História em quadrinhos

O papel do gibi no processo de aprendizagem, na afetividade e nas emoções.
Ronilço Cruz de Oliveira

Este relatório de pesquisa tem como objetivo analisar qual o espaço que as revistas em quadrinhos – gibis, ocupam no processo de aprendizagem, afetividade e emoções da criança, visando basicamente acompanhar as etapas de seu crescimento e desenvolvimento.
A proposta deste trabalho é promover uma leitura critica do gibi, no sentido de proporcionar aos educadores e psicólogos a possibilidades de usarem os quadrinhos como meio de investigação, interpretação e intervenção, principalmente porque os quadrinhos contém uma linguagem prática e colorida, que encanta e desperta na criança o desejo pela leitura, bem como a criatividade e a imaginação, alem é claro de enriquecer seu vocabulário.
Trata-se também da possibilidade de sistematização de uma prática pessoal desenvolvida ao longo de cinco anos, através de um projeto social denominado Gibiteca.
A Gibiteca nasceu em 1995, conta com o apoio da Universidade Católica Dom Bosco e também se constitui num campo de estágio e desenvolvimento comunitário.
Este projeto parte também do encantamento e envolvimento do seu autor com as leituras em quadrinhos.

As histórias em quadrinhos no contexto escolar e acadêmico

Várias pessoas não entenderam no inicio como os gibis iriam fazer parte de instrumento de pesquisa, investigação e atuação em psicologia em uma universidade, principalmente devido ao grande preconceito que até então existia em relação a esse tema. Waldomiro Vergueiro (Núcleo de Pesquisas de Histórias em quadrinhos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 1998) afirma que “Quadrinhos e Universidade realmente nem sempre fizeram uma dupla lá muito dinâmica”. Waldomiro comenta que os intelectuais universitários até pouco atrás tinham a tendência de “amarrar” o nariz para os produtos da indústria de massa. Custaram a aceitar meios de comunicação de impacto mundial incontestável, como o cinema ou o rádio, demorando para acreditar que eles pudessem apresentar um objeto de estudo digno para os bancos acadêmicos ou que pudessem oferecer como resultado verdadeiras obras de arte.
A ciência, em conseqüência a universidade, tem que se ocupar apenas com coisas importantes e que levem a pensamentos profundos, diziam os intelectuais (e muitos ainda dizem). “Gibi”? Isso é coisa de criança. É totalmente supérfluo, que se lê e joga fora. Como se pode dar valor para algo que é produzido aos milhares, em “papel vagabundo”, cheio de desenhos de gosto inacreditáveis, de personagens que usam roupas espalhafatosas? Até pode representar um produto interessante para os outros, mas… enfim, história em quadrinhos não é coisa séria”, afirma Vergueiro (1998, Pag. 78). E com isso colocavam um ponto final no assunto. As historias em quadrinhos, definitivamente, não pertenciam ao ambiente universitário.
Felizmente isso mudou um pouco, afirma Vergueiro, porém, nem todo o ranço acadêmico foi eliminado, é claro, mas já é mais fácil encontrar-se, nas universidades do mundo inteiro, professores interessados nas histórias em quadrinhos, que realizam e orientam pesquisas, ministram disciplinas sobre elas e realizam um contato muito frutífero com produtores e consumidores desse meio de comunicação de massa, ajudando a ampliar a compreensão sobre as particularidades e potencialidades do meio.
Este movimento de absorção das histórias em quadrinhos pelo ambiente acadêmico começou em fins da década de 60 e início da de 70, quando alguns interessaram-se pelo assunto e passaram a abordá-lo sob o ponto de vista semiológico, histórico, estético, etc. A partir daí, as historias em quadrinhos passaram a ser um pouco melhor vista pelos acadêmicos.
Segundo Waldomiro Vergueiro o Brasil de uma certa forma, foi pioneiro nesse aspecto, pois foi aqui que mais precisamente na Universidade de Brasília, que foi criada a primeira disciplina sobre Histórias em Quadrinhos em um curso de graduação, ministrada pelo professor Francisco Araújo, que até hoje continua trabalhar com esse assunto em curso de terceiro grau. Foi no Brasil também, que uma das primeiras pesquisas sobre quadrinhos foi realizada em ambiente universitário, coordenada pelo professor José Marques de Melo, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foi nessa mesma escola, ligada ao Núcleo de Pesquisas em Histórias em quadrinhos, que surgiu mais de 20 anos depois, o primeiro curso de Especialização em Quadrinhos, durante a década de 90 (que infelizmente, deve curta duração).
A universidade pode representar um ambiente privilegiado para a criação de quadrinhos, principalmente poder trabalhar com aspectos de vida do povo brasileiro, podendo promover uma ampla avaliação do pensamento, expressar sentimento e principalmente sendo válvula de escape para a criatividade e emoções dos alunos.

O papel do Gibi no processo de aprendizagem, nas afetividades e emoções.

Vivemos em uma sociedade onde as coisas acontecem muito rápidas, onde os computadores invadem nosso cotidiano de forma extraordinária, e as pequenas coisas às vezes são deixadas de lado e esquecidas. Precisamos redimensionar o “brincar”, voltar a fantasiar, que para o professor Fontoura (1970,Pag 102), chama-se fase fantasista ou animista da criança (3 a 7anos), que é a tendência de dar alma aos seres inanimados e aos animais (do latim anima, significa alma). Fontoura afirma que a fase fantasista sempre foi parte integrante da vida do homem primitivo, que via sempre nos animais, nas plantas, nas forças da natureza (tais como o raio, o trovão, a lua, o eclipse) expressões de sorte ou de desgraça. Então, segundo o autor, a criança repete os homens da antigüidade e os nossos selvagens: ela é profundamente animista; conversa com os animais, com as bonecas, com os objetos que a rodeiam. De uma caixa vazia faz um navio, que, no momento seguinte, será uma casa ou um carro.
Estas construções míticas da criança são conhecidas por vários nomes: “síntese fantasista”, “capacidade de fabulação”, “exaltação da imaginação”, “mitomania”, etc.
Todo esse animismo, segundo Fontoura (1970), propicia a criança a criação de um mundo à parte, para elas, impedidas, pela falta de idade, de penetrarem no mundo adulto, então elas criam o seu próprio mundo, inconscientemente onde vivem felizes.
Fadas, duendes, animais que falam, gigantes, super-homens, mônica, cascão, cebolinha, mickey e outros, tudo isso existe realmente no mundo da criança. Através da capacidade de fantasiar a criança se afirma, realiza seus desejos, supera suas incapacidades.
O gibi de uma certa forma é um grande elo de ligação entre o meio interno e externo da criança. É através do Gibi que começamos a entrar em um mundo “mágico” da leitura e da fantasia, a imaginar e estar frente a situações presentes em nossas vidas. Como afirma PIAGET, “não existem fronteiras entre o mundo objetivo e o mundo subjetivo da criança”, (Psicologia Educacional, pag 93). A criança não possuindo experiência da vida e sendo pequena sua capacidade de raciocínio, a criança preenche essas duas lacunas com a imaginação. Ela não sabe como as coisas são: então, imagina-as. Essa com certeza é a causa do enorme desenvolvimento da imaginação infantil.
A partir do gibi a criança começa a despertar o interesse pela leitura e melhorar a criatividade, a sensibilidade, a sociabilidade, o senso crítico e a imaginação criadora, além e claro de aprender o português (Dinorah, 1995).
A criança faz duas leituras do gibi, uma das figuras – onde imagina os diálogos, sem se importar com que esta escrito. A medida que a criança começa a entender a leitura ela começa a ler e entender os quadrinhos, porém jamais deixando de imaginar e adivinhar.
Hoje em dia encontramos gibis em salas de aulas, onde percebemos a importância do mesmo na aprendizagem da criança, porém nem sempre foi assim, pois os quadrinhos eram considerados prejudiciais, pois fazia uma espécie de “antileitura”, mas aos poucos a experiência mostrou que, longe de ser prejudiciais, os gibis podem ser um gostoso incentivador da leitura, “as imagens ajudam as crianças em fase de alfabetização a compreender o texto que estão lendo”, afirma Alice Vieira, professora e coordenadora do laboratório de leitura da Faculdade de Educação da USP (2000, Pag 83).

Gibi é literatura?


“O livro ou o gibi é aquele brinquedo,
por incrível que pareça,
que, entre um mistério e segredo,
põe idéias na cabeça”
(Em poesia sapeca, L&PM Editores, Porto Alegre, RS)
Carlos Drumond de Andrade assim se expressou sobre o tema (O livro Infantil e a formação leitor, pag 27) :
“O gênero literatura infantil tem, a meu ver, existência duvidosa.
Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de se constituir alimento para o espírito da criança ou jovem e se dirige ao espirito adulto? Qual o bom livro de viagens ou aventuras destinado a adultos, em linguagem simples e isento de matéria de escândalo, que não agrade a criança?”.
Já Cecília Meireles, criadora e mestra, afirma: “A literatura infantil melhor é a que as crianças lêem com prazer”, (O livro infantil, pag 29).
Alceu Amoroso Lima, afirma que “Se a criança perceber desde logo que a leitura é apenas uma forma de educação, e, portanto, mais um empecilho à sua liberdade, não há como lhe impedir a repugnância espontânea a essa nova limitação”.
Podemos então concluir que literatura para criança é aquela que ela gosta de ler, ou seja, o gibi é considerado um livro de literatura a medida que a criança goste de ler. Devemos dar a liberdade para a criança escolher aquilo que quer ler, jamais ser imposto. A criança gosta de ler o gibi porque pensa que é uma brincadeira, um jogo, mas se ela descobrir que esta desenvolvendo técnicas de leitura a mesma pode até deixar de lado o gosto de ler o gibi.
Jogo e brinquedo para Rabelo (1996, pag 67l) são sinônimos, aliás, em francês jouer tanto significa “jogar” como “brincar” e em inglês to play significa igualmente ambas as coisas.
A criança gosta de gibi porque é um jogo de imaginação. Como diz Rabelo, “o brinquedo é a atividade fundamental da criança”. E acrescenta: “é o brinquedo a grande expressão da vida da infância”.
Walt Disney e Maurício de Sousa e a identificação
com os personagens
Devemos despertar nosso interesse pelas diferenças dos gibis brasileiros (Maurício de Sousa) e dos americanos (Walt Disney), onde podemos observar que os do Maurício possui uma linguagem simples e voltada a coisas do dia-a-dia, relacionada a afetividade. Maurício de Sousa da importância ao elo familiar, das coisas simples da vida e da identificação do personagem com aquilo que fazemos. Como afirma Maurício de Sousa na revista Família Cristã (Ed. 778, pag 10): “Faço estórias que sei fazer, com personagens infantis e para um público infantil. Assim, não é de se estranhar que as crianças que estão aprendendo a ler se interessem por personagens de historinhas parecidas com as que elas vivem . Afinal, há uma inevitável identificação. Basta lembrar: quem de nós nunca foi criança como Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, Franjinha etc?. Quando atingimos esse ponto de identificação e de qualidade, devemos ter cuidado para manter nosso público”.
Um exemplo é o personagem Chico Bento, que vive em um lugarejo muito parecido com nossa realidade, onde encontramos uma vila de casas, uma escola, amigos e animais de estimação e acima de tudo uma família ; o Cebolinha tem pai, tem mãe e uma irmã, etc. Já os gibis americanos – Walt Disney, possui uma descaracterização total em relação à família dos personagens, pois não existem famílias completas, onde podemos perceber por exemplo o Pato Donald, que mora em companhia de três sobrinhos (Huguinho, Zezinho e Luizinho) que ninguém sabe onde estão seus pais e quem são. Pato Donald namora a Margarida há muito tempo, cada um vive em uma casa – parece uma “amizade colorida”.

Os personagens, a identificação e sua importância na afetividade:
Como trabalhar com os gibis?


É interessante quando falamos em personagens de estórias em quadrinhos e como as crianças se identificam com eles. Podemos trabalhar de diferentes formas e temas com os personagens. Partindo da personagem chave da Turma da Mônica, onde a própria Mônica possui um título de “Dona da rua” por possuir um temperamento forte, que não aceita desaforos e “joga seu coelhinho” em quem tentar passar pelo seu caminho. Podemos trabalhar com as crianças no sentido de tentar coloca-las no lugar da personagem, ou seja, de que forma as crianças aceitam alguém brigando e mandando nelas. Por outro lado perguntamos a elas se gostam que coloquem apelido e rotulem suas atitudes. Assim podemos fazer um jogo de identificação. Vale ressaltar da importância dos personagens “heróis”, pois pude perceber que quando a criança não tem uma família estruturada, um pai ausente, ou uma mãe super protetora, esta criança quase sempre adora ler estórias com personagens de heróis, seja super-homem, Homem Aranha, Batmam e outros do gêneros.
Outra maneira de se trabalhar com a criança e promover leituras de gibi e em grupo e conversar sobre a estória lida. Cada um do grupo conta o que achou e o que entendeu da estorinha e depois em grupo conversamos o “certo e o errado”, e onde a estória combina com a vida de cada um, depois novamente em grupo conversamos sobre os relacionamentos, seja familiar ou social dos personagens e trazer para a nossa realidade o contexto da estória.
As diferenças também podem ser trabalhadas com os gibis. O Cebolinha e o Chico Bento não falam totalmente errados, mas sim diferentes. O cebolinha tem um problema de articulação que e denominado “dislalia”, que segundo Issler (1990, Pag18), e o padrão articulatório da criança desviado fonemicamente do padrão normalmente aceito pela comunidade lingüistica adulta daquela língua, persistindo além da idade esperada numa linguagem em aquisição. Para Issler (1990), a dislalia não se característica uma lesão cerebral e não se trata de uma patologia fonaudiológica grave. É leve. Mas poderá se tornar um problema sério se persistir, além da idade de aquisição normal, se a providência de terapia e compreensão pelos pais e professores do que realmente se trata e se há ou não um tipo de problema pela frente. O cebolinha tem uma dificuldade na articulação que propicia a troca do “R” pelo “L” , sendo necessário trabalhar então a sua fonética.
Segundo a professora Sandra Hahn, do Departamento de Letras-UFMS, os professores podem trabalhar com gibi em sala de aula, porque eles têm opções melhores para oferecer, segundo ela, a criança não pode ficar só com a ideologia latente do Pato Donald e Superman, mas aos mesmo tempo não é só pegar o Chico Bento para corrigir suas falas. Deve-se respeitar o regionalismo que existe, de forma a mostrar as duas formas da língua: culta e coloquial (1999, pag. 27).
Vale ressaltar que é de fundamental importância alertar aos educadores que é necessário ajudar a despertar o senso crítico da criança, principalmente promover uma reestruturação da sua linguagem, evitando o que chamamos do “imitar”, pois crianças adoram imitar o jeito que o cebolinha fala, a maneira como a “Xuxa” troca os “esses” pelo “x”. Os educadores devem trabalhar o conceito correto da linguagem, evitando modelos inadequados de fala.
O Chico Bento e um personagem com características voltadas para o zona rural que dentro da dialética, fala uma linguagem da sua região, onde os costumes e tradições influenciam na formação cultural da sua personalidade. Exemplo e que no sul se fala uma coisa e no nordeste outra. “barbaridade, tchê” no sul, “bichinho, avexado” no nordeste.
O educador deve se preocupar também em diferenciar do que e cultura e do que seja “modelo inadequado de fala”, pois em momentos da sua fala o Chico Bento realmente tem erros de linguagem, sendo necessário o professor ou os pais da criança mostrar o que e o certo e o errado na linguagem.
Maurício de Souza se defende desta afirmação de “modelo inadequado de fala”, ele afirma que com sua fala a moda caipira, o personagem Chico Bento já foi muito acusado de “confundir” as crianças, levando-as a reforçar erros de grafia. “É preconceituoso achar que o Chico Bento fala errado. Ele apenas fala diferente. Nossa língua é rica e comporta diferentes formas de falar. Não há motivo para criança desconhecer essa riqueza”, defende Maurício de Souza (1999, Pag 83). Para reforçar o que ele diz, ele lembra que o Chico Bento é o personagem mais vendido da Turma da Mônica e também o que faz mais sucesso no exterior. Maurício diz ainda que suas inovações na linguagem vão prosseguir e que, no momento, seus estúdios pesquisam a criação de personagens vindos de outras regiões, cada um com sua fala e hábitos típicos, como um nordestino, um gaúcho e até um português. Partindo da mesma opinião, Alice Vieira (1997) acredita que personagens assim enriquecem o universo infantil, por colocarem a criança em contato com realidades diferentes da sua. E, para evitar a eventual fixação de erros, ela sugere que se incentive a criança a transcrever falas como as do Chico Bento para a linguagem aprendida na escola.
O fato de uma criança já estar alfabetizada não significa que ela seja capaz de compreender uma narrativa. Para Vieira (1997), chegar a esse estágio exige tempo e treino. E, novamente, os quadrinhos podem ser aliados importantes:
1. Quando a criança estiver lendo uma estória, peça-lhe que pare no meio e advinhe o final. Por trabalhar com personagens caricatos, os quadrinhos facilitam esse tipo de exercício, que desenvolve a chamada predição, a capacidade de antecipar o que está escrito inconscientemente, é esta capacidade que todos ativam ao se interessar por uma leitura.
2. Incentive a criança a contar uma estória em quadrinhos. Se a alfabetização dela ainda está no inicio, deixe fazer a narração oralmente; senão, peça-lhe que escreva. Sem o auxilio da imagem, a criança e obrigado a escrever as ações para ser entendido. Dessa maneira, familiariza-se com o chamado discurso indireto, que é o mais usado nos livros.
3. O caminho inverso também é válido; sugerir que ele transforme, numa estória em quadrinhos, alguma coisa que tenha acontecido ou uma redação escolar.
Ao acompanhar a seqüência dos quadrinhos de uma estória, a criança realiza um treino importante e que, normalmente, passa despercebido: ela aprende o modo de leitura ocidental, da esquerda para a direita. Embora isso pareça óbvio, Balau que é educadora especializada em alfabetização de professores (1999, Pag 84 ), lembra que esta é uma característica cultural e que, no Japão, por exemplo, a leitura é feita no sentido inverso. Outro aspecto positivo, segundo Balau, é que os quadrinhos prediletos das crianças retratam situações e problemas típicos do cotidiano infantil. “A identificação que se cria, mais a percepção da criança de que é tudo fantasia, faz com que ela aprimore sua capacidade de representação simbólica”, (1999, Pag 85). Na prática, isso significa desenvolver sua imaginação e dar-lhe instrumentos para expressar de maneira criativa as emoções. Pode ajudá-la a transformar uma sensação de raiva, por exemplo, no desenho de um grande (e sonoro) SOC!!! (linguagem dos quadrinhos, Desvendando os Quadrinhos, 1995, Scott Mccloud), já é bem melhor do que bater de verdade.

Conclusão

Ler histórias em quadrinhos é muito bom, tornando-se um meio de comunicação, umas das mais fantásticas criações artísticas do homem, transporta-nos ao mundo da magia, do encantamento e do conhecimento. Os enredos cheios de imaginação, narrados por meio de imagens alegres e textos rápidos, são o nosso passaporte para o reino da fantasia, onde prevalece o delicioso sabor do faz-de-conta.
Podemos afirmar que o papel do gibi em todo o processo de aprendizagem, afetividade e emoções é de fundamental importância, pois por possuir uma linguagem prática, curta e colorida, tem a finalidade de despertar o interesse pela leitura e influenciar costumes e culturas, voltado basicamente para a nossa realidade. O Gibi faz parte de materiais pedagógicos usados em escolas, visando além de despertar a criatividade, provocar a sensibilidade, a sociabilidade, o senso crítico e a imaginação criadora.
O gibi é um instrumento de investigação, atuação e intervenção, bem como possibilita ao psicólogo, promover o diagnostico no processo de aprendizado, afetividade e personalidade.

Os quadrinhos a serviço da (boa) educação
Por Sidney Gusman

Alguns anos atrás, durante uma conversa absolutamente informal, disse que trabalhava com histórias em quadrinhos… Uma assistente social, que estava na “roda”, reagiu indignada, dizendo que os gibis eram nocivos e afastavam as crianças do hábito da leitura!

Nem é necessário dizer que, superada a estupefação, frente a tamanha demonstração de ignorância, tratei de defender os quadrinhos, mostrando, com vários exemplos (que a mulher, evidentemente, desconhecia), o quanto as HQs podem servir como instrumento de incentivo à leitura e de formação educacional.

O pior de tudo é que esse preconceito absurdo em relação aos quadrinhos não se limita a bate-papos sem compromisso. Quem tem mais de 25 anos deve se lembrar que, algum tempo atrás, foi noticiada amplamente na imprensa uma reivindicação para que o Chico Bento deixasse de lado o seu linguajar caipira, e passasse a se expressar no mais correto português. O Cebolinha também deveria parar de trocar o “R” pelo “L”. A razão? Os personagens de Mauricio de Sousa poderiam ensinar as crianças a falar e escrever errado!

Felizmente, o desocupado que teve essa idéia estapafúrdia foi esquecido, não se tocou mais na idéia e Chico Bento e Cebolinha continuam mantendo as características que os transformaram em grandes sucessos junto aos pequenos leitores. Ah, e nem por isso a criançada cresceu falando errado! Incrível, não?


O grande problema desses leigos que atacam os quadrinhos dessa maneira é o total desconhecimento de causa. Se procurassem se informar, saberiam que, em vários países, inclusive no Brasil, as HQs são utilizadas para contar a história dos seus povos para as crianças, de uma forma agradável e que instiga o jovem leitor a procurar saber mais sobre o assunto.

Vários capítulos da história de Portugal foram adaptados em bandas desenhadas (forma como eles chamam os quadrinhos). Na década de 80, a Editora Futura lançou a série Antologia da BD Portuguesa, contando as aventuras de seus heróis nacionais. Em O Caminho do Oriente, por exemplo, são narradas as aventuras do navegador Vasco da Gama, através de um garoto que acompanha suas viagens. Na França, é possível encontrar praticamente toda a história do país quadrinizada. O mesmo vale para a Espanha e a Itália.

Do Japão, podemos citar Gen Pés Descalços, lançado aqui pela Conrad Editora, escrito e desenhado por Keiji Nakazawa, que mostra as desventuras do garoto Gen (alterego do autor) desde os dias que precederam a destruição de sua cidade natal, Hiroshima, pela bomba atômica até os seus efeitos devastadores. A obra, considerada um clássico dos quadrinhos japoneses, foi adotada por escolas norte-americanas, para que seus alunos aprendessem, com uma HQ, a dura verdade sobre a segunda guerra mundial.

E você sabia que o Brasil também já teve o – bom – hábito de contar a sua história em forma de HQ? Foi na série História do Brasil em Quadrinhos, dois volumes belíssimos, lançados pela EBAL, em 1959 e 1962; com desenhos exuberantes do veterano Ivan Watsh Rodrigues, que recebeu o prêmio Angelo Agostini de 2000, como grande mestre do quadrinho nacional, com absoluto merecimento. Esse mesmo autor também publicou Rondon, O Último Bandeirante; O Tigre da Abolição, com a biografia de José do Patrocínio; e a espetacular quadrinização do clássico de Gilberto Freyre, Casa Grande & Senzala, em 1981, que ganhou uma versão colorizada, em 2000.

O mestre Flavio Colin também deu sua colaboração, no sentido de retratar nossa história, com A Guerra dos Farrapos, um trabalho belíssimo.


Recentemente, os quadrinhos parecem estar ganhando um novo impulso como instrumento didático no Brasil. Em 1999, a Cia. das Letras lançou Adeus, Chamigo Brasileiro – Uma história da Guerra do Paraguai, um excelente trabalho do roteirista e desenhista André Toral, que narra, de forma brilhante, fatos desse importante acontecimento de nossa história. O álbum traz ainda, no final da edição, um texto contando os detalhes que levaram à guerra, fotos e as conseqüências das batalhas.

Também merece destaque o projeto Literatura², que pretende publicar contos de Machado de Assis, um dos nossos maiores escritores, adaptados em quadrinhos. Os desenhistas escalados para essa missão são Spacca, Newton Foot, Jô de Oliveira e Gilberto Maringoni. No entanto, apesar da ampla divulgação que conseguiu pelo País inteiro, o autor da idéia, o jornalista Marcelo de Andrade, ainda não conseguiu viabilizar patrocínio para a empreitada. A princípio, seriam 30 mil exemplares, distribuídos apenas para estudantes das escolas de ensino médio de “maior risco social” – situadas em áreas de violência e pobreza da Grande São Paulo -, de acordo com um mapeamento feito pela Secretaria Estadual da Educação. O objetivo? Fazer os adolescentes tomarem gosto pela literatura.

E mais uma novidade vem por aí! O desenhista Newton Foot está preparando uma adaptação das Cartas Chilenas, do inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, que deverá sair ainda no primeiro semestre, num álbum da Editora Edra. A obra é uma poesia satírica, na qual são narrados os desmandos do governador Cunha de Meneses. Os diversos acontecimentos, sempre em seqüências curtas, fizeram que Foot optasse por contar essas histórias em formato de tiras, ainda INÉDITAS, e que você só confere aqui, no Universo HQ.


Cartas Chilenas: Tira INÉDITA de Newton Foot, EXCLUSIVIDADE do Universo HQ

O cartunista e criador do troféu HQ Mix , Jal, em parceria com a professora universitária Sonia M. Bibe Luyten, que assina a coluna Quadrinhos pelo Mundo, no UHQ, está preparando um livro sobre como as histórias em quadrinhos podem – e devem – ser utilizadas na formação educacional das crianças brasileiras.

Uma prova cabal disso vem da Bahia, onde os livros do Fala Menino!, de Luis Augusto Gouveia (que você pode acompanhar diariamente aqui no Universo HQ), foram adotados por várias escolas, que os utilizam para ajudar na educação das crianças.

Poderia enumerar muitos outros exemplos de como as HQs podem contribuir para gerar interesse pela leitura, para difundir a história de uma nação ou até mesmo para auxiliar na formação de um vocabulário amplo. Afinal, os quadrinhos possuem tantas e tantas possibilidades a serem exploradas…

No entanto, ainda existem muitos desinformados que desconhecem essas virtudes. E a árdua missão de mudar esse quadro cabe a nós, amantes da nona arte. Como fazer isso? Mostrando que, através dos quadrinhos, também se adquire cultura, conhecimento e, principalmente, boa educação.

Sidney Gusman é editor-chefe do Universo HQ. Jornalista, escreve sobre HQs para diversos jornais, revistas e sites do Brasil, desde 1990. Atualmente, assina a coluna Quadrinhos em Foco, na revista Sci-Fi News. Defensor ardoroso das histórias em quadrinhos, ele jura que a mulher citada no início da matéria foi “convencida” pacificamente, sem que tenha sequer alterado o tom de voz. Sei, sei…

A GIBITECA COMO FORMA DE INTEGRAÇÃO ESCOLAR –


Criar a Gibiteca foi, antes de mais nada, um exercício de integração. Toda a escola se envolveu no projeto. Alunos, professores, direção, funcionários da limpeza, especialistas e funcionários técnico-administrativos. O processo de instalação da gibiteca durou cerca de um ano. Primeiro conseguimos o espaço físico, depois começamos a pedir e receber doações de HQ’s. As doações foram feitas por colecionadores particulares, professores, alunos, gibitecas[1] e editoras. Por época da inauguração, em 11 de maio de 2007, tínhamos um acervo aproximado de 1600 exemplares, em vários formatos e gêneros.

Mas não basta simplesmente criar o espaço na escola, é preciso também mostrar que ele é funcional e que pode ajudar no trabalho de todos os professores. Por esta razão organizamos o I Seminário sobre Quadrinhos, Leitura e Ensino[2]. O Seminário foi organizado pela escola com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, tendo como público-alvo professores da educação infantil e do ensino fundamental. O objetivo era demonstrar que o uso das histórias em quadrinhos podia ser um caminho para o processo de ensino/aprendizagem e que elas poderiam ser usadas em todos os conteúdos, não sendo apenas prerrogativa das séries iniciais. O seminário atendeu a 230 professores das redes municipal de ensino de Leopoldina, pública e privada de Leopoldina..

A Gibiteca é um apoio para o professor que deseja diversificar as suas aulas. Ela não garante por si só o êxito do aluno, mas ela fornece a ele a possibilidade de ampliar seus horizontes e de desenvolver sua capacidade de ler. Por outro lado, ela também age diretamente na auto-estima dos professores. Eles passam a dar mais valor ao seu trabalho e a se sentirem também valorizados. O professor redescobre o prazer da leitura e, também, o prazer de ser um profissional do ensino, um educador.

O acervo diversificado permite que a gibiteca seja um grande laboratório de ensino/pesquisa. Possui HQ’s de vários gêneros (humor, suspense, históricas, ficção fantástica, etc.) e até raridades como o Gibi n. 01 e diversas HQ’s da EBAL, publicadas na década de 1970. Os alunos, principalmente as crianças dos anos iniciais, sentem-se atraídos pelo ambiente despojado e alegre da gibiteca, onde eles podem desenhar, deitar no tapete em meio a almofadas e transformar a leitura numa forma prazerosa de lazer. Para os adolescentes, ela se torna igualmente um lugar de descontração, principalmente para meninos e meninas que gostam de desenhar e usam o desenho como uma forma de expressão de seus sentimentos e suas idéias. As HQ’s estimulam esta habilidade e acabam transformando o desenhista em leitor.


A gibiteca age como um canalizador de sonhos. Ela transporta os leitores a um mundo de fantasia do qual ele estava até então alienado. Muitas de nossas crianças nunca tiveram em sua casa uma HQ. Entre os adultos que estudam no EJA (Educação para Jovens e Adultos) poder ler uma história em quadrinho na escola é muitas vezes vivenciar uma atividade da qual foram excluídos durante sua infância, seja por motivos econômicos, seja pela cultura familiar ou simplesmente por não saberem ler e escrever.

Em um artigo intitulado “Educar é fazer sonhar”[3] Francisco CARUSO e Maria Cristina Silveira de FREITAS afirmam que educar depende da capacidade de fazer o aluno sonhar e afirmam que despertar nele a criatividade é a melhor forma de prepará-lo para os desafios da vida, pois no mundo moderno ela é necessária para a sobrevivência. Atrevo-me a acrescentar que, além de fazer o aluno sonhar, é preciso fazer o professor sonhar junto com ele.

32 mil revistas da Turma do Xaxado


A Ecolimp e a Prefeitura de Itabuna adquiriram 32 mil exemplares da revista em quadrinhos Cidade Limpa, Povo Educado, da Turma do Xaxado. As revistas, totalmente coloridas e impressas em papel couchet, foram distribuídas nas escolas da rede municipal de ensino.
A revista Cidade Limpa… está disponível para qualquer empresa interessada em divulgar ações de responsabilidade social, com direito a personalizar a última capa da revista com a marca ou anúncios da empresa. Consulte valores.

Editora JBC lança o segundo volume do livro “Técnicas de Mangá”.

Se você gosta de fazer mangá é hora de dar o segundo passo para melhorar sua técnica.

No volume 2 do curso estão os recursos mais avançados de colorização de desenhos e de aplicação de retículas – além de novas técnicas importantes para a criação de personagens.

PROJETO: Montando a Gibiteca

A Gibiteca – Biblioteca de gibi, é um projeto que tem como objetivo principal incentivar a leitura de crianças e adolescentes. A intenção é despertar o interesse pela leitura com os quadrinhos, que contém uma linguagem prática, colorida e com textos curtos, o que prende a atenção da criança, fazendo enriquecer a sua criatividade. A Gibiteca possui cerca de vinte mil exemplares de diferentes tipos e a até internacionais.

A Gibiteca é um espaço alternativo de leitura e lazer, pois no local encontramos diferentes tipos de eventos, seja cultural, educacional e artístico. A Gibiteca funciona como se fosse um “clubinho”, onde a criança faz sua inscrição e recebe uma “carteirinha”, nada pagando para freqüentar a mesma. Temos cerca de quatrocentos sócios.
Além dos gibis, existe no espaço da Gibiteca uma sala de leitura, com aproximadamente dez mil livros (infantil, literatura, pesquisas, etc), onde as crianças e adolescentes fazem pesquisas, participam do reforço escolar e descobrem nos livros o prazer pela leitura.
O projeto que funciona desde 1995 em uma casa toda pintada de azul, vermelho e amarelo (que lembra a casa do Chico Bento, pois moramos em uma cidade com tradição na agricultura e pecuária), foi alcançado graças ao apoio das Embaixadas da França e Austrália, que doaram todos os equipamentos necessários para o funcionamento da Gibiteca.
A intenção é incentivar a leitura e o gibi vem ajudando muito. As crianças adoram. Toda semana realizamos Ciranda da Leitura e Oficinas de Redação, que vem contribuindo para o enriquecimento das atividades educacionais das crianças.

A Gibiteca e a comunidade

A Gibiteca é mantida por uma ONG (Organização Não-Governamental) e não possui funcionários, porém recebe apoio: Fundação de Promoção Social de Mato Grosso do Sul – Promosul, Prefeitura de Campo Grande e da Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, que coloca à disposição do projeto oito estagiários bolsistas, ou seja, eles trabalham meio período e em troca recebem uma bolsa de estudo da universidade.
Os acadêmicos de diferentes cursos (psicologia, pedagogia, matemática e comunicação social) desenvolvem atividades de reforço escolar, incentivo à leitura, dinâmica de grupo, organização de livros e preparam o lanche para a garotada.

Projeto Gibiteca na Escola


O projeto Gibiteca na Escola surgiu da necessidade de melhorar a qualidade das minhas aulas de história, prejudicadas pela grande dificuldade de interpretação e leitura de meus alunos. Como eu já trabalhava com quadrinhos – em atividades extra-classe, exercícios e pequenos trabalhos em sala de aula – resolvi abraçar a idéia de que a leitura de hqs poderia incentivar e desenvolver a capacidade de interpretação dos meus alunos. Muitos deles me ajudaram nos primeiros meses, limpado a sala que eu havia conseguido da direção, carregando caixas, estantes de aço e separando e carimbando as doações que nós começamos a recever. Os alunos das séries iniciais da escola também estão sendo envolvidos no projeto. a Gibiteca deve começara a funcionar ainda este mês, com um acervo inicial de aproximadamente 1400 hqs. Com a gibiteca os professores das séries iníciais e avançadas do ensino fundamental poderão desenvolver projetos tendo como ponto de partida das hqs. Além disso, faz parte do projeto o incentivo à produção literária e artística. No decorrer do ano serão produzidas pequenas oficinas de desenhos, fanfics e outros tipos de produção voltados á leitura, escrita e interpretação. A vantagem da gibiteca é que ela transforma a leitura em um prazer e abre caminho para que o jovem leitor de hqs se torne um leitor universal

SITE DA MAFALDA

http://www.mafalda.net/pt/index.php

O GIBI E AS DISCIPLINAS

PROFESSSORES DE FISICA

APRESENTAÇÃO
Nosso objetivo aqui é oferecer ao professor um conjunto de fichas associadas a diferentes tirinhas de física, trazendo dicas de como usá-las, para auxiliá-lo em suas aulas.
Nossa intenção não é substituir o livro didático, mas complementá-lo com nossas tirinhas, contribuindo para uma forma mais lúdica e dinâmica de ensino.
Além das dicas específicas que cada ficha contém, apresentamos a seguir algumas sugestões gerais que podem ser adaptadas a qualquer tirinha.
• apresentar as tirinhas como motivação antes de discutir o assunto proposto;
• ratificar a informação dada, utilizando a tirinha como exemplo;
• pedir aos alunos que criem seus próprios quadrinhos;
• distribuir os alunos em pequenos grupos, após a discussão do conteúdo, e pedir que identifiquem
• o(s) conceito(s) exposto(s) nas “tirinhas”, promovendo uma discussão participativa;
• criar exercícios e problemas a partir de histórias em quadrinhos;
• dar aos alunos “quadrinhos” com distorções conceituais, e solicitar a eles (divididos em grupos ou não)
• que encontrem e corrijam as distorções.

3ª Lei de Newton: Ação e Reação

Isaac Newton nasce em Woolsthorpe, Inglaterra, no ano de 1642. Começa a estudar na Universidade de Cambridge com 18 anos e aos 26 já se torna catedrático. Em 1687, publica o famoso Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Dois anos depois é eleito membro do Parlamento como representante da Universidade de Cambridge. Já em sua época é reconhecido como grande cientista que revoluciona a Física e a Matemática. Preside a Royal Society (Academia de Ciências) por 24 anos. Nos últimos anos de vida dedica-se exclusivamente a estudos teológicos. Morre em 1727.
Enuncia a terceira lei: “Sempre que um corpo exerce uma força sobre outro, esse outro exercerá sobre o primeiro uma força de mesmo módulo e em sentido contrário.”
A terceira lei tem diversas aplicações, inclusive sobre os meios de locomoção.
Trabalhando com a tirinha: Podemos usar a tirinha 108 para ilustrar a lei. Depois apresente a tirinha 80 e pergunte porquê a terceira lei é responsável pelo movimento do nadador. Pergunte como a terceira lei é responsável pela locomoção do homem. Peça aos alunos para desenhar tirinhas com outros exemplos.
Para saber mais: – Fonte Boa, M. & Guimarães, L. A.; Física; São Paulo; Ed. Futura; 2004.
Para saber mais: – http://www.conhecimentosgerais.com.br/fisica/fisica-classica.html

Veja muito mais no http://www.cbpf.br/~eduhq/html/aprenda_mais/jurema/fichas_links.htm

Projeto Informática

As tirinhas de informática foram feitas através de um projeto que faz analogias do dia-a-dia com os conceitos básicos de informática. Esse projeto foi realizado com o objetivo de facilitar o entendimento por parte de pessoas leigas no assunto ou que possuem pouco conhecimento, tendo em vista a grande dependência da informática na atualidade em nossa sociedade. Este trabalho foi inspirado em um trabalho já concluído pela bolsista Luiza Vidal e pelo orientador Prof. F Caruso (“tirinhas de física” / CBPF.)

Veja muito mais no

http://mesonpi.cat.cbpf.br/tirinhas/

Aprenda inglês com o Superman
Por Eduardo Nasi


Foi lançado nesta semana nos Estados Unidos o curioso Aprende Ingles Con Superman 1: Arriba, Arriba Y Fuera! O projeto, voltado para falantes de espanhol, é uma parceria do instituto de línguas Berlitz com a DC Comics.

O volume de 112 páginas reúne algumas das histórias baseadas no desenho animado do Homem de Aço e foram escritas por Mark Millar (Authority, Supremos) e desenhadas pelo brasileiro Aluir Amâncio, com arte-final de Terry Austin.

A diferença é que os balões misturam inglês com palavras em espanhol, para facilitar a compreensão. As margens ainda trazem notas didáticas sobre o que o leitor está vendo.

Histórias em quadrinhos nas aulas de educação física

Em um dos muitos textos que tenho lido sobre quadrinhos e ensino aparece um questionamento: pode-se usar quadrinhos nas aulas de educação física? Talvez fosse melhor esta pergunta ser respondida por um por um professor da área, mas me arrisco a dar um palpite: pode sim!

Ao contrário do que muita gente pensa aulas de educação física são muitas vezes divididas entre a teoria e a prática. Muitos professores passam fundamentos e regras esportivas, além de dicas sobre cuidados com a saúde, postura alimentação e higiene nas salas de aula. A prática esportiva, em si, seria o exercício destes conhecimentos.

Os quadrinhos podem ser utilizados, neste sentido, para introduzir fundamentos esportivos, para explicar a origem dos esportes, para informar sobre regras, para difundir valores esportivos, etc. Os alunos podem usar hqs como uma espécie de cartilha esportiva ou podem ser convidados para produzirem suas próprias hqs. Aliás, se formos pensar bem, a produção de hqs pode ser um recurso usado em todos os conteúdos.

Na prática eu descobri uma experiência com o uso dos quadrinhos por professores de educação física. Foi no litoral carioca onde um grupo de voluntários da Faculdade de Educação Física da PUC-Campinas realizou até de 8 a 15 de julho deste ano a Semana Venha Remar, que desenvolve uma série de atividades educativas com cerca de 40 crianças da comunidade de Ilha Grande.
“O projeto é ligado ao Grupo de Estudos em Esportes e Atividades de Aventura (GEEAA), da Faefi, criado em 2005 e que tem como objetivo divulgar o esporte de aventura, como mergulho, surfe, escalada, canoa havaiana e trilhas, e verificar o envolvimento dos moradores daquela região com essas atividades. Há dois anos e meio, alunos e professores realizam pesquisas com moradores, turistas e agências de viagens no litoral carioca. A bordo de um veleiro, a equipe navega pela costa da ilha em busca de material que subsidie o trabalho.” [1]

O grupo da Educação Física conta com a ajuda de cinco alunos do 4º ano de Jornalismo realizaram um projeto de comunicação para o Venha Remar. Durante o trabalho do grupo na ilha, alguns problemas foram identificados na região, como o uso de drogas e a questão do lixo. Entre as propostas para ajudar a solucionar o problema está a criação de um gibi educativo, “cujo roteiro será feito pelo jornalista Dario Carvalho Júnior, o DJ, especializado em Histórias em Quadrinhos (HQ) e professor da PUC-Campinas. A ilustração será feita pelo cartunista Bira. O gibi deverá ser concluído entre agosto e setembro e terá como personagens algumas crianças da comunidade.”[2] Trata-se, portanto, de um projeto interdisciplinar cujo objetivo é tentar melhorar a qualidade de vida das pessoas daquela localidade.

Faitô! Faitô! – Conhecendo o Universo dos Animes e Mangás de Esporte


Como o assunto dos últimos dias tem sido hqs e esportes, pedi a Valéria Fernandes que me ajudasse com um texto sobre esportes e mangá. Ela me enviou um texto adaptado de uma coluna publicada originalmente no site Anime-Pró (http://www.animepro.com.br/). Espero que gostem!

No Japão, os mangás de esporte, assim como o esporte em si, ajudaram a resgatar o orgulho nacional terrivelmente abalado depois da derrota na Segunda Guerra Mundial. Enfatizando valores já conhecidos na tradição samurai como disciplina, honra, sacrifício, os mangás – e também os animes que vieram depois – são cheios de heróis e heroínas dispostos a todo e qualquer esforço e sofrimento pelo bem da equipe ou para atingirem um ideal.

Talvez a melhor encarnação desse tipo de perspectiva tenha sido Ashita no Joe (Joe do Amanhã), mangá publicado na Shonen Magazine de 1968 a 1973. Nesse mangá – e depois séria animada – Joe Yabuki, jovem órfão que se torna lutador de boxe, e é alçado do anonimato à fama, passando por derrotas e vitórias, lutas eletrizantes, até que por fim supera o seu grande adversário, e a si mesmo, morrendo no ringue com um sorriso nos lábios.

Começando com as artes marciais típicas do Japão, como o judô e o caratê, e outras nem tanto, como o boxe ou o boxe tailandês, as séries de esporte passaram a abarcar toda a sorte de modalidade esportiva: o baseball, o tênis, o basquete, o vôlei, o golfe, e até o jogo de GO, uma espécie de xadrez japonês. Cheios de drama, humor, personagens complexas e cativantes, e tramas desenvolvidas para além da partida, da corrida da luta, o esporte atravessa tanto o shounen (para garotos) quanto o shoujo (para garotas) e produz verdadeiras sagas inesquecíveis e transforma alguns quadrinistas como Mitsuru Adachi em grandes ídolos.


Mitsuru Adachi começou sua carreira ainda nos anos 70 e fez sua fama construindo mangás de esporte. Dono de um time de baseball e entusiasta da modalidade – que pode ser considerada o esporte nacional japonês – ele criou uma das séries mais bem sucedidas até hoje. Touch que foi publicada na revista Shonen Sunday entre 1981 e 1987, gerou série animada de 101 episódios e 5 filmes – sendo o último de 2000.

Touch se centra no trio de protagonistas, dois rapazes gêmeos e uma moça, que foram sempre vizinhos, na amizade entre eles e no triângulo amoroso que se forma depois, a série mostra mais do que partidas de baseball e surpreende os leitores com uma tragédia inesperada que transforma a vida das personagens. Para se ter uma idéia da importância de Touch, basta dizer que a série de tv reprisada todos os anos no Japão e Minami, a protagonista, está sempre no topo das listas das personagens mais amadas pelos japoneses. Mas Touch é a obra máxima de Adachi mas ele tem criado mangá que falam de vários esportes, como a natação, o box e a ginástica ritmica.

O interesse por outros esportes não fez com que as artes marciais ficassem de lado e um grande exemplo é Yawara! De Naoki Urasawa, saiu na conceituada revista adulta (masculina) Big Comics Spirits. Esse mangá – depois anime e live action – retrata o drama de uma moça que só queria poder ser “normal”. Na história isso significa poder namorar, ir ao shopping, e arranjar, até se casar, um emprego em um escritório, mas a pobre Yawara tem um avô, Jigoro, que deseja transformá-la na maior judoca que jamais se viu. O velho Jigoro faz da vida da neta em um verdadeiro inferno tudo para que sua única herdeira siga os seus passos de campeão. Tanto o mangá (1987-1993), quanto o anime (de 1989-1992) fazem a contagem regressiva até a Olimpíada de Barcelona (1992) onde pela primeira vez as mulheres estariam na competição de judô oficialmente. Para se ter uma idéia, durante os seus 124 capítulos, Yawara! sempre esteve entre as dez maiores audiências da tv japonesa e a japonesinha, campeã olímpica em Barcelona, recebeu o carinhoso apelido de Yawara.

O shoujo de esportes se estabeleceu também a partir da fascinação das Olimpíadas, depois que as japonesas ganharam a medalha de ouro no vôlei em Tóquio. Impulsionado pela conquista e pela popularidade entre as meninas, surgiu Attack nº1 em 1968, seguido pelo anime em 1969. Outras séries centradas no voleibol se seguiram e, pelo menos os mangás, as japonesas são grandes campeãs. A última série a tratar do assunto chama-se Crimson Hero e mostra a luta de uma garota, contra tudo e contra todos, para reestruturar o time de voleibol da escola. É a partir dos campeonatos escolares que despontam as grandes estrelas do esporte, ou pelo menos é assim em países como Japão, Estados Unidos e outros.

Dentre os mangás esportivos para meninas, talvez Ace Wo Nerae (1972-1975) seja o mais famoso. A série mostra o crescimento e amadurecimento de uma jovem, Hiromi Oka, que apesar de estar no clube de tênis da escola só para apreciar dois de seus ídolos, acaba sendo reconhecida pelo treinador como um talento nato para o tênis. Entre uma partida e um treinamento, Hiromi se torna mulher, seus relacionamentos se adensam, sofre perdas inestimáveis, supera em talento e competência o seu ídolo, Reika Ryuzaki, e se torna, claro, uma grande tenista.
Outro mangá shoujo de esportes bem marcante foi Hikari no Densetsu (A Lenda de Hikari) de 1986. Girando em torno da ginástica rítmica, acompanha o sonho de uma japonesinha em superar as grandes ginastas do Leste Europeu. Foi um sucesso, divulgou o esporte no Japão, e gerou uma série animada.

Uma série de esportes que me prendeu – foi mais de um ano garimpando o anime na Internet – e emocionou muito foi Princess Nine. Essa série foi baseada em um conto e mostra a luta de um grupo de meninas e da diretora de uma conceituada escola para terem seu time de baseball feminino aceito na liga colegial. Detalhe é que assim como no futebol, lá no Japão baseball é visto como esporte masculino e o prestigiado campeonato é só para rapazes. Meninas por lá devem jogar o softball. A discriminação, que impede as meninas de jogarem no fabuloso Estádio Koshien – o similar do nosso Maracanã – e é claro fecha as portas de uma carreira muito rentável. Princess Nine é uma história dramática, com momentos de humor, personagens tridimensionais e um final surpreendente que entristece e enche de esperança ao mesmo tempo, afinal, o mundo não muda em um passe de mágica, mas ele muda.

Como são bem pouco licenciados na América – Italianos, Franceses e Espanhóis têm mais sorte – a Internet é que tem ajudado a divulgar os animes e mangás de esporte. Aqui no Brasil, o único manga de esportes publicado é Slam Dunk, do mesmo autor de Vagabond, e tem como tema o basquete e os campeonatos juvenis. Essa série é campeã de popularidade entre os japoneses de ambos os sexos. Seu protagonista é um garoto desajustado, quase um delinqüente, que acaba se encontrando no esporte. O anime bem que poderia ser trazido para o Brasil.

Sem a Internet, eu não teria me interessado por esse tipo de anime e mangá já que ele é muito pouco conhecido, e até discriminado, no Brasil. Contam os mais velhos que eu – eu nasci em 1976 e o primeiro anime que me recordo é Speed Racer – que dois dos primeiros animes a passarem no nosso país e conquistarem muitos fãs foram exatamente duas séries de esporte: Sawamu (Kick no Oni), anime de 1970 que contava a história real de um famoso lutador japonês de boxe tailandês, Tadashi Sawamura.


Muitos diriam que os melhores representantes do gênero são séries de baseball ou basquete, eu concordaria em parte, até porque, amo Touch e Princess Nine, entretanto, I’ll sobre basquete poderia uma ser boa opção de publicação. Aliás, no Brasil, trazer um Love Junkies parece mais rentável do que experimentar publicar um mangá de esportes que poderia ser até sobre a vida de Airton Senna (Sim, foi lançado um mangá sobre ele no Japão).

Nossas tvs poderiam deixar os olhos abertos para excelentes animes de esporte como Tennis no Oujisama ou o maravilhoso Yawara!. Nas TVs, em especial por assinatura, temos alguma séries de esporte sendo exibidas: Hungry Heart e Capitão Tsubasa, sobre futebol; Dear Boys, sobre basquete; Tennis no Oujisama, sobre tênis, claro. Só que as séries são tão pouco comentadas que não sei dizer se são populares ou não ou se cumprem a função de estimular o gosto pelos esportes, como no caso do Japão.

Outra coisa que me intriga é o desinteresse entre os fanzineiros – pelo menos os que eu conheço – em falar de esporte em suas histórias. Nem quadrinho de futebol aparece. Eu gosto de futebol e não acho o futebol deva ser abandonado em favor de outros esportes. Ter um esporte nacional é algo normal, mas ser um país de um esporte só, a não ser em época de mundial, Pan ou Olimpíada, é uma lástima. Mangás e animes de esporte, geralmente têm ótimas histórias e cumprem a função social queria muito que editoras e tvs pudessem perceber isso, e que o governo e as escolas cumprissem também a sua parte para que nos tornássemos uma potencia esportiva.
Valéria Fernandes

Esportes e atletas nos quadrinhos nacionais


No Brasil temos muitos personagens de quadrinhos nacionais que foram inspirados em grandes atletas ou mesmo personagens criados a partir de um esporte específico. E, embora o futebol tenha sido a maior fonte de inspiração para a criação destes personagens, outras modalidades esportivas também tiveram seus ídolos transportados para os quadrinhos.

Um dos primeiros personagens dos quadrinhos nacionais cuja origem se relacionava ao esporte foi o Judoka. O Judoka, que estreou em outubro de 1969 pela EBAL. (Editora Brasil América Ltda.), com desenhos de Pedro Anísio, Mario Lima e outros e roteiro de Eduardo Baron. O Judoka era um jovem estudante que se torna um lutador de Judô e junto com sua namorada passa a combater o crime em varias partes do Brasil. O Judô é uma das modalidades esportivas de maior relevância no Brasil, responsável pela conquista de várias medalhas olímpicas e títulos em campeonatos mundiais e regionais. Para quem não sabe, o Judô é uma arte marcial criada no século XVII no Japão baseado nos movimentos do Jiu-Jitsu, que serve como defesa, sem estimular a violência. Em japonês a palavra significa suave. Esta modalidade de luta usa a força do oponente para derrubá-lo sem usar socos ou chutes. Cada luta oficial dura cinco minutos. A revista do Judoka durou 4 anos e foi criada em meio à ditadura e tinha um cunho patriótico que procurava exaltar as virtudes do Brasil.


Outro personagem que fez muito sucesso foi o Pelezinho, que estreou em tirinhas de jorn al em outubro de 1976, sob o traço de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica. Em agosto de 1977 o garoto craque de bola virou título de uma revista em quadrinhos. Os personagens que contracenavam com Pelezinho eram todos baseados nos amigos de infância de Pelé, que participou ativamente da produção do personagem e até colaborou para alguns roteiros através de suas recordações de infância. Pelezinho e seus amigos formavam um núcleo à parte não dependendo de outros personagens de Maurício de Souza como a Mônica, Cascão e Cebolinha. A revista durou 57 números e foi encerrada em 1982. Foram feitas depois republicações de algumas de suas histórias e tiras em almanaques especiais e algumas participações em historias da Turma da Mônica além de um especial, em 1990 comemorando os 50 anos do Pelé (Pelezinho Especial – 50 anos de Pelé).

Em 2005, Pelezinho reapareceu ao lado de Dieguito em uma ilustração produzida e divulgada por Mauricio de Sousa para celebrar o encontro dos dois craques – Diego Maradona e Pelé -, naquele ano, em um programa de TV na Argentina. O desenho apresentou Dieguito ao grande público e foi acompanhado da divulgação de suas tiras jamais publicadas. Criado nos anos por Maurício de Sousa em homenagem a Maradona, o personagem não chegou a estrear na mídia.


A criação mais recente de Maurício de Sousa relacionada diretamente aos esportes é o personagem de Ronaldinho Gaúcho, que estreou em 2006, ano da Copa do Mundo. “O Ronaldinho de Maurício de Sousa é um garoto de cerca de sete anos que adora jogar bola. Da vida real, há algumas referências, como o fato de a família torcer pelo Grêmio, falar com sotaque gaúcho e gostar de churrasco.”[2] O Ronaldinho de Maurício é diferente do Pelezinho e ainda está construindo seu espaço e sua identidade dentro dos quadrinhos. Ele é um personagem neutro, que estimula os leitores fãs de futebol – que atualmente envolve um grupo bem heterogêneo formado por meninos e meninas – e oferece a possibilidade de trabalhar o esporte dentro dos quadrinhos da Turma da Mônica.

Saindo dos gramados para as pistas de corrida, temos um personagem carismático que é não apenas uma homenagem como passou a representar a continuidade e o desenvolvido dos projetos sociais de Ayrton Senna. Senninha nasceu em 1994 inspirado no então bicampeão de fórmula 1 Ayrton Senna. Seus criadores são Rogério Martins e Ridaut Dias Jr. O Senninha era um projeto pessoal do piloto de fórmula 1 que desejava estar mais próximo de seu público infantil. Ayrton Senna partiu, mas o Senninha ficou, tornando-se um personagem ativo dos quadrinho e encabeçando várias campanhas educativas, como o gibi Senninha em Trânsito Legal, para sensibilizar o público infantil sobre segurança no trânsito, lançado em outubro de 2004.


Outro atleta que conquistou espaço nos quadrinhos foi o jogador de basquete Oscar Schmidt, cuja hq foi lançada no final do ano de 1997. O personagem de Oscar nos quadrinho é muito semelhante fisicamente ao atleta. O Oscarzinho é um amante do basquete que procura sempre tirar uma boa lição do esporte para a vida. Não é tão carismático quanto o Pelezinho e o Senninha, mas representou uma forma de incentivo ao basquete, esporte conhecido mas ainda pouco praticado no Brasil, muitas vezes pela falta de espaço físico e recursos. O personagem Oscarzinho, assim como aconteceu com Pelezinho, Senninha e, mais recentemente, com Ronaldinho Gaúcho, também se tornou uma marca comercial, sendo estampado em mochilas, cadernos, tênis, bolas, etc.
Cada um destes personagens adaptados para os quadrinhos tornou-se um símbolo de uma ou mais gerações que se identificaram com os ideais dos esportes e com o que eles poderiam representar em suas vidas. Neste sentido, deixando de lado o fator comercial, as histórias em quadrinhos acabam se tornando uma ponte para o desenvolvimento do esporte uma vez que penetram na vida das crianças e mesmo de adolescentes e adultos de uma forma simples e criativa, despertando o desejo de torcer, praticar conhecer aquele esporte e contribuindo até mesmo para a sua valorização. O uso de hqs ou mesmo sua produção nas aulas de educação física pode significar um ponto positivo para o desenvolvimento de futuros atletas e de jovens e adultos mais saudáveis. Não seria este um ponto interessante a ser debatido?

Quadrinhos e esporte no Brasil


Quadrinhos e esporte. É possível fazer esta associação? Claro que é! Para tanto eu preparei uma ligeira pesquisa sobre o esporte nos quadrinhos, onde vou tentar apresentar publicações, personagens e idéias sobre o tema. Meu primeiro passo foi procurar o que já se publicou especificamente sobre esportes em quadrinhos no Brasil. Não há necessariamente uma grande quantidade de publicações. A maioria delas ocorreu em tempos de Copa do Mundo e de Olimpíadas. São manuais e hqs especiais sobre esportes que tem a maioria delas, o objetivo de introduzir as crianças no mundo dos esportes ou mesmo fazer uma homenagem a uma determinada modalidade esportiva. Consegui encontrar alguns, mas creio que deve haver muito mais material, portanto, qualquer indicação é bem-vinda.

Manual da Copa do Mundo (“Gol!”), estreado pelo Zé Carioca e publicado a cada quatro anos entre 1974 e 1998. O Almanaque apresenta informações sobre as Copas do Mundo, além de dados sobre as seleções e os jogadores. Não entra em muitos detalhes e é dirigido ao público infantil, para quem reserva uma linguagem simples e direta.

Manual de Esportes do Cascão, publicado em 2001. O Manual do Cascão trata de vários esportes, incluindo vôlei, basquete, automobilismo, atletismo, natação e até judô. Ele apresenta brincadeiras que simulam os esportes e oferece sugestões para brincadeiras, como “fazer seu jogo de botão com cápsulas de Kinder Ovo”. [1]

Manual dos Jogos Olímpicos Disney, estreado pelo Pateta e publicado em 1880 e 1992. O Pateta Atleta apresenta os Jogos Olímpicos, mostrando como é cada modalidade olímpica e a história do evento.

Manual do futebol do Ronaldinho Gaúcho, publicado em 2006. Faz parte da Coleção Manuais da Turma da Mônica. Além das informações básicas (como as regras e as táticas do esporte), apresenta alguns dos grandes craques da bola em todos os tempos e informa tudo sobre os maiores campeonatos nacionais e internacionais e todas as Copas do Mundo. O manual possui também “ilustrações inéditas da galeria de personagens das turmas da Mônica e do Ronaldinho Gaúcho, além de brincadeiras, poesias, brinquedos para montar e outras atrações”.


Turma da Mônica – Uma aventura com o Cauê e a Turma nos Jogos Pan-Americanos, apresentando cinco histórias em que os principais personagens de Mauricio de Sousa fazem um passeio pelos pontos turísticos do Rio de Janeiro e nos locais das competições do Pan 2007, ao lado da mascote oficial do evento.[3]

Você Sabia? – Turma da Mônica: Futebol, especial sobre a Copa do Mundo, publicada em 2006, pegando carona com a Copa do Mundo. A hq conta a história do esporte mais popular do mundo e como ele chegou ao Brasil, enfatizando a Copa do Mundo e os maiores craques e seleções do campeonato. Maluquinho por Futebol, publicado em junho de 2006. Este álbum especial do Menino Maluquinho que reúne várias histórias do personagem e de Julieta, envolvendo futebol, além de aventuras inéditas.


A História do Futebol no Brasil através do Cartum, livro organizado pela dupla Jal e Gual e publicado em 2004, pelo Editor Bom texto. Uma homenagem ao esporte com cerca de 340 ilustrações de várias épocas.
Dez na área, um na banheira e ninguém no gol, álbum, publicado pela Via Lettera, em 2002. Apresentou 11 histórias produzidas pelos quadrinhos Fábio Moon, Gabriel Bá, Allan Sieber, Custódio, Fábio Zimbres, Lélis, Leonardo, Osvaldo Pavanelli, Emílio Damiani, Spacca, Samuel Casal, Maringoni e Caco Galhardo, com prefácio do ex-jogador Tostão.

O futebol, aliás, sempre teve um espaço especial nas hqs brasileiras, visto ser o esporte mais popular do Brasil. “O Brasil, como país do futebol, tem vários outros exemplos dessa bem-sucedida união entre dois dos melhores entretenimentos que existem. Já em 1932, os moleques Reco-Reco, Bolão e Azeitona, criações de Luis Sá, apareciam batendo uma bolinha.” [4]
Além destes manuais e edições especiais, há também publicações que abordam diretamente ou indiretamente o mundo dos esportes. Uma das mais editadas e reeditadas em todo o mundo é Astérix nos Jogos Olímpicos, de Goscinny e Uderzo. Nesta aventura os irredutíveis gauleses resolvem participar dos Jogos Olímpicos e desembarcam em Atenas. Com muito humor Goscinny e Uderzo transportam as tradição dos esportes para os quadrinhos. Ainda sobre Jogos Olímpicos, há disponível na internet uma hq da Turma da Mônica e os Jogos Olímpicos no link http://www.monica.com.br/comics/esportes/welcome.htm

Eu particularmente estranho só encontrar uma hq sobre o Pan-Americano. Aliás, acho que seria muito interessante a elaboração de uma hq com a mascote do Pan até mesmo como forma de divulgação do esporte, não apenas no Rio de Janeiro, como em todo o Brasil. Teria sido uma boa oportunidade para se divulgar e incentivar a prática de vários esportes no país.

Os quadrinhos são ótimos para a iniciação à leitura

Ler é vital em qualquer idade, e tudo começa com os pais.O hábito de contar histórias para os filhos, tão esquecido hoje, é primordial. Depois, vêm as histórias em quadrinhos, os livrinhos, etc. O ideal é que se estimule a criança sempre.A escola também tem um papel importante no incentivo à leitura. Com certeza, há escolas que trabalham bem a literatura; e outras, não. O fundamental mesmo é que os professores incentivem sempre a leitura. E que isso encontre eco nos pais. Afinal, em casa a criança também tem de ler. Nesse aspecto, os quadrinhos têm um aspecto lúdico para a criança, ótimo para a iniciação à leitura. A junção de texto e imagem, a noção de movimento, cada descoberta após virar a página, tudo isso desperta o interesse pela leitura. E já há até pesquisas, inclusive no Brasil, mostrando que crianças que lêem gibis têm mais facilidade de aprendizado. Ler exercita a imaginação, aguça a curiosidade e desperta o interesse pelo desconhecido. As crianças que lêem os meus gibis, por exemplo, me enviam e-mail perguntando coisas das mais variadas, como se o Cebolinha gosta da Mônica e vice-versa; se eles vão casar, quando o Cascão tomará banho, como a Magali não engorda, como a Dorinha “enxerga” o mundo por ser cega e muito mais. A imaginação das crianças não tem limite e é ótimo que não tenha. E a Turma da Mônica, por exemplo, propõe diversão aos baixinhos. O bacana é que a Turminha é tão diversificada, que sempre a criançada vai encontrar um personagem que se pareça com algum amiguinho.


Mauricio de Sousa
Jornalista, cartunista e empresário, criador da Turma da Mônica

http://gibitecacom.blogspot.com/

http://www.xaxado.com.br/noticias/noticias01.html

http://www.anime.com.br/

http://www.quadrinho.com/index.php?option=com_content&task=view&id=275&Itemid=1

http://www.bigorna.net/index.php?secao=lancamentos

http://www.ucdb.br/gibiteca/index.php

http://www.mafalda.net/pt/index.php

http://www.cbpf.br/~eduhq/

http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/educa%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsica

http://gibitecacom.blogspot.com/search/label/esporte

http://www.universohq.com/quadrinhos/beco_01.cfm

http://falamenino.locaweb.com.br/index.html

http://subterraneo.zine.zip.net/

4 thoughts on “História em quadrinhos

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