A criança e o medo

O medo é inerente ao ser humano. O medo está atrelado ao instinto de sobrevivência. Sem ele vivenciaríamos situações que poderiam colocar em risco a nossa própria vida. Ele nos coloca em estado de alerta e prepara o nosso corpo para fugir ou defender do perigo. Algumas pessoas, no decorrer da sua vida, administram o medo e são capazes de enfrentar situações que outras jamais o fariam. Porém isso se dá já na fase adulta. Quando criança o medo se faz presente e é de difícil administração.

Na criança o medo vai além de situações de sobrevivência. Ela passa por fases onde o receio de deixar de ser dependente, tanto física quanto psicologicamente do outro, a acompanha por todo o seu desenvolvimento alterando somente o fato gerador. Há crianças que sentem mais ou menos medo, porém todas sentem e precisam do auxílio dos pais para lidar e superá-lo. Este auxílio virá através do vínculo de confiança que deve existir entre pais e filhos.

A criança desde bebê passa por fases de medo que consiste no receio de perder o seu cuidador. Perto dos oito meses de idade este medo se acentua dando início a fase denominada Angustia de estranhos onde a criança se nega a ir para o colo de pessoas que ela não conhece e muitas vezes até chora e se esquiva apenas com a presença de estranhos.

Perto dos dois anos a criança começa a ter medo de ser abandonada pelos pais. Esta fase coincide com a entrada dela na escola gerando uma adaptação escolar doída e sofrida tanto pela criança quanto pelos pais. Em seguida vem o medo de fantasmas, de escuro, de monstros. Perto dos sete anos a criança começa a ter consciencia de que a morte é definitiva e o medo de perder os entes queridos e de morrer a assombra, principalmente na hora de dormir onde tem que se deitar no escuro e ficar longe dos pais. Neste momento a angústia pode ser imensa.

Não há como evitar que os filhos sintam medo, porém há como ajudá-los a superá-los. É muito importante respeitar este momento delicado que a criança está passando e não brigar ou ridicularizá-la por isso. O medo faz parte do processo de desenvolvimento. Por isso deve ser encarado com seriedade sendo, as atitudes dos pais, determinante para a sua superação. É importante que os pais relatem que também já passaram por isso, que também já sentiram medo do escuro e da morte e que conseguiram superar. A criança se sentirá confortada e terá o estímulo para conseguir superar o medo e se tornar “forte” quanto seu pai/mãe.

O amparo neste momento de fragilidade será decisivo para a superação e evita que algum dos medos se transforme em fobia.

4 thoughts on “A criança e o medo

  1. Adorei o texto!
    Ele ajudou-me entender as difíceis fases do medo pelas quais as crianças passam.
    Obrigado!
    Abs.

    Cybele Reply:

    @Ronaldo Nepomuceno, tudo bem?

    Fico feliz que tenhas gostado e que tenha partilhado conosco.
    Obrigada por acompanhar o Educa Já!
    Volte sempre!
    abraços

  2. gostei, parabens pela materia. e interessant. bjao

    Cybele Reply:

    Olá Naita, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho do seu comentário.
    Continue nos acompanhando.
    Volte sempre!
    abraços
    Equipe Educa Já!

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