As escolas Brasil afora

Sempre abordo o tema do uso das TIC na educação e sou defensora ferrenha do uso de mais este recurso para promover a aprendizagem. Moro em uma cidade que cresce a olhos vistos e que a renda per capita é de três salários mínimos. As escolas são muito bem estruturadas e a maioria tanto municipal quanto estadual tem lousa digital, mesa digital, computador e tantos outros recursos. Em razão desta realidade acabo, muitas vezes, não me detendo que presencio a exceção e não na regra. Nós que moramos perto da capital acabamos sendo privilegiados com o desenvolvimento e a distribuição de incentivos, porém o nosso país é imenso assim como as dificuldades que estão por ele distribuídas e a falta de recursos que não chega nunca em muitos lugares.

Como focar a preocupação no uso da tecnologia como recurso de aprendizagem numa escola em que o professor não tem graduação, a escola não tem biblioteca, não tem sala de informática, não tem quadra de esportes e onde o aluno não tem lugar para fazer a lição quando chega em casa tendo que apoiar o caderno no próprio colo e guardar o material dentro de uma caixa de papelão?  Sim, esta cidade existe sim, chama-se Apuarema e fica no interior da Bahia a 346 km de Salvador e os dados são da pesquisa realizada pelo IG logo após o resultado do Ideb. A grande parte das famílias de Apuarema sobrevive graças ao bolsa família e os pais completamente analfabetos valorizam somente a merenda que a escola oferece.

Veja o gráfico abaixo:

E pegando o gancho dos pais analfabetos ou alfabeto funcional aproveito para compartilhar uma ação que foi implantada no Rio de Janeiro e que está dando super certo. Cerca de 116 escolas municipais estão trazendo para o interior do seu ambiente parentes dos alunos para participarem do Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja) que funciona da seguinte forma:

“…os adultos interessados em completar o Ensino Fundamental são matriculados na unidade onde estão seus filhos, sobrinhos, irmãos caçulas e até netos. Os resultados superaram as expectativas: as notas subiram e aumentou o comprometimento das famílias com a educação das crianças.

Há o depoimento de D. Eulália que vendo as dificuldades de sua neta de 11 anos resolveu voltar a estudar e hoje está na mesma sala de aula que a neta. Ela diz que é muito bom porque quando tem dúvidas a neta lhe ajuda e vice e versa. Com isto o desempenho da neta melhorou de regular para “bom” e “muito bom” e a autoestima da avó está excelente.

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