Transtorno bipolar na criança e no adolescente

O desenvolvimento da criança e do adolescente normalmente vem acompanhado de vários tipos de comportamento. Muitas vezes a falta de limites faz com que tanto a criança quanto o adolescente apresente comportamentos que, analisados isoladamente, indiquem a presença de alguma anomalia.

Vemos isso com muita frequência nos diagnósticos de Hiperatividade, muitas vezes feitos por leigos, que insistem em rotular a criança saudável e ativa como hiperativa conforme menciono no post “Hiperativo ou Levado da breca

Pais, familiares e professores têm que ter um olhar muito atento para não confundir o excesso de energia da criança com a tão falada hiperatividade. A mesma preocupação deve ocorrer no caso do Transtorno de Humor Bipolar cujo sintoma consiste na euforia extrema em que a criança e o adolescente têm necessidade de contagiar a todos se tornando até agressivo quando esta alegria não é compartilhada. Depois, num segundo momento, apresenta uma depressão violenta, seguida de choro, de autoflagelo e em casos extremos até de tentativa de suicídio.

No Transtorno Bipolar ele é muito mais crônico do que episódico e não precisa de nenhum fato gerador para ocorrer. A criança ou adolescente (também ocorre em adulto, porém o meu foco neste artigo são as crianças e adolescentes) pode apresentar este misto de humores várias vezes ao dia. Estas reações vêm seguidas de alterações no sono ou no apetite; da demonstração de excesso de energia seguida de uma fadiga imensa; de falta de concentração; de crises de risos e de choros sem qualquer motivo.

Estes sintomas não devem ser confundidos com o comportamento de “birra” daquela criança que está no supermercado feliz e ao ver um brinquedo que a mãe não quer comprar se joga no chão e começa a berrar, a bater com a cabeça no chão e outros comportamentos tão comuns em crianças que praticam birra. Percebam que houve um fato gerador para esta mudança brusca de comportamento: a mãe se negou a comprar o brinquedo, ou seja, a criança foi contrariada e fez birra.

Muitas crianças são diagnosticadas como Bipolar a partir dos três anos em razão de comportamentos parecidos com o citado acima, idade em que a criança está experimentando o seu poder de domínio e limite e que muitas vezes os pais não apresentam nenhuma ação para inibir este comportamento (falta de limite).

Em 2008 uma pesquisa constatou que no Serviço de Psiquiatria Infantil do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo são atendidas cerca de 150 pacientes infantis com transtorno bipolar por mês e na maioria das vezes são medicadas com estabilizadores de humor ou remédios psiquiátricos fortes que ainda não tem comprovação de eficácia em crianças.

Há que se ter muita cautela no diagnosticar a criança e o adolescente. Deve-se sempre lembrar que eles estão em desenvolvimento e que muitas vezes não é possível se detectar o transtorno com precisão. O diagnóstico é difícil, portanto deve ser realizado pelo médico psiquiatra ou neurologista em conjunto com o psicopedagogo que além de acompanharem a criança darão respaldo para a família.

É preciso ficar atento e agir com muita cautela, afinal trata-se da saúde de uma criança ou de um adolescente em processo de desenvolvimento.

Saiba um pouco mais sobre o Transtorno Bipolar assistindo ao vídeo abaixo

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