As histórias infantis e seus valores educacionais

Quem é que não gosta de ouvir história!  As crianças adoram!

Optei por falar deste assunto em razão das postagens que estão acontecendo por ocasião da ação Baú de Diversões de NINHO Soleil  o qual também estou participando apontando o foco pedagógico em todas as brincadeiras selecionadas por cada uma das embaixadoras (veja o nome e link de cada uma ao final da postagem).

Se quiserem acessar todas as postagens e as orientações cliquem neste link http://baudediversoes.tumblr.com/

Este prazer em ouvir histórias faz com que elas sejam um grande meio de comunicação transmitindo mensagens e valores tão importantes para a formação da criança propiciando a abertura de um canal de afetividade que estabelece uma proximidade tamanha extinguindo a diferença de idade que possa existir entre a criança e o contador de histórias.

Um fator importante a ser levado em consideração ao se escolher uma história é qual a comunicação que se deseja estabelecer. Há uma imensa variedade de temas e ter a noção exata de quais aspectos educacionais se pretende trabalhar é decisivo na escolha da história.

No ato de contar histórias podemos dizer que estamos utilizando como meio de comunicação a mídia primária, ou seja, tanto o contador quanto o ouvinte usa o próprio corpo. A base central é o próprio contador fazendo uso do seu corpo, da sua voz, dos seus gestos, da sua expressão facial e corporal. Mesmo que ele utilize fantoches, bocão, marionete ou qualquer outro recurso, ele é a base de apoio.

Como falamos acima, cada história tem uma mensagem a ser transmitida e o contador deverá escolhê-la de acordo com o propósito educacional a ser trabalhado.

As análises a seguir e citações foram embasadas no livro Técnicas de contar histórias de Vania Dohme. Analisando de uma forma genérica, as histórias sempre abordam aspectos educacionais que podem variar de intensidade de uma história para outra, porém todas apresentam os seguintes tópicos de desenvolvimento:

1-       Atenção e raciocínio: As histórias têm o poder mágico de prender a atenção de quem as ouve, sejam crianças ou adultos, e por esta razão há um acompanhamento sequencial dos fatos e uma expectativa quanto ao próximo acontecimento. Com isso as crianças acabam por exercitar indagações pertinentes ao desenrolar da história. Há uma interação emocional levando, algumas vezes, o ouvinte a se sentir como um dos personagens, fazendo com que se autoquestione sobre como agiria naquela determinada situação.

Ao término da história irá comparar o desfecho apresentado com as suposições que fez estabelecendo, dessa forma, uma relação de causa e efeito fator importante para o processo de amadurecimento.

No exemplo da história da Cinderela, a criança poderá se perguntar se após as irmãs terem rasgado o vestido da Cinderela  ela ficará em casa chorando. Ou no caso da Branca de Neve, se ela sobreviverá sozinha na floresta…

Há também um exercício no tocante à memória uma vez que as maldades realizadas pela bruxa ou pela madrasta serão relembradas ao final da história, quando esta for castigada. Pode haver também um personagem que tenha uma participação ínfima no desenrolar da história e que ao final sua participação seja decisiva.

A criança sente prazer em que a mesma história lhe seja contada várias vezes, isso porque ela pode se identificar com algum dos personagens e também por querer ter certeza de que o mal sempre é derrotado e que o final é sempre feliz.

2- Senso crítico: A formação de senso crítico é uma preocupação que a cada dia se torna mais presente na formação de um indivíduo. Há que se desenvolver a capacidade de análise do que está ao redor, do avaliar questões pertinentes aos seus princípios e com isso aprender a tomar decisões de acordo com suas próprias convicções.

Nem sempre isso é uma tarefa fácil uma vez que vivemos em uma sociedade massificante em que as informações interagem vertiginosamente atingindo o indivíduo de forma direta e coercitiva.

As histórias são excelentes ferramentas para a construção do senso crítico uma vez que, de forma convidativa, leva o ouvinte ao pensar e analisar para formar opinião e depois agir com convicção.

O contador terá como função promover discussões que busquem a reflexão e o exercício do senso crítico.

No exemplo do Pinóchio, será que Gepeto deveria ter sido um pai severo evitando que Pinóchio se tornasse um mentiroso? Na história dos três porquinhos será que Heitor e Cícero eram preguiçosos porque Prático fazia tudo para eles?

As histórias permitem estas indagações uma vez que propiciam aos indivíduos visões de outras realidades motivando a análise e a formação de opinião.

3- Imaginação: Uma boa narração conduz o ouvinte aos mais diversos lugares. Em um momento pode estar voando junto às nuvens, em outro pode estar no meio de uma densa floresta, em outro no fundo do mar, pode voltar ao passado ou avançar no futuro.

A descrição detalhada fará com que o ouvinte sinta o cheiro das flores, visualize a grama verdinha, e se encante com o cavalo alado que dorme sossegadamente. Mas há que se tomar cuidado para não se exagerar nos detalhes permitindo que o ouvinte participe com contribuições para que haja uma personalização.

O exercício da imaginação é muito proveitoso porque atende à necessidade constante que a criança tem de imaginar. As fantasias ajudam na formação da personalidade na medida em que possibilitam visualizações e combinações de personagens, cenários e situações.

4- Criatividade: Sabemos que a criatividade está intimamente relacionada à quantidade de referências que uma pessoa possui e as histórias contribuem para estas referências uma vez que não se apresentam prontas e acabadas, mas resultantes do raciocínio e da imaginação pelo indivíduo exercitada.

As histórias convidam a criança a criar uma vez que fornecem contextos que podem ser trabalhados de diferentes maneiras. Isso pode ser observado quando depois de terminada a narração se pede para que as crianças desenhem a história que acabaram de ouvir e constataremos que nenhum desenho será parecido.

            As emoções semeiam a imaginação e estimulam a criatividade.

5- Disciplina: Deve acontecer de forma espontânea pela criança e não como algo imposto inquestionavelmente pelo educador.

No momento em que se trabalha algo que a criança realmente gosta, que sente que foi preparado com carinho para ela, as chances de ter uma postura atenta e participativa aumentam muito.

Ela não ira gritar ou ficar inquieta se estiver interessada em ouvir a história.

A situação também é propicia para que ela perceba que existe momento para brincar, se divertir e também prestar atenção. Isso contribuirá para o aumento de sua capacidade de concentração para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação ao seu comportamento e ao dos demais, ou seja, levará a uma disciplina consciente e assumida pela própria criança.

6- Transmissão de valores: As histórias são excelentes veículos para a transmissão de valores, porque dão contexto a fatos abstratos, difíceis de serem transmitidos isoladamente.

Como falar para as crianças sobre a constante valorização da esperteza e que mentir não é a melhor solução. Como transmitir um conceito que a mentira deixa mais vulnerável o mentiroso do que aquele que pretensamente se deseja enganar?

É difícil, mas a história de Pinóchio magistralmente cumpre este papel de forma simples: o boneco de madeira mentia e o seu nariz crescia, ficando assim formidavelmente vulnerável!

As histórias, conforme já foi mostrado, é um verdadeiro celeiro de fatos que enaltecem os valores éticos. O contador precisa estar aberto para esse fato. É preciso que ele acredite realmente na veracidade das afirmações que a história encerra dentro de sua fantasia e que os valores a serem trabalhados estejam presentes. Somente dessa forma ele poderá transmitir o que deseja de forma convincente. É importante entender os artifícios que a história utiliza para transmitir sua mensagem, pois deverão ser narrados de forma fiel a fim de proporcionar a compreensão desejada.

Quando se narra a história dos Saltimbancos, que valoriza a união, a formação de equipe, se o narrador não deixar muito claro que o burrico não tinha forças para puxar a carroça, o cachorro não assustava mais ninguém, a galinha não dava mais ovos e a gatinha não servia mais para caçar gatos, como justificar a súbita coragem que a união de todos fez nascer, fazendo com que o grupo conseguisse espantar perigosos ladrões!

Assim, a história deve ser escolhida tendo em vista a faixa etária da criança, o seu nível de compreensão, o momento adequado de abordá-la e, principalmente, estar de acordo com os valores significativos para a formação do indivíduo.

Porém, somente a escolha adequada não faz com que a história atinja seu objetivo. É preciso passá-la de forma clara, com graça, com humor, causando suspense, emoção. Deve-se usar a voz adequada, fazer gestos, usar a expressão facial e a corporal. Pode-se usar recursos auxiliares que irão encantar as crianças como fantoches, sombras, marionetes. E, pode-se fazer uma série de atividades que irá potencializar os objetivos educacionais pretendidos além de proporcionar momentos felizes e saudáveis de convivência.

Hotsite Baú da Diversão – www.nestle.com.br/PortalNestle/ninhosoleil

Aplicativo Álbum de Figurinhas – www.facebook.com/ninhosoleil?sk=wall

Cybele Meyer – Blog Educa Já | Twitter @cybelemeyer

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Conheça as Embaixadoras da Ninho Soleil

Eliane Ceccon – 1001roteirinhos.com.br – (@1001roteirinhos)

Gisele Barcellos – kidsindoors.blogspot.com – @kidsindoors

Sam Shiraishi – samshiraishi.com – (@samegui)

Monica Brandão – comerparacrescer.com – (@comercrescer)

Tiffany Stica – blogdati.com – (@blogdati)

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