Educação Física

EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO: CONSIDERAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA ESCOLA

Ruth Eugênia Cidade Universidade Federal do Paraná – Doutoranda na Unicamp
Patrícia Silvestre Freitas Universidade Federal de Uberlândia –
Doutoranda na Unimep
Obs: Este texto encontra-se em processo de publicação na revista INTEGRAÇÃO – MEC

A Inclusão, como processo social amplo, vem acontecendo em todo o mundo, fato que vem se efetivando a partir da década de 50. A inclusão é a modificação da sociedade como pré-requisito para que pessoa com necessidades especiais possa buscar seu desenvolvimento e exercer a cidadania (Sassaki, 1997). Segundo o autor, a inclusão é um processo amplo, com transformações, pequenas e grandes, nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive da própria pessoa com necessidades especiais. Para promover uma sociedade que aceite e valorize as diferenças individuais, aprenda a conviver dentro da diversidade humana, através da compreensão e da cooperação (Cidade e Freitas, 1997). Na escola, “pressupõe, conceitualmente, que todos, sem exceção, devem participar da vida acadêmica, em escolas ditas comuns e nas classes ditas regulares onde deve ser desenvolvido o trabalho pedagógico que sirva a todos, indiscriminadamente”(Edler Carvalho, 1998, p.170).

A escola como espaço inclusivo tem sido alvo de inúmeras reflexões e debates. A idéia da escola como espaço inclusivo nos remete às dimensões físicas e atitudinais que permeiam a área escolar, onde diversos elementos como a arquitetura, engenharia, transporte, acesso, experiências, conhecimentos, sentimentos, comportamentos, valores etc. coexistem, formando este locus extremamente complexo. A partir disto, a discussão de uma escola para todos tem suscitado inúmeros debates sobre programas e políticas de inserção de alunos com necessidades especiais. A grande polêmica está centrada na questão de como promover a inclusão na escola de forma responsável e competente.

Quanto a área da Educação Física, a Educação Física Adaptada surgiu oficialmente nos cursos de graduação através da Resolução 3/87 do Conselho Federal de Educação e que prevê a atuação do professor de Educação Física com o portador de deficiência e outras necessidades especiais. Por isso sabemos que, muitos professores de Educação Física e hoje atuantes nas escolas não receberam em sua formação conteúdos e/ou assuntos pertinentes a Educação Física Adaptada ou a Inclusão.

Sabemos também que nem todas as escolas estão preparadas para receber o aluno portador de uma deficiência e por vários motivos, entre eles, porque os professores não se sentem preparados para atender adequadamente as necessidades daqueles alunos e porque os escolares que não têm deficiência não foram preparados sobre como aceitar ou brincar com os colegas com deficiência.A Educação Física Adaptada “é uma área da Educação Física que tem como objeto de estudo a motricidade humana para as pessoas com necessidades educativas especiais, adequando metodologias de ensino para o atendimento às características de cada portador de deficiência, respeitando suas diferenças individuais” (Duarte e Werner, 1995: 9). Segundo Bueno e Resa (1995), a Educação Física Adaptada para portadores de deficiência não se diferencia da Educação Física em seus conteúdos, mas compreende técnicas, métodos e formas de organização que podem ser aplicados ao indivíduo deficiente.

É um processo de atuação docente com planejamento, visando atender às necessidades de seus educandos. A Educação Física na escola se constitui em uma grande área de adaptação ao permitir, a participação de crianças e jovens em atividades físicas adequadas às suas possibilidades, proporcionando que sejam valorizados e se integrem num mesmo mundo. O Programa de Educação Física quando adaptada ao aluno portador de deficiência, possibilita ao mesmo a compreensão de suas limitações e capacidades, auxiliando-o na busca de uma melhor adaptação (Cidade e Freitas, 1997). Segundo Pedrinelli (1994: 69), “todo o programa deve conter desafios a todos os alunos, permitir a participação de todos, respeitar suas limitações, promover autonomia e enfatizar o potencial no domínio motor”. A autora coloca que o educador pode selecionar a atividade em função do comprometimento motor, idade cronológica e desenvolvimento intelectual.

Na escola, os educandos com deficiência leve e moderada podem participar de atividades dentro do programa de Educação Física, com algumas adaptações e cuidados. A realização de atividades com crianças, principalmente aquelas que envolvem jogos, devem ter um caráter lúdico e favorecer situações onde a criança aprende a lidar com seus fracassos e seus êxitos. A variedade de atividades também prevê o esporte como um auxílio no aprimoramento da personalidade de pessoas portadoras de deficiência (Bueno e Resa, 1995). As crianças com algum nível de deficiência (auditiva, visual, física e mental) podem participar da maioria das atividades propostas.

IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA ESCOLA

É importante que o professor tenha os conhecimentos básicos relativos ao seu aluno como: tipo de deficiência, idade em que apareceu a deficiência, se foi repentina ou gradativa, se é transitória ou permanente, as funções e estruturas que estão prejudicadas. Implica, também, que esse educador conheça os diferentes aspectos do desenvolvimento humano: biológico (físicos, sensoriais, neurológicos); cognitivo; motor; interação social e afetivo-emocional (Cidade e Freitas, 1997).

Conhecer para prevenir…….por exemplo: No caso da deficiência física/motora a Disreflexia Autonômica: A disreflexia ouhiperreflexia autonômica pode ocorrer em um aluno que tenha lesão medular alta(T4 -6 ou acima). Um episódio de disreflexia autonômica pode acontecer súbita e dramaticamente. Uma dor de cabeça em marteladas, sudorese, manchas cutâneas acompanham hipertensão e queda na freqüência cardíaca. A hipertensão pode ser maligna, se não tratada, pode resultar em perda da consciência total, crises convulsivas, distúrbios visuais, apnéia e acidentes vasculares cerebrais por hemorragia. Pode ocorrer óbito (Okamoto, 1990). As causas mais comuns da Disreflexia são: problemas urinários, especialmente bexiga cheia demais, infeccionada ou com pedras; dilatação do intestino causada por prisão de ventre; escaras ou áreas sob pressão exagerada, e até mesmo a irritação causada por deitar-se sobre um objeto pequeno sem perceber; queimaduras e espamos uterinos, principalmente antes e nos primeiros dias da menstruação ou durante o parto (Werner, 1994).
A disreflexia é uma emergência médica. Como medida preventiva em suas aulas o professor que tiver um aluno com lesão medular, usuário de cadeira de rodas, deve pedir que o aluno faça o esvaziamento da bexiga e intestino antes da aula de Educação Física.

Observar os locais de maior contato com a cadeira de rodas (glúteos e as costas) para ver se não há a formação de escaras. E ainda observar que as aulas de Educação Física não sejam na hora mais quente do dia, para que não haja complicações do tipo: febre e insolação. No caso da deficiência mental os professores de Educação Física precisam saber que os portadores de Síndrome de Down apresentam problemas associados, dos quais destacamos: cardiopatia – 50%; problemas respiratórios – 40%; hipotonia generalizada – quase 100%; variação térmica – 100%; obesidade – acima de 50%; problemas de linguagem – quase 100%; retardo mental – 100%; instabilidade atlantoaxial – 12 a 20%; problemas de visão – 60%; problemas de audição – 50%; má formação da tireóide – 4%; problemas odontológicos – quase 100%; hérnia umbilical – quase 50%; distúrbios digestivos – 12%; leucemia – 10%; hepatite (A ouB) – 70%. (Tezza, 1995). A instabilidade atlantoaxial, destacada aqui, é descrita como instabilidade, subluxação ou deslocamento da primeira e segunda vértebras cervicais (C1 e C2), onde se situa a articulação atlantoaxial. A instabilidade atlantoaxial é um fator predisponente a complicações neurológicas. Aos alunos com Síndrome de Down recomenda-se a investigação com Raio X lateral da coluna cervical em posição neutra, flexão e extensão dentro da máxima amplitude de movimento possível, antes de entrar na prática da atividade motora. Algumas das atividades de risco para esta parcela de portadores da Síndrome de Down são: ginástica olímpica, salto em altura, nado golfinho, mergulho, alguns exercícios de aquecimento que causem o stress da região cervical e esportes de contato direto.
Observem que estas recomendações só são válidas para os acometidos de instabilidade atlantoaxial.

No caso de deficiência visual assegure-se de que ele está familiarizado com o espaço físico, percursos, inclinações do terreno e diferenças de piso, estas informações são úteis pois previnem acidentes, lesões e quedas. É importante que toda a instrução seja verbalizada, dando possibilidade para o que o aluno portador de deficiência visual entenda a atividade proposta.
No banheiro ou vestiário mostre-lhe onde está o vaso sanitário, o papel, a pia, etc. Cuidados especiais com os alunos de visão subnormal, com patologia de deslocamento de retina, não deverão fazer atividade física onde haja possibilidade de traumatismo na cabeça.

No caso da deficiência auditiva veja se a prótese está bem adaptada, para evitar ruídos, se está suja ou entupida, verifique as condições das pilhas e se está bem regulada.

No caso da epilepsia é preciso saber que é uma situação que se caracteriza pela existência de crises anômalas que tendem a repetir-se e que partem de descarga cerebrais patológicas, não estando necessariamente associada a deficiência mental ou outra deficiência (CORDE, 1992). São mais comuns as convulsões e as ausências.

Nas convulsões há vários tipos, há um tipo de crise convulsiva mais severa, com movimentos violentos e descontrolados e perda da consciência. Neste caso não tente mover a pessoa, a não ser que ela esteja em um lugar perigoso. Proteja-a o melhor que puder contra ferimentos, mas não tente controlar os movimentos. Retire de perto qualquer objeto cortante ou duro. Não coloque nada na boca da pessoa enquanto ela está tendo uma convulsão, e nem qualquer objeto para impedi-la de morder a língua.
No intervalo entre espasmos, vire gentilmente a cabeça da criança para um lado, para que a saliva caia da boca e não seja levada para os pulmões quando ele respira.
Quando a crise acabar, a pessoa poderá ficar sonolenta e confusa. Deixe que durma (Werner, 1994). Nos casos de ausência há uma parada das atividades. O olhar fica vago e não responde se lhe falamos, pode pestanejar, poucos minutos depois retoma a atividade sem se dar conta.
Conhecendo o educando, o professor poderá adequar a metodologia a ser adotada, levando em consideração:
” Em que grupo de educandos haverá maior facilidade para a aprendizagem e o desenvolvimento de todos;
” Por quanto tempo o aluno pode permanecer atento às tarefas solicitadas, para que se possa adequar as atividades às possibilidades do mesmo;
” Os interesses e necessidades do educando em relação às atividades propostas;
” A avaliação constante do programa de atividades possibilitará as adequações necessárias, considerando as possibilidades e capacidades dos alunos, sempre em relação aos conteúdos e objetivos da Educação Física.

Segundo Bueno e Resa (1995), tais adequações envolvem: ” adaptação de material e sua organização na aula: tempo disponível, espaço e recursos materiais; ” adaptação no programa: planejamento, atividades e avaliação; ” aplicar uma metodologia adequada à compreensão dos educandos, usando estratégias e recursos que despertem neles o interesse e a motivação, através de exemplos concretos, incentivando a expressão e criatividade;
” adaptações de objetivos e conteúdos: adequar os objetivos e conteúdos quando forem necessários, em função das necessidades educativas, dar prioridade a conteúdos e objetivos próprios, definindo mínimos e introduzindo novos quando for preciso.
As considerações acima levam em conta a remoção das barreiras para a aprendizagem (Edler Carvalho, 1998), colocando o educando como o centro das preocupações e interesses do professor.

Ao analisarmos a aprendizagem motora de portadores de deficiência não podemos desconsiderar a atuação de suas habilidades cognitivas (atenção, memória, resolução de problemas, generalização da aprendizagem) durante o todo o processo.
As dificuldades para a aprendizagem de um determinado movimento ou tarefa estão relacionadas à deficiência e nível de comprometimento que o aluno apresenta. Dentro do processo de aprendizagem motora, Marteniuk em 1976, propôs um modelo para analisar os mecanismos internos básicos responsáveis pela produção do movimento com os seguintes elementos: órgãos dos sentidos, mecanismos perceptivo, mecanismo de decisão, mecanismo efetor, sistema muscular e circuitos de feedback. Nesta abordagem o homem é visto como um processador de informações, um sistema que recebe, processa, transmite, armazena e utiliza informações. Neste caso o professor de Educação Física poderá ser capaz de analisar em que parte do modelo proposto pode estar prejudicado, segundo o tipo de deficiência presente, e utilizar estratégias necessárias para adequar o movimento ou tarefa motora.

Para uma melhor compreensão do assunto, adaptamos de Bueno eResa (1995), o modelo de execução motriz que ilustra a relação entre os possíveis problemas decorrentes do tipo de deficiência e a produção do movimento:
Captação da informação/entrada da informação/Input Problemas – visuais, auditivos, cinestésicos e cognitivos. Ex.: se o problema é visual, o professor, como uma das alternativas, poderá verbalizar, explicar o movimento/tarefa. ” Processamento central ou tomada de decisão/Mecanismo de decisão Problemas – cognitivos e alterações neurológicas. Ex.: se o aluno é portador de deficiência mental, ele levará mais tempo que os outros alunos para processar a informação e tomas a decisão. ” Resposta ou mecanismo efetor/output Problemas – incoordenação motora (paralisia cerebral), problemas orgânicos, cognitivos, ortopédicos e falta de aptidão física. Ex.: no caso da paralisia cerebral a resposta motora, à tarefa/movimento solicitado, o aluno terá dificuldades no controle dos movimentos. ” Feedback – retroalimentação Problemas – visuais, auditivos, neurológicos (ex.: incoordenação motora na paralisia cerebral) e cognitivos. (adaptado de Bueno e Resa, 1995).

Além disso, é conveniente que o professor de Educação Física considere alguns aspectos fundamentais, necessários e já conhecidos para uma melhor adequação das tarefas ao tipo de necessidade (como forma de minimizar as barreiras para a aprendizagem) que os alunos possam apresentar. Destacamos:
1. Aprendizagem global versus aprendizagem por partes – a aprendizagem por partes é conveniente quando a complexidade da tarefa vai aumentando. A demonstração do modelo total pode ser o mais adequado quando o movimento não pode ser decomposto ou quando a tarefa se apresenta de fácil execução. O objetivo é conseguir que o aluno perceba a globalidade do ato motor e seja capaz de executá-lo.
2. Importância da propriocepção na aprendizagem de uma habilidade motora – a aprendizagem do movimento é influenciado e facilitado pela percepção cinestésica. Assim o aluno pode vivenciar o movimento, visualizar, apontar no outro, observar e comparar os seus movimentos com o do colega.
3. Capacidade lingüística – é de suma importância que o professor conheça a capacidade lingüística de seus alunos, já que a comunicação verbal é um dos meios mais utilizados no processo de aprendizagem motora.
4. Tipo de ajuda prestada – o professor de Educação Física deverá prestar ajuda ao aluno que necessite dela para executar o movimento, procurando escolher a que seja mais adequada a situação, seja ela verbal ou por demonstração. Em alguns casos a ajuda manual ou mecânica poderá ser necessária para os portadores de deficiência mais comprometidos ou a medida que aumente a complexidade da resposta motora. No caso do portador de deficiência visual a ajuda verbal se configura como elemento básico a ser utilizado pelo professor,constituindo-se em muitas ocasiões no elemento que desencadeia o movimento. Pelo contrário, no caso dos portadores de deficiência mental o tipo de ajuda verbal poderá ser descartado em numerosas ocasiões devido as dificuldades de compreensão da mensagem (quando estas são muito longas).
5. Conhecimento dos resultados – o conhecimento dos resultados por parte dos alunos se constitui em fator motivacional para a execução do movimento ou tarefa por ele realizado, possibilitando feedback válido de sua performance. O professor deve assegurar-se de que o aluno compreendeu a tarefa, entretanto, se não houver esta compreensão o professor poderá recorrer a diferentes estratégias que permitam o entendimento da mensagem emitida. Geralmente, é no aluno portador de deficiência mental onde com mais freqüência e facilidade vão surgir s problemas de compreensão (Bueno e Resa, 1995).

Considerações Finais:

Nesta nova situação, a Inclusão, é preciso como forma adicional, considerar as peculiaridades da população associadas as estratégias que serão utilizadas. Com base no que foi colocado, o professor de Educação Física poderá conhecer a necessidade, os interesses e as possibilidades de cada aluno e de cada grupo com que trabalha (o que já têm sido feito por ele). Existem uma infinidade de fatores que influem na aprendizagem de portadores de deficiência entre elas as características das tarefas motoras, o sujeito que aprende, aprendizagem prévia, o contexto da aprendizagem, o tipo de informação, etc. Não existe nenhum método ideal ou perfeito da Educação Física que se aplique no processo de Inclusão, porque o professor sabe e pode combinar numerosos procedimentos para remover barreiras e promover a aprendizagem dos seus alunos.


PROPOSTAS PARA INOVAÇÕES NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

É imprescindível que o professor de Educação Física acredite que o conjunto de posturas e movimentos corporais é constituído de valores representativos de uma determinada sociedade, portanto, atuar no corpo, implica atuar na sociedade, na qual este corpo está inserido. Encaminhando essa discussão para o micro espaço social que é a escola e especificamente, o espaço das aulas de Educação Física, salienta-se que, atualmente, propõe-se como objeto de estudo para a Educação Física na escola a denominada cultura corporal. Por cultura corporal compreende-se todo um acervo de práticas corporais que ao longo do tempo o homem vem criando e modificando,conforme suas necessidades.
E para discutir e pôr em prática na escola as diversas formas em que a cultura corporal se apresenta até o presente momento (os jogos, as ginásticas, as danças, as lutas e os esportes), é necessário discutir alguns pressupostos.

Uma primeira afirmação que soa óbvia, é que a Educação Física escolar deve partir do acervo cultural dos alunos,porque os movimentos corporais que eles possuem,extrapolam a influência da escola, são culturais, portanto,têm significados específicos para diferentes grupos sociais. O professor necessita então, iniciar sua ação pedagógica partindo do acervo de conhecimentos e habilidades de seus alunos e ampliá-los.

Outra discussão sobre as práticas corporais na escola, remete a questões relativas às práticas esportivas. São práticas determinadas culturalmente, que podem fazer parte de um programa de Educação Física, enriquecendo, assim, o acervo cultural dos alunos. Entretanto, a aprendizagem dos gestos esportivos não deve se limitar aos movimentos padronizados ensinados pelo professor, mas devem contemplar a experiência dos alunos e incentivar a sua criatividade e capacidade de exploração. Esta posição não é contrária à utilização das práticas esportivas nas aulas de Educação Física.

Questiona-se tão somente que os movimentos esportivos não podem se tornar uma camisa-de-força que impeça os alunos de expressarem outros movimentos, frutos de histórias de vidas diferentes e de especificidades culturais diferentes. Salienta-se ainda que, trabalhar com práticas corporais nas aulas de Educação Física, vai muito além de simplesmente ensinar as regras e técnicas próprias de cada tema da cultura corporal.

É necessário acima de tudo, contextualizar essa prática à realidade a qual ela se encontra. Por exemplo, durante as aulas problematizar junto aos alunos algumas questões, tais como: quando esta prática corporal foi inventada e porquê? Como chegou ao Brasil? Qual a história de suas técnicas? Como elas podem ser modificadas?A proposta citada será utopia? Será possível? Antes de tudo, há que se acreditar em possibilidades de mudanças. Para isto, é essencial querer, sentir que é necessário fazer algo, sob o perigo de não havendo transformação, apodrecer-se enquanto educador e ser humano.

É possível cada um fazer a sua parte e para tanto, é essencial modificar paradigmas quanto aos objetivos da Educação Física e a função do professor de Educação Física.Para determinar qual a função do Professor de Educação Física há a necessidade de uma definição quanto ao que realmente ele é: educador, técnico, instrutor, psicomotricista, professor de física?

Na escola, geralmente ele é visto ora como uma figura simpática, ora como uma figura rígida, alguns até o denominam um turista na escola, o qual cumpre a sua carga horária e vai embora. Não tem outro vínculo com o trabalho pedagógico geral da escola que vá além daquele momento da aula propriamente dita e invariavelmente, em conseqüência, só é lembrado para atividades extra-aula, quando em períodos de jogos esportivos, festas (“professor, é possível apresentar um número?”) e na famigerada “marcha” do sete de setembro.

Ainda hoje, pode-se constatar que alguns alunos chamam o seu professor de Educação Física de “professor de física”, denominação esta, que devido, principalmente a um tipo de prática, se torna historicamente correta, pois afinal por um longo período de tempo a Educação Física apenas adestrou corpos físicos até a exaustão na busca da melhoria da “raça”, do “homem forte que iria proteger a pátria”, e do “atleta herói!” Exagero? Nem tanto. Infelizmente ainda existem alguns profissionais defendendo práticas pedagógicas de excesso físico e com preocupações exageradas na perfeição de um gesto técnico, que só conseguem ver o ser humano como máquina de resultados, de performance, de medalhas.

Diante da realidade exposta, enfatiza-se a necessidade da modificação em práticas e posturas que não têm mais razão de existir.
A título de considerações finais, serão apresentadas, portanto, algumas propostas, as quais poderão subsidiar inovações pedagógicas ao professor que atua na Educação Física escolar.
Considera-se que o educador da área de Educação Física escolar deve:
• Integrar-se aos outros elementos da equipe educativa para efetivamente participar na construção do projeto da escola;
• Suscitar entre os alunos momentos de debates, dando-lhes espaço para tomadas de decisões acerca do que fazer nas aulas, dando-lhes espaço para perceber realmente o que eles estão fazendo com seus corpos, quais as transformações que ocorrem nas diversas formas de se trabalhar o corpo ao longo do tempo, ou seja, promover espaços de discussão sobre o que se faz nas aulas de Educação Física e que uso pode ser dado às atividades corporais ao longo das suas vidas.
• Buscar respostas para os seguintes questionamentos:
a) Como são os corpos dos meus alunos?
b) O que eles podem fazer com esses corpos?
c) Quais atividades são significativas e prazerosas para eles?
d) Como ampliar as experiências corporais que os alunos já possuem?
e) Como trabalhar os movimentos sem padronizá-los,incentivando a criatividade e capacidade do aluno de explorar suas reais possibilidades corporais?
f) Como desenvolver nos alunos uma cultura de prática de atividades corporais para toda a vida, na perspectiva de melhoria e manutenção da sua saúde?
Se esses aspectos forem objetos de reflexão para o professor e, em conseqüência, trabalhados com os alunos, poder-se-á ter como meta nas aulas de Educação Física, a contínua construção e reconstrução das práticas corporais pelo aluno e professor, ao invés da mera repetição de movimentos padronizados.

O leitor pode estar estranhando a quantidade de questões que foram levantadas neste ensaio, mas a mensagem que fica é justamente a de um espaço para uma profunda reflexão a respeito da prática da Educação Física na escola. Reflexão esta que indique um caminho de renovação, afim de que haja condições de, modificando a prática desta disciplina curricular, esta renasça a partir de uma nova visão acerca das atividades corporais na escola, mais crítica e mais humana.Ressalta-se ainda a necessidade do professor de Educação Física perceber o alcance cultural de sua prática,pois assim, terá mais condições de realizar um trabalho competente e vislumbrar uma prática de Educação Física Escolar que leve à transformação da realidade, permitindo ao homem uma evolução em todos os aspectos, porque o homem,mais do que fruto, é agente de cultura.


Aula ideal de Educação Física
Aluísio Menin Mendes

Certa vez um professor de Educação Física encontrou um menino muito esperto e inteligente e perguntou como ele acreditava que deveria ser uma aula de Educação Física para que ele se sentisse realmente feliz. Este menino pensou um pouco, pois era uma criança brilhante e disse que uma AULA IDEAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA deveria:
01. Ser num local apropriado, limpo, espaçoso, preferencialmente que a natureza estivesse por perto;
02. Ser atrativa, motivante, interessante, sociabilizadora, cativante, saudável, organizada, com um ambiente harmônico;
03. Estar composta com muita dança, recreação, jogos, enfim que enfocasse a ludicidade;
04. Estar repleta de coisas que, muitas vezes, eu não tenho em casa e sinto muita falta: alegria, espírito crítico, oportunidade de falar, afeto, educação, conforto, segurança, paz, diálogo, disciplina, respeito mútuo, paz;
05. Ter competição para que eu possa aprender perder e ganhar, possa descobri meus limites e testar minha força de vontade, que eu possa me descobrir mais;
06. Permitir aprender comigo mesmo, com o professor e meus colegas, que desperte minha curiosidade e criatividade;
07. Ensinar, reforçar e zelar pelos princípios da moral, da ética e dos bons costumes;
08. Não me deixar sentir discriminado e que eu tivesse no professor alguém que possa confiar, que fique contente com meus progressos, alguém amigo;
09. Valorizar o respeito a si e ao semelhante, o companheirismo e a amizade.
10. Não permitir que “pulasse” etapas do meu desenvolvimento (estimulação precoce);
11. Favorecer a descoberta minha mente e meu corpo (minhas capacidades) e dominá-los;
12. Permitir que eu adquira o gosto pela Atividade Física, pelo Exercício Físico e pelos Esportes;
13. Ser um lugar onde eu seja elogiado sempre que faça ou tente fazer as coisas certas;
14. Ser cheia de novidades, de desafios, de conhecimentos científicos e teóricos ligadas a prática que estou realizando;
15. Ter ensinamentos úteis para minha vida;
16. Ser agradável, desafiadora, prazerosa, divertida e que permita meu crescimento como Ser Humano;

O pequeno e exigente menino ainda concluiu: “Eu acredito que a aula ideal ainda está por vir, pois é na constante busca de uma aula que seja a melhor que você vai tornar todas elas ideiais!”.

Este mesmo Professor, estava num dia de sorte fora do comum e teve a oportunidade de poder encontrar um sábio ou grande mestre que lhe deu alguns conselhos de como poderia ser bem sucedido e feliz com a profissão que escolheu. Ele listou este itens abaixo:
01.Não improvise, vá sempre preparado em todas suas aulas, lembrando que aquela aula é um parte importante de uma “construção” maior. A aula deve ser uma novidade, uma surpresa para o aluno, não para o professor, planeje suas aulas;
02.Proporcione um ambiente propício para o aprendizado. Estimule a manutenção e prática dos exercícios físicos regulares, na dosagem adequada, para a Saúde do Ser Humano. Informe sobre os benefícios do Exercícios Físicos;
03.Seja audacioso, não tenha medo de inovar;
04.Crie uma atmosfera harmoniosa, tranqüila para trabalhar, assim os alunos sentirão este ambiente acolhedor;
05.Tenha muito cuidado e responsabilidade no que diz e no que faz. Muitos alunos se espelham no professor. A palavra dita tem muito poder e pode transformar a vida de um indivíduo, fazendo-o tornar-se um derrotado ou uma pessoa realizada. Seja sincero e honesto. Seja um modelo de cidadão e de Ser Humano;
06.Procure se exercitar, falar e fazer mostrará que você é coerente, além de lhe fazer bem à saúde. Encontre tempo para investir em você;
07.Seja um pesquisador no seu campo profissional, para melhor entendimento da realidade. Atualize-se constantemente, veja as coisas corriqueiras sob outra ótica, isto evitará a rotina e a acomodação;
08.Tenha a convicção de que sua função profissional é promover o desenvolvimento bio-psico-fisiológico e social do aluno;
09.Buscar contribuir para a formação de cidadãos modelos, educados, críticos, conscientes e com objetivo na vida. Acredite naquilo que faz;
10.Sempre termine uma aula dizendo: “fiz o melhor que pude”;
11.Seja organizado e disciplinado no horário;
12.Trabalhe com os olhos no amanhã, para que o que faz no presente, crie um futuro melhor para seus alunos; Esteja sempre aberto a novos aprendizados. Possua uma ampla concepção de mundo para além da especificada da sua profissão;
13.Crie objetivos para os grupos com os quais trabalha, coloque suas forças em prol de atingí-los;
14.Saiba ser crítico, há momentos para calar e momentos essenciais para expressar suas idéias;
15.Faça da sua profissão uma forma de se auto-realizar. Dê o melhor de si, ensine “tudo” que sabe. Amor é a palavra-chave;
16.Respeite seu aluno assim como deveria respeitar a si mesmo;
17.Tenha competência técnica (saber fazer) com compromisso político (a favor de quem está fazendo, qual a intencionalidade da ação);
18.Não seja um professor repassador de conteúdos, seja um educador comprometido com a categoria e consciente da legislação que a rege;
19.Seja coerente com o que prega, consciente de que é um modelo.
20.Veja cada aula como uma oportunidade de mostrar suas qualidades, seus dons, e a força que ganhou de Deus. Não veja como uma obrigação. Seu trabalho foi algo que você escolheu, tem que proporcionar-lhe prazer.
Finalizando o mestre, muito sábio, disse: comece a trabalhar com a tranqüilidade de alguém que vai contribuir para a Educação e de alguém que aprende a todo momento, porque cada grupo, ou simples indivíduo que você ministrar aulas fará você completar uma lista com recomendações muito maior que estas.
“Quando vejo uma criança ela me inspira dosi sentimentos: ternura pelo que ela é, e respeito pelo que poderá ser.” Piaget

EDUCAÇÃO PARA CONVIVÊNCIA E A COOPERAÇÃO
MS. JEFEFRSON CAMPOS LOPES

1. INTRODUÇÃO
Partindo da premissa que para uma educação voltada para a convivência e cooperação seja realmente concretizada, precisamos observar alguns pontos que caracterizem este processo.
Para tal, a convivência é uma condição importante da vida cotidiana, relação esta que, na medida em que buscamos a melhoria da qualidade interpessoal e intrapessoal, podemos desenvolver e aperfeiçoar competências na perspectiva de viver juntos.
Com relação à cooperação, num primeiro momento temos que identificar o quanto os nossos comportamentos e atitudes estão condicionados e postos em prática, em situações que favoreçam uma posição que nos coloquem numa constante competição, gerando confronto, e em que sejamos vistos como vitoriosos e considerados os melhores por tal resultado.
Neste processo ou jogo da vida, precisamos resgatar e valorizar atitudes e comportamentos mais humanos por meio de uma visão um pouco diferente da que estamos acostumados a ver quando realizamos esse jogo da vida, de maneira que possamos experimentar novas alternativas que mostrem que é possível existir outros caminhos que possam ser incorporados de maneira espontânea e autêntica com a devida importância de sermos, essencialmente, o que somos e valorizarmos o que fazemos.

2. PILARES DA EDUCAÇÃO
O conceito da Educação, ao longo de toda a vida, aparece como uma das chaves de acesso ao século XXI.
A literatura existente aborda diversos conceitos sobre educação, mas neste caso, gostaríamos de citar uma educação que se baseia na função de preparar na autoformação do cidadão. Segundo Morin (2001), o objetivo da educação não é o de somente transmitir conhecimentos, mas criar um espírito para toda vida, onde ensinar é viver em transformações consigo próprio e com os outros.
Baseando-se nesta citação, é possível afirmar que um dos fatores que garantem essa educação é fundamentado em palavras, como cooperação e autonomia.
Partindo dessas palavras, encontramos no dicionário de língua portuguesa suas definições para podermos entender melhor o seu significado:
COOPERAÇÃO: trabalhar e ajudar para alcançar um objetivo comum.
AUTONOMIA: faculdade de governar por si só.
Segundo Orlick (1989, p.105), a cooperação é “uma força unificadora, que agrupa uma variedade de indivíduos com interesses separados numa unidade coletiva” e, segundo Freire (1996), autonomia é a prática da liberdade.
Lendo estas definições objetivas (dicionário) e citações (autores), acrescentamos que a educação proposta por meio dos Pilares da Educação tem em sua forma de autonomia um comando da consciência em que, por meio da cooperação, podemos criar uma rede de funções com desempenhos relacionados uns com os outros.
Dessa forma, atuar em educação é, antes de tudo, uma jornada ao longo de um conjunto de respostas organizadas em torno dos quatro Pilares da Educação, apontados pelo relatório da UNESCO (Delours, 1999, p.101-2), no sentido que estes pilares possam transformar-se em um instrumento que facilite a sua implementação:
Aprender a conhecer: significa combinar a cultura geral com as possibilidades do aumento dos saberes num continuo exercício do aprender a aprender para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.
Aprender a fazer: a fim de poder agir, não somente sobre uma qualificação profissional, mais sim ampliando suas competências no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho.
Aprender a viver juntos: participando e cooperando na compreensão do outro e na percepção das interdependências, realizando projetos e preparando-se para gerir conflitos e no respeito pelos valores humanos, da compreensão mútua e da paz.
Aprender a ser: contribuir para o desenvolvimento mental, corporal e espiritual a fim de atingir uma realização completa com cada vez maior capacidade de autonomia de cada interser.
Sendo assim, o saber, o saber fazer, o saber conviver juntos e o saber ser constituem quatro aspectos, intimamente ligados, de uma realidade de experiência vivida e assimilada por momentos de compreensão e criação pessoal.
Para tal, a educação deve desenvolver e formar cidadãos com estas novas competências, que serão necessidades fundamentais para a convivência entre os outros, partindo da condição de estar cooperando para uma melhoria da qualidade de vida.

O JOGO
A discussão a seguir será sobre o jogo, numa condição de vital importância e relevância que exerce como forma e processo de aprendizagem. Nesse contexto, hoje, a maioria dos filósofos, sociólogos, etnólogos, antropólogos e professores de educação física concordam em compreender o jogo como uma atividade que contém em si mesmo o objetivo de decifrar os enigmas da vida e de construir momentos de prazer.
Sendo assim, Huizinga (1996, p.33) expressa a noção do jogo como:
Uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites, dotados de um fim em si mesmos, acompanhados de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida cotidiana.
Assim, a alegria é a finalidade do jogo, em que, quando esta finalidade é atingida, a estrutura de como se pode jogar assume uma qualidade muito específica; torna-se uma ferramenta de aprendizagem que mantém uma constância de forma a dar prazer e de continuar sendo eterno.
Portanto, podemos verificar que o jogo é muito importante, não só porque ficamos alegre ou nós dá prazer, mas quando estamos vivendo-o, direta e reflexivamente, estamos indo além da sua representação simbólica de vida.
De acordo com Brotto (1999, p.16), a idéia da aproximação do jogo com a vida numa representação do reflexo de um sobre outro é: “eu jogo do jeito que vivo e vivo do jeito que jogo”.
Nesse sentido, o jogo passa a ter a capacidade de desenvolver, por meio dele, formas e contribuições para gerar talentos, aperfeiçoar potencialidades e criar novas habilidades de conviver.
Um outro autor a ser destacado é Friedmann (1996), que, baseando-se nos estudos de Piaget, afirma que o jogo pode ser utilizado como forma de incentivar o desenvolvimento humano por meio de diferentes dimensões, que são:
O desenvolvimento da linguagem: onde a jogo é um canal de comunicação de pensamentos e sentimentos.
O desenvolvimento moral: é um processo de construção de regras numa relação de confiança e respeito.
O desenvolvimento cognitivo: dá acesso a um maior numero de informações para que, de modo diferente, possam surgir novas situações.
O desenvolvimento afetivo: onde facilitem a expressão de seus afetos e suas emoções.
O desenvolvimento físico-motor: explorando o corpo e o espaço a fim de interagir no seu meio integralmente.
Partindo dessas dimensões, o jogo passa a ser ensinado em duas formas e atitudes a serem tomadas:
1. Num jogar espontâneo, onde ele tem apenas o objetivo de divertimento;
2. Num jogar dirigido, onde ele passa a ser proposto como fonte de desafios, promovendo o desenvolvimento da aprendizagem.
Sendo assim, ao utilizarmos o jogo como uma atividade de desenvolvimento humano, permitimos uma participação dessa forma de aprendizagem, com o compromisso do buscar pedagógico, transformando e contextualizando-o num exercício crítico e consciente do aprender.

JOGOS COOPERATIVOS
Os Jogos Cooperativos surgiram com a constante valorização dada ao individualismo e a competição das quais foram condicionadas e aprendidas como única e melhor forma de caminho existente.
Sendo assim, existem duas definições que foram mal interpretadas e divulgadas durante várias décadas que contribuíram para esse caminho:
A primeira é de Charles Darwin, que fala da seleção natural, em que as maiorias das pessoas dizem que o melhor está na sobrevivência do mais forte e mais apto para vencer, afirmando, ainda, que, para a raça humana, o valor mais alto de sobrevivência está na inteligência, no senso moral e na cooperação social e não na competição.
Como podemos avaliar, várias pessoas utilizaram a palavra sobrevivência como forma de promover sempre o melhor capacitado por meio de uma competição, da qual somente um ganha e não na forma que deveria ser, ou seja, de compartilhar o papel de cada um numa unidade inter-relacionada.
A segunda é do francês Pierre de Coubertin (idealizador da nova era olímpica), que diz que o mais importante não é vencer, mas tornar parte; importante na vida não é triunfar, mas esforçar-se; o essencial não é haver conquistado, mas haver lutado.
O esporte tem sua glorificação máxima com a chegada da Olimpíada, cujo ideal é unificar a paz e a união entre todos os povos do mundo. Como sabemos, porém, a cada ano que passa tornou-se uma mera máquina de tecnologia, em que atletas são treinados para ganhar a qualquer custo, mas esquecendo o símbolo que ela representa que é universalizar culturas e raças para gerarem um momento de confraternização pacífica, direcionando para a conquista com dignidade e respeito.
Partindo dessas duas visões descritas, buscamos em Brotto (1997, p.33) algumas definições sobre competição e cooperação:
COOPERAÇÃO: é um processo onde os objetivos são comuns e as ações são benéficas para todos.
COMPETIÇÃO: é um processo onde os objetivos são comuns, mutuamente exclusivos e as ações são benéficas somente para alguns.
Neste sentido, podemos constatar que Cooperação e Competição são processos distintos, porém, não muito distantes. As fronteiras entre eles são tênues, permitindo um certo intercâmbio de características, de maneira que podemos encontrar em algumas ocasiões uma competição cooperativa e noutras uma cooperação competitiva.
Para Orlick (1989, p.118),
A principal diferença entre cooperação e competição é que no primeiro todos cooperam e ganham, eliminando-se o medo do fracasso e aumentando-se a auto-estima e a confiança em si mesmo. Ao passo que no segundo, a valorização e reforço são deixados ao acaso ou concedidos apenas ao vencedor, o que gera frustração, medo e insegurança.
Sendo assim, podemos afirmar que cooperação e competição são direcionadas a partir de agora em comparações entre as diferenças e atitudes que essas duas palavras podem tomar:

DIFERENÇAS
Cooperação (aprende-se)
A compartilhar, respeitar e integrar diferenças;
A conhecer nossos pontos fracos e fortes;
A ter coragem para assumir riscos;
Sentimentos e emoções com liberdade;
A participar com dedicação;
A ser solidário, criativo e cooperativo;
A ter vontade de estar junto.

Competição (inicia-se)
Com a discriminação e a violência;
Com o medo de arriscar e fracassar;
Em fazer por obrigação;
Pela repressão de sentimentos e emoções;
Pelo egoísmo, individualismo e competição excessiva.

Vale salientar que não são todas as pessoas no mundo que agem dessa maneira. Pelo contrário, trabalham, integrando a cooperação e a competição. O que acontece é que na maioria das vezes somos dirigidos a pensar que a maneira de competir corretamente é aquela que precisamos sempre vencer a qualquer custo. Partindo das diferenças entre cooperar e competir, veremos a seguir alguns tipos de padrões de atitudes de percepção/ação que vivenciamos no dia-a-dia:

Ver gráfico no:http://www.cdof.com.br/recrea9.htm

O propósito desse quadro é mostrar que toda e qualquer experiência humana tem diferentes possibilidades para perceber e optar por alternativas que propiciam viver uma mesma situação. Com esta visão, podemos despertar e aperfeiçoar o exercício da escolha pessoal, com responsabilidade e liberdade.
Segundo Orlick (1989), como jogamos na sociedade em que vivemos, o jogo serve para criar o que é refletido. Muitos valores importantes e modos de comportamento são aprendidos por meio dessa experimentação.
Com base nas falas registradas aqui, os Jogos Cooperativos têm como conceito procurar a ensinar e aprender a rever nossas experiências e reciclar pensamentos, sentimentos, intenções e emoções para que reconheçamos e valorizemos nosso próprio jeito de jogar e respeitar o dos outros, em seus diferentes modos de ser. E mais, descobrir que jogando com os outros podemos buscar o crescimento do eu dentro de cada um de nós.
Apresentamos a seguir a definição do Brotto (1997 ,p.16):
Os Jogos Cooperativos vêm com a intenção de compartilhar, unir pessoas, despertar a coragem para correr riscos com pouca preocupação com o fracasso e sucesso em si mesmo. Eles reforçam a confiança em si mesmo e nos outros, e todos podem participar autenticamente, onde ganhar e perder são apenas referências para o contínuo aperfeiçoamento pessoal e coletivo.
Dentro desta visão, podemos concluir o raciocínio que os Jogos Cooperativos são uma forma de integrar os valores humanos e a convivência dos indivíduos no desenvolvimento de uma aprendizagem, de forma a estar jogando uns com os outros ao invés de uns contra os outros.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer deste tema, procuramos evidenciar uma proposta de educação de ensino e aprendizagem fundamentada nos Pilares da Educação, em que o jogo possa gerar mudanças nas formas atuais que estamos jogando e com isso possamos resgatar valores humanos que ajudem no processo de convivência e construção de uma verdadeira autonomia de cada ser.
Acreditamos que, para esta realização, a educação seja um dos caminhos para se obter um melhor resultado, em que este processo seja permeado de trocas de convivência e reconhecendo em cada um de nós um estilo de vida, em que o desenvolvimento da cooperação seja um exercício para tal.
Dessa forma, devemos relacionar educação como uma forma de existência de uma melhor qualidade de vida, para que nos próximos anos de nossa existência na terra, possamos continuar em busca junto com outros o que pode ser chamado, segundo Carmello (2000), de “resignação”, uma capacidade de estarmos sempre retornando e adaptando para melhor sermos entendidos nessa direção que vai ao encontro do conviver e de ser autônomo.
A pretensão deste artigo é também um convite que fazemos para que os profissionais, sem distinção, façam um caminho, partindo com a vontade de experimentar e acreditar nesta nova aprendizagem em que nós, educadores, sejamos capazes de transmitir mais do que somente conhecimentos, aproximando mais o professor, aluno, família, amigos uns dos outros, formando uma grande corrente que não pese, mas sim, que nos una cada vez mais.


BRINCAR NA EDUCAÇÃO FÍSICA COM QUALIDADE…DE VIDA!
Heraldo Simões Ferreira

INTRODUÇÃO
Este estudo visa responder questionamentos que fizemos no decorrer de nossa vida como professor de educação física escolar, mais precisamente na educação infantil. Constatamos durante 15 anos de experiência na educação infantil, tanto em escolas particulares como em escolas da rede pública de ensino, que grande parte dos objetivos de uma consecução de qualidade de vida (QV) entre crianças escolares se dá através da atividade lúdica, dos jogos e das brincadeiras (prática da educação física infantil).
A revisão de literatura nos confirmou que existe uma grande escassez de pesquisas envolvendo qualidade de vida na infância (SABEH e VERDUGO, 2000), pois os títulos, quando encontrados, são superficiais e não englobam a percepção de qualidade de vida dentro do ponto de vista das próprias crianças. Segundo Verdugo e Sabeh {2002}, citando Gerhaz (1997), isso se deve ao fato do estudo de qualidade de vida com crianças ser muito mais complexo do que com adultos.
Em recente pesquisa realizada por Dantas et al. (2003), observou-se que, de 53 estudos envolvendo dissertações de mestrado, teses de doutorado e livre-docência de universidades públicas de São Paulo envolvendo o tema qualidade de vida, somente um destes envolvia crianças. Também foi afirmado que apenas dezesseis pesquisas investigaram qualidade de vida com indivíduos saudáveis.
As pesquisas sobre qualidade de vida com adultos têm progredido, porém os estudos com crianças ainda não. Prebianchi (2003) cita que em uma revisão de literatura internacional, Schmitt e Koot (2001) identificaram que dos 20.000 artigos sobre qualidade de vida publicados nos anos de 1980 à 1994, apenas 3.050 reportavam-se à crianças.
Como foi afirmado por Prebianchi (2003: 59):
é um direito da criança ter padrões de qualidade de vida adequados as suas necessidades físicas, mentais e de desenvolvimento social, o respeito a esse direito é fundamental, pois contribui com o bem estar do indivíduo na vida adulta. Quando os padrões de vida supracitados são desrespeitados ou desconhecidos devem ser realizadas pesquisas que se interessem pelas medidas da população infantil.
Mas, como podemos afirmar que, ao brincar a criança pode estar contribuindo para a aquisição de uma boa qualidade de vida? Para tal questionamento, devemos esclarecer o que vem a ser qualidade de vida.
SAÚDE, EDUCAÇÃO FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998,b: 36):
As relações que se estabelecem entre Saúde e Educação Física são perceptíveis ao considerar-se a similaridade de objetos de conhecimento envolvidos e relevantes em ambas às abordagens. Dessa forma, a preocupação e a responsabilidade na valorização de conhecimentos relativos à construção da auto-estima e da identidade pessoal, ao cuidado do corpo, à consecução de amplitudes gestuais, à valorização dos vínculos afetivos e a negociação de atitudes e todas as implicações relativas à saúde da coletividade, são compartilhadas e constituem um campo de interação na atuação escolar.
Assim é correta a afirmação que ambas as abordagens possuem objetivo comum: promover uma qualidade de vida favorável.
A Educação Física é um processo de Educação em Saúde, seja por vias formais ou não formais, pois ao promover uma educação efetiva para a saúde e uma ocupação saudável do tempo livre de lazer, constitui-se em um meio efetivo para a conquista de um estilo de vida ativo e em conseqüência favorece a obtenção de qualidade de vida.
Segundo o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF, 2002), o profissional de Educação Física é um especialista em atividades físicas, nas suas mais diversas manifestações, tendo como propósito prestar serviços que favoreçam o desenvolvimento da educação e da saúde, contribuindo para a capacitação e/ou restabelecimento de níveis adequados de desempenho e condicionamento fisiocorporal dos seus beneficiários, visando à consecução do bem estar, da consciência, da expressão e estética do movimento, da prevenção de doenças, de problemas posturais, da compensação de distúrbios funcionais, contribuindo ainda para a consecução da autonomia, auto-estima, da solidariedade, da integração, da cidadania, das relações pessoais, da preservação do meio ambiente, visando enfim a consecução da qualidade de vida.
Portanto a Educação Física deverá ser conduzida como um caminho de desenvolvimento de estilos de vida ativos pelos brasileiros, para que possa contribuir para a qualidade de vida da população.
Na educação infantil, a educação física utiliza-se de jogos e brincadeiras como um poderoso instrumento para auxiliar o desenvolvimento das crianças, seja no plano motor, afetivo ou cognitivo com a finalidade de promover um estilo de vida ativo e saudável, conduzindo a uma qualidade de vida satisfatória.

QUALIDADE DE VIDA.
A idéia que compartilhamos é a de que qualidade de vida é um termo que representa uma forma de explicar subjetivamente o que é viver bem, estar satisfeito ou feliz consigo mesmo e com o mundo ao seu redor. O fator principal que a determina é sem sombra de dúvidas o bem estar físico, mental e social.
Porém não é fácil conceituar qualidade de vida, pois este termo ainda não foi estabelecido e também não tem sido empregado corretamente (Silva, 1998, apud Silva et al, 2000). Além disto, a definição de qualidade de vida não é aceita universalmente, gerando discussões acerca desta temática.
Seidl e Zannon (2004: 581) citam Campbell (1976, apud Awad & Voruganti, 2000: 558), que na década de 70, explicitou as dificuldades de conceituar o tema qualidade de vida: “qualidade de vida é uma vaga e etérea entidade, algo sobre a qual muita gente fala, mas que ninguém necessariamente sabe o que é”. Esta citação feita há mais de 34 anos nos demonstra às controvérsias sobre o conceito do tema em questão.
Concordamos com Minayo e colaboradores (2000: 8), quando atesta que qualidade de vida é:
uma noção eminentemente humana, que tem sido aproximada ao grau de satisfação encontrada na vida familiar, amorosa, social e na própria estética existência. Pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade considera seu padrão de conforto e bem-estar. O termo abrange muitos significados, que refletem conhecimentos, experiências e valores de indivíduos e coletividades que a eles se reportam em variadas épocas, espaços e histórias diferentes, sendo portanto uma construção social com a marca da relatividade cultural.
Segundo o Grupo para Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL, 1993), a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, dentro do contexto sócio-cultural em que vive é condição sine qua non para o alcance da qualidade de vida.
Assumpção e colaboradores (2000) citam que Shin & Johnson (1978), afirmam que a qualidade de vida para ser atingida, depende da satisfação de desejos individuais, auto-realização e uma compensação satisfatória consigo mesmo e com os outros.
Ainda destacam Jenney & Campbel (1977), que criticam a falta de definições no meio acadêmico e científico para a qualidade de vida.
Os mesmos autores também utilizam as idéias de Bradlyn et al. (1996) que define qualidade de vida como multidimensional, não se resumindo ao aspecto social, físico e emocional, mas também que estes aspectos sirvam de parâmetro às alterações que ocorram durante o desenvolvimento. Também fazem referência a Eiser (1997), que observa a grande diferença entre o que é qualidade de vida “infantil” dentro da visão de um adulto e de uma criança.
Uma definição bem clássica é de 1974, onde Seidl e Zannon (2004: 582) mencionam Andrews (apud Bowling, p. 1448): “qualidade de vida é a extensão em que prazer e satisfação têm sido alcançados”.

A QUALIDADE DE VIDA E O BRINCAR.
A respeito do assunto, MASLOW (1973), citado por APPLEY & COFER (1976) hierarquiza as necessidades do homem, afirmando que a necessidade posterior só é realizada quando a anterior estiver satisfeita. Os tipos de necessidades citados pelo referido autor são por ordem de importância: necessidades fisiológicas, de segurança, de afeição, de auto-estima e de auto-realização.
Seguindo a idéia de MASLOW (1973), a criança deve primeiramente satisfazer suas necessidades fisiológicas e de segurança, pra a partir daí satisfazer suas necessidades relacionadas com a afetividade, a estima e a realização de objetivos. Portanto, para as crianças, após cumprirem suas necessidades fisiológicas básicas (respirar, locomoção, alimentação, entre outras) e suas necessidades de segurança (aqui é incluído a moradia), os outros fatores de necessidades podem ser adquiridos através da brincadeira.
Através do ato de brincar a criança pode satisfazer seus desejos, sejam de ordem afetiva, relacionada à estima ou a realização de objetivos e finalidades. Durante a prática lúdica, a criança exercita suas capacidades de relacionamento, aprende a ganhar, a perder, opor-se, expressar suas vontades e desejos, negociar, pedir, recusar, compreende que não é um ser único e que precisa viver em grupo respeitando regras e opiniões contrárias; enfim, adquire afeição. Brincando educa sua sensibilidade para apreciar seus esforços e tentativas, o prazer que atinge quando consegue finalizar uma tarefa (montar um quebra-cabeça ou pegar o colega) faz com que se sinta realizada por atingir uma meta, levando-a a auto-estima. A brincadeira desafia a criança e a leva a tingir níveis de realização acima daquilo que ela pode conseguir normalmente.
Para reforçar este entendimento, AUSUBEL, NOVAK & HANESIAN (1980, p. 217) colocam como fatores primordiais para uma boa qualidade de vida os seguintes fatores (em ordem de aquisição):
Conservar a vida (subsistência);
Manter a segurança (conforto);
Conseguir o prazer (humor e diversão);
Experimentar mudanças e novidades;
Expandir o ego;
Sentir auto-respeito.
Mais uma vez observa-se que, a criança somente após atingir as condições de subsistência (necessidades fisiológicas) e de segurança, conseguirá partir para os outros fatores; e, novamente através da brincadeira, todos os outros itens podem ser atingidos, pois o prazer em brincar é indiscutível, a experimentação do novo vem com os desafios envolvidos nos jogos e brincadeiras infantis, a auto-estima e o auto-respeito também são facilmente realizáveis através do ato de brincar, pois como já foi citado, ao brincar a criança descobre seus limites, atinge metas e se realiza.
A qualidade de vida pode ser conceituada como o grau maior ou menor de satisfação das carências pessoais, observando que a busca pela boa qualidade de vida consiste mais claramente em visar situações prazerosas, e menos em evitar aborrecimentos ou vivências problemáticas, e é isso o que a brincadeira reflete aos pequenos.
Sabeh e Verdugo (2002) em sua busca de encontrar um instrumento de avaliação da percepção de qualidade de vida na infância realizaram uma categorização para detectar dimensões, baseado em modelos de qualidade de vida já construídos, especialmente o de Schalock (1997). As categorias são:
1. Ócio e atividade recreativa: experiências de ócio, recreativas e de tempo livre como jogos, esportes, atividade física, televisão, vídeos, realizadas de forma individual ou em grupo;
2. Rendimento: relacionado ao desempenho e aos resultados alcançados em atividades escolares ou esportivas;
3. Relações inter-pessoais: interação positiva ou negativa com e entre pessoas de seu meio. Aqui se inclui o vínculo com animais;
4. Bem-estar físico e emocional: estado físico e saúde da criança, de familiares e amigos;
5. Bem-estar coletivo e valores: situações sociais, econômicas, políticas que a criança percebe de seu meio sócio-cultural, assim como em relação à valores humanos;
6. Bem-estar material: consecução e relação com objetos, e a característica física dos ambientes em que vivem.
Desta forma, a percepção infantil sobre qualidade de vida requer muitos fatores. As crianças são sujeitas à mudanças, sendo influenciadas por eventos cotidianos e problemas crônicos. Para as crianças bem estar pode significar o quanto seus desejos e esperanças estão próximos do que acontece.
O contexto sócio-econômico, o grau de instrução escolar, a participação dos pais, sua importância dentro do seu grupo de amigos, suas potencialidades física e mental são fatores que interferem claramente na definição de qualidade de vida pelas próprias crianças. Outro fato muito importante é o material, na infância os brinquedos e outros materiais lúdicos adquirem um fator condicionante à felicidade e, por conseguinte, a consecução da qualidade de vida.
Observamos que nas categorias acima expostas de Sabeh e Verdugo (2002), o ócio e a atividade recreativa, é a dimensão onde o brincar está incluso, sendo, portanto, um dos fatores para a aquisição da boa qualidade de vida infantil.
Assim, brincadeira ultrapassa de muito o prazer sinestésico, oferecido pela prática do movimento. Possibilita, de forma bastante eficaz, as diversas necessidades individuais, multiplicando assim, as oportunidades de se obter prazer e, conseqüentemente, otimizar a qualidade de vida.

CONCLUSÕES
Concluímos que o profissional de Educação Física deve preencher as necessidades de afeto, auto-estima e auto-realização das crianças num programa de atividades lúdicas, envolvendo aos jogos e brincadeiras em seu planejamento, não como um apoio auxiliar, mas como meta principal, pois a soma de prazer que uma criança obtém durante as atividades lúdicas em que exercita o corpo e a mente através da brincadeira, aprimorará sua qualidade de vida, potencializando o otimismo e reduzindo o nível de stress a que freqüentemente está submetida, independente de situações agradáveis ou desprazerosas enfrentadas ao longo do seu cotidiano.
A bem das propostas defendidas neste trabalho, recomenda-se também ao profissional de Educação Física que transcenda a preocupação pelo excesso do tecnicismo nas aulas de educação física infantil, que se despreocupe com a freqüência cardíaca ou com o volume e a tonicidade muscular dos freqüentadores de atividades corporais orientadas. Aconselha-se, ao contrário, que ele aspire, sobretudo, a satisfazer as privações e as necessidades sócio-psicológicas de seus discípulos: manter-se-á, portanto, atento, (como lhe convém), ao grau de melhorias e renovações positivas concernentes à qualidade de vida dos membros do grupo a que atende.

PCN – EDUCAÇÃOA FISICA ESCOLAR

Integre as aulas de Educação física com as outras disciplinas
Explore os jogos conhecidos pela turma
Meninos e meninas devem jogar juntos

A Educação Física mexe com o corpo, a afetividade, a sociabilidade, a ética e a sexualidade do aluno.

Muito mais que corridas, futebol e abdominais.

A Educação Física foi vista como meio de preparar a juventude para a defesa da nação, fortalecer o trabalhador ou buscar novos talentos esportivos que representassem a pátria internacionalmente. Hoje, seu reconhecimento como componente curricular da Educação Básica na Lei de Diretrizes e Bases de 1996 mostra o caráter essencial de sua prática, que é o de integrar-se com outras disciplinas do ensino básico. A Educação Física deve propiciar uma aprendizagem que mobilize aspectos afetivos, sociais, éticos e da sexualidade. A proposta é que os alunos sejam capazes de participar de atividades corporais, respeitar o próximo, repudiar a violência, adotar hábitos saudáveis de higiene e alimentação e ter espírito crítico em relação à imposição de padrões de saúde,beleza e estética.

EXERCÍCIOS PARA SER FEITOS NA ESCOLA E EM CASA

As aulas de Educação Física dos alunos da 2a série da Escola Municipal Henfil, em Recife (PE), não se limitam às quadras esportivas. Quando voltam para a classe, fazem redações sobre as situações vividas nas quadras. Empolgados, eles produzem textos mais vivos e ricos. Em casa, as tarefas continuam. As crianças pesquisam brincadeiras, danças e jogos que os pais e avós praticavam quando pequenos. Anotam tudo e, na aula seguinte, apresentam as descobertas para a turma. O professor Pedro Ferreira da Silva Júnior se vale das danças e jogos populares, como o frevo e a capoeira,para mostrar que meninos e meninas podem brincar juntos. “A atividade torna-se mais solidária, pois as crianças se concentram nos movimentos uns dos outros”, diz.Pesquisas sobre tais manifestações culturais são incentivadas. Os alunos procuram informações em casa ou nas bibliotecas.

O QUE LECIONAR PARA O ALUNO DO WNSINO FUNDAMENTAL

Segundo propõem os PCN, os alunos devem desenvolver as seguintes habilidades ao longo
das oito primeiras séries:
Participar de atividades corporais. Ou seja, os alunos devem manter relações equilibradas
e construtivas com os colegas, respeitando as características físicas e o desempenho de
cada um.
Manter uma atitude de respeito e repudiar a violência. Situações lúdicas e esportivas
devem desenvolver a solidariedade.
Aprender com a pluralidade. Conhecer diferentes manifestações de cultura corporal é
uma forma de integrar pessoas e grupos sociais.
Ser capaz de reconhecer-se como integrante do ambiente. Os alunos devem adotar
hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais, percebendo seus efeitos sobre as próprias condições de saúde e sobre a melhoria da saúde de todos.
Praticar atividades de forma equilibrada. A regularidade e a perseverança, regulando e
dosando o esforço de acordo com as possibilidades de cada um, permitem o aperfeiçoamento das competências corporais.
Reconhecer as condições de trabalho que comprometem o desenvolvimento. Os estudantes devem identificar as atividades que põem em risco seu desenvolvimento físico,
não aceitando para si, nem para os outros, condições de vida indignas.
Desenvolver espírito crítico em relação à imposição de padrões de saúde, beleza e estética. A sociedade divulga esses padrões, mas as crianças devem conhecer sua diversidade, compreender como estão inseridas na cultura que produz esses modelos, evitando o consumismo e o preconceito.
Reconhecer o lazer como um direito do cidadão. Os alunos devem ter autonomia para
interferir no espaço e reivindicar locais adequados para as atividades corporais de lazer.

Os alunos ficam agitados nas aulas de Educação Física. Empurram-se nas filas e se
dispersam. Como organizá-los? As diversas formas de organização para as atividades
– formar equipes, dispor-se em filas ou rodas
– devem ser objeto de ensino e aprendizagem. Ou seja, é preciso ensinar as normas para o jogo ou para a dança. Três pontos devem ser observados:
1. conversar antes com os alunos para combinar regras de utilização do espaço e detalhes
da atividade;
2. não esperar uma participação padronizada, pois alguns alunos ficam cansados antes dos
colegas, outros preferem observar antes de fazer e o interesse e as competências entre eles são diferentes;
3. considerar que a forma de organização que o professor imagina nem sempre é a melhor. Por exemplo, formar uma fila pode impedir às crianças ver o que aconteceà frente.

Como integrar meninos e meninas numa mesma atividade se os meninos só querem futebol
e as meninas, queimada e brincar de corda? Todos preferem uma atividade em que sentem mais segurança, que conhecem melhor. No entanto, é papel da escola e do professor promover atividades diversificadas e até inéditas. Crianças nessa faixa etária têm a necessidade de diferenciar repertório e referências culturais dos universos feminino e masculino e, na realidade, meninos e meninas realizam a mesma atividade com “estilo” diferenciado. A convivência entre eles, no entanto, favorece a diferenciação,antes de torná-la uma separação. Muitas dessas diferenças são determinadas por fatores sociais e culturais e decorrem de preconceitos que estão além da vivência de cada criança e devem ser combatidos.

As melhores atividades para as quatro séries iniciais

Quando chegam à escola, as crianças trazem algum conhecimento sobre o corpo e o
movimento. Se puderam conviver e brincar Time misto: meninos e meninas descobrem as
vantagens de trabalhar em equipe com amigos e irmãos ou explorar diversos espaços, elas já conhecem muitos jogos e brincadeiras. Mas, mesmo com pouca experiências desse tipo, elas podem viver, na escola, novas situações de desafios corporais. Veja o que se espera do aluno e algumas sugestões para facilitarseu trabalho:

Coragem para renovar as idéias

A disciplina de Educação Física da Escola de Educação Básica, em Uberlândia (MG), vivia uma crise em 1993. Cada professor tocava a vida sozinho, com métodos próprios. Era impossível planejar uma seqüência de atividades. Com a ajuda da Universidade Federal de Uberlândia, iniciou-se uma profunda reformulação das práticas pedagógicas. Os professores passaram então a analisar as soluções cotidianas e a trocar experiências. Um torneio esportivo interno – com jogos de futebol, peteca, queimada, atletismo e basquetebol – foi organizado. No final, os alunos avaliaram o campeonato e sugeriram modificações na organização e na duração das partidas. “As mudanças acompanharam o interesse dos alunos e nossos conhecimentos”, explica o professor Leandro Rezende. As
aulas de handebol, por exemplo, passaram a incluir desenhos e relatos escritos sobre a atuação dos jogadores. As equipes têm aulas sobre os conceitos das modalidades esportivas. No futebol, praticado por meninos e meninas, os times decidem, no papel, a tática de jogo a adotar em campo. Em conjunto, os professores fizeram um torneio que se tornou um modelo de competição, sem perder de vista a cooperação e a solidariedade.

No primeiro ciclo
Conhecer seus limites e possibilidades para estabelecer as próprias metas.
Compreender, valorizar e saber usufruir as diferentes manifestações culturais.
Organizar jogos, brincadeiras e outras atividades lúdicas.

No segundo ciclo
Nas atividades corporais, respeitar o desempenho do colega, sem discriminações de
nenhuma natureza.
Manter o respeito mútuo, a dignidade e a solidariedade em situações lúdicas e esportivas,
resolvendo conflitos de forma pacífica.
Saber que organizar jogos e brincadeiras é um modo de usufruir o tempo disponível.
Conhecer seus limites e possibilidades para controlar atividades corporais com autonomia, entendendo que esta é uma maneira de manter a saúde.
Analisar os padrões de estética, beleza e saúde como parte da cultura que os produz e criticar o consumismo.
entender as diferentes manifestações da cultura corporal sem discriminação nem preconceito, valorizando e participando delas.

Dica
Todas as crianças aprendem, com a família, com amigos ou pela televisão, jogos ou brincadeiras que envolvem movimentos. Durante as aulas de Educação Física, crie oportunidades para que elas possam compartilhar essas experiências com os colegas.

Dica
Debata com os estudantes como os meios de comunicação apresentam tais padrões e peça relacionem os tipos físicos exibidos nas propagandas com o consumo de produtos.

Dica
Mostre um vídeo ou leve seus alunos para assistir a uma apresentação de dança, de capoeira ou a um jogo de futebol. Eles poderão observar a beleza dos movimentos e avaliar as técnicas empregadas. É importante que percebam as várias opções de atividades corporais e a diversidade de manifestações.

Dica
Divida a quadra em partes. Em cada uma, trabalhe diferentes atividades com grupos de alunos que tenham habilidades parecidas. Será mais fácil para eles perceber suas dificuldades e superar os desafios.

A pedagogia das velhas brincadeiras de rua

Quem olha de longe as aulas de Educação Física da Escola Municipal Padre
Leão Vallerié, em Campinas (SP), acha que aquelas crianças correndo e gritando com
cordas e bastões feitos com cabos de vassoura pintados estão na hora do recreio. É que nas
aulas para a 1a e a 2ª série do professor Alberto Barbosa de Souza praticam-se as velhas brincadeiras de rua. “O lúdico integra as atividades, mas não se podem confundir as aulas com brincadeiras sem objetivos”, alerta ele. Um deles é estimular a sociabilidade e a afetividade das crianças. Os alunos fazem sugestões para escolher os jogos e suas regras. As propostas ficam subordinadas ao interesse pedagógico, como fazer a turma entender os movimentos em relação ao corpo. Jogos como esconde-esconde aprimoram as noções de tempo e espaço. “O aluno tem de calcular a distância entre ele e o pegador e o tempo que levará para dar o pique”, explica. Os bastões ajudam nas noções de classificação e seriação. As atividades mudam com as séries. Na 1a, a criança é incentivada a conhecer o próprio corpo; na 2a, valorizam-se a construção e o respeito às regras e a resolução de problemas

Aprendendo esportes, jogos, ginástica e lutas

Essas práticas são semelhantes entre si nos primeiros anos de escola, mas algumas diferenças devem ser estabelecidas para que o trabalho do professor seja mais abrangente. Os esportes apresentam caráter competitivo e envolvem o uso de equipamentos (campos, piscinas, bicicletas).
Os jogos podem ser mais cooperativos e recreativos (como os de tabuleiro ou os de rua).
As lutas simples (cabo-de-guerra, braço-de-ferro) e as mais complexas (capoeira, judô) têm
regulamentação para as ações que combinam ataque e defesa. As ginásticas podem usar várias técnicas para aumentar a percepção do corpo

Como conhecer melhor o corpo

Quando têm aulas de Educação Física, as crianças percebem que seu corpo se altera durante e depois dos exercícios. A discussão dessas mudanças ajuda a conhecer o corpo. Nos esportes, jogos, lutas e danças, elas aprendem novas habilidades motoras e ampliam seus
conhecimentos sobre diferentes posturas e atitudes corporais. A observação desses hábitos
pode ser feita nos projetos de História, Geografia e Pluralidade Cultural. Por exemplo, por que os orientais se sentam no chão de costas eretas e muitas pessoas do interior se sentam de cócoras?

Ritmo e expressão

As danças e as brincadeiras cantadas são formas divertidas de conhecer o movimento e
as técnicas para executá-lo. Nas aulas de Educação Física, essas atividades podem ser
enfocadas de modo complementar aos conteúdos sugeridos no documento da área de
Artes, que traz mais subsídios ao professor. A grande diversidade cultural do país oferece
muitas possibilidades de aprendizado por meio da dança. Os alunos poderão, por exemplo,
escolher as manifestações mais conhecidas no local onde a escola se situa, além de realizar
pesquisas sobre as danças e as brincadeiras de outras regiões.

Em minha escola não existe quadra. Como resolver essa questão?

Os espaços disponíveis nas escolas brasileiras para a aprendizagem de jogos, lutas,
danças, ginásticas e esportes não têm a adequação e a qualidade necessárias. Alterar esse
quadro implica uma conjugação de esforços, da vontade política da comunidade e dos poderes públicos.
Tais mudanças não ocorrem da noite para o dia. Esperar pela situação ideal pode significar uma geração de alunos sem as aulas necessárias. Isso não exclui a possibilidade de
potencializar e adaptar os espaços existentes. Utilize o pátio, um jardim, um “campinho”,
um terreno vazio, ou mesmo uma praça ou praia. Pode-se usar mais de um local ao mesmo tempo, dividindo-se a turma em grupos e atividades diversas. Faça, depois, um rodízio entre eles.

Aulas de movimento e Arte com brinquedos feitos pelas crianças

A Educação Física muitas vezes é mal vista pelas crianças, temerosas de que lhes sejam cobrados resultados. Para mostrar aos seus alunos, na Escola Autonomia, em Florianópolis (SC), que a atividade física na escola pode ser prazerosa, a professora Ester Nunes Belém propõe à turma construir brinquedos e a incentiva a trazer recortes de jornais ou outro material de interesse para a classe. Assim, os alunos transformam latas e barbante em um “pé-de-lata” e saem caminhando pelo pátio.
Uma caixa de papelão vira um ônibus, participante também de uma brincadeira movimentada. Na época de Copa do Mundo, a turma faz cartazes e pesquisas na biblioteca.
Foi lá, quando estudavam a história do futebol, que as crianças da 4a série sugeriram
mudar as regras do jogo, permitindo o uso das mãos. Em grupo, na quadra, elas experimentaram e aprovaram a novidade.

Pé-de-lata e
perna-de-pau:
brinquedos
tradicionais e
feitos à mão em
Educação Física
Cabo-de-guerra: uma luta com regulamentos eações que combinam ataque e defesa

Educação física
Cooperação e respeito às diferenças falam mais alto quando o assunto é futebol


Tristeza do alemão: brasileiros comemoram o gol do pentacampeonato, em 2002

Brasil x Alemanha na final da Copa de 2002. O placar marca 1 x 0 para o Brasil. No segundo tempo, Rivaldo recebe um passe de Gilberto Silva na entrada da área. Numa jogada ensaiada, o atacante engana a zaga adversária, deixando a bola passar por entre as pernas e… gooool de Ronaldo! Rivaldo poderia ele mesmo ter finalizado a jogada. Ficaria com os louros por ser o autor do chute que fez nossa seleção ser pentacampeã. Mas não hesitou em dar preferência ao companheiro, que estava mais bem posicionado. A cena remete ao quarto gol da final de 1970, quando o Brasil ganhou de 4 a 1 da Itália. Até chegar à rede, a bola passou pelos pés de quase todos os jogadores do time.
Essa é uma lição que todas as seleções campeãs têm para dar: em jogo de equipe, ninguém ganha sozinho. Diferentemente dos treinos esportivos profissionais ou amadores – cujo objetivo é melhorar o rendimento de cada atleta e aprimorar a performance do time para vencer qualquer partida -, as aulas de Educação Física têm como uma das principais metas despertar nos alunos o senso de igualdade e solidariedade.


Seleção brasileira de futebol de 5, jogado por deficientes visuais: Campeã

Em quadra, é importante ajudar a turma a derrubar dois mitos: o primeiro é pensar que futebol é coisa de homem. Boleiras como a alemã Birgit Prinz (eleita três vezes consecutivas a melhor do mundo), a brasileira Delma Gonçalves, a Pretinha (veterana da Copa do Mundo feminina, convocada para jogar nas quatro edições do campeonato), e Marta Vieira da Silva (uma das melhores canhotas do país) estão aí para provar o contrário. Sem contar o time das norte-americanas, único bicampeão mundial. A Federação Internacional de Futebol Association (Fifa) organiza desde 1991 a Copa Feminina – a primeira foi na China. O torneio se realiza de quatro em quatro anos, tem a participação de 16 países e é acompanhado por mais de 500 milhões de espectadores no mundo todo. O segundo mito é o que diz que as pessoas portadoras de deficiência não têm habilidade para os esportes. Elas não só praticam quase todas as modalidades como jogam futebol (e bem) em campo e em quadra. Tanto é assim que a seleção brasileira de futebol de 5, jogado por atletas com deficiência visual, tem um título que o time principal (aquele dos Ronaldos) nunca conquistou: o de campeão olímpico. Pela primeira vez nos Jogos Paraolímpicos de Atenas, em 2004, a equipe verde-e-amarela papou uma medalha de ouro. E não parou por aí. O time de futebol de 7, cujos jogadores têm paralisia cerebral, ficou com a medalha de prata no mesmo campeonato. Palmas para os paraolímpicos do Brasil.

Plano de aula 5ª a 8ª serie

Os times aqui são mistos

1. Comece a aula explorando as diversas maneiras de jogar futebol (de campo, society, de salão). Pergunte o que os alunos sabem sobre cada modalidade e que regras conhecem. Qual a diferença entre o futebol amador e o profissional? Tire as dúvidas da turma e informe, caso ninguém se lembre, que o esporte também é praticado por mulheres e pessoas com deficiência física.
E já avise que meninos e meninas vão entrar em campo juntos. Em seguida, pergunte quem já pratica o esporte. Com quem a garotada costuma jogar e onde?

2. Antes de começar a partida, organize um exercício de passe para verificar as habilidades de cada um. Todos ficam em círculo e trocam passes. Se houver crianças com deficiência no grupo, peça que todos pensem em maneiras de incluí-las e ajudá-las. Esse é um passo importante para a determinação de regras. Quem não consegue chutar a bola, por exemplo, pode recebê-la e jogá-la com as mãos. Se um aluno tem dificuldade para correr, os colegas podem estabelecer uma velocidade similar à dele no jogo.

3. Forme duplas mistas, mesclando as habilidades: um que bate de direita com outra que bate de esquerda; quem tem o chute mais fraco com alguém que chuta forte. Separe as duplas em dois times. De mãos dadas, meninos e meninas vão compartilhar as funções durante o jogo. Se houver um estudante com deficiência, deixe a dupla de que ele faz parte num lugar determinado, como o ataque, e oriente as outras duplas a passar a bola para esses colegas. No time adversário, uma dupla deve assumir a mesma função.

4. Você pode também criar outra modalidade, em que um integrante de cada dupla tem os olhos vendados. Se houver uma criança com deficiência visual na turma, coloque-a com um colega vidente. Quem enxerga recebe a bola e toca para o parceiro fazer o passe. Para os alunos que não enxergam se orientarem, a bola deve conter guizos.

CONSULTORIA: Antônio de Pádua dos Santos, João Carlos Neves de Souza e Terezinha Petrucia Nóbrega, professores de Educação Física em Natal, e Eliane Mauerberg de Castro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP)

Inclusão

Deficientes e eficientes
Para incluir estudantes com diferentes tipos de deficiência nas atividades esportivas é necessário…
Observar a capacidade e habilidade motora deles.
Conhecer as limitações de cada um e consultar um especialista para garantir a segurança durante as aulas.
Criar tarefas que permitam o máximo de socialização entre todos.
Organizar atividades em que eles possam usar os aparatos que fazem parte de sua rotina (cadeira de rodas, bengala etc.).
Prezar pelo sucesso de todos valorizando o que eles conseguem fazer no jogo.

Mulher no gramado
O primeiro jogo feminino de que se tem notícia no Brasil foi disputado em 1913, em São Paulo. Na década de 1980, surgiram as primeiras equipes profissionais.
A seleção dos Estados Unidos (foto) é a única bicampeã mundial. Venceu a Noruega em 1991, na China, com um recorde de 25 gols marcados.
O segundo título veio em casa, em 1999, numa decisão contra a China.
A seleção brasileira feminina de futebol ficou em terceiro lugar na Copa de 1999, mas foi desclassificada pela Suécia na mais recente edição do evento, em 2003.

Bate-bola nas Paraolimpíadas
Os primeiros Jogos Olímpicos para atletas com deficiência foram organizados em Roma, em 1960, com cerca de 400 participantes de 23 países.
O futebol de 5 é praticado em quadras de futebol de salão por jogadores com deficiência visual. A bola tem guizos.
O futebol de 7 é jogado em campo de society por atletas com paralisia cerebral. Não existe impedimento e o arremesso lateral pode ser feito com uma ou as duas mãos.

Referências

http://64.233.169.104/search?q=cache:yXMHfx7T9ncJ:www.rc.unesp.br/ib/efisica/sobama/sobamaorg/inclusao.pdf+%22professor+de+educa%C3%A7%C3%A3o+fisica%22&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=9&gl=br&lr=lang_pt

http://64.233.169.104/search?q=cache:K3DtV9qDsIMJ:www.unifor.br/hp/revista_saude/v16/artigo9.pdf+%22professor+de+educa%C3%A7%C3%A3o+fisica%22&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=4&gl=br&lr=lang_pt

http://www.cdof.com.br/escola1.htm
http://www.cdof.com.br/recrea16.htm
http://www.cdof.com.br/recrea9.htm
http://64.233.169.104/search?q=cache:c83RJOMl3CYJ:novaescola.abril.uol.com.br/PCNs/ed_fisica1_4.pdf+%22educa%C3%A7%C3%A3o+fisica%22+jogos&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=4&gl=br&lr=lang_pt

http://revistaescola.abril.uol.com.br/edicoes/0192/aberto/mt_129708.shtml

5 thoughts on “Educação Física

  1. Pingback: Ser Lesado » Blog Archive » Educação fisica e inclusão

  2. eu gostei de tudo que eu vi e principalmente as dicas

    Cybele Reply:

    Olá Aline, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho de sempre.
    Continuamos juntas em 2013.
    abraços
    Cybele Meyer e Equipe Educa Já!

  3. Gostei muito do texto! Pois sou Professora de Educação física e sou apaixonada por esporte! Parabénsssss!

    Cybele Reply:

    Olá Dilmoca, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho do seu comentário.
    Fico feliz em contribuir.
    Continue nos acompanhando.
    abraços
    Equipe Educa Já!

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