exemplo:vários brinquedos formas,tamanhos,pesos e espessuras diferentes.
A preensão não é um ato isolado, mas sim dependente, entre outros fatores,da percepção visual e da capacidade motora global da criança.
Podemos dividi-lo em três partes:
– o reflexo de preensão
– o alcance
– a preensão propriamente dita

O reflexo de preensão
O reflexo de preensão é definido como sendo qualquer estímulo dado na palma da mão ou na face palmar dos dedos, provocando o fechamento da mão. Presente em praticamente todos os bebês recém-nascidos, ele fica mais forte aproximadamente aos 30 dias de idade. Tende a diminuir e desaparecer após os primeiros meses (entre 3 e 4 meses de idade).

O alcance (ou aproximação)
O alcance é a trajetória executada pelos membros superiores na direção de um objeto.
Nesta fase entre 3 a 4 meses, é importante que os móbiles estejam localizados na altura do peito (esterno) de tal forma que, quando a criança em supino (deitada de barriga para cima) traz seus braços para a linha média ao acaso, estes esbarram no brinquedo. começa a desenvolver no bebê noções de atenção visual, coordenação motora, repetição do movimento, noção de profundidade, distância e outras.

A preensão propriamente dita
A preensão é dividida em 4 períodos, sendo considerada preensão propriamente dita quando o objeto é apreendido com a mão.
1º período:(4 meses)-Esta preensão é feita pelos três últimos dedos contra a palma da mão. Enquanto no alcance foi enfatizado a localização do brinquedo, aqui, o aspecto importante é o seu tipo. Suas características seriam cores contrastantes, com brilhos variáveis para facilitar a atenção visual; texturas variáveis estimulariam o sentido tátil e sensorial; sons da voz humana até sons emitidos por brinquedos de sopro, corda e outros, são importantes para que a criança vire a cabeça para a fonte sonora e, caso a mão e o brinquedo estejam no seu campo visual, possa alcançá-lo e pegá-lo, estando ele no tamanho adequado.

2º período:(5 a 6 meses)-Quando o bebê quer pegar um objeto pequeno (6 meses), ele raspa a superfície da mesa com os quatro últimos dedos como um rastelo. É importante que o brinquedo oferecido seja constituído de vários tamanhos, texturas, formas e cores diferentes, permitindo que o bebê o segure com seus dedos contra a palma de sua mão, balançando-o, levando-o à boca e jogando-o para o chão, desenvolvendo, desta forma, as noções de percepção de peso, de distância, de posição e outras. Nesta fase, os bebês começam a passar o objeto de uma mão para outra, de uma forma não especular, simétrica, ou seja, cada mão executa uma ação de modo dissociado.

3º período:(7 a 8 meses)- Passa o objeto de uma mão para outra.Mantém um objeto em cada mão. Ocorre o início do jogo manipulativo. Abre a mão quando o objeto entra em contato com uma superfície firme. Brinquedos que possam ser batidos um contra o outro; com corda para ser puxada e com circunferências menores e mais finas são indicados para esta idade.

4º período:(9 meses em diante)desenvolvimento da preensão nesta fase são: materiais mais maleáveis com texturas diferentes, incluindo alimentos para serem levados à boca; brinquedos com buracos e saliências para explorar; folhear revistas, livros; objetos pequenos, como cereais, fios de espessuras diferentes para pegar e soltar; brinquedos que propiciem movimentos repetitivos de soltar, tais como: blocos, caixas (com e sem tampas), bolas de tamanhos diferentes. Este conjunto propicia o amadurecimento global da criança e, principalmente, a dissociação dos dedos e o força muscular necessária para a apreensão daquele objeto específico.

Em resumo: do quarto ao sétimo ou oitavo mês, a preensão é essencialmente palmar(palma da mão). A pinça(dedo indicador e polegar)se efetua apenas no final do primeiro ano.
Este fato, além de ter grande significado motor, constitui um acontecimento importante;até então, o bebê levava todo objeto à boca. A riqueza das terminações sensitivas das mucosas bucais permitiam uma “informação do mundo externo”.De agora em diante, a criança poderá explorar a constância, a forma, a superfície, a temperatura dos objetos e do seu próprio corpo com a ponta dos dedos, e com a ajuda da visão, criar verdadeiros engramas que precedem os símbolos lingüísticos da fase seguinte.

Quando encaminhar para Terapia Ocupacional Pediátrica?

Se a criança apresentar qualquer uma das a características abaixo e se esses problemas estão interferindo em seu desempenho escolar,em casa,nas atividades de vida diária ou no brincar.O médico ou professor deve encaminhar para um profissional da saúde Terapeuta Ocupacional.

-A criança pode parecer desajeitada ou incoordenada em seus movimentos.
Ela pode trombar,derramar ou derrubar coisas.
-A criança pode ter dificuldade com habilidades motoras finas
(usando as mãos ou ambas)
-A criança pode ter atraso no desenvolvimento de certas habilidades motoras,tais como:agarrar bola,manejar faca e garfo,abotoar a roupa e escrever.
-A criança pode apresentar discrepância entre suas habilidades motoras e habilidades em outra áreas.Por exemplo,as habilidades intelectuais e de linguagem podem ser altas,enquanto as habilidades motoras atrasadas.
-A criança pode ter dificuldade para aprender habilidades motoras.
-A criança pode ter dificuldades com atividades que requerem mudança constante na posição do corpo.(futebol,tênis ou pular a corda)
-A criança pode achar dificeis as atividades que requerem o uso dois lados do corpo(recortar com tesoura,cortar alimento usando faca e garfo,fazer polichinelo)
-A criança pode apresentar equilibrio pobre e/ou evitar atividades que requerem esta habilidade.
-A criança pode ter dificuldade em escrever
-A criança pode ter dificuldades na organização dever de casa ou mesmo do espaço da página.
-A criança pode ter dificuldade para completar o trabalho dentro de um espaço de tempo normal.Uma vez que as tarefas requerem muito mais esforço,ela pode ficar mais inclinada á distração e tornar-se frustrada com uma tarefa rotineira.

Criança pode apresentar alguns sinais discretos de transtorno de processamento sensorial que são indícios de uma dificuldade específica que afetam as habilidades da criança em fazer o que quer ou necessita realizar. Se a criança apresenta vários comportamentos como os descritos abaixo, podem ser encaminhadas para uma avaliação, onde a terapeuta traça o perfil sensorial da criança e elabora um programa de tratamento específico para ela.

-Crianças que evitam ser tocadas o tempo todo, que se afastam antes do toque ocorrer ou que evitam qualquer atividade que envolva toques
-Crianças que tocam tudo que encontram pela frente, passam a mão pelos corredores, paredes e todas as superfícies
-Crianças com dificuldades em determinar a mão dominante ou por vezes parece trocar a dominância de acordo com a localização do objeto a ser manipulado
-Crianças com sensibilidade excessiva a certos tipos de roupas
-Crianças que apresentam choro excessivo ao serem movimentadas ou locomovidas
-Crianças que tem aversão a atividades com água, como tomar banho, lavar o rosto, lavar as mãos
-Crianças que tem aversão a determinadas texturas de alimentos e são muito seletivas na alimentação
-Crianças que sentem enjôo ou mesmo ânsia ao andar de carro ou em veículos em movimento
-Crianças que não suportam ser abraçados, embalados, carregados no colo
-Crianças que mordem ou gostam de ser mordidas
-Crianças que parecem ter uma atenção diminuída e tem dificuldade em realizar uma atividade do início ao fim
-Crianças que detestam brincadeiras de movimento ou não suportam o playground
-Crianças com dificuldades em correr, pular, saltar, atirar objetos em alvos parados ou móveis
-Crianças com dificuldades em realizar atividades de colagem, argila, massinha, tintas
-Crianças com medo de ser virada de costas ou de cabeça para baixo, com medo de cair ou que não gostam de tirar os pés do chão
-Crianças desorganizadas, que não conseguem seguir programas ou etapas de ação, não aceitam regras e confundem-se facilmente ao realizar uma atividade nova
-Crianças que não ficam tontas facilmente e que podem girar por muito tempo sem se desequilibrar ou cair
-Crianças que não conseguem manter a atenção sem que estejam se movimentando, ou se balançando
-Crianças com dificuldade de manipulação de objetos, na coordenação da escrita, no traçado das letras, na junção das sílabas, na coordenação motora global (do corpo), nos jogos de interação
-Crianças com atraso do desenvolvimento sem comprometimento neurológico aparente
-Crianças que parecem não brincar, não manipulam objetos, tendem a brincar sempre da mesma forma com um mesmo objeto, não exploram e não criam brincadeiras.



Desenvolvimento Motor e perceptivo


Todo movimento voluntário envolve um elemento de percepção. Desde o nascimento, as crianças aprendem como interagir com o seu ambiente e essa interação é um processo perceptivo e, também, motor.
Aos dois anos os aspectos anatômicos e fisiológicos dos olhos estão completos, mas as habilidades perceptivas não estão completas. As crianças pequenas são capazes de fixar os olhos em objetos,acompanhá-los e fazer avaliações de tamanho e forma, contudo precisam de muitos refinamentos.

O desenvolvimento motor é influenciado pela acuidade visual, a percepção de imagens em nível plano, a percepção de profundidade e a coordenação visual-motora.

As habilidades visual-perceptivas em crianças são restritas se comparadas às dos adultos. Esse processo não é totalmente inato, portanto quanto mais experiências de aprendizado motor perceptivo tiverem mais fácil será desenvolver certa plasticidade de reação à várias situações motoras. Restrições ambientais podem atrasar o aprendizado motor-perceptivo das crianças.

Percepção significa saber ou interpretar informações, é o processo de organizar informações novas com informações já armazenadas, o que leva a um padrão de reação modificado.
O desenvolvimento motor perceptivo pode ser descrito como um processo para se obter especialização crescente e habilidade funcional que funciona em um ciclo:

Informações sensoriais – recepção de estímulos (visuais, auditivos, táteis…)
Integração sensorial – organização desses estímulos na memória.
Interpretação motora – tomada de decisão baseada na combinação de informações presentes e da memória.
Ativação motora – execução do movimento.

Aqui vão algumas dicas que podem ajudar a perceber se seu filho apresenta algum disfunção de percepção motora.

– Acuidade visual: habilidade de distinguir detalhes em situações estáticas e dinâmicas.
– Percepção figura-fundo: habilidade de separar um objeto do que está à sua volta.

– Percepção de profundidade: habilidade de julgar a distância relativa a si mesmo.

– Coordenação visual e motora: habilidade de integrar o uso dos olhos e das mãos para acompanhar e interromper a observação de um objeto.

Se seu filho apresenta alguns dos aspectos abaixo procure a orientação de um profissional especializado em crianças.

1. Tem dificuldade em atingir ou manter equilíbrio
2. Parece desajeitado
3. Não consegue conduzir bem o corpo em movimento
4. Parece desajeitado em situações que requerem coordenação
5. Não distingue prontamente direita de esquerda
6. Troca letras e números com freqüência
7. Tem dificuldades de fazer alterações no movimento
8. Tem dificuldade de fazer combinações de movimentos simples
9. Colide com objetos e outras pessoas
10. Tende a ser propenso a acidentes
11. Tem coordenação olho-mão insuficiente
12. A aparência geral é pobre
13. É desatento
14. Tem dificuldades de se comunicar
15. Postura corporal pobre
16. Tem dificuldades de lidar com escadas

COORDENAÇÃO MOTORA GROSSA E FINA

A coordenação motora da criança é estimulada desde cedo, mesmo que involuntariamente, ou seja mesmo que os pais não tenham esta consciência. Através de movimentos com as mãozinhas para pegar objetos, depois os primeiros passinhos, o rastejar no tapete, tudo isso engloba o desenvolvimento da coordenação motora.
Já em fase pré-escolar a coordenação é ‘treinada’ em atividades especificas para a idade, como exercicios motores de desenhos, simbolos, etc.
Para compreender melhor o significado da coordenação motora veja abaixo uma explicação mais detalhada:

Coordenação motora é a capacidade de coordenação de movimentos decorrente da integração entre comando central (cérebro) e unidades motoras dos músculos e articulações.

Classifica-se a coordenação motora em dois grupos:

– Coordenação motora grossa
Este tipo de coordenação permite a criança dominar o corpo no espaço, controlando os movimentos mais rudes.
Ex: andar,correr,saltitar,pular,subir/descer escadas,rastejar, etc.

– Coordenação motora fina
É a capacidade de usar de forma eficiente e precisa os pequenos músculos, produzindo assim movimentos delicados e específicos. Este tipo de coordenação permite dominar o ambiente, propriciando manuseio dos objetos. Ex:escrever,pintar,desenhar,recortar,encaixar,
montar/desmontar,empilhar,costurar,abotoar/desabotoar e digitar.

2 thoughts on “Artigos de Johanna M. Franco

  1. meu filho tem 10 anos e uma letra td tremida fala q nao consegui escrever rapido nao consegui segurar o garfo com esse movimento de pinça e é desatento ele e desajeitado tbm estou tao preocupada dele nao conseguir acompanhar a 5° serie espero a sua opiniao ´muito important pra mim
    obrigado

    Cybele Reply:

    Olá Maria, tudo bem?

    Sugiro que você estimule algumas brincadeiras para que seu filho desenvolva esta habilidade. Jogar bolinhas de gude é um excelente exercício para desenvolver o movimento de pinça. Futebol de botão também auxilia bastante. Outro exercício bem eficaz é fazer bolinhas de papel crepom usando o polegar e o indicador. Diga a ele que você precisa fazer um trabalho que vai envolver muitas bolinhas de crepom e que você precisa da ajuda dele. Todos estes exercícios/brincadeiras ajudam a desenvolver a pinça e também a segurança dos movimentos.
    Depois nos conte os resultados, ok!
    Boa sorte!
    Com carinho

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