Retrato da Educação do Brasil nas placas de propaganda

Mandar confeccionar placas de divulgação é uma prática constante principalmente no comércio do nosso país. Fazer estas placas ou escrever em muros é uma profissão que tem um público certo, porém para exercê-la é preciso muito mais do que habilidade e firmeza nas mãos. É preciso ter o mínimo de conhecimento da nossa língua mãe. E não é isto que contatamos na grande maioria de placas espalhadas pelo nosso grande Brasil. Elas refletem a realidade da educação do nosso país.

 

O aluno, no início da sua alfabetização, é estimulado a escrever o mais livre possível para que consiga expressar seu pensamento e sua linguagem através da escrita. Primeiro o aluno precisa aprender a lidar com a escrita e num segundo passo será orientado quanto a ortografia, pois somente quando estiver numa fase mais madura de aprendizagem é que terá condições de perceber que a pronúncia das palavras não lhe dá embasamento para chegar à ortografia.

Diante desta infinidade de placas, cartazes e folhetos de divulgação que são escritos e impressos com erros e que circulam pelos quatro cantos do nosso país constatamos que estes profissionais ainda se conservam na fase inicial da escrita. Já se tornaram adultos, ingressaram no mercado de trabalho e continuam estagnados na aprendizagem, provavelmente porque abandonaram a escola assim que aprenderam a assinar o próprio nome. Tanto quem trabalha com a confecção das placas quanto quem as encomenda não consegue identificar o erro na palavra deixando claro que se conservam na fase inicial da escrita engrossando a porcentagem dos analfabetos funcionais.

É certo que o nosso idioma é muito complexo e que todos nós já hesitamos, em algum momento, ao escrever alguma palavra, porém quando acontece a dúvida recorre-se às fontes que possam saná-las. Há também os termos regionais que somente são usados numa determinada região dificultando sua grafia quando mencionada em outra. E também podemos citar nossa maior vilã da ortografia que é a oralidade.

Porém, o que quero chamar a atenção é sobre a quantidade de pessoas que acabam deixando a escola, seja por que motivo for, nos estágios iniciais da alfabetização e depois optam por trabalhar numa profissão que utiliza a grafia da língua materna como matéria prima. Está aí a constatação do quão NÃO importante é o saber na nossa cultura.

Veja no exemplo abaixo a falta de comprometimento com o nosso Português:

Tanto o Departamento de Trânsito quanto o profissional que confeccionou a placa não sabe qual é a maneira correta de se escrever “exceto”, caso contrário o DETRAN desta cidade não permitiria que a mesma fosse colocada em área pública.

Aqui estão mais alguns exemplos de placas, portas de comércio e muros com erros na grafia:

Meu respeito pelos profissionais que confeccionam placas, letreiros, folders e tantos outros é imenso e fica aqui o meu protesto pelo fato de eles não terem bagagem para desenvolver o seu ofício da melhor maneira possível.

Está mais do que na hora do nosso povo se apropriar de uma educação de qualidade, pois ler uma propaganda bem escrita também é fonte de aprendizagem e deixar exposto estas palavras escritas de forma totalmente errada é colaborar para o reforço do analfabetismo.

4 thoughts on “Retrato da Educação do Brasil nas placas de propaganda

  1. É lamentável que a Educação esteja a este nível, pois o que se vê é um descaso do governo em relação ao trabalho docente, quando na verdade deveria estar priorizando a educação como caminho para o desenvolvimento do país. Sendo assim, nunca chegaremos a ser um país de 1º mundo!!!

    Cybele Reply:

    Olá Wilma, tudo bem?

    Obrigada pelo seu comentário.
    Continue acompanhando o Educa Já!
    abs

  2. Este é sem dúvidas o retrato da falta de investimento em educação dos governos passados!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *