História em quadrinhos 2

Lançamento: A Incrédula História de Lucíola do Amado Getúlio
Por Humberto Yashima


A Incrédula História de Lucíola do Amado Getúlio (Livrinho de Papel Finíssimo Editora, 64 páginas, formato A6, papel sulfite, impressão off-set, capa em papel cartão), de Vitor Batista, narra a história de Lucíola – moradora do edifício Amado Getúlio -, que mantém uma rotina diária na qual sobe e desce escadas, anda em ônibus lotados, trabalha com telemarketing e conversa com suas (duas e únicas) amigas por telefone; rotina essa que será quebrada com a instalação de um elevador no prédio em que mora. “Inspirado no primeiro livro que li (aos cinco anos de idade), Lucíola é um resgate do meu primeiro contato com a leitura. Procuro explorar os signos lingüísticos dessa literatura infantil, simples em códigos, e transpor para um roteiro contemporâneo, situando-o num indefinido momento da modernidade. Lucíola é a memória bizarra de uma criança que decidiu contar uma história para os adultos”, escreveu o autor sobre sua obra no blog em que divulga seu trabalho, o Território Marginal. A Incrédula História de Lucíola do Amado Getúlio custa R$ 6,00 (já incluídas as despesas de envio pelo correio) e pode ser pedida por carta endereçada à Rua do Sossego, 179 – IRAQ – CEP 50050-080 – Recife-PE ou pelo e-mail vitorfanzine@gmail.com.

Agatha Christie em quadrinhos


Uma notícia particularmente me deixou entusiasmada esta semana: A editora norte-americana HarperCollins vai lançar uma série de graphic novels baseadas npos livros de mistério de Agatha Christie. Todas as 83 obras literárias da Rainha do Crime serão adaptadas para os quadrinhos. Os primeiros 12 álbuns serão lançados agora em setembro e o restante em 2008. O lançamento coincide com o Agatha Christie Week, que ocorre de 9 a 15 de setembro, celebrando os 31 aos da morte da escritora.

Eu sou uma fã declarada dos livros de mistério de Agatha Christie. Devo ter lido quase todos durante a minha adolescência e acho difícil dizer quais são os melhores. Suas obras fora adaptadas para a televisão, o cinema, o teatro e para os quadrinhos. Bom, pelo menos uma, que eu li e que temos na Gibiteca: Assassinato no expresso do Oriente.

A idéia é atrair mais leitores jovens para a obra da destacada autora inglesa.Entre os títulos que serão publicados no próximo mês estão: “Assassinato no Expresso Oriente”, “Morte na Mesopotâmia” e “Primeiros casos de Poirot”. Durante a “Semana Agatha Christie”, serão comemorados os 70 anos da publicação de “Morte no Nilo”, com a projeção do filme baseado na obra, protagonizado por Maggie Smith.

Christie nasceu em 1890 nessa tranqüila cidade no sudoeste da Inglaterra e morreu em Londres, em 1976. Seu primeiro livro – com o personagem Hercule Poirot – foi publicado em 1920. A autora publicou 66 romances, 154 contos e 20 peças em uma carreira de 50 anos. Agatha Mary Clarisse Christie foi essencialmente uma escritora de romances de mistério mas chegou também a escrever livros românticos sob o pseudônimo de Mary Westmacott.

Seus livros venderam mais de um bilhão de exemplares em língua inglesa e outro um bilhão em mais de 45 idiomas. Sua obra de teatro “La Ratonera” (baseada em seu relato Three Blind Mice and Other Stories) tem o recorde de permanência em cartaz em Londres, com mais de 20 mil apresentações desde sua estréia no teatro “Ambassadors” no dia 15 de novembro de 1952 até hoje.

Christie publicou mais de oitenta romances e obras de teatro, principalmente sobre assassinatos misteriosos e com a presença de dois de seus personagens principais, Hercules Poirot e Miss Marple. Alguns de seus livros mais famosos foram “O misterioso caso de Styles” (1920), “Assassinato no campo de golfe” (1923), “Poirot Investiga” (1924), “O mistério do trem azul” (1928), “Os treze problemas” (1933), “Assassinato no Expresso Oriente” (1934), “Morte na Mesopotâmia” (1936), “Morte no Nilo” (1937) e “Primeiros casos de Poirot” (1974).

Segundo estimativas um bilhão de cópias de livros de Agatha Christie já foram vendidas em inglês. Apenas William Shakespeare já foi mais lido que a autora, segundo o Livro Guinness dos Recordes. Agatha, que morreu em 12 de janeiro de 1976, já teve sua obra traduzida para mais de 70 idiomas.

A adaptação do Assassinato no expresso do Oriente, em português, pode ser encontrada em boas livrarias e em lojas especializadas em quadrinhos. Pesquisando sobre o notícia eu me deparei com um site dedicado a esta escritora – em português – , criado por fãs e que me pareceu muito legal, a primeira vista. Para quem estiver interessado, o linlk é http://acbr.luky.com.br/index.php

A LITERATURA NACIONAL NOS GIBIS


Não é nova a prática de se transpor para os quadrinhos clássicos da literatura mundial e nacional. Nas décadas de 50 e 60, diversas obras da literatura – como A Moreninha, Senhora e O Guarani, entre outras – foram quadrinizadas pelas editoras La Selva e Ebal. Trata-se de uma forma de se popularizar obras consagradas, deixando-as mais próximas do público infanto-juvenil e mesmo adulto. A comunhão entre imagem e texto facilita a compreensão da obra e torna a leitura muito mais agradável. Este tipo de adaptação ajuda a desmitificar a idéia de que quadrinhos são apenas para crianças. Afinal, essas obras podem atrair várias pessoas, de todas as idades.

Com este intuito, e apostando em um mercado que tende a crescer, a Editora Escala Educacional lançou a coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos, voltada para as salas de aula. “Já foram publicados: O Alienista, A causa secreta, Uns braços e O enfermeiro, de Machado de Assis; A nova Califórnia, Miss Edith e seu tio e Um músico extraordinário, de Lima Barreto; e O cortiço de Aluísio Azevedo, com desenhos e roteiros de Vilachã. Jo Fevereiro roteirizou e desenhou Brás, Bexiga e Barra Funda, de Antônio de Alcântara Machado; A cartomante, de Machado de Assis e O homem que sabia javanês, de Lima Barreto. Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, com desenhos de Bira Dantas” (fonte: UniversoHQ).

Os livros são vendidos a R$ 12,90 cada, e trazem ainda um resumo da biografia dos autores e um questionários sobre a compreensão do texto. Integram a série Literatura em Quadrinhos, que conta com releituras de outros autores renomados como Machado de Assis, Lima Barreto e Antônio de Alcântara Machado.

A obra-prima de Azevedo, um dos pioneiros do naturalismo no Brasil, descreve o cotidiano degradante de um cortiço no Rio de Janeiro, no século XIX. A adaptação do texto de O Cortiço ficou por conta de Ronaldo Antonelli e as ilustrações foram produzidas por Francisco Vilachã. O romance de Almeida teve sua narrativa adaptada pelo roteirista Indigo e pelo desenhista Bira Dantas. Narra a história do malandro Leonardo, personagem que se mete em confusões, mas sempre encontra proteção.

No final de 2002 um outro projeto semelhante chegava às bancas: o primeiro volume de CQ – Contos em Quadros. Contando com a adaptação de Célia Lima, arte de J. Rodrigues e com Djalma Cavalcante como organizador; Contos em Quadros traz a adaptação em quadrinhos de três contos de grandes nomes de nossa literatura: Pai Contra Mãe (Machado de Assis), O Bebê de Tarlatana Rose (João do Rio) e Apólogo Brasileiro Sem Véu de Alegoria (António de Alcântara Machado). Além das adaptações, também é publicado o conto em sua forma original, dando a opção ao leitor de comparar as duas versões, e até incentivar a leitura de nossas obras literárias. Há ainda uma mini-biografia de cada um dos autores.

O projeto tem o apoio do Programa Comped (Comitê dos Produtores da Informação Educacional) e sua reprodução contratada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (INEP), com o objetivo de estimular a publicação e a distribuição de livros-textos, obras de referência e outras que contribuam para formação inicial e continuada de professores.

Caso haja interesse em se adquirir estas obras, visite o site da Editora Escala http://www.editoraescala.com.br/ e o da UFJF http://www.ufjf.br/

Resenha: O Alienista (Escala Educacional)
Por Humberto Yashima


O Alienista (Escala Educacional, 2006), adaptação do conto homônimo de Machado de Assis (1839-1908) feita por Francisco S. Vilachã (roteiro e desenhos) e Fernando A.A. Rodrigues (cores) para a Coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos, apresenta a história em 13 capítulos (De como Itaguaí ganhou uma Casa de Orates; Torrente de loucos; Deus sabe o que faz!; Uma teoria nova; O terror; A rebelião; O inesperado; As angústias do boticário; Dois lindos casos; A restauração; O assombro de Itaguaí; O final do § 4; e Plus Ultra!), da mesma forma que a original. Mas o que é um alienista? Alienista é o especialista em tratamento de doenças mentais, o médico que cuida dos alienados (loucos, doidos).
O Alienista narra as experiências do Dr. Simão Bacamarte na pequena vila de Itaguaí, onde o ilustre médico constrói um manicômio com a finalidade de recolher e tratar os dementes da vila (lembrando que o conto foi escrito por Machado de Assis em 1881 e publicado no ano seguinte em Papéis avulsos; a história se passa na mesma época). A versão em Quadrinhos contém todos os principais elementos que fizeram o conto original se tornar um clássico da Literatura, substituindo boa parte dos trechos descritivos por ilustrações e, dessa foram, tornando a leitura mais acessível ao público jovem. Mas isso não quer dizer que a HQ é um “resumo” do conto, pois muitos trechos permaneceram na íntegra e o “gibi” contém muito mais texto do que a grande maioria dos Quadrinhos lançados hoje em dia.
Além de mostrar como um homem da ciência pode levar seus estudos às últimas conseqüências, O Alienista também explora um tema interessante: afinal, os doentes são os loucos ou são aqueles em seu perfeito juízo? A edição da Escala Educacional é bem feita, toda impressa em papel couchê, e traz em seu final o texto Um pouco da vida de Machado de Assis e um caderno de exercícios. As obras da Coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos são uma excelente porta de entrada para os não-iniciados na saudável prática da leitura.

Adaptação das obras de Machado de Assis encontra dificuldades
Por Samir Naliato

No final do ano passado, foi divulgado o projeto do jornalista Marcelo de Andrade, para adaptar quatro contos de Machado de Assis para os quadrinhos. Os contos escolhidos foram O Enfermeiro, Pai contra mãe, A causa secreta e A Cartomante, que seriam ilustrados, respectivamente, por Spacca, Maringoni, Lourenço Mutarelli e Newton Foot. O ilustrador Orlando ficou encarregado do projeto gráfico da revista; e Osvaldo Pavanelli deve assinar a capa, além de desenhar uma biografia de Machado de Assis, roteirizada pelo idealizador do projeto.

As revistas serão distribuídas, gratuitamente, em escolas públicas localizadas em áreas de alto risco social da Grande São Paulo, segundo estudo da Secretaria Estadual da Educação.

Recentemente, Lourenço Mutarelli saiu do projeto, sendo substituído pelo desenhista Jô de Oliveira.

No início de 2001, o projeto – batizado de Literatura² (Literatura ao quadrado) – foi aprovado pela Lei Rouanet, que autoriza a captação de recursos junto a empresas. Quem financia-lo, recebe um desconto no imposto de renda de até 30% do valor investido. Mas, até agora, apesar da intensa divulgação, não apareceram patrocinadores. O Universo HQ conversou com Marcelo de Andrade, para saber como andam as negociações.


“Nenhuma das mais de cem pessoas jurídicas consultadas – entre empresas e ONG´s, dos mais variados segmentos – manifestaram intenção concreta de patrocinar o projeto, que está orçado em R$ 81.700,00, para uma tiragem de 30 mil revistas”, informou. A revista será em preto e branco, no formato 23 x 31 cm; 40 páginas; papel alta alvura, 120g; com capas coloridas, em papel couché fosco 180 g. A Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão subordinado à Secretaria Estadual da Educação, já se comprometeu em distribuir as revistas. O início da produção só acontecerá quando entrar essa verba.

Segundo Marcelo, o orçamento não assusta as empresas. “O custo não envolve só a impressão de 30 mil exemplares. Cobre meu pró-labore de idealizador, elaborador, organizador, coordenador e assessor de imprensa (estou trabalhando nisso desde junho do ano passado, com gastos de correspondência, celular, transporte etc); o pagamento dos desenhistas e do designer gráfico; assessoria de marketing, noite de lançamento (afinal, todo patrocinador quer aparecer), clipping, fotógrafo, banners, convites, buffet etc. Enfim, o orçamento para tudo isso está enxuto. É um pacote de marketing cultural completo”, explicou.

O prazo para conseguir patrocínio é até dezembro deste ano, e, caso não consiga, Marcelo oferecerá o projeto para editoras, que produziriam uma versão comercial. “Uma grande editora nos procurou. A princípio, ela se proporia a lançar uma versão comercial e bancar uma tiragem gratuita de 30 mil. Mas nunca mais nos deu retorno. Estou correndo atrás de editoras e de empresas, simultaneamente. Uma outra topou lançar, mas não tem como fazer a distribuição gratuita”, lamenta.

No entanto, desistir parece não estar em seu vocabulário. “Pode ter certeza: até o final do ano sai, ou de um jeito – com tiragem gratuita – ou de outro – sem Lei Rouanet e sem exemplares grátis, isto é, com venda ao consumidor por alguma editora”, garantiu.

O Universo HQ continua acompanhando as notícias sobre o projeto. Fique de olho, pois, se surgirem novidades, divulgaremos.

Introdução à Filosofia – Nietzsche
Valéria Fernandes

Para contrariar a impressão de que filosofia é coisa séria, sisuda e que não combina com linguagens mais descontraídas, a Editora Relume Dumará está lançando uma série de edições em quadrinhos destinada a importantes filósofos. Apresentando Nietzsche é o novo volume da coleção. Desenhado pelo premiado ilustrador Piero e escrito pelo professor de filosofia Laurence Gane (tradução de José Gradel), ambos ingleses, apresenta, em textos curtos, as principais concepções teóricas do alemão e um pouco de sua vida conturbada. Há um complicador para a melhor compreensão das idéias de Nietzsche: elas não são simples nem de fácil apreensão, de modo que muita coisa vai permanecer inacessível ao leigo. Tópicos como as formulações em torno da ética do nobre e da ética do escravo, a vontade de poder, a proposição do Super-homem e outros exigiriam maior aprofundamento, o que o formato HQ não comporta.
Há, no entanto, esclarecimentos úteis, principalmente em relação à associação das idéias de Nietzsche com as do nazismo. Gane esclarece o mau uso de certas propostas. Segundo ele, o próprio conceito de Super-homem, que diria respeito à superação do homem no sentido da evolução, nada tem a ver com a figura de Hitler, como quiseram os defensores das políticas nazistas. Muito menos o anti-semitismo, que Nietzsche explicitamente condenou e que erroneamente lhe foi posteriormente atribuído. As propostas de Nietzsche, na revista, são colocadas a partir de cada um de seus livros, como Assim falou Zaratustra, Acima do bem e do mal, Humano, demasiado humano, Genealogia da moral e outros.
Primeiro, o autor narra um pouco da trajetória acadêmica do filósofo, seu rompimento com a academia, as relações com o compositor Richard Wagner (com quem também vem a romper). Seguem-se as idéias a partir do confronto com outros autores, como Schopenhauer, Kant, e mais adiante Marx, Freud, Lacan. Sartre, Foucault, Derrida e Heidegger. Ao final, tomamos um pouco de conhecimento do colapso mental de Nietzsche, seus delírios e crises de megalomania, as turbulentas relações com o sexo feminino (foi criado por mãe, irmã e tias, sem uma figura masculina mais presente), a única ligação mais importante com uma mulher, com quem viveu um triângulo amoroso malsucedido.
Tudo no tom que dá título à revista, Apresentando Nietzsche: o tom de introdução à filosofia de um pensador dos mais difíceis. Os desenhos de Piero são um caso à parte. A partir da figura de um centauro que possui a cara de Nietzsche, o ilustrador explora as mais diversas inspirações do imaginário (chega a brincar com a figura de Superman, que nada tem a ver com a formulação do autor, no capítulo sobre o Super-homem). Citações, ressignificações, brincadeiras, tudo ajuda a compor o universo histórico e filosófico em torno do personagem Nietzsche. Se os textos sozinhos já nos levariam a pensar – e dariam trabalho –, as imagens ajudam a viajar por idéias, tempos e personalidades, num exercício difícil e prazeroso.

História

Resenha: A Caravela
Por Matheus Moura

Como mencionado na resenha de Shima, o livro A Caravela é o segundo lançamento da série Biografix da Editora Marca de Fantasia. Segundo número e a segunda vez publicada em forma de coletânea. A primeira se deu pela Editora Crisálida – com apenas dois mil exemplares – de Belo Horizonte, motivada por Wellington Srbek, o qual fez a seleção das tiras apresentadas, além de também fazer este segundo resgate. Na primeira vez em que a compilação A Caravela foi lançada, o país estava em “comemoração” aos 500 anos de descobrimento (?) motivo maior dela ter sido publicada em tal data.

Sete anos depois A Caravela está disponível mais uma vez aos leitores brasileiros, agora sem o risco de ficar muito tempo fora de catálogo, já que a produção da Marca é rotativa. Assim como a maioria do material da editora o livro possui formato 14 x 20 cm, 48 páginas e sai ao preço de R$ 10,00. O livro é aberto com uma introdução escrita por Srbek falando a respeito da obra e seu autor, Nilson. É sempre bom haver textos que situem o leitor ao que ele está prestes a ler. Faltou a data do texto, pois como a coletânea já havia sido publicada antes fica a dúvida: é a introdução original ou foi feita em exclusividade para essa versão? Em seguida temos a apresentação dos principais personagens – para não haver erro durante a leitura – mais um item que aumenta a imersão do receptor à obra.

As tiras narram a vida da tripulação da Caravela que sai de Portugal rumo ao novo mundo. Os principais personagens são a tripulação de marinheiros com seus percalços durante a viagem; além da dupla de marujos, Joaquim e Manoel, os quais possuem destaque especial, há o padre, o capitão-mor, o cavaleiro e o carrasco, todos com participações fundamentais na construção da crítica social empregada na narrativa de Nilson à sociedade contemporânea. Não é para menos, no último FIQ, o autor “ateou fogo” na discussão acerca de Humor e Política, se mostrando bastante indignado com a situação atual do humor crítico no Brasil. Ao final há uma rápida biografia do autor.

Como é quase impossível chegar à perfeição, há alguns erros de português durante as tiras e na introdução de Srbek, nada que não possa ser corrigido em novas impressões. Detalhes estes que chegam a ser irrelevantes perto do excelente conteúdo encontrado na obra. Uma aula de como se fazer tiras, de modo simples e contundente. Com certeza Nilson se mostra um dos grande tiristas brasileiros e que infelizmente andava um tanto esquecido. Só nos resta esperar mais coisas de sua autoria serem publicadas. Para adquirir este ou qualquer outro material da editora basta acessar o site da Marca de Fantasia ou escrever para o email contato@marcadefantasia.com.br.

HQ comemora a chegada de D. João ao Brasil


A antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, pesquisadora e professora da USP, lança este mês – no dia 28 de novembro – sua mais nova empreitada no mundo dos quadrinhos: Dom João Carioca A Corte Portuguesa no Brasil (1808-21), juntamente com o quadrinista Spacca. O álbum conta de forma bem humorada as peripécias de Dom João, enquanto ele esteve no Brasil, entre 1808 e 1821 e é mais uma entre as muitas manifestações referentes ao bicentenário da vinda da família real portuguesa, que se instala no Brasil para escapar de Napoleão Bonaparte. Segue o resumo oficial desta HQ:

“Há quem diga que d. João gostou tanto do Brasil que por aqui foi ficando. Mesmo depois que os franceses foram expulsos de Portugal, que aconteceu o Congresso de Viena, que a paz foi decretada e a guerra chegou ao fim, o príncipe português preferiu não voltar a ocupar o seu trono em Portugal. Na nova capital do Império, sediada no Rio de Janeiro, o príncipe regente reproduziu a pesada estrutura portuguesa, criou instituições e escolas, fundou jornais e o Banco do Brasil. Além do mais, encontrou um belo lugar para morar – a Quinta da Boa Vista -, onde ficava apartado da esposa, Carlota Joaquina, que vivia em Botafogo. Esqueceu da guerra, sarou da gota e aproveitou o clima e as frutas dos trópicos. Acomodou-se de tal maneira que virou um ‘João carioca’ – personagem popular de nossa história e cuja passagem pelo Brasil completa cem anos em 2008. Para lembrar dessa data especial, o cartunista Spacca e a historiadora Lilia Moritz Schwarcz narram a aventura da casa real que atravessa o oceano e pela primeira vez governa um império a partir de sua colônia americana. O livro reconta essa história usando a linguagem dos quadrinhos, elaborada com base em extensa pesquisa não só documental e historiográfica,como fielmente pautada na iconografia da época.


A obra traz ainda uma bibliografia sobre o tema, uma cronologia que ajuda a entender os fatos no calor da hora e inclui uma galeria de esboços preliminares e estudos de personagens, cenários e vestimentas. D. João nunca foi tão brasileiro!”

Lilia Moritz Schwarcz já havia lançado outros dois álbuns sobre a História do Brasil, dos quais se destacam: Da Colônia ao Império – Um Brasil pra inglês ver e latifundiário nenhum botar defeito, realizado juntamente com o Miguel Paiva, e Cai o Império! – República Vou Ver!, produzido juntamente com Angeli – onde reconta de forma descontraída os principais episódios da História do Brasil do período que vai um período que vai do golpe da maioridade até a Proclamação da República.


Acho que vale a pena conferir este trabalho. Eu já li, e tenho na minha coleção, Cai o Império e posso atestar a qualidade do trabalho desta pesquisadora. Enfim, mais um bom material que pode em breve estar disponível nas gibitecas e bilbiotecas escolares.

A saga de um sobrevivente, um vencedor
A série Gen Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, lançada no Brasil pela Conrad Editora, é uma obra-prima dos quadrinhos, que mostra, com muita dor e sofrimento, as terríveis conseqüências trazidas pela guerra
Por Sidney Gusman


Nos últimos tempos, os mangás (quadrinhos japoneses) vêm ganhando força no mercado editorial brasileiro. Se na década passada pudemos contar nos dedos os lançamentos dessa poderosa indústria por aqui (Lobo Solitário; Akira; Mai, a Garota Psíquica; Crying Freeman; Ranma ½), o século 21 começa a “todo vapor”, com a publicação das revistas Cavaleiros do Zodíaco (mensal) e Dragon Ball Z (quinzenal) e, futuramente, o fenômeno de merchandising Pokémon, todos pela Conrad Editora, que teve a perspicácia de aproveitar o sucesso das três séries nos desenhos animados, para atrair um número enorme de leitores potenciais.

No entanto, não são apenas os mangás “comerciais” que a Conrad está trazendo ao Brasil. Em 1999, a editora lançou o primeiro livro de Gen Pés Descalços, escrito e desenhado por Keiji Nakazawa, uma verdadeira obra-prima da arte seqüencial. Até o momento, já foram lançados três álbuns e o quarto, que conclui a série, deve ser publicado ainda no primeiro semestre de 2001.

Trata-se de um trabalho autobiográfico, que mostra a dura história de vida do garoto Gen (lê-se Güen), o alterego do autor, desde os dias que precederam a destruição de sua cidade natal, Hiroshima, pela bomba atômica, durante a segunda guerra mundial.

O pai do personagem principal, não concordava com o conflito e, por isso, sua família sofreu retaliações de todos os tipos. Seus filhos foram surrados, molestados e tachados como covardes, os alimentos que plantavam foram destruídos e ele próprio foi preso, por “traição ao imperador”.

O traço simples e, na maioria das vezes, engraçado de Nakazawa contrasta com a seriedade dos temas abordados. Logo no primeiro livro, Uma história de Hiroshima, desde as crises familiares, que, invariavelmente, terminavam em surras de seu pai, até a catástrofe que se abate sobre eles quando a bomba é lançada; tudo comove o leitor, de tal forma, que é impossível não pensar como agiríamos se acontecesse algo semelhante conosco, principalmente, por sabermos que tudo ocorreu de verdade! Não é ficção!

O autor não mascara ou “sugere” os fatos ocorridos. Não! Ele escancara a realidade que viveu, de forma nua e crua. Assim, expõe assuntos como fome, dor, suicídio, humilhação, violência, racismo e morte, da maneira como ele viu acontecer.

A saga continua em O dia seguinte, segundo álbum da série, um relato dramático do cenário pós-bomba atômica. Corpos espalhados por todos os lados; pessoas literalmente “derretendo” ou se despedaçando, por causa da radiação; cadáveres sendo incinerados em pilhas, para evitar a proliferação de doenças; gente gravemente ferida sendo sacrificada ou devorada viva por larvas e moscas; entre outras agruras. Como se tudo isso não bastasse, há a derrota “moral” dos sobreviventes.

No terceiro livro da série, chamado A vida após a bomba, as coisas continuam piorando para o garoto Gen. É num cenário apocalíptico que ele tenta reconstruir a vida do que restou de sua família (a mãe e uma irmã recém-nascida), saindo do zero e dependendo de favores. Com a roupa do corpo, recorrem a amigos num vilarejo vizinho, para terem um teto e algo para comer, mas, acontecia com os outros sobreviventes, também são hostilizados e vítimas de preconceitos.

Gen Pés Descalços é considerado um clássico dos quadrinhos japoneses. Ganhou versões para cinema, desenho animado e até mesmo uma ópera. Em 1976, um grupo de jovens (japoneses e estrangeiros) que moravam em Tóquio, criou um projeto para traduzir a obra de Kenji Nakazawa para outros idiomas, para que pessoas de vários países pudessem conhecer esse trabalho. O resultado: a história já foi publicada em mais de 10 países, vendendo cinco milhões de exemplares em todo o mundo e sendo, inclusive, indicada para ser lida nas escolas norte-americanas.

Entre a legião de fãs de Gen, está Robert Crumb. “É uma das melhores histórias em quadrinhos já realizadas. Nakazawa, com certeza, será considerado um dos maiores quadrinhistas deste século”, disse o “papa” das HQs underground americanas.

Quem compactua dessa opinião é o não menos fantástico Art Spiegelman, autor de Maus. Para ele, “Gen é uma dessas raras histórias em quadrinhos que realmente conseguem realizar a mágica: traços em papel que adquirem vida”.

Gen e sua família sendo humilhados
As edições nacionais da Conrad estão muito bem produzidas. Papel de qualidade, acabamento de primeira e boa impressão. O único escorregão – e grave, por sinal – ocorre no primeiro livro, onde todas as vezes que apareceu a palavra “tigela”, ela estava grafada com “j”! Um erro crasso de português, corrigido nas edições seguintes! Também ficou estranha a mudança da fonte utilizada nos balões, no terceiro álbum, mas esse detalhe é basicamente estético.

Nakazawa transferiu toda a sua vivência para os quadrinhos. O incrível é que, apesar de seu sofrimento, ele transmite uma mensagem sem rancores. A sua intenção é apenas alertar a humanidade sobre os horrores que uma guerra pode trazer. Por isso, para definir Gen, com absoluta precisão, basta acrescentar o sufixo “ial” ao seu título! Assim: GENIAL!

Sidney Gusman é editor-chefe do Universo HQ e jornalista especializado em quadrinhos. No dia em que leu o primeiro livro de Gen, havia sido assaltado, pela primeira vez na vida, aos 34 anos (um recorde, numa cidade violenta como São Paulo). Ao chegar à última página, constatou que o seu drama, acontecido algumas horas antes, era absolutamente insignificante…

Maus, o holocausto em quadrinhos
Uma história que mostra ao leitor, de maneira inusitada, com os judeus sendo representados por ratos, os horrores da segunda guerra mundial
por Marcelo Naranjo


A segunda guerra mundial, um dos tantos marcos cruéis na história da humanidade, rende, até hoje, estudos, livros, ensaios e filmagens. Porém, um dos mais marcantes e verdadeiros relatos do que aconteceu em meio à tragédia que teve início na Alemanha foi apresentado ao mundo na forma de uma história em quadrinhos. Maus, de Art Spiegelman, publicado no Brasil pela Editora Brasiliense, em duas partes (formato livro), nos traz um impressionante relato da trajetória de um Judeu em meio à guerra.

O judeu em questão é o pai do autor, que é apresentado na história já como uma pessoa de idade, narrando ao filho sua passagem pela guerra. Portanto, o livro é baseado em fatos reais, um relato detalhado, minucioso até, que nos apresenta tudo em detalhes, inclusive a personalidade das pessoas envolvidas, principalmente do protagonista, mesquinho, avarento e racista, embora inteligente, perspicaz, dotado de uma intuição fantástica e, principalmente, de muita, muita sorte.

Em Maus, mais que os desenhos, o que salta aos olhos é o roteiro. Os personagens são muito bem caracterizados, têm vida própria, pulsante. É difícil permanecer indiferente à leitura desta obra. A crueldade dos fatos é gritante, machuca, incomoda. A qualidade com que o autor associa texto e imagens é tal, que é impossível não imaginar na própria pele a dor, a angústia, o medo e o terror impostos pelos nazistas.

A caracterização dos personagens é um capítulo à parte. Os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos, os americanos como cachorros e os poloneses como porcos. Isso não diminui a grandeza da obra. Pelo contrário! Aumenta ainda mais, pois, além da originalidade, torna a leitura ainda mais fluente. Outro mérito é o humor, muitas vezes ácido e corrosivo, mas sempre inteligente.

Os personagens secundários, alguns com passagens relâmpagos pela história, são marcantes. São diversos fatos ocorridos ao redor do protagonista, em toda sua caminhada no decorrer da guerra. Homens, mulheres, velhos, jovens e crianças, todos jogados a um destino incerto e quase sempre terrível, tentando, de todas as maneiras, possíveis e impossíveis, buscar a sobrevivência através da esperança, uma esperança vã, que não resiste à certeza dos fatos. E a única certeza, para as vitimas dessa guerra, era a morte.

Infelizmente, não posso entrar em maiores detalhes, pois estragaria as surpresas que ocorrem no decorrer da leitura, página após página. Mas devo dizer que é tão envolvente, que não existe a possibilidade do leitor parar a leitura no meio. É um frenesi! Você começa e só parar no final.

Por fim, na minha humilde opinião, toda grande obra fica gravada em nossa memória, e nos faz refletir. “Maus” encaixa-se nessa categoria. Tente colocar-se no lugar do personagem principal, e você entenderá o que quero dizer. Além do que, com certeza, nunca mais você colocará comida no prato e deixará sobras…

Spiegelman foi procurado por diversas vezes com propostas para transformar a obra em filme, porém recusou-se. “Não entendo porque em nossa cultura ninguém parece acreditar que algo não é real, até que seja transformado em filme”, declarou. Em sua opinião, Maus encontrou seu formato ideal nos quadrinhos.

Imprescindível tanto para colecionadores de HQ’s quanto para aqueles que apreciam obras literárias, Maus não deve faltar em nenhuma biblioteca particular que se preze.

Título: Adeus, Chamigo Brasileiro
Uma história da Guerra do Paraguai (Companhia das Letras)


Autores: André Toral (Roteiro e desenhos)
Preço: R$ 35,00
Data de lançamento: 1999

Sinopse: A Guerra do Paraguai é um dos mais importantes capítulos da história do Brasil. Nesse álbum, André Toral mostra como esse evento mudou drasticamente a vida de várias pessoas. É interessante notar que o autor cria várias tramas paralelas, alternando o foco da narrativa em vários personagens, de acordo com a trama. No final, ele converge todos para um ponto comum, arrematando a história com maestria.

A sordidez da guerra é mostrada em detalhes. Nordestinos eram “convocados” para o combate, na marra (ou iam ou morriam nas mãos dos policiais); mortes em batalhas sangrentas; e até uma aliança entre dois sobreviventes inimigos – um brasileiro e um paraguaio -, para que ambos pudessem sobreviver.

Positivo/Negativo: Trata-se de um belíssimo trabalho de pesquisa de André Toral. No final do álbum há várias páginas de texto com a história, a iconografia e a cronologia da Guerra do Paraguai. Um adendo fundamental para a melhor compreensão da trama.

Além do mérito de contar um capítulo de nossa história, os desenhos estão belíssimos! Parecem feitos com lápis de cor, efeito conseguido pelo fato de o autor não ter usado nanquim na artes.

De negativo, só o letreiramento. A fonte é apropriada, mas, em várias páginas, sobraram grandes espaços em branco nos balões e recordatórios, comprometendo o visual e deixando um tremendo “vazio” nas artes.

Tesouro à vista: onde?
Nos Quadrinhos da Índia…

Por Sonia Bibe Luyten


Se os portugueses chegassem à Índia, quinhentos anos após ter sido “descoberta” pelos navegadores lusos, em 1498, encontrariam muitos tesouros ainda não suficientemente conhecidos pelo mundo ocidental.

Entre estes tesouros, figura uma florescente produção de Histórias em Quadrinhos. Isto pode, à primeira vista, chocar certas pessoas que ainda não consideram os “comics” como uma Arte e, ainda por cima, não gostariam de colocá-los na categoria de tesouro dentro do legado cultural hindu.

No entanto, este tesouro existe. Imaginem só 80 milhões de cópias e 650 títulos diferentes, de uma só editora, que foram, e ainda são publicados e lidos, tanto na Índia como em países onde há grandes contingentes de hindus.

Quando eu falava, nos anos 70 e 80, da produção milionária do Japão, ninguém acreditava. Hoje, porém, com os mangás e animês mais próximos do Ocidente, não há quem duvide destas afirmações. Com a Índia é a mesma coisa.

A produção de quadrinhos na Índia, enquanto “produto” dos meios de comunicação de massa é recente, datando de 1969. Isto não quer dizer, porém, que a Índia não tenha uma longa tradição na arte de contar histórias em imagens seqüenciais.

Boa parte desta arte seqüencial narrativa encontra-se estampada em tiras de couro ou de tecido, que os contadores de histórias da antiguidade hindu levavam consigo em suas andanças pelo país. As que mais se aproximavam das Histórias em Quadrinhos atuais eram as tiras pintadas que evocavam as histórias de Ramayana e Mahabharata, originalmente escritos antes da era cristã e que são compostos de mais de 24 mil versos. Ambos foram os grandes inspiradores para os desenhistas. Os temas inspirados no Ramayana e no Mahabharata são, em sua maioria, desconhecidos para o leitor habitual dos quadrinhos do Ocidente. Ramayana quer dizer, em sânscrito, a história de Rama, e narra o nascimento e vida deste príncipe, a sétima encarnação do Deus Vishu, além de contar em detalhes como conseguiu a mão da princesa Sita em casamento.

Já o Mahabharata, que em sânscrito quer dizer “A grande história”, é o mais longo dos dois poemas. O tema central é uma disputa entre duas famílias nobres pela posse de um reino no norte da Índia.

O QUE TEZUKA OSSAMU, O MÉDICO, E ANANT PAI,
O ENGENHEIRO QUÍMICO, TÊM EM COMUM?

A figura de Tezuka Ossamu, chamado no Japão como “deus dos mangás”, é idolatrada por tudo que fez aos quadrinhos japoneses. Sua família queria que ele fosse estudar Medicina, mas, depois de se formar, voltou-se para aquilo que mais gostava de fazer: desenhar. Graças a Tezuka, os mangás tiveram inovações tanto no conteúdo como no estilo que caracteriza o moderno quadrinho japonês.


Anant Pai, na Índia, sai do anonimato como engenheiro químico e entra para a história como grande inovador dos quadrinhos. A fórmula desta química de Pai foi bastante simples. Reuniu desenhistas hindus e propôs perpetuar a mitologia de seu povo em forma de revistas em quadrinhos. Ele chegou a esta brilhante conclusão em 1967, quando estava no cruzamento de duas importantes ruas de Nova Delhi, esperando o farol se abrir para passar, conforme conta: “No cruzamento destas duas ruas havia uma loja de aparelhos eletrônicos com uma TV ligada. Nesta havia um programa com uma competição entre estudantes de duas escolas. Uma das questões era qual o nome da mãe de Rama e ninguém soube responder. A outra era sobre o nome dos deuses do Monte Olimpo e todos tinham a resposta na ponta da língua. Esta espécie de ignorância era alarmante. E eu senti que devia fazer alguma coisa…”.

E fez mesmo!

As crianças hindus, até a década de 70, liam histórias em quadrinhos importadas e, durante o tempo de dominação britânica, os valores culturais ocidentais estavam mais presentes no imaginário infantil do que as próprias tradições locais. Anant Pai, também jornalista por convicção, observando o sucesso das histórias estrangeiras, quando trabalhava no Times of India, vendeu a idéia de se publicar temas nacionais para a editora India Book House, radicada em Bombaim. O primeiro título, Krishna, o menino-deus da mitologia hindu, inaugurou a grande façanha editorial.

Desta forma, os deuses voltaram, outra vez, a povoar a vida das crianças e dos adultos, através das centenas de títulos sugestivos da coleção Amar Chitra Katha, que quer dizer “histórias imortais em desenhos”.

O que nunca faltou no enredo destas histórias foi a ação, ingrediente básico para uma boa HQ: batalhas, intrigas divinas, destinos cruzados, mitos que já estavam perpetuados desde a antigüidade, como as histórias baseadas no Ramayana, Mahabharata, a vida de Khrisna, dos gurus, dos valentes reis, príncipes e princesas da antiga Índia, chegando-se até Gandhi e outros heróis e mártires da independência. E tudo revivido com uma nova roupagem.

As histórias de maior sucesso foram reeditadas inúmeras vezes; outras, agrupadas em edições especiais, percorrendo-se um longo caminho de sucesso. Na década de 80, as vendas chegaram a um milhão de cópias, preenchendo o grande vácuo que existia na produção de histórias em quadrinhos nacionais.


A India Book House, após exaurir os temas mitológicos, parte para uma nova coleção, a Tinkle, voltada mais para temas educacionais, com ênfase na cultura contemporânea, mesclando humor e ciência, para atrair novos leitores.

Trilhando o sucesso temático, outras editoras também lançaram suas coleções. A Dreamland Publications, radicada em Nova Delhi, lança uma série com o mesmo nome. A Diamond Comics, da mesma cidade, segue uma linha editorial com histórias ilustradas dos clássicos e também revistas com o formato de livros de bolso, com histórias em quadrinhos voltadas mais para novos personagens e super-heróis. Já a Jaico Publishing House, de Bombaim, lançou alguns títulos tradicionais no mercado em mini-formato, sob o nome da coleção Weva Chitra Katha.

Baseados nos temas de Amar Chitra Katha, outras editoras radicadas na Índia passam a publicar novas revistas voltadas para o público residente no exterior, com mais explicações didáticas sobre os personagens, o enredo e o contexto cultural. Desta forma, o grande contingente de hindus (e seus descendentes) espalhados pelo mundo aprendem, de forma divertida, tudo sobre os seus deuses, príncipes e princesas de seu País.

A coleção Chakra, do Cultural Institute for the Vedic Arts, sediada em Nova York, além de ser distribuída na África do Sul, Ilhas Maurício, Quênia, Canadá e Estados Unidos, faz inovações numa diagramação mais dinâmica, no estilo das histórias em quadrinhos japonesas e, didaticamente, oferece explicações desde significado do seu logotipo Chakra, até um roteiro completo sobre os personagens mitológicos das histórias.

Na Índia dos anos 90, além das histórias em quadrinhos que evoluíram de temas mitológicos para outras categorias, nota-se uma imensa produção diária de cartuns políticos nos jornais. É um dos poucos países da Ásia onde os artistas não hesitam em satirizar os líderes políticos e criticar a posição da Índia no cenário político mundial, inclusive com os testes de bombas atômicas.

Mas este é um assunto que continua numa outra coluna…

Sonia M. Bibe Luyten é a autora dos livros: O que é Histórias em Quadrinhos, Histórias em Quadrinhos – leitura crítica e Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. Sua coleção, com revistas de países do mundo inteiro, é de deixar qualquer um maluco. Mas o melhor, mesmo, é que, mensalmente, ela vai estar passando um pouco desse seu conhecimento pros leitores do Universo HQ.

SAÚDE

Zeca & Nico vão ao veterinário


Lendo o site do Bigorna hoje cedo encontrei um dica excelente de HQ para download: Zeca & Nico vão ao veterinário. A revista tem de 6 páginas e foi criada por Bira Dantas e mostra o cãozinho Nico morrendo de medo de ser vacinado contra a raiva; o menino Zeca, dono de Nico, precisa convencê-lo de que a prevenção contra doenças é importante para todos.

Esta HQ pode ser usada na sala de aula, no estudo de doenças e sua prevenção. A dica é propor aos alunos que também produzam suas próprias HQs falando sobre doenças e as melhores maneiras de evita-las. Seria uma forma de avaliação bem criativa e estimularia os alunos a pesquisarem e se inteirarem mais sobre o tema.

HQ leva esclarecimento sobre a Hanseníase

Já conheço o trabaho da pesquisadora Karina Cabello, por contatos que já fizemos via e-mail, mas eu me deparei, por acaso com esta nota, enquanto fazia minhas habituais pesquisas sobre quadrinhos, na internet. Achei ainda mais legal, depois de ter mais detalhes. Vale conhecer a iniciativa e verificar como o uso das HQs pode ser abranger as mais diversas áreas.


Hoje curável em 100% dos casos e com tratamento gratuito disponível para a população, a hanseníase ainda carrega o estigma e o preconceito que levaram seus portadores ao isolamento durante séculos. A falta de informação sobre a doença é um dos fatores que levam o Brasil a ocupar a triste quinta posição entre os nove países endêmicos listados pela Organização Mundial de Saúde em 2005. Com o objetivo de contribuir para vencer o preconceito através do esclarecimento, o Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) desenvolveu uma história em quadrinhos sobre a doença tendo como público-alvo alunos do ensino fundamental.

A iniciativa é fruto do trabalho da bióloga Karina Saavedra Acero Cabello no curso de especialização no Programa de Pós-Graduação em Ensino em Biociências e Saúde do IOC, orientada pelo pesquisador Milton Ozório Moraes. O material surgiu com a idéia inicial de uma simples cartilha e ganhou forma. “Eu mesma comecei a rascunhar os desenhos e, aos poucos, percebi que uma história em quadrinhos era mais dinâmica e atrativa para as crianças. Queria que elas aprendessem sobre a doença de uma forma divertida”, explica a bióloga, que contou com a colaboração do ilustrador Bruno Esquenazi, do Setor de Produção e Tratamento de Imagens do IOC. “Esta parceria foi de vital importância, pois o Bruno deu uma excelente formatação aos desenhos.”

A história em quadrinhos narra a divertida aventura de dois amigos que, ao encontrarem uma coleguinha que tem manchas brancas na pele, são levados pelo Micobac (personagem criado com base na Mycobacterium leprae, bactéria causadora da hanseníase) a uma viagem imaginária pelo interior do corpo humano. Lá, conhecem mais sobre a doença e conversam com um macrófago, que fala sobre suas atribuições no organismo. De forma divertida e clara, o roteiro informa e esclarece sobre a doença.

Para o mestrado desenvolvido no mesmo programa, a bióloga aplicou o trabalho em três escolas da rede pública e privada. “O objetivo foi conhecer o impacto e ver como as crianças receberiam o projeto. Pude comprovar nessa trajetória que o preconceito ainda é muito forte”, avalia. Antes da introdução da história em quadrinhos, um questionário foi realizado com professores e alunos das escolas escolhidas para dar a dimensão do quanto conheciam sobre o tema. A aplicação foi iniciada com alunos de uma escola privada no Rio de Janeiro. “Trabalhamos a história e depois fizemos uma discussão em grupo. Os alunos foram muito receptivos e não se restringiram a responder o que eu perguntava, também fizeram muitas perguntas. Superou as expectativas”, Karina comemora.

A aplicação na rede pública de ensino foi realizada em escolas de Itaboraí, no interior do estado. Considerada uma região endêmica, o município abriga o Hospital Estadual Tavares Macedo, especializado no atendimento da doença. Na primeira tentativa, a maior parte dos pais dos alunos da escola escolhida relutaram em autorizar a participação dos filhos no projeto. “Dos cem questionários prévios enviados, recebi apenas 20 de volta. Foi um choque para mim”, dispara Karina, que preferiu não prosseguir o estudo nesta instituição. Em outras duas escolas, uma próxima e a outra distante do hospital, a timidez dos alunos ao falar sobre o assunto foi uma característica comum. “Os alunos ficaram sem graça e eu senti que não estavam à vontade. A diferença é que os alunos da escola mais próxima ao hospital sabiam mais sobre o tema, enquanto que os da escola mais distante tinham o mesmo nível de conhecimento dos que o da instituição privada”, considerou.

Outro aspecto importante levantado pelo estudo é que temas como a hanseníase não são abordados por professores de ciências, mesmo em uma região endêmica como Itaboraí. “Conversei com coordenadores pedagógicos e professores e todos confirmaram que não trabalham o tema em sala de aula. Como as crianças irão saber que a doença tem cura?”, indaga a bióloga, ressaltando que os pais também contribuem para que o preconceito ainda exista. “A criança é prejudicada, já que os pais alimentam este preconceito, passado dentro de casa”, conclui. Karina foi convidada pelo Programa de Hanseníase de Itaboraí para dar continuidade ao trabalho de divulgação e esclarecimento, não só através da história em quadrinhos, mas também treinando e capacitando agentes de saúde para atuar na região.

Hq educacional ensina a prevenir o câncer


Um material muito bom para ser trabalhado nas aulas de biologia e ciências está disponível para download pelo linkhttp://www.hqemfoco.com.br/uro/uro.zip . Trata-se de uma hq criada para informar sobre o câncer de pênis. A notícia saiu no site especializado em quadrinhos Bigorna. Segundo o site, a HQ Jogue limpo com seu amigo foi criada para o Projeto Urologista Cidadão da Sociedade Brasileira de Urologia por Daniel Esteves (roteiro), Bira Dantas(desenhos e arte-final) e Wanderson Souza (cores digitais). A história de 12 páginas alerta para os perigos do câncer de pênis, doença que atinge muitos homens nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Ela conta com personagens bem regionais e, apesar do bom humor, trata o assunto com muita seriedade.

Experiência de ensino: A turma da Mônica e a matemática

A professora Roseane Peres Rocha está tornando as avaliações de matemática uma gostosa brincadeira para os alunos da 5ª série do Ensino Fundamental da E. M. Jutith Lintz Guedes Machado. Ela está utilizando tirinhas da Turma da Mônica para montar problemas matemáticos e desafiando os alunos a fazerem o mesmo. Esta experiência está sendo colocada em prática há aproximadamente um mês e tem dado ótimos resultados.
Segundo a professora, os alunos prestam muito mais atenção aos problemas quando eles são apresentados nas tirinhas. A professora ainda destaca que é interessante o fato dos alunos se preocuparem com pequenos detalhes quando preenchem os balões: “Eles colocam a fala errado do Cebolinha e sublinham as palavras que estão erradas”. Roseane dá uma dica: ela usa os quadrinhos com balões em branco que ela retira do site http://www.4shared.com/. Ela vai em shearch files e digita quadrinhos. Lá há diversos documentos em word e pdf. É de lá que ela tira o material que usa em suas aulas.

Mangá ensina matemática


Uma contribuição da minha amiga Valéria Fernandes (http://www.shoujohouse.clubedohost.com) para os professores de matemática interessando em trabalhar com quadrinhos.

Enquanto uns se preocupam com os clássicos, no Japão os mangás são usados para educar. Claro que existe a discussão. De acordo com o Comi press (http://comipress.com/news/2007/04/09/1788), o governo japonês autoriou o uso de mangá nos livros de matemática do ensino médio no ano de 2006. Alguns especialicialistas acham que mangá não combina com matemática ou com ciência e que há muito mais mangá do que teoria nas publicações posteriores à permissão.

O livro criticado contém uma história que começa com 5 estudantes pegando um livro didático. Depois que um deles rasga uma página sem querer, o matemático grego Arquimedes aparece e os leva por uma viagem pelo tempo e por diferentes lugares, como as Grandes Pirâmides e os palácios europeus e lá os alunos são confrontados por problemas de matemática apresentados por diferentes pessoas, como um cortesão europeu, um nativo americano e um samurai. Os alunos só poderão voltar para casa depois de resolverem todos os problemas contidos no livro.

E os críticos acham que falta “caráter educativo” a este material… De acordo com os “educadores” do comitê que pretende reprovar o livro, as ações e os problemas no livro não casam e que eles não conseguiram “entender” o quadrinho. Desconfio porquê… Já o responsável pela edição, diz que tentaram fazer um livro que fosse agradável e educativo mesmo para os alunos que não fossem bons ou gostassem de matémática. Eu acredito nele.

Hqs e matemática

A pedido das professoras de matemática da E M Judith Lintz Guedes Machado (em especial a Neusa), estou disponibilizando alguns textos e dicas sobre o uso das hqs em matemática e outras ciências exatas. Segue o primeiro, retirado do www.cosmohq.com.br.

Matemática das HQs

Proporções, percentagens e até mesmo frações. Tudo isso é possível de ser ensinado ou, pelo menos, fixado por meio de exercícios práticos com histórias em quadrinhos. Como? Bom, primeiro basta mostrar ao aluno que é impossível desenhar a história no tamanho que ela é lançada. Na verdade, todo quadrinhista que se preza produz sua história em um formato bem maior do que aquele que acaba sendo publicado na revistinha ou nas páginas de jornais, afinal, é preciso desenhar uma série de detalhes que, por mais que sejam visíveis no tamanho publicado, seriam impossíveis de fazer naquele espaço. Ou seja, uma história é produzida em um tamanho maior e depois disso acaba sendo reduzida proporcionalmente para que seja publicada. O professor pode mostrar, então, uma tira de jornal (normalmente publicada com 14,5 de largura com 4,5 de altura) e explicar aos alunos que ela foi produzida em formato maior. Suponha, por exemplo, que um quadro de 4 cm de altura por cinco de largura, por exemplo, pode ter sido feito originalmente com 8 cm. por 10 cm.; 16 por 20 e assim por diante. Pode-se mexer aqui com proporções, porcentagens (o original é 100% maior, 200% maior e assim por diante) e até frações, mostrando a similaridade entre 20/16, 10/8, 5/4 e assim por diante. Um exercício que pode se propor aos alunos é pedir que produzam suas próprias tiras. O professor pode determinar o tamanho em que a tira seria publicada e pedir a cada aluno que produza uma tira em uma determinada proporção – duas vezes maior ou 35% maior e assim por diante. Ele pode pedir, anda, que o estudante verifique o tamanho da letra usada nos balões da tira original e que siga a mesma proporção na sua tira (afinal, a letra também é reduzida na publicação e, se o quadrinista não leva isso em conta, o diálogo vai ficar ilegível).
Segue, também, link com diversas questões de Questões de Ciências da Natureza & Matemática – UERJ: http://www.cbpf.br/~eduhq/html/questoes/questoes_uerj_ciencia_natureza_e_matem.htm

SUGESTÕES

Um olhar especial sobre a infância


Com a honestidade da perspectiva infantil, falar da criança como o ser inteligente e crítico que é, capaz de discutir o comportamento adulto.
E junto com o Lucas, discutir o relacionamento do mundo adulto com a infância, talvez o único momento da vida em que somos quem nascemos para ser, sem tantas máscaras sociais, sem tantos preconceitos…

O Fala Menino! nos conta de diferenças físicas ou sociais, de superação de limites, de inclusão, de RESPONSABILIDADE SOCIAL com a naturalidade das lições que apenas a infância sabe dar.
Os Livros Fala Menino!, com texto e arte premiados de Luis Augusto, falam de respeito à infância e sua relação com o mundo adulto, de diferenças, inclusão social e sonhos, de uma maneira tão divertida, sincera e sensível que gente de todas as idades apaixona-se pelo Lucas. Por seu jeitinho gostoso de viver, crescer e discutir tanta coisa séria, como só criança sabe fazer.

Coleção Diário de Lucas

Livros ilustrados, ricamente coloridos, onde Lucas, o menino de quaze dez anos que não sabe falar, nos apresenta seus amigos e suas idéias sobre cidadania, diferenças e inclusão, sexualidade, gravidez na adolecência, entre outros temas, em episódios recheados de aventura e carinho.
O primeiro livro desta coleção – Lucas – foi distribuido pelo MEC para 36.000 escolas públicas em todo o pais!


Lucas
Lucas, menino de quase dez anos que não sabe falar, nos apresenta sua família e seus amigos e reflete junto conosco como cada diferença de cada um enriquece o grupo numa emocionante e divertida história inclusiva

Sonhos de Ícaro
Lucas sonha com um menino de asas postiças que aparece para lhe mostrar que tudo é possível para quem não tem medo de tentar. Uma aventura sobre sonhos e cidadania.
Dureza
Felipe, primo adolescente do Lucas, chega e traz consigo muitas questões sobre o que é a puberdade e o significado de crescer. Tudo isso enquanto a turma se prepara para mais um campeonato de futebol de botão.

Filho de Peixinho
Com sensibilidade e bastante maturidade para seus quase dez anos de idade, Lucas nos conta como é crescer filho de pais adolescentes. Os dramas e as aventuras de ser pai e mãe quando mais precisavam ser filhos.

Cada livro desta coleção apresenta mais de 200 tirinhas com o Lucas e seus amigos. Intolerância, preconceito, cidadania, escola, separação de pais, entre outros temas importantes, são abordados com humor e lirismo em meio às brincadeiras e descobertas desta turma de meninos e meninas que continua crescendo.

E a Conversa Continua…
ISBN: 85-99007-03-3
Número de páginas: 111
Lançamento: 2000

Asas da Imaginação.
ISBN: 85-99007-01-7
Número de páginas: 111
Lançamento: 2002

Fazendo Arte.
ISBN: 85-99-007-05-X
Número de páginas: 111
Lançamento: 2003

Ouvindo Estrelas.
ISBN: 85-99-007-26-2
Número de páginas: 191
Lançamento: 2005

Inocente, até que se prove o contrário.
ISBN: 978-85-99007-33-4
Número de páginas: 191
Lançamento: 2006

Coleção Papo Sério
Cada cabeça é um mundo

Mateus é o irmão mais novo de Lívia e um menino muito interessante. Junto com o Lucas você descobrir o que é o autismo. Uma história inclusiva com Mateus é o irmão mais novo de Lívia e um menino muito interessante. Junto com ele, Lucas e a gente, vai descobrir o que é o autismo. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Abra os olhos que eu vou falar
Lucas nos apresenta Mirela e Pedro Souza que, além de grandes amigos, são surdos e sabem falar com as mãos! Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Olhos de ver
Lucas nos apresenta Rafael, amigo gordinho e divertido, que, além de goleiro e um ótimo escultor, é cego! Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Se essa rua fosse minha
Diogo e Esmolinha são crianças que vivem na rua onde Lucas mora. Junto com ele, vamos conhecer mais sobre essa realidade que faz tanta gente fechar as janelas dos carros. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Rodas gigantes
Caio é um intelectualzinho de seis anos de idade. É com ele, na sua cadeirinha, que Lucas aprende que, tantas vezes, o corpo humano é formado por cabeça, tronco, membros e… RODAS. Uma história inclusiva com humor e reflexões

Que droga!
Lucas reencontra seu primo Felipe (do livro “Dureza”) que traz uma história muito triste e importante sobre drogas e outros vícios… Uma história sobre a importância do diálogo franco e do coração aberto.

Tive um sonho
Junto com Lívia, sua amiguinha sonhadora, Lucas faz uma reflexão sobre a violência e o que cada um de nós pode fazer pela paz.

Tem dias que a gente se sente
Lucas reflete sobre a exploração do trabalho infantil.

Acredite se quiser
Lucas e Leandro, seu amigo do peito, refletem sobre tolerância religiosa e as diferentes formas de acreditar… ou não. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Lápis de cor
Lucas, ao lado de Martin e Winnie, reflete sobre preconceito racial em pleno século XXI. Uma história inclusiva com humor e reflexões.

Lá do lado de cá, cá do lado de lá
Lucas lembra como foi a separação dos seus pais e o que aconteceu no coração dele e dos seus irmãos.

Igualzinho e diferente
Lucas e seus irmãos gêmeos, Vítor e Gabriel, refletem sobre as vantagens da diversidade social e humana.

Tudo que é bom…
Lucas e Carol discutem o que pode ser feito para a preservação da natureza.


juvenis escritos por Monteiro Lobato. O primeiro é “Dom Quixote das Crianças”. Escrita por Monteiro Lobato em 1936 e que, por sua vez, é uma adaptação de Dom Quixote de La Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Na aventura, Emília, Pedrinho, Narizinho e outros personagens contracenam com o mentalmente afetado cavaleiro andante e seu fiel ajudante Sancho Pança. O lançamento será na Bienal e o preço ainda não foi anunciado. Os próximos lançamentos serão : “O Minotauro”, “Hans Staden”, “Peter Pan”, “Fábulas” e “Os Doze Trabalhos de Hércules”. A série irá se chamar “Monteiro Lobato em Quadrinhos”.

– Outra dica Lançado no Brasil terceiro livro de Scott McCloud sobre quadrinhos “Desenhando Quadrinhos”. Na obra, McCloud narra as informações desenhando a si próprio como personagem de uma história em quadrinhos. Ele usa o mesmo estilo das suas últimas duas obras, “Desvendando os Quadrinhos”, e “Reinventando os Quadrinhos”. Para quem se interessa para o tema (professores, jornalistas, quadrinistas), este autor é uma referência (Não tenho 100% de certeza de que ele estará disponível na Bienal, mas vale a pena dar uma conferida).

– A Panini, a maior editora de quadrinhos do Brasil estará presente com muitos lançamentos. Talvez o mais interessantes seja a edição comemorativa “Marvel – 40 Anos no Brasil”. Uma boa fonte de pesquisa para quem se interessa em conhecer mais sobre o universo dos super-heróis, os preferidos entre os nossos alunos, principalmente adolescentes. Além de aventuras clássicas, ainda há curiosidades e informações que poucos leitores conhecem. Conhecer mais estes personagens ajuda a entender melhor os alunos, pois eles buscam neles valores e aspirações que também são suas.

– A Panini também estará lançando as novidades da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa. Entre elas estão: “Turma da Mônica – Coleção Histórica” traz os primeiros números das revistas “Mônica”, “Cebolinha” (ambas da primeira metade da década de 1970), “Cascão”, “Chico Bento” e “Magali”. “As Tiras Clássicas da Turma da Mônica – Volume 1”, segundo a editora, traz tiras cômicas publicadas no jornal “Folha de S.Paulo” entre 1962 e 1964. Os outros dois lançamentos -uma biografia em quadrinhos de Mauricio de Sousa e uma minissérie de Tina- serão vendidas na bienal por volta do dia 19, segundo a assessoria da editora.
– Entre os lançamentos estão o novo volume das tirinhas de Calvin & Haroldo; BigHatBoy, primeiro manga nacional publicado pela editora e voltado ao público infanto-juvenil; Lugar Nenhum, primeiro romance escrito por Neil Gaiman e a premiada HQ Black Hole, de Charles Burns, vencedora do Eisner Awards (2006), o Oscar da indústria norte-americana de quadrinhos.

Lançamento: Subterrâneo
Por Humberto Yashima


O grupo Edições Subterrâneo acabou de lançar o fanzine Subterrâneo #20 (impresso em preto e branco em uma folha A4, frente e verso, e dobrado de maneira especial, fica no formato A6) que conta com um convidado especial: Daniel Esteves, vencedor do Troféu HQ Mix 2007 na categoria Melhor Roteirista. O premiado autor participa do também premiado fanzine – que ganhou o Troféu HQ Mix 2007 como Melhor Fanzine de 2006 – na criação de uma história que fará todos os personagens do Subterrâneo se depararem com um único mistério: o segredo da Arca de Ciro. Além da costumeira equipe que produz as HQs do fanzine, composta por Will (Sideralman), Samuel Bono (Bucha), Marcos Vensceslau (Piratas), Mario Silva (Bombado) e Márcio Garcia (Derek, o Detetive), esta edição conta com a colaboração de Paulo Mansur, antigo participante do Subterrâneo que retornou como ilustrador convidado para produzir a segunda capa do fanzine (imagem acima, à direita). O Subterrâneo é distribuído gratuitamente em eventos de Quadrinhos; saiba mais aqui ou pelo e-mail subterraneo.zine@gmail.com.

Resenha: Humortífero
Por Humberto Yashima


Humortífero, o mais recente álbum de Quadrinhos do cartunista Marcio Baraldi, realmente justifica a junção das palavras Humor e Mortífero em seu título: as histórias nele reunidas, publicadas na revista Metahead há 11 anos, são “mortalmente divertidas”. O humor contagiante de Baraldi, que não poupa nada nem ninguém, pode ser notado já nos títulos das histórias: Rockorrida Maluca; Almoço com as Estrelas, Vida Privada de Michael Jackson; Roqueiros no Futuro; Nevermind; As Camas dos Roqueiros; Turnê do Supermercado; Inútil (de Ultraje a Rigor); Famílias dos Roqueiros; Revista ROCkARAS apresenta César e Giovana (O casamento mais rock’n’roll do ano!); Quem é mais?; Bandas Pioneiras; Surfista Calhorda; Divina Comédia; Uma Mensagem Diabólica; Gêmeos: Mórbida Semelhança; Drag-Kirk; Ei, você aí, me dá um Wonderwall aí!; Rock (?) in Rio 4; Xô, Satanás!; Heavy Metal Thunder; Bichinhos da Parmarock; Aluga-se (de Raul Seixas); Santa Batida Feia; Como Enlouquecer um Roqueiro; Acenda meu Fogo!…; Os Veículos dos Roqueiros; Zuão Goldo contra o terrível Playboy da Machadinha; Olimpíadas do Rock; A Luxuosa Vida do Roqueiro Brasileiro; Chiquinho Black-Metal; Vai um Pecadinho aí?; Shaaman versus Salim-Babá; Black Reality; 10 Anos de Crazy Legs; Um Grito contra o Senhor da Guerra!; Flagrantes de Nirvana; Flagrantes de Bon Jovi; Flagrantes de Metallica; Flagrantes de Pink Floyd; Flagrantes de Raimundos; e Flagrantes de Elvis Presley.
Roqueiros, “celebridades” e personagens de desenhos animados e Histórias em Quadrinhos são as estrelas de Humortífero; Baraldi usa e abusa de referências a acontecimentos reais que foram amplamente divulgados pela mídia, dando o seu toque especial a situações absurdas. O próprio cartunista e a equipe da revista Metalhead fazem participações especiais em algumas das HQs da publicação, com direito a “foto” do casamento de César (editor da Metalhead) e Giovana (editora da Tattoo). Indicado para os admiradores do trabalho de Marcio Baraldi – e também para quem ainda não for fã, pois vai acabar virando após ler o livro. Falando no Baraldi, ele também lançou o game/DVD Roko-Loko no Castelo do Ratozinger Remix, que traz a mais recente versão do jogo estrelado pelo seu mais famoso personagem e um vídeo com o making of do divertido videogame. Além das novas fases do jogo, outra grande sacada desse lançamento é o DVD que mostra os bastidores da criação de Roko-Loko no Castelo do Ratozinger, com o passo-a-passo da produção do game desde os esboços iniciais até chegar ao produto finalizado. Os comentários de Baraldi, do designer gráfico Sidney Guerra e do programador Richard Aguiar esclarecem tudo sobre o “nascimento” do jogo. Os Extras do DVD trazem as participações de Baraldi nos programas Clip Gospel, Metrópolis, Sleevers, Jornal da Noite, Pra Você, Rock Forever, Game Zone e Fala + Joga, mais um clipe da banda Exxótica cantando A Culpa e o Comercial do Roko-Loko (no qual o personagem é interpretado pelo próprio Baraldi). Para jogar/assistir depois de ler o álbum Humortífero…

Resenha: Brado Retumbante
Por Humberto Yashima


A revista independente Brado Retumbante #5, produzida em Natal-RN pelo Estúdio Reverbo em parceria com a Cooperativa Brado Retumbante, é editada por Lula Borges, que em seu editorial comenta o problema da HQ nacional e fala sobre esse grupo de amigos que resolveu fazer Quadrinhos. Em seguida vem O Duque: A Segunda Lágrima, uma história de ficção científica/fantasia escrita por Fernando Aureliano e (muito bem) ilustrada por Wendell Cavalcanti que tem a vingança como tema principal; o roteiro trabalha com eficiência alguns lugares-comuns nesse tipo de HQ (morte de uma pessoa querida; desejo de vingança, intrigas políticas, etc) e mantém o interesse até o final. A seção Entrelinhas – A História por trás da História traz o ótimo texto Passos de tartaruga… peso de elefante!, no qual Miguel Rude conta um pouco da trajetória das HQs nacionais dos anos 1990 até hoje. WinBlack, com roteiro e arte de Wanderline Freitas, mostra o surgimento de um misterioso herói – aparentemente indestrutível – que cruza o caminho de uma dupla de policiais. O visual do personagem lembra um pouco o do Spawn de Todd McFarlane, mas a história tem potencial.
A seção Quem é Quem na Brado (Especial), assinada por Miguel Rude e Lula Borges, desvenda a origem de Cabala, heroína criada pelos dois quadrinhistas, e antecede a história Dor!, escrita por Miguel Rude a partir de idéia de Rude, Joseniz e Wendell, e desenhada por Wendell Cavalcanti com arte-final de Carlos Alberto. Desta vez, a feiticeira é chamada por um padre – que foi auxiliado por Cabala no passado – para encontrar o autor de violentos assassinatos. Terríveis segredos são revelados durante a investigação e Cabala acaba enfrentando o assassino, nesta HQ que aborda temas “pesados” de maneira exemplar e conta com a excelente arte de Wendell. Encerrando a revista vem o “texto ilustrado” sobre a nova série Os Quânticos, escrito por Wagner Michael, desenhado por Wendell Cavalcanti e arte-finalizado e “tonalizado” (houve aplicação de tons de cinza) por Wanderline Freitas. Pela complexidade de história, essa introdução foi uma boa saída encontrada pelos autores para explicar do que se trata a série. O grande destaque da Brado Retumbante #5 é a bela arte de Wendell Cavalcanti, que ilustrou três das quatro HQs desta edição, além da capa e da 4ª capa. As tramas são bem elaboradas e a impressão da revista é de ótima qualidade; há alguns errinhos de digitação aqui e ali, mas nada que comprometa o resultado final. Boa opção de leitura.

Lançamento: O Gaúcho
Por Humberto Yashima


A SM Editora lançou O Gaúcho #2 (76 págs. de miolo em preto e branco, capa colorida em papel couchê, formato 15 x 21 cm), revista independente editada por José Salles, que reúne mais das clássicas histórias escritas e ilustradas pelo Mestre Julio Shimamoto com o personagem Fidêncio, O Gaúcho. A bela capa (imagem ao lado) foi criada por Shimamoto especialmente para a revista; Edu Manzano produziu uma pin-up para esta edição, que também contém seção de cartas. Essas HQs foram originalmente publicadas no suplemento Folhinha de S. Paulo do jornal Folha de S.Paulo entre 29 de dezembro de 1963 e 23 de agosto de 1964. O Gaúcho #2 custa r$ 6,00 (mais as despesas postais) e pode ser pedido por carta à SM Editora – Caixa Postal 95 – CEP 17201-970 – Jaú-SP ou pelo e-mail smeditora@yahoo.com.br.

Lançamento: Tangos & tragédias em Quadrinhos
Por Humberto Yashima


Tangos & tragédias em Quadrinhos (L&PM Editores, 48 págs., formato 21 x 28 cm, R$ 22,00), de Cláudio Levitan (roteiro) e Edgar Vasques (desenhos), foi baseada na peça Tangos & tragédias, que narra a história de dois músicos – encarnados no Teatro por Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky – nascidos na fictícia ilha chamada Sbórnia. A HQ tem supervisão de roteiro, texto e finalização de Hique Gomez e foi publicada anteriormente pela Sulina (em 1990).

Lançamento: Benjamin Peppe
Por Humberto Yashima


Benjamin Peppe #1 (SM Editora, 24 págs. de miolo e preto e branco, capa colorida em papel couchê, formato 15 x 21 cm), revista editada por José Salles, reúne tiras e HQs do personagem Benjamin Peppe, escritas e desenhadas por Paulo Miguel dos Anjos, que assina seus trabalhos apenas como Anjos. Nas histórias de Benjamin Peppe (criado por Anjos em 1973), o jovem surfista se mete em mil confusões e está sempre acompanhado por uma turma de amigos. Benjamin Peppe #1 custa R$ 5,00 (já incluídas as despesas de envio pelo correio); pedidos pelo e-mail smeditora@yahoo.com.br ou por carta endereçada à SM Editora – Caixa Postal 95 – CEP 17201-970 – Jaú-SP. As revistas da SM

Resenha: Nova Hélade
Por Matheus Moura


Um dos males das HQs brasileiras – discutido no livro O que é História em Quadrinhos brasileira – é a pouca pesquisa para sua feitura. Entretanto não só autores já renomados – vide Spacca – se dão ao “luxo” de fazerem as pesquisas necessárias para suas histórias. Cadu Simões em Nova Hélade #1 (20 páginas, formato 15 x 21 cm, R$ 1,00), construiu um mundo extremamente detalhado e profundo; todo baseado na cultura grega e se inspirando no mundo Cyberpunk do RPG Shadowrun. O zine é aberto com o editorial que expõe as motivações do autor e o que vem a ser esse mundo criado por ele.
Logo em seguida há o texto Nova Hélade, explicitando ao leitor o contexto desse terreno Cyberpunk; após, há a apresentação dos personagens principais e um pequeno texto que dá o gancho para o início da HQ propriamente dita. Tudo isso serve para aprofundar ainda mais a imersão do leitor na história que está prestes a ler. O gancho para a HQ ficou ótimo. Os desenhos de Ângelo Ron estão bons, dando uma boa noção do ambiente onde se passa a história. Há uma boa caracterização dos personagens, apesar de vez por outra haver pequenas falhas na anatomia. O destaque fica para a diagramação dos quadros.

No todo a HQ é muito boa e promete bastante, caso continue da maneira como começou; entretanto os Quadrinhos são muito curtos. Quando a coisa esquenta, acaba. Chega a ser decepcionante. Terminados os Quadrinhos, ainda há mais três textos: A Mega-Polis de Atenas, Hércules ou Heracles? e Pankration; mais uma página de esboços. No todo Nova Hélade agrada como HQ e como fonte de informação da cultura grega. Fica o “gostinho de quero mais”. Para quem quiser conferir o trabalho da dupla, entrar em contato com Cadu pelo email homemgrilo@gmail.com ou pelo endereço: Av. dos Autonomistas, 6.098 – Quitaúna – CEP 06194-060 – Osasco-SP.

Lançamento: Clube dos Heróis
Por Eloyr Pacheco


O jovem editor independente Luiz Gustavo, depois de relançar as edições de 1 a 7 do fanzine Clube de Heróis, anunciou o lançamento da 8ª edição da sua publicação. Em e-mail ao Bigorna.net, Luiz Gustavo informou que foi influenciado a produzir o Clube dos Heróis por Francinildo Sena, criador do Crânio e editor das publicações Crânio e Heróis Brazucas. “Tenho apenas 13 anos e sou fã de Quadrinhos. Moro perto do Francinildo Sena e foi ele que me incentivou e me ajudou a editar o meu fanzine”, comentou ele. Clube dos Heróis #8, que tem capa de Marcelo Salaza, apresenta uma aventura do Felino, escrita e desenhada pelo seu criador Elton Brunetti; traz a Ficha do Herói, e a Galeria de Heróis com Superman, Mulher-Maravilha e Supergirl. Este número tem 16 páginas, formato A5, capa e miolo em preto e branco, e custa R$ 2,00. Pedidos e mais informações: Rua Desembargador Hemetério Fernandes, 229 – CEP 59900-000 – Pau dos Ferros-RN ou pelo e-mail luizgustavorm12@yahoo.com.br

Referências

http://gibitecacom.blogspot.com/

http://www.xaxado.com.br/noticias/noticias01.html

http://www.anime.com.br/

http://www.quadrinho.com/index.php?option=com_content&task=view&id=275&Itemid=1

http://www.bigorna.net/index.php?secao=lancamentos

http://www.ucdb.br/gibiteca/index.php

http://www.mafalda.net/pt/index.php

http://www.cbpf.br/~eduhq/

http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/educa%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsica

http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/esporte

http://www.universohq.com/quadrinhos/beco_01.cfm

http://falamenino.locaweb.com.br/index.html

http://subterraneo.zine.zip.net/

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