Curiosidade infantil: responder às dúvidas não é um bicho-papão #gazetaonline

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Fonte: Corpo de Bombeiro – CBMSC

Fui entrevistada pela Gazeta Online do Espírito Santo e os assuntos abordados foram muito interessantes.

Vale a pena ler e não deixe de dar a sua opinião sobre os assuntos em foco:

Curiosidade infantil: responder às dúvidas não é um

bicho-papão

25/04/2010 – 09h19 (Outros – A Gazeta)

Você não entende muito bem a morte, eles muito menos. Se a violência bate à porta, você fica sem reação – principalmente quando ela parte de quem deveria proteger, como no caso do pai que jogou as filhas da ponte, em Nova Almeida -, e imagine como eles ficam. Quando é para falar de sexo ou pedofilia, então, muitas vezes falta até informação. Se esses assuntos já são difíceis para gente grande, traduzir para os pequenos é ainda mais desafiador. E a dúvida que sempre fica é: como informá-los sem assustar ou pecar pelo excesso de proteção?

Em geral, psicólogos e psicopedagogos defendem que os pais não devem, nunca, mentir para as crianças. Em algum momento, elas vão querer saber por que as pessoas morrem, como um pai tem coragem de matar os próprios filhos e de onde vêm os bebês – só para citar alguns dos vários “por ques” típicos da infância. E com a facilidade que elas têm as informações, hoje, fica ainda mais difícil fugir dos assuntos delicados, mesmo daqueles para os quais nem você tem respostas precisas.

“Se o pai mente, o filho vai acabar descobrindo mais adiante. Se omite uma informação, é ainda pior, porque a criança pode encontrar fontes de informação não confiáveis ou, simplesmente, criar versões na sua cabeça capazes até de provocar bloqueios e traumas”, explica a psicopedagoga Cybele Meyer.

O melhor, portanto, é ser sincero na medida do possível. Mas também não adianta provocar assuntos que não sejam do interesse do seu filho. “Explicar o que é a violência para uma criança menor de cinco anos é, em geral, perda de tempo. A não ser que a pergunta parta dela”, diz a psicopedagoga Maria José Cerutti Novaes.

Isso acontece porque até os sete, oito anos de idade, a capacidade de abstração da criança ainda não foi desenvolvida a ponto dela compreender conceitos amplos como o de amor, respeito e bondade. Vale, nesses casos, estar sempre pronto quando as perguntas surgirem.

http://1.bp.blogspot.com/_dJX-pPtu3fY/S2o-629Z0gI/AAAAAAAAACk/-NEANYMTkao/s320/child-sad.jpgCom jeitinho, eles superaram a morte do avô
Há cerca de uma mês, a web designer Bianca Guimarães, 27 anos, teve que enfrentar uma das tarefas mais difíceis para os pais: explicar aos filhos o que é a morte diante de um fato concreto. Depois de mais de três meses hospitalizado, o avô de Robson, oito anos, Lívia, cinco, e Cauã, um ano, morreu. “Quando percebi que isso poderia acontecer, comecei a preparar o Robson e a Lívia. Eu dizia que o vovô estava muito doente e que talvez o papai do céu iria levá-lo para perto dele, mas que isso era algo natural, que fazia parte da vida”, conta. A reação dos filhos, claro, foi de tristeza, mas com o tempo, eles entenderam que tudo fazia parte da “natureza humana”, como a mãe explicou. “Eles choraram a perda do avô, e ainda sentem saudades. Mas decidiram por conta própria ir ao velório e hoje se lembram dele com carinho”, diz. Em outros assuntos, a postura da mãe é a mesma: “Não escondo quando eles perguntam sobre violência, por exemplo. A proteção que temos que dar é a confiança”, defende.

Contos de fadas podem servir de apoio
Uma das formas mais fáceis de fazer as crianças menores de cinco anos entenderem assuntos como violência e morte é recorrer a histórias infantis. Até essa idade, a capacidade de abstração do indivíduo ainda não está desenvolvida, ou seja, ela não é capaz de entender ideias e conceitos não concretos, como bondade, maldade, afeto e respeito. Mas, se o adulto lança mão de histórias que ajudam a materializar esses conceitos, a compreensão é facilitada. Vale até mesmo contar histórias criadas pelos próprios pais, dependendo do assunto que se quer tratar.
“Algumas das histórias de contos de fadas, por exemplo, trabalham questões importantes para quem quer falar sobre violência e respeito ao outro”, explica a psicopedagoga Cybele Meyer.

Cybele lembra, ainda, que determinados assuntos não devem ser provocados na infância, se não houver interesse por parte da criança. “Isso acontece porque, como essa capacidade de abstração ainda não foi desenvolvida, a criança simplesmente poderá não absorver aquilo que for dito”, diz.

Crianças de até 6 anos ficam mais abaladas
Ainda que os pais sigam toda a cartilha de como ajudar os seus filhos a entender e passar por momentos difíceis como a morte, os traumas podem surgir, principalmente quando a situação é vivida pela criança. Se o seu filho vivenciou uma situação de violência ou demonstrou não lidar bem com a morte de um parente próximo, fique atento ao seu comportamento.

O medo de ficar sozinha, as alterações nos hábitos alimentares, a dificuldade de voltar a se relacionar com colegas e mesmo com adultos, o isolamento e até mesmo a volta do hábito de fazer xixi na cama devem ser olhados com maior atenção.

A psicopedagoga Maria José Cerutti Novaes explica que é comum as crianças de até seis anos ficarem mais assustadas e abaladas com a violência. “Quando já estão maiores, se sentem mais à vontade para perguntar aos pais o que não consegue entender e comentar com outras pessoas o que viu ou ouviu. Antes disso, o importante é estar atento e procurar ajuda especializada quando perceber que algo está errado”, orienta.

Sem saia justa
Saiba como lidar com cada tema respeitando a inteligência da criança e sem pular etapas do seu desenvolvimento

Violência
Não esconda da criança assuntos relacionados à violência. A curiosidade é natural, assim como a insegurança

Puxar o assunto sem motivo também não é uma boa. O ideal é que o interesse parta da criança

Não tente justificar a prática de atos violentos. Dizer que um pai matou um filho porque perdeu a cabeça é, de certa forma, concordar com o que foi feito. Não tente buscar explicações para o que nem você sabe explicar

Diga à criança que aquele foi um ato de uma pessoa má, que aquilo não é “normal” e que não tem nada a ver com a sua família. Dê segurança a ela

Para crianças menores de cinco anos, uma boa dica é abordar essas situações por meio de histórias infantis

Se ocorrer uma situação de violência na família, procure tranquilizá-la, sem esconder o assunto. Se perceber alguma mudança de comportamento, procure ajuda especializada

Morte

Esse é um assunto que pode ser abordado com a criança independentemente dela perguntar. Afinal, preparar os pequenos é a melhor maneira de ajudá-los a enfrentar uma morte na família, por exemplo.

Os questionamentos sobre esse assunto geralmente surgem a partir dos três anos de idade. É importante responder a todos os questionamentos, mas sem inventar histórias como a de que as pessoas viram “estrelinhas no céu”

Uma dica sobre como explicar a morte é compará-la à morte de plantas e de outros animais, como um bichinho de estimação ou um passarinho. Explique que isso faz parte da natureza humana.

Ao mesmo tempo, é bom confortar a criança e explicar que as boas lembranças das pessoas queridas vão ficar para sempre com ela

Quando acontecer uma morte na família, o ideal é não esconder o fato da criança. Prepare-a antes de contar e não demonstre desespero

Se a dúvida for a de levar a criança ao velório ou não, pergunte a ela. Não force a participação, mas também não tente protegê-la sem que ela queira proteção. Se a decisão for de levá-la, prepare-a antes, explicando o que vai ver e que haverá pessoas tristes no local

Pedofilia

É uma preocupação muito atual e o assunto deve ser tema de conversa com as crianças acima de quatro anos ou quando elas começam a frequentar lugares sem a presença dos pais

Explique a ela que existem pessoas más e que, muitas vezes, elas podem apenas parecer “boazinhas” para conseguir o que querem

Oriente-a a não conversar com estranhos, a não dar informações sobre si, a não se deixar tocar por outras pessoas e a falar com você sempre que perceber algo errado

Se a criança fizer perguntas a respeito de sexo, explique o que é, com naturalidade, dentro dos limites de entendimento da crianças, e deixe claro que é algo praticado entre adultos

Sexo

Os questionamentos sobre o assunto começam a surgir por volta dos três ou quatro anos

É importante lembrar que os pais são os modelos da criança. Por isso, elas tendem a copiar aquilo que veem os adultos fazendo. É preciso dizer a elas o que pode e o que não pode ser feito, como beijar na boca de outras pessoas

Quando for questionado sobre sexo, não fuja do assunto. Também não invente histórias como a da cegonha para explicar como nascem os bebês. Com o tempo, a criança vai precisar ir além e essas histórias terão que ser desmentidas por você mesmo

Trate o assunto com naturalidade e vá respondendo na medida em que a criança pergunta. Não é preciso ir além do que ela quer saber

Fonte: Psicopedagogas Cybele Meyer e Maria José Cerutti Novaes

Violência: resposta deve dar segurança aos pequenos
Seu filho fica sabendo, pela televisão, que um pai matou o próprio filho. Minutos depois, a criança pergunta: “Mamãe, por que ele fez isso? Ele não gostava do filho dele?”. Se você ainda não passou por uma situação como essa, certamente irá enfrentá-la algum dia. A repercussão de casos como o da menina Isabela Nardoni, morta pelo pai e pela madrasta em 2008, e do pai que jogou as duas filhas da ponte de Nova Almeida, na Serra, há pouco mais de uma semana, assustam não só os adultos, mas também as crianças.

A resposta, seja ela qual for, deve vir sempre acompanhada de muita segurança. “A criança, além de querer saber a verdade, precisa se sentir segura diante da sua família. Se o pai tenta explicar os motivos para acontecimentos brutais como esses, a sensação que ficará na criança é de ele concorda com aquilo e de que, portanto, isso pode acontecer com qualquer pessoa, inclusive com ela”, alerta a psicopedagoga Cybele Meyer.

Explicação
A melhor saída é explicar à criança que existem pessoas más e deixar claro que isso não aconteceria na sua família, sem se aprofundar nos possíveis motivos que levariam uma pessoa a ser violenta com os próprios filhos. “Não adianta esperar da criança uma compreensão desses possíveis motivos. O que ela precisa é saber que isso acontece sim, mas não com ela”, orienta Cybele.

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