A Escola e a Copa do Mundo

Este ano teremos Copa do Mundo e é um ótimo pretexto para trabalharmos com nossos alunos sobre a importância do esporte no desenvolvimento social, intelectual, físico e emocional.

A Revista Nova Escola publicou este mês dicas de como trabalhar inclusive a influência africana no nosso desenvolvimento.

Fonte: Revista Nova Escola


Em junho de 2010 começa a Copa do Mundo na África do Sul. Aproveite o maior evento de futebol do planeta para tratar não apenas do esporte, uma das grandes paixões brasileiras, mas também das nossas raízes culturais africanas e do respeito à diversidade.

Futebol na escola

A seleção brasileira na Copa do Mundo – Linha do tempo

Realizada desde 1930, a maior competição do futebol mundial vai tomar conta do país a partir de junho. Conheça a história do torneio e a participação do Brasil no campeonato.

Paixão nacional, o futebol não deve ficar restrito às quadras e ao horário do recreio durante a competição. Passados 80 anos desde o primeiro campeonato, não faltam histórias sobre o torneio vencido cinco vezes pelo Brasil.

1905
A Fifa, Federação Internacional de Futebol, propôs a competição. No entanto, a ideia não despertou o interesse de nenhum país. Uma nova tentativa foi feita nove anos depois, mas nem desta vez o campeonato mundial emplacou, por causa da Primeira Guerra Mundial, que estava começando e se estenderia por quatro anos.

1930
A primeira Copa do Mundo aconteceu em Montevidéu, no Uruguai. Quatro países europeus e nove sul-americanos participaram da competição, vencida pelo dono da casa. Na final, a seleção uruguaia derrotou a argentina pelo placar de 4 a 2. Nesse primeiro mundial a participação do Brasil foi um grande fiasco. Nossa seleção não passou da primeira fase.

1934
Na Copa realizada na Itália, o Brasil teve o mesmo fraco desempenho.

1938
O Brasil fez uma boa campanha na França e, pela primeira vez, o torneio mobilizou o país, que torcia acompanhando os jogos pelo rádio.

1950
Por causa da Segunda Guerra Mundial, a competição ficou suspensa por 12 anos. Os países europeus ainda sofriam os efeitos do conflito e o Brasil foi a sede do evento. Jogando em casa, nossa equipe fez ótima campanha e chegou à final contra o Uruguai precisando apenas de um empate. Mas, em pleno Maracanã, diante de 200 mil torcedores, a seleção canarinho fracassou.

1958
Presente em todas as copas, o Brasil ganhou seu primeiro título na Suécia. Foram convocados Pelé, Garrincha e até Zagallo, antigo técnico da seleção.

1962
A seleção brasileira conquistou o bicampeonato no Chile.

1970
No México, veio o tri para a seleção brasileira.

1994
Depois de 24 anos de jejum, nosso time levantou a taça pelo tetracampeonato após uma emocionante disputa de pênaltis contra a Itália, nos Estados Unidos.

1998
O Brasil chegou à final, mas perdeu para a França, pais-sede do torneio.

2002
Na Copa realizada no Japão e na Coreia do Sul, sob comando do técnico Luiz Felipe Scolari, o time saiu invicto da competição, conquistando o pentacampeonato.

2006
Na Copa da Alemanha, a campanha brasileira deixou a população frustrada. A seleção perdeu novamente para a França, dessa vez nas quartas-de-final.

2010
O Brasil joga em busca do hexacampeonato na África do Sul, primeiro país africano a sediar a competição.

Futebol: um jogo de cooperação e respeito

Brasil x Alemanha na final da Copa de 2002. O placar marca 1 x 0 para o Brasil. No segundo tempo, Rivaldo recebe um passe de Gilberto Silva na entrada da área. Numa jogada ensaiada, o atacante engana a zaga adversária, deixando a bola passar por entre as pernas e… gooool de Ronaldo! Rivaldo poderia ele mesmo ter finalizado a jogada. Ficaria com os louros por ser o autor do chute que fez nossa seleção ser pentacampeã. Mas não hesitou em dar preferência ao companheiro, que estava mais bem posicionado. A cena remete ao quarto gol da final de 1970, quando o Brasil ganhou de 4 a 1 da Itália. Até chegar à rede, a bola passou pelos pés de quase todos os jogadores do time.

Essa é uma lição que todas as seleções campeãs têm para dar: em jogo de equipe, ninguém ganha sozinho. Diferentemente dos treinos esportivos profissionais ou amadores – cujo objetivo é melhorar o rendimento de cada atleta e aprimorar a performance do time para vencer qualquer partida -, as aulas de Educação Física têm como uma das principais metas despertar nos alunos o senso de igualdade e solidariedade.

Em quadra, é importante ajudar a turma a derrubar dois mitos: o primeiro é pensar que futebol é coisa de homem. Boleiras como a alemã Birgit Prinz (eleita três vezes consecutivas a melhor do mundo), a brasileira Delma Gonçalves, a Pretinha (veterana da Copa do Mundo feminina, convocada para jogar nas quatro edições do campeonato), e Marta Vieira da Silva (uma das melhores canhotas do país) estão aí para provar o contrário. Sem contar o time das norte-americanas, único bicampeão mundial. A Federação Internacional de Futebol Association (Fifa) organiza desde 1991 a Copa Feminina – a primeira foi na China. O torneio se realiza de quatro em quatro anos, tem a participação de 16 países e é acompanhado por mais de 500 milhões de espectadores no mundo todo. O segundo mito é o que diz que as pessoas portadoras de deficiência não têm habilidade para os esportes. Elas não só praticam quase todas as modalidades como jogam futebol (e bem) em campo e em quadra. Tanto é assim que a seleção brasileira de futebol de 5, jogado por atletas com deficiência visual, tem um título que o time principal (aquele dos Ronaldos) nunca conquistou: o de campeão olímpico. Pela primeira vez nos Jogos Paraolímpicos de Atenas, em 2004, a equipe verde-e-amarela papou uma medalha de ouro. E não parou por aí. O time de futebol de 7, cujos jogadores têm paralisia cerebral, ficou com a medalha de prata no mesmo campeonato. Palmas para os paraolímpicos do Brasil.

Plano de aula 5ª a 8ª série

Os times aqui são mistos

1. Comece a aula explorando as diversas maneiras de jogar futebol (de campo, society, de salão). Pergunte o que os alunos sabem sobre cada modalidade e que regras conhecem. Qual a diferença entre o futebol amador e o profissional? Tire as dúvidas da turma e informe, caso ninguém se lembre, que o esporte também é praticado por mulheres e pessoas com deficiência física.

E já avise que meninos e meninas vão entrar em campo juntos. Em seguida, pergunte quem já pratica o esporte. Com quem a garotada costuma jogar e onde?

2. Antes de começar a partida, organize um exercício de passe para verificar as habilidades de cada um. Todos ficam em círculo e trocam passes. Se houver crianças com deficiência no grupo, peça que todos pensem em maneiras de incluí-las e ajudá-las. Esse é um passo importante para a determinação de regras. Quem não consegue chutar a bola, por exemplo, pode recebê-la e jogá-la com as mãos. Se um aluno tem dificuldade para correr, os colegas podem estabelecer uma velocidade similar à dele no jogo.

3. Forme duplas mistas, mesclando as habilidades: um que bate de direita com outra que bate de esquerda; quem tem o chute mais fraco com alguém que chuta forte. Separe as duplas em dois times. De mãos dadas, meninos e meninas vão compartilhar as funções durante o jogo. Se houver um estudante com deficiência, deixe a dupla de que ele faz parte num lugar determinado, como o ataque, e oriente as outras duplas a passar a bola para esses colegas. No time adversário, uma dupla deve assumir a mesma função.

4. Você pode também criar outra modalidade, em que um integrante de cada dupla tem os olhos vendados. Se houver uma criança com deficiência visual na turma, coloque-a com um colega vidente. Quem enxerga recebe a bola e toca para o parceiro fazer o passe. Para os alunos que não enxergam se orientarem, a bola deve conter guizos.

CONSULTORIA:
Antônio de Pádua dos Santos, João Carlos Neves de Souza e Terezinha Petrucia Nóbrega, professores de Educação Física em Natal, e Eliane Mauerberg de Castro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP)

Inclusão

Deficientes e eficientes

Para incluir estudantes com diferentes tipos de deficiência nas atividades esportivas é necessário…
Observar a capacidade e habilidade motora deles.
Conhecer as limitações de cada um e consultar um especialista para garantir a segurança durante as aulas.
Criar tarefas que permitam o máximo de socialização entre todos.
Organizar atividades em que eles possam usar os aparatos que fazem parte de sua rotina (cadeira de rodas, bengala etc.).
Prezar pelo sucesso de todos valorizando o que eles conseguem fazer no jogo.

Mulher no gramado

O primeiro jogo feminino de que se tem notícia no Brasil foi disputado em 1913, em São Paulo. Na década de 1980, surgiram as primeiras equipes profissionais.
A seleção dos Estados Unidos (foto) é a única bicampeã mundial. Venceu a Noruega em 1991, na China, com um recorde de 25 gols marcados.
O segundo título veio em casa, em 1999, numa decisão contra a China.
A seleção brasileira feminina de futebol ficou em terceiro lugar na Copa de 1999, mas foi desclassificada pela Suécia na mais recente edição do evento, em 2003.

Bate-bola nas Paraolimpíadas

Os primeiros Jogos Olímpicos para atletas com deficiência foram organizados em Roma, em 1960, com cerca de 400 participantes de 23 países.
O futebol de 5 é praticado em quadras de futebol de salão por jogadores com deficiência visual. A bola tem guizos.
O futebol de 7 é jogado em campo de society por atletas com paralisia cerebral. Não existe impedimento e o arremesso lateral pode ser feito com uma ou as duas mãos.

Tudo começou na escola

O campo de futebol e a sala de aula podem parecer dois universos distintos, mas foi exatamente nos colégios da Inglaterra que as primeiras regras do esporte foram criadas, no século 19. No Brasil, os padres jesuítas do Colégio São Luís, em Itu (SP), já incentivavam a prática do ludopédio em 1880. “A escola foi a primeira instituição a perceber que o futebol tem uma ordem e uma disciplina peculiares. Por isso, sua prática contribui para a formação do cidadão”, lembra Alcides Scaglia, da Universidade Estadual de Campinas.

Muitos aspectos da vida cotidiana podem ser explicados com base no jogo. “A ética – tema transversal importantíssimo – é o tópico mais apropriado para discutir com a turma neste momento”, diz José Paulo Florezano, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Basta lembrar que o primeiro passo é acatar as regras. Craques como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Ronaldo e Robinho somam o talento pessoal e a dedicação a uma postura de companheirismo com relação aos outros membros de equipe, sem jamais humilhar ou agredir os adversários. Os atletas também devotam enorme respeito aos técnicos, tanto que costumam chamá-los de professor!

Nos estádios, porém, têm aflorado traços nada nobres do comportamento humano, como o racismo e a xenofobia (nas arquibancadas da Europa, torcedores já foram flagrados imitando sons de macacos e fazendo saudações fascistas, entre outras barbaridades). Segundo João Paulo Streapco, mestrando em História do Futebol na Universidade de São Paulo e professor de Ensino Médio na capital paulista, é saudável ressaltar em sala de aula a importância e o talento de atletas negros, como Leônidas da Silva, o Diamante Negro; Didi, o inventor da folha-seca; Garrincha, o Anjo das Pernas Tortas; e Pelé, eleito atleta do século 20 e aclamado por todos como simplesmente o Rei.

Nas últimas décadas, diversas áreas do conhecimento desenvolveram estudos para esquadrinhar a paixão do brasileiro por futebol e desvendar como ele ajuda a explicar nossa identidade como nação. Algumas dessas novidades estão nos planos de aula a seguir.
Bate-bola sobre a Copa do Mundo na escola

Esportes, como futebol, podem ser usados para ensinar Matemática?

Campeonato Brasileiro pode servir de base para problemas envolvendo diferentes conteúdos

Todas as competições esportivas têm sistemas de pontos e classificações que podem fazer parte das aulas de Matemática. Uma sugestão é discutir com os alunos o Campeonato Brasileiro de futebol, que está começando e pode render aulas bem animadas. Confira a seguir alguns conteúdos de Matemática que podem ser abordados a partir do futebol:

– Tratamento da informação
O campeonato possibilita que os alunos utilizem dados de vários tipos de tabela. É interessante começar com uma tabela simples. A partir dos resultados da rodada (divulgados em jornais e na TV), peça que os alunos montem uma tabela que liste o nome do time e quantos gols fez (ou quantos pontos marcou). Também é possível pedir que eles relacionem os artilheiros e quantos gols cada um fez.

– Comparação numérica

A partir dos dados da tabela, os alunos podem comparar os resultados de cada time ou jogador. Peça que, agora, eles organizem a tabela em ordem crescente – qual time ou qual artilheiro fez mais gols? Quem está em segundo e terceiro lugares?

– Multiplicação

A organização da tabela de jogos pode render bons problemas de multiplicação (combinatória). Seguem dois exemplos que você pode propor:

1 – No Campeonato Brasileiro, 20 equipes disputam o título e cada time joga duas vezes contra todos os adversários. Quantos jogos cada time disputará?

2 – Se 20 equipes disputam o Brasileirão e cada uma delas joga 38 jogos, quantas vezes um time irá jogar contra cada adversário?

No primeiro problema, a resposta imediata dos alunos pode ser 40 jogos. Nesse momento, é interessante discutir o resultado com as crianças, até que elas cheguem à conclusão de que o resultado deve ser 38, como os times não jogam contra eles mesmos.

– Adição e subtração
Com base na tabela da soma de pontos ou dos gols de cada artilheiro, é possível montar problemas de adição e subtração. Observe os exemplos:

1 – No Campeonato Brasileiro um time marca 3 pontos se vence o jogo, 1 ponto se empata e 0 se perde. O Flamengo, que está em primeiro lugar, tem 25 pontos e o Corinthians, 18. Quantos jogos o Corinthians precisa vencer para ser o primeiro colocado?

2 – Ronaldo, do Corinthians, marcou 12 gols e Washington, do São Paulo, 8 gols. Quantos gols Washington precisa marcar para ser o artilheiro do campeonato?

Educação Física

Futebol para todos

Objetivos

* Compreender o futebol como forma de expressão de grupos sociais.
* Vivenciar jogos com a bola no pé.
* Conhecer e recriar as regras da modalidade.

Conteúdos

* História do futebol no Brasil.
* Preconceito de gênero, etnia e classe social.
* Jogos com bola.

Anos
1º ao 5º.

Tempo Estimado
12 aulas.

Material necessário
Bolas.

Desenvolvimento
1ª ETAPA Pergunte quantas formas de futebol a meninada conhece. Proponha uma alternativa: o futebol de mãos dadas. Observe se houve exclusão e incentive modificações para que todos joguem.

2ª ETAPA Recrie a história do futebol no Brasil, pontuando que, no passado, muitos não podiam praticá-lo: negros, mulheres, pessoas com deficiência. Peça uma pesquisa com entrevistas: mães ou avós jogavam? E funcionários mais idosos? Discuta os resultados.

3ª ETAPA Apresente fotos com variações da modalidade (de salão, de praia etc.) e introduza o futebol em miniquadras. Coloque dois gols a cada meia quadra e estimule a garotada a criar regras.

Avaliação

Observe as contribuições nas reflexões em grupo e a participação nas aulas práticas. Atente para a evolução de cada um no jogo e verifique a atuação dos menos participativos: veja se tiveram o direito a voz para expor problemas.

A Matemática do futebol

O campo de futebol e a tabela rendem aulas de geometria e de probabilidades

Boa parte da turma nem imagina quanta Matemática existe nos jogos de futebol. Ela está presente na elaboração das tabelas de jogos, na geometria do campo e nas diversas estatísticas, que permitem avaliar o desempenho de cada time – média de gols, número de passes errados ou certos etc. Sem perceber, os jogadores fazem cálculos mentais para estimar a distância em que está o companheiro e a força que precisa ter o chute para a bola.

Os técnicos, por sua vez, definem táticas em que estabelecem áreas no gramado para cada membro do time atacar ou defender. Enfim, há inúmeras possibilidades de aproveitamento dos jogos da copa. O plano de aula a seguir concentra-se em duas alternativas de exploração desse tema: trabalhar figuras geométricas e áreas e também probabilidade.



Matemática

Resolução de problemas usando regra de três composta

Objetivo
Utilizar a regra de três composta para a resolução de situações problemas.

Conteúdo
Regra de três composta

Ano
7º ano.

Tempo Estimado
Três aulas.

Material Necessário

Lápis e papel.

Desenvolvimento

1ª etapa
Comece a atividade formando grupos de três ou quatro alunos e proponha o seguinte problema:

– Um campo de futebol é drenado por dois jardineiros em seis horas. Qual o tempo necessário para apenas um jardineiro drenar um terço do mesmo campo de futebol?

Deixe que a turma tente resolver a questão por alguns minutos e, em seguida, proponha que tentem encontrar a resposta por meio da seguinte pergunta intermediária:

– Em quanto tempo apenas um jardineiro executaria a tarefa de drenar o campo de futebol?

Peça que os grupos discutam as informações encontradas e as estratégias utilizadas para chegar a elas. Em seguida, pergunte à turma quais as relações entre o problema inicial e este novo problema e quais as vantagens encontradas ao dividir a resolução em etapas.

Discuta com a moçada as etapas para a resolução do problema e os processos utilizados para chegarem ao resultado do problema. Peça que expliquem os mecanismos adotados e, em seguida.

2ª etapa

Mostre aos alunos como a regra de três simples pode ser utilizada. Explique que um jardineiro está para x horas, assim como, 2 jardineiros estão para 6 horas. Mostre que as grandezas são inversamente proporcionais, pois diminuindo o número de jardineiros precisamos de mais tempo para drenar o campo.

Sabendo quanto tempo um jardineiro gasta para drenar o campo, neste caso doze horas, os alunos podem solucionar o problema inicial:

– Quanto tempo um jardineiro gasta para drenar um terço do campo, se ele gasta doze horas para drenar o campo inteiro?

A resolução deve vir rapidamente. Se 12 horas estão para um campo inteiro, e x horas estão para 1/3 de campo, as grandezas são diretamente proporcionais – aumentando o número de horas, aumenta o trabalho realizado. Portanto, o jardineiro drenará 1/3 do campo em 4 horas.

Para finalizar, proponha outros problemas de regra de três composta, para que eles exercitem o que aprenderam.

Avaliação
Os registros dos alunos sobre os procedimentos adotados e as suas conclusões podem e devem ser levados em consideração pelo professor na hora de formalizar o conceito de regra de três composta, assim como na formalização de qualquer outro conceito.

Após a formalização, é muito importante que fique claro aos alunos que, além da maneira usual de solução de problemas de regra de três composta através de esquemas (algoritmos), sempre é possível fazer a redução do problema inicial em outros de menor complexidade, cuja resolução consiste apenas no uso da regra de três simples.

Sociologia

Conteúdos
Cultura, identidade nacional, nacionalismo e globalização

Habilidades
Identificar os processos de construção da identidade nacional e do nacionalismo

Tempo estimado
Duas aulas

O escritor Nelson Rodrigues disse certa vez que a “seleção é a pátria de chuteiras”, frase parafraseada no título da reportagem de VEJA. Todavia, parafraseando outra frase famosa, o futebol tem razões que a própria razão desconhece. A revista mostra como se formou uma “internacional da bola” pelos gramados do planeta, na qual se destacam brasileiros e argentinos. Mais ainda, aponta o grande número de brazucas naturalizados nas diversas seleções nacionais. Tal situação desperta velhos rancores nacionalistas – mas eles tendem a se desfazer quando o “importado” ajuda seu time a conquistar a vitória. Use o texto e este plano de aula como bases para examinar com os estudantes o fenômeno do esporte globalizado e as manifestações do nacionalismo nas diversas esferas da vida social.

Atividades
1ª aula – Instigue o debate sobre a frase de Nelson Rodrigues. Faça um levantamento daqueles que concordam e dos que discordam da afirmação. Anote os argumentos mais utilizados na discussão.

Indague se os alunos sabem o que é nacionalismo. Ensine que esse sentimento não é algo natural, e sim uma construção histórica e social. O nacionalismo surgiu na Europa da Idade Moderna, acompanhando a formação dos Estados Nacionais. Em muitos dos atuais países europeus, esse processo foi impulsionado por uma aliança entre a Coroa e os mercadores. O rei tinha interesse em concentrar em suas mãos o poder político, até então repartido entre os mais poderosos senhores feudais. Por sua vez, para se expandir e se consolidar economicamente, a burguesia comercial precisava unir regiões até então separadas em feudos. A formação dos diferentes Estados Nacionais tornou viável a administração de grandes territórios, ao submeter toda a população às mesmas leis. Por meio da unificação política, a burguesia pôde atenuar e até mesmo extinguir as diferenças regionais, que atrapalhavam o desenvolvimento e a expansão do comércio.

No decorrer desse processo, emergiram “nacionalismos” fundamentados no compartilhamento de uma língua, de costumes, de tradições, de valores, de uma religião, enfim, de uma cultura e território comuns. Esses fatores favoreceram a formação dos Estados Nacionais, mas eles não surgiram num mesmo momento. Portugal, por exemplo, tornou-se um Estado Nacional em 1385, com a ascensão ao trono do rei D. João I, enquanto a Alemanha e a Itália só lograram promover sua unificação na década de 1870. O mais recente Estado europeu é Kosovo, onde predomina a etnia albanesa. O território separou-se da Sérvia e tornou-se independente em 2008.

Explore com a turma os aspectos positivos e negativos do nacionalismo. Por um lado, ele alimentou produções originais nas artes plásticas, na música e na literatura, como o romance indigenista Iracema, de José de Alencar, que exaltava as qualidades dos brasileiros nativos. Por outro, alimentou preconceitos e agressões contra minorias étnicas e guerras. Siga com a moçada o transplante dessas manifestações positivas e negativas para a esfera esportiva. As maiores torcidas de futebol do Brasil pensam em si mesmas como “nações”: a nação rubro-negra, a nação corintiana e assim por diante. Elas não veem o menor problema em se identificar com estrangeiros, como o sérvio Petkovic e o argentino Tevez, respectivamente ídolos do Flamengo e do Corinthians. Essas torcidas oferecem manifestações de amor a seus times e, ao mesmo tempo, de uma hostilidade profunda às “nações inimigas”, isto é, às torcidas de outros clubes. Isso ocorre porque as identidades individuais se constroem por aproximação, quando há a identificação do indivíduo com o grupo, e por oposição, quando o grupo, ao identificar-se como diferente dos demais, garante sua coesão interna. Proponha uma reflexão sobre algumas questões: o que o sentimento de adesão a um time de futebol oferece às pessoas? E o que o pertencimento a um país oferece? Por que o sentimento de pertencimento à pátria começa a perder importância na atualidade?

2ª aula – Retome a reflexão da aula anterior e observe que o sentimento de pertencimento a uma nação oferecia, até recentemente, uma identidade ao cidadão. Ninguém nasce com um “caráter brasileiro”: a pessoa sente-se ligada à identidade brasileira ao compartilhar uma língua e os elementos constituintes de uma cultura. Nós, brasileiros, por exemplo, nos achamos simpáticos, extrovertidos e alegres, e isso de algum modo influi na representação que fazemos de nós mesmos.

Acontece que esse sentimento de pertencimento, que está na base do sentimento nacionalista, mudou, principalmente a partir do fim do século XX. Tal mudança, muito provavelmente, está relacionada com o fenômeno da globalização. Explique que a globalização só foi possível graças à terceira revolução industrial, que disseminou, muito rapidamente, modernos aparelhos tecnológicos que possibilitaram o aparecimento de uma complexa rede mundial de comunicação, de modo que nem o tempo e nem o espaço são hoje o que foram para as pessoas dos séculos anteriores.

Desse modo, o planeta conheceu um inusitado fluxo de informações: assim como as imagens referentes à vida dos países mais industrializados circulam sem fronteiras, disseminando valores e estilos de vida, também as imagens de nações pobres, com pequena inserção internacional, passaram a chegar a públicos antes inatingíveis.

O processo de globalização alterou a vida, os hábitos e a cultura dos cidadãos em escala planetária. Ele modificou o fluxo de trabalho e abalou consideravelmente as velhas identidades nacionais. As empresas transnacionais, típicas da era contemporânea, estão presentes em todos os países, de modo que já não há mais sentido em falar em “produto nacional”.

A formação de uma rede global de comunicação fez do esporte um espetáculo também global. Hoje, um brasileiro pode ser torcedor do Barcelona, do Milan ou do Chelsea e acompanhar os jogos desses clubes europeus. E outros esportes, como o automobilismo, o vôlei e o tênis, que eram até pouco tempo desconhecidos do grande público e praticados por um número restrito de atletas, hoje gozam de um status equivalente ao do futebol.

Ressalte que a construção do esporte espetacularizado, possibilitada pela disseminação dos fluxos globais de imagens, acabou por envolver vultosos investimentos. Os grandes clubes dos países ricos, principais marcas desse esporte, passaram a recrutar os jogadores mais habilidosos onde quer que eles estivessem. Daí surgiu a “internacional da bola”, com a valorização do jogador brasileiro ou argentino no mercado mundial de futebolistas. O passo seguinte, dado por muitos atletas brasileiros, foi adotar nacionalidade do país onde fizeram fortuna.

Sugira uma reflexão critica sobre essa situação. A naturalização dos expatriados se inscreve na lógica da globalização? Se o sérvio Bora Milutinovic foi treinador de cinco seleções diferentes em Copas do Mundo entre 1986 e 2002, por que um jogador não pode integrar mais de uma seleção? Os cartolas do futebol, que até bem pouco tempo estimulavam a contratação de membros da “legião estrangeira” para seus times, não são os mesmo que agora, diante da crise econômica, vestindo a velha roupagem do nacionalismo, tentam controlar ou diminuir os gastos por meio do estabelecimento de uma legislação que discipline ou freie o processo de globalização?

HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Educação Infantil

Pesquisa com ritmos africanos

Explorando a habilidade dos pequenos para tocar instrumentos e dançar, leve-os a descobrir como as manifestações artísticas expressam a cultura.


Dançar, batucar e cantar são formas de manifestação que fascinam desde que o homem é homem. Ao longo de pelo menos 130 mil anos da trajetória humana no planeta, combinações de gestos, ritmos e sons foram capazes de exprimir, a um só tempo, costumes, tradições e visões de mundo de incontáveis povos e grupos sociais. Em poucas palavras, tanto a música como a dança transmitem cultura. É papel do professor mostrar essa ligação – sem deixar de lado, claro, o aspecto lúdico que só não encanta “quem é ruim da cabeça ou doente do pé”, como diz o histórico Samba de Minha Terra, de Dorival Caymmi.

As crianças, você sabe, encontram na brincadeira uma poderosa ferramenta de experimentação e conhecimento. Em geral, adoram música e dança. Era assim com os pequenos da pré-escola do CEI Santa Escolástica, na capital paulista. Atenta a essa empolgação, a professora Luciana do Nascimento Santos fez o óbvio: pôs a meninada para tocar, cantar e dançar. Mas foi além. Primeiro, estabeleceu um foco para sua atuação, explorando influências da cultura africana com o aprendizado de instrumentos como agogô, caxixi e alfaia e de danças como jongo, maracatu e coco. Em segundo lugar, encarou essas práticas como meios de pesquisa cultural, conduzindo a turma na descoberta da história da África e suas ligações com o Brasil.

O resultado desse trabalho rendeu à professora o troféu de Educadora Nota 10 do Prêmio Victor Civita de 2008 (leia o quadro abaixo). “O que me entusiasmou foi o fato de os pequenos terem aprendido muito sobre a África ao fim do projeto”, afirma Karina Rizek, coordenadora de projetos da Escola de Educadores, em São Paulo, e selecionadora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10. “Além disso, Luciana colheu os frutos de ter apostado na capacidade artística da meninada. Nunca vi crianças daquela idade dançando e tocando tão bem.”

Construindo a ponte Brasil-África

Quando pequena, a professora paulistana Luciana do Nascimento Santos ouvia, maravilhada, o pai tocar sanfona. O amor pela música cresceu junto com a menina. Hoje, aos 26 anos, trabalhando com os pequenos na Educação Infantil há nove, transforma os sons em aprendizagem. Em seu projeto na CEI Santa Escolástica, na favela de Paraisópolis, na capital paulista, as crianças passaram a tocar caxixi, agogô, alfaia e pandeiro e a dançar coco, maracatu e jongo. Tudo aliado a uma extensa pesquisa sobre as relações entre Brasil e África, diferencial que rendeu elogios da equipe selecionadora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10.

Objetivos
Trabalhando durante seis meses com crianças de 5 e 6 anos, Luciana levou-as a reconhecer a influência cultural africana na cultura brasileira. Ao investigar e aprender manifestações culturais – especialmente a dança e a música -, elas aumentaram seu repertório e passaram a valorizar essas contribuições.

O passo-a-passo
A sequência didática de ampliação cultural é de tirar o fôlego: incluiu o uso do globo terrestre (para localizar o Brasil, a África e a distância geográfica que os separa), a leitura de reportagens, textos e de um dicionário de palavras africanas, rodas de conversa e de contos africanos, visita de especialistas, idas ao museu e a confecção de um painel fotográfico com as informações aprendidas. Para ensinar música, Luciana ofereceu inicialmente instrumentos caseiros feitos com embalagens descartáveis e sucata. Assim que os pequenos perceberam os sons e aprenderam a usar cuidadosamente os objetos, eles puderam explorar os instrumentos profissionais. Depois que cada um escolheu o seu, a professora sugeriu que todos acompanhassem músicas gravadas para aprimorar o ritmo e a visão de conjunto. No caso da dança, as marcações serviram de base para o ensino dos passos, apoiado posteriormente em DVDs específicos.

Avaliação

A professora analisou a evolução da compreensão nas situações de leitura de imagens e de contos africanos. A avaliação do trabalho de ampliação cultural atentou para a evolução da capacidade das crianças em pesquisar – escolhendo fontes, coletando material e sintetizando-o. No caso da música e da dança, Luciana privilegiou não apenas o conhecimento específico mas também o trabalho em grupo, sem se preocupar se estavam todos tocando ou dançando bem. “Tocar e dançar são atividades lúdicas por natureza. Não se pode perder isso de vista, principalmente na Educação Infantil”, explica.

Neste vídeo, você conhece o trabalho de música realizado pela Educadora Nota 10 de 2008, Luciana Nascimento Santos, de São Paulo. As crianças conheceram as origens africanas da música brasileira, aprenderam a tocar instrumentos de percussão, fizeram uma pesquisa sobre imagens e figurinos das danças tradicionais e estudaram a capoeira.
Assista ao vídeo clicando AQUI



Influências culturais da África

Faixa etária
4 e 5 anos

Objetivos
Conhecer e vivenciar produções culturais brasileiras com influências africanas.

Conteúdos
– Heranças culturais africanas e brasileiras.
– Música, dança e brincadeiras.

Tempo estimado
Dois meses.

Material necessário

Livros, revistas, imagens, material para registro, CDs com músicas africanas e brasileiras, tecidos, instrumentos musicais e mapas.

Desenvolvimento

1ª etapa
Apresente músicas brasileiras de ritmos de origem africana (como o samba e o maracatu) e converse com as crianças sobre elas: já conhecem? Se parecem com algo que já ouviram? Gostam ou não? Por quê? Explique que essas músicas têm origem em um continente chamado África, separado do Brasil pelo oceano Atlântico. Para comparar, escute com o grupo outra música (escolha, agora, uma canção tradicional africana). Questione: ela se parece com a que ouvimos antes? Peça, ainda, que a turma leve livros, fotos e outros registros do continente. Você também deve preparar a mesma pesquisa.

2ª etapa
Explore os materiais trazidos em uma roda de conversa. Foque a discussão nos costumes dos grupos que serão estudados: vestimentas, alimentos, música, dança, brincadeiras etc. Lembre-se de mostrar o globo terrestre para que se aproximem da ideia do que é um continente ou país.

3ª etapa
Forme grupos e sugira que cada um aprofunde a pesquisa em um dos temas levantados. Explique que o objetivo é obter mais informações sobre costumes dos povos africanos e que cada grupo deve mergulhar em um assunto específico, procurando mais informações em livros, internet, vídeos e outras fontes de informação. Peça ainda que reflitam: quais das práticas levantadas também acontecem no Brasil? De que jeito? Como forma de registro, proponha a criação de um painel coletivo para reunir as informações, garantindo que possam ser consultadas por todos sempre que necessário.

4ª etapa
Leve para a sala instrumentos musicais de origem africana, como agogô, caxixi e alfaia e mostre às crianças as maneiras de tocá-los. Apresente também coreografias de danças africanas, como o jongo, para que a turma possa praticar – o uso de DVDs de referência com os principais passos é um bom recurso didático. Lembre-se de que essa etapa, que deve durar alguns dias, exige que você se prepare previamente para conhecer instrumentos e danças.

Avaliação
Para avaliar o aprendizado dos procedimentos de música e dança, observe o desempenho da turma ao longo das atividades, prestando atenção especialmente na evolução, na parte rítmica. Para verificar conteúdos conceituais (como é a África, onde se localiza etc.), avalie a participação da classe nas rodas de conversa e na construção do painel coletivo, procurando perceber se cada criança levanta hipóteses, ouve a contribuição dos outros e registra no mural suas descobertas.

ENSINO FUNDAMENTAL

HISTÓRIA

O que foi o Apartheid na África do Sul?

O termo, em africâner, língua dos descendentes de europeus, significa “separação”, e foi atribuído ao regime político de segregação dos negros na África do Sul, que durou, oficialmente, 42 anos.

Nelson Mandela deixou a prisão há 20 anos, no dia 11 de fevereiro de 1990. A liberdade do líder foi o mais forte sinal do fim do regime de segregação racial na África do Sul, o apartheid.

Colonizada a partir de 1652 por holandeses e tendo recebido imigrantes de outras partes da Europa e da Ásia, a África do Sul tornou-se, em 1910, uma possessão britânica. Desde a chegada dos primeiros europeus, há mais de três séculos, a história do país africano, que será a sede da Copa do Mundo em 2010, foi marcada pela discriminação racial, imposta pela minoria branca.

Como protesto a essa situação, representantes da maioria negra fundaram, em 1912, a organização Congresso Nacional Africano (CNA) à qual Nelson Mandela, nascido em 1918, se uniu décadas depois. No CNA, Mandela se destacou como líder da luta de resistência ao apartheid.

O pai de Mandela era um dos chefes da tribo Thembu, da etnia Xhosa e, por isso, desde cedo, o garoto foi educado e preparado para assumir a liderança de seu povo. “Ele recebeu o melhor da Educação de sua tribo e foi iniciado em todos os rituais. Mas também teve o melhor da Educação europeia, estudando em bons colégios”, explica Carlos Evangelista Veriano, professor de História da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

O apartheid oficializou-se em 1948 com a posse do primeiro-ministro Daniel François Malan, descendente dos colonizadores europeus – também chamados de africâners. “Embora a história oficial omita, sabemos que os ingleses foram os financiadores do apartheid, já que o Banco da Inglaterra custeava todos os atos do governo sul-africano”, afirma Veriano.

Com o novo governo, o apartheid foi colocado em prática, instituindo uma série de políticas de segregação. Os negros eram impedidos de participar da vida política do país, não tinham acesso à propriedade da terra, eram obrigados a viver em zonas residenciais determinadas. O casamento inter-racial era proibido e uma espécie de passaporte controlava a circulação dos negros pelo país. “É importante lembrar que essa política teve clara inspiração nazista”, diz o professor.

Embora tenha sido preso diversas vezes antes, Mandela já cumpria pena desde 1963 quando recebeu a sentença de prisão perpétua. Porém, com o passar dos anos, o mundo passou a se importar mais com a inadmissível situação da África do Sul, que começou a receber sanções econômicas como forma de pressão para acabar com o apartheid. Em 1990, com o regime já enfraquecido, Mandela foi solto, depois de 27 anos no cárcere. O governo, liderado por Frederik De Klerk, revogou as leis do apartheid. Três anos depois, Mandela e Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz.

Em 1994, nas primeiras eleições em que os negros puderam votar, Mandela foi eleito presidente do país. O filme Invictus, dirigido por Clint Eastwood, em cartaz atualmente nos cinemas, tem como foco a história de Mandela (interpretado por Morgan Freeman) logo que ele assume a presidência. A obra mostra como o líder governou não com a intenção de se vingar dos brancos, mas sim de realmente transformar o país em uma democracia para todos.

Nascimento do Brasil

Era uma vez, num reino chamado Portugal, um príncipe regente medroso, glutão e viciado em coxas de galinha chamado João. No dia 29 de novembro de 1807, ele juntou a mãe (uma rainha louca), a mulher (uma princesa espanhola), os filhos e cerca de 11 mil pessoas e partiu para o distante Brasil, uma colônia que pertencia a seus domínios e ficava do outro lado do oceano Atlântico. A razão da mudança? O medo de ser deposto pelo Exército francês, comandado pelo imperador Napoleão Bonaparte. Em terras brasileiras, o príncipe ficou por 13 anos, realizou alguns feitos importantes, tornou- se rei após a morte da mãe e fez do filho, Pedro, seu sucessor. Depois, quando Napoleão já havia perdido a guerra, voltou para sua terra natal.

É assim, de forma resumida, que muitos brasileiros estudam a vinda da família real portuguesa para o Brasil. Vinda, aliás, não é o termo apropriado para descrever o episódio, que completa 200 anos agora, em março. “Foi uma fuga pura e simples, apressada, atabalhoada, sujeita a erros e improvisações”, garante o jornalista Laurentino Gomes no livro 1808.

A transferência da corte foi mesmo uma epopéia, como você pode conferir no infográfico à direita. Ao longo dos três meses em que passou no mar, a comitiva enfrentou tempestades, calmarias, peste de piolhos, falta de alimentos e de água e chegou ao destino dividida em duas. As conseqüências desse fato na formação do país, no entanto, raramente são analisadas em sala de aula com a importância que tiveram e merecem. “Muitos livros didáticos listam as realizações de dom João, destacando o lado caricato do personagem”, aponta Flávia Aidar, professora de História e selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. “Os textos que estão sendo publicados para comemorar a data e as discussões que eles provocam deverão recolocar o episódio em seu devido lugar”, aposta.

Unidade geográfica

Segundo historiadores ouvidos por NOVA ESCOLA, a conseqüência mais importante da mudança da família real para o Brasil foi unificar e preservar a integridade do nosso território. Basta lembrar que, antes de 1808, ocorreram diversos movimentos de cunho nativista, contra a cobrança de altos impostos e outras imposições da corte (como a Revolta dos Beckman, a dos Emboabas, a dos Mascates e a de Vila Rica). Outros, mais radicais, queriam separar a província do império e foram chamados de emancipacionistas: Inconfidência Mineira, Conjuração Baiana e Revolução Pernambucana (confira no mapa ao lado onde e quando elas tiveram lugar). Se a monarquia portuguesa não tivesse se transferido para cá, provavelmente a antiga colônia teria sido retalhada em pequenos países, exatamente como aconteceu na parte do continente governada pela Espanha.

Até 1808, a idéia de pertencer a um mesmo país não existia. Os habitantes se diziam “das Minas”, “da Bahia”, “de São Paulo”, “do Pará”, “de Pernambuco”, mas nunca se apresentavam como brasileiros. “A comunicação era precária e geralmente o povo de uma província ignorava a existência das outras”, assinalou o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que percorreu grande parte delas entre 1816 e 1822. “O Brasil era um círculo imenso, em que os raios se dirigiam para bem longe do centro”, comparou.

Por outro lado, a administração lusitana trouxe consigo pragas que marcariam para sempre a administração pública brasileira. A corrupção e a troca de favores são as mais duradouras. No primeiro decreto, assinado pelo monarca durante a escala em Salvador, já estava lá a marca do “toma lá, dá cá”. “A abertura dos portos às nações amigas era uma dívida que dom João tinha com a Inglaterra. Foi o preço pago pela proteção dada contra Napoleão ao longo da viagem, devidamente negociado em Londres um ano antes”, esclarece em seu livro Laurentino Gomes. Como a corte não poderia vir só, teve de convencer os funcionários do reino a atravessar o Atlântico. Para isso, o regente distribuiu benesses: concedeu títulos de nobreza e pensões vitalícias e prometeu as melhores casas do Rio de Janeiro para abrigá-los, ainda que elas tivessem de ser tiradas de seus proprietários. Foi a política do “Ponha-se na Rua” – uma brincadeira criada pelos cariocas para se referir ao selo Propriedade Real (PR), afixado nas portas dos imóveis confiscados.

Projeto didático

OBJETIVOS
? Estimular o debate sobre a presença da família real portuguesa no Brasil e a construção do país contemporâneo.
? Entender a formação da identidade brasileira.
? Conhecer a estrutura social e familiar brasileira do século 19.

CONTEÚDOS
? Aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos do Brasil Colônia e do Brasil Império.

ANOS
8º e 9º.


TEMPO ESTIMADO

Dois meses.

MATERIAL NECESSÁRIO
Reproduções de gravuras de Jean Baptiste Debret (1768-1848); retroprojetor; fotografias do Rio de Janeiro do século 19 (disponíveis na internet); DVD Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, ou o DVD O Quinto dos Infernos, de Wolf Maia; aparelhos de DVD e de TV; CDs do padre José Maurício (1767-1830) e de Chiquinha Gonzaga (1847-1935); e trechos dos livros 1808, A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis, História da Alimentação no Brasil, A Moreninha e História da Vida Privada no Brasil.

DESENVOLVIMENTO
? 1ª ETAPA

Para saber o que a turma conhece sobre o tema, passe um trecho do filme Carlota Joaquina, Princesa do Brasil ou da minissérie O Quinto dos Infernos, exibida pela TV Globo. Os jovens conhecem os personagens? Sabem que foram concebidos com base em pessoas que existiram de fato? O que eles representam na nossa história? Pergunte como era a vida social na colônia naquela época. Conduza um debate sobre como os monarcas são retratados. Particularize as seguintes situações: o deboche que Carlota Joaquina faz dos brasileiros e a figura bufona de dom João. O que há de verdade? Selecione episódios que citam algumas realizações da monarquia no Brasil, como a abertura dos portos, do Banco do Brasil e de universidades. Por que elas foram importantes? Todos vão perceber que dom João criou condições de o país começar a ter alguma autonomia. Anote as respostas.

?2ª ETAPA

Depois da avaliação inicial, desperte a curiosidade e reflita com a turma sobre o modo de viver, pensar, se alimentar e até mesmo namorar da família real e de seus colaboradores. Distribua cópias do capítulo “A Colônia” do livro 1808 para que todos leiam previamente. Discuta o conceito de cultura e o “choque cultural” diante da forma de viver que os portugueses encontraram aqui. Levante questões para esquentar o debate. Como se dá o processo de adaptação de um indivíduo num meio ao qual ele não está acostumado? Quais as principais estratégias de sobrevivência? Alguém já teve de se mudar para uma cidade distante? Vale a pena ouvir os relatos para encerrar esse bloco.

? 3ª ETAPA
Reserve uma aula para cada um dos temas da chamada história do cotidiano.
A família – Peça que todos leiam trechos de Tomando Banho de Civilização, parte do capítulo 7 de A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis, que conta como eram constituídas as famílias do Rio de Janeiro antes da chegada de dom João. Em seguida, exiba transparências com as gravuras de Debret, um dos artistas da Missão Francesa trazidos para retratar a colônia. Uma das mais ricas é Um Funcionário do Governo Sai a Passeio com a Família. O objetivo é observar os traços de hierarquia entre o pai, a mãe, os filhos e os escravos – esses últimos, sempre descalços. E hoje, existem tipos fixos de família? Quantos a turma consegue classificar? Com homens e mulheres trabalhando fora, ainda existe a figura do “chefe de família”?
Hábitos alimentares – Uma boa leitura para essa etapa é História da Alimentação no Brasil, de Câmara Cascudo (1898-1986). Selecione alguns trechos e distribua para a turma. Mostre reproduções de obras que representem os hábitos alimentares do período colonial, como a gravura O Jantar no Brasil, também de Debret. Em relação à cultura e à alimentação, os portugueses se adaptaram ao calor dos trópicos? Havia hábitos alimentares distintos entre europeus, africanos e índios? Quais eram os itens mais consumidos à mesa?
Relações pessoais – A grande questão agora é investigar como eram os relacionamentos pessoais no período colonial. Para começar, leia com os estudantes o capítulo do livro A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882), que trata do tema de maneira romântica e com pitadas de ironia. Quais as semelhanças e diferenças entre o namoro e o casamento do início do século 19 e o de hoje? A moçada sabe que os jovens daquele tempo se casavam a partir dos 13 anos e que muitos não escolhiam os parceiros?
Vida cultural e Educação – Solicite uma pesquisa sobre a diversão no século 19. Alguém já ouviu um tipo de música chamada polca? Qual a origem do samba, ritmo criado nos morros cariocas? Vale uma pesquisa sobre esse assunto e a audição de músicas do padre José Maurício e de Chiquinha Gonzaga. Em relação à Educação, a turma pode ler O Quê Se Lê e o Que Se Pensa, um ensaio do primeiro volume da coleção História da Vida Privada no Brasil.

PRODUTO FINAL
? Sarau cultural e teatro. Proponha que os adolescentes montem um sarau para retratar a vida cotidiana do século 19. Eles podem, além de declamar textos, entremeá-los com músicas e degustação de comidas. Divida a turma em cinco grupos e peça que cada um se responsabilize por cenas sobre um tópico estudado, inclusive uma envolvendo a família real.

AVALIAÇÃO
Analise os esquetes e veja quais informações estudadas foram incorporadas às cenas. Solicite um texto individual sobre o tema apresentado. Compare os dados presentes nessa produção final com as observações feitas no início do projeto e avalie como a turma passou a interpretar a efeméride.

CONSULTORIA Ana Bergamin, professora da Escola Vera Cruz, em São Paulo; Flávia Aidar, selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. Flávia Ricca Humberg, professora da Escola Vera Cruz, em São Paulo, e Washington Dener, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Feitos reais

Ao desembarcar na capital da colônia, a realeza provocou mudanças significativas na estrutura do Estado e na vida cotidiana de 60 mil pessoas que ali viviam – outras 46 mil moravam em Salvador e 20 mil em São Paulo, as três cidades mais populosas de um país que tinha cerca de 3 milhões de habitantes, dos quais 1 milhão de escravos e 800 mil índios (leia no quadro ao lado um projeto didático sobre o modo de vida das pessoas naquela época). Para administrar seu grande império, do qual também faziam parte possessões na África e na Ásia, o príncipe se viu obrigado a montar um aparato estatal que incluía ministérios, tribunais e diversos departamentos administrativos. E era preciso também estruturar um lugar para viver bem, um país que honrasse ser a sede do império. Por isso, ele ordenou a realização de diversos feitos – que devem ser estudados sempre sob dois ângulos: os benefícios imediatos e os custos para o Brasil no futuro.

? Imprensa Régia – Até 1808, o único jornal que circulava no país era o Correio Braziliense, escrito e impresso em Londres e distribuído de forma clandestina na colônia. Mas o novo periódico oficial, batizado de A Gazeta do Rio de Janeiro, só trazia notícias positivas ao governo.

? Banco do Brasil – As únicas moedas que circulavam na colônia eram cunhadas em Lisboa. Por isso, dom João implantou um sistema monetário na sede do reino e o primeiro passo foi abrir um banco (que quebrou em 1820 e foi recriado em 1853 por dom Pedro II).
? Universidades de Medicina, em Salvador, e de Engenharia, no Rio de Janeiro – Os filhos da elite, até então, iam estudar na Universidade de Coimbra, em Portugal. O ensino era restrito aos homens.

? Jardim Botânico – Apreciador das ciências naturais, o monarca instalou numa chácara uma grande coleção de plantas nacionais e estrangeiras, hoje considerada a maior da América do Sul.

? Biblioteca Nacional – Dom João mandou trazer os 60 mil volumes da Real Biblioteca, uma das mais ricas da Europa, abandonada no porto no dia da fuga (e que chegou ao Brasil somente em 1811). Ela foi o embrião da Biblioteca Nacional, a oitava maior do mundo, hoje com 10 milhões de livros. Para uma parte do acervo original ficar aqui, foi preciso que dom Pedro I, já imperador, pagasse uma indenização a Portugal.

O ato mais significativo de todos foi a elevação da colônia à categoria de Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves em 1815. “Esse fato apressou a nossa independência, em 1822”, avalia a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo. “Os historiadores não fazem conjecturas sobre o que não aconteceu, mas, se a família real tivesse ficado em Portugal, certamente o Brasil seria um país completamente diferente do que vivemos hoje”, finaliza Lilia.



ENSINO MÉDIO

Geografia

Examine os milenares conflitos que assolam o Continente Negro

Objetivos
Identificar os laços entre atividade pastoril, nomadismo e conflitos intertribais

Introdução
A bela reportagem assinada por J. R. Duran focaliza conflitos entre grupos tribais que ocorrem atualmente num canto perdido da Etiópia. Mas os confrontos abordados no texto vêm se sucedendo desde a Pré-História: os choques entre tribos de pastores pelo controle de pastagens e fontes de água e os ataques periódicos desses grupos nômades a seus vizinhos sedentários, basicamente dedicados à agricultura. Dessa perspectiva, as lutas entre os selvagens da bacia do rio Omo têm antecedentes milenares, entre eles os ataques, mencionados na Bíblia, das tribos de Israel aos povos agrícolas que fizeram de Canaã uma terra onde correm leite e mel . Examine com os estudantes alguns episódios desse antagonismo presente ao longo dos séculos, tomando como base o texto de VEJA.

Atividades
Entre Tribos Selvagens informa que a Etiópia foi o único Estado africano a escapar dos avanços colonialistas do século XIX, permanecendo como um império cristão milenar. Conta ainda que, na década de 1970, o imperador Hailé Sellasié foi deposto e o país alinhou-se com o bloco político liderado pela União Soviética. Somente em 1995, depois uma sangrenta guerra civil, a Etiópia tornou-se uma república de economia capitalista. Encaminhe pesquisas sobre a história recente desse país africano. Lance um tema para debate: é possível identificar laços entre as lutas pelo poder em Adis-Abeba e os combates na remota região do rio Omo? Na opinião dos jovens, a guerra civil etíope contribuiu para colocar modernos fuzis de assalto nas mãos de guerreiros tribais? Chame a atenção para o aparente paradoxo de grupos considerados selvagens estarem armados com equipamentos de combate produzidos na Alemanha e na Rússia.

Depois de promover uma discussão com a participação de toda a turma, peça que cada estudante escreva uma dissertação sobre o assunto. Em seguida, selecione quatro desses textos e leia para a classe. O principal objetivo da atividade é mostrar como na África existe a combinação do moderno e o arcaico, reforçando não as possibilidades de mudança, mas o que há de mais conservador nas culturas locais, favorecendo a manutenção do atraso econômico-social.

O texto da revista permite identificar o estágio do desenvolvimento das forças produtivas na Etiópia e em outras regiões da África negra. Boa parte da economia baseia-se na atividade pastoril nômade, que tem de se deslocar por amplos espaços durante o ano, em busca das pastagens, levando ao confronto inevitável com outros povos que se dedicam à agricultura e que são, claro, sedentários. Esses conflitos podem chegar a sangrentas guerras civis, como as ocorridas em Ruanda e Burundi a partir da década de 1970, que envolveram antigas rivalidades étnicas e políticas, estimuladas pelos colonizadores belgas. Conte que, nos dois territórios, os confrontos opuseram os pastores tutsis à etnia hutu, majoritária e predominantemente agrícola.

Segundo a moçada, é possível relacionar o antagonismo à diferença de modo de vida entre hutus e tutsis? Leve os alunos, organizados em grupos, a pesquisar as guerras civis africanas mais recentes e seus efeitos destruidores. Ensine que os zulus da África do Sul e os masai do Quênia e da Tanzânia são outros exemplos de tribos de pastores, em geral mais belicosas que os povos mais sedentários, dedicados aos trabalhos agrícolas. Proponha estudos sobre o modo de vida desses guerreiros nômades.

Leia para todos o seguinte trecho: Os quegos eram os menos numerosos. Eram escravos dos karos, mas recentemente foram liberados pelos nyagatons, a tribo mais numerosa e feroz . Sugira uma investigação sobre a escravidão existente na África, que antecede historicamente aquela desenvolvida pelos europeus a partir do século XV que, por sua vez, se estendeu até meados do século XIX , ligada ao fornecimento de braços para o café, a cana e outros cultivos tropicais de exportação. As equipes devem apresentar os resultados para a classe, se possível com cartazes sobre os dois tipos de escravidão.

Exiba a reprodução da litografia de um guerreiro etíope, feita por um europeu (abaixo). Ela pode ser o ponto de partida para uma pesquisa sobre os viajantes que percorreram o Continente Negro nos séculos XIX e XX, registrando imagens ou escrevendo memórias, diários, romances e tratados científicos. Acrescente que muitos filmes procuraram retratar o cotidiano das tribos do interior da África, evidentemente segundo a ótica ocidental, que, na maioria dos casos, desqualificava os nativos. Convide os alunos a selecionar trechos sobre o cotidiano dos grupos tribais e sobre os conflitos étnicos na África, com base nos relatos dos viajantes e em reportagens. Encarregue cada grupo de obter dois exemplos, sempre destacando o viajante e o período focalizado. Sugira que esses relatos sejam lidos e discutidos na sala de aula.

Desafie a garotada a identificar e discutir alguns fatores associados à situação em que se encontram as sociedades africanas. Lance perguntas e solicite que, ao responder, os estudantes escrevam um texto opinativo problematizando as seguintes questões: Que razões podem explicar o atraso econômico-social de diversos países da África? Por que encontram-se no continente africano as nações mais subdesenvolvidas do planeta? A ênfase dos textos e da discussão deve evitar os lugares-comuns e os eventuais estereótipos de cunho racista.



História

Desterrados na própria terra

Objetivos
Recuperar as condições históricas que geraram os quilombos; Tentar compreender a dinâmica dessas comunidades

Introdução
Desde o início da escravidão no Brasil existiram fugas de negros. Eles escapavam para locais afastados e se reuniam em quilombos, que chegaram a abrigar até 30000 pessoas, como no caso de Palmares. Organizadas econômica e politicamente, elas plantavam o que precisavam para comer, respeitavam uma hierarquia e, principalmente, manifestavam livremente suas práticas culturais de origem. Mais de um século depois da Abolição, as comunidades negras remanescentes de antigos quilombos permanecem isoladas no interior do país, vivendo em condições precárias, à margem da História e do Estado. A Lei Áurea eliminou o terror das chibatadas, mas em que situação deixou esses negros que até desconhecem que existiu escravidão? Para se tornarem cidadãos será que basta ter um pedaço de terra? Talvez sua identidade estivesse mais preservada nos moldes dos quilombos dos séculos passados, símbolos da resistência negra à dominação branca, do que agora, quando nem sequer possuem uma memória.

Atividades
1. Depois de lido o texto de VEJA, distribua algumas imagens da escravidão no Brasil para os alunos analisarem. Você pode utilizar as gravuras dos desenhistas Jean-Baptiste Debret e Johann Rugendas, além de fotografias de Marc Ferrez. A interpretação dessas imagens pode gerar a seguinte questão: quais as opções de revolta e protesto que os escravos tinham diante das condições de vida que levavam?

2. Em seguida, faça um exercício de recuperação da dinâmica dos quilombos. Organize a turma em quatro grupos para pesquisarem como a historiografia vem abordando essa temática nos seguintes aspectos: o cotidiano (formas de relacionamento com as populações vizinhas; relações de trabalho), a cultura material (técnicas e instrumentos de cultivo; padrão de habitação; instrumentos de guerra), a religiosidade (o calundú e os diferentes ritos derivados de tradições africanas como o candomblé; o catimbó, rito originário de mistura com a cultura indígena; artes curativas) e as manifestações culturais (danças e cantigas).

3. Confronte o conhecimento adquirido pelos alunos, com base na produção historiográfica recente, com a reconstrução ficcional feita pelo cineasta Cacá Diegues no filme Quilombo.

4. Encerre a atividade com um debate sobre os destinos da população escrava no contexto pós-abolicionista, discutindo questões como o significado da liberdade para a população negra na sociedade republicana. Convém destacar que, se para os escravos a fuga e a organização dos quilombos era um ato dignificador, as comunidades referidas na matéria vivem uma situação de desterrados na própria terra.

De crime a espaço cultural
Os quilombos não nasceram no Brasil. Eles já existiam na África e eram chamados kilombos, palavra de origem banto, língua falada por povos que viviam entre o Zaire e Angola. Caracterizados como uma instituição política, social e militar, os kilombos eram formados por grupos que disputavam o poder de uma região ou que migravam em busca de novos territórios.

No Brasil escravocrata, os quilombos eram organizados por escravos fugidos, mas também abrigavam índios e brancos pobres – um grande sinal de rebeldia e resistência à opressão não só racial, mas também social. Formar um quilombo, portanto, tornou-se crime previsto por lei. No Maranhão, por exemplo, uma lei de 1847 considerava como quilombo a reunião de no mínimo dois escravos num “lugar oculto”. No Rio Grande do Sul, na mesma época, bastavam três negros escondidos “no mato” para que o crime fosse caracterizado.

Hoje, segundo a Fundação Palmares, que identifica as comunidades remanescentes, quilombos são sítios historicamente ocupados por negros, incluindo as áreas habitadas ainda hoje por seus descendentes, com conteúdos etnográficos e culturais.

5 thoughts on “A Escola e a Copa do Mundo

  1. Pingback: Educa já » Blog Archive » África do Sul – Bom momento para conhecer sua cultura

  2. tenho uma escola a mais de 10 e tema do meu são joão o são joão verde amarelo gostaria de obter ideias…Abs

    Cybele Reply:

    Olá Terezinha, tudo bem?

    Obrigada pela sugestão e em breve terás mais novidades!
    Você pode também adaptar as ideias mudando as cores e incluido o tema.
    Obrigada por acompanhar o Educa Já! e volte sempre!
    beijinhos

  3. Parabéns pelos planos de aula sobre a copa do mundo! De forma simples aborda temas de grande relevância para se trabalhar em sala de aula.

    Cybele Reply:

    Olá Norma, tudo bem

    Obrigada pela sua participação.
    Ela é muito importante para o aprimoramento do blog
    Volte sempre!
    abraços

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