Você incentiva a fantasia no seu filho?

Este assunto é  em razão da crença no papai-noel que algumas pessoas são favoráveis e outras não.

Eu, particularmente, sou favorável ao incentivo à fantasia e a fazer uso dela para o desenvolvimento da percepção de realidade. Esta frase pode parecer contraditória, porém sabemos que a noite existe porque existe o dia, o mal existe porque existe o bem e assim por diante. Precisamos do oposto. A fantasia vai se relacionar com os mistérios do nascimento e da morte, as contradições da criação e da destruição, tentando reconciliar esses pólos opostos e atenuar os temores.

O personagem da fantasia e sua ação é um grande meio de comunicação transmitindo mensagens e valores tão importantes para a formação da criança propiciando a abertura de um canal de afetividade que estabelece uma grande proximidade extinguindo a diferença de idade entre a criança e o adulto que representa este personagem.

É importante que se estabeleça aspectos educacionais para serem trabalhados junto com o personagem da fantasia. Usar o personagem sem qualquer intenção não traz crescimento para a criança.

A formação de senso crítico é uma preocupação que a cada dia se torna mais presente na formação do indivíduo. Há que se desenvolver a capacidade de análise do que está ao redor, do avaliar questões pertinentes aos seus princípios e com isso aprender a tomar decisões de acordo com suas próprias convicções.

Nem sempre isso é uma tarefa fácil uma vez que vivemos em uma sociedade em que as informações interagem vertiginosamente atingindo o indivíduo de forma direta e coercitiva.

A fantasia é uma excelente ferramenta para a construção do senso crítico uma vez que, de forma convidativa, leva a criança a pensar e analisar para formar opinião e depois agir com convicção quando optar por deixar de acreditar. A fantasia permite estas indagações uma vez que propicia aos indivíduos visões de outras realidades motivando a análise e a formação de opinião.

Sabemos que a criatividade está intimamente relacionada à quantidade de referências que uma pessoa possui e a fantasia contribui para estas referências uma vez que não se apresenta pronta e acabada, mas resultante do raciocínio e da imaginação da criança.

A fantasia convida a criança a criar uma vez que fornece contextos que podem ser trabalhados de diferentes maneiras. Esta situação pode ser observada na escola quando após a contação de uma história em que é referenciado um determinado personagem, a professora pede para que as crianças desenhem o personagem. Embora todos tenham ouvido a mesma história não haverá um desenho igual ao outro.

As crianças, no primeiro e segundo estágio de desenvolvimento compreendido por Piaget não conseguem desenvolver um raciocínio de causa e efeito. Seu entendimento é baseado muito mais na emoção do que na razão. Assim, querer persuadir uma criança baseando-se em argumentos racionais, comuns aos adultos, terá grandes possibilidades de fracassar.

A fantasia fala de maneira simbólica a linguagem da criança. Ela dá explicações simples para fatos que ela não consegue entender e, com isso, colabora com a estabilidade emocional da criança.

Imaginar que o incentivo à fantasia vai afastar a criança da realidade é um engano. A fantasia irá propiciar uma aproximação com a realidade que deixará de existir assim que a criança começar a questionar e analisar. Este amadurecimento lhe trará uma visão do real que só será possível em razão do contato com o fantasioso.

E você o que pensa a respeito?

Reflita e deixe aqui a sua opinião.

2 thoughts on “Você incentiva a fantasia no seu filho?

  1. Acredito que a fantasia seja indispensável na construção da identidade da criança e que não irá frustrá-la de forma alguma quando chegar a uma compreensão maior da realidade. Gosto de induzir as fantasias aos meus filhos, eles criam, conversam, sentem medo, se acham o herói e não vejo mal nenhum nisso. Pior é você ouvir uma criança falar em Papai Noel e um adulto lhe dizer que ele não existe. Como fica???

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