Avaliação – A bruxa ou a fada da Educação?

O final do ano está ai e com ele a possibilidade de reprovação de alguns alunos.
Onde será que mora o problema?
Será que a falha está na Avaliação?
Então pergunto: – Qual o principal motivo da avaliação?
Você pode me dar inúmeras respostas como:
• Maneira de verificar se o aluno sabe a matéria
• Perceber quais as principais dúvidas
• Saber se o aluno estudou em casa
• Saber se o aluno prestou a atenção na sala de aula, etc.

Analisando estas alegações só posso dizer: Não seria melhor verificar todos estes pontos diariamente? Em sala de aula? Por que deixar para verificar somente na prova?

A Avaliação não pode, de forma alguma, ter um fim em si mesma. Ela é uma ferramenta que não precisa ser usada, necessariamente, ao final de cada bimestre.

O ideal é que a Avaliação aconteça diariamente, pois a aprendizagem se dá com a interligação dos conhecimentos. Se o aluno ficou com dúvida em um determinado conceito, não conseguirá acompanhar com desenvoltura os demais que estão ligados a este não entendido. A Avaliação deve ser mais uma ferramenta para que se dê a construção do conhecimento e não uma forma de punição. Quando menciono punição estou me referindo àqueles docentes que diante de um comportamento mais saliente dos alunos, os pune com uma prova surpresa confundindo disciplina com processo cognitivo.

Como já mencionei em outro artigo sobre as diferentes linguagens o aluno nem sempre consegue expressar o que sabe numa prova de múltipla escolha ou de perguntas e respostas ou mesmo numa prova dissertativa. A avaliação deverá ocorrer em diferentes locais e situações, inclusive práticas, podendo assim, o aluno, expressar o conhecimento adquirido através da sua linguagem e no momento em que o assunto está sendo tratado.
Se a avaliação fizer parte do dia-a-dia da escola os alunos participarão com mais vigor havendo abertura para o surgimento de questionamentos e dúvidas, bem como suas respostas e soluções acontecerão como conseqüência. A interação fará parte da aula e com ela a troca e a aprendizagem de todos.
Citando Vygotsky podemos afirmar que o professor estaria trabalhando a Zona de Desenvolvimento Proximal do aluno levando-o ao Nível do Desenvolvimento Real ocorrendo o ensino e a aprendizagem.

Houve época em que professor bom era aquele que dava mais notas baixas e que reprovava mais. Hoje, professor que tem este perfil é tido como professor incapaz de promover a aprendizagem.

A escola é um ambiente de aprendizagem e não de reprovação.

Se o aluno soubesse não precisaria freqüentar a escola. Assim sendo, a escola tem que se manter atenta para ensinar, principalmente, os alunos que estão apresentando dificuldades.
Para estes alunos, muitas vezes, a escola se apóia na avaliação justificando que o aluno não está apto a passar para a série seguinte porque não tirou boas notas.
Agora pergunto: Se o aluno nunca tirou boas notas, porque ninguém o ajudou! As notas baixas eram gritos de socorro avisando que não estava conseguindo entender, acompanhar, aprender, raciocinar…

Há que se re-significar o processo avaliativo tendo em mente que cada aluno é um aluno e que a educação não é uma roupa tamanho único que deva servir em todos.

O olhar avaliativo deve habitar o dia-a-dia do docente. Ao perceber a primeira dúvida deverá saná-la imediatamente para que o aluno tenha condições de seguir em frente sem ter que desviar de “buracos” cavados pelas dúvidas e não entendimento, e poder desabrochar para a aprendizagem.

O professor sabe que o sucesso do seu aluno é o seu sucesso.

Por isso eu enquadro a Avaliação como uma Fada que através de sua varinha de condão, aqui denominada dúvida, mostrará o caminho, diariamente, conduzindo o aluno à aprendizagem.

E você o que pensa sobre a avaliação?

Deixe a sua opinião e contribua para que possamos melhorar cada vez mais a educação no nosso país.

4 thoughts on “Avaliação – A bruxa ou a fada da Educação?

  1. Avaliações pontuais de certa forma diárias, devem existir. Do tipo, trabalhos de casa, fixação da matéria dada no dia etc. Isso avalia se o aluno aprendeu a matéria. Mas marcar x?? Isso não avalia, isso é chute! Acho que uma avaliação bem sucedida seria algo como : escreva com suas palavras o que entendeu? Debates, seminários, práticas com resumos ao final das mesmas. Mas o importante é saber que cada comunidade é diferente e responde à tipos de avaliações distintas. Tem maneira de demonstrar saberes de maneira única. Assim uma prova única para um aluno da Zona Sul e outro de uma comunidade pobre, é apenas uma maneira de manipulação de números onde o X não vai dizer se o aluno aprendeu. Apenas que ele aprendeu a fazer prova!

    Cybele Reply:

    Olá Roberta, tudo bem?

    Excelente seu comentário.
    Apoio completamente o que você mencionou.
    A tarefa de casa é o melhor “termômetro” para o professor avaliar se o aluno aprendeu ou se está com dúvidas, porém ela desde os primeiros anos é feita de forma errada. Quando o aluno é pequeno os pais praticamente fazem a lição de casa para o filho para que ele leve correta para a escola. Esta orientação tem que partir da escola, porém não é isto que acontece.
    Obrigada pelo seu comentário e continue participando.
    abraços e bom final de semana!

  2. Comentário enviado por
    “Valdirene Pereira Luz dos Reis” por FeedBurner

    “Devemos avaliar diariamente o aluno como um todo e deixar de existir a prova no fim do bimestre,isso já era.”

  3. Comentário enviado por “Débora Padilha” por FeedBurner
    Olá a todos,
    Concordo plenamente com o esquema de avaliação, porém em uma sala do estado que beira aos 40 alunos, esse esquema de avaliação fica comprometido.
    Débora

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