Mãe ou amiguinha?

Educar é tarefa difícil que exige muita dedicação, muita paciência e muita persistência.

Há vezes a dúvida, a insegurança, a sensação de que algo não está indo bem invade as mentes maternas promovendo uma sensação de incerteza. Se a educação que se está dando para os filhos é certa ou não, na maioria das vezes, só se saberá quando estes forem adultos e se tornarem bons ou maus cidadãos.

Não existe aquele que tenha se educado sozinho. Ele pode não ter tido a mãe ou o pai ao seu lado, mas alguém que lhe orientasse, lhe desse uma palavra de norteamento ele teve. Pode até ter sido um amigo com bases sólidas de valores, pode ter sido uma vizinha, mas que houve alguém, houve. Isto porque somos seres sociais e necessitamos do outro para crescermos, nos alimentarmos, sermos educados.

Há casos também em que o indivíduo cresce sem bases educacionais e acaba sendo educado pela vida, ou seja, pela forma mais dolorida, pois aprenderá pelos tombos que levará, e não terá ninguém ao lado lhe estendendo a mão e cuidando dos seus ferimentos.

Muitas mães, no intuito de tentarem se chegar o mais próximo dos seus filhos, acabam agindo muito mais como amiguinhas do que como mães. Penso que é importante existir uma cumplicidade entre mãe e filho, porém ela sempre deverá agir como mãe nos momentos importantes.

Filho precisa ser orientado, ser repreendido, ter limites, ter valores e tudo isto deve ser passado de forma firme e séria e não numa conversa de igual para igual. Tentar falar a mesma linguagem, usar as mesmas roupas, ter os mesmos amigos e agir de forma semelhante não aproxima a mãe do filho abrindo o canal de comunicação. Muito pelo contrário. Quando se age desta forma a filha(o) enxerga a mãe como mais uma amiguinha e não como uma pessoa segura, forte que possa lhe amparar nos momentos de necessidade. Como irá a filha(o) refletir sobre o que a mãe-amiguinha fala se ele a enxerga como sendo igual a ela(o)?

Muitas vezes a mãe vai orientar sua filha ou filho adolescente sobre os cuidados que deve ter quando iniciar a vida sexual, e começa a falar numa linguagem tão igual, compartilhando experiências intimas que dá a impressão de que o(a) está empurrando para a vida sexual. Determinados assuntos devem ser tratados com a seriedade que merecem e neste momento não é para agir como amiguinha e sim como mãe. Este foi apenas um exemplo de tantos que podem ser citados.

Quando a mãe se sente amiguinha da filha(o) ela (inconscientemente) se sente também liberada dos compromissos educacionais de mãe. Este também é um grande problema, pois deixa para depois uma orientação que deveria ser dada naquele momento. Se ausenta demais usando as mesmas justificativas que a filha(o) usa quando algum comportamento é cobrado. E deve-se levar em conta que nem sempre a filha(o) quer ter a mãe como mais uma amiguinha. Ela quer ter a segurança que somente uma mãe lhe pode transmitir. Esta “cumplicidade” pode abrigar uma negligência por parte da mãe que poderá resultar em comportamentos agressivos da filha(o). Amiguinha é aquela que é conivente com as situações e não aquela que orienta e dá conselhos.

Por estas razões é importante que o papel de Mãe seja bem explicitado para que possa ter a eficácia esperada.

Nota: Quando falo de Mãe também me refiro ao pai que tem as mesmas responsabilidades na educação do filho(a)

E você, o que pensa sobre este assunto tão polêmico?

Concorda? Discorda? Compartilhe conosco sua opinião.

One thought on “Mãe ou amiguinha?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *