Falando sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira em 2012

De acordo com o que foi noticiado ontem (14/08) no final do dia,

Pelo terceiro ano consecutivo Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (CApUFPE) obteve a maior média entre as escolas públicas do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), nos anos finais do ensino fundamental. Em 2011, aescola obteve 8,1 em uma escala de zero a dez. O resultado foi superior ao de 2009, quando a escola obteve 8, mas inferior a 2007, quando a média foi de 8,2. (Via G1)

E na outra ponta…

Situada no bairro de Jardim Santo Inácio, em Salvador, a Escola Estadual 29 de Março recebeu a média 0,1 no índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), divulgado nesta terça-feira (14) pelo Ministério da Educação (MEC). A nota é a pior do Brasil na comparação com outras 30.841 escolas em análise referente à 8ª série do ensino fundamental. (Via G1)

Obs.: Até o presente momento o MEC  não informou se esta foi realmente a média obtida pela E.E. 29 de Março.

Refletindo sobre a realidade de uma e de outra escola pude averiguar que:

A escola de Recife – PE diz que este resultado é fruto do trabalho em conjunto entre alunos e professores e que fazem o que toda escola deveria fazer – ENSINAR.

O diferencial:

– Quase todos os professores possuem Mestrado e Doutorado

– Parceria e atuação da família

– Máximo de 30 alunos por sala

– A preocupação da escola não é com o Ideb e sim com o estudante

– O conteúdo faz conexão com o cotidiano

– A escola estimula a liberdade com responsabilidade e limites.

A escola de Salvador – BA não tem sequer placa ou letreiro informando que é uma escola e sua entrada é feita por um portão lateral. Também divide seu espaço com um centro comercial do bairro onde funcionam 3 mercadinhos e uma farmácia

O diferencial

– Muita indisciplina

– Falta de infraestrutura

– Falta de segurança no bairro. Os alunos não podem mais sair da unidade para comprar merenda, como de costume, e segundo alunos, os menores de 18 anos têm que esperar os pais para deixar a unidade. (Via Correio)

Mesmo que seu índice não seja 0,1 e sim 2,4 como afirma, dá para perceber a diferença entre uma escola e outra. Não consegui achar na pesquisa que fiz pela internet nenhuma informação sobre os professores, alunos, didática, enfim nada sobre a E.E. 29 de Março que pudesse contribuir na reflexão sobre a aprendizagem ou falta dela.

Ressaltando a visão da escola diante dos resultados aqui apresentados percebemos que assim como para o aluno a aprendizagem só ocorre quando o tema tratado lhe é significativo. Para a escola os números divulgados pelo MEC só gerarão mudanças quando compreender que o foco não é inventar estratégias para se sair bem no Ideb, mas sim desenvolver estratégias para que a aprendizagem aconteça desde a Educação Infantil resultando em uma aprendizagem eficaz.

Se sair bem no Ideb não é o objetivo principal. O objetivo principal é formar bem o aluno para que a escola se saia bem no Ideb e consequentemente, o aluno se saia bem na vida pessoal e profissional. Este esforço tem que ser da escola em parceria com a família e com a comunidade. Todos têm papel fundamental no desenvolvimento e formação do aluno.

Usando metáforas podemos dizer que a Educação Brasileira está doente e o termômetro (Ideb) marca a temperatura de 42º. O fato de se pegar o termômetro e colocar a sua ponta de mercúrio em água fria até que regrida a 36,5º não significa que o paciente sarou. O resultado do Ideb divulgado está apontando quais os estados apresentam febre mais ou menos alta e quais aqueles que estão em estado febril. A escola não tem que incidir o foco no termômetro e sim em estratégias para superar a doença propiciando com que a aprendizagem aconteça.

Este é o mesmo princípio seguido pelo Ensino Médio e o Vestibular. Se o aluno tiver uma excelente base ao longo da sua trajetória escolar, incluindo o Ensino Médio com novas e eficazes diretrizes curriculares, é claro que ele será aprovado no Vestibular e sua atuação na Graduação será promissora. Porém, enquanto o Ensino Médio se preocupar em “adestrar” seus alunos para passarem no Vestibular o baixo desempenho e a evasão serão uma realidade e a qualidade dos profissionais graduados continuará em estado de alerta.

Agindo desta forma o Ensino Médio também está valorizando o termômetro ao invés da saúde na educação.

A Educação além de investir em conteúdos significativos tem que estimular o desenvolvimento das habilidades e competências do século XXI

Nas formações que faço em diferentes estados do nosso país, sempre que pergunto para os professores se eles desenvolvem as habilidades e competências do século XXI em seus alunos eles me olham com expressão de espanto. Em seguida sugiro que me apontem quais são as habilidades e competências do século XXI, e o silêncio continua. Peço então que me falem uma competência e ninguém me diz nada. Isto acontece em todas as formações, sem exceção. Quando cito algumas eles então identificam que em algumas atividades estas habilidades e competências são estimuladas, porém sem a consciência de que são fundamentais para formar um indivíduo atuante, criativo, interpessoal, comunicativo, formador de opinião numa sociedade em constante movimento e transformação.

Na sequência questiono se os professores incluem em suas ações pessoais e profissionais o autoestímulo ao desenvolvimento destas mesmas habilidades e competências e a resposta é sempre: NÃO.

Agora pergunto:

  • Como o professor pode passar credibilidade no estímulo destas competências e habilidades se ele mesmo não as pratica?
  • É comum o professor trabalhar com Projetos interdisciplinares?
  • Compartilha com seus colegas as boas estratégias e os bons resultados obtidos?
  • Trabalha em equipe?
  • Colabora?
  • Coopera?
  • Tem pensamento crítico?
  • E tantos outros…

Se estas ações não habitam o seu cotidiano como poderá estimular que elas aconteçam em sala de aula?

Muitas escolas oportunizam formações aos seus professores. Porém, quem vai até a escola promover a formação fica o tempo todo na frente falando sobre o que deve ou não ser realizado ou já chega instigando questionamentos,  propondo que trabalhem em grupo, que partilhem, que colaborem durante toda a formação motivando a realizarem o mesmo em suas salas de aula?

E vou mais longe: As Graduações que formam docentes já se atualizaram ou continuam com seus currículos engessados formando professores do século XX para atuarem em escolas do século XIX tendo alunos do século XXI?

Aproveito para ressaltar o meu livro “Inteligências na Prática Educativa” que aborda a importância de se estimular no relacionamento professor-aluno as relações de intrapessoalidade oportunizando o conhecer-se a si mesmo tornando-se hábil para conhecer o outro, e de interpessoalidade propiciando uma melhor interação entre seus pares.

Finalizo afirmando que é fundamental que todos os envolvidos diretamente no processo de aprendizagem – escola, família, comunidade – se mantenham em constante estado de alerta procurando identificar onde estão se formando as lacunas da dúvida para que sejam “preenchidas” evitando, assim, que ocorra erosão na aprendizagem.

E você? O que pensa sobre o exposto acima?

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