A Educação e os currículos seccionados

Tenho lido vários comentários sobre as emendas aprovadas pelo Congresso incluindo novas disciplinas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) principalmente nos currículos do ensino médio sem contar os inúmeros projetos que ainda estão em estudo. Há um levantamento feito para a tese de doutorado da professora Fátima Oliveira da Universidade Federal de Minas Gerais que constatou cerca de 550 propostas recebidas pela Câmara dos Deputados no período de 1995 e 2003 (Fonte Estado de São Paulo)

Já integram o currículo disciplinas como cultura indígena e cultura afro-brasileira bem como no ensino fundamental também foram introduzidas filosofia, sociologia, meio ambiente, regras de trânsito e direitos das crianças e idosos.

Se analisarmos bem, estas disciplinas poderiam perfeitamente integrar diferentes outras dando mais consistência e significação ao aprendizado. Ao optar por introduzir a Sociologia como disciplina esta poderia estabelecer um estudo paralelo entre a sociedade como um todo integrando a sociedade indígena e a afro-brasileira abordando seus usos e costumes, seus direitos e deveres assim como a relação de todos com o meio ambiente, com o respeito ao direito das crianças e dos idosos. Poderia até integrar as regras de trânsito entre todos os que habitam a zona urbana.

Este abordar amplo levaria o aluno à reflexão, argumentação, comparação, significação e formação de opinião promovendo a aprendizagem.

Por que é que se tem a “mania” de seccionar o conteúdo.

Por que é que as informações não podem abranger o todo? Ficaria muito mais fácil de a criança se situar no tempo e no espaço. Aprender de forma seccionada gera a sensação de que tudo é muito abstrato e de que está “solto” sem qualquer referência.

Se ao estudar História o professor pudesse unir os principais acontecimentos de uma mesma época ficaria muito mais fácil de o estudante se situar e de entender quais foram os fatores que impulsionaram determinado fato. Ao se estudar História Geral o aluno toma conhecimento de um determinado foto ocorrido num país da Europa no século XVII sem ser abordado os reflexos nos países vizinhos e distantes. Quando este mesmo aluno vai estudar o século XVII no Brasil, os fatos são tratados de forma isolada, como se não fossem reflexo do ocorrido concomitantemente com os outros países. O estudante tem sempre a sensação de que as coisas acontecem sem qualquer relação, quando na verdade tudo está relativamente interligado.

Entra década e sai década e os alunos, por exemplo, continuam aprendendo sobre a Semana de 22 somente sobre os artistas que dela participaram sem saber que ela foi uma manifestação política, que na mesma época existia o fascismo na Itália, que Santos Dumont sofria por ter visto seu invento ser usado na primeira guerra mundial e tantos outros fatos que não cabe agora enumerá-los. É preciso situar o aluno sobre a relação entre os fatos  mais significativos e não  ficar preocupado em acrescentar mais disciplinas, introduzidas de forma seccionadas, no currículo escolar. O aluno precisa fazer uma leitura de mundo e é a escola que tem que propiciar e fundamentar isto.

Não há recurso mais propício para tratar assuntos inter e transdiciplinares do que os Projetos Pedagógicos, e se vier unido ao uso das TIC melhor ainda, mas este é um assunto para outro post.

O resultado obtido pelos alunos nas provas de avaliação do conhecimento reflete a má qualidade da Educação no nosso país. É o “grito de alerta” de que esta didática não está sendo eficaz e que deve ser revista com urgência.

Outro ponto muito importante que tem que ser levado em consideração é a diversidade do nosso povo. É por este motivo que a organização e adaptação curricular escolar devem ficar a cargo das secretarias de educação que teriam autonomia para priorizar os conteúdos mais significativos para a formação de seus alunos propiciando que reflitam, interajam, compartilhem, formem opinião ao invés de serem “treinados” para responderem as questões que lhe permitirão ser aprovado no vestibular.

Lutam pra ingressar  numa graduação que forma profissionais que não atendem às demandas do mercado de trabalho, mas este também é um ponto que abordaremos em outra ocasião.

Para finalizar gostaria de convidar a todos para que deixem as suas impressões, favoráveis ou não, para que possamos contribuir para um melhor caminhar da educação do nosso Brasil.

Somos Educadores lutando por uma educação de qualidade para todos.

Aguardo vocês.

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