Superproteger – atrapalha ou ajuda?

Falar sobre superproteção é sempre muito complicado porque a mãe que superprotege seu filho o faz como prova de todo o seu amor e dedicação. Muitas vezes a mãe abre mão de si mesma para proteger o filho e não percebe que com isso está prejudicando a ela e ao filho. É certo que é dever dos pais protegerem os filhos, porém o excesso de proteção pode vir a prejudicar inclusive o seu desenvolvimento.

Há criança que na fase do engatinhar não é estimulada a isso para que não tenha contato com o chão por causa dos micróbios. É claro que não estou falando de um chão imundo como a calçada ou mesmo o chão de uma rodoviária, mas sim o chão da própria casa. Também não vai para o chão para evitar que caia e se machuque. Este tipo de superproteção acaba retardando o andar, pois ela não se exercita.

O mesmo acontece quando a criança aponta para os objetos e os pais lhe entregam imediatamente. Se a criança quer água e aponta para o filtro ganha a água e assim por diante. Esta é uma criança que vai demorar muito para falar.

Esta superproteção acaba deixando a criança numa situação confortável onde ela não precisa fazer nada para obter o que precisa. Ela irá crescer achando que o mundo gira todo em torno de si mesma sendo poupada de vivenciar toda e qualquer dificuldade. Também será uma criança que não aceitará um NÃO e toda vez que encontrar uma dificuldade irá se revoltar porque não saberá resolver e acabará se tornando uma criança insegura.

Os pais têm que ter consciência de que nem sempre estarão ao lado do filho para satisfazer suas vontades e necessidades. É muito importante que desde cedo a criança seja estimulada a romper suas próprias barreiras. Somente assim aprenderá a ter autonomia.

Pais superprotetores acabam sufocando seus filhos, tirando toda a liberdade de ação do filho e interferindo, inclusive, no seu livre arbítrio.

Pais superprotetores acabam sendo sistemáticos e vendo perigo em todos os cantos. Com isso acabam tolhendo os filhos tornando-os adultos medrosos com receio de enfrentar o mundo, e acabam se tornando escravos dos filhos.

A melhor receita é o meio termo: nem muito protetor e nem muito largado.

Este texto foi originalmente publicado no site Mãe com Filhos.

Você é ou foi uma mãe protetora ao extremo? Conte para nós sua experiência.

5 thoughts on “Superproteger – atrapalha ou ajuda?

  1. Não, não sou uma mãe super protectora. Sei que não sou esse tipo de mãe embora sofra sempre que o meu pequenino se sente doente ou quando se magoa. Não sou daquelas mães que vive perseguindo o filho para que não se magoe e não contacte com algum micróbio. Claro que o protejo ao máximo, dentro daquilo que entendo serem os limites. Lavo bem os objectos dele e até esterilizo os biberãos, mas não a toda a hora. Porventura alguma mãe esteriliza a mama de cada vez que amamenta o filhote? É que aí também têm bicho! Não sabiam? Bebé tem de criar defesas, tem de sair à rua, tem de tomar banho e chapinha e molhar tudo à volta. Tem de estar no chão, numa manta para se poder mexer à vontade e descobrir as suas próprias capacidades. Tem de brincar e tem de sentir frustração quando tenta alcançar um brinquedo e não lhe chega – se lho der logo, tiro-lhe o prazer de descobrir que afinal consegue ser ele próprio a chegar-lhe – tem de, desde cedo, aprender que existem problemas e que ele é capaz de os resolver sozinhos. Às vezes, basta uma ajudinha ou mostrar como se faz para que aprenda. Mas facilitar não é fazer sempre em vez dele. É dar-lhe colo, mimá-lo muito, mas não é preciso ir a correr tirá-lo da cama assim que acorda. É estar presente e deixá-lo saber que estou ali se ele precisar, mas dar-lhe confiança para ser autónomo.
    O meu bebé tem pouco mais de 4 meses. Por agora digo todas estas coisas sentindo plenamente que estas são as minhas linhas orientadoras. Daqui a algum tempo, quem sabe se não escreveria totalmente o contrário?
    Elsa Filipe

    Cybele Reply:

    Olá Elsa Filipe, tudo bem?

    Você está de Parabéns! Tenho certeza que não se arrependerá do seu comportamento, muito pelo contrário, irá a cada fase aprimorá-lo mais e mais. Tenho um artigo que escrevi sobre estimular os bebês que vou postar aqui amanhã e fico no aguardo do seu comentário.
    Obrigada pela sua contribuição que veio enriquecer e muito o artigo compartilhado.
    Continue acompanhando o Educa Já!
    Com carinho

  2. Pingback: O bebê e o estímulo ao movimento | Educa já

  3. Olá Cybele,esta matéria é muito importante e na verdade nós queremos protejer nossos filhos achando que estamos fazendo o melhor para eles e ai noa conseguimos enxergar que estamos atrapalhando.Eu penso que fui uma mãe meio termo pois ensinei as minhas filhas como se cuidar desde pequenas,hoje elas não moram comigo e tenho certeza que elas ja sabem se cuidar da maneira que eu ensinei,hoje em dia nós queremos que eles se apeguem a nós mas na verdade nós criamos eles para o mundo lá fora.

    Cybele Reply:

    Olá Ana Paula, tudo bem?

    Concordo plenamente. O mais importante é ensinar nossos filhos a “voarem”. Os meus também não moram mais comigo, pois foram estudar fora e hoje trabalham onde estudaram, porém conversamos todos os dias pelo rádio (beleza de tecnologia) e estamos juntos sempre porém caminham pelas próprias pernas.
    Obrigada por enriquecer ainda mais o nosso espaço.
    Volte sempre!
    Bom domingos!

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