Aprendizagem nas Nuvens #TribdoPlanalto

 

Fui procurada pela  Repórter Raphaela Ferro do Jornal “Tribuna do Planalto“, Goiania, para falar sobre o que vem a ser Educação nas Nuvens.

Você também se interessa pelo assunto?

Então leia a reportagem na íntegra abaixo ou se preferir acesse AQUI e vá até a página 6.

 

“Imagine que eu e você estamos conversando e eu resolvo falar sobre nuvem, qual será a nossa atitude? Olharemos para o céu e veremos as mesmas nuvens, ao mesmo tempo. Agora vamos imaginar que eu esteja longe e por isso estamos conversando pelo celular sobre nuvem, você olhará para o céu e eu também e veremos as mesmas nuvens mesmo estando em lugares diferentes.”
É este o princípio da Computação nas Nuvens, explica a professora da área de formação de educadores da Universidade de São Paulo (USP), Cybele Meyer. “Não importa em que lugar, se olhar para o céu verá nuvem. O mesmo acontece com as informações. Não importa de que computador, celular, tablet, Android se acesse. Basta conectar e se terá acesso às informações, porque elas estão na nuvem”, acrescenta.
Ela ainda complementa. “Se eu quero compartilhar minhas informações com você eu te autorizo, e de onde você estiver, no momento que você quiser, ao acessar você verá as mesmas informações que eu.” Para isso, ela explica, é preciso utilizar algum recurso, como o Google Docs, por exemplo. A vantagem é que esses recursos são gratuitos.
Parece simples, e é. A Computação nas Nuvens é a nova promessa de revolução para a área da informática. E mesmo antes de se popularizar, ela já chegou às práticas de ensino. Uma das possibilidades para a Educação é o trabalho colaborativo simultâneo. O que possibilita que professores e alunos trabalhem juntos, mesmo que estejam em locais diferentes.
A disponibilização de documentos é outra opção. Para isso, pode-se usar o já citado Google Docs. “O professor pode disponibilizar o documento para que os alunos o acessem, cada um do seu computador, ou da lan house ou do celular, no momento que eles optarem”, conta Cybele. A vantagem? Assim, eles poderão ter acesso tanto em sala de aula quanto fora dela.
“Não haverá mais o ‘não fiz porque esqueci em casa’ ou ‘não achei’ ou ‘perdi’ e tantas outras desculpas”, indica a professora. Além disso, os alunos que faltarem à aula também poderão acessar o documento que está sendo trabalhado pelo professor e, naquele mesmo momento, dar a sua contribuição.
Cybele elenca várias opções. “O professor poderá também planejar que seus alunos da turma da manhã acessem, do local que estiverem naquele momento, um determinado documento junto com os alunos do turno da tarde na hora estipulada.” Assim, uns irão interagir com os outros, promovendo uma grande partilha além dos muros escolares. Atividade que pode ser realizada entre escolas diferentes também.

Experiência prática
O compartilhamento de informações por meio das nuvens em prol da Educação foi testado pela primeira vez no Brasil durante o 3º Encontro sobre os Laptops na Educação, realizado em 2010. Cybele conta que, por meio do Twitter, opinava sobre o evento durante sua realização. Vários outros professores tuitavam sobre o evento.
Por sugestão do professor doutor Wilson Azevedo, integrante da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), alguns deles passaram a compartilhar o que estava acontecendo no evento por meio do Google Docs. “Os colegas que estavam em outros estados acompanhavam e organizavam o texto quando necessário. Com isso, o evento foi todo registrado e quem não pode comparecer participou a distância”, lembra Cybele.
Os professores podem também adotar essa prática em palestras, eventos e feiras realizadas na escola. “Em situações em que várias salas apresentam trabalhos, esse recurso pode ser útil por possibilitar que todas as exposições sejam registradas e compartilhadas em um único documento.”
Essa forma de compartilhamento é útil também para projetos interdisciplinares. Os professores envolvidos podem compartilhar um documento na nuvem para que este seja acessado durante as aulas por todos os envolvidos.

Conteúdos educacionais
Para quem ainda não tem muita afinidade com as nuvens da computação, a Microsoft desenvolveu um ambiente pronto, criado para a escola. A indicação é da professora Cybele. Ela conta que desde o ano passado realiza formações do Live@edu em diferentes cidades brasileiras. A ferramenta pode ser acessada no site www.conteudoseducacionais.com.br/programa-livr-edu.asp.
Trata-se de um pacote de aplicativos, totalmente gratuito, que disponibiliza Word, Power Point, Excel, Movie Maker, além de grupos de discussão. Segundo Cybele, nesses grupos, professores e alunos podem compartilhar arquivos, músicas, fotos, interagir no MSN Messenger, realizar reuniões em grupo, debater assuntos…
“Enfim, tudo o que é necessário em uma relação contínua pode ser acessado de qualquer lugar, pois todo o conteúdo está na Nuvem”, complementa. Ela acrescenta que não é desculpa dizer que o professor não irá usar porque não sabe como acessar, afinal todos esses aplicativos são de uso cotidiano do professor.


Cloud Computing

Ainda não entendeu o que é a Com­pu­tação nas Nuvens, ou Cloud Computing, como a chamam os norte-americanos? Doutor em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o professor dos Institutos Superiores de Ensino do Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora (ISECENSA) André Uebe explica de forma mais técnica.
Ele começa informando o básico: um computador, em geral, é composto de duas categorias de estruturas: mecânica (física / hardware) e sistêmica (sistema operacional, aplicativos…).
As duas estruturas podem estar localmente disponíveis ao usuário, no computador. Entretanto, quando se fala em Computação em Nuvem, o que muda é que a estrutura ou parte dela pode não estar localmente disponível. “Serviços de armazenamento em nuvem, por exemplo, como o Ubuntu One, permitem que ao invés de armazenar os arquivos localmente no HD do computador, você o faça em um HD em nuvem.”
Neste caso, o usuário pode executar o seu arquivo diretamente na nuvem, sem necessidade de fazer download. “Isto possibilitaria, por exemplo, que fosse possível eliminar o HD físico local do computador”, considera. A vantagem é que os arquivos salvos, seja no computador de casa, no laptop, no celular ou no tablet, estarão disponíveis automaticamente para acesso em qualquer um deles.
Segundo Uebe, as principais vantagens dessa forma de computação são: a portabilidade, o fato de estar disponível em qualquer dispositivo; e a ubiquidade, isto é, sua onipresença. Ele ainda aponta como fatores positivos das nuvens da informática: significativa economia de custos e uso de tecnologia da informação e a possibilidade destas servirem como rampa de acesso para novos avanços computacionais.
Mas há também desvantagens. A confiabilidade, segundo o professor, ainda é incerta e há, também, o risco de ficar atrelado a uma plataforma de um desenvolvedor específico. É difícil migrar de uma nuvem de uma plataforma para uma nuvem de outra. Sem contar o consciente coletivo, nele ainda há incertezas quanto à segurança das informações disponibilizadas na nuvem.

Origem
Uebe explica que o conceito de Cloud Computing surgiu em 1961. O que acontece quando o professor John McCarthy, especialista em Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massa­chusetts (MIT), apresentou um modelo conceitual. Tratava-se de um modelo rudimentar de computação, onde os serviços oferecidos seriam feitos como um sistema de distribuição de energia elétrica.
“O que vemos é a evolução de um conceito e de serviços aos moldes da maioria das invenções até hoje”, aponta o professor. Segundo ele, a diferença dos vários exemplos de aplicação do conceito de McCarthy ao longo da história para o modelo que começa a surgir neste século XXI está no fato de não se ter mais máquinas específicas dedicadas à execução de funções ou aplicações.

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