24 de agosto – aniversário de morte de Getúlio Vargas

Este material faz parte do meu acervo pessoal. É um material riquissímo publicado logo após o suicídio de Getúlio.

Quem precisar de mais informações entre em contato comigo.

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954


Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

O Palácio do Catete esteve sempre intimamente ligado à vida de Getúlio Vargas. Ele frequentou, primeiro como deputado federal, pelo Rio Grande do Sul; depois como ministro da Fazenda do presidente Washington Luis. Governador de seu Estado em seguida, de lá voltaria na liderança do movimento que fez a revolução de 30 e que o instalou no Catete como chefe do governo provisório. Sem solução de continuidade, ali continuou, como presidente da República, eleito pela Assembléia Constituinte, em 1933. Em 37, com o golpe de estado, continuou à frente do governo até 1945, quando foi deposto. Em 1950 voltou eleito pelo povo e ali este até sua trágica morte. Pouco antes, dissera ele: “Só morto sairei do Catete”. Ninguém suspeitaria que, naquela declaração, já se ocultava a sua determinação suicida. “O povo subirá comigo as escadas do Catete” disse Vargas em sua campanha de 50. Em 54, o povo subiu as escadas do Catete para buscá-lo, numa última homenagem ao homem que – pondo em prática a sua dramática advertência – já não era um presidente, mas um cadaver.

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Dona Alzira depois de ter permanecido no Catete até alta madrugada, lá voltou com a terrível notícia de que seu pai acabara de suicidar-se

O adeus dos cariocas –

Incalculável massa popular levou a Getúlio Vagas o seu último adeus. Do Palácio do Catete ao aeroporto Santos Dumont, o povo acompanhou os restos mortais do Presidente, como se vê do esplendido flagrante que reproduzimos por gentileza de “O Globo”, que o colheu e publicou em primeira mão. Foi uma das maiores manifestações populares jamais verificadas no Brasil

Os poucos masoléus do pobre cemitério do interior foram usados como ponto de obseração dos inúmeros acompanhantes que desejavam presenciar a descida dos restos mortais do Presidente Getúlio Vargas ao túmulo.

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Tancredo Neves à esquerda, D. Darcy, D. Alzira, Aranha e Lutero diante do túmulo de Vargas

Jango Goulart “Teu nome será sempre a nossa bandeira”.

Tancredo Neves “Minas aqui está ao lado dos teus gauchos”.


Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

A Igreja Católica é muito severa para com os suicidas. Orações e missas, porém são permitidas, em caráter não solene, pela alma do ex-presidente Getúlio Vargas.

O Mundo Ilustrado – Rio de Janeiro – 01 de setembro de 1954 – nº 83


Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Os fatos que antecederam o suicídio

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

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Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Madrugada do dia 24 – Os jornalistas permanecem agrupados em frente ao Palácio aguardando os acontecimentos. As trevas da noite vão cedendo lugar aos primeiros albores do dia. Um dia nublado e chuvoso ao que parece. Em dado momento, nervoso e agitado alguém tra notícia surpreendente: – Getúlio se suicidara com um tiro no coração. Corrida aos telefones e, em breve, as redações são colhidas pelo impacto da notícia. O povo aglomerado nas imediações do Palácio é contido à custa pelo Exército.

As primeiras pessoas que, no Palácio do Catete souberam do suicídio do presidente solicitaram ainda uma ambulância numa tentativa desesperada para salvar Getúlio da morte. E a ambulância 1-55 silvando sua sirene passou célere em demanda ao Palácio. Foi curta a sua demora no Palácio. Em velocidade reduzida ela retornou. Getúlio falecera antes do socorro médico ser ministrado. O povo começa a afluir em massa para as cercanias do Catete, forçando o policiamento a intervir com energia para evitar a invasão do Palácio do Catete. Cenas dramáticas e pungentes presenciam-se então. Mulheres desmaiam e homens choram.

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954


Café Filho é o novo presidente.

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

Para a História

“Nada mais posso dar
a não ser  meu sangue!”

Mais uma vez  as forças e os  interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.
Não me acusam , insultam ; não me combatem , caluniam-me ; não me dão o direito de defesa . Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação para , para que eu continue a defender como sempre defendi o povo e principalmente os humildes .Sigo o destino que me é imposto.Depois de decênios de esfoliações de grupos econômico-financeiros internacionais , fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei um regime  de liberdade social . Tive que renunciar . Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea  dos grupos internacionais  aliou-se à  dos grupos nacionais  revoltados contra o regime  de garantia do trabalhador . A lei de lucros extraordinários foi detida  no Congresso . Contra a justiça da revisão do salário mí
nimo  se desencadearam os ódios . Quis criar a liberdade na potencialização das nossas riquezas através da  Petrobrás e mal começa esta a funcionar  a onda de agitação se avoluma . A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero . Não querem que o povo seja  independente. Assumi o governo dentro da espiral  inflacionária que destruía os valores do trabalho . Os lucros  das empresas estrangeiras alcançavam  até quinhentos por cento ao ano . Nas declarações  de valores  do que importávamos  existiam fraudes constatadas de mais de cem milhões de dólares por ano. Veio a crise do café , valorizou-se o nosso principal  produto . Tentamos defender o seu preço  e a resposta foi uma violenta  pressão sobre a nossa economia  a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado  mês a mês, dia a dia , hora a hora , resistindo a uma agressão constante , incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo para defender o povo que agora se queda desamparado . Nada mais posso dar a não ser o meu sangue . Se as aves de rapina querem o sangue de alguém , querem continuar sugar o povo brasileiro , eu  ofereço  em  holocausto a minha vida . Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quamdo a fome bater à vossa porta , sentireis em vosso peito  a energia para a luta , por vós e por vossos filhos . Quando vos vilipendiarem , sentireis no meu pensamento  a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá  unidos e meu sangue será  a vossa bandeira de luta . Cada gota do meu sangue  será uma chama imortal  na vossa consciência e manterá  a vibração  sagrada  para a resistência . Ao ódio respondo com o meu perdão. Aos que pensam que me derrotam , respondo com a minha vitória . Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna . Mas esse povo de quem fui escravo , não será mais escravo de ninguém . Meu sacrifício ficará para sempre  em sua alme e meu sangue será o preço  de seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo  . Tenho lutado de peito aberto . O ódio , as infâmias , a calúnia , não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida . Agora ofereço a minha morte . Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da Eternidade e saio da vida para entrar na história .

Fotos que tirei quando estive no Rio de Janeiro e fui visitar o Palácio do Catete.

Sala de jantar exibe aparelho com o símbolo do Brasão da República.

Sala de estar do Palácio do Catete

A lista de presença do velório do Presidente Vargas foi reproduzida na parede que leva ao quarto onde Getúlio de suicidou

Manchete EXTRA – Revista semanal –  Rio de Janeiro – 30 de agosto de 1954

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