CONSCIÊNCIA NEGRA – 20 de novembro

A Revista Nova Escola aborda o tema Consciência Negra em diferentes disciplinas:

Consciência Negra o ano todo

DIVERSIDADE E RELAÇÕES RACIAIS NA ESCOLA

Educação infantil

Como trabalhar as relações raciais na pré-escola
Leitura de contos africanos, rodas de conversa, vídeos e confecção de bonecas

Diversidade sempre, desde a Educação Infantil
Valorizar diferentes raças, gêneros e pessoas com deficiência deve ser um trabalho diário

Planos de aula
Diversidade no dia a dia da pré-escola
Entenda como trabalhar a questão da diversidade diariamente em sala de aula

Não ao preconceito
Como formar cidadãos preocupados com a coletividade

Gestão Escolar

HISTÓRIA E CULTURA AFROBRASILEIRA

Educação infantil

Pesquisa com ritmos africanos
Explorando a habilidade dos pequenos para tocar instrumentos e dançar, leve-os a descobrir como as manifestações artísticas expressam a cultura

Plano de aula: Influências culturais da África
Para conhecer e vivenciar produções culturais brasileiras com influências africanas

Vídeo: Origens africanas num país chamado Brasil
Conheça o trabalho de música realizado pela Educadora Nota 10 de 2008, Luciana Nascimento Santos, de São Paulo

História

  • História geral

África de todos nós
Descubra com seus alunos a riqueza das ciências, das tecnologias e da história dos povos desse continente

A África já existia antes dos europeus
Conheça os reinos que formavam a África antes da chegada dos europeus

Infográfico: África, berço da humanidade e do conhecimento (pdf)
Os principais impérios, reinos e estados de onde vieram os negros que foram escravizados no Brasil e as tecnologias que trouxeram

Lendas e heróis africanos
Palavras de origem africana, literatura e contação de histórias com familiares afro-descendentes

O que foi o Apartheid na África do Sul?
O termo, em africâner, língua dos descendentes de europeus, significa “separação”, e foi atribuído ao regime político de segregação dos negros na África do Sul

Quais foram os colonizadores da África?
Vários países da Europa participaram da partilha do continente africano. Saiba como se formaram as fronteiras dentro da África

Aumenta o número de países democráticos na África
Em dez anos, subiu de 11 para 48 o número de países africanos democráticos. Esse avanço fez com que alguns países começassem a atuar no cenário mundial

Aula de História a bordo do navio-escola Amistad
Réplica do navio negreiro mostra como 53 escravos de Serra Leoa conquistaram a liberdade em 1839

A riqueza da África nas instalações do Museu Afro Brasil
Parada obrigatória para explicar a importância do negro na formação da sociedade brasileira

Cultura africana e geometria
Conheça o projeto África na Sala de Aula, no qual a cultura africana foi incluída nas aulas de Matemática

  • História do Brasil

A escravidão ainda existe
Apesar de ilegal, o trabalho escravo não está extinto. Mais de 36 mil pessoas foram resgatadas dessa situação nos últimos 15 anos no Brasil

Plano de aula: Trabalho escravo contemporâneo
Sequência didática para identificar as características do trabalho escravo no Brasil atual e conhecer as condições que levam um trabalhador à escravidão hoje

O que caracteriza o trabalho escravo hoje no Brasil?
Estima-se que hajam 25 mil vítimas do trabalho forçado no país

Vídeo no Museu Afro Brasil: Trabalho e escravidão
Conheça as regiões do continente africano de onde vieram os negros escravizados e o conhecimento e as técnicas implantadas por eles na agricultura e na mineração brasileira

A história local dos afro-descendentes
Sequência didática para estabelecer relações entre passado e presente, discutindo mudanças e permanências nas relações sociais

O que foi a Revolta da Chibata?
A insurreição dos marujos liderados pelo marinheiro negro, João Cândido Felisberto, completa cem anos. Um motivo a mais para analisar criticamente a história dos negros no Brasil

Vídeos no Museu Afro Brasil
Religiões afrobrasileiras
Conheça uma parte do núcleo Religiosidade Afrobrasileira que integra a exposição permanente do Museu Afro Brasil, em São Paulo

História e memória
Retratos e textos de personalidades negras da História do Brasil

Geografia

A África não é um país, e sim um continente
Isso parece óbvio, mas não é. Muitos falam do continente como se fosse uma região homogênea habitada por um único povo

África, um continente cada vez mais urbano
Desde a década de 1950, a população rural começou a migrar em busca de melhores oportunidades de emprego e ascensão social

Petróleo e minério são os destaques da economia africana
Além de possuir um terço do urânio mundial, metade do ouro, dois terços dos diamantes e 10% das reservas estimadas de petróleo, a África tem uma localização privilegiada com acesso aos oceanos Atlântico e Índico

Quais são os cinco países mais desenvolvidos da África?
Continente tem dois representantes com desenvolvimento elevado: Seicheles e Maurícia

Arte

Vídeo no Museu Afro Brasil: Artes plásticas
Quadros, esculturas e instalações de artistas negros brasileiros, representantes do período barroco, da arte acadêmica, moderna e contemporânea

Vídeo no Museu Afro Brasil – África: diversidade e permanência
Esculturas, máscaras e objetos produzidos por diferentes povos africanos

Capoeira, o gingado que vem da África
Queixadas, meias-luas, armadas… Adolescentes baianos aprendem os movimentos da luta trazida para o Brasil e ampliam seu repertório cultural

Vídeo: Diferentes toques da capoeira
Mestre Turbina conta um pouco da história da capoeira e explica os diferentes toques jogados no Brasil

Músicas africanas conquistam os alunos
Canções da África conquistam os jovens. Ao tocá-las, eles usam instrumentos vindos desse continente e aprimoramo estudo de ritmos

A arte africana na dança, nas máscaras e nos desenhos
Sugestões para trabalhar a cultura da África por meio da dança, das máscaras e dos desenhos

20 de novembro o Dia da Consciência Negra

Zumbi dos Palmares foi um guerreiro que lutou muito contra a escravidão dos negros no Brasil. Foi em 20 de novembro de 1695 que o grande líder perdeu a vida, numa emboscada. Peraí… mas o que tem a ver o Dia da Consciência Negra com Zumbi? Tem tudo a ver! Você reparou a data em que o rei do Quilombo dos Palmares foi morto? É isto aí: comemoramos hoje (20) o dia da Consciência Negra em homenagem ao aniversário de morte desse guerreiro.

DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Com isso, professores devem inserir em seus programas aulas sobre os seguintes temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.
Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro espera contribuir para o resgate das contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.
A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi – líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo Palmares.
Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.
Porém, hoje as estatísticas sobre os brasileiros ainda espelham desigualdades entre a população de brancos e a de pretos e pardos. Por isso, é importante conhecermos algumas informações sobre o assunto.

REI ZUMBI

Zumbi foi o grande líder do quilombo Palmares, considerado herói da resistência anti-escravagista. Estudos indicam que nasceu em 1655 no quilombo, sendo descendente de guerreiros angolanos.
Com poucos dias de vida, foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso, sendo entregue depois a um padre, conhecido como Antônio Melo que o batizou com o nome de Francisco.
Aos 15 anos, ele foge da casa do padre e retorna a Palmares, onde muda o nome para Zumbi. Ficaria conhecido em 1673, quando a expedição de Jácome Bezerra foi desbaratada. Um ano antes de sua morte, caiu em um desfiladeiro após ser baleado num combate contra as tropas de Domingo Jorge Velho, que seria mais tarde acusado de matá-lo. Dado como morto, Zumbi reaparece em 1695, ano de sua morte.
Aos 40 anos, ele morre após lutar contra milícias organizadas por donos de terras durante dezessete anos. Durante mais uma incursão comandada por Domingos, Zumbi foi abatido no seu esconderijo descoberto depois da traição de um seus principais comandantes, Antônio Soares, que revelou onde o líder se encontrava.

QUILOMBOS

Os quilombos, que na língua banto significam “povoação”, funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.
Criado no final de 1590 a partir de um pequeno refúgio de escravos localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou, chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Transformou-se num estado autônomo, resistiu aos ataques holandeses, luso-brasileiros e bandeirantes paulistas, e foi totalmente destruído em 1716.
Embora não existam mais quilombos por aqui, comunidades remanescentes se instalaram em vários estados do país. No total, 743 foram identificadas, mas só 29 foram tituladas oficialmente pelo governo.
Localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Sergipe, Goiás e Amapá, estas comunidades detém os Direitos Culturais Históricos, assegurados pelos artigos 215 e 216 da Constituição Federal que tratam das questões relativas à preservação dos valores culturais da população negra. Além disso, suas terras são consideradas Território Cultural Nacional.
Estima-se que 2 milhões de pessoas vivam nestas comunidades organizadas para garantir o direito à propriedade da terra. Segundo a Fundação Cultural Palmares, do governo federal, que confere às comunidades o direito ao título de posse da terra, os habitantes remanescentes dos quilombos preservam o meio ambiente e respeitam o local onde vivem. Mas sofrem constantes ameaças de expropriação e invasão das terras por inimigos que cobiçam as riquezas em recursos naturais, fertilidade do solo e qualidade da madeira.

Zumbi dos Palmares, o maior ícone da resistência negra ao escravismo no Brasil

Zumbi, símbolo da resistência negra

Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data – transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 – não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695. O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam da lida e dos ferros não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras.

Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado Ganga Zumba foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares.

Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife. O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim, e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. Entretanto, a população local não aprovava a atitude do pároco, que criava o negrinho como filho, e não como servo.

Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo, Francisco não se conformava em ser tratado de forma diferente por causa de sua cor. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem, o Quilombo dos Palmares.

Após caminhar cerca de 132 quilômetros, o garoto chegou à Serra da Barriga. Como era de costume nos quilombos, recebeu uma família e um novo nome. Agora, Francisco era Zumbi. Com os conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.

Com a queda do rei Ganga Zumba, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo dos Palmares pela expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.

Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo. Zumbi foi então torturado e capturado. Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição.

“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade.

Escravidão no Brasil

Uma pesquisa na coleção da Biblioteca Nacional.

O Projeto tráfico de escravos e escravidão, iniciado pela UNESCO em 1999, no contexto do Programa Memória do Mundo daquela Organização, vem tornando possível a identificação da informação e da documentação existente no mundo em relação à escravidão e ao tráfico de escravos.Os levantamentos efetuados em diversos locais para esse projeto são repertoriados em CD-ROM ou Web sites e visam dar aos pesquisadores de todo o mundo uma visão global do que existe sobre esse tema, tanto nos países iniciadores do tráfico, quanto naqueles que se valeram da mão-de-obra escrava em suas incipientes economias. Os textos explicativos sobre o Projeto, elaborados em inglês e em francês pelo Responsável do Programa na UNESCO, dão uma descrição detalhada de sua concepção e de sua história, bem como dos aspectos específicos da escravidão nos países participantes do projeto. Esses textos fazem parte, também, do conteúdo do CD-ROM.

A Fundação Biblioteca Nacional, por considerar o tema de grande relevância para os pesquisadores brasileiros , solicitou ao Programa Memória do Mundo que incorporasse o Brasil nessa pesquisa e recebeu o patrocínio da UNESCO para efetuar esse trabalho. Nessa primeira etapa, a pesquisa cobriu, exclusivamente, o acervo da Biblioteca Nacional e foi efetuada a partir de setembro de 2003. Assim, a pesquisa incluída no atual CD-ROM se restringe às coleções da Biblioteca Nacional, não sendo, portanto, exaustiva. Ela representa uma parte significativa do acervo cobrindo os diferentes tipos de materiais, como manuscritos, iconografia, obras raras, livros em geral e periódicos históricos. Essa pesquisa possibilitou identificar material inédito na coleção e reunir de uma forma coerente para os pesquisadores nacionais e estrangeiros o material sobre o tema. A contrapartida para a UNESCO é a divulgação de um CD-ROM com 500 documentos digitalizados, com link para o site do Projeto abrigado na Biblioteca Nacional, onde está disponibilizada a base de dados bibliográficos dos itens do acervo relativos ao tema.

A ligação do CD-ROM à base de dados bibliográficos na Internet permite sua atualização permanente , com a inclusão de novos itens que venham a resultar da continuação da pesquisa. Espera-se que essa iniciativa possa ser ampliada com contribuições de instituições detentoras de acervos importantes sobre o tema, e que estejam, até a presente data, fora do alcance do conhecimento de especialistas na matéria. Os créditos referentes aos trabalhos efetuados e que tornaram possível essa pesquisa estão relacionados a seguir. Cabe-me agradecer a dedicação da equipe que tornou possível este trabalho de pesquisa, bem como o interesse demonstrado pela UNESCO na coleção da Biblioteca Nacional Celia Ribeiro ZaherDiretora do Centro de Processos TécnicosFundação Biblioteca Nacional.

Abordagem da Pesquisa no Acervo

A compreensão do presente está, sem dúvida, associada ao conhecimento do passado.Para que se possam compreender os desdobramentos relativos às histórias do Brasil, da África e de demais países ou regiões que estiveram envolvidos no deslocamento violento de homens e mulheres do continente africano para várias partes do mundo colonizadas pelos europeus, com o objetivo de escravizá-los, é necessário revisitar esse passado através da documentação disponível nos diversos acervos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

A escravidão negra no Brasil durou cerca de trezentos anos. Os negros e negras vindos da África, segundo as diversas teses sobre a escravidão no Brasil, forma trazidos com o objetivo de constituir a mão-de-obra do colonizador português, que não aceitava fazer o trabalho braçal em nome de uma nobreza muitas vezes auto-outorgada.Uma outra tese ainda recorrente na historiografia brasileira, mas há muito combatida, é a da substituição da mão-de-obra dos “arredios” índios pela dos negros, considerados mais fortes e menos preguiçosos.

Essa tese vem sendo superada por outra que remete a escravidão negra no Brasil às experiências coloniais portuguesas na Madeira e nos Açores.Os portugueses experimentaram nesses arquipélagos, em menor escala, a produção de cana-de-açúcar com mão-de-obra negra e depois transportaram essa experiência para o Brasil. Não se pode esquecer, todavia, que o tráfico negreiro era uma atividade altamente lucrativa tanto para os traficantes, quanto para a Coroa portuguesa.Pode-se dizer que a mão-de-obra negra ajudou a colonização portuguesa mesmo contra a vontade de milhares de pessoas que eram desterradas e escravizadas numa terra desconhecida.

É pertinente repetir a expressão “Negros, mãos e pés do Brasil”,que não constitui nenhum exagero se se leva em consideração que trabalhar no período colonial era “coisa de negro”.Muitos mitos foram criados em torno do processo escravista brasileiro, muitos preconceitos foram gerados a partir dos argumentos que tentavam legitimar a escravidão. A partir de um processo de colonização monocultora e escravocrata, nasceu um país miscigenado com uma pluralidade étnica e cultural que só encontra similaridade nos Estados Unidos da América.Aprendeu-se a conviver com a diferença, mas ainda é necessário desconstruir mitos e eliminar preconceitos, e só se alcançarão esses objetivos conhecendo o passado com a ajuda dos documentos disponíveis.

Os documentos foram selecionados nos diversos setores da Biblioteca Nacional, sendo levado em conta nessa seleção a importância histórica do documento, seu grau de curiosidade, seu ineditismo, a importância iconográfica, sua antiguidade e proveniência, com o cuidado de fazer representar todas as regiões do Brasil.

Tráfico e Comércio de Escravos.

Não se pode ignorar que o tráfico de negros da África para o Brasil decorreu do processo de colonização portuguesa iniciado na segunda metade do século XV. O modelo econômico baseado na monocultura e extratividade, com utilização de mão-de-obra escrava, caracterizava as colonizações da época, mas nem por isso deixa de ser visto como desumano e absurdo.

O tráfico de escravos da África para o Brasil, por menos que se queira, faz parte da nossa história. Mesmo que se tente esquecer ou esconder _ como fez Rui Barbosa quando mandou queimar a documentação existente sobre escravidão no Brasil _ não se pode ignorar sua existência. Conhecer o tráfico e o comércio de escravos no Brasil é entender um pouco a importante contribuição dos africanos na formação da cultura brasileira.A Biblioteca Nacional guarda um grande número de documentos sobre esse assunto.

São mapas estatísticos,correspondência, gravuras e desenhos,periódicos,livros raros,material informativo arquivado de acordo com sua característica nos setores de Manuscritos, Iconografia,Periódicos,Obras Raras e Obras Gerais.

A maior parte dos escravos que aportavam inicialmente no Brasil provinha das colônias portuguesas na África. Eram negros capturados nas guerras tribais e negociados com os traficantes em troca de produtos como a aguardente,fumo e outros.O tráfico de escravos não era exclusividade dos portugueses, pois ingleses, holandeses, espanhóis e até norte-americanos se beneficiavam desse comércio, que era altamente lucrativo.Os riscos dessa atividade estavam nos perigos dos oceanos e nas doenças que algumas vezes chegavam a dizimar um terço dos escravos transportados.Os portos que recebiam maior número de escravos no Brasil eram Salvador,Rio de Janeiro e Recife;desses portos os escravos eram transportados aos mais diversos locais do Brasil.

Algumas outras cidades recebiam escravos vindos diretamente da África, como Belém, São Luís, Santos, Campos e outras.A proporção de desembarque de escravos em cada porto variou ao longo de 380 anos de escravidão, dependendo do aquecimento da atividade econômica na região servida pelo porto em questão. Durante o ciclo áureo da cana-de-açúcar do Nordeste, os portos de Recife e Salvador recebiam o maior número de escravos,mas, durante o ciclo do ouro em Minas Gerais,coube ao Rio de Janeiro receber o maior número de escravos.

A venda dos escravos vindos da África era feita em praça pública, através de leilões,mas o comércio de negros não se restringia à venda do produto do tráfico.Transações comerciais com escravos eram comuns.Neste site são exibidos documentos que registram as mais variadas transações com o escravo, como se fosse um produto qualquer comerciável.As relações comerciais internas envolvendo escravos acentuavam-se em momentos específicos do processo escravocrata.Com o declínio da produção de cana-de-açúcar no Nordeste,por exemplo, muitos proprietários de escravos venderam parte de seu plantel para o Sudeste, principalmente, para o Rio de Janeiro e São Paulo, áreas de produção de café, que passou a ser o produto mais importante da balança comercial brasileira.

Os documentos presentes neste site demonstram a preocupação dos governantes nordestinos como esvaziamento de escravos das lavouras nordestinas e descreve as medidas adotadas para evitar tal processo.O acervo da Biblioteca Nacional, no que se refere ao tráfico de escravos e ao seu comércio, restringe-se basicamente ao período posterior à segunda metade do século XVIII, sendo que a maior parte dos documentos é referente ao século XIX.Dentre os documentos pertencentes a esse acervo, destacam-se alguns como um mapa estatístico que enumera a quantidade de escravos transportados de Benguela para o Brasil, ou um documento de doação de uma escrava a um cura de paroquial.Os documentos presentes neste site ajudam a compreender o que já afirmava Caio Prado Júnior, em História econômica do Brasil.

Falava que o ” tráfico e a escravidão achavam-se indissoluvelmente ligados; esta não se podia manter sem aquele.Coisa que já se compreendia então perfeitamente,e que os fatos posteriores comprovariam; abolido o tráfico, a escravidão seguir-lhe-ia o passo a curto prazo.” (Prado Júnior, 1945: 144 )

Resistência negra à escravidão.

A historiografia conservadora, que valoriza os heróis como únicos responsáveis pelos grandes feitos da humanidade, enaltece a Princesa Isabel como a redentora dos negros, a libertadora e ignora todo o processo conjuntural e estrutural que a levou a assinar,em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea.

A partir da segunda metade do século XIX cresceram os movimentos abolicionistas, que passaram a pressionar cada vez mais o governo em busca de uma extinção definitiva da escravatura.As pressões internacionais, principalmente dos ingleses, também eram grandes, e os próprios negros passaram a se rebelar contra a situação com maior freqüência.O Quilombo de Palmares, no século XVII, em Alagoas, tornou-se uma referência na história da resistência dos negros à escravidão.Até hoje, quando se fala em resistência negra à escravidão se é induzido a pensar em Zumbi dos Palmares e no quilombo que ele liderou.

Mas esse famoso quilombo não foi o único a existir, muito pelo contrário, eles multiplicaram-se pelo Brasil como forma de organização de resistência dos negros fugidos do trabalho escravo.O acervo documental sobre os quilombos não é muito rico. Na Biblioteca Nacional, poucos documentos fazem referência aos acampamentos de negros fugidos, já que a maior parte da documentação sobre escravidão no Brasil era produzida por escravagistas que exigiam o completo extermínio desses focos de resistência.

Num dos artigos do periódico Aurora Fluminense, exigia-se que o governo fosse mais incisivo na ação contra os quilombos existentes nas cercanias da Corte.O artigo enumerou alguns acampamentos de negros fugidos existentes então. As providências exigidas não eram meros discursos retóricos da imprensa conservadora, tratava-se de uma questão de sobrevivência econômica para alguns.

Em fins do século XIX, manter seus escravos era de extrema necessidade para alguns fazendeiros, pois o fim do tráfico e a promulgação da Lei do Ventre Livre limitavam a manutenção do numero de escravos à compra através do tráfico interno, que se tornara muito caro com a diminuição da oferta.Os documentos mostram que a fuga e os quilombos não eram as únicas formas de resistência dos negros perante a escravidão: rebeliões, assassinatos, suicídios , revoltas organizadas também fizeram parte da história da escravidão no Brasil.

Das revoltas históricas, a mais conhecida foi a dos Malês, em Salvador. Essa revolta foi tão significativa que na correspondência de pessoas importantes da Corte, no século XIX, constantes do acervo da Biblioteca Nacional, há diversas menções a ela. Havia o medo de que novas revoltas como aquela transformassem o Brasil numa “anarquia.”

Os Malês, como se sabe eram um grupo étnico numeroso, já islamizado, que tinha capacidade de se organizar até mesmo nas senzalas.Há ainda, no acervo da Biblioteca Nacional uma bela coleção de imagens que documentam os castigos impostos aos escravos fujões.Essa iconografia retrata a crueldade dos castigos infligidos àqueles que buscavam apenas sua liberdade.Na luta pela liberdade, nem sempre os negros eram vítimas, algumas vezes, eles eram os algozes. Num dos documentos é relatado o assassinato de um capitão-do-mato pelos negros de uma fazenda.

O Trabalho Escravo no Brasil

No Brasil colonial, praticamente, todo o trabalho era escravo. O braço negro esteve sempre presente em todas as áreas e setores de atividades.Nas lavouras, no serviços domés- ticos e urbanos foi a força de trabalho fundamental para a economia brasileira.

O escravo era habitualmente chamado “os pés e as mãos” do senhor e da senhora, todos os brancos, exceto os mais pobres, dependiam deles.Os negros dos diversos locais da África que aqui chegavam eram levados imediatamente ao mercado de escravos, onde eram vendidos para aqueles que fizessem a maior oferta. Desse modo, membros de uma mesma família ou de uma mesma tribo de separavam, aumentando ainda mais sua revolta.Os movimentos dos cativos contra o sistema escravocrata eram constantes. Suicídios, inclusive os coletivos, privando o senhor de seu investimento; homicídios praticados contra os brancos e as fugas eram maneiras de demonstrar sua rebeldia. Os quilombos, verdadeiras cidades de escravos fugidos, instaladas em locais de difícil acesso, também foram uma alternativa para se livrarem da opressão dos senhores brancos.Podem-se distinguir dois tipos de trabalho escravo com características próprias: o produtivo, nas lavouras ou nas minas, e o doméstico.

O primeiro, quer no campo, quer nas minas, era um trabalho árduo que ia da aurora ao escurecer. Segundo Charles R. Boxer, a vida média desses escravos era estimada entre sete e dez anos de trabalho; os demais trabalhavam na casa de seus senhores como criados de quarto, amas de crianças, mucamas, cozinheiras, costureiras, etc.Subdividindo ainda mais esses setores de atuação do trabalho escravo, verifica-se que no espaço urbano destacou-se o trabalho dos escravos de ganho e também dos escravos de aluguel. Esses últimos, como o próprio nome diz, eram alugados por seu senhor a terceiros, normalmente eram aqueles que realizavam, com propriedade,algum ofício como carpinteiros,sapateiros e cozinheiros. E os de ganho, eram os que iam pelas ruas a fim de prestar serviços ocasionais e que deviam, ao fim do dia, entregar a seus senhores uma quantia previamente fixada.

Neste caso, o proprietário se desobrigava de atender às necessidades básicas do escravo, na medida em que este dispunha de seu tempo com maior liberdade.Nos jornais da época, a seção de anúncios era utilizada por proprietários de escravos para esses serviços.Na Gazeta de Notícias lê-se o seguinte anúncio: “Aluga-se na Rua do Lavradio nL 6, um preto perfeito cosinheiro de forno, fogão e massa, um dito para todo serviço e um molecote com prática de carpinteiro”. Essa seção também era utilizada para compra e venda de escravos.

Veja-se um outro exemplo ainda no mesmo jornal, “Vende-se dois moleques para o serviço, copeiros e cocheiros; na Rua da Quitanda nL49,1Landar.”Na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, também se encontram várias cartas e processos referentes ao pagamento de diárias a escravos alugados.Como se pode observar,o escravo era tratado como mercadoria, pois inspirada no Direito Romano,a lei portuguesa considerava-o “coisa do seu senhor”,ou seja, classificava-o como “mercadoria”ou “peça”.Podia ser vendido, alugado, emprestado, submetido,enfim, a todos os atos decorrentes do direito de propriedade.

Os diversos tipos da labuta escrava podem ser vistos nas litografias de Jean Baptiste Debret e Louis Buvelot que se encontram no acervo da Biblioteca Nacional, elas retratam cenas do quotidiano dos escravos domésticos,vendedores e dos de ganho.Nesse acervo encontra-se uma vasta documentação sobre o tema abordado,e grande parte desse material está disponível neste site,onde vários manuscritos, periódicos, litografias,fotografias e mapas da época foram selecionados para facilitar a pesquisa dos interessados

Movimentos Abolicionistas e Alforrias

Os movimentos abolicionistas da sociedade civil visavam ao fim da escravidão.Não se pode demarcar uma data como a da fundação do abolicionismo.Isso porque durante os séculos em que a instituição escravista durou legalmente, ela sempre amealhou partidários e opositores.Entretanto, não há como negar que,enquanto força social organizada,composta por indivíduos das mais diferentes classes,origem profissional ou credo,o abolicionismo tem seu grande desenvolvimento e apogeu entre as décadas de 1860 e 1880.

É justamente nesse período que se desenvolvem as maiores campanhas jornalísticas em prol da libertação dos escravos.Fundaram-se órgãos da imprensa explicitamente ligados à questão abolicionista e à criação de associações cujo fim era levantar fundos para a emancipação dos cativos. Alguns importantes intelectuais participaram ativamente da campanha abolicionista; criou-se um partido político que tinha o fim da escravidão como meta.

Foram apresentados na Câmara inúmeros projetos que visavam à emancipação do elemento servil e alguns outros aspectos complementares ( como a formação de uma colônia à beira das estradas e dos rios para os libertos,etc.), chegando até ao ponto de o próprio Imperador, em 1867,na Fala do Trono, não se sabe se em discurso redigido por ele, mas certamente sob sua orientação,fazer menção aos esforços do governo e do Congresso para a resolução da questão servil.

A Biblioteca Nacional, através do Projeto Slave Trade, tentou congregar o mais importante acervo documental sobre o assunto; são documentos que constituem os melhores subsídios para estudiosos do assunto. Os pesquisadores da Biblioteca Nacional desenvolveram a pesquisa, a coleta e a descrição de fontes das mais variadas origens e estudaram também relatos dos principais agentes dos movimentos emancipacionistas.

Pôde-se reunir ao longo da pesquisa abundantes informações acerca do abolicionismo, da libertação obtida através de alforrias, da atuação das sociedades anti-escravista, da visão de viajantes e pintores e da participação de personagens de diferentes níveis sociais nas lutas abolicionistas.Sobre o movimento abolicionista, especificamente, toda documentação trabalhada pertence ao século XIX.Através das informações obtidas na pesquisa, tem-se a nítida impressão de como esses movimentos sociais formaram, informaram e mobilizaram a sociedade da época.Os exemplos são inúmeros.

Cartas entre fazendeiros e proprietários de escravos preocupados, ora com os avanços do movimento e os prejuízos financeiros que poderia representar a abolição, ora com a demora de uma decisão do governo sobre o problema.Artistas do Império e do exterior detinham-se em gravar nas telas um retrato subjetivo do contexto e do clima, indiscutivelmente, influenciado pelos abolicionistas; editoriais de jornais dos mais diferentes locais do Império,dirigidos pelos mais diversos interesses,davam voz e fôlego a uma discussão muitas vezes ambígua e de difícil definição.Esses dados ilustram o clímax do percurso feito pelos debates sobre a escravidão iniciados após a Independência.

Não se tratavam mais de questões ligadas ao desejo de emancipação política de uma nova nação, mas agora eram os cidadãos de um país que, lutando por um ideal libertário, estabeleciam os marcos definidores do caráter nacional.Os questionamentos sobre o maior ou menor lucro proporcionado pela economia escravista ou sobre as dúvidas quanto à legitimidade da escravidão perante a moral cristã, embora se julguem também muito importantes, naquele momento, tornavam-se secundários diante da preocupação mais abrangente que era a fundação da nacionalidade.Percebemos o quão importante foi o movimento abolicionista e o quanto ele chamou a atenção,quase que monopolizando o debate nacional, não apenas pela quantidade de documentos reunidos,mas sobretudo pela sua qualidade.

O site que a Fundação Biblioteca Nacional ora põe à disposição dos pesquisadores e interessados na história do povo brasileiro reúne documentos de excepcional valor histórico. Além do ineditismo de alguns, ou seu aspecto pitoresco ou excêntrico, eles mostram como o movimento pela extinção da escravidão se generalizava nas diferentes regiões do vasto Império do Brasil.De todos os documentos pesquisados, talvez os que mais tenham dado voz ao movimento abolicionista tenham sido os jornais.

Veículos de comunicação antigos em outros países, só se desenvolveram aqui no Brasil com a vinda da Família Real no século XIX. O jornal servia não só para informar como para formar,para trazer discussões e ampliá-las, criando assim uma rede de comunicação comunitária entre seus leitores. Era o jornal que debatia questões como a vinda de mão-de-obra estrangeira ou colonos para o trabalho agrícola, o racismo, a violência do Estado, reformas nas instituições jurídicas e políticas,tornando a força dos militantes emancipacionistas abrangente e amplificada.Como se tratava de uma nação que começava a ser construída de cima para baixo, era de se esperar que quem se ocuparia inicialmente com o tema abolicinista fossem os membros da elite política e cultural.

Proeminentes nomes do governo em seus diferentes níveis, fazendeiros, editores, jornalistas, políticos, juristas e poetas tinham seus nomes e suas palavras impressas nas páginas dos jornais da época. Luís Gama, André Rebouças, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, só para citar os mais conhecidos, tiveram a oportunidade de escrever e dar força ao movimento em prol da abolição. José do Patrocínio, além de importante personagem desse movimento, e filho de mãe negra, foi diretor da Gazeta da Tarde, um dos veículos de divulgação da campanha abolicionista.

Cultura afro-brasileira

O sincretismo é, sem sombra de dúvida, a marca da cultura do Brasil.Uma cultura forjada com contribuições das mais diversas etnias africanas, trazidas no período da escravidão; das nações indígenas que habitavam este território antes da chegada dos portugueses; dos portugueses e demais europeus que migraram para este país; de japoneses, chineses, árabes, uma cultura, enfim, que é síntese das contribuições dos muitos povos que escolheram este território para viver.

O historiador Francisco Adolfo Varnhagen fez questão de ressaltar a importância do índio e do negro nos trabalhos historiográficos, por sua contribuição para a constituição da cultura brasileira.Gilberto Freire, por sua vez, compreendeu a importância dessa contribuição e,em seu livro Casa grande e senzala, discute pela primeira vez no Brasil a importância do negro na construção do país.A riqueza da contribuição cultural africana na formação da cultura brasileira fica patente nas manifestações populares no Brasil.

Essa contribuição se mostra na religião, no batuque do samba, na capoeira, na culinária, na moda, na língua; está em todo arcabouço cultural brasileiro. A esses elementos trazidos pelos negros escravos e adaptados por eles ao meio que encontraram no Brasil chama-se “cultura afro-brasileira.”O contacto com os documentos da Biblioteca Nacional proporciona um encontro fascinante com registros materiais da cultura afro-brasileira.

São fotos, gravuras, desenhos e descrições de manifestações culturais comuns aos negros escravizados. São registros importantes para se conhecer um pouco da origem da cultura brasileira.Através desse passeio pelo acervo da Biblioteca Nacional, trava-se conhecimento com os músicos negros que despontavam no cenário cultural do século XIX, mesmo contra as restrições da elite escravocrata. Vê-se como os senhores de escravos e seus convidados aplaudiam em suas festas os músicos negros, como eles apreciavam a música tocada por escravos, que usavam sua arte para minorar as atrocidades da escravidão.Um dos documentos exibidos neste site é um ofício encaminhado à Corte solicitando recursos para a compra de vestimentas adequadas para músicos negros que iam se apresentar em uma festa na Fazenda Real de Santa Cruz.

Isso demonstra o prestígio dos músicos escravos e a preocupação de fazê-los parecer apresentáveis aos convidados da Família Real.O visitante deste site e do CD-ROM terá oportunidade de conhecer os instrumentos utilizados pelos escravos. São instrumentos usados até hoje pelos percussionistas e que eram produzidos, então, de forma rústica pelos escravos na celebração de seus orixás nas senzalas das fazendas, ou nas danças típicas e na capoeira.São agogôs, atabaques, reco-recos e outros instrumentos registrados em fotografias que compõem hoje a Coleção Artur Ramos.

Além desses registros musicais, o visitante terá oportunidade de ver documentos sobre os casamentos dos negros e observará como o sincretismo religioso estava presente nessas cerimônias.A contribuição africana na cultura brasileira é importantíssima; só conhecendo os elementos que a compõem, respeitaremos a riqueza cultural do Brasil e as diferentes formas de interagir com o meio. A riqueza da humanidade está exatamente nas muitas formas de ver o mundo; respeitar a diversidade é respeitar a si próprio.

Acordos internacionais e legislação sobre escravidão

No século XIX houve muita pressão da Inglaterra para que se desse fim à escravidão no Brasil. Os objetivos dos ingleses eram de caráter econômico, o capitalismo se consolidava na Inglaterra e também no restante da Europa. Não se aceitava a escravidão como forma de trabalho, pois o escravo não recebia salário e, portanto, não podia comprar qualquer tipo de produto. Havia também, tanto na Europa, quanto no Brasil, os ideais iluministas herdados da Revolução Francesa que havia proclamado a igualdade de todos os homens. Por outro lado, não interessava à Inglaterra que os produtos brasileiros competissem com os de suas colônias.

Seja por razões econômicas, seja pela força dos movimentos pelos direitos humanos, o fato é que a Inglaterra, país com o qual o Brasil mantinha suas maiores relações comerciais, passou a pressionar sistematicamente o governo brasileiro para que extinguisse o tráfico de escravos e a escravidão.Por considerá-lo prejudiciais a seus interesses comerciais, ainda na primeira década do século XIX, os ingleses começaram a investir contra o tráfico, afundando navios negreiros com se fossem navios piratas.Um dos documentos presentes neste site faz referência a esses fatos.

Com os protestos de várias nações, a Inglaterra, que acumulava um poder econômico muito relevante naquele tempo, resolveu partir para uma ofensiva diplomática, forçando estados mais fracos economicamente a assinar acordos que objetivavam o fim do tráfico.O Brasil passou a ser bastante pressionado. Antes mesmo da independência brasileira, o Rei de Portugal,Brasil e Algarves, D. João VI, assinou o primeiro tratado internacional com o objetivo de diminuir paulatinamente o tráfico de escravos para o Brasil.

O tratado assinado em 22 de janeiro de 1815 proibia que aportassem em terras brasileiras os navios negreiros provenientes das partes da costa africana que ficassem ao norte da linha do Equador. Depois desse primeiro acordo, outros foram assinados. Em 1826, o Império do Brasil e o governo britânico assinaram outro documento estendendo a proibição do tráfico a todos os navios negreiros vindos da África. Esses acordos não eram completamente respeitados pelo Império, o tráfico, ilegal em teoria, continuava sem a repressão do governo imperial.

Diante do não cumprimento dos tratados pelo Império e com a alegação de que era impossível fiscalizar todo o nosso litoral, o governo britânico propôs novos acordos que autorizavam a marinha britânica a apreender em águas internacionais navios de bandeira brasileira utilizados no tráfico. Esse acordo foi muito contestado no Brasil, principalmente depois da primeira apreensão de navio brasileiro pelos ingleses. Na realidade, isso representava desrespeito à soberania brasileira.Em 1845, a Câmara dos Lordes aprovou a Bill Aberdeen , que autorizava a marinha inglesa a afundar os navios que transportavam escravos como se fossem navios piratas. A lei baseava-se em acordos internacionais assinados.

A pressão sobre o Brasil aumentou, a atividade do tráfico passou a ter um risco econômico muito alto, muitos traficantes passaram a investir em outras áreas. Diante do esvaziamento dessa atividade motivado pela Bill Aberdeen , em 1850, o Império do Brasil proibiu que navios negreiros aportassem no Brasil. Com o fim do tráfico, o baixo crescimento vegetativo da população escrava no Brasil e o alto custo do tráfico interno, a escravidão estava fadada a acabar. Vários projetos surgiram para que acontecesse uma abolição paulatina.Em 28 de setembro de 1871 o Visconde do Rio Branco apresentou projeto de Lei do Elemento Servil, que mais tarde ficou conhecida como Lei do Ventre Livre.

A lei ia muito além de dar liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data, regulamentava o castigo físico, criava o direito do escravo, entre outras medidas. Era o Império colocando em prática o projeto de abolição paulatina.Outras leis foram sendo promulgadas com o intuito de atender aos movimentos abolicionistas, à resistência dos escravos e às pressões internacionais. Em 1885, promulgou-se a conhecida Lei dos Sexagenários, libertando todos os escravos com mais de sessenta anos. Havia poucos escravos acima dessa idade. A expectativa de vida do escravo era muito baixa, mas a Lei dos Sexagenários atingiu o caráter de marco histórico, pois fortaleceu o movimento abolicionista.

As pressões se tornaram insuportáveis para o Império; os movimentos abolicionistas cresciam vertiginosamente; as rebeliões de escravos contra seus donos eram cada vez mais comuns. Foi nessa conjuntura que a Princesa Isabel, Regente do Império na ausência de D. Pedro II, assinou com uma pena de ouro, em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea, que abolia a escravidão no Brasil.

Para Zumbi, o mais importante não era viver livre, mas libertar todos os negros ainda escravos!

O Governador Caetano de Melo de Castro, armado de poderes extraordinário conforme o Alvará Real de 7 de Abril de 1693 para levar a guerra ao coração dos Palmares, e cercado dos melhores combatentes da capitania, dentre eles o grande Bernardo Vieira de Melo em Dezembro de 1693 iniciou os preparativos em Porto Calvo com o apoio das melhores e mais abastadas famílias de Olinda e de Recife, e em 16 de Janeiro de 1694 com o Mestre de Campo Domingos Jorge Velho no comando teve início a marcha das tropas para o Outeiro da Barriga e em 23 de Janeiro junto aos seus batedores Domingos Jorge Velho remeteu-se a um assalto contra posições de negros.

“Dia da Consciência Negra” retrata disputa pela memória histórica

O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil. Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja bem depois do assassinato de Zumbi. Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares.

Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de novembro, o “Dia Nacional da Consciência Negra”. Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: “os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse”.

Há 32 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeria ao seu grupo que o 20 de novembro fosse comemorado como o “Dia Nacional da Consciência Negra”, pois era mais significativo para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. “Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão”, assim definia Silveira o “Dia da Abolição da Escravatura” em um de seus poemas. Em 1971 o 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A idéia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado.

A diversidade de formas de celebração do 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. “Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afro-descendente. Os acadêmicos e os militantes celebram através dos instrumentos clássicos de divulgação de idéias: simpósios, palestras, congressos e encontros; ou ainda a partir de feiras de artesanatos, livros, ou outras modalidades de expressão cultural. Grande parte da população envolvida celebra com sambão, churrasco e muita cerveja”, conta o historiador Andrelino Campos, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.


Capoeira- trabalho desenvolvido pela Associaçãodos Moradores de Plataforma AMPLA. Créditos: Antonia dos Santos Garcia

Para a socióloga Antonia Garcia, doutoranda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é importante que se conquiste o “Dia Nacional da Consciência Negra” “como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico”.

Diferente do 20 de novembro o 13 de maio perdeu força em nossa sociedade devido a memória histórica vencedora: a que atribuiu a abolição à atitude exclusiva da princesa Isabel, aparentemente paternalista e generosa Isabel, analisa o historiador Flávio Gomes. Pesquisas recentes têm recuperado a atuação de escravos, libertos, intelectuais e jornalistas negros e mestiços para o 13 de maio, mostrando como este não se resumiu a um decreto, uma lei ou uma dádiva. Esses estudos também têm resgatado o significado da data para milhares de escravos e descendentes, que festejaram na ocasião. São poucos os locais onde se mantêm comemorações no 13 de maio.

No Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, o 13 de maio é dia de festa. “Não porque a princesa foi uma santa ou porque os abolicionistas simpáticos foram fundamentais, mas porque a população negra reconhece que a Abolição veio em decorrência de muita luta”, diz Gomes. Albertina Vasconcelos, professora do Departamento de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, também lembra que a data é celebrada em vários centros de umbanda na Bahia como o dia do preto-velho e que moradores antigos do Quilombo do Bananal, em Rio de Contas, Bahia, contam que seus pais e avós festejaram o 13 de maio de 1888 com muitos fogos e festas.Na opinião de Vasconcelos “é importante comemorar, não para contrapor uma data a outra, os heróis brancos aos heróis negros, mas porque é necessário tomarmos consciência da história que está nessas datas, que traz elementos da nossa identidade”. Para a pesquisadora, assim seria possível contribuir para desmistificar toda a construção ideológica produzida sobre o povo negro.

Nas escolas: muita proposta, pouca mudança

No início de seu mandato o presidente Lula aprovou a inclusão do Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar e tornou obrigatório o ensino de história da África nas escolas públicas e particulares do país. Embora a decisão tenha sido comemorada, alguns pesquisadores ressaltam que existem obstáculos a serem ultrapassados para que a proposta se transforme em realidade. “Em geral, a história dada segue o livro didático e ele é insuficiente para dar conta de uma forma mais ampla e crítica de toda a história”, ressalta Vasconcelos.

Essa avaliação da historiadora é confirmada pela professora de história Ivanir Maia, da rede estadual paulista. “A maioria dos professores se orienta pelo livro didático para trabalhar os conteúdos em sala de aula. Nos livros de história, por exemplo, o negro aparece basicamente em dois momentos: ao falar de abolição da escravatura e do apartheid”.

Campos destaca que alguns livros didáticos de história têm sido mais generosos ao retratar a “história dos vencidos”, mas ressalta que a maioria, inclusive os livros ligados a sua área – a geografia -, continua a veicular os fatos sociais de forma depreciativa, seja referente ao Brasil ou a África. “Encontramos com fartura os elementos de modo civilizatório ocidental como a única verdade que merece maiores considerações”, exemplifica. Uma iniciativa importante que ocorreu nesse período foi o controle dos livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), visando evitar a distribuição de livros contendo erros conceituais e representações negativas sobre determinados indivíduos e grupos. Mas, na opinião de Garcia, seria necessário exigir uma maior revisão nessas obras: “os livros didáticos precisariam abordar a participação do povo negro na construção do país, na construção da riqueza nacional, na acumulação do capital e também as suas batalhas, rebeliões, quilombos e suas lutas mais contemporâneas”.

Paula Cristina da Silva Barreto, professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, destaca que, além dos livros didáticos, outro foco importante são as propostas de mudança na formação dos professores. “Foi tímido o trabalho feito pelo MEC nessa direção até o momento”, critica a pesquisadora. Na avaliação dela, sem professores bem preparados para abordar temas complexos, como os abordados nos PCNs, “é muito difícil obter sucesso com a alteração curricular e existe uma grande probabilidade de que as escolas não coloquem em prática o que foi proposto”. Os baixos salários pagos e as condições de trabalho desanimadoras nas escolas são fatores também destacados pelos pesquisadores como possíveis responsáveis pelo pequeno envolvimento dos professores com propostas que visam abordar a diversidade étnica e problematizar a questão do negro no Brasil no interior das escolas.


Puxada de rede – AMPLA – Associação dos Moradores de Plataforma

Experiências educativas alternativas

Existem diversos programas educativos espalhados pelo país que são propostos e organizados por entidades ligadas aos movimentos negros brasileiros. Para Campos, a diferença fundamental entre essas propostas e o ensino escolar “é o comprometimento daqueles que montam os programas. Em geral são frutos de experiências de grupos ligados aos problemas dos afro-descendentes; buscam, sobretudo, a eliminação da desigualdade através de um instrumento poderoso: a consciência cada vez maior da coletividade”. Como exemplos, o pesquisador cita o Projeto da Mangueira, voltado para os esportes, que já existe há muito tempo, além de experiências que têm levado meninos e meninas às escolas de sambas-mirins no Rio de Janeiro.

Barreto, que tem acompanhado de perto alguns projetos na área de educação implementados por organizações anti-racistas e/ou culturais de Salvador, destaca como exemplos bem sucedidos a Escola Criativa do Olodum, o projeto de extensão pedagógica do Ilê Aiyê e o Ceafro. “Essas experiências têm sido importantes por fomentarem o debate e gerarem demandas por mais qualidade do ensino público, por um currículo menos eurocêntrico e mais multicultural e multirracial, por melhores livros didáticos e por um ambiente racialmente mais democrático nas escolas”, diz Barreto. O mais interessante é que esses projetos se transformaram em referência para as políticas adotadas por órgãos oficiais como o Ministério Educação (MEC) e as Secretarias de Educação.

Combinando educação formal e não-formal esses projetos tratam, por exemplo, de conteúdos presentes no currículo oficial em espaços como os barracões dos terreiros de candomblé ou as quadras dos blocos afro; outros utilizam parte da produção cultural das organizações – letras de música, mitos africanos etc. – no currículo das escolas regulares. O ensino de História da África, na escola do Ilê Aiyê, já acontece há vários anos.Para Barreto “é de fundamental importância o fato de que as crianças e jovens negros e mestiços são positivamente valorizados nesses projetos, elas são consideradas como portadores de direitos, o que tem um efeito direto sobre a auto-imagem e a construção da identidade pessoal e coletiva”. Atualmente, a socióloga trabalha com projetos educativos voltados para a democratização do acesso e a permanência de estudantes negros e mestiços no ensino superior e coordena o programa A cor da Bahia, que há dez anos realiza pesquisas, publicações e atividades de formação na área de relações raciais, cultura e identidade negra na Bahia. Desde 2002, o programa desenvolve o projeto tutoria, que cria estratégias diversas para estimular, apoiar e promover a formação de estudantes negros que ingressaram na Universidade Federal da Bahia.

Com o apoio do programa Políticas da cor fornecem bolsas de ajuda de custo aos alunos e orientação acadêmica, visando o ingresso destes no mercado de trabalho e em cursos de pós-graduação em condições mais competitivas. Na opinião de Barreto, ainda há muito para ser feito com no sentido de assegurar uma maior democratização – em termos raciais e econômicos – do sistema de ensino superior público.”É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais”, avalia Gomes.


Da qual sofreu tremenda resistência dos comandados do Rei Zumbi deus e senhor da guerra que aparecia em todos os ângulos da fortificação que era precedida pela parte de fora, em toda a sua extensão de fossos, buracos, poços de água, paus de ponta aguçadas e trançados, enfim toda a sorte de empecilhos para os avanços inimigos que os palmerinos conseguiram arranjar na sua industria rudimentar, posta a serviço da guerra, a estimular com sua presença os destemidos defensores. Fracassado o primeiro ímpeto do ataque, Domingos Jorge Velho tomou a decisão de dispor as suas tropas ao centro da fortaleza sob o comando de Bernardo Vieira de Melo; a esquerda da estrada ficando Sebastião Dias e a direita da estacada Domingos Jorge Velho se colocou com a sua gente, desta maneira formou-se um verdadeiro cerco a cidadela negra em cujo interior sem alarido homens e mulheres se dispuseram a defendê-la a todo transe, sendo que os primeiros avançaram e alcançaram a cerca galgaram-na por meio de escada e bailéus para caírem nos tachos de água fervente colocadas pelos defensores do Rei Zumbi, encontraram mortes horríveis devido a ousadia de tão temerário avanço, os que se aproximaram foram repulsados pelas flechas e armas de fogo disparadas pelos palmerinos. Devido a resistência encontrada as tropas atacantes esmoreceram por um instante e retrocederam para não serem dizimadas pelos negros vigilantes. Desta maneira o ataque geral empregado foi sem resultado, onde as tropas atacantes perderam muitos dos seus combatentes, por este motivo o Capitão mor Bernardo Vieira de Melo diante da impossibilidade de um avanço geral e temendo uma sortida dos negros sobre sua gente, resolveu com os seus homens fazer uma estacada frente a frente à dos palmerinos em todo o seu setor e em pouco tempo a cerca do Rei Zumbi estava envolvida por uma contracerca dos portugueses.


E no dia 29 de Janeiro efetuaram o segundo ataque geral contra os palmerinos que com a mesma energia e a mesma ferocidade, defenderam a cidadela, obrigando as tropas do bravo Capitão mor Bernardo Vieira de Melo a recuar devido as sensíveis perdas e na ala esquerda as tropas do Sargento mor também sofrera duros reveses, não sendo totalmente desbaratada por ter sido socorrida pelas tropas do centro comandadas pelo Mestre de Campo Domingos Jorge Velho, que recuou vencido, desta dantesca batalha, sendo perseguido pelos negros que ao cair da noite desistiram do intento. O Rei Zumbi recompôs as suas legiões e determinou que os velhos, mulheres, inválidos e as crianças empregassem seus esforços na industria de guerra para defesa geral do mocambo, após a refrega que sofrera o Mestre de Campo Domingos Jorge Velho determinou que a cerca de pau-a-pique fosse reforçada para evitar uma sortida dos negros, trabalho este efetuado debaixo de fechadas e estrepes atirados pelos negros palmerinos furiosos e vingativos e a partir deste momento a vigilância dos portugueses teve que se dobrado, permanecendo atentos de armas nas mãos, contra qualquer ataque. Os assaltos a cerca do Rei Zumbi dos dias 23 e 29 de Janeiro de 1694 deixaram as tropas de Domingos Jorge Velho desfalcadas de muitos homens por este motivo o mestre de campo solicitou que fossem enviado para ele reforços de homens e artilharia, e estabeleceu o cerco total dos mocambos, impedido desta maneira que os negros tivessem contato com o mundo exterior do mocambo, pois deste modo venceriam os negros pela fome e pelo desespero. O Rei Zumbi sentia a falta de armas e munição, que não havia recebido durante este período de sitio, porém restavam-lhes o moral e o heroísmo, as únicas forças ainda intangíveis para antepor aos sitiantes, os negros sofriam as maiores privações possíveis, por este motivo estavam se convencendo que toda resistência seria inútil, a repulsa aos atacantes estava cada vez menos impetuosa, e quando Gabriel de Gois, bravo alferes do Terço de Infantaria do Recife chegou de Alagoas com os reforços mandado pelo Governador Caetano de Melo de Castro se dirigiu para o Outeiro da Barriga e conseguiu abrir a cerca do Rei Zumbi com diversos tiros de artilharia.

Quebrando-lhes o moral e abrindo passagens para as tropas sitiantes ao mando de Bernardo Vieira Melo e Sebastião Dias, a reação no interior da cidadela foi medonho, dantesca e terrível, devido a selvageria dos invasores por todas os ângulos da cidadela, com os dois lados se enfrentando corpo a corpo trucidando-se mutuamente e o baluarte resistindo bravamente protegido pela escuridão da noite, foi quando o Rei Zumbi reuniu as suas tropas na extremidade da cerca na ala da direita saltando do penhasco para a fuga, que levou de roldão as forças ali dispostas por Bernardo Vieira de Melo, escapando-se assim do cerco tenebroso de vinte e dois dias que foram impostos pelo mestre de Campo Domingos Jorge Velho. O desfecho inesperado que o Rei Zumbi dera ao sitio do Mocambo dos Macacos, precipitando-se do penhasco pela estreita faixa aberta na cerca, quando se vira perdido e impotente para conter pelas armas o ataque dos invasores, fora para os portugueses tão inopinado e brusco que eles não sabiam se faziam a perseguição aos fugitivos ou se entravam no Mocambo.

O heróico Zumbi preferiu lançar-se do penhasco a estender com os seus bravos comandados os pulsos as algemas do cativeiro, pois somente ele possuía o poder de fascinação de arrastar a tamanho sacrifico muitos homens dispostos a lutar, homens estes nascidos no magnífico altiplano da Serra da Barriga e ali criado e fascinados pela liberdade. Passados cinco meses da tomada e destruição da cidade negra dos Macacos e da espantosa mortandade dos negros que a habitava e a defendiam e do heróico protesto de Zumbi que se atirou no despenhadeiro com seus bravos guerreiros, os negros fugitivos ainda dispersos pelas matas e pelas furnas ou pelos alcantis das serras palmerinas não preferiam mais resistência, pois famintos e maltrapilhos, enfermos e desenganados de obterem a liberdade que tanto se bateram e lutaram durante tantos anos iam sendo aos pouco capturados pelos capitães do mato e seus índios. Rei morto, rei posto – sentenciaram os sobreviventes em demanda pela mata fechada na procura de outro sitio para instalação de outro mocambo, e segundo as ultimas disposições do grande rei morto na reunião que precedera à arrancada decisiva na orla do despenhadeiro! Surgirá outro grande Rei Zumbi, sobrinho do que havia morrido para continuar a guerra por mais alguns tempo, até ser traído por Antônio Soares, mulato de sua confiança. O novo Rei Zumbi, foi preso e morto pelas tropas de André Furtado em 20 de Novembro de 1695 e a sua cabeça foi enviada para Recife, onde foi exposta para servir de escarmento aos negros fugidos, por ordem do Governador da Capitania de Pernambuco Caetano de Melo de Castro.

Os Primeiros Quilombos

Foram formados em época incerta, não coincidindo com a entrada dos primeiros negros no Brasil por volta de 1538 e nem foram originários das raças importadas da África no primeiro século da descoberta, pois as numerosas tribos importadas da Guiné, representados por grupos étnicos importantes que foram distribuídos proporcionalmente pelas diversas seções regionais da colônia portuguesa, porque não era conveniente que se juntasse na mesma capitania um grande número de negros escravos da mesma nação, o que facilmente poderiam resultar em perniciosas conseqüências, no entanto tudo leva a crer que tais intuitos de separar as nações de negros se tivessem frustrado na pratica, pois na Bahia fortemente se fez sentir a ascendência dos Sudaneses, ao passo que em Pernambuco e no Rio de Janeiro prevaleceram os do grupo Banto.

Os primeiros quilombos, que a principio foram reduzidos, de poucos negros, muitos dos quais famintos, e doentes, que fugiam dos engenhos, das fazendas e dos eitos, só foram possível graça a associação que o negro efetuou com o índio, na causa da resistência a escravidão, e no século XVIII foi o de grandes protesto da raça africana, quando se formaram os maiores e mais tremendos quilombos que tantos apreensões causaram aos colonos e aos governos.

Alguns historiadores fixam a data de 1630 para o inicio dos quilombos constitutivos dos Palmares pela entrada e distribuição de negros escravos provenientes de Angola pertencentes a tribo Jagas que eram indomáveis e amantes da liberdade, pelas fazendas de Pernambuco e Alagoas. A razão preponderantes da formação dos quilombos no Brasil assentam-se na ferocidade atroz do colono dominante nos engenhos e nas fazendas, nos leitos e na mineração, protegidos pela mais brutal legislação negra que incluía os castigos, as penas e os maus tratos infligidos desde o momento de sua captura na África. Diversos fatos sociais tais como; de serem presos a correntes de ferro a um cepo, de trabalharem junto das caldeiras nos engenhos, de ser chicoteados para trabalharem, a alimentação e vestuário limitado, concorreram para acirrar o ódio entre o negro e o colono. O negro que chegava, era considerado como peça de trabalho, por mais abatido e rebaixado que fosse em sua dignidade, em sua vontade de liberdade, pela prepotencia de seu semelhante tendeu a sucudir o jugo, fugindo da sociedade que o acabrunhava e o esmagava, procurando a expansão de sua liberdade, em algumas vez em insurreições. O quilombo era sem duvida a ultima fase do protesto – pois o negro na sua aflição de liberdade, não sentia dificuldade nem hesitava em privar-se da vida para se livrar de seus sofrimentos infligidos pelos senhores e por isto só restava ao escravo a fuga para as montanhas, para os quilombos, para os ermos e para os antros e historicamente os Jagas da raça Banto que eram belicosos da tribo indomável do sobado do famoso N`gola Bandi, aprisionado pelos portugueses durante o governo de Luiz Mendes de Vasconcelos em Angola e mandados para o Brasil lhe cabe a paternidade do grande movimento palmerino já anteriormente iniciado com alguns negros desgarrados que seguiam para o Maranhão marchando dos centos da Bahia e pelos sertões a dentro de Caxias onde o africano ergueu as portas do grande sertão, uma cidade rica e prospera.

A região escolhida pelos negros aquilombados nas faldas da Serra da Barriga, no território de Alagoas, pela semelhança dos seus cômoros, colinas, montes, rochedo e sua flora e fauna dir-se-ia um pedaço de chão transplantado da África para lhes servir de abrigo das primeiras levas que por ali passaram acorrentados e voltaram os seus olhos para a região montanhosa que vinha desde o planalto de Garanhus no sertão pernambucano até as serras dos dois irmãos e do Bananal no município de Viçosa em Alagoas que compreendia as serras do Cafuchi, Jussara e Pesqueira, Comonati e da Barriga de terras virgens e extremamente fértil.

Cortada pelos rios Ipojuco, Serinhaém, Una em Pernambuco e pelos rios Paraíba, Mandau, Panema, Camaragibe, Porto Calvo e Jacúpe em Alagoas, com uma floresta povoada de arvores frutíferas e outras arvores excelentes para uso industrial, que cresciam em volta das palmeiras pindoba-palma attalea, pindoba, buriti-mauritia vinifera, catolé e inúmeros coqueiros de dendê- elaeis guineensis e no meio a essa mata se movimentava uma variada populçao animal onde puderam encontrar suas caças e pesca. Esta era a região abençoada o valhacouto dos negros palmerinos, na realidade era as matas das palmeiras às mais ricas e bonançosas de todas as regiões, cuja pujança convidava as raças oprimidas a se aquilombarem na formação do maior e mais renhido centro de resistência negra em todo o período colonial, e não foi um simples acidente geográfico e nem tampouco um campo de batalhas sangrentas que deu o nome a região de Palmares no altiplano da Serra da Barriga; foi a frondosa e grande Álea de Palmares que ali se estendiam, ululante e viçosa, magnetizada pela natureza portentosa dos trópicos, caprichosa na sua beleza e rica na sua fartura, onde se encontrava as titaras com suas guirlandes enfeitadas de espinhos galgando as arvores próceras, que mais tarde seria a coroa de espinho dos tombados em lutas feroz pela liberdade.

Todas as palmeiras desta floresta deram aos negros aquilombados os alimento para o corpo e para o espírito, material para seus tijupares de amor e seus palácios e fibras para suas roupagens e estrepes na construção de suas defesas tiradas de seus caules endurecidos e fibrosos. E se mais não dessem, deram na saudade da África um pouco de esperança na terra magnífica que delas recebeu o nome Palmares !

O Negro

Homem negro era uma continuação do meio na sua brutal grandiosidade geofísica, meio absorvente e bárbaro e na sua entomologia, a raça Bantu a mais adiantada, detentora das ricas terras do Congo e de Angola, caminhou a passos de gigante para a regressão em face dos usos e dos costumes de suas tribos e nações incapazes de absorver a civilização da raça branca para lá mandada pelos portugueses, tinha o culto da liberdade até extremos desconhecidos. Eram naturalmente anárquicos, não tinham união política entre si, e suas autoridades entre eles quase sempre eram tirânicas, absoluta e absorvente eram indisciplinados e desobedientes, por estes motivos foi fácil de serem vencidos em toda parte e em todos os tempos, esta raça robusta e por isto ela foi facilmente escravizada, podemos dizer-se que a nação de autoridade, só lhe veio depois do contato com a raça branca, depois que a rainha Ginga Bandi conseguiu tirar todo o partido das ações missionarias com o qual melhorou a sua raça em civilização e costume de crê-se que o espírito dessa formosa e famosa rainha tenha acompanhado um punhado de negros descendentes dos N`gola que foram vendidos para o Brasil e aquilombados em Mato Grosso e que fundaram o reinado negro de Quariterê, onde tanto sangue se derramou como em Palmares. E os costumes das tribos africanas em geral pareciam estar no ínfimo grau de desenvolvimento a julgar por alguns signos característicos destas habitações em cavernas porém tais exemplos não poderiam ser representativo da raça africana em regra geral.

Pois o negro já estava fixado no solo e já constituía a sua tenda e quase todas os títulos protegiam as suas aldeias por uma cerca de arvores de troncos grossos e no recinto fortificado construíam as tendas formadas de juncos e palmas de forma cônica com teto de palha, que não possuía divisões salvo as vezes as dos chefes da tribo.Os utensílios domésticos eram todos de madeiras e pedra que serviam de assento, os pratos eram de argilas, cuias, facas de pedra e de ferro, vasos para água e para o preparo da comida, algumas tribos dormiam no chão sobre palhas ou peles e algumas tribos construíam tarimbas.

A ordem domestica era perfeita pois cada tenda era ocupada por uma família onde o homem exercia a autoridade suprema do lar e na sua ausência era exercida pela primeira esposa, pois a poligamia era um costume em todas as tribos, e todo o trabalho domestico e nas pequenas lavouras ficava a cargo das mulheres, tanto os homens como as mulheres enfeitavam-se com muito capricho, particularmente da cabeleira, entre muitas tribos era costume se tatuarem e furar as orelhas, o lábio superior e o septo nasal.

Os homens cuidavam de preparar as terras para as grandes plantações, em algumas aldeias existiam as industrias pastoril, também a caça e pesca era atribuições parta os homens das tribos. Sendo a caça no interior da África um serviço fatigante e arriscadíssimo, demandando grandes esforços, agilidade e coragem e de todos os animais eles aproveitavam a carne, o couro e do elefante o marfim. Era muito raras as aldeias não terem em forno para fundir ferro e uma forja para fabricação de ferramentas, armas e artigos de uso comum, as armas que usavam era o arco e a flecha, a zagaia, a lança e o cajado nodoso, a antropofagia era usada por algumas tribos do interior e da costa ocidental, todos negros africanos tinham grandes conhecimentos das virtudes de muitas plantas medicinas e a sua medicina consistia no emprego destas plantas acompanhadas de muitos exorcismo.


Eram muitos supersticiosos e tinham, entre eles os adivinhos e os feiticeiros que eram venerados por todos das tribos, se tatuavam com desenhos significativos que constituíam-se de figuras de animação de plantas e de desenhos geométricos o desenho era indelével e feito no corpo humano em geral no peito e nos braços e as línguas eram todas aglutinantes e os usos e costumes sempre varriam de tribos para tribos conforme o seu grau de civilização e de caráter religioso, a concepção da arte nos povos negros não eram de ordem estética mas tão simplesmente religiosa, a idolatria foi o mais forte motivo da arte negra em conseqüência do meio bárbaro em que viviam e os brutais contraste que o cercaram desde o alvorecer de sua idade, o negro criou a arte segundo a sua emoção e essa arte e arte e é beleza porque representa o seu conhecimento de tristeza, a sua dor e o seu medo. A raça negra sempre tiveram grande pendor para as danças e a mais característica é o batuque, que o acompanhou na trajetória dolorosa de sua migração forçada para o cativeiro, e as suas danças consistiam num circulo formado pelas dançadores, indo para o meio de um preto que depois de executar vários passos, dava uma imbicada a quem chamava de semba na pessoa que escolhe entre as da roda, a qual ia para o meio do circulo substitui-lo.

Os instrumentos musicais eram mais guerreiros que de diversões e o principal deles era o tong-tong empregados nas solenidade de guerra, nas festas populares usavam o balafo muito usado na costa do ouro, tinham o berimbau, canzá, e o tambaque e estes instrumentos acompanharam os palmerinos para amenizar os seus sofrimentos e resistir as dores e aos desesperos.

Escravidão

A origem da escravidão humana perde-se no tempo e se acha ainda oculta pela poeira dos séculos que envolvem a própria historia do homem sobre a terra. É a luz do saber humano ainda não se projetou sobre a primeiro escravo, se branco ou negro, se asiático, africano ou europeu.

Admite-se, todavia, que surgiu a escravidão do homem com as primeiras lutas e teve origem no direito da força que foi corporificando e se espalhando entre os homens isolados, destes às famílias, às tribos e por fim, às nações e aos estados organizados. A ferocidade do vencedor exaltada sobre o vencido fora a causa potencial da escravidão do homem desde a mais remota Antigüidade, desde os assírios, os egípcios, os judeus negros e romanos e bem assim os demais povos da mais alta Antigüidade, adotaram a escravidão e legislaram sobre ela, sobretudo os romanos que coibiram os abusos que se cometiam à sombra dos usos e costumes dos demais povos, estabelecendo princípios do modo de ser escravos , estes princípios constituíram um grande avanço em prol da liberdade humana, mas tarde duas poderosas forças vieram modificar os modos de ser escravos; o advento do Cristianismo e a evolução natural do direito.

O escravo era considerado como produto de venda era ou troca. No rosto mostra o sofrimento de dores e desgraças.
Foram criadas varias leis , as leis tinham disposições excepcionais que permitiam que os escravos sofressem torturas para fazerem declarações, as marcas de ferro quente, as mutilações de alguma parte do corpo, e a pena de morte estavam contidas no livro V das ordenações portuguesas, e ampliadas constantemente pelas Cartas Régias expedidas pela corte, para atender a cada caso, seja no engenho, nas minas. Por toda a parte havia tortura, penas e castigos horrendos impostos aos negros e os arsenais de tortura se multiplicavam com as Cartas Régias e as ordenações e os alvarás que não eram de liberdade e sim de sentenças condenatórias, e a imaginação humana esgotou os recursos na invenção de penas e tormentos que subjugavam os negros escravos, por isto criaram virasmundos, algemas, gargalheiras, cadeira ajustada aos pulsos e ao tornozelo, a pescoceira de ponta curva, a mascara de ferro, a focinheira, o açoite, a palmatória, o tronco chinês, o cinto com seu cadeado pendente, as letras de fogo que eram impressas na espádua do negro fujão e o libando era o que compunha o arsenal de dor, maceração, tortura e mortificação dos negros a serviço do senhor dono do escravo que comprava o negro escravo e desumanizava-o, para o tornar manso e obediente, as vezes eles preferiam matar o escravos, antes de lhe permitir uma reação, que se estendesse a toda a colônia. Matava-o quando se insurgia; e mutilava-o para purifica-lo, porém o branco era egoísta e tímido, pois necessitava de companhia que o seguisse para lhe resguardar pelos caminhos, sendo assim selecionava os pretos bons e fortes e os armava para sua segurança. A escravidão na África foi uma imitação da escravidão dos Mouros e Sarracenos, que cresceu, desenvolveu-se, agigantou-se e envolveu todas as grandes potências marítimas, que eram a Inglaterra, França, Espanha e Portugal e outras quase todas arrastadas pelas rendas que o mercado de escravo oferecia, a África por conseguinte, passou a ser o grande palco da escravidão do homem pelo homem e quando criaram-se hordas de penetração ao interior desconhecido para aprisionamento dos negros, em vez de missões civilizadoras, e para legitimar a escravidão negra criou-se o principio hediondo, imoral e mentiroso do resgate.

O homem foi transformado em mercadorias e classificados nas alfândegas como objeto de utilidade para pagamento de imposto de exportação.

E os primeiros negros introduzidos em Portugal constituíram, os fundamentos naturais da organização de empresas de transporte de peças e despertaram a cobiça de seu comercio rendoso e pela facilidade de aprisionar os negros em toda costa africana onde os maometanos faziam suas presas para trocarem pelos prisioneiros que os portugueses lhe faziam nas suas conquistas pelos mares afora, e as Ilhas da Madeira e as Ilhas Canárias tornaram-se o principal foco de comercio de escravos, que logo se propagou nos mercados de Lisboa e de Sevilha. Mouros, portugueses e espanhóis desfraldaram a bandeira de horrores em todos os rochedos da costa africana para a apreensão dos negros dispersos pelas orlas marítima, foi quando que os duzentos e trinta e cinco negros desembarcados no Algarves pelo escudeiro Laçarote em 1444 constituiu o prólogo que se ensaiava para ser levado no século seguinte, e estas apanha de negros tornou-se tão desumana e bárbara que os próprios governos interessados nela, se viram obrigados a tomar providencias para que as mesmas fossem mais humana, por isto provocaram algumas medidas dos poderes temporais romanos e para ameniza-la a igreja interviu desde o principio contra as barbaridades aplicadas aos negros invocando as leis divinas e naturais quando o Papa Pio II, em Bula de 7 de Outubro de 1462 o censurou, e com especialidade a redução dos neófitos da África à escravidão. A compra de escravos aos poucos foi se organizando, com aquiescência e apoio e proteção de todos os governos; a competição mais forte dava-se entre os especuladores da França, Inglaterra, Holanda e Portugal que com os novos descobrimentos haviam aumentado a extensão de terras aproveitáveis, e para elas eram necessárias os escravos, riqueza sem a qual a terra nada valeria, e de inicio as ilhas de São Tomé e de Portugal e outras do Golfo da Guiné, tornaram-se entrepostos do tráfico onde o negro se submetia a um certo aprendizado a estes entrepostos eram compostos de um pequeno forte destinado a proteger a mercadoria, de algumas casas para os contratantes e de vários barracões para abrigar as levas de negros que vinham do interior. No inicio os Mouros eram os intermediários entre os portugueses e os grandes fornecedores com o decorrer do tempo os entendimentos passaram a ser feito diretamente com os régulos em suas aldeias de onde os negros eram quase sempre caçados pelos próprios mercadores, mediante ao pagamento de um tributo junto aos régulos, os negros desde a sua apanha e durante o tempo de viagem eram conservados ligado uns aos outros com um pedaço de madeira semelhante a um bridão, amarrado à boca e em volta do pescoço ficavam presos a uma forquilha, com as mãos presas atrás das costas, amarrados por uma corda na cintura do condutor para evitar os gritos e fugas! Até a feitoria onde eram abrigados em barracões durante um certo período que se da o nome de refresco a espera de navios para serem embarcados, e as levas de escravos negros antes de serem embarcados para o novo mundo eram batizados pelo Bispo de Luanda e desta maneira ficavam os traficantes livre do pagamento de imposto, quando os se destinavam ao Brasil.

O idioma brasileiro

No Brasil dos paradoxos, acontecem coisas que a mais fértil imaginação não teria condição de acreditar. O retrato da identidade nacional é composto por um branco, um índio e um negro e, obviamente, falamos um idioma formado por palavras oriundas destas três fontes lingüísticas. No entanto, temos a coragem de dizer que “no Brasil, fala-se o português”. Ledo engano. No Brasil fala-se um idioma que só se fala no Brasil e em nenhum lugar mais. Aliás, somos a única ex-colônia portuguesa que não fala com sotaque português. E isto deve-se à influência da língua tupi ou seja, o nheengatú – ou, como quer o presidente, ao “nhen,nhen,nhen”. Esta espinha dorsal lingüística brasileira está um tanto desbotada diante de tantas “lavagens culturais” à que foi submetida ultimamente pelos estrangeirismos que empesteiam o nosso idioma.

A língua portuguesa original trazida para o Brasil continha 140 mil verbetes ou palavras. O português, esta “língua de marinheiro”, contém hoje 260 mil verbetes, fato que o torna a mais rica língua em sinonímica do mundo. Os 120 mil verbetes excedentes em nosso idioma falado, ficam por conta das culturas africanas e tupi-guarani. Portanto, a tão alardeada “unificação ortográfica e gramatical” torna-se impossível a partir da própria conseqüência lingüística que este idioma adquiriu no Brasil. Isto porque, o significado de milhares de palavras oriundas da língua tupi e falados diariamente, são completamente desconhecidos por todos indistintamente. Isto sem mencionarmos obviamente, a contribuição lingüística africana.

As três línguas que formam o idioma brasílico têm um sentido e uma objetividade declaradamente importante: O africano nos deu verbetes com os quais nos expressamos na forma espiritual, culinária, lazer, gíria e glotologias – Ex: Bunda, Xodó, Bizú, Gogó, Tijolo, Zureta, Muvuca, Mumunha, Maluco, Garfo e por aí vai aos milhares também. O Tupi nos deu verbetes que nos permitem ir e vir no real sentido locativo e toponímico. O Português nos deu verbetes que nos fornecem condições jurídicas, políticas e didáticas. Tornar-se-ia impossível a um brasileiro fazer tudo que faz diariamente usando apenas o recurso da língua portuguesa. Daí que….

É IMPOSSÍVEL UMA UNIFICAÇÃO ORTOGRÁFICA COM OS DEMAIS PAÍSES DE “LÍNGUA PORTUGUESA”!

Corrigir a injustiça histórica secular para com a cultura ameríndia brasílica, origem da formação nacional e espírito latente de insubmissão à dominação estrangeira, deve ser o objetivo de todos aqueles que lidam com a Educação e Cultura deste país e que tenham um pouco de amor ao verde e amarelo. Devemos propiciar aos milhões de brasileiros que diariamente expressam-se na língua tupi, a oportunidade de saberem o significado dessas palavras e, sabendo-o, terem condições de conhecer a história da grande nação Tupi, fato que gerará o inevitável espírito nacionalista e a responsabilidade em sua preservação. A conseqüência imediata desta providência será a expansão para além das nossas fronteiras da verdadeira epopéia da estruturação brasileira, permitindo ainda que as demais nações, por intermédio dos milhares de turistas que pisam o território nacional, saibam, em seu próprio idioma, o significado dos nomes e palavras tão comuns nos logradouros públicos, locais e cidades mundialmente famosas, e, cujos nomes em língua Tupi, até a presente data, não têm tradução literal e significação, uma vez que os próprios brasileiros não o sabem. E apenas para informação, longe de ser alguma língua morta e sem origem, o tupi ou nhengatú possui uma gramática expositiva dividida em quatro partes exatamente como a língua portuguesa: Fonologia – Morfologia – Taxinomia e Sintaxe.

Estamos diante, portanto, de uma prova que os milhares de nomes toponímicos que descrevem e definem lugares, cidades, praças, ruas, produtos, objetos ou fenômenos da terra, não foram jogados ao vento “por um caboclo brejeiro qualquer” como quer a explicação até hoje passada nas escolas do país, mas sim, fazem parte do aspecto topográfico local, traduzido pelo idioma brasílico, genuíno irmão lingüístico do português. Se observarmos apenas algumas das palavras que falamos diariamente, já teremos uma pequena idéia da nossa ignorância e a conseqüente responsabilidade para com o futuro: Jacarepaguá, é Lago do Jacaré – Andaraí, é Água do morcego – Aracaju, é Tempo de Caju – Tijuca, é barro mola – Pará, é mar – Paraná, é rio afluente – Paraguai, é rio do papagaio – Paraíba, é rio ruivo ou encachoeirado – Pirapora, é peixe que salta – Pindorama, é país das palmeiras – Sergipe, é rio dos siris – Goiás, é gente da mesma raça – Piratininga, é seca peixe – Curitiba, é barro branco – Mogi-Mirim, é riacho das cobras – Carioca, é casa de branco – Anhangabaú, é buraco do diabo e Ipanema, é água suja.

Estas são apenas algumas das milhares de palavras do idioma tupi faladas e escritas diariamente e que, identificando locais e cidades nacional e internacionalmente conhecidas, fazem parte do nosso vocabulário diário, porém as suas traduções ou significados são desconhecidos por todos. Os padres jesuítas José de Anchieta e Nóbrega dedicaram suas vidas aos estudos e codificação da língua tupi-guarani, seus usos, costumes, história e origem antropológica desta grande nação cujo sangue corre em nossas veias, direta ou indiretamente. Centenas de outros jesuítas sucederam aos pioneiros na continuidade deste trabalho, legando-nos verdadeiros tratados acerca de tal assunto, vez que, já àquela época, previam a necessidade das futuras gerações acerca do conhecimento da língua brasílica que faria parte da nossa existência como nação. Mas a leviandade, o preconceito e o racismo de alguns “intelectualóides de beira de jardim” que se revezaram durante anos no controle da educação e cultura, desprezaria por completo o trabalho destes jesuítas, preferindo dar cunho oficial aos anglicanismos, galicismos e estrangeirismos que corroem o nosso idioma e alteram o nosso comportamento.

De tal maneira desafiaram o conceito de nação que hoje, nas faculdades, ninguém sabe gramática portuguesa e muito menos gramática tupi-guarani. E só para exemplificar aí vai um texto que prova a importância da cultura indígena na nossa vida:

“Aí, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do palácio às margens do Lago do Paranoá, observou uma Siriema que ciscava no palácio do Jaburu, chegou ao seu gabinete sendo recebido pelo mordomo Peri, lembrou a um assessor sobre as comemorações da Batalha do Humaitá, convocou o ministro do Itamaraty e o governador do Goiás, que visitava seu colega no palácio do Buriti, e, uma vez juntos, tomaram um suco de Maracujá, comentaram sobre as reformas do estádio do Maracanã e as recentes obras no vale do Anhangabaú, riram de um antigo comentário do Barão de Itararé sobre obras públicas, e, abrindo uma agenda de pele de Jacaré, passaram, a decidir sobre o carvão de Criciúma, os suínos de Chapecó e a safra de arroz de Unaí.” – Viram, falaram, beberam e escreveram em tupi e não se aperceberam disto. O embaraço maior, seria se tivessem que traduzir todas estas palavras para o chanceler francês que visitava o Brasil.

E já que é assim, por que não inserir em todas as placas de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias, monumentos e locais cujos nomes sejam originalmente em língua tupi, o significado em português, o qual, via de regra, poderá ser traduzido para qualquer idioma estrangeiro ? – E por que não explicar nas escolas primárias e secundárias esta fusão da língua portuguesa com a língua tupi-guarani e seus fenômenos toponímicos e gramaticais usados no cotidiano desde a tenra idade ? – Achamos esta saída ideal para um problema que tem gerado situações embaraçosas para brasileiros no exterior, quando alguém pergunta o significado da palavra Ipanema ou, dentro do seu próprio país, quando um filho ou uma filha pergunta: “…papai, o que quer dizer Carioca ?” – Diante do desconhecimento total por parte dos brasileiros acerca desta cultura e herança, corremos os risco de permitir que as gerações futuras pensem que tais palavras, hábitos e costumes, fazem parte da cultura e língua portuguesa, porém, sem significado e explicação. É o máximo !

E, caso algum especialista em educação e cultura ache que é possível viver sem esta influência lingüística, poderá começar por retirar todas as palavras da língua tupi do nosso vocabulário. Inicialmente, terá que trocar o nome de dez estados e sete capitais brasileiras, cujos nomes são em tupi. Depois trocar os nomes de centenas de municípios, milhões de ruas, praças, avenidas, estradas, rodovias e localidades topográficas cujos nomes também são originários da língua tupi. E finalmente, terá que mudar milhares de nomes próprios e palavras comuns do nosso dia-a-dia, as quais são verbetes da língua tupi. Aí verá que a comunicação e a locomoção tornar-se-ão impossíveis.

E já que esta terra era propriedade de uma raça tão importante que mesmo dizimada nos legou um tratado lingüístico e antropológico de beleza impar, nada melhor do que repetir a célebre frase de Aimberê, o cacique-comandante da Confederação dos Tamoios no Rio de Janeiro: “Nhandê Coive Ore Retama!” – Esta terra, é nossa ! – E é, por esta razão que me considero um legítimo Tupinambá…porque no Brasil, TODO DIA, É DIA DE ÍNDIO !

O Primeiro Porto no Brasil

E difícil fixar-se nas historia, o primeiro porto de desembarque de negros africanos no Brasil, porém Francisco Adolfo Varnhagem – Visconde de Porto Seguro dá a entender que Martins Afonso de Souza em 1531 desembarcou na Bahia alguns escravos encontrados na Caravela Santa Maria do Cabo que foi aprisionada e incorporada a sua esquadra e também na cultura de cana-de-açúcar que introduziu na Capitania de São Vicente, da qual fora o primeiro donatário, onde desembarcou em 20 de Janeiro de 1532.

E desta maneira a historia da escravidão negra no Brasil, pende assim para Pernambuco como o primeiro porto brasileiro de desembarque dos infelizes negros para aqui carreados e vendidos como peças ou trocados por uma simples garrafa de aguardente entre mercadores negreiros e senhores de engenho. Primitivamente, os escravos importados eram destinados aos engenhos de açúcar das Capitanias de São Vicente, da Bahia e de Pernambuco e tão logo chegados ao Brasil e logo após uma pequena triagem de refresco nos portos de desembarque eram encaminhados para o interior e os dois centros mais importantes de importação eram Pernambuco e Bahia e a distribuição do elemento servil para o interior, pode ser dividida em grandes ciclos, como o da agricultura e industria pastoril e o da mineração. A escravidão negra do Brasil tomou impulso no século XVII no período áureo da industria açucareira, tendo em vista o consumo do açúcar no mundo , e devido a pequena produção das ilhas portuguesas do atlântico, estimularam a produção do Brasil, e a mão de obra empregada nessa extraordinária industria era a do escravo africano, visto que o índio era indomável e não se acostumava com a vida sedentária dos engenhos, e por este motivo a coroa portuguesa facilitou a entrada do negro. E Angola tornou-se o centro principal de fornecimento, o negro entrava em Pernambuco por todos os meios trazidos pelos assentistes ou pelos contrabandistas e eram encaminhados para os engenhos disseminados no interior, e com a criação da Companhia de Comércio do Grão Pará e o desenvolvimento da agricultura, principalmente a do arroz no Maranhão, Belém e São Luiz tornaram-se portos negreiros em pequena escala, não só a lavoura nortista absorveu o braço escravo, mas também a pecuária, principalmente nos vales dos rios Itapicuru e Mearim no Maranhão e Piauí.

Com a descoberta de ouro, houve uma correria e abandono das lavouras e dos engenhos, foi um verdadeiro êxodo, as primeiras oitavas descobertas em Minas Gerais, no córrego de Ouro Preto, fizeram com que o preço do escravo subisse e que os fazendeiros nortistas abandonassem as suas lavouras e fazendas e rumassem para a Minas Gerais em buscado ouro. A febre do ouro provocou profundas penetrações e bandeiras para Mato Grosso, Goiás, Bahia e por todos os recantos de Minas Gerais e o porto de Recife em Pernambuco perdeu a supremacia escravista, que passou para o Rio de Janeiro, que se fez então durante todo o século XVIII como um porto africano, com todo o aspecto de Luanda na África, mais vastos e agitados.

Por este motivo foi organizado no porto do Rio de Janeiro a maior feira de escravo do Brasil, e escusado dizer que nem todo os negros que desembarcaram neste entreposto seguiram para as minas ou para as fazendas, pois grande número deles permaneceram no Rio de Janeiro nos lares servindo como servos ou fazendo serviços de estivas e de transporte local nos armazéns de comércio e até em pequenas oficinas de arte, neste período desenvolveu-se entre as pessoas mais abastada, o costume de comprar negros para os pôr de aluguel nas fabricas, de soldado nas praças ou em obras publica. As levas de negros desembarcados no Rio de Janeiro permaneciam nos galpões de refresco no bairro do Valongo por um curto prazo de tempo, para logo a seguir iniciarem as grandes caminhadas através da Serra dos Órgão para as ricas minas de ouro em Minas Gerais e da Bahia seguiam através da chapada Diamantina e pela estrada dos gerais para atingirem o Tejuco, e dentre os mercadores de negros pelo interior durante o ciclo da mineração auro-diamantina se destacava o tipo do camboeiro. A mineração auro-diamantina criou o trafico interno e a distribuição do negro se fez para Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia e em menores contingentes para São Paulo e Rio de Janeiro onde foram confinados os africanos puros. A arrecadação das rendas da coroa nas minas auro-diamantina era sistematicamente feita por contratos entre a coroa e particulares por meio de arrematação e em geral pelo período de três anos, e para isto o número de escravos empregados na mineração e que servia de base para o pagamento à coroa pelo contratante e este regime durou até 3 de Dezembro de 1771, quando a coroa passou a explorar oficialmente as minas, com administração própria a que se chamou Real Extração que iniciou os trabalhos com três mil seiscentos e dez escravos distribuídos em varias minas.

Os traficos nos Navios Negreiros

A historia do trafico é por demais complexa e remota, cabendo às mais antigas sociedades das nações e a todos os povos da alta antigüidade, portanto não cabendo aos portugueses a sua primazia, que por sua vez são descendentes de povos que também foram escravizados e dominados por outros mais poderosos. Em toda a África, desde épocas imemorais, a escravidão militar ou escravidão histórica a que é própria de todas as sociedades humanas numa fase de sua evolução política e que dessa escravidão nasceu a escravidão mercantil, não só as guerras criaram a escravidão, mas também as religiões pois as vitorias do islamismo deram como resultado o estabelecimento do trafico pelo extremo nordeste do continente africano e como o religioso muçulmanos penetrou até o coração da África, as legiões do profeta conseguiram manter o monopólio do comercio do interior e o trafico de escravos destinados a suprir o sul da Ásia e grande parte do Mediterrâneo Oriental, e esse trafico ampliou-se para todo o norte da África, e pelo fato este tráfico teve então dois vastos emontórios que foram o leste pelo Mar Vermelho e do norte do deserto até o Maghreb e no principio do século XV e que se puseram os primeiros navegantes cristãos em relação com os escravos da costa africana do oeste.

E no ano de 1432 o navegador português Gil Eanes introduziu em Portugal a primeira leva de negros escravos e a partir desta época os portugueses passaram a traficar os escravos com as Ilhas das Madeiras e em Porto-Santo, em seguida levaram os negros para os Açores logo depois para Cabo-Verde e finalmente para o Brasil.

Em meados do século XVI devido ao estabelecimento do Governo Geral, o que pesa para Portugal a respeito ao trafico negro, pesa também sobre a França, Espanha, Holanda e especialmente sobre a Inglaterra, pois lhe cabe a primazia como vanguardeira do tráfico e do comércio de escravos autorizado desde o reinado de Eduardo VI e começando no reinado da Rainha Elizabeth no século XVI, e John Hawkins foi o primeiro inglês a empreender o comércio de negros escravos por este motivo recebeu o titulo de Baronnet, e a historia dos navios negreiros e a mais comovente epopéia de dor e de desespero da raça negra; homens, mulheres e crianças eram amontoados nos cubículos monstruosamente escuros das galeras e dos navios negreiros onde iam se misturando com o bater das vagas e o ranger dos mastros na vastidão dos mares. A fome e a sede, de mãos dadas com as doenças que se propagavam nos ambientes estreitos passavam pelos maribundos e não lhes ceifavam a vida, concedendo-lhes perdão e misericórdia que não encontravam aconchego nos corações dos homens, daqueles homens severos e maus de todas as embarcações e que só se preocupavam com o negócio rendoso que a escravaria oferecia.

Os negros fortes, retintos e amontoados também se tornavam feras acuadas onde o dia se confundia com a noite pois as levas de negros que embarcavam na costa da África provinham de diferentes pontos e de diferentes raças e eram misturadas como carga comum nos bojos dos navios negreiros.

Os gemidos dos moribundos vinham juntar a algaravia das diferentes línguas dos Mandingas, Felupos, Cabindas, Gêjes, Fulas, Congos, Bundas, Bantos, Libolos, Caçanjes e tantas outras tribos, desconhecidas umas das outras, rosnavam como feras furibundas e dilaceravam-se mutuamente nas mínimas disputas; quando o navio negreiro sofria qualquer acedio de naus piratas, os tripulantes que se preparavam para a defesa do navio negreiro, normalmente recebiam ordens do comandante que era sempre um bárbaro que sumariamente mandava atirar ao mar os negros agonizantes, para aliviar a carga para tornar o barco mais maleável, erra quando os marinheiros desciam aos porões imundos e os moribundos eram atirados ao mar, e quando isto não acontecia as epidemias lavravam os porões e só havia um remédio: o mar! A organização da Companhia de Lagos tinha o objetivo de incentivar e desenvolver o comércio africano e dar expansão ao trafico negreiro. Logo após o navegador Antão Gonçalves ter dado entrada em Portugal de uma leva de escravos negros capturados na Ilha de Arguim, e a viagem inicial da Companhia de Lagos que foi empreendida por uma expedição composta de seis caravelas ao comando do escudeiro Lançorote que transportou 235 cativos, e pelas lutas travadas entre varias feitorias da África que se entrechocavam no fornecimento de escravos e as incursões devastadoras dos corsários e piratas e a instituição da Companhia de Lagos, motivaram a formação de varias companhias negreiras, que entre elas podemos citar a Companhia de Cacheu em 1675, Companhia de Cabo Verde e Cacheu de Negócios de Pretos em 1690, Companhia Real de Guiné e das Índias em 1693, Companhia das Índias Ocidentais em 1636 .

E devido ao êxito desta para o Brasil e o tino político do padre jesuíta Antônio Vieira se deu a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil em 1649.

A Companhia do Estado do Maranhão em 1679, Companhia da Costa da África em 1723,Companhia do Grão Pará e Maranhão, Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba que foram criadas pelo Marquês de Pombal, desta maneira podemos atestar que o transporte de negros da África era o melhor e mais rendoso negocio da época. E as raças transportadas durante o longo período negreiro e que se distribuíam por toda a África pode ser assim enumeradas: do grupo de Guiné e Nigricia foram exportadas os Jalofos (aptos a ida do mar), Mandingas (convertidos ao Maometismo eram inteligentes e empreendedores), Yorubas ou Minas (fortes, robustos e hábeis), Felupos (os mais selvagens), Fulas que se dividiam em pretos, vermelhos e forros (eram descendentes dos chamita), Sectários de Maomet (eram os mais valentes e organizados), Balantos ( gentios democratas), Biafadas ( eram robustos, atléticos, esforçados, bons marinheiros), Papéis, Manjacos, Nalus, Bahuns.


E do Congo e Angola tiveram do grupo Banto foram os Ba-Congos (mais adiantados da África), Djaggas ( convertidos ao cristianismo), Cabindas (excelentes trabalhadores), Mussurongos, Eschicongos, Jagas e seus afins Ban-Galas e do grupo Fiote tivemos os Bamba e os Hollos, Ambaquistas, e do sertão tivemos os Ma-Quiocos (hábeis caçadores), Guissamas (valentes e hábeis), Libollos (pacíficos e agricultores), todos do grupo Bunda, e o do grupo N`bundo vieram os Ba-Nanos, Ba-Buenos, Bailundos (todos eram altos, fortes e aguerridos), Bihenos (artistas), Mondombes, e do grupo Janguellas ou Baagangellas tiveram os Ambuellas (mineradores de ferro), Guimbandes (pacíficos e artistas) Banhanecas e Ba-Ncumbis (pastores e agricultores) e dos grupos Bantos Orientais foram os Macuás (inteligentes e faladores), Manimdis e Manguanguaras (selvagens) Nyanjas ou Manganjas (inteligentes e pacíficos), Mavias (pescadores) e do Senegal tivemos os Muzinhos, Moraves e Ajaus (mercadores de marfim) e do ramos de Bochimanos e Hotentotes tiveram os Ba-Cancalas, Bacubaes, Ba-Corócas, Ba-Cuandos, Ba-Cassequeres, Basutos e Bechuanas, Nubios.

A obra do negreiro na África foi verdadeiramente vandálica, destruidora, sanguinária! A eloqüência do número de raças exportadas de todos os recantos africanos é frisantes atestado da gula dos comerciantes negreiros pelo rendoso negocio do trafico. Todas as nações civilizadas tinham ali na costa da África a sua feitoria e nos mares em cruzeiros simultâneos, navios de todos os efeitos empregados no trafego imoral, aberrante, desumano e sanguinário, que despovoou pouco a pouco o continente negro e seu modo cobriu-se de sangue durante asa preias desordenadas, preias levadas a efeitos a ferro e a fogo, a laço e a tiro.

Expedição

O príncipe Maurício de Nassau após ter rechaçado as tropas portuguesas para as margens do Rio São Francisco e achando-se seguro em Pernambuco, voltou suas vistas para os quilombos, dado o clamor crescente dos senhores de engenho e fazendas das vilas e povoações pernambucanas. E para não lançar-se a uma aventura de fatais resultados, sem conhecimento das terras e da organização palmarina, fez preceder os planos de ataque para reconhecimento dos quilombos e para isso encarregou Bartolomeu Lintz dessa missão, porém os palmerinos foram avisados .

Da formação desta expedição e se prevaleceram a tempo dos ataques holandeses, por este motivo Bartolomeu Lintz não pode desempenhar cabalmente as tarefa recebida do príncipe Maurício de Nassau. Como as noticias que chegavam ao governador sobre os negros e sua organização eram sempre concordes e com elas os clamores das populações rurais sobressaltadas para um ataque ao reino negro, o príncipe Maurício de Nassau não pode ser efetuar, devido o mesmo Ter sido substituído por Henrique Hous a frente do governo holandês em Olinda, que subestimando as informações provindas das populações e dos senhores de engenho e fazendas, por isto determinou a organização de uma expedição militar armada sob o comando de Rodolfo Bareo que era interprete do conselho da capitania de Pernambuco que já havia vivido entre os negros e que observara os seus modos e costumes, e de acordo com a sua consideração os negros não eram capazes de ato elevados propósitos guerreiros para uma reação vitoriosa diante das forças militar holandesas já experimentadas e cheias de glorias com as derrotas impostas aos portugueses.

Por isto em Janeiro de 1644 saia a primeira expedição holandesa contra os palmarinos que se encontravam no meio das matas as margens do Rio Gungouí aguardando o ataque dos holandeses no qual os negros dos palmares alertar aos negros e torná-los mais forte ainda, mais precavidos contra outras expedições futura, e daí o recuo para o coração da floresta e o sertão desconhecido e em 26 de Fevereiro de 1645, partiu para Salgados o Capitão .

Por isto em Janeiro de 1644 saia a primeira expedição holandesa contra os palmarinos que se encontravam no meio das matas as margens do Rio Gungouí aguardando o ataque dos holandeses no qual os negros dos palmares tiveram algumas perdas entre mortos e feridos,e o resultado dessa escaramuça de pouca monta serviu para Blaer com a sua gente a mando do governador das armas holandesas, esta expedição não atingiu a meta desejada.

Por isto em Janeiro de 1644 saia a primeira expedição holandesa contra os palmarinos que se encontravam no meio das matas as margens do Rio Gungouí aguardando o ataque dos holandeses no qual os negros dos palmares tiveram algumas perdas entre mortos e feridos, e o resultado dessa escaramuça de pouca monta serviu para alertar aos negros e torná-los mais forte ainda, mais precavidos contra outras expedições futura, e daí o recuo para o coração da floresta e o sertão desconhecido e em 26 de Fevereiro de 1645, partiu para Salgados o Capitão Blaer com a sua gente a mando do governador das armas holandesas, esta expedição não atingiu a meta desejada, não passando a sua ação, como a primeira expedição de simples escaramuças, de queima de casas de um quilombo abandonados pelos negros, e sem preocupação de restabelecer as forças, marchou para o coração do reino negro para ataca-los implacavelmente segundo diretivas militares e devido ao fato de que no quinto dia de marcha o comandante João Blaer Ter adoecido gravemente e de Ter sido substituído no comando pelo Tenente Jurgens Reijmbach até o final da missão, e devido ao estado de inquietação reinante em Pernambuco, o tenente recebeu ordem de recolher-se à Alagoas do Sul, sede de seu alojamento e por isto não levou efeito a nenhum combate com as forças do Rei Zumbi que se encontravam bem preparadas para combates nos grandes centros de resistência.

A proclamação de João Fernandes Vieira em 24 de Junho de 1645 fora de desastroso efeito para os holandeses e de prolongada trégua para os palmarinos que ficaram à margem dos acontecimentos e de quando em vez desciam dos altiplanos e queimavam os canaviais e destruíam e a partir de 1654 com a restauração de Pernambuco pelos portugueses após uma batalha incessante de vinte e quatro anos contra os holandeses e que os portugueses começaram a tratar de enfrentar os quilombos palmerinos que se tornaram um estado excrescente, um reino com todas as formas de governo em que os negros dispunham de uma grande independência de movimento, logo que se sentia perseguido, facilmente largavam o arraial onde se fortificavam para logo em seguir se juntar e fortificarem mais adiante, em lugar que se julgasse abrigados dos inimigos, compreendendo finalmente a impossibilidade de continuarem expostos à audácia dos negros por este motivo durante o período de 1654 a 1657 os portugueses realizaram vinte e cinco tentativas contra os domínios do Rei Zumbi. E no ano de 1657 a 1674 com a sucessão de governadores da Capitania de Pernambuco tornaram-se menos vigorosos os ataques aos quilombos palmerinos, por este motivo os negros se fortificaram e se tornaram mais combativos e vingativos e no ano de 1674 Dom Pedro de Almeida quando tomou posse da Capitania de Pernambuco comunicou às câmaras das vilas a sua determinação de destruir os Palmares e atribuiu a cada qual a sua contribuição em homens e armas e escolheu para comandar a primeira expedição o Sargento mor Manoel Lopes Galvão que em 21 de Novembro de 1675 partiu de Porto Calvo com uma tropa de duzentos e oitenta homens rumo as matas onde estavam alojados os negros em seus quilombos e em 22 de Janeiro de 1676 se deu o primeiro combate em uma populosa cidade bem guarnecida pelos aquilombados, e após duas horas de renhida peleja com perdas de ambos os lados a tropa de Manoel Lopes Galvão havia incendiado as casas e colocado os negros em fuga. Os negros que haviam fugido, e se agrupados em outro sitio em estado de pavor pelos ataque sofridos, foram novamente atacados com mais intensidade e sofrendo consideráveis perdas, os aquilombados sentiram consideravelmente o revés devido ao grande número de mortos e feridos que tiveram nestes dois ataques, por isto trataram de procurar outros locais para se estabeleceram e muitos negros dos quilombolas foram buscar seus antigos senhores, por não se julgarem seguros entre os seus naquele momento. Estas duas vitorias seguidas serviram muito para os portugueses, devido as grandes dificuldades em perseguir os negros em seus habitate, e que vieram a ser coroada de êxito o seu objetivo, por isto o governador Dom Pedro de Almeida tomou a resolução de prosseguir no seu objetivo. O governador mandou preparar psicologicamente os povos das vilas interessadas na formação de outra expedição que seria entregue a Fernão Carrilho, porem os homens simples do interior não viam no preador as qualidades apregoadas pelo governador pois o consideravam mais um intruso e feiticeiro do que mesmo um comandante de armas. Como às câmaras ficassem adstritas as despesas da expedição em homens e matérias, resolveram proceder um contrato por escrito com as condições preliminares a entrada sob o comando de Fernão Carrilho que lhes não inspirava confiança e que só por ordem do governador concordavam com o empreendimento e desta maneira teve inicio a formação da forca, com o preador Fernão Carilho encontrando grandes dificuldades em organizar a expedição punitiva aos Palmares e neste decorrer do tempo os negros palmerinos se fortificavam nas faldas da Serra da Barriga e francamente organizados nos pontos mais estratégicos e táticos do altiplano sob a direção de um judeu que penetrara no seu meio em busca de liberdade ampla e de proteção da natureza.

Dos primitivos Jagas chegados só restavam os sagrados ossos que eram veneráveis relíquias, reunidos à sombra de uma tatajuba frondosa e secular – arvore que se tornara sagrada para todos os quilombolas como o baabab africano,e todos os anos a corte negra se reunia a sombra desta e juravam aos seus deuses defender aqueles ossos sagrados que se tornaram milagreiros com o decorrer do tempo.

Quebra do Tratado de Paz

A proposta de paz pedida pelo Rei Gangazuma foi um dos mais inteligentes golpes político de sua vida para reaver a sua família e de seus cabos de guerra que se achavam prisioneiros do governo português em Pernambuco pois o tratado de paz solenemente assinado em 21 de Junho de 1678 entre o Governador Aires de Souza de Castro e a embaixada negra do Rei Gangazuma presidida pelo seu filho, não teve longa duração de trégua porque não foi ratificado pelo rei supremo dos palmerinos e deus da guerra dos quilombos devido as constantes ações de segurança desenvolvida pelo governador nas faldas da Serra da Barriga pelo Sargento-mor Manoel Lopes e pelas numerosas incursões do bando autorizado em Fevereiro de 1678 assinado por Dom Pedro de Almeida e que não fora revogado pelo tratado de paz, estes fatos trazia os palmerinos em constantes sobressaltos, e por outro lado os moradores de Porto Calvo e Serinhaém não viam com bons olhos a concessão dado aos negros na floresta de Cacau, todos estes fatos colaborava para fermentação da queda da paz, que não tinha sido aceita e ratificada pelo Rei Zumbi, o último coroado, segundo os usos e costumes preestabelecidos no reino. Devido aos acontecimentos os seguidores do Rei Gangazuma começaram a discordar e a se reunir secretamente, e planejaram o envenenamento do soba negro, apesar da relutância de Gangazona, irmão do rei e fiel aos termos do tratado de paz, porém estava pregada a discórdia no sobado de Cacau devido a influencia do poderoso Zumbi e de seus embaixadores que soturnamente arrebanhavam nas vilas aramas, munições, mantimentos e escravos dos moradores das vilas para a resistência e desafio que o Rei Zumbi planejava oferecer aos portugueses e devido aos fatos o Governador Aires de Souza de Castro lançou mãos de Gangazona para chamar a ordem seus iramos, porém era tarde demais pois esta já havia sido envenenado e retirado dos bastidores da contenda.

Heróico, resoluto e sublime entre seus vassalos, Zumbi se impõe e jura aos seus não ensarilhar as armas da liberdade e Terça-las em defesa da raça negra com isto a trégua foi quebrada.

Tão logo tomou conhecimento dos atos de rebeldia do Rei Zumbi, o Governador Aires de Souza de Castro mandou preparar duas expedições contra o Rei Zumbi, sendo uma comandada pelo Capitão João de Freitas Cunha com destino ao Palmares a qual sofreu grandes danos nas marchas até aos Palmares onde teve um tremendo revés no encontro os homens do Rei Zumbi que pelo fato se tornara ainda mais enfurecido e mais insolente. E este ataque serviu de lição aos palmerinos que a partir desta data passaram a defender os Palmares em uma única frente de combate, e a outra expedição enviada a floresta de Cacau sob o comando do Capitão mor Gonçalo Moreira foi mais feliz, pois seguindo a direção anteriormente traçada por Fernão Carrrilho encontrou vários quilombos despovoados em virtude da nova tática adotada pelo Rei Zumbi por isto atacaram a Aldeia de Una e Cucau onde fizeram de prisioneiro diversos negros com suas famílias e ali permaneceram por um período de três meses, sem contudo tentar um única investida direta sobre o quilombo fortificado do Rei Zumbi. A campanha de Palmares entrava em uma fase aguda, dada a reconstituiçao das forças palmerinas, sob um único comando e absoluta obediência ao rei e deus da guerra: Zumbi. O Governador da Capitania de Pernambuco, por seu turno, tomava medidas acertada, pois fundara diversos arraias nas proximidades de Palmares e organizara permanentemente o serviço de provisão das tropas sob o comando Sargento mor Manoel Lopes, porém as vilas não suportavam mais os ataques que vinham sofrendo dos negros dos Palmares, por estes motivo em 1680 o Capitão mor João da Fonseca pediu a Câmara de Alagoas mais recursos para as tropas ali estacionadas, estando a Capitania de Pernambuco arruinada economicamente, teve que apelar para os moradores para enfrentar as despesas com a guerra contra os palmerinos e devido a grave situação não houve a inadimplemento por parte dos moradores para manter as tropas ali estacionadas, pois de diversas vilas mais distante chegaram oferecimento de gente e alimentos em face do apelo do governador, que aproveitando a boa vontade recebida dos moradores e para angariar novos adeptos à causa de libertação da raça negra.

Ele concedeu uma carta patente do posto de Capitão mor de Campo a André Dias, morador do povoado de São Miguel da jurisdição da Vila de Alagoas, com amplos poderes de agir. André Dias de imediato organizou diversas expedições de caça ao negro pelas faldas da Serra da Barriga porém não chegou a penetrar nos sertões palmerinos, se tornando um Capitão do Mato privilegiado na apanha do negro fugido.

Ele concedeu uma carta patente do posto de Capitão mor de Campo a André Dias, morador do povoado de São Miguel da jurisdição da Vila de Alagoas, com amplos poderes de agir. André Dias de imediato organizou diversas expedições de caça ao negro pelas faldas da Serra da Barriga porém não chegou a penetrar nos sertões palmerinos, se tornando um Capitão do Mato privilegiado na apanha do negro fugido. No final do governo de Aires de Souza de Castro e inicio do governo de Dom João de Souza no ano de 1682 foi muito desgastante e de grande guerra de nervos, que os negros bem compreendiam e desta situação se aproveitaram para dilatar o seu reinado. As tropas portuguesas estavam sempre bastante alarmadas, não havia um plano de guerra sistemático, pois a luta mudava de aspecto todas as vezes em que era trocada a administração da Capitania de Pernambuco pois com a chegada de um novo governador os planos de guerra eram sempre diferentes um dos outros. Porém entre os palmerinos era bem diferente a situação, tanto política como militar, porque todos obedeciam a um comando único: do Rei Zumbi. Em 1683 o novo Governador Dom João de Souza organizou uma forte expedição sob o comando de Fernão Carrilho aparado em um regimento escrito com minuciosas diretivas para a expedição, do qual Fernão Carrilho discordou e pediu permissão ao governador para alterar o regimento que lhe fora dado no tocante, em que proibia terminantemente qualquer entendimento de paz com os negros, porém o seu pedido foi negado e Fernão Carrilho segui par ao Arraial do Outeiro na Serra da Barriga onde se tornou um espantalho para os negros, devido a sua fama de perigoso feiticeiro que mantinha entre os palmerinos.

Os negros palmerinos, diante dos resultados obtidos com o tratado de paz de 1678, lançaram mãos dos mesmos recursos, propondo a Fernão Carrilho, um novo tratado de paz, que ele aceitou sob o fundamento de cobrir as suas despesas, contrariando, assim, as diretivas da guerra baixada pelo governador da capitania. Devido as confraternizações entre os portugueses e negros aquilombados em seu arraial, fatos estes que chegaram ao conhecimento do governador, que de imediato suspendeu e ordenou que viesse preso para Recife o comandante Fernão Carrilho, e para substitui-lo foi enviado o Capitão João de Freitas Cunha e quando da chegada de Fernão de Carrilho a Capitania de Pernambuco ele foi desterrado e mandado preso para o Ceará sem soldo e tendo Dom João de Souza apelado da sentença para o Conselho Ultramarino que encaminhou o processo para a coroa portuguesa, e com a chegada do Capitão João de Freitas da Cunha ao Outeiro na Serra da Barriga os negros já avisados por seus agentes, puseram-se em posição de oferecer resistência ao novo comandante das tropas portuguesa. Em 8 de Agosto de 1685 tomava posse o novo Governador da Capitania de Pernambuco João da Cunha souto Maior, que ao tomar posse deu conta a coroa portuguesa a situação que se encontrava a Capitania de Pernambuco, pois sem recursos para continuar a guerra contra os Palmares, ele se via na situação de aceitar a paz se os palmerinos a pedissem. Fernão Carrilho o famoso preador da paz em 1678 se achava sem soldo e degredado no Ceará escreveu uma carta ao Governador Souto Maior oferendo-se para tomar parte como soldado na expedição que estava-se organizando em Pernambuco. O governador por falta de meios, comtemporizava a situação angustiosa dos moradores e estava disposto a aceitar as pazes com os negros, quando chegou a carta de Fernão Carrilho, o governador aceitou o seu oferecimento e o nomeou-o comandante da expedição e em carta a coroa em 7 de Novembro de 1685 deu conhecimento das razoes que o levaram a eleger Fernão Carrilho para comandante da expedição, pois sua escolha eqüivalia a um indulto ou perdão, a rija vontade de vencer os palmerinos do governador, casava-se plenamente com a de Fernão Carrilho, por isto em 10 de Janeiro de 1686 ele partiu laureado por ter sido julgado útil e necessário pelo governador como único e capaz de comandar uma tropa para semelhante façanha.

E ao chegar nas regiões dos Palmares sofreu diversas emboscadas dos negros em suas fortificações inexpugnáveis e invencíveis, porém Ferrão Carrilho e seus bandos conseguiu pô-los em fuga desordenadas, entretanto com a chegada do inverno as operações tiveram de ser suspensas, e com a chegada do verão o governador recomeçou as perseguição aos negros com grande êxito. Apesar do seu feito e de estar comandando a casa forte dos Palmares, o Governador Souto Maior já estava se comunicando com o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho que se encontrava no Piauí com sua gente, para descer a Pernambuco e atacar os Palmares, que por essa época já não existiam mais os chamados Palmares maiores e menores dos primeiros tempos dos quilombos, devido ao fato do Rei Zumbi ter assumido todos os poderes temporais e espirituais e a direção da guerra, tornando coesos todos os aquilombados que haviam recuado mais para o sertão e se engastado nos penhascos da Serra da Barriga com uma administração bem superior daqueles velhos tempos, havia coesão entre todos os elementos que eram dirigidos pelo próprio Rei Zumbi, os postos avançados tomaram caráter militar e eram constituído de grupos de homens dispostos a morrer pela liberdade, as lavouras ficavam sob uma única direção e atras das organizações militares e em todos os caminhos e carreiros foram colocado armadilhas, tocaias e postos de sentinelas avançadas para impedir os avanços dos portugueses. Os negros assim dispostos, acompanhavam os avanços das tropas inimigas e aguardavam a chegada dos bandeirantes paulistas. No decorrer dos anos de 1686 e 1687 a situação na capitania era grave e o Governador Souto Maior nada pode fazer para reverter a situação e os índios Janduins ocuparam algumas aldeias no interior de Pernambuco e nas Capitanias de Itamaraca, Paraíba e do Rio Grande do Norte constituindo uma outra potencial ameaça aos portugueses; esta ameaça se tornou realidade e o governador mandou contra eles um forte contigentes de soldados, que foram facilmente vencidos pelos índios ao primeiro encontro, ateando a fogueira da insurreição geral, e as tropas destinadas para as guerras dos Palmares foram desviadas para combater os valentes índios Janduis durante seis anos, e desta trégua os palmerinos souberam aproveitar para reforçar suas defesas. Sem derrotar os índios primeiro não era possível vencer os Palmares e todos os esforços foram feitos, para evitar a junção dos índios com os negros e para isto Domingos Jorge Velho marchou com sua gente para abater os índios Janduins no Rio Grande do Norte em meados de 1689, e com os entendimentos entre o Rei Caninde dos Janduins e os portugueses; Domingos Jorge Velho recebeu ordem para marchar sobre os Palmares do novo Governador da Capitania de Pernambuco, Marques de Montebelo. Domingos Jorge Velho subestimou os palmerinos pois regressando vitorioso da campanha contra os índios Janduins, preferiu mudar de caminho e seguir diretamente para os Palmares em vez de faze-lo para Porto Calvo, onde iria descansar e juntar-se com outras tropas, não procurou refazer-se das fadigas causadas pelas longas caminhadas do altiplano da Serra da Barriga, estacionou nos Campos dos Garanhus perto do quilombo do Rei Zumbi e tratou logo de guerrear os negros rebelados, atirando-se a luta de corpo aberto, sendo fragosamente derrotado na primeira investida contra o Rei Zumbi, por isto retirou-se para a praia deserta de Paratagi onde permaneceu por dez meses descansando e se refazendo da derrota.
Os negros palmerinos, diante dos resultados obtidos com o tratado de paz de 1678, lançaram mãos dos mesmos recursos, propondo a Fernão Carrilho, um novo tratado de paz, que ele aceitou sob o fundamento de cobrir as suas despesas, contrariando, assim, as diretivas da guerra baixada pelo governador da capitania. Devido as confraternizações entre os portugueses e negros aquilombados em seu arraial, fatos estes que chegaram ao conhecimento do governador, que de imediato suspendeu e ordenou que viesse preso para Recife o comandante Fernão Carrilho, e para substitui-lo foi enviado o Capitão João de Freitas Cunha e quando da chegada de Fernão de Carrilho a Capitania de Pernambuco ele foi desterrado e mandado preso para o Ceará sem soldo e tendo Dom João de Souza apelado da sentença para o Conselho Ultramarino que encaminhou o processo para a coroa portuguesa, e com a chegada do Capitão João de Freitas da Cunha ao Outeiro na Serra da Barriga os negros já avisados por seus agentes, puseram-se em posição de oferecer resistência ao novo comandante das tropas portuguesa. Em 8 de Agosto de 1685 tomava posse o novo Governador da Capitania de Pernambuco João da Cunha souto Maior, que ao tomar posse deu conta a coroa portuguesa a situação que se encontrava a Capitania de Pernambuco, pois sem recursos para continuar a guerra contra os Palmares, ele se via na situação de aceitar a paz se os palmerinos a pedissem. Fernão Carrilho o famoso preador da paz em 1678 se achava sem soldo e degredado no Ceará escreveu uma carta ao Governador Souto Maior oferendo-se para tomar parte como soldado na expedição que estava-se organizando em Pernambuco. O governador por falta de meios, comtemporizava a situação angustiosa dos moradores e estava disposto a aceitar as pazes com os negros, quando chegou a carta de Fernão Carrilho, o governador aceitou o seu oferecimento e o nomeou-o comandante da expedição e em carta a coroa em 7 de Novembro de 1685 deu conhecimento das razoes que o levaram a eleger Fernão Carrilho para comandante da expedição, pois sua escolha eqüivalia a um indulto ou perdão, a rija vontade de vencer os palmerinos do governador, casava-se plenamente com a de Fernão Carrilho, por isto em 10 de Janeiro de 1686 ele partiu laureado por ter sido julgado útil e necessário pelo governador como único e capaz de comandar uma tropa para semelhante façanha.

E ao chegar nas regiões dos Palmares sofreu diversas emboscadas dos negros em suas fortificações inexpugnáveis e invencíveis, porém Ferrão Carrilho e seus bandos conseguiu pô-los em fuga desordenadas, entretanto com a chegada do inverno as operações tiveram de ser suspensas, e com a chegada do verão o governador recomeçou as perseguição aos negros com grande êxito. Apesar do seu feito e de estar comandando a casa forte dos Palmares, o Governador Souto Maior já estava se comunicando com o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho que se encontrava no Piauí com sua gente, para descer a Pernambuco e atacar os Palmares, que por essa época já não existiam mais os chamados Palmares maiores e menores dos primeiros tempos dos quilombos, devido ao fato do Rei Zumbi ter assumido todos os poderes temporais e espirituais e a direção da guerra, tornando coesos todos os aquilombados que haviam recuado mais para o sertão e se engastado nos penhascos da Serra da Barriga com uma administração bem superior daqueles velhos tempos, havia coesão entre todos os elementos que eram dirigidos pelo próprio Rei Zumbi, os postos avançados tomaram caráter militar e eram constituído de grupos de homens dispostos a morrer pela liberdade, as lavouras ficavam sob uma única direção e atras das organizações militares e em todos os caminhos e carreiros foram colocado armadilhas, tocaias e postos de sentinelas avançadas para impedir os avanços dos portugueses. Os negros assim dispostos, acompanhavam os avanços das tropas inimigas e aguardavam a chegada dos bandeirantes paulistas. No decorrer dos anos de 1686 e 1687 a situação na capitania era grave e o Governador Souto Maior nada pode fazer para reverter a situação e os índios Janduins ocuparam algumas aldeias no interior de Pernambuco e nas Capitanias de Itamaraca, Paraíba e do Rio Grande do Norte constituindo uma outra potencial ameaça aos portugueses; esta ameaça se tornou realidade e o governador mandou contra eles um forte contigentes de soldados, que foram facilmente vencidos pelos índios ao primeiro encontro, ateando a fogueira da insurreição geral, e as tropas destinadas para as guerras dos Palmares foram desviadas para combater os valentes índios Janduis durante seis anos, e desta trégua os palmerinos souberam aproveitar para reforçar suas defesas. Sem derrotar os índios primeiro não era possível vencer os Palmares e todos os esforços foram feitos, para evitar a junção dos índios com os negros e para isto Domingos Jorge Velho marchou com sua gente para abater os índios Janduins no Rio Grande do Norte em meados de 1689, e com os entendimentos entre o Rei Caninde dos Janduins e os portugueses; Domingos Jorge Velho recebeu ordem para marchar sobre os Palmares do novo Governador da Capitania de Pernambuco, Marques de Montebelo. Domingos Jorge Velho subestimou os palmerinos pois regressando vitorioso da campanha contra os índios Janduins, preferiu mudar de caminho e seguir diretamente para os Palmares em vez de faze-lo para Porto Calvo, onde iria descansar e juntar-se com outras tropas, não procurou refazer-se das fadigas causadas pelas longas caminhadas do altiplano da Serra da Barriga, estacionou nos Campos dos Garanhus perto do quilombo do Rei Zumbi e tratou logo de guerrear os negros rebelados, atirando-se a luta de corpo aberto, sendo fragosamente derrotado na primeira investida contra o Rei Zumbi, por isto retirou-se para a praia deserta de Paratagi onde permaneceu por dez meses descansando e se refazendo da derrota.

Os negros palmerinos, diante dos resultados obtidos com o tratado de paz de 1678, lançaram mãos dos mesmos recursos, propondo a Fernão Carrilho, um novo tratado de paz, que ele aceitou sob o fundamento de cobrir as suas despesas, contrariando, assim, as diretivas da guerra baixada pelo governador da capitania. Devido as confraternizações entre os portugueses e negros aquilombados em seu arraial, fatos estes que chegaram ao conhecimento do governador, que de imediato suspendeu e ordenou que viesse preso para Recife o comandante Fernão Carrilho, e para substitui-lo foi enviado o Capitão João de Freitas Cunha e quando da chegada de Fernão de Carrilho a Capitania de Pernambuco ele foi desterrado e mandado preso para o Ceará sem soldo e tendo Dom João de Souza apelado da sentença para o Conselho Ultramarino que encaminhou o processo para a coroa portuguesa, e com a chegada do Capitão João de Freitas da Cunha ao Outeiro na Serra da Barriga os negros já avisados por seus agentes, puseram-se em posição de oferecer resistência ao novo comandante das tropas portuguesa. Em 8 de Agosto de 1685 tomava posse o novo Governador da Capitania de Pernambuco João da Cunha souto Maior, que ao tomar posse deu conta a coroa portuguesa a situação que se encontrava a Capitania de Pernambuco, pois sem recursos para continuar a guerra contra os Palmares, ele se via na situação de aceitar a paz se os palmerinos a pedissem. Fernão Carrilho o famoso preador da paz em 1678 se achava sem soldo e degredado no Ceará escreveu uma carta ao Governador Souto Maior oferendo-se para tomar parte como soldado na expedição que estava-se organizando em Pernambuco. O governador por falta de meios, comtemporizava a situação angustiosa dos moradores e estava disposto a aceitar as pazes com os negros, quando chegou a carta de Fernão Carrilho, o governador aceitou o seu oferecimento e o nomeou-o comandante da expedição e em carta a coroa em 7 de Novembro de 1685 deu conhecimento das razoes que o levaram a eleger Fernão Carrilho para comandante da expedição, pois sua escolha eqüivalia a um indulto ou perdão, a rija vontade de vencer os palmerinos do governador, casava-se plenamente com a de Fernão Carrilho, por isto em 10 de Janeiro de 1686 ele partiu laureado por ter sido julgado útil e necessário pelo governador como único e capaz de comandar uma tropa para semelhante façanha.

E ao chegar nas regiões dos Palmares sofreu diversas emboscadas dos negros em suas fortificações inexpugnáveis e invencíveis, porém Ferrão Carrilho e seus bandos conseguiu pô-los em fuga desordenadas, entretanto com a chegada do inverno as operações tiveram de ser suspensas, e com a chegada do verão o governador recomeçou as perseguição aos negros com grande êxito. Apesar do seu feito e de estar comandando a casa forte dos Palmares, o Governador Souto Maior já estava se comunicando com o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho que se encontrava no Piauí com sua gente, para descer a Pernambuco e atacar os Palmares, que por essa época já não existiam mais os chamados Palmares maiores e menores dos primeiros tempos dos quilombos, devido ao fato do Rei Zumbi ter assumido todos os poderes temporais e espirituais e a direção da guerra, tornando coesos todos os aquilombados que haviam recuado mais para o sertão e se engastado nos penhascos da Serra da Barriga com uma administração bem superior daqueles velhos tempos, havia coesão entre todos os elementos que eram dirigidos pelo próprio Rei Zumbi, os postos avançados tomaram caráter militar e eram constituído de grupos de homens dispostos a morrer pela liberdade, as lavouras ficavam sob uma única direção e atras das organizações militares e em todos os caminhos e carreiros foram colocado armadilhas, tocaias e postos de sentinelas avançadas para impedir os avanços dos portugueses. Os negros assim dispostos, acompanhavam os avanços das tropas inimigas e aguardavam a chegada dos bandeirantes paulistas. No decorrer dos anos de 1686 e 1687 a situação na capitania era grave e o Governador Souto Maior nada pode fazer para reverter a situação e os índios Janduins ocuparam algumas aldeias no interior de Pernambuco e nas Capitanias de Itamaraca, Paraíba e do Rio Grande do Norte constituindo uma outra potencial ameaça aos portugueses; esta ameaça se tornou realidade e o governador mandou contra eles um forte contigentes de soldados, que foram facilmente vencidos pelos índios ao primeiro encontro, ateando a fogueira da insurreição geral, e as tropas destinadas para as guerras dos Palmares foram desviadas para combater os valentes índios Janduis durante seis anos, e desta trégua os palmerinos souberam aproveitar para reforçar suas defesas. Sem derrotar os índios primeiro não era possível vencer os Palmares e todos os esforços foram feitos, para evitar a junção dos índios com os negros e para isto Domingos Jorge Velho marchou com sua gente para abater os índios Janduins no Rio Grande do Norte em meados de 1689, e com os entendimentos entre o Rei Caninde dos Janduins e os portugueses; Domingos Jorge Velho recebeu ordem para marchar sobre os Palmares do novo Governador da Capitania de Pernambuco, Marques de Montebelo. Domingos Jorge Velho subestimou os palmerinos pois regressando vitorioso da campanha contra os índios Janduins, preferiu mudar de caminho e seguir diretamente para os Palmares em vez de faze-lo para Porto Calvo, onde iria descansar e juntar-se com outras tropas, não procurou refazer-se das fadigas causadas pelas longas caminhadas do altiplano da Serra da Barriga, estacionou nos Campos dos Garanhus perto do quilombo do Rei Zumbi e tratou logo de guerrear os negros rebelados, atirando-se a luta de corpo aberto, sendo fragosamente derrotado na primeira investida contra o Rei Zumbi, por isto retirou-se para a praia deserta de Paratagi onde permaneceu por dez meses descansando e se refazendo da derrota.


Por sua vês os palmerinos com a vitória alcançada sobre as gentes de Domingos Jorge Velho tornaram-se soberbos e já se consideravam invencíveis dentro de suas organizações e os negros das fazendas e engenhos se tornaram desaforados e insolentes e muitos fugiram para os Palmares de onde voltavam com os palmerinos para roubar, saquear e incendiar as vilas.

A Escrava Anastácia

Anastácia por ser muito bonita, terminou sendo, também, sacrificada pela paixão bestial de um dos filhos de um feitor, não sem antes haver resistido bravamente o quanto pôde a tais assédios; depois de ferozmente perseguida e torturada a violência sexual aconteceu. Apesar de toda circunstância adversa, Anastácia não deixou de sustentar a sua costumeira altivez e dignidade, sem jamais permitir que lhe tocassem, o que provocou o ódio dos brancos dominadores, que resolvem castigá-la ainda mais, colocando-lhe no rosto uma máscara de ferro, que só era retirada na hora de se alimentar, suportando este instrumento de supremo suplício por longos anos de sua dolorosa, mas heróica existência. As mulheres e as filhas dos senhores de escravos eram as que mais incentivavam a manutenção de tal máscara, porque morriam de inveja e de ciúmes da beleza da negra . Anastácia, já muito doente e debilitada, é levada para o Rio de Janeiro onde vem a falecer, sendo que seus restos mortais foram sepultados na Igreja do Rosário que, destruída por um incêndio, não se teve como evitar a destruição também dos poucos documento que poderiam nos oferecer melhores e maiores informações referentes à escrava Anastácia ” A Santa “, além da imagem que a história ou lenda deixou em volta de seu nome e na sua postura de mártir e heroína, ao mesmo tempo.

Fim da Escravidão

Os negros lutaram, mas a glória ficou com Isabel.

Em 1850, Eusébio de Queiroz motivou a lei contra o tráfico negreiro, entre outras coisas, pelo medo de o grande número de negros ( 3.500.000 para 1.500.000 brancos ) viesse a perturbar a ordem estabelecida. Queiroz chegou a propor a contratação de um exército de mercenários estrangeiros para manter submissos os escravos, pois os soldados brasileiros se recusavam a cumprir tal oficio. Na verdade, boa parte dos escravos estavam se insubordinando.
Em 1823, cantava-se nas ruas de Pernambuco:
Marinheiros e caiados,Todos devem se acabar,Porque só pardos e pretos,O país hão de habilitar !
Em 1821, os pretos ocuparam Vila Rica, após sangrentos combates, declarando sua liberdade e igualdades aos brancos.

Em 1849, em Queimados, Espíritos Santo, 200 escravos tentaram um levante, visando atingir todo o estado.

Lei do Ventre Livre – Em 28 de setembro de 1871 o governo conservador do Visconde do Rio Branco promulga a Lei do Ventre Livre. De poucos efeitos práticos, a lei dá liberdade aos filhos de escravos, mas deixa-os sob tutela dos senhores até 21 anos de idade.

Lei dos Sexagenários – Em 28 de setembro de 1885 o governo imperial promulga a Lei Saraiva-Cotegipe, conhecida como Lei dos Sexagenários, que liberta os escravos com mais de 65 anos. A decisão é considerada de pouco efeito, pois a expectativa de vida do escravo não ultrapassa os 40 anos.

Abolição no Ceará – A campanha abolicionista no Ceará ganha a adesão da população pobre. Os jangadeiros encabeçam as mobilizações, negando-se a transportar escravos aos navios que se dirigem ao sudeste do país. Apoiados pela Sociedade Cearense Libertadora, os “homens do mar” mantêm sua decisão, apesar das fortes pressões governamentais e da ação repressiva da polícia. O movimento é bem-sucedido: a vila de Acarape (CE), atual Redenção, é a primeira a libertar seus escravos, em janeiro de 1883. A escravidão é extinta em todo o território cearense em 25 de março de 1884.

O Brasil foi o último país do continente a abolir formalmente a escravidão mas, a liberdade veio mesmo por motivos econômicos.

Entre estes, os historiadores apontam a necessidade da criação de um mercado consumidor para os produtos industrializados, provenientes da Inglaterra. Os portos brasileiros foram, então, abertos aos imigrantes europeus, tendo sido permitido aos escravos alforriados, ou libertos, que retornassem à África.

Em 1888, a Princesa Isabel assinou a lei que abolia a escravidão. Lei Áurea – Em 13 de maio de 1888, o gabinete conservador de João Alfredo apresenta, e a princesa Isabel assina, a Lei Áurea, extinguindo a escravidão no país. A decisão, porém, não agrada aos latifundiários, que exigem indenização pela perda dos “bens”. Como isso não acontece, passam a apoiar a causa republicana.Em 1899 partiu o último navio – ” o Aliança ” – levando de volta à África um grupo de ex-escravos. Uma criança que seguiu para a África naquele navio, Maria Romana da conceição, chegou a visitar o Brasil em 1963.

A lei Áurea não indenizou os escravos pelo trabalho realizado. Assim, abandonadas a própria sorte, a maioria caiu na miséria da mendicância e vão compor a camada mais miserável das classes populares .

E QUANTO A ZUMBI?

Zumbi está cada vez mais vivo em nossa história, não só como o herói do povo negro, mas como um ícone da luta pela LIBERDADE.

Referências

http://consorcio.bn.br/escravos/introducao.html

http://www.zbi.vilabol.uol.com.br/

http://www.comciencia.br/reportagens/negros/03.shtml

http://www.mundosites.net/datascomemorativas/consciencianegra.htm

http://www.unificado.com.br/calendario/11/con_negra.htm

A Revista Nova Escola aborda o tema Consciência Negra em diferentes vertentes:

Consciência Negra o ano todo

11 thoughts on “CONSCIÊNCIA NEGRA – 20 de novembro

  1. Oi profª Cibely, a srª não sabe o quanto foi,é, e será sempre benvindo os seus conteúdos para nós no Colégio E.Augusto Franco, aqui na cidade de Pedra Mole-Se.É só clicar que antes mesmo de pensar…Já está lá o que precisamos ou o que procuramos.PARABÉNS.bjos.profª àurea.

    Cybele Reply:

    Olá Aurea, tudo bem?

    Fico muito feliz por isto.
    Você não imagina o quanto é importante este retorno sobre o nosso trabalho.
    Obrigada e continue acompanhando o Educa Já!
    Com carinho

  2. olá td bem?
    gostei deste site ele é muito interessante,e principalmente o q vc escrevi sobre zumbi!
    é muito interessante oq escrevis contenue assim!
    beijão bruna leticia

    Cybele Reply:

    Olá Bruna, tudo bem?

    Obrigada pelo comentário e por acompanhar o Educa Já!
    Volte sempre!
    beijinhos

  3. e muito legal eu sou estudante , isso daqui serve para fazer trabalho, adorei esses textos pricipalmente o do FIM DA ESCRAVIDAO

  4. grazie per chiarire il mio dubbi CUORE DI RINGRAZIAMENTO

    TRADUÇAO :muito obrigado por esclarecer minhas duvidas OBRIGADO DE CORAÇAO

    Cybele Reply:

    Olá Murillo, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho de sempre.
    Continuamos juntos em 2013.
    abraços
    Cybele Meyer e Equipe Educa Já!

  5. Excelente seu trabalho, mas gostaria que o assunto do último parágrafo fosse mais discutido, acredito que esse fato contribuiu para as dificuldades que os negros enfrentam até hoje.
    Ficaram jogados pelas ruas , sem moradia, emprego e educação e então como poderiam ter outro futuro????
    Se conhecer alguma fonte de consulta que explore este assunto por favor me avise.

  6. Ola eu pensei que eu tivesse achado oquê eu procurava porem não achei mas agora se tiver outro trabalho sobre o Zumbi já saberei aonde achar bjss

    SaraBianchiniLopes

    SaraLopes Reply:

    Ola eu acabei não achando oquê procurava porem li coisas muito interessantes que iram me ajudar num trabalho que irei ter sobre o Zumbi dos Palmares

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