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Sugestão da Professora Jaldete Regina da Rosa Flores – Agressividade na Pré-escola.

Imagem Gustavo Duarte

Ao conversar com a criança de pré-escola e mostrar a ela comportamentos positivos, você contribui para resolver problemas de agressividade. Mas é importante envolver os pais nesse processo.
Em meio a brincadeiras e risos na hora do recreio, você escuta o choro de um aluno. Ele acaba de ser agredido por um colega. A cena é comum – e até normal – em turmas com crianças de até 6 anos. Mas, quando uma delas machuca os outros com freqüência e reage violentamente às dificuldades, é sinal de que a agressividade ultrapassou os limites.
Até os 3 anos de idade, dar tapas, empurrar o amigo ou qualquer outro tipo de contato físico pode significar desejo de aproximação e não necessariamente vontade de incomodar. Entre 4 e 6 anos, os pequenos já sabem comunicar situações que não lhes são agradáveis. “Nessa idade, a criança é capaz de brincar ‘com’ e não apenas ‘ao lado de’ amigos. Ela começa a perceber as regras de convivência”, afirma a psicóloga Maria Betânia Norgren, professora de arteterapia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Esses estágios de desenvolvimento não acontecem exatamente ao mesmo tempo: alguns podem apresentar por um período maior comportamentos mais ou menos avançados em relação à idade. Nem todas as crianças se adaptam facilmente a essas mudanças emocionais, o que pode também ser uma causa das reações hostis.

Entre as causas estão a falta de cuidado e a violência
“A agressividade exagerada geralmente é sintoma de problemas mais graves”, alerta Ivânia Pimentel, terapeuta e supervisora da Associação Criança Brasil, que atende 600 jovens em São Paulo. Entre os fatores desencadeadores de procedimentos agressivos estão: temperamento difícil e impulsivo; falta de carinho; violência física ou emocional; ausência de limites ou tolerância excessiva dos pais; excesso de energia mal canalizada; necessidade de experimentar limites até reconher os próprios controles; não tolerar frustrações; e deficiências físicas ou mentais ainda não descobertas.
A criança com comportamento agressivo pode estar passando por situações especiais sem o devido apoio, como separação dos pais, nascimento de um irmão ou morte de alguém querido. Para Ana Coelho Vieira Selva, professora do Departamento de Psicologia e Orientação Educacional da Universidade Federal de Pernambuco, “é fundamental que o aluno não seja estigmatizado nem acusado por atos agressivos”.

Você pode dar exemplos de atitudes equilibradas
Pais e familiares são os principais exemplos de conduta para os pequenos, mas você também tem papel importante na formação emocional deles. Se o professor grita e resolve os conflitos em classe de maneira agressiva, o aluno pode reproduzir essas atitudes. “Uma das funções da escola é civilizar o indivíduo, não sendo condescendente com a agressividade exagerada”, analisa Rinaldo Voltolini, professor de Filosofia da Educação da Universidade de São Paulo.
Uma atitude positiva é se aproximar do estudante. Dessa forma, ele vai se sentir à vontade para expressar seus sentimentos e pode até tentar explicar seus gestos impetuosos. Ofereça chances de a criança se retratar e crie situações de estímulo: substitua o “Isso não se faz!” por “Você é um garoto legal. Não vai mais querer bater no amigo”. Converse com o aluno no pátio ou no parquinho. Salas fechadas, como a temida diretoria, podem causar constrangimento.
Há algumas práticas que você pode adotar para reduzir o comportamento agressivo (veja quadro abaixo). Atividades que apresentem modelos de comportamento bem-aceitos também funcionam. Monte, por exemplo, um teatrinho de bonecos e represente conflitos comuns entre as crianças, intercalando situações em que as agressões trouxeram conseqüências desagradáveis com as que foram resolvidas com cooperação, amizade e diálogo.

Conversa com os pais é delicada, mas essencial
A comunicação entre a família e a escola é imprescindível. Não desista se as primeiras reuniões com os pais forem difíceis. “Normalmente eles acham que a professora ‘marca’ o filho. Alguns acabam aceitando; outros, porém, chegam a tirar a criança da escola”, alerta Salvane Andrade Silva, diretora da Espaço Criança Centro de Educação Infantil, no Distrito Federal.
Se os pais não colaboram, há no mínimo três possibilidades: faltam parâmetros de comparação, por terem somente um filho; a agressividade é normal em casa; ou existe problemas na relação familiar e os pais sentem vergonha de assumi-los. No Instituto Madre Mazzarello, em São Paulo, um aluno de 4 anos batia nos colegas. Quando a mãe foi chamada, ela chegou a dizer que a professora é que não tinha jeito com ele. “Sete meses e muita conversa depois, a mãe revelou que o marido a agredia fisicamente. “Indicamos um psicólogo e com o tratamento a criança se acalmou”, conta a orientadora educacional Ana Paula Cussiano.
Uma boa maneira de começar a conversa com os pais é ressaltar as qualidades do aluno – se iniciar falando dos defeitos e do comportamento, eles podem achar que você não gosta dele e não vão querer escutá-lo. Explique que a criança necessita de ajuda e exponha tudo o que a escola já fez para tentar resolver o problema. Indique psicólogos de confiança ou sugira alternativas gratuitas em faculdades ou postos de saúde de sua região.

Para promover a boa convivência do grupo
Oriente os alunos a avisar você quando acontecer uma agressão.
Jamais incentive crianças a responder a atos agressivos com violência.
Converse com a turma sobre o que é certo e o que é errado e combine regras de boa convivência.
Conte histórias sobre amizade, amor e relações tranqüilas.
Recompense as boas condutas.
Programe atividades físicas em que os alunos gastem bastante energia.
Realize brincadeiras em que haja contato físico entre as crianças, como as rodas.
Leve a garotada para brincar ao ar livre.
Aplique técnicas de relaxamento.
Monte uma brinquedoteca.
Como ajudar o estudante agressivo
Crie uma relação de amizade e confiança com ele.
Estabeleça claramente os limites.
Incentive manifestações de afeto, segurança, senso de responsabilidade e de cooperação.
Nunca grite, brigue ou discrimine esse aluno.
Lucita Briza e Pricila Del Claro


É Agressivo ou Está Agressivo???
– Eis a Questão! –

Todos os seres humanos (e inclusive os animais) trazem consigo um impulso agressivo. A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade de todas as pessoas. Portanto, é algo natural.
No entanto, a maneira de reagir frente à agressividade varia de sociedade/Cultura, pois cada uma tem as suas leis (umas inclusive agressivas), valores, crenças, etc.. Alguns comportamentos agressivos são tolerados, outros são proibidos.
Nas sociedades ocidentais, bastante competitivas, a agressividade costuma ser aceita e estimulada quando esta vale como sinônimo de iniciativa, ambição, decisão ou coragem. Mas é impedida, reprimida ou punida quando identificada como atitudes de hostilidade, de sentimentos de cólera.
Confuso, não?!
“MEU FILHO É AGRESSIVO…!” Para cada um de nós esta frase tem uma conotação, um significado diferente pois determinado tipo de comportamento pode ser considerado agressivo para uns e não para outros.
Mas afinal, O QUE É SER AGRESSIVO???
Seria qualquer ação que pretende danificar algo ou alguém. Geralmente, estes atos agressivos não são a verdadeira expressão de raiva, mas sim desvios de outros sentimentos (como mágoa, insegurança, etc.) que devido ao fato da criança não saber como lidar com eles, expressa-os através de atos agressivos.
Agressividade NÃO é traço de personalidade. Portanto, NÃO existem crianças que SÃO agressivas – se digo que “Joãozinho é agressivo”, esta agressividade se torna parte dele, da sua identidade/personalidade e isto é falso. O correto é dizer que “Joãozinho cometeu um ato agressivo”. Portanto o CORRETO seria dizer que a criança ESTÁ agressiva.
Existem dois tipos de agressividade:
a) INSTRUMENTAL: dirigida apenas para alcançar uma recompensa, não visa acarretar sofrimento ao outro.
b) HOSTIL: tem como objetivo atacar/ferir o outro.
Podemos encontrar agressividade: VERBAL: ataca por meio de palavras, e FÍSICA: envolve o ataque físico (corpo).
Dentre os fatores que influenciam a agressividade, encontramos o meio ambiente no qual a criança está inserida. Geralmente acredita-se que a agressividade provém apenas de força interna, que é algo inerente ao indivíduo. Ao contrário, é o ambiente que perturba a criança. O que falta internamente à criança é a capacidade e a habilidade para lidar com esse ambiente que a deixa com raiva, com medo, insegura…
Logicamente, todos nós sofremos pressões do ambiente em que vivemos e nem todos respondemos à esse ambiente com comportamentos agressivos. O que acontece é que para alguns existe um déficit frente à capacidade de tolerar frustrações, para tolerar a falta e suportar coisas que não podemos ter na vida, que não sabemos ou que não entendemos.
Sabemos então que a agressividade não é algo inato, algo com que a criança já nasça e nem um traço de personalidade. Ela é influenciada pelo meio. Porém antes da criança receber a influência deste meio macro-social, em uma primeira etapa a criança é influenciada pelo meio micro-social, ou seja, pela sua família. Somente depois é que era assimilar os valores da sociedade e dos meios de comunicação.
Assim, atos agressivos podem ser APRENDIDOS por meio da observação de modelos agressivos também pode ter efeito de aumentar o comportamento agressivo do observador. Portanto, é de se esperar que, em geral, crianças recompensadas por agressão e as que vêem muita agressão nas pessoas que a cercam tornar-se-ão mais agressivas do que aquelas crianças que tem modelos menos agressivos e que foram menos recompensadas por comportamentos agressivos.
ATENÇÃO também aos programas de televisão. Pode-se encontrar programas com imagens que chegam a requintes de perversidade…
Conclusão: NÃO há tendência inata ou subjacente para a agressividade. Tudo isso é comportamento aprendido. Por isso nunca existirão crianças tem a sua própria história de vida, cada uma levou “diferentes socos” da vida, cada uma foi educada em famílias diferentes, com valores e idéias diferentes… portanto só poderiam ser diferentes!!!
Cristina Felipe Corsini

Estratégias para Educação Infantil em situações de agressividade do aluno
Agressividade.

Algumas considerações, segundo Gerald J. Ballone:

Existem fatores individuais, familiares e ambientais.

Individuais – temperamento, sexo, condições biológicas e cognitiva
Familiares – interações e modelo educacional
Ambientais – televisão, videogame, escola

Estatisticamente, segundo seu relato ,a agressividade manifestada na pré-escola infelizmente evolui de forma negativa. È preciso esclarecer os limites entre travessuras da infância e transtornos de conduta ( reação vivencial, hostis, desproporcionais aos estímulos – dificuldade adaptativa).
As características temperamentais ainda em bebês são indicadores de uma tendência a conduta agressiva, pois demonstram uma maneira particular de se relacionar com o mundo. Essas crianças tendem a criar estresse na relação com a mãe – início do desenvolvimento de condutas agressivas (Pattersom, Dishiom e Reide, 1992).
Algumas pesquisas procuram relacionar a atividade da enzima MonoAminaOxidase (MAO) plaquetária diminuída com baixa capacidade de controle dos impulsos. Níveis baixos do neurotransmissor serotonina também foram relacionados a alguns comportamentos complicados, como por exemplo o suicida, piromaníaco, agressivo e cruel.
Atrasos mentais puderam ser relacionados com vínculo desorganizado na idade de 18 meses e com a falta de cuidados da mãe (Lyons – Ruth, Alperm e Repacholi, 1993)
Experiências passadas(memória de eventos hostis) criariam tendência a reagir de maneira mais hostil, interpretar situações ambíguas ou neutras como ameaçantes levaria a responder de maneira agressiva.
Os meninos já se apresentaram mais agressivos que as meninas, com as mudanças sócio-culturais este quadro vem mudando. A hipótese de maturidade psicoemocional se estrutura na observação de defasagem dos meninos em relação as meninas na linguagem e nas habilidades motoras.
As meninas apresentam-se mias cooperativas que os meninos segundo Prior, Smart Sansom e Oberklaide,1993.
As mães pouco afetivas significam situação de risco, gerando predisposição a condutas agressivas. Depressão materna, psicopatologia materna. Os pais reforçam essa tendência com atitudes teatrais, histéricas, descaso, permissividade, pais com traços anti-sociais, conflito conjugal, são fatores ambientais de estresse.
Resume-se muito a família a relação mãe e filho, quando percebemos que a coesão familiar demonstra resultados bastante positivos. Alguns estudos, mostram que os meninos menos problemáticos são aqueles que tem um pai que promove a coesão familiar e uma mãe que pouco crítica a postura desse pai (MacHale e Rasmussem,1998)
A televisão para alguns reforça a tendência agressiva para outros serve como auxílio a compreensão e interpretação da consciência (Huesmanm, Erom, kleim et al.,1983)
Vínculo – segurança
Escola – início de socialização (situação nova, novas pessoas, competição)

“O comportamento infantil resulta portanto da falta ou fracasso das estratégias pessoais para organizar respostas melhores adaptadas à necessidade de conforto e segurança que tem a pessoa (a criança) diante de situações estressantes.”

Agressividade natural – atitude adaptativa, normal, aumenta com a idade, da forma física e instrumental passa para forma verbal e hostil.
Dos 4 aos 6 anos – nojo, choro, e birra em relação aos pais
Dos 6 – 14 anos – competição (Cerezo, !997)

25 a 50% das crianças com comportamento agressivo reduzem sua agressividade (Hinshaw,Lahey e Hart,1993), esta diminuição acontece entre 5 e 8 anos. Diferente entre meninas e meninos (Ladde e Burgess, 1999)

A agressividade leva a rejeição por parte da sociedade, e essa rejeição acaba gerando mais agressividade.

Ballone, GJ _ Violência e Agressão; da criança, do adolescente e do jovem – in PsiqWeb Psiquiatria Geral< internet, 2001 –disponível em Htp://sites. Uol.com.br/gballone/infantil/conduta 2.htm

Segundo a psicanálise, a hipótese de uma “pulsão de agressão” teve origem numa conferência dada por Alfred Adler em 8 de junho de 1908.
Para Freud o que Adler chama de pulsão de agressão é a nossa libido ( energia pulsional).
O sadismo é uma forma particular de agressão ligada ao sofrimento infligido a outrem.
Uma pulsão é aquilo que torna o sujeito inquieto (uma necessidade insatisfeita)
A pulsão contém: a necessidade, a possibilidade de prazer e algo de ativo (a libido)
Surge portanto a angústia como um estádio da libido insatisfeita gerada pela repressão.
A pulsão tem portanto um caráter “pulsional” impulsivo, aquilo que podemos descrever como a capacidade de deslanchar a motricidade.
O retorno sobre o eu é entendido como masoquismo.
Uma “tendência a destruição” aparece então “dirigida contra o mundo e outros seres vivos”.3,
(dicionário de Psicanálise, Kaufmamn)

Conseqüências no social:
“É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida. No entanto, ao formular qualquer juízo geral desse tipo, corremos o risco de esquecer quão variados são o mundo humano e sua vida mental.”
Obras completas de Sigmund Freud, vol. XXI,
Texto: “ Mal estar na civilização”, pág. 81

Comentários:
O que é limite?
A agressividade voltada para o outro surge como fato destacado, percebido na falta de “limite”.
Nos primeiros anos de vida é natural e aceitável que a criança responda com impulsos agressivos aquilo que lhe contraria, lhe incomoda, quando o adulto não intervem de alguma forma ensinando-lhes novas possibilidades de reação.
No entanto, para Psicanálise o limite é algo que ultrapassa uma noção topológica.
Diz respeito as relações, ao desenvolvimento da personalidade.

Como isso se dá ou se percebe?
Vamos pensar no ser humano, na sua fragilidade, na sua dependência primordial e incapacidade de se proteger no primeiros anos.
Desde o seu nascimento várias emoções podem ser experimentadas pelo bebê, que na sua interpretação lhes dá várias conotações ao que sente. Frustração, satisfação, medo, incompreensão, dor, etc são sentimentos vivenciados e a maneira como quem cuida do bebê corresponde a esta demanda parece primordial no entendimento daquilo que demandamos.
Podemos então entender e pensar a pulsão de agressão a partir desta relação.
Sim, então se tudo começa nas relações primordiais a família adquire papel importante e fundamental no entendimento desta dinâmica e nas intervenções a serem realizadas também.

Porém de que forma?
Se pensarmos no universo escolar , podemos dizer que dar conta da diversidade é algo extremamente complicado, a medida em que não se trabalha individualmente, somente em grupo e geralmente não muito pequenos. No entanto, se o educador não tiver esta visão de multiplicidade de comportamento e necessidades de diversas maneiras de atuar e constante reciclagem dos atos e pensamento, o trabalho parece impossível a medida em que trabalhamos com seres humanos.
Estar atento as diferenças, intervir no dia-a-dia sempre mostrando novas maneiras de lidar com a situação, contactar os pais, colocá-los a par do que acontece, saber como a criança se comporta em outros ambientes, tomar ciência de possíveis momentos de dificuldade na vida pessoal, trocar idéias com especialistas que estejam acompanhando a criança, parecem atitudes bastantes produtivas.
Sabemos que muitas dessas ações são pertinentes a especialistas como psicólogos e orientadores educacionais, portanto se o professor puder ter uma visão diferenciada do problema saindo do lugar de apenas alguém que está ali para passar conhecimento para o seu aluno ,e passar a ter uma atitude onde a transferência entre professor e aluno possa ser lembrada como algo que acontece com freqüência e muitos sentimentos estão implicados nesta relação como em qualquer outra relação. Tal percepção, tal atitude poderá trazer resultados a medida em que se encontre um ponto de entendimento.

Comentários gerais:
A agressividade pode se manifestar de diversas formas. Contra si, contra o outro, em relação as atividades, até mesmo através de um desenho. Muito ligada a um sentimento de rejeição, sentimento este que se confirma a todo momento na sociedade, cada vez a criança agride mais , esperando que desta forma o vejam o entendam. O acolhimento parece um bom caminho para se chegar a essas crianças e entender o que elas estão demandando, à família ou à escola, mas que lhe é particular e tem relação com todos que a cercam.
A agressividade surge como sintoma. Sintoma que incomoda porque desafia o outro. A escola no lugar de um terceiro em relação a família é uma possibilidade de que através das relações sociais, a criança adquira uma nova visão sobre seus sentimentos e realizações.
A privação é inevitável. Até mesmo a mãe que tenta aplacar todos as necessidades de seu filho, não consegue. Porém, algumas relações demonstram uma falta de sintonia além do necessário, que na impossibilidade do diálogo passa a ser traduzido em sentimentos negativos e para alguns deixa marcas. Enfim, muitos são os motivos que uma criança pode ter para estar demandando uma intervenção ao seu sintoma. Cabe ao adulto estar atento e ter bastante sensibilidade ao agir.

Mensagem ao professor:“ No final de tudo, num dia muitas vezes cansativo, porém um tanto quanto produtivo e gratificante, talvez fique a ùnica certeza de que o que vale é a mais pura intenção em ajudar o aluno a vencer os seus obstáculos, as suas dificuldades e se ainda isto não for possível, porque sabemos bem, nós professores envolvidos no dia-a-dia, na relação, fica difícil separar as coisas e é necessária a intervenção de Outro, que possa na neutralidade enxergar desta forma e intervir, para que um caminho para solução possa ser produzida.
Como nas nossas relações primárias, a falta deste outro pode formar um abismo de tal forma que o vazio ou a completude se instale e um certo caos apareça enquanto sintoma.
A agressividade pode ser um deles.
Luciane Maria de Castro Nardino

Problemas de aprendizagem na pré escola e a psicopedagogia
As dificuldades de aprendizagem que surgem precocemente na pré escola , são de grande importância e a esperança de que o tempo as fará desaparecer , quase sempre não se concretiza
Problemas de imaturidade global não são a única causa de tais perturbações e uma discrepância entre o potencial da criança e a sua execução, devem sempre ser avaliadas com cuidado por um profissional especializado em dificuldades de aprendizagem, qualquer que seja sua idade. A maioria dos transtornos de aprendizagem, se estabecem antes dos sete anos de idade.
É um consenso em educação, que as crianças que apresentam dificuldades em acompanhar seus colegas de turma na aquisição de novas habilidades básicas, estão correndo o risco de terem problemas nas diferentes áreas escolares de séries posteriores e no seu desenvolvimento cognitivo, social e afetivo, como um todo .
As primeiras experiencias na escola são da maior importância, já que o fracasso escolar vai ocasionar o desenvolvimento de .um crescente sentimento de frustração e baixa auto estima.
Muitos sintomas podem denunciar esse estado na criança pequena, que ainda não consegue expressar com palavras os seus sentimentos.Pode por exemplo, tornar-se ansiosa , não conseguir dormir bem, apresentar outras condutas regressivas,como voltar a urinar na cama .
.Muitas começam a roer unhas,chorar sem motivo aparente, não querer comer ou comer compulsivamente.Algumas se queixam de cansaço permanente e dores imaginárias.Estão sempre frustradas e insatisfeitas. Podem surgir problemas psicossomáticos e de agressividade em diferentes níveis.
Quando um pouco mais velhas , não demonstram mais curiosidade ,se tornam apáticas e se desinteressam pelo estudo, já que mesmo se esforçando , não conseguem acompanhar seus coleguinhas na aprendizagem.
Sua auto estima comprometida , faz aparecer comportamentos que demonstram insegurança e condutas de compensação como a agressividade,a rebeldia ,o pouco caso, etc., o que é preocupante, já que nessa idade sua identidade está em formação.
A auto estima é um juízo de valor que uma pessoa tem de si mesma a partir da competência que demonstra na execução de diferentes tarefas e da valorização que as pessoas que a cercam lhe dão.Como as crianças normalmente dão muita importância ao amor de seus pais , familiares,professores e coleguinhas, é de se esperar que nesses dois ambientes, família e escola, se desenvolva seu padrão de valorização pessoal.
Assim, ser mal sucedida na escola, ser alvo de brincadeiras e críticas constantes , faz com que duvide do amor que lhe dedicam , que deve ser incondicional, para transmitir-lhe a segurança de que precisa para se tornar um adulto forte. Também passa a acreditar de que é diferente dos demais por não conseguir bons resultados em seus intentos , apesar de seus esforços e assim tenderá a se achar menos capacitada.
A auto estima enfraquecida desde suas raízes, cria sentimentos de menos valia e insegurança, que acabam por gerar um ciclo vicioso de fracaso e baixa auto estima: quanto menor um , maior o outro…
Por esses motivos, aconselhamos pais e professores a estarem atentos a seus filhos e alunos.Procurar um psicopedagogo, pode afastar desde cedo , problemas importantes de aprendizagem da vida de muitas crianças.
Maria Irene Maluf

A Agressividade nas Crianças

O que fazer se o meu filho bate nos amiguinhos?
O que podemos observar, sem sombra de dúvida, na fase da pré-escola (de 2 a 4 anos aproximadamente) é que toda criança tem dificuldades para dominar suas emoções. Quando é contrariada, ainda não tem maturidade emocional para se controlar e acaba explodindo: as crianças mais sentidas choram, outras mais agressivas partem para a ação batem, agridem ou mordem. É normal esse descontrole.
Freud, em sua teoria da personalidade, já dizia que, ao nascer , o homem tem apenas a primeira estrutura, o Id, que representa os instintos. Nos primeiros anos de vida precisamos ser atendidos imediatamente em nossas necessidades; se o bebê tem fome ele se põe a chorar; se está com frio, molhado ou com sono, não demora a demonstrar seu desconforto. Ele não sabe esperar, definitivamente não consegue esperar.
Pouco a pouco vai se formando a segunda estrutura, o Ego. Uma de suas funções mais importantes é desenvolver no indivíduo a capacidade de suportar as frustrações, os desejos não atendidos ou adiados. Quanto maior for a tolerância à frustração, mais o indivíduo cresce, mais ele se fortalece.

Experiência social e agressão

Os estudos e pesquisas em Psicologia têm se aprofundado nos fatores sociais e interpessoais que afetam a tendência da criança a se comportar agressivamente. As formas e graus da agressão dependem de muitos fatores, tais como:
• Intensidade de seu sentimento de raiva.
• O grau de frustração ambiental a que foi submetida.
• Os reforços que recebe pelo seu comportamento agressivo.
• A sua observação e imitação de modelos agressivos.
• O nível de ansiedade e culpa associado à expressão da agressão.
Há evidências suficientes de que a agressão é uma reação predominante, senão inevitável, à frustração. Em escolas maternais, a freqüência de conflitos entre as crianças aumenta quando a área para atividades lúdicas é limitada e, conseqüentemente, as crianças experimentam mais interferências e frustrações.
As crianças diferem muito quanto as suas apreciações de quão frustrante é uma determinada “interferência”; por exemplo: uma criança extremamente dependente poderá ficar muito frustrada e agressiva por causa de uma breve ausência da mãe, o que pode representar para uma outra criança, mais independente, uma privação suportável. No entanto, a criança mais independente poderá se sentir muito mais frustrada e passar a agredir o amigo pelo fato desse amigo ter assumido a liderança de uma brincadeira no recreio.

Permissividade diante da agressão
As crianças pequenas enfrentam muitas situações que parecem ser frustrantes do ponto de vista de um adulto, que pode se enganar e tirar conclusões precipitadas. Exemplo: muitas vezes já deparamos com o fato de nossos filhos se machucarem, e qual não foi nossa surpresa ao ver os pequenos se levantarem e continuarem a brincadeira sem choros. Já experimentamos como pais a grande decepção diante do fato de vermos nossos próprios filhos na porta da escola se despedirem sem as manifestações de choro já imaginadas por nós.
Os efeitos da permissividade perante a agressão (permitir à criança a expressão aberta e livre da agressão) são comparáveis aos efeitos de uma recompensa direta. Assim sendo, é muito comum encontrar pais que, por receio de que seus filhos se tornem crianças muito passivas, estimulam e reforçam positivamente os atos agressivos: “Muito bem, meu filho, isso mesmo, bate nele e mostra que você é macho”, ou “Sempre que alguém lhe bater, você tem que bater nele, certo, meu filho?”

Como agir quando a agressão acontece?
Durante o período pré-escolar os pais controlam muitas das experiências de frustração e gratificação da criança determinando se ela será premiada ou castigada por comportamentos agressivos e servindo como modelo para imitação; essa é uma situação muito delicada, pois sabemos que um pai que emprega punição física para inibir comportamentos agressivos dos filhos também está servindo como modelo agressivo, demonstrando à criança o poder e a utilidade potencial da agressão.
Mesmo sabendo que nosso filho pequeno ainda não consegue dominar suas emoções, não devemos deixar que ele nos bata, chute ou agrida os outros. De modo nenhum.
Eles podem ter suas emoções ainda não dominadas, mas são muito capazes de entender os limites que lhes são colocados. A ação segura e firme porém carinhosa dos pais ajuda a criança a estruturar seu ego de forma mais rápida. Entretanto, por ignorar esse fato, muitos pais, ao verem seus filhos chorar e espernear por não tolerar alguma contrariedade, entre orgulhosos e assustados dizem: “Esse nosso filho tem muita personalidade”. A cada vez que situações como essas acontecem, a criança aprende que funciona gritar, espernear e chutar para conseguir o que quer, e acaba repetindo esse comportamento. É por isso que vemos hoje em dia filhos batendo, beliscando, empurrando e puxando os pais quando não são atendidos imediatamente ou se contrariados em alguma coisa. São crianças que permanecem imaturas , instintivas e imediatistas. Compreender que a criança está com raiva é uma coisa, permitir que ela nos agrida ou agrida os outros é algo muito diferente.

Dicas e sugestões que podem ajudar
• Se a criança insistir em nos machucar, deveremos segurar a sua maõzinha e dizermos bem sérios: “Isso não é bonito, você não pode me bater”.
• Às vezes, deixar de fazer algo que a criança goste muito também funciona; por exemplo, devemos dizer que estamos tristes porque nosso filhinho agiu mal e que por isso não vamos mais brincar hoje ou descer para o playground. Ele irá compreendendo que cada ação provoca uma reação, que poderá ser de aprovação ou de restrição.
• Muitas vezes pudemos constatar que ignorar a agressão e recompensar os comportamentos cooperativos e pacíficos através de atenção e elogios poderá ser de grande eficácia.
• Dizer para a criança que nós entendemos que ela está sentindo raiva e que nós sabemos o porquê poderá ajudá-la muito no sentido de que sentir raiva não é um sentimento negativo , feio ou ruim, mas que deve ser controlado e não escondido.
• Finalmente, seria muito importante assegurar-se de que a criança não entenda a necessidade de frustrá-la, como falta de amor por ela. São duas coisas completamente diferentes.
Queridos pais, não se preocupem demais: vocês só estarão fazendo bem ao seu filho. Ele precisa de limites e um dia seguramente lhes agradecerá por isso.
Dra. Mônica Mlynarz

Sugestão bibliográfica

3 a 6 anos – Momentos do Desenvolvimento Infantil, T. Berry Brazelton, 340 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 54 reais
Pontos de Psicologia do Desenvolvimento, Célia Silva Guimarães Barros, 213 págs., Ed. Ática, tel. 0800-11-5152, 23 reais
Freud, Sigmund. Obras Psicológicas Completas. Volume XXI
Textos:
O futuro de uma ilusão. Caps. I e II
O mal estar na civilização
Winnicott,D.W.Textos selecionados da Pediatria à Psicanálise, 4ª edição, editora Francisco Alves
Parte 2
A observação de bebês em uma situação estabelecida(1941)
Parte 3
A defesa manáca(1935)
Desenvolvimento emocional primitivo(1945)
Agressão e sua relação com o desenvolvimento emocional(1950)
A tendência anti-social(1956)]
Dicionário enciclopédico de psicanálise – O legado de Freud e Lacan – Jorge Zahar Editor- editado por Pierre Kaufmann
Agressividade – pág. 18,19 e20
Revista Nova escola/138 dez00
Reportagem: Gestão escola, Marli André

Revista Nova Escola/113 jun98
Reportagem: “Essa menina é uma fera…”

Tendelarz, silvia. De que sofrem as crianças, livraria Sette Letras Ltda, 1997

Dor,. Joel. O pai e sua função em psicanálise, Jorge Zahar editor, RJ

Referência
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0184/aberto/mt_84146.shtml
http://www.saudevidaonline.com.br/agres.htm
http://www.sineperj.org.br/view_artigos.asp?id=13
http://www.qdivertido.com.br/verartigo.php?codigo=6
http://www.alobebe.com.br/site/revista/reportagem.asp?texto=48

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