Incluir, muito mais do que aceitar

Sempre fomos diferentes uns dos outros, porém afirmamos que somos todos iguais. E somos, embora sejamos diferentes.

Somos seres humanos, com dois braços, duas pernas, uma cabeça, e por isso somos iguais, porém temos diversas tonalidades de pele, de cor de olhos, de formato de cabeça e por isso somos diferentes. Todos possuímos um cérebro e por isso somos iguais, porém em cada crânio, o cérebro funciona de forma exclusiva, e por isso somos diferentes.

Esta dicotomia se deve à dificuldade que o ser humano tem em lidar com o diferente. Desde que o mundo é mundo sempre houve a preocupação em se massificar. Esta sempre foi a grande fórmula para se obter a ordem e o convívio social.

Em detrimento de sermos considerados iguais é que os diferentes sempre foram banidos, encarcerados, queimados, executados como: Sócrates, Joana D’Arc, Tiradentes, os deficientes físicos, entre tantos.

Então é criada a Declaração de Salamanca (1994) possibilitando o ingresso dos portadores de necessidades especiais nas escolas normais.

É o convívio entre os diferentes.

Será que não deveria ter sido assim desde o início? Será que não deveria, o professor, ter sempre um olhar especial para cada aluno, ao invés de enxergar a sala de aula como um todo, massificando-os?

Foi preciso incluir os portadores de necessidades especiais para que se enxergasse que todos merecem um olhar especial.

É claro que existem professores que ainda encaram a inclusão como a prática de se colocar o aluno com necessidades especiais junto dos não portadores.

Porém, incluir é muito mais do que aceitar.

É olhar e enxergar o aluno como sendo único. É entender que cada um tem o seu tempo, o seu desenvolvimento e que deve ser motivado sempre.

Incluir é se dispor a aceitar que o resultado apresentado pode ter sido o que de melhor o aluno pôde fazer e continuar a incentivá-lo para que faça cada vez melhor.

Incluir é enxergar cada um como único, porém como parte de um todo.

3 thoughts on “Incluir, muito mais do que aceitar

  1. Lindo texto! A inclusão não é apenas um benefício aos portadores de necessidades especiais, a sociedade também ganha e muito com ela. É um benefício para todos. E como o próprio texto diz, somos todos iguais, embora diferentes.
    Parabéns!
    Bjs

  2. Trabalho com crianças especiais a 26 anos e não sou de maneira nenhuma contra a inclusão, aliás sempre foi esta uma das bandeiras do trabalho com pessoas especiais. Apenas questiono a inclusão do jeito que está sendo feita. Incluir não é só colocar pra dentro, e´garantir a permanência com aproveitamento e dignidade.

    Cybele Reply:

    Olá Neiva, tudo bem?

    Excelente o seu comentário. Também penso assim e acho que temos mesmo que mostrar que não concordamos, afinal precisamos fazer alguma coisa para mudar esta realidade.
    Obrigada por tornar o nosso espaço mais enriquecedor.
    beijinhos e volte sempre!

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