Instituto Coca-Cola Brasil e Fundação SOS Mata Atlântica #sustentabilidade

Estive nesta quinta-feira, dia 15 de abril, em Itu para participar de uma visita monitorada pela querida Maria Luiza Ribeiro, carinhosamente chamada de Malu, da Fundação SOS Mata Atlântica que em parceria com o Instituto Coca-Cola Brasil desenvolvem o Projeto Água das Florestas Tropicais que tem como princípio mobilizar a sociedade  quanto a restauração florestal e o consumo consciente da água do Ribeirão Piraí que abastece os municípios da minha região: Indaiatuba, Salto, Itu, Cabreúva, Itupeva e Jundiaí.

A Bacia Hidrográfica Ribeirão Piraí é o resultado das águas do Ribeirão Guaxinduva (que nasce na Fazenda que leva o mesmo nome) do Córrego Pé do Morro e do Córrego Gavirutuva. Todos nascem na Serra do Japi que fica no município de Cabreúva cuja sua cabeceira apresenta um volume de 400 litros por segundo. O Piraí tem 46 quilômetros de extensão percorrendo os municípios de Indaiatuba, Itu e Salto desaguando no Rio Jundiaí já com um volume de 2000 litros por segundo. Em alguns pontos do percurso ele sofre terríveis impactos com a população ribeirinha que  despeja seu esgoto deixando clara a necessidade da existência de um sistema adequado de coleta. Conforme segue seu curso vai recebendo poluição doméstica e industrial até chegar à sua foz.

Graças que todo este mau hábito pode ser corrigido e como resultado o Piraí pode voltar a ser saudável. É justamente este o objetivo do Projeto Águas das Florestas Tropicais que nos foi transmitido pela Malu durante toda a visita conforme relato abaixo.

Este Projeto tem por meta num prazo de cinco anos plantar 3,3 milhões de mudas em 3 mil hectares na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Piraí tendo já plantado 82 hectares em 23 propriedades rurais de Itu desde 2009 quando o Projeto foi iniciado.

Como é feito este trabalho? A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Coca-Cola trabalham no convencimento dos proprietários, um trabalho realizado corpo-a-corpo, para que através do plantio destas mudas restaurem e regularizem suas Áreas de Preservação Permanente (APP) perante o código Florestal.

Observando o mapa Malu fala sobre os vinte e sete pontos para medir como está a qualidade da água e quais os fatores que impactam negativamente. Ela afirma que há locais onde a água era ruim e em dois anos de projeto já apresentam uma qualidade de água “ótima”. Há muito poucos pontos com qualidade ruins, mas é sazonal. E não se pode esquecer que se estás falando de uma APA das florestas tropicais (Área de Proteção Ambiental).

O Projeto Águas da Floresta Tropical tem o objetivo de integrar a gestão da Mata Atlântica q é uma floresta produtora de água com a conservação dos recursos hídricos e reguladora do clima, ou seja, a água para o abastecimento público. A Mata Atlântica é uma floresta que produz água e precisa dela  para existir. A relação entre elas é de simbiose, ou seja, uma não existe sem a outra. As grandes capitais como São Paulo, Curitiba e Florianópolis são abastecidas pela Mata Atlântica e consequentemente são grandes consumidoras da água. Ao mesmo tempo em que precisa da água oriunda da Mata se destrói a mata ocupando a área de beira de rio que deveria ser protegida pelo código florestal. As matas ciliares são importantíssimas para a conservação tanto dos rios quanto da biodiversidade. Os beneficiados diretos da nossa região são os moradores da cidade que captam água destas nascentes como Salto, Indaiatuba, Itu, Cabreúva que está no meio da bacia e Jundiaí que está na nascente da bacia. As pessoas que moram nestas cinco cidades precisam saber que a  água que elas bebem e que elas utilizam vem da Mata Atlântica.

Vinicius Madozio explicando sobre o Projeto

O modelo econômico até agora era insustentável. Iniciou-se com a exploração do Pau-brasil que existia na Mata Atlântica, depois veio o ciclo da cana o qual desmataram toda a região, plantaram cana em tudo, após a colheita colocavam fogo e vendiam para a Europa. Depois veio a quebra econômica e com ela o empobrecimento de todos os trabalhadores de todas as fazendas. Então vem o ciclo do café e tudo isso foi contribuindo para um grande empobrecimento do solo e uma degradação ambiental imensa. Após estes ciclos vem o do gado, ocorre que esta região não é propícia a criação do gado porque tem muitas pedras e muitas encostas. Então houve uma degradação ambiental e com ela uma degradação social e econômica. Isto caracteriza a falsa ideia dos antigos ruralistas que afirmavam que o Brasil seria o celeiro do mundo se desmatasse tudo e plantasse para produzir. Ocorre que sem Mata não há água e sem água não há vida. Então é preciso que haja um equilíbrio e para isso o Projeto busca oferecer aos proprietários uma capacitação de como ter uma gestão sustentável. Este é um dos grandes desafios sociais do projeto, pois o proprietário de terra ele sabe que precisa haver água porém ele não se sente parceiro do projeto pois não recebe suporte técnico e nem benefícios financeiros e também não há o reconhecimento pela sociedade da sustentabilidade ambiental das suas terras e que traga divisas econômicas.

Hoje, este Projeto faz destes proprietários conservacionistas produtores de água, e passam a receber recursos financeiros por serviços ambientais que eles prestam para a sociedade como o sequestro de carbono e a produção da água. Conservar a natureza para eles passa a ser sustentabilidade econômica, e também um incentivo para o exercício de outras atividades econômicas. Há o turismo rural a exemplo de Itu que é uma instância turística e tem esta filosofia rural e ecológica. Há o fornecimento do veneno de cobra para que se faça o soro que é uma matéria prima cara e que precisa de um habitat bem preservado para existir. Também a piscicultura, a produção de mel, de hortaliças, ou seja, todas dependem da biodiversidade para uma produção sustentável.

O programa tem um fundo específico que visa trabalhar com o pagamento pelo serviço ambiental desta área restaurada. São dois serviços com base no Protocolo de Kioto:

  • Crédito de carbono, ou seja à medida que a floresta for crescendo ela vai sequestrando o carbono e o proprietário irá receber por isso durante 30 anos;
  • Produção de água, pois se o proprietário deixa de lotear a terra e construir um condomínio em cima desta nascente, que lhe traria um lucro imediato bem significativo, e com esta ação ele propicia que a população se beneficie desta água, a sociedade e as empresas que distribuem esta água terão que pagar por isso. Este pagamento vem através da Cobrança pelo uso da água proporcional à quantidade de água que ele ajuda a conservar.

Esta ação passa a ser reconhecida pela sociedade por meio de uma lei muito nova que entrou em vigor este ano de 2010 onde a propriedade que, até então era encarada como improdutiva, pois só havia mata estando sujeito até a desapropriação rural, passa a ser valorizada pela sua sustentabilidade Está havendo uma mudança de paradigma.

E por que a parceria do Instituto Coca-Cola com a Fundação SOS Mata Atlântica optou pela recuperação das águas desta região, uma vez que a Mata Atlântica existe em 17 estados do nosso país? Assista ao vídeo abaixo.

Fomos todos numa Van beirando o rio Tietê rumo a primeira fazenda que aderiu ao Projeto Águas das Florestas Tropicais denominada Fazenda Capoava localizada no bairro de Pedregulho em Itu a 90 km de São Paulo.

Rio Tiete – Município de Salto

Fizemos uma parada para apreciar de perto um Jequitibá rosa com mais de 500 anos de existência.

O Jequitibá rosa de acordo com o livro da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica é a espécie mais ameaçada de extinção  e que existe em poucos lugares do Brasil como do sul de Minas até a nossa região e este aqui. Por que ele ainda está ai? Porque ninguém conseguiu cortar devido a sua localização. Os primeiros a utilizar a madeira destas árvores foram os bandeirantes para fazer barcos que eram chamados de batelões e que  transportavam cerca de vinte pessoas. O barco que está no Museu Paulista é feito com uma metade do Jequitibá e o barco feito com a outra metade está no Museu das Monções em Itu.

Assista a explicação da Malu.

Ao chegarmos na Fazenda Capoava formos maravilhosamente recebidos com um almoço delicioso que resgata a história da culinária paulista e que nos brindou com sobremesas deliciosas.

Fazenda Capoava

Em seguida nos reunimos com a Bia num dos ambientes da fazenda onde conversamos informalmente sobre a sua parceria com o Projeto, a preservação da mata e o plantio de mudas recompondo a mata ciliar. Também falou da opção pelo ecoturismo e o turismo rural e partilhou que já sente o resultado destas ações com o retorno  das aves, de lontras que é um animal bioidentificador, do cachorro do mato e muito mais.

Bia falando sobre a Fazenda Capoava

Porém, tudo que é bom dura pouco e tivemos que retornar.

Foi um dia inesquecível!

Deliciem-se com as fotos do local e esta é uma excelente opção de lazer.

Fazenda Capoava

10 thoughts on “Instituto Coca-Cola Brasil e Fundação SOS Mata Atlântica #sustentabilidade

  1. caramba, Cybele, seu texto está bom demais! Muito completo! Tão completo, que cheguei nele via google pq queria saber a extensão da Bacia do Piraí. Ainda estou fazendo o meu, mas preferi dividí-lo em dois, pois abordarei duas percpectivas difentes. Enfim, ainda não tenho certeza se o texto vai pedir vídeo, mas se pedir, vc edixa eu usar o primeiro, que tem uma explicação muito boa da Malu? Juro que dou os créditos! hehehehe

    Beijos,
    Julianna

    Cybele Reply:

    Olá Juliana, bom dia!

    Obrigada pela visita e pelo comentário. Adorei! 🙂
    Claro que pode usar o vídeo, com certeza!
    Eu adorei a visita e o assunto é dos melhores.
    Se precisar de algo é só pedir, ok!
    Beijinhos e ótima semana pra vc

  2. Olá Cybele, no ano passado visitei a Serra do Japí para fazer um trabalho de campo. É realmente um lugar maravilhoso. =)
    Beijos.

    Cybele Reply:

    Olá Thanuci, tudo bem?

    É um lugar que eu não conheço mas que está na minha lista de lugares especiais.
    Foi uma experiência incrível esta visita de quinta em Itu.
    beijinhos e obrigada pela visita e por comentar.
    🙂

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