Alunos com Deficiência Auditiva

De acordo com o site http://www.ines.gov.br/ a inclusão do aluno com surdez no ambiente escolar requer trabalho e dedicação de todos os envolvidos no processo: aluno surdo, família, professores, fonaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, alunos ouvintes, demais elementos da escola, são fundamentais para a efetivação do processo.
Além da utilização da Lingua Brasileira de Sinais – Libras que deve ser propiciada no ambiente escolar é necessário repensar a prática que está sendo utilizada nesse ambiente para que de fato ocorra o conhecimento e acessabilidade por parte do educando.
É necessário fazer uma ação-reflexão-ação permanente, visando a inclusão escolar da pessoa com surdez, favorecendo novas práticas educacionais.

As pessoas com necessidades especiais devem ter Atendimento Educacional Especializado – AEE em horário oposto ao que estuda. Para maiores informações consultar material do MEC: Atendimento Educacional Especializado (Pessoa com Surdez)

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Fonte: Educação sem Barreiras

Por Jaciara Moreira

A proposta pedagógica da professora Rosângela Ramos de Barros, da Escola Municipal Getúlio Vargas – localizada em Bangu, Zona Oeste do Rio – poderia inspirar roteiros como os do filme Adorável Professor, de Stephen Herek, ou Amy, uma vida pelas crianças, de Vincent McEveety.

Para ajudar estudantes com deficiência auditiva, Rosângela se propôs a aprender LIBRAS – Linguagem Brasileira de Sinais –, investiu em pesquisas e desenvolveu uma metodologia específica de ensino de Português para surdos. Graças ao novo método, as crianças conseguiram se integrar melhor às turmas regulares do Ensino Fundamental e também à sociedade.

“A Getúlio Vargas é uma escola de integração e eu já trabalhava com surdos há mais de 10 anos. Mas percebia que não havia rendimento, pois o método que usávamos em sala de aula era todo voltado para alunos ouvintes”, revela a professora.

Preocupada com o aprendizado das crianças, Rosângela vem desenvolvendo uma Metodologia de Ensino de Português para surdos como segunda língua, com base na Teoria da Gramática Gerativa, modelo proposto por Halle e Marantz, denominado Morfologia Distribuída, que propõe a existência de marcas morfológicas que caracterizam as palavras nas línguas orais. Assim, justifica, foi possível mostrar as correspondências morfológicas entre palavras de classes diferentes. Exemplo: belo – beleza; mole- moleza; grito – gritar; ziguezague – ziguezaguear; indicar – indicação; proceder – procedimento; sebo – sebento.

“Classe de palavras sempre foi a maior dificuldade para eles. No método tradicional, nós trabalhávamos com o concreto, o ensino da língua oral era fundamentado na semântica lexical com referência nos vocábulos, e não na gramática. Eu conseguia explicar o que era cadeira, maçã, carro, flor. Mas como explicar o que era cedo, tarde, quando, agora? Neste ponto, o processo de aprendizagem não evoluía, porque havia um equívoco no uso da metodologia. Isso me levou a buscar uma forma de atuação pedagógica mais eficaz”, justifica Rosângela, que atualmente leciona para 25 alunos surdos, 15 da Classe de Alfabetização e 10 do segundo segmento do Ensino Fundamental.

A idéia de criar um método específico para os alunos surdos surgiu há aproximadamente cinco anos, quando, para tentar diminuir as dificuldade das crianças, Rosângela convidou um menino deficiente auditivo, matriculado na escola em uma série mais avançada, para participar de suas aulas, que acontecem na Sala de Recursos (específica para alunos com necessidades educacionais especiais), duas vezes por semana, sempre com duração de quatro horas.

“Além de ser surdo, o menino também tinha pais surdos e, por isso, dominava plenamente a linguagem oral e a de sinais. Inicialmente, ele participava contando histórias infantis, depois ia conversando com as crianças. Com isso, nós fomos aprendendo a linguagem de sinais. Até então, boa parte dos alunos nem sabia que ela existia. O contato com ele fez com que, aos poucos, eu fosse abandonando a proposta oralista e passasse a me comunicar com os surdos em ambas as línguas. Sabe-se que essa proposta, conhecida como proposta bilingüe, é a que melhor possibilita o acesso do surdo ao conhecimento”, conta a professora, que, para melhorar a comunicação com o grupo, fez o curso de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).

O menino participou das aulas durante dois anos, período suficiente para que Rosângela estruturasse seu método de ensino da Língua Portuguesa para surdos. A Literatura Infantil continuou sendo uma das ferramentas principais da proposta pedagógica. Com a ajuda de fitas de vídeo produzidas e distribuídas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) – através das quais clássicos infantis são contados em Libras por professores do Instituto Nacional de Educação de Surdos – ela implementou um modelo de educação bilíngüe.

“Começamos o trabalho assistindo a uma das histórias. Depois, os alunos têm contato com a narrativa na modalidade escrita. Em seguida, o filme é recontado por eles, que devem fazer a seqüência dos fatos através da dramatização. Nesse momento, relembram as partes mais interessantes, os momentos mais tristes, as características de cada personagem, seus nomes e o desfecho da história. A sistematização é fundamental para garantir o processo de aprendizagem”, explica a docente.
Construindo a identidade

Algumas atividades, adaptadas de acordo com a faixa etária e a série das crianças, também foram desenvolvidas. Uma delas foi um jogo que ajudava os alunos a entender a diferença entre a linguagem de sinais e a linguagem oral.

“Muitas crianças surdas, filhas de pais ouvintes, têm seu primeiro contato com a língua de sinais na escola. Algumas nem sabem que são surdas. Por isso, elaborei a atividade para possibilitar às crianças a percepção da singularidade do grupo e, assim, contribuir para a construção de suas identidades”, acrescenta Rosângela.

Na brincadeira, uma criança não-deficiente é convidada a participar da aula. O objetivo é mostrar que os dois alunos – o surdo e o ouvinte – entendem as coisas por meios diferentes (língua de sinais e língua oral). Atrás das duas crianças, a professora explica, em Libras, a ordem que será dada para os dois participantes. Em seguida, ela dá uma ordem, em língua oral, do tipo: “Corra como a Branca de Neve”. A criança surda não atende à solicitação. A brincadeira se repete com várias ordens. Os alunos surdos que estão em frente à dupla vêem as ordens, que são primeiramente dadas em Libras e, em seguida, em linguagem oral, mas observam que elas não são cumpridas pelo colega surdo. De costas para a professora, ele não tem acesso visual ao que está sendo pedido em linguagem de sinas. Então, o ouvinte ganha o jogo.

Na segunda fase do jogo, as regras são invertidas. De frente para a dupla, a professora dá as ordens em Libras. Nesse momento, para a alegria dos surdos, há uma virada: a criança ouvinte, que não domina a língua de sinais, não consegue cumprir as tarefas e perde.

“Deste modo, eles percebem a diferença entre as duas línguas e passam a compreender o significado real das expressões surdo e ouvinte. Em seguida, sugiro que andem pela escola e perguntem aos funcionários, professores e colegas se eles são surdos ou ouvintes e se conhecem, ou não, a Libras”, conclui a professora.

Outra atividade elaborada pela professora ajuda os alunos surdos a compreender o uso das formas simbólicas que caracterizam a escrita. Mais uma vez recorrendo à Literatura Infantil, ela pede a um adulto ouvinte que participe da aula. A tarefa do convidado é contar para a turma a trama do livro sem ter acesso à escrita. Ele só poderá recorrer às gravuras. Depois de um tempo de tentativa e diante da dificuldade que certamente surge, a professora oferece o texto. As crianças percebem, então, que, através da leitura, fica mais fácil identificar os fatos da narrativa e, assim, compreendem uma das funções da escrita.

“Poucas crianças surdas conseguem avançar na escola. E, na maioria das vezes, elas não têm qualquer problema cognitivo, simplesmente não conhecem a linguagem. Se a língua estrutura o pensamento, que pensamento terá o surdo que não tem língua?”, questiona Rosângela, que atualmente faz mestrado em Lingüística na UFRJ – pesquisa em Linguagem e Surdez – e coordena um curso de Japonês para surdos também na universidade federal.

Aquisição x aprendizado

Segundo Rosângela Ramos, a Libras é uma língua com todas as características fonológicas, morfológicas, sintáticas e semânticas das línguas orais.

“A Língua de Sinais é a língua materna dos surdos. Ela é uma língua de modalidade visual-gestual, ou seja, as informações são percebidas pela visão e expressadas por meio de movimentos gestuais e expressões faciais. Portanto, a despeito do que muitos pensam, as línguas de sinais são línguas naturais que possuem a mesma complexidade e expressividade das línguas orais. É possível discutir qualquer assunto. Infelizmente, alguns mitos sobre as línguas de sinais têm prejudicado os surdos. No Brasil, por exemplo, ela só foi reconhecida como língua em 2001. Está tudo muito recente”, pondera.

A professora defende ainda que, ao aprender a Libras, o aluno surdo faz uma aquisição de conhecimento, e não um aprendizado. Aprender, na opinião dela, seria, no caso de surdos, apenas uma imitação ou repetição dos sons emitidos pelos ouvintes.

“A segunda língua você pode aprender por já ter como suporte a primeira. O processo de oralização para os surdos é penoso, porque, neste modelo, eles se limitam a repetir sons que não têm qualquer significado”, esclarece.

O método, afirma Rosângela, contribuiu para a integração das crianças surdas às turmas regulares que elas freqüentam, conforme a escolaridade de cada uma, quando não estão na sala de recursos. De acordo com a professora, são permitidas adaptações curriculares para possibilitar uma melhor avaliação desses alunos durante o ano letivo. Entretanto, todo o trabalho conta com o apoio do professor especializado.

O método desenvolvido por Rosângela já foi apresentado no 4.º Encontro de Literatura Infantil e Juvenil, realizado na UFRJ, em maio deste ano. No segundo semestre, a professora viaja para Nova Iorque (EUA) para expor o seu método no “Encontro Anual 2005 da American Association of Teachers of Spanish and Portuguese (AATSP)”, que acontecerá de 28 de julho a 1.º de agosto no Sheraton Hotel.


Professora: Rosângela Ramos de Barros

VÍDEO AULA SOBRE SURDEZ – PARTE 1

VÍDEO AULA SOBRE SURDEZ – PARTE 2

Livro – Ideias para Ensinar Português para alunos surdos

Fonte: Secretaria de Educação Especial

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Este livro contém um conjunto de propostas de atividades para ensinar língua portuguesa escrita para alunos surdos, desde a alfabetização até os anos iniciais do ensino fundamental. Auxilia o professor no desenvolvimento de práticas educacionais na sala de aula comum e no atendimento educacional especializado.

A versão eletrônica desse documento está disponível para download nos dois formatos abaixo:

  • Idéias para ensinar português para alunos surdos – txt | pdf

8 thoughts on “Alunos com Deficiência Auditiva

  1. Eu tenho uma dúvida recebemos um aluno em curso técnico deficiênte auditivo, que não quer aprender Libras. Ele não faz leitura labial, a familia criou um linguagem própria para se comunicar.
    Como proceder, pois o aluno apresenta muitas dificuldades para realizar o curso.
    aguardo.
    Rosana

    Cybele Reply:

    Olá Rosana, tudo bem?

    Esta família deve ser orientada para desenvolver a linguagem convencional dos deficientes auditivos, pois mesmo que você aprenda a linguagem dele para se comunicar com ele, quando ele sair da escola não se comunicará com ninguém. Ele até pode se comunicar em casa do jeito que já está habituado, porém para fora de casa ele tem que se comunicar através da linguagem comum aos deficientes auditivos.
    abraços
    Cybele Meyer

  2. Olá professora Cybele, adorei o que acabei de ler, sou professora da sala de recurso e realmente para que o aluno auditivo atinja o seu aprendizado é preciso que conhecemos o mundo dele, antes de exigir do mesmo q aprenda o nosso, onde n tem sentido para ele repetir palavras que nem sabe o que é. Isso é relamente viver e fazer acontecer a inclusão!!!PARABÉNS

    Cybele Reply:

    Olá Rosangela, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho do comentário e por enriquecer ainda mais o nosso espaço.
    Volte sempre!
    abs

    Cybele Reply:

    Olá Rosangela, tudo bem?

    Muito obrigada pelo carinho do seu comentário.
    Excelente obter a opinião de quem está em contato direto com esta realidade.
    Volte sempre e continua acompanhando o Educa Já!
    abs

  3. Fiquei muito contente em descobrir este site, pois trabalho com alunos com deficiência auditiva, e essas dicas nos ajudam,obrigada por estas iniciativas em ajudar na inclusão de pessoas que precisam exercerem suas cidadanias.
    Beijos!!!

    Zizita Rangel

    Cybele Reply:

    Olá Zizita, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho de sempre.
    Continuamos juntas em 2013.
    abraços
    Cybele Meyer e Equipe Educa Já!

  4. Gostaria de uma opniao, meu filho e deficiente auditivo e estuda em escola particular , mas esta tendo muita dificuuldade em portugues e outras materias como geografia ,ciencia e historia, pois vejo que a escola nao esta preparada para recer meu filho, pois as provas sao iguais para todos ols alunos ou seja os ouvintes, e ele acaba nao conseguindo, meu filho tem o impkante coclear e e fala gostaria de saber se as escolas publicas estao mais preparadas do as escolas particulares me ajudem por favor.

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