Primeiro passo para o fim da progressão continuada

O novo secretário da Educação, Herman Voorwald em consonância com o governador Geraldo Alckmin decidiram rever e realizar mudanças na progressão continuada que só permite reprovação do aluno ao final do quinto e do nono ano, quando as dificuldades de aprendizagem já estão praticamente solidificadas dificultando a sua recuperação.

A proposta atual é de que também haja a possibilidade de reprovação no terceiro ano.

Quando se instituiu a progressão continuada o objetivo não era priorizar e promover a aprendizagem, mas sim conter a evasão escolar. Hoje, há a obrigatoriedade e vários incentivos que levam a criança para a escola. O objetivo de se ter a grande maioria das crianças na escola já foi alcançada.

Agora o foco tem que ser na aprendizagem.

A progressão continuada provocou uma acomodação tanto por parte do aluno quanto do professor. O aluno quando apresenta dificuldade de aprendizagem e não encontra meios para saná-la, se acomoda porque tem consciência de que passará para a série seguinte, mesmo sem condições para acompanhar e sabendo que irá acumular dúvidas.

O professor, por sua vez, diante das dificuldades encontradas tanto para o exercício da profissão quanto pela ausência dos pais dos alunos com dificuldades e a falta de interesse do aluno em superar as dificuldades, acaba priorizando outras ações uma vez que o aluno irá mesmo para a série seguinte. Na maioria dos casos o aluno não consegue superar a dificuldade de aprendizagem sozinho. Ele precisaria de um acompanhamento paralelo e isto não acontece.

Com base nesta realidade afirmo que deve-se priorizar a avaliação semanal e a recuperação em casos de dificuldades de aprendizagem. Se o aluno que apresenta dúvida hoje na matéria que foi explicada ontem, poderá saná-la com o próprio professor e continuar a acompanhar a matéria sem qualquer dificuldade. Porém, se a dúvida não for sanada, esta lacuna continuará aberta e irá alargando-se com a continuidade do conteúdo tornando a aprendizagem cada vez mais distante.

É por esta razão que encontramos aluno no nono ano sem saber interpretar um texto de Português e consequentemente sem entender um problema de Matemática, o conteúdo de História, de Ciências, de Geografia e assim por diante.

Na verdade os alunos deveriam ser promovidos ano a ano não pela obrigatoriedade da progressão continuada e sim por mérito, porque estão aptos a serem promovidos para a série seguinte uma vez que não apresentam qualquer dificuldade de aprendizagem. Se as dúvidas forem sanadas de imediato o currículo poderá ser cumprido com sucesso.

Cabe a escola promover condições para que todos os alunos aprendam.

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