3º Encontro OLPC/UCA e o uso do Google docs #educacao

Quero compartilhar com vocês uma experiência que vivenciei na terça-feira passada, dia 14 de setembro, ao participar do 3º Encontro sobre Laptop na Educação/OLPC – One Laptop Per Child que aconteceu no Auditório Prof. Romeu Landi, USP, S. Paulo.

Estou diretamente ligada a este Projeto como formadora de professores pela USP/MEC no Projeto UCA – Um Computador por Aluno como falei no post Formação de Professores no Projeto UCA e na matéria da Folha que indiquei sob o título “Esta escola pertence ao Projeto UCA”.

Voltando ao assunto do Encontro, tenho a dizer que foi sensacional, pois contou com relatos e depoimentos emocionantes de países como Uruguai, Peru e Ruanda, que também estão neste Projeto e que vieram compartilhar suas experiências e resultados.

Fiquei de tuitar durante o evento, como sempre faço, para que meus colegas da educação e meus seguidores do Twitter pudessem acompanhar de longe o que estava acontecendo no Encontro.

Participo há mais de 3 anos de um grupo de discussão online chamado Blogs_educativos e quando estávamos falando sobre o Encontro, um dos participantes “Wilson Azevedo” sugeriu que também pudéssemos abrir uma página no Google docs onde seriam disponibilizados os tuites e alguns comentários, já que neste recurso não há necessidade de se limitar aos 140 caracteres (o twitter só aceita mensagens curtas de até 140 caracteres).

Concordamos e passamos a tuitar enquanto ele garimpava os tuites e colocava no Google docs. Então minha amiga deste grupo, que estava ao meu lado no Encontro, Miriam Salles, começou a relatar diretamente no Google docs e o Wilson, lá em Natal, começou a dar forma ao texto. Como contávamos com este respaldo do Wilson, começamos a registrar no Google docs mais rapidamente sem nos preocuparmos com parágrafos, letra maiúscula e outras regras, focando só no conteúdo. Ao mesmo tempo que muitos de nós íamos contribuindo, ele e outros iam ajustando. O registro ficou imensamente rico, pois foi composto a muitas mãos.  Convido vocês para visitarem o espaço acessando este link.

Quis compartilhar esta experiência com vocês porque a escola pode utilizar este recurso integrando salas de aulas e compartilhando conteúdos de interesse comum entre diferentes séries. Imaginem em uma Feira de Ciências em que cada sala eleja um aluno para registrar as experiências que estão sendo realizadas e compartilhar num documento único no Google docs. Ao final desta Feira se terá um registro completo de tudo que aconteceu na escola toda, e este registro estará ao alcance de todos os participantes (pais, alunos, professores, gestores) podendo ser acessado sempre que sentirem necessidade.

Convido todos os professores a conhecerem este recurso e analisar o resultado obtido, e se gostarem, tentarem usar numa aula ou num evento da escola. Além da escola ter contato com este recurso poderá se interar do Projeto Uca e quem sabe integrar o uso da tecnologia como mais um recurso para promover a aprendizagem.

?Depois compartilhe conosco o que vocês acharam da sugestão e do resultado, combinado?

Abaixo o relato do Encontro que teve como objetivo reunir Educadores, Gestores e Pesquisadores na utilização dos laptops como recurso para promover a aprendizagem.

Abertura e boas vindas!

Rodrigo Arboleda abriu o evento e nos levou à reflexão sobre a importância de saber  quem nos somos e o que somos. Esta reflexão será importante para promover um momento de mudança da cultura educativa do mundo de modo que cada criança em idade escolar, seja em que parte do mundo estiver, tenha as mesmas oportunidades de acesso ao mundo do conhecimento que qualquer criança de família privilegiada dos grandes centros possa ter.

A verdadeira riqueza do século XXI tem um nome: PROPRIEDADE  INTELECTUAL

Há que se ter uma Filosofia Educativa que leve em conta a diferença entre ensinar e aprender. Que priorize o trabalho em equipe, o acesso personalizado as informações, a interação entre aluno/aluno, aluno/professor, professor/aluno, professor/professor. Esta interação e integração contribuirá para o desenvolvimento da capacidade criativa da crianças. E mais ainda, que vá muito além da expansão da sala de aula.

Que haja a expansão da escola.

Quando há mudanças profundas na vida da comunidade há a necessidade de se promover um novo sistema de avaliação sobre o êxito ou o fracasso do sistema educacional. Há que se despertar o sentimento de pertinência.

Sugeriu que cada um de nós participemos da Revolução da Esperança o qual:

– Se tenha uma saturação massiva de CONECTIVIDADE via internet de alta velocidade usando WI-MESH

– Aplicar a FILOSOIA EDUCATIVA de “aprender fazendo”

– SATURAÇÃO DA CAPACIDADE EDUCACIONAL a nível individual, especialmente as crianças como futuras criadoras de riqueza.

Propôs, assim como Jonas Salk, uma vacina como agente de mudança educacional. Assim como a vacina na saúde, a educacional também necessita de escala, velocidade e cobertura para ser bem sucedida.

É preciso semear as sementes da mudança. É sabido que o desafio é imenso mas com empenho de todos caminharemos para a realização.

A professora Roseli de Deus Lopes inicia promovendo a seguinte pergunta: Por que a educação anda tão devagar? Há 40 anos o homem pisou na Lua utilizando o mesmo equipamento que temos agora em nossas mãos. Por que as coisas estão acontecendo numa velocidade que não é compatível com esta evolução?

Há 40 anos na educação todo mundo era alfabetizado usando a Cartilha Caminho Suave e hoje temos a tecnologia que propicia seu uso em diferentes vertentes.

Quando a tecnologia entra na escola ela induz mudança. Precisamos, como as bactérias, contaminas o maior número de pessoas possível. Estabelecer novos canais de comunicação.

A tecnologia viabiliza a possibilidade de se fazer melhor aquilo que já se faz e de criar o que ainda não existe na escola.

Há que se abrir para novas visões e novas perspectivas de aplicação.

Vejamos os 5 princípios:

1-     o laptop vai com a criança;

2-     foco nos primeiros anos de educação

3-     para todas as crianças;

4-     conexão à internet

5-     crescimento e adaptação (software livre)

Professor José Armando Valente veio a seguir relatando experiências da escola EMEF Padre Emilio Miotti em  Campinas com 520 alunos e 30 professores. Se investiu na autonomia desta escola deixando com que fizessem o plano de aplicação. Levaram em consideração quem e como era a comunidade em que a escola estava inserida, quem eram os parceiros, enfim tiveram uma visão do todo e não somente do pedagógico.

Compuseram um conselho da escola que elaborou um quadro onde são avaliados os desafios e as contribuições, as ideias e soluções e outros itens.

Nesta escola ainda não há computadores para todos os alunos em razão dos vendavais que ocorreram na região e que ocasionaram a suspensão do projeto. Estão apenas com as oficinas. Uma delas é sobre a Robótica Pedagógica que tem por objetivo desenvolver ações de pesquisa que têm como finalidade o uso de materiais alternativos, recursos de hardware e de software livre como forma de se viabilizar projetos educacionais na área de Robótica Educativa. Há um ambiente que foi desenvolvido para este fim e que usa peças de Lego, mas que prioriza o uso de sucata.

Foi construído um robô que é controlado pelo XO.

Há três questões fundamentais que detalha a metodologia desta escola:

– Como começar um projeto;

– Como evitar que um projeto que nasce piloto morra piloto;

– Que cuidados se tem que tomar  para que o projeto avance.

Na sequência veio a professora Maria Elizabeth Almeida falando sobre o Projeto Uca e destacando que a mudança que se quer não é NA escola e sim DA escola e que é apoiada em 4 pilares:

  • infraestrutura,
  • formação,
  • avaliação,
  • pesquisa

Ressaltou a dificuldade que todos temos em incorporar a tecnologia na escola, afinal esta mudança não é simples de ser feita, pois há uma grande diferença entre acreditar no projeto e incorporar o projeto na prática diária.

Espera-se que a tecnologia impulsione a inovação pedagógica. Quando falamos em inovação tecnológica nos referimos a mobilidade, a conectividade sem fio, ao laptop 1X1, imersão tecnológica de/da escola e da convergência de diferentes mídias.

Ao nos referirmos à inovação pedagógica focamos a interação multidirecional, criação de redes e construção de significados, aprendizagem colaborativa, co-autoria, expansão do tempo e espaço escolar e integração da tecnologia com o currículo.

O Projeto Uca teve seu início no pré-piloto sendo experimentado em 5 escolas públicas do país:

1 -Escola Municipal Ernani Bruno

São Paulo/SP

XO (OLPC)

2. Escola Estadual Luciana de Abreu

Porto Alegre/RS

XO (OLPC)

3. Colégio Estadual Dom Alano Marie Du Noday

Palmas/TO

ClassMate PC (Intel)

4. Centro de Ensino Fundamental nº 1 do Planalto

Brasília/DF

Mobilis (Encore)

5. CIEP Municipal Profª Rosa Conceição Guedes

Piraí/RJ

ClassMate PC (Intel)

Neste momento o Projeto está na fase piloto sendo experimentado em 300 escolas e 6 cidades UCA TOTAL.

Integrando o laptop na sala de aula haverá o reforço do que já é praticado e a mudanças no eixo da formação passando da integração das TIC na escola para a integração das TIC à sala de aula e ao currículo. Passando da tecnologia da mão do professor para a tecnologia na mão de todos a todo o momento.

Nas escolas que participaram do Projeto Pré-piloto já há resultados evidenciando resultados como mudanças no tempo de aula, na gestão da sala de aula e da escola, na participação dos alunos e da presença dos pais na escola. Maior envolvimento de professores, gestores e indícios de mudanças no desenvolvimento do currículo.

Fez referência na importância de se:

– apoiar o professor para que ele possa desenvolver uma nova gestão da prática pedagógica;

– envolver toda a equipe gestora, a coordenação pedagógica, o suporte técnico, o aluno monitor no apoio ao professor;

– orientar e oferecer referências para a criação de novas estratégias pedagógicas;

– refletir sobre o desenvolvimento do currículo integrando o uso do computador na sala de aula.

A professora Léa Fagundes também iniciou com uma pergunta: “Como o ser humano constrói conhecimento e como está fazendo para promover a aprendizagem?” “Como o desenvolvimento se dá?

Abordou que o sentimento também está presente na educação.

Exemplificou falando dos times de futebol. Quando o time ganha o torcedor fica feliz sem se importar com a tristeza do adversário. Quando seu time perde ele fica triste e o outro também não se importa com o sentimento do adversário. Assim sendo, “é preciso praticar valores para formar novos modelos de sociedade ao invés de se preocupar somente em formar para o mundo da tecnologia”.

A tecnologia não é neutra, Mas temos que nos apropriar dela para fazer uma boa prática.

Qual a educação que queremos para o século XXI? Qual é a escola que queremos?

As pessoas dizem que computador é tudo igual, mas não é verdade. Assim como a escola é diferente, o aluno é diferente o computador também é diferente.

É preciso conhecer, refletir e pesquisar para orientar, numa determinada atividade, qual é o melhor recurso. É preciso desenvolver a cultura digital na escola e não somente o digital. A maior prova de que ninguém detém a verdade são os resultados dos sites de busca. Você obtém uma enormidade de resultados. Caberá a você garimpar as que mais atendem a sua necessidade naquele momento.

Com o uso do computador na escola, não só o comportamento dos alunos muda, mas também o do professor que passa a interagir com os alunos e a estimulá-los a se manifestarem.

Na escola de Porto Alegre, no pré-piloto, os professores optaram por aprender com os alunos, logo não tiveram curso de capacitação.

Roseli de Deus Lopes compartilha experiências na escola Municipal Ernani Silva Bruno em Taipas na periferia de São Paulo e que está no projeto desde 2007. Os resultados mostram que os alunos se tornaram mais autônomos, com atitudes mais colaborativas, se envolvem muito mais tanto com o conteúdo quanto com as ações e problemas focando na busca de melhores soluções. A postura do professor também mudou. Hoje ele não é mais aquele que tem que ter o controle de tudo e sim passa a acompanhar o processo de desenvolvimento dos alunos.

Em seguida veio o professor Mauro Pequeno compartilhar as experiências do uso dos laptops no Ensino Médio. A EEFM Carneiro de Mendonça é a única escola que optou por desenvolver o projeto no ensino médio. Esta escola foi escolhida em razão do seu desempenho no Enem ter sido tão bom que acabaram por aborlir o vestibular na UFC – Universidade Federal do Ceará. O objetivo maior é combater o Ensino Médio conteudista.

Eles receberam o XO, porém também fazem oficinas com o classmate. A escola que antes não tinha qualquer infraestrutura, agora, após as reformas para a implantação do projeto, conta com uma boa rede elétrica, carteiras de acordo e muito mais.

Depois que a escola integrou o Projeto ela “ganhou voz”, ou seja, passou a ser ouvida em algumas instâncias administrativas, coisa que não acontecia anteriormente.

Os professores estão entusiasmados e engajados em conhecer, participar de cursos de formação para se apropriar dos recursos e poder introduzir o seu uso em sala de aula. Os professores percebem que os alunos sabem mexer no computador, porém não sabem o que fazer com os recursos na educação. É ai que entra a figura do professor.

Como o SUGAR era destinado a alunos do Ensino Fundamental sua interface era muito infantil. Eles adaptaram para tornar mais atrativa ao Ensino Médio.

Por mais que a escola esteja comprometida sempre há aqueles que não se envolvem. Fizeram uma pesquisa sobre o uso dos computadores na escola e verificaram que a maioria usa ou em casa ou na hora do intervalo, ou seja, muitos professores não estão utilizando este recurso em sala de aula.

Marcelo Otte da Fundação CERTI de Florianópolis veio falar do pioneirismo, desde 2005, desenvolvendo projetos com o XO.

A escolha da escola foi feita pela Prefeitura Municipal de Florianópolis e pela CERTI e teve como quesito principal a sua localização geográfica, ou seja, fica próxima ao Parque Tecnológico Sapiens Parque. É uma escola de Ensino Fundamental, com excelente infraestrutura, tem 600 alunos e 30 professores. Os alunos de primeira a sexta série receberam um laptop na modalidade 1 X 1 e podem levar para casa. Outro ponto interessante é que 70% dos seus professores têm contrato temporário.

Uma das primeiras ações foi a criação de um Grupo de Gestão Pedagógica o qual definiram as diretrizes da formação como exploração do XO, suporte e assessoria continuada, criação de grupos de alunos para estudos extra-curriculares, etc..

Destacou os seguintes pontos como resultado:

– os alunos se apropriam da tecnologia e das suas linguagens muito rapidamente;

– uso em parceria com o Projeto Proinfo;

– acesso à internet e modalidade 1X1, uso livre e intenso, aprendizado autônomo, inclusão digital.

Estão bem atentos para os seguintes pontos:

– a produção de material está acontecendo, porém concentrada em poucos agentes;

– é preciso aumentar a produção coletiva de conteúdos;

– é preciso diversificar o tipo de produção digital;

– comunicação predominante é a oral.

As lições que foram aprendidas:

– promover o protagonismo dos professores e gestores,

– a escola deve se envolver com o projeto e ser co-autora;

– a formação e a assessoria deve ser contínua.

Os professores são muito dependentes da formação, de suporte e de assessoria. Sentem receio de se aventurar sozinhos.

Guilherme Spiller – Projeto Ceibal do Uruguai. Este Projeto éo motor de revolução social no Uruguai.

Os pais participam ativamente do projeto desde que os laptops foram entregues nas escolas e integraram a inclusão digital.

A educação no Uruguai é muito dinâmica. Todos os professores do país têm laptops (18 mil) e todos os alunos do país (362 mil) têm laptops. Há conectividade nas 2.068 escolas, tem 1670 servidores e mais de 3800 pontos de acesso. O Uruguai dá suporte técnico para todas as escolas e todos os 1800 professores foram capacitados.

O Projeto tem três itens principais:

– a equidade

– a educação

– a tecnologia

Foi promovido um concurso de ideias o qual foram convidados para participar os professores, alunos e pais. Também criaram um canal onde se partilha as melhores práticas para os docentes.

Já houve um impacto social mesmo com pouco tempo de uso dos laptops e a expectativa é que o maior número de lares use o laptop.

A seguir veio Fernando Rodrigues falando da experiência no Peru e que foram escolhidos os locais de maior índice de pobreza e dificuldades. Há alunos que todos os dias levam 2, 3 até 4 horas para ir e voltar da escola. Há locais onde não há nem luz elétrica.

Na primeira etapa do processo houve o uso individual do laptop e na segunda o uso será socializado.

Os centros de recursos tecnológicos no Peru são locais de acesso lúdico com recursos e materiais que estão dentro dos laptops. São considerados centro de capacitação, pois lá professores e alunos compartilham e aplicam os recursos tecnológicos para promover a aprendizagem. Estes locais também são tidos como Centros de Capacitação permanente para o uso das TIC e a sua integração no currículo.

Cada aluno tem acesso a um laptop e a outros recursos de apoio.

No Peru há 118.520 mil docentes capacitados.

Fatores de êxito:

O Programa de implementação da tecnologia é decidido pela normativa, ou seja, o governo define quem vai ser o encarregado de aplicar, quais as suas responsabilidades, onde irá ou em que regiões irá aplicar, enfim é definido toda a estrutura de aplicação.

Propostas pela lógica são importantes e tem que haver um consenso entre todos os estados, as províncias e as instituições educativas além de todos os professores.

O processo pedagógico tem que caminhar junto com o processo de capacitação dos docentes, com um acompanhamento pedagógico (temática da capacitação).

Tem uma pessoa para replicar as informações (multiplicador)

Se o docente não sabe ou não pode solucionar os problemas da máquina ele remete a máquina para que o problema possa ser solucionado. É importante que todos “falem a mesma língua” quando o assunto é a proposta pedagógica. O laptop é um centro de recursos em si mesmo.

Resultado de pesquisa mostra um alto interesse do aluno em frequentar a escola. Mostra-se mais atento, mais comprometido. Sente satisfação em realizar atividades que lhe agrada e motivação para realizar novas descobertas no dia a dia. Demonstra maior autonomia e iniciativa.

Juliano Bittencourt é um brasileiro que dá suporte no projeto OLPC em Ruanda.

Ruanda é um país localizado no centro da África espremido entre cadeias de montanhas ocasionando resultados drásticos para a economia do país. Sofreu com a guerra que matou quase 1 milhão de pessoas, consequência do processo de colonização que colocou uma etnia contra a outra e este genocídio durou 3 meses. Não havia mais nenhum profissional no país. Os que não morreram, fugiram. O Ministério da Educação era composta por duas pessoas: o ministro da educação que também era o motorista e a secretária que também era a faxineira.

Todas as instituições começaram do zero. Não tinha professor, não tinha dinheiro e sobreviveu porque recebeu ajuda internacional.

Com o intuito maior de não deixar o seu povo se extinguir, dedicaram-se à reprodução e hoje tem 10 milhões de habitantes apesar de ser um país minúsculo. Tem a maior densidade populacional da África por conta desta alta taxa de natalidade e enfrenta a miséria principalmente porque não tem recursos naturais.

Para impulsionar o desenvolvimento e amenizar a miséria do país eles traçaram o plano chamado 2020 que investirá em turismo, levando em conta o baixo valor das passagens, e em TICs como o motor do crescimento econômico. Afirmam que a única coisa que eles têm em abundância são as pessoas, então querem capacitar as pessoas – “trafegar bites é mais barato que trafegar produtos.

Eles têm um sistema de ensino arcaico baseado na memorização. Os professores não tem qualificação, mas as crianças acreditam na escola e vêem o saber como “a luz no final do túnel”. Eles têm que memorizar procedimentos que nunca irão usar como por exemplo, memorizam como eles têm que entrar num laboratório de informática e o que devem realizar lá, porém não há laboratório de informática em todo o país, mas eles tem que memorizar porque “isto cai na prova”.

Tudo é tão precário que as ruas não têm nome e nem número. Quando se quer saber o endereço de alguém tem que ir ao correio e lá eles explicam como chegar. Não existe nem água encanada, mas eles têm fé de que podem evoluir e as crianças acreditam na escola e têm a consciência de que ela é a única forma deles crescerem na vida. Eles têm a ilusão de que estão se desenvolvendo.

A OLPC começou em Ruanda com o objetivo de promover uma mudança na educação e propiciar o desenvolvimento das pessoas. Eles pregam que a única forma de não ficar tão para trás é correr antes de aprender a andar, afinal os outros países não vão ficar aguardando Ruanda se desenvolver. Então estão usando o OLPC para ver se conseguem dar um salto. Há 110 mil XO em fase de implantação e 10 mil já foram distribuídos.

As salas das 1ªs e 2ªs séries tem uma média de 100 alunos, da 3ª série em diante o número cai visivelmente porque os professores começam a incentivar os alunos a deixar a escola porque os professores são avaliados pela qualidade dos alunos aprovados. Os alunos com dificuldades são incentivados a abandonar a escola.

Para formar o professor tem que se ter um comportamento inovador, pois se tiver uma didática repetitiva e tradicional não precisa de formador. O professor tem que saber que existem outras formas de educar. Uma estratégia é treinar os formadores.

Os próprios professores não imaginam que seus alunos são inteligentes. É preciso pensar em espaços de intervenção principalmente quando as crianças começam a levar os laptops para casa. Na escola eles não são muito utilizados. Como em todo lugar sempre há o professor mais e o menos comprometido e se não levar o laptops para casa não terá outra opção para usá-lo, pois não há qualquer recurso. Levam em consideração que a formação é um processo contínuo e a longo prazo. O professor também precisa de referência, porém não é tendo acesso a uma “receita de bolo” que ele vai resolver o problema. Ele precisa criar novas referências de prática pedagógica e fazer com que cheguem a outros profissionais.

Em Ruanda não tem internet consequentemente não há acesso a mídias sociais, porém a interação pode ocorrer através do sms do celular.

Ruanda já alcançou:

– criaram uma base de capital humano para poder expandir o projeto – professores, bolsistas, estagiários, diretores e crianças.

– criaram modelos de uso do laptop para pautar a sociedade e o projeto

– há outra compreensão dos administradores sobre o projeto

– estabeleceram parcerias com outros, além do governo, para contribuir no projeto

Ainda falta desenvolver

– o sentimento de pertencimento do projeto;

– aprofundar o desenvolvimento do capital humano sem promover a dependência;

– ter uma rede de manutenção eficiente

– encontrar outras formas de disseminação de informações sem causar saturação;

– desenvolver materiais digitais que vão além da mídia impressa e utilizar a potencialidade deste novo paradigma.

Nelson Pretto iniciou falando da capacidade multitarefa dos jovens de hoje e apontou isto como um problema grave.

Deixamos e lado a compreensão da internet enquanto espaço social e insistimos na hipótese de que são ferramentas pra serem usadas na educação. Tecnologia ée mais do que nunca um elemento de cultura. Elemento reestruturante da comunicação. É importante sabermos da importância de termos esta ou qualquer outra tecnologia que amplie a comunicação dos jovens, dos professores e de todos de um modo geral. É fundamental que entendamos que não estamos tratando de tecnologia educacional e muito menos de tecnologia didática. Já vivemos isto com o livro didático, com as apostilas… Não podemos pegar toda esta potencialidade e fecharmos num processo didático.

Também não podemos pensar que a tecnologia, por si só, faz a mudança. Precisa de didática para promover a mudança.

Atrás destes resultados há uma concepção de mundo. Os laptops têm que entrar na escola para atrapalhar (no bom sentido). O risco de unir tecnologia com pedagogia é cairmos no mesmo resultado. A tecnologia só servirá se trouxer no seu uso algo novo, se fizer o professor se libertar dos modelos pré-fabricados. Tomara que haja apropriação da tecnologia e da comunicação.

Na verdade é preciso que se forme professores, porém para que eles sejam bem formados é preciso mudar as Faculdades de Pedagogia. Temos que mudar a raiz. Se não se priorizar a formação dos professores em contato com as tecnologias e os softwares livres, vamos continuar investindo muito dinheiro para resolver problemas que vamos continuar criando.

A tecnologia só é educativa quando o professor se apropria dela.

As apresentações de Maria de Fátima, Denise Vilardo e Rosália Lacerda podem ser vistas acessando o google docs neste link.

Roseli de Deus Lopes compartilha experiências na escola Municipal Ernani Silva Bruno em Taipas na periferia de São Paulo e que está no projeto desde 2007. Os resultados mostram que os alunos se tornaram mais autônomos, com atitudes mais colaborativas, se envolvem muito mais tanto com o conteúdo quanto com as ações e problemas focando na busca de melhores soluções. A postura do professor também mudou. Hoje ele não é mais aquele que tem que ter o controle de tudo e sim passa a acompanhar o processo de desenvolvimento dos alunos.

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4 thoughts on “3º Encontro OLPC/UCA e o uso do Google docs #educacao

  1. Olá Cibele Meyer.
    Recebi seu e-mail no grupo Blogs_educativos. Vim ler o seu relato… muito bom. Eu iria no evento porém não deu.Lembro seu relato me parece que eu estava lá. parabéns pelo trabalho

    Cybele Reply:

    Olá Adriana, que alegria recebê-la aqui.

    Que pena você não ter podido ir, foi muito bom.
    Agradeço o carinho e volte sempre!
    Estou indo lá no seu blog.
    beijinhos

  2. Boa tarde,
    Estou desenvolvendo um Projeto de pesquisa,para o Mec Juntamente com o meu Professor e gostaria que vocês me ajudassem a descobrir “quais sao as tecnologias utilizadas atualmente no uruguai”

    Obrigado Boa Tarde

    Cybele Reply:

    Olá Felipe, tudo bem?

    Sugiro que você elabore um questionário com perguntas atendam a sua expectativa. Em seguida se cadastre em algum grupo de discussão (Yahoo groups têm muitas opções) como, por exemplo, eadbr.googlegroups.com o qual trata do uso da tecnologia na educação e peça para que respondam. Nestes grupos há integrantes de vários países vizinhos. Quem sabe não te ajuda!
    abraços e boa sorte!

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