Alunos com necessidades especiais na escola e a importância da parceria escola-família

Quando falamos em alunos portadores de necessidades especiais ingressando nas escolas devemos destacar um ponto de extrema importância:

O olhar para este aluno não deve ser um olhar diferenciado e sim o mesmo olhar que todos os outros alunos recebem.

Somente assim conseguiremos que este aluno tenha o mesmo direito de brincar, de se  comunicar, de se relacionar, enfim, o mesmo direito de participar de todas as atividades escolares que todos os demais alunos..

O preconceito deve ser abolido persistindo o respeito pelas diferenças e o respeito pela diversidade. Somente com o rompimento destas barreiras é que o aluno inclusivo será integrado à sala de aula, à escola, à comunidade, à sociedade.

Vale também ressaltar que a educação inclusiva não consiste em o professor focalizar no aluno com necessidades especiais propondo ações diferenciadas, ou seja, qualquer especificidade não deve ser destacada, afinal os alunos são diferentes uns dos outros. O professor deve ter sempre em mente que cada aluno tem seu ritmo, tem suas dificuldades e que deve respeitar estas diferenças.

Como abordo no meu livro “Inteligências na Prática Educativa”:

Não queremos mais que nossos alunos caminhem junto com a multidão sem que saibam para onde estão indo. Está na hora de mudarmos esta realidade. Quanto mais conhecemos o outro, mais condições teremos de orientá-lo.

Ninguém é igual a ninguém, logo ninguém é superior ou inferior a ninguém.

O aluno inclusivo deve ter o mesmo direito de brincar, de cantar, de participar das brincadeiras, de participar das dinâmicas, das atividades, enfim, a escola deve enfatizar todas as ações, pois elas são molas propulsoras de aprendizagem.

Toda a atividade proposta pelo professor deve ter por objetivo atender a todos respeitando a diversidade. O professor pode utilizar as diferentes linguagens para procurar atingir o aluno.

O professor tem que entender a linguagem que o aluno fala e falar a linguagem que o aluno entende (Inteligências na Prática Educativa)

É importante que o professor do ensino regular receba ajuda de um professor de educação especial discutindo e adequando as ações cotidianas. O professor de educação especial pode auxiliar na organização de situações problema que deverão ser propostas ao aluno com necessidades especiais para que este tente resolvê-las. Estas situações problema podem abranger tanto a utilização do corpo superando obstáculos físicos quanto utilizando o cognitivo.

A resolução e superação será um grande diferencial, pois influenciará diretamente no comportamento deste aluno tanto na escola quanto na vida em sociedade abrindo seus horizontes e dando embasamento para tomada de decisões.

 Haverá momentos que o assunto ou atividade abordado pelo professor não despertará interesse no aluno inclusivo e por esta razão ele se negará a realizar tumultuando a sala ou ficando apático em um canto. Nenhuma das duas atitudes é positiva tanto para ele quanto para a classe. Será neste momento que o professor poderá propor atividade lúdica paralela, sem fugir totalmente do contexto, propiciando que no momento da partilha ele integre a atividade.

Porém, estes momentos devem ser esporádicos e usados somente quando esgotados os esforços de incluí-lo na atividade em grupo.

Quando a escola se preocupa em refletir e buscar caminhos para acolher e integrar o aluno com necessidades especiais, os resultados favoráveis começam a aparecer.

Muitas vezes o professor está empenhado, vai atrás de diferentes possibilidades, de alternativas, porém não recebe o apoio que necessita da escola. É importante que a escola como um todo esteja engajada e que esta preocupação e envolvimento façam parte do coletivo escolar.

A escola, muitas vezes, acredita cumprir com seu papel adequando o espaço físico para o recebimento do aluno com necessidades físicas especiais. É claro que é importante, pois propicia a autonomia deste aluno. Ele sabe que poderá ir ao bebedouro sozinho porque este está adequado à altura da sua cadeira de rodas. Ele pode ir sozinho ao banheiro, pois tudo lá está planejado para que possa usar sem passar por constrangimentos. Todas estas ações acabam por elevar a autoestima do aluno inclusivo integrando-o ao ambiente de forma natural.

Porém, o compromisso da escola vai muito além do investir em adequações físicas. Têm que dar suporte ao professor. Deve integrar a participação concomitante de professora de educação especial para que sugira atividades a serem aplicadas bem como indique a forma como estas atividades devem ser propostas e desenvolvidas tendo sempre um olhar reflexivo para os resultados obtidos.

É importante que o professor tenha a família como parceira, pois ela pode apontar quais as necessidades principais do aluno que somente com a convivência se pode detectar.  Pode também dar o retorno que apontará o quanto a aprendizagem está acontecendo. Se a família atuar como parceira o professor ganhará tempo em razão destas informações, e o aluno poderá ser melhor trabalhado evitando que seja um processo repetitivo ou exaustivo. Somente a família tem condições de compartilhar este saber com a escola e estes relatos são importantes para o crescimento cognitivo.

O mais importante é estimular o esforço coletivo e a troca, somente assim se construirá um caminhar sólido, consistente e afetivo minimizando e excluindo algumas atitudes que ainda presenciamos como o de algumas escolas que se negam a aceitar crianças com necessidades especiais alegando as mais diferentes desculpas.

Sugiro a leitura deste outro artigo que escrevi: Incluir é muito mais do que aceitar.

2 thoughts on “Alunos com necessidades especiais na escola e a importância da parceria escola-família

  1. Você esta certa a inclusão não depende somente de estrutura física e adequada,mas principalmente de profissionais preparados e dispostos a enfrentar desafios! Mas infelizmente a escola esta somente abrindo as portas,sem se preocupar como o aluno ira se adequar ao processo e ao ensino.E dessa forma a escola vem fortalecendo a exclusão do aluno especial.Perdoem-me os profissionais dedicados!

    Cybele Reply:

    Olá Helem, tudo bem?

    Obrigada pelo carinho de sempre.
    Continuamos juntas em 2013.
    abraços
    Cybele Meyer e Equipe Educa Já!

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